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terça-feira, janeiro 30, 2007

Tem a palavra José Sócrates


(Sapo/YouTube)

13 mulheres não valem nada, e o aborto nunca existiu

É a única conclusão possível depois de visto o novo outdoor da "Plataforma Não Obrigada". E isto, mesmo já dando de barato que um embrião, sem sistema nervoso, pode ser comparado a uma pessoa... *10, 9, 8, 7.... inspirar*

O argumento natalista

Propaganda natalista nazi (esq.) e estalinista (dir.).

"Vai-se legalizar o aborto quando a taxa de natalidade é tão baixa?". É um falso argumento a vários níveis. Desde logo é altamente discutível se a baixa taxa de natalidade é um problema. Mas é sobretudo falso porque se sabe que a criminalização ou não do aborto em nada influencia a taxa de natalidade. Mas nem é isso o que mais choca, o que choca, ou devia chocar, é a facilidade com que alguns vêem as mulheres como meras parideiras ao serviço da pátria. Choca-me que este argumento usado por Hitler e Estaline, precisamente para criminalizarem o aborto, continue ainda hoje, como se nada fosse, como se nada tivesse acontecido, a ser usado com a descontracção e dramatismo fingido com que se canta um fado.

Orgulho no Sim

Depois do Prós & Contras é só isto que me ocorre. Que orgulho tenho em estar ao lado daquelas pessoas quando no próximo dia 11 escrever o X no Sim. Vital Moreira absolutamente impecável, absolutamente na mouche, calmo, sereno, honesto, claro e esclarecedor. Brilhante, absolutamente brilhante. Idem para a dra. Maria José Alves. Clap, clap, clap! Mais, nunca pensei um dia escrever isto, mas força, força companheiro Vasco Rato! "Se não é por opção da mulher, é por opção de quem?" é uma das frases da noite, e claro, ficou sem resposta por parte dos Nãos. Vénias ainda a Catarina Furtado e a Lídia Jorge, vilmente atacadas pelas patrulheiras do Não, a segunda em directo no programa. Estou a esquecer nomes, mas lindos todos, claros, serenos, calmos, positivos. Babei de orgulho.

Eu que hesito sempre entre ver ou não ver estas coisas, não vá o coração não aguentar (que isto de já ter mais de 10 semanas é lixado para os corações), dei por mim a serenar e a apreciar o quão belo pode ser simplesmente falar verdade, encarar a realidade, ser honesto e corajoso. Clap, clap, clap! Parabéns a todas e a todos os que se bateram pelo Sim, foi lindo!

segunda-feira, janeiro 29, 2007

"Referendo ao aborto"

Abortar, sim ou não? É uma pergunta que compete responder à mulher que se encontra numa situação em que abortar é uma das hipóteses. Isso é, foi e será assim, independentemente do resultado do referendo, porque independentemente do resultado do referendo, o aborto continuará a ser uma realidade, e logo uma hipótese.

A pergunta do referendo é outra, se concordamos, ou não, com a despenalização do aborto até às 10 semanas realizado em estabelecimento autorizado. Simplicíssimo, mas eu explico, se achamos que a actual pena de prisão até 3 anos prevista na lei não tem razão de ser para os casos de aborto em estabelecimentos de saúde devidamente equipados e legalizados. Sim ou não?

Mas ainda antes de Marcelo, já a RTP tentava baralhar as coisas. Convencer-nos que o que se referenda é a primeira pergunta, e não a segunda. Já o escrevi n vezes, lamento estar a repetir-me, mas a RTP repete-se continuamente. "Referendo ao aborto", "sim ou não ao aborto", "movimentos contra o aborto", ainda hoje ouvi no Telejornal. O que não se ouve é "referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez", que poderia ser encurtado para "referendo à despenalização do aborto", mas nunca "referendo ao aborto". Disse, insisto, repito, não é jornalismo, não é sério, não é honesto e é pago com os nossos impostos.

Já escreveste ao provedor? Se adiares para depois de dia 11, poderá ser demasiado tarde.

Vídeos do prof. Marcelo resumidos e explicados


Para quem não tem pachorra para ver os originais, aqui fica o resumo. Também no YouTube.

Visionamento a acompanhar com a leitura deste artigo do Rui Tavares, na mouche como de costume.

sábado, janeiro 27, 2007

O Não e a extrema-direita

Já se sabia que a extrema-direita estava pelo Não no referendo antes mesmo da campanha começar. Basta lembrar que Hitler criminalizava o aborto quando praticado por mulheres arianas, cuja função era parir mais filhos para a pátria. Até aqui nada de novo, nenhum motivo para notícia sequer, a melhor forma de se lidar com isto, já se sabe, é com um cordon sanitaire. Ao Não democrático competia apenas não se deixar confundir com o Não nazi.

Problemas da periferia e imaturidade democrática, o Não do Establishment (CDS, ala direita do PSD e legião de Maria do PS) prefere a extrema-direita a um partido democrático e com assento parlamentar como o Bloco de Esquerda. Desde que este partido denunciou as ligações do "Blogue do Não" ao blog "Pela Vida", o BE está sob ataque cerrado pelas hostes do Não, que o acusam, claro, de "extremismo", mas pouco se esforçam para mostrar as diferenças face à extrema-direita. E não são apenas links que os ligam, até debates conjuntos já tiveram. E mesmo com alguma boa vontade, a verdade é que não se vislumbram diferenças entre os argumentos de uns e outros. A mistura do Não com a extrema-direita não foi criada pelo Bloco, esteve sempre lá, e só não vê quem não quer.

Afinal havia outra

Fartinho que estava das manipulações grosseiras da RTP, decidi dar uma oportunidade ao noticiário da SIC. Ingenuidade minha de novo, da tv é de se esperar sempre o pior. E assim foi, antes de uma peça sobre acções de campanha de rua por Lisboa de ambas as facções anunciou-se com grande alarido, o âncora claro, que a do Não se viu a braços com grave incidente. Afinal o grande incidente mais não era que um transeunte a rejeitar a hipocrisia subjacente ao voto Não e a lembrar que na restante Europa, à qual queremos pertencer, a coisa há muito foi resolvida. A isto ia uma individua do Não dizendo que não era nada assim, que a Europa anda arrependidíssima de já não penalizar as mulheres e querem todos voltar para trás. Claro que não deu um único exemplo, e só a Polónia serviria para tal, mas não é exactamente como a Polónia que queremos ser, ou é? E dica grátis para a sujeita, se também pensou Nicarágua esqueça, é noutro continente... Mas bom, nada disto se soube pela SIC, que tal como a RTP, defende a teoria de que o jornalismo isento é o jornalismo acéfalo, incapaz de denunciar a mais flagrante mentira ou contradição. E por outro lado, capaz de transformar uma breve discussão num "incidente". Que diria a SIC do fulano que chamou "abortadeira de m****" à L.?

Avançando na peça viu-se depois Paula Teixeira da Cruz em campanha pelo Sim, mas quem não soubesse que se tratava de uma deputada do PSD, ficou sem o saber vendo a SIC... Finda a reportagem anunciam uma outra sobre filmes intrauterinos de carícias entre gémeos, assim um cúmulo de pornografia embriófila e incestuosa que me escusei a ver.

Se o Sim ganhar no próximo dia 11 haverá mais um motivo para considerar que a democracia portuguesa amadureceu, pois nesse dia se concluirá que as tvs já não decidem eleições.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

RTP pelo Não (actualização)

Ingenuidade minha. Decidi assistir ao Jornal da Tarde de hoje a ver se corrigiam a mentira grosseira que passaram ontem. Claro que não, até porque só houve uma notícia sobre o referendo durante todo o noticiário: excertos da entrevista ao sr. Policarpo, chefe da filial portuguesa da ICAR, dada ontem em horário nobre pela televisão pública. E se ontem ao ver a entrevista completa Policarpo parecia um defensor do Não pouco convicto, quase hesitante, hoje, com os momentos bem seleccionados, não deixou qualquer dúvida. E tu, já escreveste ao provedor?

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Portugal é o 3º melhor do mundo, que a Nicarágua já está no céu!

Ainda no Jornal da Tarde de hoje, e imediatamente a seguir às notícias sobre o aborto (não fossem os espectadores perder a associação "aborto/baixa natalidade" por causa de alguma notícia de bola), a RTP divulgou um "estudo" da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas a alarmar para esse assunto, o da baixa natalidade. Estudos destes são a dar com um pau (dos sérios aos a brincar como este), estão longe de ser novidade, e se queremos taxas de natalidade altas como em França e na Dinamarca não é criminalizando o aborto que o conseguimos. Mas a ideia de noticiar o dito "estudo" era outra, ou não estivéssemos na RTP, e daqui até ao referendo ainda veremos várias notícias "inocentes" plantadas imediatamente a seguir às do aborto, como aliás já vimos esta semana, ora ginástica para grávidas em Vila Real, ora uma associação pelo parto natural... Estou até capaz de imaginar a próxima!
«Com uma eventual vitória do "sim" no referendo do dia 11 de Fevereiro, Portugal desceria do terceiro para o décimo lugar no ranking mundial de "países amigos da vida". Esta foi a principal conclusão do estudo do docente da Universidade do Minho e mandatário do movimento cívico Minho pela Vida, Luís Botelho Ribeiro, apresentado ontem à tarde, em Lisboa.

De acordo com o docente, Portugal "é o terceiro melhor país do mundo para nascer, logo atrás da Irlanda e da Suíça", que ocupam respectivamente o primeiro e segundo lugares. Mas o trabalho avança que caso o aborto seja despenalizado Portugal desceria para o décimo lugar.
»
(fonte: Plataforma Não Obrigada)
É isso mesmo, Portugal é o terceiro melhor país do mundo para nascer! *pausa para risos e lágrimas* Adiante, este nome, Luís Botelho Ribeiro, lembrou-me algo, e depois de se me fazer luz (pois é, perigosos abortistas como eu também tem essa capacidade de ocasionalmente fazerem luz sobre determinados assuntos), percebi melhor as razões de Portugal estar em 3º no tal estudo. É que Luís Botelho Ribeiro foi um dos candidatos a candidatos das últimas eleições presidenciais. Queixando-se da falta de atenção da televisão pública iniciou uma greve de fome que terminou 3 dias depois, não que a atenção da RTP tivesse chegado, apenas a fome que apertou e foi mais forte que a palavra dada. Suspeito portanto que o 3º lugar de Portugal no estudo mundial, se devem ao facto do sr. Ribeiro ter começado pela Irlanda, saltado para a Suíça, indo a Portugal, e tendo desistido de ir mais longe ao verificar a vastidão do globo terrestre.

À procura da confirmação dessa minha suspeita fui procurar o site do Minho pela Vida, não achei. Mas achei um Minho com Vida, que até é capaz de ser o que a Plataforma Não Obrigada refere, já percebemos há muito que esta gente com nomenclatura e língua portuguesa não vai longe... Lá chegado, estudo não encontrado, mas encontrei uma apetitosa notícia, apetitosa por ser tão esclarecedora do que move esta gente, a criminalização total do aborto, ora atentem:
«(...) agora arremete contra a lei que eliminou o falacioso aborto terapêutico na Nicarágua. (...) Entretanto, esta semana reapareceu nos meios exigindo na Nicarágua que se restitua o aborto terapêutico, a pesar que peritos médicos em todo mundo reconhecem que com os avanços científicos atuais *o aborto nunca é necessário para salvar a vida de uma mulher doente*.»
Bastante mais claros que Marcelos ou bispos viseenses, não? Querem-nos como a Nicarágua. O que é que se responde a isto?


Acho nojento fazerem-se orgias em frente a uma maternidade

Mapa da "caminhada pela vida", a caminhar vivamente em breve por Lisboa.

Ou será que vão tirar o exclusivo à Nª Sª e às dragonas indonésias também a fazendo de forma imaculada?

quarta-feira, janeiro 24, 2007

O que a Igreja realmente pensa sobre o aborto

Depois de um dia de aparente benevolência e boa vontade da ICAR, que por marcelina inspiração se diz "a favor da despenalização, mas contra a liberalização do aborto", convém recordar o que diz a mesma ICAR quando não se está em período de campanha. Bastante mais claros não são? Afinal tem o dever de participar na campanha, afinal são pela penalização e não concebem que os católicos não o sejam, e a educação sexual é em casa, não na escola. Mas em tempo de campanha suaviza-se o discurso, inventam-se jogos de palavras e confia-se na iliteracia dos jornalistas que logo acorrem histéricos...

E continua a campanha da RTP pelo Não

Não é só o padre Borga a colorir negativamente a hora de almoço da televisão pública. Ainda numa de masoquista decido ver o Jornal da Tarde da RTP. Chega a hora de falar no referendo e lá vem novo bispo, todos os dias há um novo, e hoje foi a vez do de Viseu. Novidade, as sacristias deste país já estão ligadas à internet! Então não é que o senhor bispo repetiu palavra por palavra o discurso troca-tintas do sr. Marcelo Rebelo de Sousa, aka "O Professor". Que a igreja afinal até é pela despenalização das mulheres, mas que não quer a legalização do dito cujo. Resumindo, cadeia não, clandestinidade sempre! Uma pena que esta gente só se lembre disto quando se discute a legalização, quase 10 anos sem ouvir uma palavra a favor da despenalização, e de repente parece que todos sempre lutamos por isso...

Bom, acaba a recitação das youtubadas do professor Marcelo pelo senhor bispo e começa uma reportagem sobre diabetes. Ah? Então e o Sim? Onde está? Nem para passar o Ricardo Araújo Pereira (Gato Fedorento) que trabalha na estação? Não, ficamos como na segunda-feira passada, no Jornal da Tarde só há espaço para o Não.

PS: E ainda alguém desse clube novo do "Não no referendo, mas Sim à despenalização" me há-de explicar que legitimidade política haveria para despenalizar (que é aquilo que o referendo pergunta) em caso de vitória vinculativa do Não...

Olhe que não, olhe que não

Puro masoquismo, ligo a tv antes das 13h e levo logo com o padre Borga a dizer "ainda bem que somos todos contra o aborto!". Fica a dúvida, estaria a referir-se aos funcionários da RTP? (E já agora, quanto é que o padre Borga r€c€b€ por promover os seus discos pimba e superstições diariamente na televisão pública?) Ou, será que o padre se referia a toda a gente envolvida na campanha, seja pelo Sim ou pelo Não?

É possível que fosse este o caso, tal a imagem de ultramoderação que o Sim se esforça por passar. Eu acho que estrategicamente é importante passar a imagem de que o Sim é o voto moderado, o voto do bom-senso, da responsabilidade. Mas muito cuidado com as cedências que se fazem ao Não. Pessoalmente não tenho qualquer objecção moral ou ética ao aborto voluntário no início da gravidez.

A única razão pela qual considero positiva a redução do número de abortos é por isso significar que menos mulheres são expostas aos riscos a ele subjacentes. Riscos esses que são a razão pela qual o aborto não deve ser usado ou promovido como método contraceptivo, mas antes como o "plano B", quando tudo o resto falha. Mas um plano B perfeitamente legítimo, tal como é perfeitamente legítimo que cientistas cultivem células humanas em caixas de petri ou clonem porcos com alguns genes humanos que possibilitem o desenvolvimento de órgãos aptos ao transplante para pessoas que deles necessitem. Conjuntos de células humanas vivas não são necessariamente seres humanos, é preciso bem mais que isso. Como bem escreve o Ricardo Alves, a vida não começa com a fecundação, transmite-se. E avaliar algo por aquilo que poderá vir a ser, em vez daquilo que é, não é mais que futurologia e crença. Sejamos racionais, sim?

terça-feira, janeiro 23, 2007

Minhot@s, isto também é convosco:

Basta!

A televisão pública, paga com os nossos impostos, promove uma "oportuna" (leia-se conveniente) entrevista ao sr. Policarpo com esta pergunta e resposta: "Será o ABORTO comparável ao TERRORISMO? O Papa Bento XVI diz que SIM.". De uma vez por todas basta! Basta de campanha pelo Não paga com os nossos impostos! Basta de "jornalistinhas" videntes armados em pastorinhos new age! Basta de sermos insultados e difamados pela televisão que pagamos do nosso bolso! Basta de propaganda no lugar da informação! BASTA! Foram ultrapassados todos os limites da decência democrática. Foram esquecidos todos os princípios do jornalismo. É o grau zero do que era suposto ser serviço público.

Marcelo Rebelo de Sousa, o abortista radical que gosta de mentiras

muito boa gente comentou o vídeo e site do comentarista pago com os seus impostos. Mas os ditos são tão, como dizer, inacreditáveis que não resisto a comentar. Marcelo defende a despenalização até às 18 semanas e por isso vota não. Marcelo é a pessoa mais feliz com o referendo, mas acha a pergunta mentirosa. Depois navega-se pelo site e descobrem-se coisas espantosas, como "Em 2005 houve 73 casos, e não milhares, de mulheres atendidas na sequência de aborto clandestinos." Porquê? Porque sim, porque Marcelo diz que sim e é quanto basta, não é preciso indicar fontes, nada, atira-se um número ao ar, contradizem-se os estudos elaborados, et voilá. Citações completamente descontextualizadas (sem sequer a indicação de onde e quando foram proferidas) também abundam. Só faltam mesmo a seriedade e a honestidade, mas não é isso que interessa, o que interessa é garantir a vitória do obscurantismo a qualquer preço, orgulhosamente sós na Europa - a cauda será sempre nossa!

PS: Que querida a RTP, no Jornal da Tarde de hoje até ensinou os espectadores a procurarem os vídeos do Marcelinho no YouTube. Digo vídeos porque há um novo onde Marcelo esclarece melhor a posição, é contra a penalização mas é a favor da clandestinidade. Abortai à vontade, mas longe da minha vista, mesmo que isso implique um prejuízo da vossa saúde... a minha vistinha é que não pode ser afectada.

E a Europa civilizada mira-nos com pena e convida-nos a juntarmo-nos ao grupo

«A eurodeputada socialista Edite Estrela divulgou ontem à noite, durante um debate realizado em Castelo Branco, que o Parlamento dinamarquês apelou ao "sim" no referendo sobre o aborto em Portugal. O documento, enviado à presidente da delegação portuguesa do grupo socialista no Parlamento Europeu "por uma colega dinamarquesa", foi definido como "um apelo subscrito por todos os partidos com assento no Parlamento dinamarquês".»

Na Dinamarca o aborto a pedido é permitido até às 12 semanas da gravidez. O país que em Portugal tem muitos fãs de direita pelo seu modelo de "flexisegurança" (mais pelo "flexi" do que pela "segurança"), tem uma das taxas de desemprego mais baixas do continente, uma das taxas de natalidade mais altas e é o país no mundo onde mais pessoas se declaram felizes. Escusado será dizer que Portugal é o mais infeliz da Europa Ocidental.

Amanhã

domingo, janeiro 21, 2007

RTP Não Não Não

Começa a ser escandalosa a cobertura da RTP à campanha para o referendo. Não tenho ligado muito às outras TVs, mas constatar que os meus impostos servem para financiar a propaganda do Não é de dar a volta ao estômago. É certo que já tiraram a imagem do recém-nascido do grafismo optando por um boletim de voto (até parece que lêem o renas), mas a expressão "referendo ao aborto" continua em alta, e as peças sobre o Não são sempre pelo menos o dobro (em número e tempo) que as do Sim. E além destas, como aponta o Miguel, seguem-se reportagens "inocentes" sobre partos em casa ou raparigas adolescentes que decidiram levar avante gravidezes não planeadas - good for them, sem ironia, só me pergunto, mas que raio tem isso a ver com o artigo que se referenda? Para os que não se lembram reza assim: «A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos.» Quem quer ter filhos pode continuar a tê-los e como bem entender, só não se quer obrigar ninguém a tê-los não os querendo, ok?

Mas não é só a RTP em alegre campanha pelo Não, o que me parece constituir uma grande diferença face a 98, altura em que a comunicação social esteve bem mais isenta. Nos tempos que correm qualquer indignação do CDS vale uma notícia, ora não sei quem que mandou uns mails, ora uma juíza que ousa ter opinião. Que se lixe a parte de haver na televisão pública um espaço diário da responsabilidade da ICAR em propaganda pelo Não desde que se começou a falar em referendo! E o sorriso enternecido de Judite Sousa ao apresentar uma peça sobre os betinhos beatos do "Diz que Não", a dizerem que iam ajudar as criancinhas, também é pago com os teus impostos! (By the way, alguém devia avisar essa miudagem que o RAP do Gato Fedorento vota Sim, pelo que convinha mudarem de nome). Mas deixemo-nos estar, cruzemos os braços como em 98... embalemo-nos no bonito discurso do "não partidarizem a campanha", que é o que mais se ouve nos últimos tempos, e vão ver a festa do CDS no dia 11 de Fevereiro.

PS: Incrível, não há mesmo pingo de vergonha. Hoje [22.01.2007] no Jornal da Tarde da RTP passaram duas peças sobre o referendo, a primeira sobre as declarações do bispo da Guarda (que o de Beja não interessava mostrar), que defende a pena capital para quem aborta, e depois um anúncio da caminhada pelo Não que vai haver em Lisboa. Reportagens sobre o Sim, zero! Não há mesmo vergonha! Já escreveste ao provedor?