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quarta-feira, outubro 22, 2008

Doces pecados

1) Esquece Deus e goza a vida. É essa a mensagem do primeiro autocarro ateísta a percorrer as ruas londrinas, graças ao patrocínio de Richard Dawkins, e várias outras pessoas, a uma ideia nascida na blogosfera. Mais informações aqui, via.

2) "A Revolução Pendente - Feminismo e Democracia" de Carlos Diegues. Pecado em dose tripla: temática demoníaca, edição disponível para descarga gratuita na net e editado na Galiza com cedilha e til. Alguém terá que arder no inferno por tudo isto. Via.

3) Mormons Exposed 2009. Já podem tirar o calendário de 2008 da parede, novos Helders desnudam o tronco para deleite pagão. Muita atenção ao Matthew em pregação pela África do Sul e ao Cody, que prega pela Lousiana fora. Aqui fica o vídeo, e se não resistirem prega-los na vossa parede ou a comprar a T-shirt "I heart mormon boys" por 15,50 dólares já sabem, só haverá absolvição rénica se oferecerem o dobro à campanha dos autocarros ateístas de Londres.

4) Entretanto a saga da Bicha do Demónio prossegue, para ver e rever aqui.

PS: Entrevista com o génio por trás da Bicha aqui!

sábado, abril 12, 2008

3.ª temporada de "Erva" estreia na segunda na RTP 2


E logo a seguir estreia a primeira de "Californication", às quartas continua o "Dexter" e à sexta a "Brothers & Sisters", tudo bons motivos para o parlamento galego ter exigido por unanimidade a emissão dos canais portugueses na Galiza: cá as melhores séries americanas estreiam mais cedo e com o som original.

PS: E para quem já não se lembra de como terminou a 2.ª temporada, aqui ficam os últimos 5 minutos (já agora, a RTP anda a repetir as duas primeiras temporadas de madrugada):


[http://videos.sapo.pt/MRmRCP2P3doZK4zC2VS4]

terça-feira, abril 08, 2008

Uma piada de mau gosto chamada APEL

Retirado do jornal Meia Hora
«Para evitar o que consideram que virá a ser "uma catástrofe" para o país, a associação ainda presidida por António Baptista Lopes apela a uma rápida intervenção do poder político português, no sentido de protelar 'sine die' o protocolo.»
O protocolo "catastrófico" de que António Baptista Lopes fala ao JN é o tal acordo ortográfico que revela (as tais "duas grafias" são reconhecidas pelo acordo, logo ambas estão de acordo com o acordo em pé de igualdade, tipo duuuuh) e admite desconhecer ao Meia Hora. Parece que também acha que aquilo que diz é suposto levar-se a sério. Ora se isto é a representação do meio editorial português, percebe-se melhor a urgência de sermos salvos pelos editores brasileiros da iliteracia crónica e profunda em que vivemos.

A mesma APEL anuncia no seu site (que por alergia a casos extremos de palermice não linko) um "estudo" que mostra que traduções feitas por pessoas diferentes originam textos... *suspense* ...diferentes!!! Sim, o nível é este. E a continuar assim qualquer dia eu próprio estarei contra o acordo, cada vez me parece mais razoável, simples e inteligente adotar a ortografia brasileira e pronto. É o que faço neste post, simultaneamente de acordo com o acordo e pipocado de anglicismos vários, c'est la vie!

PS:
Outra piada da APEL e do sr. Baptista Lopes, «Não haja quaisquer dúvidas de que as instituições internacionais, a partir do momento em que Portugal ceder às intenções do Brasil, não hesitarão em ter como referência o Português daquele país». Eu não sei em que mundo vive este senhor, mas dou um exemplo simples, uma notícia da versão lusófona do site da Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão. A notícia fala sobre os problemas de integração, nomeadamente lingüística, da comunidade portuguesa na sociedade helvética, a terceira mais numerosa. Naturalmente, apesar do reduzidíssimo número de brasileiros a residir nos Alpes, a notícia está escrita em "português do Brasil", do vocabulário à ortografia. Em que mundo vive o sr. Lopes? Absoluto mistério para mim.

quinta-feira, março 27, 2008

Human, Umani, do Homem?

Este ano pelo menos 4 países da Eurolândia emitirão moedas comemorativas do 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Dos 4 só Malta ainda não divulgou o desenho, nos outros lê-se, "Universal Declaration of Human Rights" na belga, "Diritti Umani" na italiana e "Declaração Universal dos Direitos do Homem" na portuguesa. A suposta "ditadura do politicamente correcto" é diariamente "denunciada" na imprensa, mas não consegue coisas tão simples como a correcta tradução da declaração, originalmente escrita em inglês. É que nem é preciso discutir o sexismo da coisa, afinal inexistente no original, bastaria tão só exigir uma tradução sem erros.

segunda-feira, março 24, 2008

De volta ao desacordo

1) Para citar este belíssimo comentário de Rui Zink, deixado numa caixa de comentários tomada de assalto pelo analfabetismo-patrioteiro. Cito com a devida vénia:
«Certo, Angola já não é nossa, mas a língua ainda é. Semos o Pai, nós decidiremos o destino dela. E depois, o Brasil não tem escritores, não tem literatura, enquanto que em cada Portuguez há um Poeta, e um Poeta que nunca deixou a sua língua amada ser contaminada por estrangeirismos foleiros como prime, subprime, franchising, spread 0%, uma língua cujos deputados não dizem atempadamente, cujos economistas não nos convenceram que é errado dizer rentabilidade, cujos cidadãos lêem Camoens no original e onde nem as cartas do CEO da PT vêm com eros ortográficos, porque Eros é um deus brasileiro e lá por eles serem muitos nós semos Portuguezes, temos o copiraict (que escrevemos com c para distinguir de ofsait. Seremos como o Titânico, affundar-nos-emos philosofficamente escrevendo kmo s/pre xkrevemos. Hey men.»
2) Há dias notei com agrado numa notícia de um site brasileiro que por lá se diz "centavo de euro" e não o horroroso "cêntimo". Agora quando a fui procurar para comentar encontrei não uma, mas centenas, incluindo esta da Agência Lusa Brasil:
«Os bares e restaurantes portugueses praticam o preço mais baixo de venda do produto entre os países europeus. Em Portugal, a xícara do expresso custa, em média, 55 centavos de euro (R$ 1,41).»
Quanto tempo será necessário para que o analfabetismo-patrioteiro comece a vomitar que "no Brasil nem sabem dizer cêntimo"? Este exemplo de um melhor uso da língua lá do que cá é especialmente valioso por ilustrar um dos principais factores que contribuiu para a divergência da língua nos dois países: a influência do francês em Portugal. Coisa que começou na altura das invasões, mas que nem por isso indigna estes pseudo-puristas patridiotas. Sobretudo ao nível fonético (que em nada será alterado pelo acordo), com a exagerada consonantização do sotaque das elites lisboetas, assumido como o "mais correcto", é aos franceses que devemos muita da água que separa as duas variantes da língua.

3) Mas não costumam ser os velhos do Restelo a ditar o rumo da história. E talvez essas exacerbadas reacções anti-acordo mais não sejam que o indício disso mesmo, o último estrebuchar do orgulhosamente sós. Assim o espero. E para ilustrar a riqueza da língua em que vos escrevo em ortografia antiga (pois, ainda não fiz o upgrade), um excerto de uma novela exibida pela SIC, para lembrar que isto de sotaques e variantes não se resume a Lisboa e Rio de Janeiro. Deliciosa, é a única novela que consigo ver por mais de 5 minutos só pelo prazer de ouvir as falas.


Mais sobre o dialecto mineiro na Wikipédia.

quarta-feira, março 19, 2008

Europa, Democracia e Esperanto

Desde que instalei cá no renas o sistema das estrelinhas que o post «Sapiência lost in translation» é o "mais popular", desconfio que o lóbi esperantista o guglou e decidiu promover. Não me importo nada, pelo contrário, sempre simpatizei com esse lóbi. Foi por isso também com agrado que descobri que já existe até um partido esperantista pan-europeu, o EDE - Eŭropo - Demokratio - Esperanto, que concorreu nas eleições europeias de 2004 em alguns círculos franceses e ficou a poucas assinaturas de poder concorrer na Alemanha. Decorre neste momento o esforço para concorrer noutros países em 2009.

Com o contínuo esvaziamento de poder do Parlamento Europeu não me faria confusão votar num partido de objectivo único, até porque é um objectivo que me parece muito importante para o relançamento do projecto europeu. Não vou alongar-me muito no assunto, remeto antes para mais um texto do sr. Claude Piron (e já agora os tempos de antena do EDE).

De resto eu nem sequer sei falar esperanto, já planeei aprendê-lo várias vezes (típica resolução de ano novo), mas faltou-me sempre o vagar para isso, e sobretudo a motivação mais forte para se aprender qualquer idioma, a utilidade. Uma utilidade que poderia vir facilmente por decreto do Parlamento Europeu, por muito mal vista que esteja a eficácia dessa via. Assim à primeira vista o único senão que vejo no esperanto é a acentuação, mas isso não é nada que uma reforma ortográfica não resolva (está visto, gosto mesmo destas coisas de decretos reformadores) e aliás, o próprio criador do idioma o chegou a propor, segundo a Wikipédia. Reforme-se e oficialize-se então, se concorrem por cá levam o meu voto.

terça-feira, março 11, 2008

Então isto agora não era tudo dos brasileiros?

«Portugal terá primeiros dicionários com regras do acordo ortográfico

Na seqüência da aprovação da ratificação do segundo protocolo modificativo do acordo ortográfico pelo governo português, na quinta-feira passada, a Texto Editores lança, na próxima sexta, dois dicionários e um guia já com as alterações previstas no idioma.

Segundo informação divulgada nesta segunda-feira pela editora portuguesa, as edições - que, por ora, serão lançadas apenas em Portugal - "visam dar a conhecer as alterações introduzidas pelo acordo ortográfico de 1990".»
Lê-se no Folha de São Paulo, em ortografia pré-acordo, para horror do analfabetismo-patriota que tem enchido as caixas de comentários de notícias sobre o acordo ortográfico (exemplo) com os comentários mais tontos e desinformados. Afinal os primeiros dicionários de acordo com o acordo até serão portugueses, da Texto Editora, agora propriedade do Grupo Leya.

Imagino o horror e a dificuldade que terá sido retirar uns Ps e uns Cs a meia dúzia de entradas do dicionário para que pudesse estar de acordo com esta reformazinha simbólica. Claro que isto não passa de um belo golpe de marketing, mas dado o contexto em que surge, de editores histéricos e tresloucados com a aplicação do acordo e governo com medo de agir, temos mais é que aplaudir a iniciativa. E já agora, publicidade de borla para os novos dicionários e ainda o "Atual", uma explicação do acordo ortográfico.

Resumo explicativo: 4,41€

Claro que quem já tem um bom dicionário precisará, quanto muito, comprar a última obra, para esclarecer qualquer dúvida, é o que eu tenciono fazer. O meu Porto Editora com mais de 10 anos tem servido perfeitamente, e assim continuará.

Adenda: «Novo dicionário da Língua Portuguesa» - Reportagem da RTP.

domingo, março 09, 2008

Resultados das Eleições Gerais Espanholas


Muito boa ferramenta disponibilizada pelo site Soitu.es, via días estranhos, se tudo funcionar correctamente a partir das 19h de Portugal continental, 20h em Espanha, os resultados oficiais podem ser acompanhados aqui, para já ficam os de 2004. Os resultados das últimas sondagens, ilegais em Espanha, podem ser lidos no el Periòdic d'Andorra. Para se perceberem algumas siglas o melhor é consultar a Wikipédia.

sábado, fevereiro 16, 2008

Alerta: Bicha do Demónio 8


Finalmente o regresso, agora com a Bicha de Deus, vinda directamente de Pernambuco (ou talvez não), um army of fufes e ainda um vídeo íntimo gentilmente cedido pela Jubileu.

Enfim, uma excelente oportunidade e inspiração para responder ao desafio da Ana: perereca, mocréia, urubu, trubufu, fogosa, escandalosa, arrasadora, espalha-brasas, mostrengo, estafermo e serigaita. Ah falta uma, pode ser "recato".

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Não vale a pena esperar por quem não sabe honrar compromissos

O escritor angolano, José Eduardo Agualusa, defende, em crónica hoje divulgada pelo semanário A Capital, de Luanda, que Angola «deve optar pela ortografia brasileira», caso o Acordo Ortográfico não venha a ser aplicado por «resistência» de Portugal.

Para esta tomada de posição de um dos mais respeitados escritores angolanos e lusófonos, José Eduardo Agualusa avança como justificação o facto de Angola ser um pais independente, nada dever a Portugal e o Brasil ter 180 milhões de habitantes e produzir muito mais títulos e a preços mais baratos do que Portugal.

Agualusa diz ainda, na crónica que publica regularmente n´A Capital, que Angola «tem mais a ganhar com a existência de uma ortografia única do que Portugal ou o Brasil», porque o país não produz livros mas precisa «desesperadamente deles».



Ainda no referido texto do escritor José Eduardo Agualusa, este defende que a educação das populações angolanas e o desenvolvimento do país depende da importação, nos próximos anos, de milhões de livros.

E defende que as autoridades angolanas devem criar «rapidamente legislação» que permita e facilite a entrada de produtos culturais e, «em particular», de livros, no país.

Agualusa aponta ainda como razões para a demora na activação do acordo a «confusão» entre ortografia, as regras de escrita e linguagem, resumindo que o acordo tem por objectivo a existência de «uma única ortografia» no espaço de língua portuguesa, sendo «absurdo» pensar-se em unificar as diferentes variantes da «nossa» língua.

O autor aponta ainda o dedo a um «enraizado sentimento imperial» de Portugal em relação à língua para o protelamento de uma decisão.

E, contrariando esta possibilidade, diz que a História nega este sentimento porque «a língua portuguesa formou-se fora do espaço geográfico onde se situa Portugal - na Galiza».

«Por outro lado, a língua portuguesa tem sido sempre, ao longo dos séculos, uma criação colectiva de portugueses, africanos, brasileiros e povos asiáticos», aponta.

Ora nem mais, já cá o tinha dito.

sábado, fevereiro 09, 2008

Sapiência lost in translation

Foi, se bem se lembram, um conselho de sábios que elaborou o "Tratado Constitucional Europeu", paz à sua alma. Agora, um novo conselho de sábias figuras (incluindo Eduardo Lourenço), elaborou um relatório pela defesa do multilinguismo na União, assente numa ideia principal: a "língua pessoal adoptiva". A língua pessoal adoptiva seria então uma outra língua, que não a materna de cada cidadão, que passaria a funcionar como segunda língua para uso pessoal ou assim... Qual é a novidade? Essa língua não deve ser necessariamente o inglês. E pronto, é isso. Propõem então que se faça o que se faz há décadas em quase todos os países europeus, a obrigatoriedade de aprender outro(s) idioma(s) na escola, mas com a ressalva "que não seja só o inglês".

Mais valia estarem calados. Sim o multilinguismo é lindo e uma riqueza. Sim, quem sabe mais línguas só ganha com isso, viaja mais, vê mais longe, etc. Mas, regra geral, as pessoas (as não-sábias pelo menos) só aprendem outro idioma se tiverem mesmo que o aprender. E encontrar um emprego costuma ser a razão que as leva a aprenderem esse outro idioma. As línguas não vão longe pela via da sedução, mas sim pela da imposição, da escola ou do mercado.

Quanto ao inglês é uma vantagem para a UE que o seu conhecimento se vulgarize. Facilita a comunicação, 27 nacionalidades à mesma mesa e uma só língua - dispensam-se tradutores, poupa-se tempo e dinheiro. A desvantagem é que o inglês não é uma língua tão simples quanto parece, está cheia de excepções, e sobretudo não é uma língua neutra. O que faz com que no seio da União haja os falantes de primeira (os nativos) e os de segunda (os tais que o têm como "língua pessoal adoptiva"), o que gera alguns desequilíbrios e mesmo conflitos.

O conselho de sábios bem que podia ter sugerido medidas muito mais concretas e revolucionárias, como a adopção de uma nova língua de trabalho na União, criada especialmente para isso mesmo. Uma língua que fosse por um lado muito mais fácil de aprender, sem as irregularidades e confusões do inglês, e que fosse igualmente estranha a todos europeus, entranhando-se assim de forma igualitária. Uma língua franca desse tipo seria o melhor seguro de vida para a diversidade linguística europeia. E nem é preciso inventar nada, o esperanto foi criado para isso. Claro que seria necessária uma reforma ortográfica, que os acentos não estão com nada na era da internet, mas isso sim seria uma sábia resolução. Agora chorinhos francófilos por causa do inglês é que façam-me um favor... *bocejo*

Deixo-vos antes com o sr. Claude Piron que diz uma série de coisas interessantes a este propósito:

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Quem é que precisa do acordo? Já de emprego...

Anúncio aqui, site da empresa acolá. Só não entendi bem se o anúncio está escrito em português de Portugal ou do Brasil... suponho que por culpa do meu monolinguismo em Português do Entre Douro e Minho :( Mas "full-time" parece-me ser português do Algarve. [Via Rapariga em Flor]

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Um Natal porreiro, pá!


Uma adenda a isto (ou não fosse esta rena ultra-sexy). Via Womenage. Na Webboom. E para quem não se lembra, o vídeo original.

PS: A publicidade está giríssima, mas este blog não recomenda a compra de livros das editoras portuguesas para presentes de natal, em jeito de boicote pelo boicote por estas anunciado. Sendo a Webboom propriedade de uma dessas editoras, também não recomendamos qualquer compra através desse site. Melhor procurar nos ".com.br".

sexta-feira, novembro 30, 2007

O acordo e o mercado africano

Vale a pena ler o dossiê de ontem do Público sobre o acordo ortográfico. Para os editores portugueses o que está em causa é sobretudo África, onde são reis e senhores sem esforço (exceptuando uns problemitas). Com o acordo a coisa deixa de ser assim fácil, e pior, até por cá haverá concorrência. Resumindo, uns estão preocupados com a manutenção dos seus negócios fáceis, recusando ver que oportunidades não faltam com o acordo, e outros estão preocupados com o futuro da língua. Estou naturalmente entre os segundos. E por isso espero sinceramente que atrás do Brasil siga Angola e Moçambique, para termos o prazer de ver os editores portugueses a gritar nas ruas pela aplicação do acordo.

Entretanto, falando de livros, Angola e de editores portugueses:

«A publicação de "Purga em Angola", polémico ensaio sobre o sangrento contragolpe de 27 de Maio de 1977 no seio do MPLA, tem valido aos seus autores, o casal de investigadores Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus, uma série de "ameaças e tentativas de intimidação", confirmadas, ao JN, pelos próprios. Além disso, é quase impossível encontrar o livro à venda.

(...) A docente universitária garante também que "uma semana antes do lançamento, quando os autores ainda não tinham visto o livro, já na Embaixada de Angola alguém se gabava de o ter e de o ir mandar para Angola".

As suspeitas adensaram-se a partir do momento em que a tiragem rapidamente esgotou e, apesar das sucessivas promessas nesse sentido, o stock não foi reposto. "Há praticamente um mês que não existem livros à venda", acusa Dalila Cabrita Mateus, para quem "não admira que, com esta embrulhada, apareçam pessoas a dizer que boa parte da edição foi vendida a Angola para ser queimada. Ou, então, a afirmar que Angola comprou a distribuidora e esta retirou os livros do mercado".

Carlos Araújo, editor da ASA responsável pelo livro, desmente eventuais pressões sofridas e atribui à situação interna da empresa, adquirida há cerca de dois meses pelo grupo de Miguel Paes do Amaral, as dificuldades no lançamento de uma nova edição. (...)
»
Passaria o mesmo se a editora fosse brasileira?

sexta-feira, novembro 16, 2007

Aprender a dizer "obrigado" em vez de mandar mais uma bomba para o Iraque? Só podem estar a gozar comigo!

Para Bush o ensino de português corresponde a um esbanjamento inútil comparável a um museu das prisões e uma escola de vela de ensino a bordo de um catamarã. Valeu a pena apostar na amizade transatlântica, ainda que isso tenha custado a vida a algumas centenas de milhar de iraquianos, os doces frutos estão à vista. Enjoy! E thank you very nice mr. Barroso ;)

PS: Mas vendo bem isto é uma boa oportunidade para a língua, dados os actuais índices de popularidade do carrasco do Iraque, ainda vira moda na América aprender português.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Os anti-acordo, que é como quem diz, os anti-brasileiros

Uma breve busca por "acordo ortográfico" na Technorati transforma-se rapidamente numa viagem à xenofobia anti-brasileira crescente cá na lusitana pocilga (eu às vezes fico assim meio anti-tuga, posso?). Um dos textos mais hilariantes é o desta petição "Contra o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa", contei-lhe uns 10 erros ortográficos (errados com ou sem acordo), geralmente na acentuação, mas com direito a um "distincta", assim com "c mudo", porque afinal não se lê e não, e se representa um traço de portugalidade o melhor mesmo é patrioticamente expandir o seu uso. Bom, isto tudo na ortografia, porque saltando a gramática e aterrando no conteúdo, ui ui. Por certo esta gente pensa que Camões, Eça ou Pessoa usavam todos a mesma norma ortográfica, sendo a mesma que se usa hoje (excepto esta tal gente e os teens que é + axim).

Para não perder muito tempo com essa questão, citemos então de novo Eça, agora no original, a primeira frase de A Capital: «Foi no domingo de Paschoa que se soube em Leiria que o parocho da Sé, José Migueis, tinha morrido de madrugada com uma apoplexia.» Já Os Lusíadas começavam assim: «As armas, & os barões aßinalados, Que da Occidental praya Lusitana» patati patatá, uma pena ter-se perdido o "ß", tão mais giro e prático que "ss". Já os "ll" que Pessoa ainda usava para escrever "ela" de prático nada tinham.

Esclarecido este equívoco, passemos aos restantes. Lê-se num blog encontrado por mero acaso, mas aparentemente ligado a uma editora nacional, a Frenesi:
«Será que alguma vez passou pelas meninges de intelectuais ou de académicos ingleses sugerirem aos políticos sequer que a língua inglesa fosse subvertida pelo refluxo das suas variantes faladas na Índia pelos autóctones? Será que os holandeses da Holanda falam hoje afrikander? Falar-se-á no centro de Madrid, porventura, galego, basco, catalão, ou alguma das muitas variantes do castelhano que pululam na América Latina?…

De vez em quando, em Portugal, abre-se debaixo dos nossos pés o alçapão dos curros da política nacional: é como um balneário cheio com uma equipa de futebol da 3.ª divisão ao fim de 90 minutos de jogo suado e vários dias de treino sem passar por baixo de um chuveiro, é como um sifão de sanita entupido. Exala o cheiro pestilento das conveniências calculadas lá entre os políticos de carreira. Um fedor analfabeto a militância ronceira nos partidos, a cocó sob o poleiro de empregos talhados à medida das suas armaduras…»
Que belíssima prosa, que elegância, que ironia fina, um primor! O primeiro parágrafo é especialmente ilustrativo dos dois principais motores do reaccionarismo anti-acordo: a ignorância e a xenofobia.

Por um lado confunde-se uma alteração na ortografia, algo superficial, sem qualquer influência na fala, gramática ou vocabulário, com algo profundo e radical, uma autêntica revolução, imagina-se. Quando afinal trata-se apenas de uma ténue e simplificadora reforma ortográfica - basicamente cortam-se com letras e acentos irrelevantes, por não terem qualquer leitura. E depois associa-se isso a uma viciada e nefasta influência estrangeira. Os exemplos dados na citação são um mimo de imbecilidade - já agora, em Madrid não sei, mas na minha portuguesíssima e pacata rua ouço muitas vezes falar russo (ucraniano?), caló e claro, no Verão o francês é rei e senhor.

Mas o mais ridículo de tudo é a ideia de que a influência brasileira representa uma ameaça para a língua que falamos, se o Brasil é, afinal, a sua única esperança. Se o português fosse exclusivamente falado em Portugal provavelmente já estaríamos a falar em portunhol e a médio prazo exclusivamente em inglês. A língua franca europeia, que se começa a impor nos meios académicos e financeiros de todo o continente, podendo-se já em alguns contextos falar mesmo em diglossia, creio.

O português sem o Brasil teria a importância do eslovaco. Quem é que quer aprender eslovaco? Mais vale aprender checo ou polaco, e assim entender o mais que suficiente do eslovaco. Que é como quem diz, mais valeria aprender italiano ou catalão, do que esse dialecto espanhol do lado pobre da península.

Mas este texto já vai demasiado longo quando o assunto é algo tão ténue como o acordo ortográfico de 1990. Não se trata de nenhuma revolução unilateral como a de 1911. Nem sequer da assimilação da grafia brasileira - algo que, não fosse a histeria nacionalista, seria também perfeitamente razoável e sensato. Não, isto é apenas um pequeno conjunto de simplificações, acordadas entre dois países (e mais alguns a ver de longe) como se de igual para igual pudessem falar. Não podem, mas o Brasil faz a gentileza e generosidade de parecer que sim. A tudo isto o tuguedo responde com pedras.

Atirai quantas quiserdes e vereis depois em cima de que cabeças cairão.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Isto não é um país sério

«Portugal vai pedir dez anos para aplicar o Acordo Ortográfico da Língua Portugal, que foi assinado há quase 17 anos e que unifica a escrita do português nos países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).»

E porque 27 anos não passam de uma correria irreflectida:

«A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) exprimiu hoje "preocupação" pela possibilidade de o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico ser ratificado sem previamente se realizar o "indispensável debate público e institucional sobre a matéria".»
Esta gente só pode estar a gozar. Não sei como o Brasil ainda perde tempo... e sobretudo não sei porque esperam os PALOP para adoptarem simples e convenientemente a grafia brasileira. Assim como assim, eu prefiro "vôo" a "voo" e "freqüente" a "frequente", coisas que se perderiam com a aplicação do acordo, para não parecer que só Portugal tinha que fazer alterações... Vá, considere-se então a língua dividida em duas e comecem-se a vender os livros brasileiros por cá, com a facilidade e quantidade com que se vendem os livros ingleses sff.

quarta-feira, outubro 03, 2007

É do gerúndio a culpa de ninguém estar fazendo nada

Quem o garante é o governador de Brasília, que está tratando de bani-lo, a ver se as coisas começam melhorando... Mas olhando para Portugal, onde se vai usando menos, eu diria, dizendo, que não é indo por aí não... [via]

Ver na Wikipédia: Gerundismo.

terça-feira, outubro 02, 2007

Diga-se o que se disser, o mirandês entende-se muito melhor que o madeirense, seja falado ou escrito



Algumas notas, à tampa das panelas no Norte (e não apenas no Porto) chamam-se "testos" e não "textos" como se lê na reportagem. Do mesmo modo "malga" não se limita a Trás-os-Montes, mas é usado também no Minho e Douro, pelo menos. O mesmo para o aloquete, que arriscaria dizer ouvir-se em sítios tão longínquos como Aveiro ou Viseu, e algo muito parecido em Roma, que é onde esta coisa toda começou. Cajado, que não é exactamente sinónimo de bengala, é usado no Norte, Centro, e provavelmente no resto do país desde que haja pastores, além do Brasil. Curioso como a SIC não foi capaz de encontrar regionalismos lisboetas...