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segunda-feira, janeiro 12, 2009

É uma daquelas merdas tão básicas e tristes que não dá para parar de ver e achar graça


Faixa 09 ou o caralho from Isabelle Chase Otelo on Vimeo.

quinta-feira, março 27, 2008

Human, Umani, do Homem?

Este ano pelo menos 4 países da Eurolândia emitirão moedas comemorativas do 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Dos 4 só Malta ainda não divulgou o desenho, nos outros lê-se, "Universal Declaration of Human Rights" na belga, "Diritti Umani" na italiana e "Declaração Universal dos Direitos do Homem" na portuguesa. A suposta "ditadura do politicamente correcto" é diariamente "denunciada" na imprensa, mas não consegue coisas tão simples como a correcta tradução da declaração, originalmente escrita em inglês. É que nem é preciso discutir o sexismo da coisa, afinal inexistente no original, bastaria tão só exigir uma tradução sem erros.

quarta-feira, março 12, 2008

Vaticano prefere na boca, e não na mão

O cónego Luís Melo concorda e acrescenta, "há muita dignidade em estar de joelhos". Já o padre Feytor Pinto prefere na mão, porque "há muita gente que nos lambe as mãos" (quando na boca), confessa, situação que o obriga a "purificar os dedos". Embora reconheça que já teve que "sair do altar e agarrar a pessoa" que a levava na mão para a rua. Fala-se, é claro, da comunhão na missa católica.

sábado, fevereiro 23, 2008

Pior do que o avião que se recusou a cair

Só mesmo o destaque dado ontem ao "relatório SEDES". Dei-lhe uma vista de olhos e que diz lá que não digam umas 20 colunas de opinião todos os dias na imprensa? E...? E isso acrescenta exactamente o quê? A CGTP que abra os olhos, a cena agora não é com greves gerais que se consegue, é com banalíssimos relatórios alarmistas/populistas qb.

Já era tempo de acabar o discurso da crise e da tanga e da palermice. Sobretudo porque o discurso vem continuamente de quem não tem qualquer motivo para queixumes... é sobretudo isso que irrita. Apesar das televisões terem vindo a ampliar exponencialmente o tempo de antena para as "notícias de bairro", e quase não passam disso, a verdade é que cada vez menos a opinião publicada é representativa da opinião pública. Só nos jornais se lêem coisas sobre a "crise do regime", só lá se vêem choradinhos pelo regicídio ou um "Viva o Rei!" no abjecto cabeçalho do abjecto Público, o pasquim-mor da imprensa alienada que temos.

Mas então lá vem a SEDES, com o seu "relatório-bomba" e bovinamente corre tudo atrás. Os mesmos que não se dão nunca ao trabalho de investigarem o que é a tal crise de que tanto se fala, onde está, porquê, como e quando. Sobretudo ONDE! É que o "onde" é uma das chaves desta crise. E os dados estão aí para o jornalista que os quiser apanhar. Vejam onde está o desemprego, onde estão os baixos salários, de onde sai a emigração, onde estão os baixos impostos e onde está o investimento público. Dica, experimentem por exemplo reduzir o país à Lusitânia, excluindo portanto o Norte, e vejam se a crise é assim tão má. Mas não se fiquem pelas NUTS II, vejam também as III e os concelhos. Enfim, façam as contas, encontrem os contrastes e mostrem dados a sério, factos, números, e não meras vacuidades sequiosas e sentimentos "difusos". Desde já obrigadinho.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

La sapienza, ou a falta dela

Esta estória do papa ir discursar na abertura do ano lectivo de uma universidade romana tresanda desde a primeira hora, e tornou-se tão abjecta que nem consigo escrever sobre o assunto. Fico-me pelo lamento de ver tanta gente com inteligência suficiente para não cair no conto do vigário, agora papa, a fazê-lo. E pela satisfação de ainda poder encontrar gente capaz de ver as coisas com clareza e olhar crítico, ainda que correndo o risco de serem apelidados de "politicamente correctos", "laicistas" ou mesmo "jacobinos", enfim, proscritos na era do endeusamento da má política, i.e., do politicamente incorrecto. A ler então: no Womenage à trois, no Quase em português e no Arrastão, entre outros. Tudo textos curtos, porque a realidade é muito simples. E tudo em blogs, que nos jornais só parece haver espaço para a superstição e desonestidade intelectual. Ares do tempo...

PS: Outro ar do tempo é a paranóia em relação à pedofilia. Curioso como Ratzinger é imune à mesma, mesmo tendo escrito em 2001 uma carta a ordenar o silenciamento dos casos de abuso sexual de crianças por membros do clero. A ordem nunca terá sido revogada, tanto quanto se sabe, e o caso praticamente só teve cobertura no jornal britânico Guardian - razão pela qual nunca é demais lembra-lo. Tanto alarmismo e ninguém é capaz de exigir o óbvio? Que a igreja denuncie os casos de abuso de que tem conhecimento? Pelos vistos, não. Ares do tempo...

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Direito à indiferença

Uma reportagem do The New York Times sobre famílias judaico-cristãs e a competição entre Natal e Hanucá que por vezes isso gera. Entre vários exemplos familiares, o de Rick Draughon (cristão), Scott Gamzon (judeu) e Noah, o seu filho adoptado. Suponho que este tipo de cobertura jornalística, com gays visíveis mas sem um assunto gay ou o termo sequer, só seja possível com mentalidades já mudadas. Suspiro...

Curioso também como ao longo da reportagem coisas como a árvore ou o pai-natal são vistos como símbolos óbvia e indiscutivelmente cristãos. Creio que faria bem à harmonia familiar se estas pessoas fossem de férias a Tóquio ou Singapura em Dezembro (nunca fui, mas diz que...).

domingo, dezembro 02, 2007

Alguns mais parecem buracos negros, tal a carência

Já não há mesmo cuzinho que aguente a conversa da "ditadura do politicamente correcto". Quer dizer, exceptuando os rabos dos directores dos jornais portugueses, que diariamente publicam crónicas de denúncia da tal ditadura, exactamente iguais às do dia anterior e às que se seguirão amanhã. Nunca que se viu ditadura tão silenciosa e com oposição tão histérica - bizarro no mínimo.

Mas ela existe, ela está lá. Porque cada vez que alguém vem com a lengalenga do politicamente correcto, está a dizer ao mundo nas entrelinhas, "eu queria dizer outra coisa, mas não posso, porque depois dizem que eu sou mau e feio e tal seria insuportável para mim, que nunca ouvi disso, que não sou desse nível". E o que eles queriam mesmo dizer é que a paneleirice é uma nojeira, que as mulheres deviam estar era na cozinha, que os pretos só servem pras obras e que o comunismo devia ser criminalizado. Aliás, eles não queriam dizer nada disso. Queriam apenas, singelamente, que isso continuasse a ser a regra sem que se tivesse sequer que falar no assunto, que fosse assim e pronto. Porque falar, por si só, nessas coisas, é uma seca, um descer de nível, um horroroso perder tempo com irrelevâncias, enfim.

Como, então, falar nisso sem ter que falar? Defender isso sem ter que argumentar? É aí que entra a ditadura do politicamente correcto, e é tão fácil! É uma verdadeira dádiva divina. "Estou sem inspiração nenhuma para escrever hoje.. ah já sei, a ditadura do politicamente correcto!" - pensa o esforçado cronista. E depois é só dar uma vista de olhos na imprensa, ou melhor, na bloga ou nos jornais estrangeiros, sempre férteis nestas nojeiras, e zás, já está. O Mário Soares foi a uma conferência sobre o lugar da mulher na religião? Tungas que já almoçaste, ditador anti-cristo do PC! A Tagus decide reformular uma campanha publicitária? Eh lá, qualquer dia há genocídios politicamente correctos! Alguém ousa criticar num blogue a publicidade milionária que a televisão pública oferece diariamente à igreja? Arre pra censura politicamente correcta, daqui a nada estão a fuzilar padres! And so on...

É simples, é fácil, e alimenta muitas bocas. Nos jornais paroquiais, tal como nos nacionais, já ninguém quer outra coisa. Ainda mais agora, que está quase a chegar a altura da "Guerra ao Natal", que é sempre um fartote! "Boas festas", p. ex., transforma-se em 2 ou 3 linhas num fanático slogan ateu. E o melhor desta ditadura é que evita essa coisa horrorosa que é debater dados concretos, falar sobre a realidade para além das torres de marfim, chamar os nomes das coisas às ditas, contra-argumentar, enfim, é quanto se poupa.

Claro que há sempre quem acabe por se fartar com tanto não-dito tão explícito, mas... e é esse o encanto da ditadura politicamente correcta, fica tão fácil lidar com isso: pronto, passou-se, da cabeça e para o lado dos patrulhadores da ditadura! Estou profundamente ofendido e amuarei uns tempinhos, mas descansem, logo logo volto ao mesmo.

domingo, maio 13, 2007

13 de Maio

O renas começa a aterrar depois da viagem ao mundo maravilhoso, ainda que bitchy, da Eurovisão, para descobrir um país em plena alucinação anual com a "nossa senhora que apareceu na árvore aos pastorinhos", aspas minhas que nos jornais e tvs, a começar pela pública, paga por todos, tudo isto é factual, passível de ser visto apenas de um ângulo, o ângulo que acha normal aparecerem senhoras em árvores, que por isso passam a ser "nossas", de todos mesmo que alguns não queiram, mesmo que até entre a massa católica alguns a recusem.

Ainda agora milhares de pessoas juntavam velinhas numa cova ampla, convidando assim a dita senhora de outros mundos a "voltar" a aterrar na área. Mas a senhora, deles, não aterrou (não seria a plantação de árvores mais ao gosto dela? mais ecológico era certamente). E não sei se será mau contacto, falha no satélite, mas mais uma vez também não está a ser grande ajuda a evitar os atropelamentos dos que além de não terem nada melhor para iluminar uma pista de aterragem do que uma velinha, não possuindo carro ou dinheiro para o comboio, percorrem kms a pé até ao local da aterragem. Pode ser "nossa", mas não nos serve de muito.

E se bem me lembro, nem aos "pastorinhos" deu boleia daqui para fora, aliás, dois morreram logo a seguir à visita e a terceira foi enclausurada para toda a vida. Não recomendaria portanto alimentar muitas esperanças quanto ao regresso da dita nossa, vossa, deles, senhora, cuja motivação anti-comunista dificilmente se coaduna com as modestas votações do PCP actualmente (Marte, o planeta vermelho, será uma preocupação maior). E, no remoto caso de tal "voltar mesmo" a acontecer, tenham pois muito cuidadinho. Lembrem-se dos pastorinhos e usem ao menos uma máscara respiratória...

terça-feira, maio 08, 2007

Fátima sem vergonha

Via Portugal Gay chego a esta notícia do site Fátima Missionária: «Extrema-direita pode ser "apoiada" por "cidadãos católicos"». Vale a pena ler por inteiro. Nada há de novo no conteúdo, o que surpreende é o tom de naturalidade, normalidade, com que é escrito, e sobretudo a clareza. Há muito que não eram tão explícitos...

segunda-feira, maio 07, 2007

Diz que o PS quer partir a República em 3 ou 4


Não, não é mais uma citação de Jardim (que por acaso também falou em "questões fracturantes" no seu discurso, segundo ele contribuem para "o aumento da criminalidade"). Já agora, eu acho o sr. Jardim um bocadinho fracturante. Da criminalidade não sei.

Mas então que é isto? Uma nova regionalização hard-core proposta pelo PS? Não, isto é apenas a continuação do jornalismo criativo de um funcionário do Diário de Notícias, que deve ter ficado com birra depois das críticas que recebeu na blogosfera, nomeadamente de um dos visados pelas suas magníficas prosas, e em vez de se corrigir, arrasta o disparate pelas páginas do jornal. E claro, o jornalismo da praça não é muito de verificar dados, inquirir pessoas e tal, e a coisa já chegou a outros títulos com o mesmo grau de leviandade.

O pior é pensar que se abatem árvores para isto. Para escrever em tom de troça o que diz Jardim com ar de drama-queen. Estão bem uns para os outros, falam a mesmíssima língua. Coitadas das árvores, morte inglória e imerecida, ainda que tenham sido eucaliptos.

quinta-feira, maio 03, 2007

Como dar uma imagem civilizada a Alberto João Jardim?

É fácil, põe-se o PND a insulta-lo durante as suas inaugurações e manda-se o Paulo Portas fazer citações auschwitzianas nos seus discursos na ilha. Jardim agradece. E Cavaco também, porque isto de desempenhar o papel de "garante da democracia" é uma seca, função a delegar o mais possível...

sábado, abril 21, 2007

O nazismo como atenuante para o tráfico de armas e ataques racistas

«Depois disto, os blogues de direita vão insistir que os «cabeças rapadas» (alguns dos quais têm cadastros do tamanho de uma lista telefónica) são umas pobres vítimas de «perseguição política»?»
A pergunta vem do Esquerda Republicana, e a resposta da blogosfera de direita parece ser um claro Sim. O PNR é uma vítima, maus e perigosos são o Partido Comunista e o Bloco de Esquerda. Notar que aqui ao lado, em Espanha, por muito menos há grupos classificados como "terroristas", mas lá está, são separatistas de esquerda (e não, não me refiro à ETA). Já por cá impera a regra, em algumas cabecinhas pelo menos, do "se és nazi a gente dá-te um desconto".

Dica para os traficantes de drogas e homicidas em geral, adiram ao PNR que A) sereis recebidos de braços abertos e B) quando a polícia vos apanhar têm a solidariedade da direita liberal blogosférica ;)

sábado, abril 14, 2007

O insólito casamento

No suplemento de sábado do JN e DN da semana passada uma notícia sobre poligamia no Utah, Estados Unidos. Criminalizada por lei, ela é incentivada por determinados grupos religiosos, que também desejam a sua descriminalização, "uma reivindicação que segue os argumentos usados pelos activistas LGBT na luta pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo", lia-se. Só não se achavam as semelhanças ao longo da reportagem. Afinal descriminalizar não é o mesmo que legalizar (os gays podem viver juntos legalmente, foder e tudo), afinal a motivação religiosa no caso da poligamia é totalmente laica no casamento EPdMS, afinal a ideia de igualdade de direitos entre os sexos subjacente ao casamento EPdMS é oposta à ideia de subalternização da mulher ao homem na poligamia cristã americana, afinal a poligamia discute-se nos EUA apenas nos estados onde o casamento EPdMS está completamente fora de discussão, afinal são coisas completamente diferentes... Mas mesmo assim lá estava o comentariozinho tosco logo a abrir a insólita reportagem.

Hoje no jornal da uma na SIC, a notícia da oferta de um vibrador de 2 milhões de Euros por um jogador de futebol à esposa, misturada com um jogo de apanha-porcos na Tailândia, uma chimpanzé que fazia anos e claro, os casamentos gays na Disney! Tudo farinha do mesmíssimo saco, as odd news, os insólitos yorn... Que pena não terem antes noticiado o casório do seu colaborador misterioso, "Nuno D.", para ficarmos a saber que ao menos atrás das câmaras a SIC não é uma tv homofóbica.

segunda-feira, abril 09, 2007

No cortar é que está o ganho?

«A análise final aos resultados obtidos nos ensaios controlados realizados no Uganda e no Quénia permite afirmar que a circuncisão masculina funciona como uma melhor protecção à infecção por VIH do que o inicialmente esperado. Os dois ensaios foram interrompidos há dois meses após se ter verificado que o procedimento reduzia para metade o risco de infecção pelo VIH e as autoridades terem considerado que seria eticamente incorrecto não o oferecer aos homens no grupo controlo. De acordo com estudos publicados hoje, a redução do risco chega a atingir os 65 por cento.»
Já há algumas semanas que venho lendo várias notícias sobre isto, e continuo espantado com o tom sempre optimista com que são apresentadas. E creio que ainda não li nenhuma crítica a isso mesmo. Mas era prudente que houvesse. Não estou a pôr em causa que numa penetração sem preservativo (anal ou vaginal) um pénis sem prepúcio (e devidamente cicatrizado) esteja mais seguro do que um pénis por circuncidar. Mas o risco de quem penetra, numa relação desprotegida, é sempre muito menor do que o de quem é penetrado/a - esteja circuncidado ou não.

O que me preocupa nestas notícias é a mensagem exageradamente optimista que pode levar a raciocínios simplistas do tipo "se é circuncidado não é preciso preservativo". Além disso têm sido propostas "circuncisões em massa" como forma de prevenir a propagação do vírus em África. Mas haverá neste continente condições médicas para o fazer em segurança? Lembro que em adultos esta intervenção cirúrgica, apesar de ser muito simples, deve ser feita com anestesia geral. E deverá isso ser prioritário num continente onde tantas vezes falta a mais básica assistência médica? E de novo, não será neste continente, com enormes taxas de analfabetismo, ainda mais iminente o perigo de se popularizarem raciocínios simplistas como o que referi? É que se quem penetra estiver infectado, em não se usando preservativo o risco para quem é penetrado é altíssimo e independente de qualquer circuncisão...

quinta-feira, março 01, 2007

Jornalismo fracturante, sociologia fracturada

Quando um jornalista fala em "temas fracturantes" e junta no mesmo saco eutanásia, casamento entre pessoas do mesmo sexo ou investigação com células estaminais está claramente a fomentar uma fractura e simultaneamente a tomar partido por uma das partes fracturadas (e que estariam coladinhas e em paz se o assunto não fosse discutido?). Ou seja, não está a ser sério, nem rigoroso. A reestruturação das urgências hospitalares ou a proibição do fumo nos locais fechados são acaso temas consensuais? E quem diz esses, diz quaisquer outros debatidos diariamente no parlamento (para que se debateriam se não causassem fracturas contra e a favor?). [Ler também «Fracturas e facturas».] Isto a propósito da entrevista a Policarpo na Visão, de um artigo adjacente (em papel) e ainda duas entrevistas online (a Manuel Villaverde Cabral e Moisés Espírito Santo), onde essa mistura não inocente dos temas é feita sem qualquer despudor. E falando em falta de rigor...
«O mesmo diria, aliás, acerca dos casamentos gay, que no caso de serem postos a votos seriam certamente recusados. Estou convencido de que nem sequer entre a comunidade gay (se tal existe, o que duvido) há unanimidade a esse respeito?
E também não sei se a adopção por homossexuais é uma grande ideia. Já reina a maior das confusões sobre o sistema de adopção em Portugal, como se tem visto pelo caso Esmeralda; não creio que haja grande vantagem em complicar ainda mais as coisas!»
Esta é uma das respostas de Villaverde Cabral, entrevistado na qualidade de sociólogo, mas a mandar bitaites na pose "sentado na tasca a beber uns copos". Não sei se há, era uma confusão e tal... pá, bué cenas, em suma. De qualquer modo há um ponto que merece especial atenção, o da opinião da "comunidade gay". É apenas mais um sinal de que bastará haver um gay, ou pseudo-gay, disposto a fazer o papel de colaboracionista com os homofóbicos, para que a cobardia política a ele se agarre com unhas e dentes para provar que o casamento "não é uma prioridade"... Quem se oferece para o frete?

PS: Alguém recorde sff ao sr. Villaverde Cabral que ele é um dos signatários da petição pelo casamento entre pessoas do mesmo sexo que a ILGA Portugal lançou. Ou será que só a assinou para mostrar que nem entre os defensores do casamento há um consenso favorável ao casamento?

A iliteracia é fodida

Quando vi que no projecto lei do PS não estava incluído o incentivo ao aborto junto da população feminina do ensino pré-primário nacional pensei, "pronto, espero que isto cale e sossegue de vez os nãozistas". Perante os cenários em que todos passaríamos a tropeçar continuamente em cadáveres de "crianças não-nascidas" espalhados pelas ruas do país em caso de vitória do Sim, era de esperar que a muito mais simples e aborrecida realidade sossegasse estas pessoas. Afinal o que o país votou foi a despenalização do aborto até às 10 semanas, por opção da mulher, em estabelecimento de saúde autorizado, só isso, mais nada.

Mas explicar isto a esta gente é o mesmo que tentar explicar a um bombista suicida que não há 70 virgens à espera de amparar lascivamente os seus bocados explodidos... Nem é preciso pegar nos casos mais dramáticos, como Isilda Pegado, basta olhar para Marcelo Rebelo de Sousa. Aprovou no parlamento uma pergunta há quase 10 anos, e em todo esse tempo permaneceu incapaz de a entender, julgando-a mentirosa, e logo ele próprio cúmplice dessa fraude.

Que toda esta gente se insurja agora contra o Partido Socialista por este despenalizar o aborto até às 10 semanas, se por opção da mulher e em estabelecimento de saúde autorizado, é apenas o culminar natural de tudo isto que temos visto ao longo dos últimos meses. Saibamos ser generosos e encara-los com a pena que inspiram... São, afinal de contas e nas suas próprias palavras, sobreviventes do aborto. Se nasceram indesejados e indesejados viveram, que morram ao menos em paz, mesmo que estrebuchando, como parece ser seu desejo.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Oscar: the gay and green moment


E também o mais cute de todos. Via DR. Notar que a Melissa Etheridge se refere à esposa como "wife" e não "girlfriend", mas na tradução do Destak de hoje isso deu "namorada". Mais uma confusão que seria sanada com a legalização do casamento.

PS: O YouTube anda a apagar os vídeos dos Oscars por "violação de copyright" (e o direito à citação?). Uma versão mais curta ainda disponível encontra-se aqui.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Afinal havia outra...

«La responsable del relevo vespertino de Losantos en la COPE, Cristina Schlichting, explicó desde su habitual columna en La Razón, que el reciente referéndum celebrado en Portugal, a favor del levantamiento de la prohibición del aborto, podría haberse planteado en los siguientes términos, en 1940: “¿Sería usted partidario de la despenalización de la interrupción de la vida de un judío si es realizada por opción de la raza superior, por el bien común, con sedación de ziklón B y en un centro de salud legalmente autorizado?”.»
...interpretação da pergunta do referendo de passado domingo. Não era só Marcelo e o papagaio Mendes a acharem-na mentirosa, traduzida em "espanhol da COPE" (rádio dos bispos espanhóis) dá isto que se vê. Depois de uma curta googlagem já deu para ver que esta Schlichting tem pretensões ao título de "Ann Coulter espanhola", até já escreveu um livro chamado, ó surpresa, "Politicamente Incorrecta". Das duas uma, esta gente do anti-PC ou se extinguirá pelo tédio, ou vencerá pela banalização da estupidez...

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

No país da iliteracia 2

«O líder do PSD, Luís Marques Mendes, considerou hoje "radical" e "extremista" a posição do primeiro-ministro, José Sócrates, de recusar alterar a lei sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez caso o "não" vença no referendo do próximo domingo.»
Imaginem o disparate que era se em caso de vitória do Não à despenalização, não se despenalizasse. Imaginem o que era respeitar essa possível vontade do eleitorado. Até pareceria que estamos num estado de direito. Marques Mendes é bastante lúcido, é uma república das bananas e devemos orgulhar-mo-nos disso. Se a actual lei mal se cumpre, porque raio havíamos de respeitar os resultados de domingo, sejam eles quais forem?

PS: Ainda há gente com tino no PSD.

No país da iliteracia