Mostrar mensagens com a etiqueta espanha. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta espanha. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, maio 29, 2009

Igreja espanhola começa campanha pela legalização do abuso sexual

A coisa começou com o cardeal Antonio Cañizares Llovera, arcebispo de Toledo e prefeito da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, a considerar irrelevantes os abusos a que milhares de crianças foram sujeitas em orfanatos católicos irlandeses face às interrupções voluntárias. E ficou completamente óbvia e assumida com o artigo do redator chefe da revista da arquidiocese de Madrid, presidida pelo cardeal Antonio María Rouco Varela:
«Reducido el sexo a simple entretenimiento, ¿qué sentido tiene mantener la violación en el Código Penal?". (...) ¿No debería equipararse a otras formas de agresión, como si, por ejemplo, obligáramos a alguien a divertirse durante unos minutos? ¿Por qué tanta disparidad en las condenas? (...) Cuando se banaliza el sexo, se disocia de la procreación y se desvincula del matrimonio, deja de tener sentido la consideración de la violación como delito penal.»
Vai-se perdendo a vergonha. Pode ser este o impulso necessário a que as vítimas dos orfanatos católicos espanhóis (ou alguém acredita que escasseiem?) comecem finalmente as denúncias.

domingo, março 30, 2008

Da santidade do casamento civil heterossexual e dos ventos que sopram de Espanha

«Igreja pede a Sócrates que controle laicismo de alguns membros do PS

O projecto do PS de fazer desaparecer o divórcio litigioso da lei portuguesa "é um grande erro que o país vai pagar caro no futuro", criticou o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Carlos Azevedo, para quem este projecto - ­que será debatido no plenário a 16 de Abril - é mais um sinal claro da postura de afrontamento que o actual Governo assumiu relativamente à Igreja Católica.»
Curiosa esta colagem da ICAR tuga à estratégia, já derrotada nas urnas, da ICAR espanhola. Devem ter pensado, "se não funcionou por lá, pode ser que funcione por cá". Mas e daí nem tudo falhou do lado de lá da fronteira, afinal a teta do estado espanhol continua fartamente generosa para com o clube das sotainas, e a questão é sempre essa. Lê-se no fim da notícia do Público: «"Os padres já passaram a pagar impostos, a Igreja, nas suas actividades económicas também deixou de ter isenção fiscal, tudo isso já mudou. A Igreja Católica não quer ser privilegiada, mas também não admite ser prejudicada".» Pois, dão-se voltas e voltas e acaba-se sempre no m€$mo. É que os impostos, meramente simbólicos, que a igreja aceitou pagar tinham como contrapartida um aumento do fluxo da tetinha estatal para as bocarras clericais. Nham, nham.

É que pondo de lado a questão financeira, nada disto faz sentido. Afinal a igreja nunca reconheceu o casamento civil, e sempre se bateu contra o mesmo. Para a igreja um católico casado pelo civil é solteiro, e se se divorciar solteiro fica, e pode casar no altar a seguir (isto não é teoria, é prática, vejam a princesa espanhola). Seria até bastante lógico e razoável que a igreja usasse esta simplificação do divórcio civil para apregoar a mais valia do seu casamento religioso, que não permite esses deboches. "Quem ama a sério não tem medo de casar pelo igreja", seria um bom slogan, capaz de empurrar muitos casais para o altar, como derradeira prova de amor eterno.

Mas não é isso que preocupa a igreja, e se o casamento religioso continuar em queda livre, é uma carga de trabalhos que se poupa. As missas são muito mais fáceis de rezar só com 6 velhinhas no banco da frente.

Voltemos então ao sentido de oportunidade da hierarquia católica portuguesa imitar a estratégia eleitoralista da sua irmã espanhola, será mesmo boa ideia? É que em Espanha há um, e só um, partido de direita, cujo líder apregoa os valores católicos e exibe a sua própria família como exemplo vivo de quem os segue. A coisa por lá não tem muita credibilidade, é velho o boato de que Rajoy é homossexual, mas ao menos há um esforço por manter uma fachada.

Já por cá não estou a ver a quem a igreja se possa colar. Filipe Menezes exibiu há uns dias a namorada na televisão, para em seguida a sua esposa esclarecer na imprensa cor-de-rosa que o casamento deles ainda perdura, pelo que a "namorada" não o pode ser, relações extra-conjugais têm outro nome. Do CDS nem vale a pena falar. Fica claro que o "casamento para a vida" não é uma causa da direita portuguesa. Nisto, como em quase tudo, somos mais afrancesados que espanholados.

Resumindo e concluindo, melhor faria a igreja se procurasse outra bandeira, que esta do casamento é chão que já deu uvas. A igreja é livre de celebrar os seus próprios casamentos, seguindo as suas regras, e devia-se contentar com isso, que não é nada pouco. Quem dera à ILGA Portugal ter o mesmo poder casamenteiro.

Já em relação ao financiamento pelo estado pede-se apenas um mínimo de vergonha na cara. Foram séculos de farta mama, e está visto (ver capa da Sábado acima) que têm sabido pô-la a render. E ainda há o milagre de nunca terem sido obrigados a gastar um tostão com aqueles processos que tão caros ficaram lá nas Américas. Tirando talvez um bilhetinho de avião para o Brasil, claro está. Melhor à igreja rezar em discreto retiro a boa graça, do que aparecer muito na TV, pondo-se assim a jeito a que algumas pessoas percam a vergonha que a igreja nunca teve. A justiça portuguesa não assusta, por certo, mas agora com essa coisa dos tribunais europeus... parece que não há sotaina que isente de certas culpas. Já não há respeito, é o que é.

terça-feira, março 25, 2008

Soluções casadas Santander

O arcebispo de Saragoça abriu as portas do templo Pilar a directores do banco Santander, no passado dia 18, para que estes pudessem beijar a "Virgem" do local. Esta "honra" seria já caso para notícia, uma vez que a mesma costuma estar reservada ao clero, família real e crianças que ainda não comungaram. Mas pronto, um banqueiro é um banqueiro, também pode entrar no clube.

Mas o mais divertido é que além do templo ter sido decorado de vermelho, a cor do banco, Emilio Botín, presidente da instituição na foto acima, ofereceu um novo manto à estatueta venerada, com um belíssimo logótipo bordado. Tudo abençoado pelo arcebispado da terra, claro. Nunca ficou tão claro o que move a igreja. Da minha parte só aplausos, o acto revela uma transparência e frontalidade raras quer na banca, quer na igreja. E só posso esperar que o gesto ganhe adeptos também por cá. Parece que já estou a ver a placa, "Santuário de Fátima - Millenium BCP". Ou melhor ainda, crucifixos com o centauro do Banif! Via Chuza.

segunda-feira, março 10, 2008

Matemática eleitoral

Do Ramón, inspirado pelo Chiki Chiki.

Vitória de Zapatero e do bipartidarismo em Espanha. Por certo os dois debates a dois deram a sua ajuda. Mas não há grande remédio quando o sistema eleitoral é este, que por acaso é igual ao nosso. Círculos eleitorais ao nível provincial (comparável aos dos nossos distritos) e Método de Hondt. É isso que explica que as muitas migalhinhas recolhidas por toda a Espanha pela Izquerda Unida resultem em menos deputados que Convergència i Unió, que só concorre na Catalunha (ok uma diferença, cá não se permitem partidos regionais).

Neste site pode-se testar o Método de Hondt, no caso experimentei com os resultados das últimas legislativas portuguesas, como se de um único círculo se tratasse. O PS ficaria longe da maioria absoluta (faz sentido, teve menos de metade dos votos), o Bloco chegaria aos 15 deputados e o PND e PCTP-MRPP conseguiriam eleger 1 deputado cada. Com círculo único ficar-se-ia já muito mais próximo da proporcionalidade directa, e mesmo assim, mantendo o Hondt, os pequenos partidos continuariam a perder.

Em Espanha, país amplamente descentralizado e com várias identidades nacionais, faria todo o sentido que os círculos eleitorais correspondessem às autonomias, mas dividi-los por províncias tem como único objectivo beneficiar o bipartidarismo. Já em Portugal a situação é ainda mais caricata, dado o centralismo vigente. Na hora de regionalizar é o ai jesus que retalham o país, na hora de usar círculos eleitorais distritais, que faz com que nos distritos mais pequenos apenas o PS ou o PSD possam eleger deputados, limitando a escolha real de quem vota, 'tá-se bem?

E a tendência é sempre de agudização do fenómeno. Os 2 partidos mais votados conseguem os deputados quase todos, consequentemente dominam os média, que influenciam os votos, que se concentram nos 2 partidos... and so on. Depois uma boa parte do eleitorado deixa de votar porque não se sente representada. Não se sente e não é representada. Porque será que os Estados Unidos têm das mais altas taxas de abstenção do mundo? Para lá caminhamos também, portugueses e espanhóis.

domingo, março 09, 2008

Resultados das Eleições Gerais Espanholas


Muito boa ferramenta disponibilizada pelo site Soitu.es, via días estranhos, se tudo funcionar correctamente a partir das 19h de Portugal continental, 20h em Espanha, os resultados oficiais podem ser acompanhados aqui, para já ficam os de 2004. Os resultados das últimas sondagens, ilegais em Espanha, podem ser lidos no el Periòdic d'Andorra. Para se perceberem algumas siglas o melhor é consultar a Wikipédia.

A Espanha já escolheu


El Chiki Chiki é a aposta espanhola para Belgrado. Portugal escolhe hoje.

quinta-feira, março 06, 2008

Como votarias se votasses nas eleições espanholas?

Finalmente um teste on-line que inclui quase todos os partidos candidatos às eleições do próximo domingo em Espanha. Via Chuza! Já antes tinha descoberto um, mas incluía apenas o PSOE e o PP, demasiado óbvio o resultado só com essas opções. Pena o BNG e a Esquerra Republicana de Catalunya não estarem, aparentemente, no pacote. Terei que averiguar quem é essa tal Chunta Aragonesista, e daqui até domingo ainda faço campanha. Duvido que tenha compatibilidades tão altas com algum partido português, pff...

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

Campanha eleitoral espanhola em cartoon

A campanha eleitoral para as legislativas em Espanha já começou e uma das formas mais divertidas de a acompanhar é através dos cartoons da imprensa espanhola. Este aqui em cima do Forges foi publicado no El País, mas os meus favoritos são os do Manel Fontdevila no Público (também recomendados pelo Ricardo Alves). E o melhor é que os podemos acompanhar comodamente através do Google Reader, já que os jornais não só disponibilizam um feed para os cartoons, como permitem a visualização dos mesmos directamente no reader (vários jornais americanos disponibilizam apenas o título). Enfim, um exemplo para a imprensa portuguesa, que se os coloca on-line, como faz o DN com os do Bandeira, já é uma sorte, que fará feeds, RSSs, e essas cenas...

PS: Por falar em eleições espanholas, vejam quem voltou à capa da Zero.

PPS: E por falar em cartoons e Google Reader, quem nos segue por essa via certamente ainda não viu que as renitas voltaram ao topo deste blog ;)

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Kosovo e os amigos de Olivença

Não é que o assunto me preocupe, até porque Olivença fica horrível no mapa, de um ponto de vista puramente estético... um ponto a não menosprezar nunca. Mas se Portugal for mesmo avante com o reconhecimento da independência do Kosovo, toda e qualquer legitimidade e/ou sentido de oportunidade que possam ainda haver nas reivindicações territorialistas sobre Olivença se esfumam no ar. E sobretudo torna-se ridículo o não reconhecimento oficial da soberania espanhola. No fundo Olivença é um Kosovo mais pequeno, mas com um processo de kosovisazão muito mais antigo e solidificado. Fica então o lembrete para os amiguinhos de Olivença, é dizer-lhe adeus de vez.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Técnicas de jor-qq-coisa-ismo menos éticas


Isto já é caso velho, mas não há tempo para tudo e agora que estou numa de defender governos, cá vai... Dizer que um político "admite utilizar a tensão e a dramatização como armas políticas" é um pouco como dizer que um padeiro admite usar farinha no fabrico do pão. Pois, e isso acrescenta exactamente o quê à sabedoria geral? Provavelmente haverá quem ache isto um caso de "puro jornalismo", mas eu acho que quando uma conversa privada chega inadvertidamente às mãos de um jornalista (por erro o som foi enviado pelo canal de televisão aos outros meios, salvo erro o El Mundo foi o primeiro a divulgar - e não um sem rosto "YouTube" como diz a SIC) haverá que pesar bem o interesse da mesma, e neste caso o mesmo era nulo. A não ser para os que pretendiam criar uma polémica estéril.

Que os meios de comunicação conservadores de Espanha o façam, não surpreende. Que os meios de comunicação tuga, que pouca ou nenhum importância têm dado à campanha eleitoral do estado vizinho, o façam também já é mais revelador. Até porque cá supostamente não há meios conservadores, é tudo isentíssimo e imparcialíssimo, claro. E sem cenas menos éticas... de tal forma que nem passaram a declaração do jornalista envolvido, esse zero-ético, é o que é. Como cá não temos esses pruridos, até aceitamos encomendas pósticas, aqui fica:

domingo, fevereiro 17, 2008

A propósito da Grande Albánia/Cosovo/Coze-Ovo/Bordúria

Só para lembrar a imprensa tuga da recente "suspensão" (ilegalização por 3 anos) de mais dois partidos independentistas bascos. Também convém recordar que Madrid não deixa que se faça um referendo à independência do país. Mas, por outro lado, não reclama que o País Basco seja o "berço da nação" espanhola; embora reclame que esta última seja a mais antiga da Europa. Enfim, tudo coisas que me parecem vir a propósito, não sei bem porquê. Coze-Ovo com a devida vénia ao Esquerda Republicana e Bordúria aos Tempos que Correm.

PS: Depois alguém que avise a ETA de que não é pela violência que lá chegam, que isto é a excepção que confirma a regra e tal.

PPS: Parece que o Cavaco anda preocupado com as possíveis consequências da independência, tem bom remédio sr. presidente ou é mesmo Bruxelas (i.e. Berlim) a decidir se Portugal reconhece o alargamento da Albânia e ponto final? Precisaremos já de um UÇK-PT?

PPPS: Da Madeira dizem-nos que a cena deles é outra, o importante é que a mama se mantenha, e enquanto assim for não se importam de trautear o hino de vez em quando. Dormirei mais descansado, o hino cantado em madeirense embala-me como nada mais o consegue, vale bem um IVA rebaixado, um investimento público per capita várias vezes superior ao do resto do estado e até as quotas especiais de acesso ao ensino superior, aquelas que permitem que cidadãos madeirenses entrem nas universidades portuguesas com notas 2, 3 ou mesmo 4 valores abaixo das exigidas aos cidadãos portugueses. É que é mesmo bonito o hino em madeirense, só ouvindo mesmo, não dá para descrever.

PPPPS: O caso basco é especialmente elucidativo da hipocrisia europeia, mas está longe de ser o caso com mais semelhanças ao do Kosovo. Vale a pena ler as entradas da Wikipedia anglófona para casos mais semelhantes, como o da Abecásia, Ossétia do Sul, Transnístria, Nagorno-Karabakh e, claro, a República do Norte do Chipre; todas elas independentes de facto, mas sem quem as reconheça... até agora pelo menos, algumas poderão ter mais sorte em breve.

sábado, fevereiro 16, 2008

Até porque o Báltico gela nesta altura do ano...

É certo e sabido que o jornalismo português não vai à bola com a geografia europeia (ou mundial). Veja-se este exemplo da SIC. Mas quando se anda sempre a falar nos Balcãs, uma cordilheira montanhosa do Sudeste europeu, é um bocadinho puxado confundi-lo com um mar do Nordeste do mesmo continente. Mas pronto, se a citação não está errada, também há um ministro em Espanha que julga que o seu país é o mais antigo da Europa, não fica tão mal a Lusa, o desvario é generalizado...

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Ui se isto fosse na Venezuela!

«Sabino Ormazabal (San Sebastián, 1953) lleva más de 25 años profundamente implicado en el campo de la filosofía y la acción política no violenta. Sin embargo, ha sido condenado a 9 años de cárcel por colaboración con ETA dentro del sumario 18/98, el llamado ‘caso Kas-Ekin-Xaki’. Actualmente está en libertad bajo fianza.»
O que vale é que foi no País Basco, não poderia interessar menos aos jornais portugueses... realidades exóticas e longínquas... na volta e os presos políticos são até uma tradição cultural local. Não há drama, portanto.

Pedofilia: "há crianças que provocam", diz bispo de Tenerife

«En una entrevista concedida al diario La Opinión de Tenerife, el obispo se extiende en la idea hasta replicar a la periodista, que, previamente, le había señalado que “la diferencia entre una relación homosexual y un abuso está clara”. Por si persisten las dudas, la entrevistadora recuerda al obispo que “un abuso es una relación no consentida”. La respuesta del prelado no deja lugar para las dudas.

"Puede haber menores que sí lo consientan y, de hecho, los hay. Hay adolescentes de 13 años que son menores y están perfectamente de acuerdo y, además, deseándolo. Incluso, si te descuidas, te provocan”.»
Não se pense que é caso único na Igreja. A diocese de Nova Iorque editou há poucas semanas um guia a explicar às crianças que lhes compete a elas afastarem-se dos possíveis pedófilos do clero católico. Enfim, tudo em coerência com as linhas orientadoras do Vaticano escritas por Ratzinger, antes de ter sido eleito papa pelo Espírito Santo, que definem como procedimento correcto a adoptar pela igreja em caso de abuso sexual de menores, a ocultação dos factos às autoridades competentes. Mas enfim, crianças violadas, isso é lá problema?
«"Todas as expressões de ateísmo, todas as formas existenciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade, que tiram todo o sentido ao Natal, que é a exultação e o grito de alegria e de esperança que brotou do reencontro do homem com Deus", destacou José Policarpo, na missa do dia de Natal, na Sé de Lisboa.»
Pelo menos, nada comparável ao flagelo ateísta, responsável por tantas não-idas à missa. Absolutamente dramático. E ainda há quem se preocupe com a fome em África ou o abuso de crianças, é preciso ter lata realmente!

Ilustremos então este drama, para que ninguém duvide da sua gravidade, com a blasfema mensagem de Natal do RAP:

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Desnorte

Qual será a região mais pobre da península e adjacências? Será aquela que tem uma taxa de IVA reduzida (12%)? Será a que oferece subsídios para voar para fora da dita? Será a que tem um governo regional próprio e votou contra essa possibilidade nas restantes regiões do seu estado? Não, nada disso. No actual regime de "1 país 2 sistemas" compensa ser "colonizado", e quem se lixa é o "berço da nação"...

Muito mais informações e comparações no último "A Península Ibérica em números".

quarta-feira, novembro 21, 2007

A democracia espanhola

Parece que o que está a dar agora pelo mundo da bloga tuga é discutir a democracia venezuelana. Tudo bem, é capaz de ser giro, mas eu confesso-me demasiado distante e desinformado dessa realidade. Vai daí, apetece-me antes discutir a democracia aqui do lado.

Relembremos alguns factos históricos. O chefe de estado espanhol é-o desde 1975, sem nunca ter ido a eleições, e foi indicado por Franco, o ditador sanguinário que o precedeu. Antes que alguém venha comentar do referendo, relembro que isso aconteceu depois, já o Juanito era rei, e o referendo não foi sobre a monarquia, mas sobre a constituição, que entre outras coisas, aceitava a monarquia já reinstalada. Bom, isto é história, falemos de factos mais recentes.

A revista "El Jueves" foi retirada dos quiosques espanhóis por ordem da justiça, que considerava a capa criminosa. Além da censura imediata à revista, recentemente a mesma foi condenada ao pagamento de multas. A razão de tudo isto foi um cartoon sobre a única obrigação do príncipe herdeiro (gerar mais herdeiros) que ilustrava a dita.

Falando nos príncipes, no ano passado, dois republicanos foram agredidos pela polícia e passaram a noite na cadeia por, na presença das altezas, terem gritado "Viva a República!" e agitado bandeiras republicanas.

Entretanto no País Basco mil e uma confusões. Partidos proibidos, dirigentes desses mesmos partidos presos (sem que tenha sido provado qualquer acto de violência cometido pelos mesmos), até uma vila que com meros 27 votos é entregue ao PP - já que a oposição foi impedida participar na eleição. Mais recentemente o líder do governo autonómico propôs um referendo sobre a independência do basco país, proposta prontamente rejeitada pelos partidos dominantes em Espanha - "é ilegal", justificaram, e mais ameaçaram com perdas de autonomia.

Entretanto sai a condenação de 2 jovens de Barcelona que queimaram uma foto do rei, 2730 euros cada um e um cadastro manchado. Durante o julgamento os dois jovens falaram em catalão, língua que o juiz rejeitou de imediato: "un ciudadano español de 30 años conoce y entiende perfectamente el español con lo que no a lugar a un traductor". Assim as suas declarações não foram registadas, nem tidas em conta no julgamento. Já esta noite mais cerca de 60 pessoas queimaram fotos do rei na cidade durante mais uma "manifestação ilegal".

Bom e que nos diz isto tudo? Que a democracia espanhola, como todas as outras, está longe de ser perfeita. Tem mesmo leis profundamente anti-democráticas. E objectivamente existem presos e condenados políticos em Espanha. Mas, mesmo assim, e sobretudo tendo em conta a situação da maioria dos regimes em vigor no planeta, é uma democracia. Mas não é impossível argumentar o contrário. Ser republicano ou independentista catalão, basco ou galego, p. ex., exige uma enorme paciência e auto-contenção face a todos os obstáculos legais à promoção desses mesmos ideais políticos.

Pronto, já desenjoei de todo o paternalismo colonialista pseudo-democrático que se lê por aí nestes dias... sem que se tenha metade do zelo com regimes que nos estão muito mais próximos. A última vez que vi tanta gente preocupada com a democracia de uma república longínqua, deu no que deu...

domingo, novembro 11, 2007

Não terá antes rogado encarecidamente?

«Cimeira Ibero-americana: rei de Espanha manda calar Hugo Chávez» - título da Lusa.

«Rei Juan Carlos insta Hugo Chávez a calar-se no último dia da Cimeira Ibero-Americana» - título do Público.

A falta de chá do rei de Espanha

Aos reis das democracias europeias cabe o papel de cicerone, anfitrião de bailes e jantaradas diplomáticas, acenador ao povo e paparazzi e... pouco mais. É por isso que essas democracias com reis podem ser democráticas, ao contrário das monarquias asiáticas e africanas, onde os reis têm reais poderes, e logo, a democracia não tem lugar.

Foi nesse papel que João Carlos de Espanha recebeu ao longo de décadas alguns dos mais sanguinários monarcas das Arábias ou ditadores fascistas da América do Sul. Sempre com um sorriso e mil e uma etiquetas. É esse o seu papel. E a hospitalidade hipócrita sempre foi um dos mais importantes pilares da paz entre as nações.

Por tudo isto não há desculpas para o "porque não te calas?" que dirigiu a Hugo Chaves na cimeira iberoamericana. Que Chaves seja ele próprio trauliteiro não é novidade, e há muito que é unânime. Aznar tem as costas mais largas, mas trauliteiro é e será. Traulitadas são luxo de quem é eleito, que o diga Jardim eleito já sei lá quantas vezes (pois, também não há limites na Madeira) para insultar constantemente a mão que o alimenta.

Mas que o João Carlos deixe o papel decorativo para se dedicar ao mesmo desporto já é outra conversa, ninguém votou nele para isso. E que depois ainda saia porta fora, qual puto mimado amuadinho, apenas faz com que a diplomacia espanhola surja aos olhos do mundo como infantil e hormonal.

Não, as lutas de galos não são exclusivo tuga. Mas isto de haver garnisés à mistura, na Iberoamérica, é exclusivo espanhol.

PS: Por certo que o João Carlos é, à custa da sua traulitada, o herói do dia para os mais ofendidos com as traulitadas chávicas. Isto das traulitadas depende sempre de onde soprem...