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sábado, outubro 28, 2006

Fodder for museums

«The issue is not just the contrast between the mellifluous, musical accent of Brazil — “Portuguese with sugar,” in the words of the 19th-century realist Eça de Queiroz — and the clipped, almost guttural sound in Portugal. There are also marked differences in usage that have traditionally led to misunderstandings and provided fodder for jokes. In Portugal, for example, a word for a line (the waiting kind) is to Brazilians a derogatory slang term for a homosexual.»
Por acaso este exemplo é só mais um dos que se desactualizaram face à brasileirização portuguesa. E isso não é uma coisa má, tal como este artigo do The New York Times (descoberto via DN), a propósito do Museu da Língua Portuguesa inaugurado este ano em São Paulo, e já o mais visitado do Brasil. Mas as influências intralusófonas não se fazem num só sentido, no excelente "Cuidado com a língua" da RTP, exibido na semana passada, fiquei a saber que o termo "arruada", popularizado nas últimos eleições portuguesas, é considerado um neologismo com origem no galego "ruada". A língua não está morta, e definitivamente não é "espanhol mal falado" (como segundo o NYT algumas pessoas falantes dessa lengalenga repetitiva de apenas 5 vogais, com origem no calão militar latino, parecem acreditar). Mas mesmo assim já se prepara novo museu de conservação da dita, agora em Lisboa, just in case.

quarta-feira, outubro 18, 2006

Como com a electricidade? Nem pensar!

O CDS, o partido lança-chamas da política portuguesa, vem lançar mais uma para a confusão, o seu objectivo principal. O CDS não percebe o português da pergunta proposta pelo PS para o referendo sobre a IVG, e por isso sugere o seu portuñol. A pergunta do PS é: "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?".

A primeira objecção do CDS é com "despenalização", que entende dever ser "liberalização". Perdon? Pois, isso mesmo, "liberalização", uma palavra que nos tempos que correm lembra sobretudo o fim de monopólios estatais e privatizações. Assim como se fez com o mercado da electricidade, conduzindo ao anunciado aumento de 15,7% nas facturas! Aliás, tudo coisas a que o CDS costuma ser super a favor, o que poderia suscitar confusões várias dentro do seu próprio eleitorado na hora de votar. Better not, ok? O que é penalizado e feito no privado, despenaliza-se e faz-se nos hospitais públicos, é essa a ideia, capice?

Depois diz o CDS que se deve usar "aborto" e não "interrupção voluntária da gravidez". Aborto é a expressão mais usada, concedo, aliás, eu próprio a uso - até porque não quero que só páginas anti-escolha sejam googladas com essa palavra-chave, sem dúvida a mais procurada. Mas ser muito usada não significa ser rigorosa, como compete ser a língua de coisas como referendos. É que se o CDS não sabe eu explico, em rigor "aborto" é o feto abortado num "abortamento". O acto que interrompe a gravidez é então o abortamento, e o seu resultado o aborto. "Liberalizar o aborto" proporciona então interpretações como "privatizar fetos abortados", e não é isso que se pretende. Se o CDS não entende bem a pergunta sugerida pelo PS a solução é mesmo voltar à escola.

sexta-feira, outubro 13, 2006

terça-feira, outubro 10, 2006

Jogos da Lusofonia, valha o YouTube


A ideia destes jogos pareceu-me óptima, simpática, gira enfim. Sem saudades do império, mas com desejos de valorização da língua que falo, Macau 2006 pareceu-me um óptimo veículo para isso mesmo. De resto a mascote é tão irresistível que até tive que a colocar ali ao lado, e vai-me custar horrores tirar o cachorrinho. Fica também no post para a posteridade. No entanto as duas principais potências da língua parecem estar pouco interessadas no caso. O Brasil nem se deu ao trabalho de mandar uma equipa de futebol, mesmo assim já lidera o quadro de medalhas e o Comitê Olímpico tem um site excelente sobre os jogos, mas nos média brasileiros parece-me que o acontecimento não existe. Em Portugal a coisa não está melhor, com a RTP a remeter a cobertura dos jogos para a RTP África e RTP Internacional. Quem não tem cabo ou satélite tem que se contentar com o YouTube (apresentação e abertura). Vou-me queixar ao provedor.

PS: Entretanto foi decidido que será Portugal a realizar a próxima edição, em 2009. Mas ainda não está definida a cidade. Os 3ºs deverão ser na Índia ou no Brasil, em 2013.

terça-feira, setembro 26, 2006

Dia Europeu das Línguas

Um bom pretexto para te lançares na aprendizagem de uma nova língua, ou desenferrujares uma que já conheças. E é que nem precisas levantares-te da cadeira, há imensos sites que de forma gratuita te possibilitam isso mesmo. Alguns exemplos: BBC (vários cursos a vários níveis, sendo o inglês a língua-base), Deutsch Welle (aprender alemão, vários níveis para lusofalantes), Stella (dinamarquês e húngaro em inglês), Speak Dutch, até um curso de esperanto e ainda dezenas de outros listados neste directório.

quinta-feira, setembro 07, 2006

Microsoft querer patentear tecnologia de conjugação de verbos

A Microsoft pretender patentear uma tecnologia de conjugação de verbos em várias línguas (via Chuza!). Coisa, aliás, que a Priberam já fazer haver alguns anos para a língua portuguesa - mas não pedir patente, e caso por absurdo a Microsoft ter sucesso, poder ter que pagar direitos à empresa de Bill Gates. Ser só eu a achar que os abusos e excessos das leis de direitos de autor ser a maior ameaça à liberdade de expressão actualmente no Ocidente?

sexta-feira, setembro 01, 2006

Lost in translation?

Alexander Stubb, eurodeputado conservador finlandês, elaborou um relatório sobre os gastos da União Europeia com as traduções nas suas 21 línguas oficiais. Segundo o Vieiros, depois de um primeiro impulso para recomendar a redução dos idiomas de trabalho, Stubb acabou por concluir que 1% do orçamento final não é demasiado pela defesa e manutenção do multilinguismo nas instituições europeias, mas que mesmo assim muito dinheiro é desperdiçado em traduções que acabam por não ser necessárias.

Uma boa parte da culpa da descoordenação e esbanjamento de recursos actual deve-se à divisão do Parlamento Europeu entre Bruxelas e Estrasburgo. E este vaivém Bruxelas-Estrasburgo tem um custo total estimado em cerca de 200 milhões de €uros. Ou seja, mais do que os custos totais das traduções, que de acordo com o relatório de Stubb foram em 2003 cerca de 163 milhões de €uros.

Os gastos com as traduções são essenciais, se hoje em dia os cidadãos já parecem tão alheados das instituições europeias, imaginem como se seria se estas funcionassem apenas em inglês, francês e alemão... Já o vaivém Estrasburgo-Bruxelas parece servir apenas para mimar o ego francês. É por isso que Cecilia Malmström, eurodeputada liberal sueca, lançou a Campanha Oneseat, uma petição online pela concentração de toda a actividade parlamentar em Bruxelas.

Mas nisto de política europeia há coisas de impossível tradução, como as poses de Stubb no seu site, ou a sua foto com o pai-natal ao lado da foto com Durão Barroso. Uma descontracção conservadora nórdica, que em Portugal não teria sequer reflexo no "ousado e jovem" Bloco...