Mostrar mensagens com a etiqueta casamento. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta casamento. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Guerra a sério

Parece que vivemos num mundo em que se encara com naturalidade que um homem vestido de saias e dourados vários, com cara de quem não fode e se gaba disso, condene e ataque continuamente aqueles que amam alguém do mesmo sexo. E não é que vivemos mesmo? O sobrenatural deve ser isto.

PS: Há no mundo 9 países que condenam a homossexualidade com a pena de morte (e apenas 5 que permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo), sobre isto nunca falou, nem falará, o papa. Mas também não será isso a afastar do polvo vaticânico milhares de gays e lésbicas que lá militam... Bentinho conhece os mecanismos do auto-ódio, e sabe bem o quanto pode esticar a corda, e não é pouco.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Também não há lugar para os gays nos presépios

Ainda ontem comentava com um amigo que vi recentemente uma exposição de presépios onde imperava a diversidade étnico-racial, de figuras africanas a trajes madeirenses (menino incluído), passando por figuras caricaturais, de enormes orelhas. Os materiais também eram os mais diversos, incluindo o chocolate. Claro que a regra "casal hetero mais o menino" era inviolável. Isso mesmo comentei, todas as alternativas raciais eram aceites com naturalidade, mas que aconteceria se houvesse um com dois Josés? O caso do parlamento italiano mostra que nem seria preciso ir tão longe para cair o carmo e a trindade, basta que haja homossexuais entre os pastores.

Sobre esta temática (dos presépios alternativos) não percam ainda este post, genial!

terça-feira, dezembro 19, 2006

62% dos jovens portugueses a favor do casamento homossexual

É uma percentagem ENORME! Foi calculada em 2001, e creio que este Eurobarómetro especial passou completamente ao lado do país, até porque só está disponível no site da UE em francês. 62%! Políticos de Portugal ponham os olhos nisto, são os vossos futuros e actuais eleitores (as idades estão entre os 15 e os 24). Em 1997 eram já mais de 50% os que concordavam a legalização do casamento, pelo que se verifica um crescendo favorável à medida. Isto já estava escrito no post anterior, mas merecia destaque especial. 62%, insisto.

Eurobarómetro 66: casamento pela Europa fora

Portugal 29%, bem abaixo da média da União, e a léguas da média dos países que já têm casamento (Países Baixos, Espanha e Bélgica). «One has to remember that homosexual marriages (or similar union between to persons of the same gender) are allowed in the Netherlands, Belgium, Spain, Sweden and in the UK.» Isto diz o relatório, mas esquece a Dinamarca, que foi quem primeiro legalizou o "quase-casamento". Ou seja, a sondagem mostra claramente que os níveis de aceitação são maiores nos países onde o dito casamento, ou quase, já é realidade. Pode-se até deduzir que essa aceitação é crescente - atente-se a Espanha, onde essa legalização é mais recente.

De qualquer modo há uma "subida" de 10% face à sondagem da Católica de Outubro último, embora ainda longe dos 35,3% da Aximage em 2004. E sobretudo longe do Eurobarómetro 47.2 (de 1997), onde estas mesmas questões foram feitas aos jovens entre os 15 e os 24 anos (página 85), sendo que 50,3% dos portugueses se pronunciou favorável ao casamento, e 32% favorável à adopção. Em 2001, o Eurobarómetro 55.1 (página 105), indicava que a percentagem de jovens portugueses favoráveis ao casamento subira para 62%, enquanto que o apoio à adopção se situava nos 29%.

E tudo isto sem quase se falar no assunto. Agora imaginem por um segundo se acaso algum partido defendesse a sério esta medida? [E se calhar também dava jeito que algumas Opus (anti-)Gay que para aí andam serenassem os seus ataques ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tipo, já que não fazem nada de útil ao menos não atrapalhem, ok?]

Mas o Eurobarómetro 66 tem vários outros dados dignos de atenção. No capítulo da importância da religião na sociedade Portugal está próximo à média europeia e ao valor verificado na vizinha Espanha, 50% consideram a religião "muito importante".

Já em relação à concordância com a afirmação «Mais igualdade e justiça, mesmo que isso signifique menor liberdade individual», são nada mais nada menos que 80% os portugueses que se mostram favoráveis, e que lideram isolados a tabela europeia (na Espanha a percentagem é de 66% e nos Países Baixos, os últimos da lista, 46%). Para mim, mais igualdade e justiça levam precisamente a uma maior liberdade individual, pelo que a afirmação é algo tonta. Mas mostra bem o quão valiosos são estes valores, de igualdade e justiça, no país, pelo que o que falta é mostrar que a luta pelo casamento homossexual é uma luta por maior igualdade e justiça, precisamente.

Finalmente um dado de que nos podemos orgulhar, depois dos suecos, são os portugueses que mais concordam que o contributo dos imigrantes para o desenvolvimento do país é muito elevado, 66% (79% na Suécia, 53% nos Países Baixos e apenas 40% em Espanha).

segunda-feira, dezembro 11, 2006

3 boas novas para começar a semana a sorrir

1) O ataque à legalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo no Canadá caiu em saco roto. Era previsível, era aliás o que queriam os conservadores, como antevi em Janeiro.

2) Não vejo a morte de Pinochet exactamente como uma boa notícia, pois afinal era já inofensivo e desta forma morre sem condenação. Mas que isso deixe Tatcher entristecida só nos pode aquecer o coração com sentimentos típicos da época. Poor Maggie...

3) Ironias polacas. O mais conservador, católico, nacionalista e populista governo da União Europeia enfrenta uma grave crise fruto de um escândalo, oh surpresa, de natureza carnal. Bastante carnuda aliás, já que Aneta Krawczyk garante ter subido na carreira à custa de se deitar com o ministro da agricultura e um deputado - desconhece-se se em simultâneo. Como se já não lhes bastasse ter um primeiro-ministro bicha.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Casamentos pioneiros

Tony Halls e Vernon Gibbs casaram na passada sexta-feira na Cidade do Cabo, África do Sul. Os noivos, que adoptaram o sobrenome Halls-Gibbs, dedicaram o seu casamento a todas as vítimas do HIV e da discriminação homofóbica. Amantes da natureza, casaram com as roupas que vestem usualmente na Arendhoogte Guest Lodge, que gerem.
Sabrina Rivera e Ángela Idoate são as primeiras mulheres transexuais e lésbicas a casar em Espanha. "Simplemente, somos otra forma de familia", disseram as noivas. A celebração ocorreu sábado em Madrid.

terça-feira, novembro 21, 2006

Casamento: uma boa e uma má notícia

Comecemos pela má. O governador do Massachusetts Mitt Romney está de saída, já que nas recentes eleições estaduais (a que ele não concorreu) saiu vencedor o democrata Deval L. Patrick, o primeiro governador negro do estado. Mas quer aproveitar os seus últimos dias à frente do único estado americano que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo para combater isso mesmo. Apesar de já várias sondagens terem mostrado que a aceitação desta lei é maioritária entre os eleitores de Massachusetts, e tem crescido desde a sua aplicação, Romney vem agora exigir um referendo. As verdadeiras razões para este estardalhaço fora de horas poderão estar nas pretensões de Mitt em ser escolhido para candidato republicano às próximas presidenciais americanas, coisa que ficaria comprometida vindo ele de um dos mais liberais estados do país, e tendo feito tão pouco, até agora, para combater uma lei odiada pela maioria do seu partido a nível nacional. Homofobia alimentada por ambições pessoais, pois então.

A boa vem de Israel. Depois dos múltiplos incidentes com as manifestações do orgulho LGBT em Jerusalém, surge a notícia de que o Alto Tribunal de Justiça ordenou que os 5 casais homossexuais israelitas casados em Toronto, no Canadá, poderão registar o seu casamento em Israel. Esta decisão escancara as portas da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo naquele país, coisa que a acontecer seria pioneira no continente asiático. Mas claro que os sectores conservadores da sociedade israelita estão já de pêlo eriçado, e há já quem diga que é o fim do estado judeu e a restauração de Sodoma e Gomorra. Pois seja.

sábado, novembro 18, 2006

Do que não fala a imprensa

aqui me tinha queixado do pouco que se falou na imprensa portuguesa sobre a criminalização total do aborto na Nicarágua, entre outros temas. Lanço agora nova lista de assuntos tabu da comunicação social portuguesa:

1) Legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na África do Sul. Vários motivos pelos quais o assunto devia ter despertado a atenção da imprensa portuguesa. A África do Sul tem das maiores comunidades portuguesas a residir fora do país, foi a primeira república em todo o mundo a avançar com esta lei, o primeiro país africano, e como lembra a ILGA Portugal:
«A decisão do Tribunal Constitucional da África do Sul tem um eco particular no caso português. De acordo com o Tribunal, a anterior definição legal de casamento era "incompatível com a Constituição e não válida na medida em que não permite aos casais do mesmo sexo beneficiarem do estatuto e das vantagens, bem como das responsabilidades, que atribui aos casais heterossexuais". A Associação ILGA Portugal chama a atenção para o facto de existir a mesma proibição explícita da discriminação com base na orientação sexual nas Constituições da República Sul-Africana e da República Portuguesa. Portugal é, aliás, o único país da Europa cuja Constituição inclui essa proibição explícita.»
E tal como aconteceu na África do Sul, também nos tribunais portugueses anda um processo que procura esta medida. Teresa e Lena, lembram-se?

2) Por falar em ILGA, os prémios arco-íris 2006 (fotos e discursos no link) foram simplesmente ignorados pela imprensa nacional. Valha Espanha, a agência EFE noticiou, e os ditos foram notícia da Tribuna de Salamanca ao El Mundo.

3) Esta é por antecipação. Está a ser lançada agora uma petição mundial pela descriminalização da homossexualidade em todo o globo (lembro que continua a ser crime o sexo consentido entre adultos do mesmo sexo em boa parte da Terra, sobretudo em África e Ásia, mas também em países como a Nicarágua ou a Guiana, e é punido com pena de morte em 9 destes países). A petição já conta com assinaturas sonantes como a do sul-africano Desmond Tutu ou a austríaca Elfriede Jelinek, ambos laureados com o prémio Nobel (paz e literatura respectivamente). Uma lista provisória pode ser lida aqui, já lá têm dois nomes portugueses, mas há mais. Será que nisto a imprensa pega? Mais informações sobre como vão ser recolhidas as assinaturas em Portugal em breve, quanto mais não seja, no renas.

terça-feira, novembro 14, 2006

sexta-feira, novembro 10, 2006

Sem a benção do Vaticano

Aprovadas as uniões civis para casais homossexuais na maior cidade católica do mundo, a Cidade do México. E no Massachussetts, o segundo estado americano com maior percentagem de católicos, o casamento entre pessoas do mesmo sexo está seguro, depois de rejeitado novo ataque político.

quinta-feira, outubro 26, 2006

Velha Jérsia

Direitos iguais, reconhecimento e tratamento públicos diferentes. O Supremo Tribunal de Nova Jérsia deu até abril para os legisladores do Garden State garantirem que casais homossexuais tenham os mesmos direitos que os casais heterossexuais. Apesar da porta do casamento continuar aberta, a sentença escancarou a da parceria civil, e já se sabe que os políticos nestas coisas preferem sempre a trabalheira de criar uma lei especial do zero, a fazer uma simples alteração na lei já existente. Dado o contexto actual nos EUA a notícia é boa, mas não deixa de ser frouxa e um mau exemplo. Mau exemplo com muitos adeptos na África do Sul, dispostos a desafiar a ordem clara do tribunal sul-africano, que não abria nenhuma outra porta que não a igualdade plena, ou seja, casamento com as letras todas.

terça-feira, outubro 24, 2006

A sondagem da Católica parte 3

O Pedro Magalhães já respondeu ao meu último post. Agradeço a resposta, mas continuo intrigado. É que se justifica bem as vantagens de dar várias hipóteses de resposta a uma pergunta, continua sem conseguir explicar o porquê de em todas as do inquérito em causa, só esta ter merecido tal consideração. Por exemplo, seria pertinente perguntar se as pessoas que defendem a educação sexual nas escolas o defendem a título opcional ou obrigatório. Aliás, em relação ao tema da eutanásia podemos considerar que foram analisadas outras nuances, com recurso não à multiplicação de hipóteses de resposta, mas sim à multiplicação de perguntas: "A eutanásia deve ser legal?" e "Se em coma, a pedido dos familiares". Aliás, é exactamente isto que é feito no estudo americano que me indica no seu post. Neste caso alguém a favor do casamento e da união de facto, por exemplo, pode expressar-se positivamente em relação a ambas. No caso do estudo da Católica teve que escolher, mas se calhar essa escolha significa apenas uma preferência, e não uma rejeição das outras hipóteses. É aqui que está o busílis, diria eu.

PS: Eu não sugeri que a Católica não devia fazer estudos em determinadas áreas, apenas que se calhar às vezes é melhor não dizer nos telefonemas que "é para a Católica", só isso.

PS: Agradeço mais uma vez ao Pedro Magalhães a rápida resposta, agora por mail, e esclareço que ao contrário do que pensava esta sondagem não foi feita por telefone.

Ainda a sondagem da Católica

O Margens de Erro sai em defesa da sondagem, nomeadamente face às críticas apresentadas pelo Miguel e por mim. No entanto continua sem responder àquela que me parece ser a principal, porquê é que a questão do casamento foi a única nesta sondagem a merecer mais hipóteses de resposta que o "sim ou não" de todas as outras? Razão pela qual nem pode ser incluída nos gráficos que o Pedro Magalhães recomenda.

De resto ninguém duvida que o país onde estamos é homofóbico. Como bem diz a ILGA em comunicado, não é o casamento entre pessoas do mesmo sexo a questão fracturante, o que fractura o país é a homofobia, sendo as respostas à questão do casamento apenas um dos sintomas disso mesmo. Agora o que mais me fez desconfiar desta sondagem é a ligeira evolução negativa que ela representa face à anterior. Pois se o país é homofóbico, não é menos verdade que nos últimos anos (sobretudo nos últimos dois) se tem assistido a muitas alterações positivas na forma como as pessoas encaram a homossexualidade e @s homossexuais. Esta sensação não sou só eu que a tenho, e por isso estranho não a ver reflectida na sondagem da Católica, mesmo com todos os cuidados de comparar sondagens com metodologias bem diferentes.

Quanto ao mais o problema não é, claro, a sondagem, o problema é que quem tem nas mãos a faca para cortar este queijo recusa-se a fazê-lo. E já agora, sim a igreja tem mesmo uma embirração especial contra os gays. À excepção do aborto, nenhuma outra oposição da igreja é tão visível nos média como a contínua campanha contra qualquer tipo de reconhecimento das uniões homossexuais. Mas não é o nome da universidade o problema maior deste estudo, embora seja uma questão que não deva ser menosprezada, até porque é fácil evitar esse possível factor de distorção em futuros inquéritos.

sábado, outubro 21, 2006

Mais uma prenda para o PS

Depois da Opus Dei, perdão, Gay, é a vez da Universidade Católica. O Miguel diz praticamente tudo o que há a dizer, mas não resisto a dar mais algumas achegas.

Comecemos pelo princípio: «Portugueses ainda perfilham moral tradicionalista» titula o Público, para logo se ler «Legalização da prostituição, eutanásia activa a pedido de doente incurável ou com doença dolorosa, introdução do sacerdócio feminino. Eis algumas causas fracturantes que, mesmo não estando actualmente na agenda política, recebem apoio maioritário dos portugueses, de acordo com uma sondagem da Universidade Católica (...)». Eh lá, é isto a moral tradicionalista afinal? E a sondagem deu para meter isto tudo numa só? E "fracturantes" já nem leva aspas, repararam?

Imagino a confusão que terá sido o telefonema de quem respondeu à sondagem. (Ainda há pouco tive o azar de levar com uma sobre telemóveis que prometia ser curta, e nunca mais acabava, estas sumarentas nunca me calham, raios!) E como se a confusão de temas não fosse por si só suficiente para enviesar os resultados, ainda há a parte do "podia responder a umas perguntinhas duma sondagem p'ra Católica?", que inibe qualquer devoto a dizer o que realmente lhe vai na alma.

Mas vamos imaginar que a sondagem correspondia à realidade, nela não veríamos grandes diferenças (no que toca ao casamento entre pessoas do mesmo sexo) face à única outra sondagem que conheço sobre o tema feita no país, a da Aximage de 2004. Embora nesta as alternativas fossem casamento (35,3%) ou não-casamento (53,8%). E nestas coisas de sondagens sobre temas que não estão em "campanha eleitoral" o modo como é feita a pergunta e as hipóteses dadas podem ser a diferença entre 30 ou 60%. Porque o que as pessoas querem é despachar o telefonema, e seguirem com os seus afazeres. Mas supondo então que a coisa pouco ou nada tinha mudado, excepto, de acordo com a Católica, nas camadas mais jovens, com grande aceitação quer do casamento, quer da adopção por casais homossexuais. Porque não "mudaram as mentalidades" nestes 2 anos? Porque não são os resultados semelhantes ao das sondagens espanholas?

Parece-me fácil a resposta, por culpa do PS! As associações LGBT, os blogs, os artigos de jornal, podem e têm feito muita coisa, mas o seu alvo é necessariamente limitado. O que falta no país é um discurso político mainstream pró-casamento, claro e convincente, e isso, só o PS está em condições de dar. E que faz o PS? Fica embaraçado se lhe perguntam do tema, adia, dá o dito por não dito, patrocina "activistas gay" que não querem casamento... Esta sondagem, que é um óptimo presente e desculpa para o PS adiar ainda mais as suas envergonhadas promessas, é da sua absoluta culpa. O que o PS devia pensar é que se sem mesmo nada fazer as "mentalidades" já estão assim, seria tão fácil contribuir para "mudanças" mais alargadas...

quinta-feira, outubro 19, 2006

"Fora da Lei" no doclisboa 2006

Estreia no sábado, às 18h30 na Culturgest, o documentário de Leonor Areal sobre o "caso" Teresa e Lena. Mais sobre o filme aqui, e sobre o festival aqui.

Ainda sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e também em Lisboa, há um ciclo de debates organizado pelo Miguel Vale de Almeida na livraria Almedina, o primeiro é já amanhã.

sexta-feira, outubro 13, 2006

Quando os interesses partidários são colocados à frente dos interesses do movimento LGBT

«O Partido Socialista não vai propor a adopção de crianças por pessoas do mesmo sexo ou o casamento de casais homossexuais antes de 2009. O membro da Opus Gay António Serzedelo compreende as razões da decisão, mas considera que três anos pode ser tempo de mais. (...) "Em todo o caso, parece-nos acertada, da parte do senhor primeiro-ministro (...)"

Para o activista, é preciso sensibilizar a opinião pública portuguesa e os próprios casais homossexuais antes de se tomar decisões. "Na verdade, é preciso construir a casa não pelo telhado mas começar a construí-la da base. Eu sou absolutamente a favor do casamento, absolutamente a favor da adopção, mas entendo que é um processo que tem de ser trabalhado junto da população, junto dos poderes locais, junto dos heterossexuais e até junto dos próprios gays.»
Rir para não chorar. Durante anos ouvi acusações mais ou menos gratuitas por parte deste senhor sobre a suposta "excessiva partidarização do movimento LGBT", acusações essas que tinham como único efeito a descredibilização do movimento. Curiosamente este é também (salvo erro) o único dirigente associativo LGBT que participou em eleições recentes, mais concretamente nas últimas autárquicas pelo Partido Socialista. Voilá, eis o resultado. Está feito o frete e para a generalidade da opinião pública, que não fará qualquer distinção entre uma associação LGBT e outra, os ditos LGBTs até estão satisfeitos. Obrigadinho sr. Sezerdelo, uma pena aquela estória do ficheiro dos sócios da Opus Gay se ter perdido, para sabermos ao certo quantos LGBTs estão satisfeitos com o governo socialista, mas pronto, pelo menos um está, não é mesmo?

PS: Mas entende-se perfeitamente que para Serzedelo o casamento entre pessoas do mesmo sexo não seja uma prioridade, afinal, Serzedelo até já é casado...

Sexta-feira 13

Acho que desisto deste país...

PS: Neste momento os três canais generalistas estão a exibir exactamente as mesmas imagens em directo de Fátima (suponho que algum aniversário de avistamentos óvnicos), e no curto espaço de tempo em que decidi apreciar a cena pude ouvir pequenos discursos anti-escolha e pró-castidade. Enfim, o tipo de caralhadas que os padres adoram vomitar dos altares quando se sabem filmados. Vá lá, desta vez pouparam as crianças, a 2: está a passar desenhos-animados. Polónia Ocidental, mesmo.

domingo, outubro 08, 2006

O sol de Outono não queima

Esta notícia do Sol não é nada inocente. Isto de apresentar dados velhos e conhecidos como se de coisa nova se tratasse, traz sempre água no bico. O objectivo foi tentar embaraçar o PS, agitando o "fantasma da adopção", e procurando assim inibir o casamento. Mas o resultado nem foi dos piores. É que a adopção de crianças por casais homossexuais é cada vez menos vista como um fantasma, é uma realidade, basta ler o semanário concorrente. E o PS tem mesmo que ser picado nestas questões, pois de contrário escudar-se-á no eterno "é preciso que haja um debate" - ele já está aí há muito. Picado o PS, logo veio o recuo do avanço nunca feito. Mas também foi reforçada a promessa do casamento. Tudo isto sem mortos nem feridos. Afinal até Marques Mendes concordaria, não se está a falar de nada que já não seja feito há anos na Holanda.

segunda-feira, setembro 18, 2006

Vale mesmo a pena ler

"Meditação causada por um livro" é o título da crónica de Joaquim Manuel Magalhães publicada na última edição do Expresso. E que falta fazia um artigo assim na imprensa portuguesa, é que o casamento entre pessoas do mesmo sexo também pode ser uma reivindicação conservadora, e é preciso que haja quem fale nessa linguagem. Sobretudo se o faz na primeira pessoa. Clap, clap! [Via Da Literatura]