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segunda-feira, abril 09, 2007

O argumento que faltou

Que pena ninguém se ter lembrado disto aquando da discussão da lei da procriação medicamente assistida (PMA). Quer dizer, a ILGA deu o mote, mas faltou realçar as consequências, i.e., os bastardinhos mestiçados de espanhóis.

Dizer aos políticos nacionais que a lei era homofóbica, machista, reaccionária, ineficaz, a anos-luz das melhores legislações europeias, era o mesmo que mostrar um palácio a um boi. O truque estava mesmo em lembrar que as fronteiras já não existem e que algumas portuguesas além de serem levianas ao ponto de estarem dispostas a engravidar a solo, não se importam que o esperma seja espanhol. Castelhano inclusive... Que diria a padeira de Aljubarrota se ainda vivesse?

quinta-feira, março 29, 2007

Quanto custará o café ao sr. Sócrates?


Causou furor em Espanha o programa "Tengo una pergunta para usted", que a TVE estreou com Zapatero como inquirido. O curioso é que com tantos temas quentes, a ferver, no país vizinho, tenha sido a pergunta pelo preço de um café a que mais deu que falar, dada a resposta de Zapatero, 80 cêntimos. Preço tão difícil de achar para lá da fronteira quanto um bom café. Seja como for um bar de Málaga tratou logo de posicionar-se de acordo com a tabela de Zapatero, que afinal de contas até paga menos do que isso se o tomar na cafeteria do Congresso espanhol, 73 cêntimos segundo o El País.

Por cá continuamos sem saber quanto pagará habitualmente José Sócrates. E não sabemos também se estaria disposto Sócrates a aceitar o desafio que já enfrentaram Zapatero e os candidatos presidenciais franceses. Meio de mandato parece-me uma altura excelente para o Primeiro Ministro responder às dúvidas dos cidadãos. Alguma TV o desafia? Só não responda 0,80€ à perguntinha do café ou temos a inflação a disparar no dia seguinte...

sábado, março 24, 2007

Europeus mas pouco

Amanhã o Tratado de Roma celebra 50 anos. A partir disso faz-se a extrapolação para "50º aniversário da União Europeia", o que é no mínimo um exagero, mas adiante. Concentremo-nos nas celebrações nos dois países que aderiram à CEE em 1986.

Por cá a televisão pública prepara-se para eleger Salazar como "o maior português de sempre" - sim, é a RTP que elege, tal como foi a RTP que lhe estendeu a passadeira vermelha, perdão, encarnada. Os espectadores preferem as votações do "Dança comigo" ou canções com esse nome no Festival. O CDS-PP, partido que mais vezes tem alterado a sua posição face à UE, tem dedicado os dias à porrada, metafórica e literal, mas acho que não tem nada a ver com isto, é mesmo só fulanismo.

Já o PP do lado tem vindo a assumir-se como herdeiro legítimo do Franco. Ele é bandeiras franquistas nas manifs anti-Zapatero que promove diariamente, ele é o boicote decretado a todos os meios de comunicação do grupo PRISA (que também controla a TVI). Isto do maior partido da oposição deixar que seja um cadáver político já derrotado nas urnas a tomar-lhe as rédeas tem custos pesados. Espero que sejam só para o partido e de preferência já nas próximas eleições, a ver se sossegam, mas o clima anda mesmo pesado do lado de lá da fronteira. Eis um vídeo para perceber melhor os últimos desenvolvimentos.

Enfim, será a crise dos 20 na península... Para animar eis uma lista de 50 razões para amar a União Europeia, elaborada pelo jornal britânico The Independent.

sexta-feira, março 23, 2007

Cartazes longe do alvo

1) Então se aquela coisa do "Allgarve" era para conquistar a british people, porque estão as paragens de autocarros do Porto enfeitadas com o bonito trocadilho?

2) Os cartazes do PSD com as taxas de crescimento de Portugal, da média da União Europeia e, em clara vantagem, de Espanha são para que eleições? As regionais espanholas em apoio ao PSOE?

quarta-feira, março 14, 2007

União Europeia, séc. XXI - até quando?

A culpa é do Chávez, claro!

Durante o dia de ontem dezenas de sites noticiosos, sobretudo espanhóis, hispano-americanos e brasileiros, reproduziram uma notícia da agência EFE, de Espanha, que indicava um "estudo que demonstrava que o QI de George W. Bush era o mais baixo de todos os presidentes americanos". A notícia foi entretanto apagada de quase todos os sites, como do El País, p.ex. Mas ainda se pode ler no 20 minutos, devidamente sinalizada como falsa. Ou sem qualquer aviso nos jornais conservadores La Razón e ABC.

A principal falha da notícia está na inexistência do tal estudo ou de um verdadeiro Instituto Lovenstein, já que as conclusões são provavelmente verdadeiras, é isso que a torna verosímil. Poucos duvidarão da fraca inteligência de W., e não é esta notícia ou o seu desmentido a alterar o que quer que seja. O interesse principal do caso está na forma como grande parte da informação que consumimos parte de uma única fonte, uma agência noticiosa, e se difunde por dezenas de sites e órgãos, sendo publicada sem que ninguém repare em erros tão óbvios como este (é que ainda por cima tudo isto já havia acontecido com jornais de língua inglesa em 2001). A detecção do erro veio, aparentemente, da blogosfera.

Mas com tanto erro de palmatória como reagem os órgãos envolvidos? É simples, os clientes da EFE culpam a agência, e esta difundiu uma notícia/pedido de desculpas com este título: «Discurso de Chávez revive boato sobre QI de Bush».

domingo, fevereiro 25, 2007

Podia ter sido aqui

Maria del Cármen Galayo Macias, uma dos 17000 professores contratados e pagos pelo estado a pedido do episcopado espanhol, prestava serviços como professora de religião católica em diversos centros públicos de ensino básico desde 1990 mas, em Outubro de 2000, foi demitida.

O Tribunal Constitucional espanhol considerou, esta quinta-feira, que não pode julgar-se inconstitucional a decisão dos bispos de despedirem uma professora, por esta viver com um homem em união de facto, noticia o jornal El País

E por cá, como é que isto funciona?

«A nova Concordata consagra a existência da disciplina de EMRC, continuando os professores a ser propostos pelos Bispos, nomeados pelo Estado e pagos pela tutela.

Os professores de religião e moral católicas “são nomeados ou contratados, transferidos e excluídos do exercício da docência da disciplina pelo Estado de acordo com a autoridade eclesiástica competente”. (...)

O artigo XIX, no seu ponto 3, vinca que o ensino da religião e moral católicas apenas poderá ser ministrado por quem seja considerado “idóneo” pela autoridade eclesiástica competente e “nos termos previstos pelo direito português e pelo direito canónico”.»

Contribuir com os meus impostos para a imposição de normas católicas na vida privada de trabalhadores pagos pelo estado português? Contribuir com os meus impostos para a promoção do proselitismo católico na escola pública? Assim é. Sobre isto ler ainda os excelentes artigos de opinião publicados no El Pais: «¿Vuelve la Inquisición?» e «¿Catequista o profesor?». Para quando a revogação das concordatas?
«A visada, em declarações reproduzidas ontem pela imprensa espanhola, resumiu como "uma aberração" a análise do tribunal: "Não sou padre nem freira e não tenho voto de castidade", lembrou. "Aos padres pedófilos não os afastam, e eles continuam a dar aulas de religião."»

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Afinal havia outra...

«La responsable del relevo vespertino de Losantos en la COPE, Cristina Schlichting, explicó desde su habitual columna en La Razón, que el reciente referéndum celebrado en Portugal, a favor del levantamiento de la prohibición del aborto, podría haberse planteado en los siguientes términos, en 1940: “¿Sería usted partidario de la despenalización de la interrupción de la vida de un judío si es realizada por opción de la raza superior, por el bien común, con sedación de ziklón B y en un centro de salud legalmente autorizado?”.»
...interpretação da pergunta do referendo de passado domingo. Não era só Marcelo e o papagaio Mendes a acharem-na mentirosa, traduzida em "espanhol da COPE" (rádio dos bispos espanhóis) dá isto que se vê. Depois de uma curta googlagem já deu para ver que esta Schlichting tem pretensões ao título de "Ann Coulter espanhola", até já escreveu um livro chamado, ó surpresa, "Politicamente Incorrecta". Das duas uma, esta gente do anti-PC ou se extinguirá pelo tédio, ou vencerá pela banalização da estupidez...

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Y viva la Iespiánhia!

Na discussão da despenalização do aborto Espanha vem sempre à baila. Está mesmo ao lado, fica à mão por assim dizer, e dá jeito a muita gente. Dá desde logo jeito a quem quer (e pode) abortar com segurança (médica e legal), mesmo as senhoras do Não podem ir a Badajoz ou a Vigo sem grande confusão. E dá jeito para muitas comparações, que só costumam dar jeito ao Não.

1) "A lei é igual à nossa", asseguram-nos. Não é bem assim, mas não anda muito longe. 2) Ao mesmo tempo generalizam as subidas dos números de abortos em Espanha a toda a Europa, e garantem que é o que vai acontecer por cá. 3) Asseguram ainda que votar Sim é abrir as portas às clínicas espanholas.

1) A lei é semelhante, mas em Espanha não se fazem julgamentos. O que se faz é que nas clínicas os pareceres médicos necessários são meros passos burocráticos automatizados. No fundo é chegar, abortar e pagar. A grande maioria dos abortos são feitos em clínicas privadas.

2) O Estado espanhol desresponsabilizou-se portanto da situação, está tudo nas mãos dos privados, a quem a redução do número de abortos não interessa. É claro que o aumento do número bruto se deve em grande medida ao aumento da população, sobretudo da imigrante. Mas não há reais esforços para reduzir o número de abortos. Planeamento familiar e aconselhamento, lá como cá, vai-se indo...

3) As clínicas espanholas vão instalar-se quer vença o Sim ou o Não, e por certo que o resultado ideal para as mesmas é uma repetição do resultado de 98. Uma fraca vitória do Não, com toda a gente a dizer que é contra a penalização, dificilmente conduzirá a um grande aumento do policiamento zelota do cumprimento da lei. As clínicas poderão fazer em Portugal o que fazem em Espanha, abortos seguros, mas pagos. E o estado poderá continuar a demitir-se da educação sexual, do planeamento familiar, enfim, da saúde reprodutiva dos cidadãos. Abrindo então espaço a uma taxa de abortos muito superior à holandesa, a mais baixa do mundo.

4) Na hipótese remota de o Não ter uma vitória sólida (vinculativa) o caso seria necessariamente diferente. Mais policiamento, mais julgamentos, e provavelmente algumas prisões efectivas, que alguns juízes anseiam por aplicar. Só lhes falta o clima político certo. É o voto que o vai determinar.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Mudando de assunto, ou talvez não...


"Éramos pocos" é uma das duas curtas espanholas nomeadas ao Oscar, e está integralmente disponível no YouTube. Deliciosamente ácida.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Leituras obrigatórias

5 anos do julgamento da Maia, ver as reportagens do Público reproduzidas no blog do Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo Sim.

Os juízos dos juízes no Glória Fácil. Pergunta à f., mas há juízes não-escanzelados e não-franzinos? Ainda não conheci nenhum desses, mas juízes cujo maior problema existencial é o acne já tenho conhecido alguns, o que por si só é capaz de explicar muita coisa...

No Diário Ateísta óptimas postas sobre novas ficções, depois da "guerra ao natal" do Público, "o amuo de Ratzinger por causa de Sócrates" no Semanário. Especial atenção aos gráficos que mostram que a sociedade portuguesa está mais secularizada que a espanhola.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Em Valência o baptismo é maldição para a vida toda

Inacreditável. Ou melhor, quase inacreditável, que vindo de quem vem...

PS: Também em Madrid.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Casamentos pioneiros

Tony Halls e Vernon Gibbs casaram na passada sexta-feira na Cidade do Cabo, África do Sul. Os noivos, que adoptaram o sobrenome Halls-Gibbs, dedicaram o seu casamento a todas as vítimas do HIV e da discriminação homofóbica. Amantes da natureza, casaram com as roupas que vestem usualmente na Arendhoogte Guest Lodge, que gerem.
Sabrina Rivera e Ángela Idoate são as primeiras mulheres transexuais e lésbicas a casar em Espanha. "Simplemente, somos otra forma de familia", disseram as noivas. A celebração ocorreu sábado em Madrid.

sábado, novembro 18, 2006

Do que não fala a imprensa

aqui me tinha queixado do pouco que se falou na imprensa portuguesa sobre a criminalização total do aborto na Nicarágua, entre outros temas. Lanço agora nova lista de assuntos tabu da comunicação social portuguesa:

1) Legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na África do Sul. Vários motivos pelos quais o assunto devia ter despertado a atenção da imprensa portuguesa. A África do Sul tem das maiores comunidades portuguesas a residir fora do país, foi a primeira república em todo o mundo a avançar com esta lei, o primeiro país africano, e como lembra a ILGA Portugal:
«A decisão do Tribunal Constitucional da África do Sul tem um eco particular no caso português. De acordo com o Tribunal, a anterior definição legal de casamento era "incompatível com a Constituição e não válida na medida em que não permite aos casais do mesmo sexo beneficiarem do estatuto e das vantagens, bem como das responsabilidades, que atribui aos casais heterossexuais". A Associação ILGA Portugal chama a atenção para o facto de existir a mesma proibição explícita da discriminação com base na orientação sexual nas Constituições da República Sul-Africana e da República Portuguesa. Portugal é, aliás, o único país da Europa cuja Constituição inclui essa proibição explícita.»
E tal como aconteceu na África do Sul, também nos tribunais portugueses anda um processo que procura esta medida. Teresa e Lena, lembram-se?

2) Por falar em ILGA, os prémios arco-íris 2006 (fotos e discursos no link) foram simplesmente ignorados pela imprensa nacional. Valha Espanha, a agência EFE noticiou, e os ditos foram notícia da Tribuna de Salamanca ao El Mundo.

3) Esta é por antecipação. Está a ser lançada agora uma petição mundial pela descriminalização da homossexualidade em todo o globo (lembro que continua a ser crime o sexo consentido entre adultos do mesmo sexo em boa parte da Terra, sobretudo em África e Ásia, mas também em países como a Nicarágua ou a Guiana, e é punido com pena de morte em 9 destes países). A petição já conta com assinaturas sonantes como a do sul-africano Desmond Tutu ou a austríaca Elfriede Jelinek, ambos laureados com o prémio Nobel (paz e literatura respectivamente). Uma lista provisória pode ser lida aqui, já lá têm dois nomes portugueses, mas há mais. Será que nisto a imprensa pega? Mais informações sobre como vão ser recolhidas as assinaturas em Portugal em breve, quanto mais não seja, no renas.

Em que vota quem vota Não?

«Assim, o que vamos decidir nas mesas de voto é o modelo de sociedade que queremos seja a nossa, isto é, o que vamos referendar é apenas se queremos a talibanização de Portugal!

Ninguém pense que
se os pró-prisão vencerem o referendo a Igreja se contenta com tão pouco! O referendo é um teste que se ultrapassado será apenas o primeiro passo para a regressão civilizacional ao totalitarismo católico medieval por que o Vaticano tanto almeja!»
É que não duvidem disto. Basta ver aliás a mais recente campanha de envio de e-mails promovida pela associação ultra-católica e ultra-conservadora HazteOir.org de Espanha: parabéns aos deputados da Nicarágua que legislaram a criminalização de todos os tipos de aborto, incluindo quando está em causa a vida da mulher e mesmo se o feto está morto. Note-se que os movimentos pró-vida portugueses têm estreitas ligações a este grupo (participaram até da célebre manif anti-casamento entre pessoas do mesmo sexo no ano passado em Madrid), e se oficialmente não assumem que é isto que pretendem, não é difícil perceber que é exactamente uma lei à Nicarágua que desejam para nosso o país. Que ninguém se iluda com sondagens (iguais às de 98 aliás), uma segunda vitória do Não abrirá caminho para a talibanização de Portugal.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Limitou-se a obedecer a "sua santidade"

O sacerdote católico espanhol Rafael Sanz Nieto foi condenado a 2 anos de prisão por abusos sexuais continuados a um rapaz de 12 anos. O arcebispado de Madrid, nomeadamente o cardeal Antonio María Rouco Varela (rosto visível da luta clerical contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo em Espanha) soube do caso antes da polícia, e a única coisa que fez foi transferir o abusador para um convento. Seguindo então a carta de recomendações escrita por Ratzinger ainda antes de ser papa. O arcebispado de Madrid terá agora que pagar 30.000 de indemnização como "responsable civil subsidiario".

sexta-feira, outubro 06, 2006

Efeito dominó?

Depois do papa, o arcebispo de Madrid. Cada vez mais perto, ai, ai...

quinta-feira, outubro 05, 2006

"A República ainda não chegou a Olivença"

Lia-se numa faixa empunhada por alguns dos poucos assistentes das comemorações oficiais do Dia da Implantação da República. E não parece que tal venha a acontecer tão cedo, ainda há dias a guardia civil invadiu a sede local da Izquierda Unida em Medina Sidonia, e confiscou a bandeira republicana espanhola, tendo devolvido apenas alguns dias depois. Nem tudo está mal para Portugal nas comparações ibéricas. Viva a República!