Mostrar mensagens com a etiqueta manipulação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta manipulação. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, outubro 24, 2007

Que rico ensino o das madrassas católicas

Dito assim parece que tudo é mel a correr. O que a Lusa não diz é que o número de exames feitos nestes estabelecimentos é muito inferior à média de exames realizados nos liceus públicos. Não explica por exemplo que para se entrar nestas madrassas não basta sequer ser-se rico, há que passar numa entrevista e os "alunos problemáticos" que passem no primeiro filtro são automaticamente convidados a sair mal se revelem.

Ou seja, o que este ranking nos diz sobre as diferenças entre ensino público e privado, é que apesar dos 400 euros de propina mensal e do ambiente ultra seleccionado, estes colégios ficam pouco à frente das melhores escolas públicas, gratuitas e abertas a todos, incluindo alunos externos à escola e que lá queiram fazer os exames. Muito papá e mamã anda a pagar gato por lebre, I'm afraid.

Mas muito mais importante que as diferenças entre ensino público e privado (que estão sobretudo no preço e na diversidade dos alunos) o ranking convida a uma leitura e discussão das diferenças entre escolas públicas dos grandes centros urbanos e as do interior, aí sim encontramos diferenças dignas de registo e indicadoras de reais problemas. Quanto ao resto, não passa de propagandopus e péssimo jornalismo.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Sotaina que ladra, não morde

Este texto do Rui Tavares desmonta na perfeição a falsa polémica sobre a "assistência religiosa" nos hospitais públicos. No fundo passou-se agora o mesmo que aconteceu aquando da aprovação da lei sobre a procriação medicamente assistida. Tanto uivaram, tanto urraram, tanto ameaçaram antes do tempo e sem motivo aparente, que Portugal tem hoje uma das mais recentes, mas também uma das mais retrógradas, conservadoras e discriminatórias leis sobre a matéria. Cereja no topo do bolo: foi a esquerda que a aprovou, Bloco, PS e PCP. Capuchinhos vermelhos a lidar com lobos maus.

quarta-feira, julho 11, 2007

O Estado cobra, a Igreja esbanja

«Ainda na área da educação, a CEP critica a redução dos apoios do Estado à Universidade Católica Portuguesa e os problemas no ensino da Educação Moral e Religiosa nas escolas públicas. "Não há liberdade de educação em Portugal", concluiu o religioso, recordando que todos os partidos prometem permitir a escolha livre das famílias entre escolas públicas e católicas mas nunca cumprem essas promessas depois de serem eleitos.»
Esta é uma das passagens mais curiosas da notícia da Lusa, que merecia toda uma tese de análise, mas para já fico-me por um postito. "Não há liberdade de educação em Portugal", quem lê imagina alunos impedidos de escolherem estudar em escolas católicas. Será isso? O que entenderão por "escolha livre" os bispos de Portugal? Esperem, não me digam que querem que o estado pague as propinas altíssimas que vocês cobram aos vossos alunos, para que estes possam escolher entre escolas públicas e colégios católicos sem se preocuparem com a factura? É isso? Lata não falta aos bispos portugueses, trocam as palavras, os jornalistas noticiam como se com a troca algo fizesse ainda sentido, e siga o forrobodó. O que os bispos querem é que o estado esqueça não só que é laico, mas também que tem todo um sistema de ensino ao seu encargo, e passe a financiar "porque sim" o sistema de ensino concorrente da ICAR.
«"O peso da Igreja na sociedade portuguesa não é o Estado que o define", disse, acrescentando que estas questões serão objectos de análise na próxima Assembleia Plenária dos bispos portugueses que terá lugar em Novembro, a decorrer em Roma.»
Pois não é o estado, não senhor. Mas porque raio havia de ser a igreja? Porque não deixa a igreja que seja a sociedade a definir a sua relevância? Porque é que em vez da igreja querer continuamente substituir o papel do estado em várias áreas (educação, saúde, etc) com o dinheiro do estado, não tenta a substituição com o seu próprio dinheiro? Porque não pode a ICAR, a exemplo de várias outras igrejas por esse mundo fora, cobrar "impostos" (quotas, dízimos, chamem o que quiserem) aos seus membros para assim poder manter os seus serviços alternativos? A sério, porquê?

Oh esperem, não me digam que têm medo? Que imaginam que a sociedade não quereria saber dos vossos fantásticos serviços para nada, que prefeririam os do Estado? Que acham que a fé da maioria dos fiéis não resistiria a uma só mensalidade? E que aqueles que estariam dispostos a paga-los ficariam mais curiosos sobre o modo como gerem os fundos, e iam querer dizer algo sobre isso? Que no final haveria cerca de 5% de portugueses católicos e ainda por cima vigilantes da gestão da ICAR? Infernal imagem não é? Mais vale de facto continuar a trocar as palavras todas, chamar "liberdade" ao dinheiro, e sacar o máximo possível do cofre que é de todos, católicos ou ateus.

terça-feira, julho 10, 2007

Microcausa

Fátima Campos Ferreira promovida a correspondente da RTP no Uzbequistão, já!

segunda-feira, julho 09, 2007

Bispos ameaçam governo para conseguirem mais dinheiro

A informação do canal público de televisão decidiu abrir o seu Jornal da Tarde com a irritação dos bispos portugueses, que exigiam "maior diálogo com o governo". O porta-voz era nem mais nem menos que o inenarrável Lino Maia, o padre que tentou convencer-nos de que a culpada da tortura, abandono e assassinato da Gisberta era da própria, e os assassinos e torturadores, que estavam ao abrigo de uma instituição da igreja, eram afinal as verdadeiras vítimas.

As queixas da igreja, ditas em tom vago, resumem-se a um único ponto: querem mais massa. «Lino Maia diz que, em primeiro lugar, a divergência tem a ver com os ATL. "Corremos o risco de ter que encerrar." Esta consequência pode ter um custo social: 20 mil desempregados em 870 instituições, ligadas à Igreja e não só. Em causa está "o direito dos pais a escolher entre a resposta pública do prolongamento do horário escolar ou a resposta dos ATL".»

Ou por outras palavras. O autoproclamado maravilhoso serviço social da igreja é tão bom, tão bom, que não é capaz de sobreviver sem os subsídios do estado. O estado paga, a igreja gasta o dinheiro como bem entende e fica com a fama de prestar os serviços que o estado não oferece. Justo, não?

É por estas e por outras que a igreja continua a parecer ter um papel e uma importância na sociedade que definitivamente não tem. É o estado que sustenta essa importância, não é a sociedade, a quem a igreja é indiferente. Sustentação com subsídios e com o vergonhosamente anti-laico serviço público de televisão. Ser solidário com o dinheiro dos outros é fácil, ter canais de televisão também (já a TVI, privada, não durou muito enquanto TV católica). Chantagear o governo para que este se demita do seu papel social, contratando antes a igreja, também não tem sido difícil. Mas o que eu gostava mesmo de ver era um apoio e generosidades católicas geradas a partir de fundos católicos, e não estatais, e de preferência sem produzirem gangues assassinos. Pode ser, ou é mesmo impossível?

A vaia ao poder

Já li várias notícias que faziam referência a uma "monumental vaia a José Sócrates" no estádio da Luz, aquando daquela treta das maravilhas. A mim também parece ridículo um PM ir a uma coisa dessas. Mas o curioso é que quando finalmente descobri um vídeo da vaia, descobri também que Sócrates não estava só, Cavaco estava mesmo ao lado. Mas isso não foi noticiado nos jornais, pelo menos nas notícias que eu li. Porque terão tanta certeza os jornalistas de que a vaia era exclusivamente para Sócrates? Eu, por exemplo, sentir-me-ia muito mais tentado a vaiar Cavaco.

sexta-feira, julho 06, 2007

O Lóbi de Extrema-Direita que controla a RTP

As eleições intercalares para a Câmara lisboeta são uma oportunidade única para a estação pública de televisão exercitar todo o seu olissipocentrismo. Reportagens, entrevistas, directos, enfim, ene recursos aplicados a cobrir um acto eleitoral cujos mandatos durarão apenas 2 anos e não interessam à maior parte do país. Uma das inovações apresentadas foi a entrevista a todos, rigorosamente todos, os candidatos. Nunca se viu antes, NUNCA. Nem em eleições nacionais. E ainda bem, porque se não não haveria tempo para mais nada, era uma seca. Cabe aos partidos conquistarem atenção mediática, nomeadamente conseguindo bons resultados eleitorais.

P. ex., a suposta "atenção mediática" que o Bloco recebeu aquando da sua formação só aconteceu porque houve uma união de partidos, cujos resultados somados não poderiam ser desprezados. Tratavam-se aliás de partidos históricos da democracia, que sofreram durante décadas um desprezo injustificado. O único partido que em Portugal recebe desde sempre mais atenção que a que os resultados justificariam é o CDS.

Mas eis que então a RTP decide abrir os cordões ao tempo de antena, e ofertar generosos minutos aos partidos mais obscuros da praça. Porque será que isso acontece precisamente quando a maioria dos micropartidos é de direita? Quando dois são até de extrema-direita? Será que os recentes escândalos sobre tráfico de drogas, armas e mulheres que se abateram sobre um desses partidos, legitima dar-lhe uma maior atenção mediática?

Hoje no Jornal da Tarde, apresentação da entrevista do líder do PNR: "responsabiliza a imigração pelo aumento da criminalidade e denuncia, há um lóbi gay que controla a CML", disse o pivot da RTP, com o ar mais sério do mundo. Roda a entrevista, difamação do costume, fim de entrevista e vira a página. Não há contraditório, não há direito de resposta para os alvos da difamação, NADA. Na RTP é assim, tão certo como haver missa aos domingos ou tourada patrocinada pela casa do pessoal. E se isto não é sinal de que a estação pública está nas mãos de um poderoso lóbi fascista, o que será?

sexta-feira, junho 29, 2007

Os casinhos do governo

Tinha até há pouco aqui um post sobre mais uma gaffe do governo. A notícia rezava assim:
«O ministro da Saúde, Correia de Campos, aconselhou a entrega «a pobres» de medicamentos fora de prazo, como forma de evitar o desperdício de fármacos.
De acordo com a TSF, Correia de Campos intervinha numa conferência na Ordem dos Economistas quando foi interpelado por um dos participantes, da Associação Nacional de Farmácias, que exibiu um saco com medicamentos fora de prazo, no valor de 1.700 euros.
O ministro da Saúde referiu que «toda a gente sabe» que há desperdício de medicamentos, nomeadamente que, por vezes, os utentes compram unidades a mais do que necessitam. «Certamente essa Associação a que pertence tem pobres inscritos. Talvez pudesse facultar esses produtos farmacêuticos para serem utilizados», recomendou o ministro.»
Mas afinal, ao que parece, o ministro não sabia que os medicamentos estavam fora de prazo quando proferiu o comentário, afinal absolutamente sensato e solidário. E esta notícia não é jornalismo. É outra coisa qualquer, algures entre a manipulação e a mentira grossa.

Mais um caso, dos muitos casinhos que vão causando polémica em torno do governo, ao mesmo tempo que o que realmente importa passa sem discussão. Não admira, um governo de direita, uma oposição e comunicação social igualmente de direita, sobram apenas os fait divers para criticar o governo. Não há escândalo pelo ataque aos direitos dos trabalhadores, não há escândalo por causa do recuo da lei anti-fumo, não há escândalo pelos ataques aos sistema nacional de saúde, pela inexistência de saúde dental pública, pela berardização do país etc etc etc.

E depois ainda há os casinhos que passam por horríveis "ataques à liberdade de expressão" (qual regime jardinista), que afinal não passam de excessos de zelo em relação a maus comportamentos na função pública muito mal contados... Como se a maioria dos trabalhadores portugueses tivesse um pingo de pachorra a gastar com boys de outros governos que se divertem a fazer piadinhas e cartazes no local de trabalho. O pior mesmo desses casos é substituir uns boys por outros, e não simplesmente extinguir-lhes os jobs. Mas tivessem os trabalhadores portugueses metade do tempo que têm estes boys para brincarem e fazerem tropelias, e o governo piaria muito mais fino no que realmente interessa.

sábado, junho 23, 2007

O sabotador

O que eu gostava que certas pessoas (afinal só uma, mas que passa por ser toda uma "associação") dedicassem 1\10 do tempo que usam a atacar o movimento LGBT a, sei lá, fazer algo de útil e construtivo em torno desse mesmo movimento, já que afinal garantem dele fazer parte. Um só décimo já seria muito, tal o empenho em constantemente atacar e difamar tudo o que de bom é feito. A imprensa, claro, ama e dá-lhe todo o tempo de antena que nega a quem efectivamente faz um trabalho sério, continuado e representa associações reais, i.e., daquelas que contam centenas de sócios, e não apenas o bobo da corte e seus compinchas. Veja-se um conhecido suplemento editado hoje. Entre meias verdades e mentiras grossas, eis o ataque homofóbico em pele de cordeirinho gay, o mais eficaz, em todo o seu esplendor. Não há vergonha e sobra mesquinhez. Triste, mas é mesmo assim, que fazer? Apetece-me citar Cavaco Silva, mas vou-me poupar essa descida.

Algo está podre em Bruxelas

Os sorrisinhos e beijinhos destes dois só podem gerar as maiores desconfianças. Diz-se que afinal se conseguiu cozinhar um tratado "essencial" para o futuro da UE. Diz-se mas ainda não se sabe do que se fala. Muito vago e misterioso para algo tão essencial. Há quem garanta que é quase o mesmo que a defunta constituição, mas também dizem que é "muito mais simples", pelo que não necessita de referendos para a sua aprovação.

Pelo meio terão sido feitas cedências aos fascistas polacos, cujo comportamento, mais do que ridículo, foi obsceno, hipócrita, chantagista e profundamente anti-europeu. Por muito menos foi imposto à Áustria um cordão sanitário, e agora deixa-se que o futuro da Europa seja discutido dentro dos limites impostos pelos gémeos Kaczynski. Tenebroso.

Quanto ao ridículo mais uma nota, segundo o New York Times as contas sanguinárias da dupla de Varsóvia tiveram ainda direito a uma comitiva de 10 matemáticos, para "provarem" o cálculo. Como se lê no Guardian, faz lembrar a estória do filho que mata os pais e pede a absolvição ao juiz, pois afinal agora é apenas um pobre orfão.

sábado, junho 16, 2007

Barrigas ideologicamente fracturantes

Está anunciado para o próximo domingo na RTP1 não apenas a repetição dos momentos cavaquistas cortados pela publicidade, por exigência directa da cavacal presidência, mas também uma catita concentração apelidada de "Barrigas de Amor": «O Parque dos Poetas, em Oeiras, vai acolher no dia 17 de Junho, uma campanha inédita de incentivo à natalidade onde o ponto alto será a maior concertação de grávidas do mundo, para entrar no Livro Guinness dos Recordes.»

Isto é o que se lê no site da RTP, o site oficial é ainda mais sinistro. "Mundo ocidental (...) redução da natalidade", "corajosas que assumem a maternidade", "não se pretende entrar no diferendo sobre a interrupção voluntária da gravidez", mas é afinal só isso que pretendem. Rapidamente se percebe que a iniciativa (apoios: Renascença, Ajuda de Berço, etc.) parte dos grupos do Não no referendo. Perdida essa batalha, continua-se a guerra. A invenção e fomento da ideia de baixa natalidade enquanto problema nacional é o próximo passo, Cavaco também já deu para o peditório - não em bebés, mas em disparates.

Os problemas reais do país continuam a ser os relacionados com a educação, saúde, baixos salários... Resolvidos estes, a natalidade sobe naturalmente, para valores que garantem a substituição das gerações e até ligeiros crescimentos demográficos, como acontece há vários anos na Escandinávia. Natalidades muito altas são próprias de países subdesenvolvidos, autênticas fábricas de mão de obra barata e sem qualificação, pronta para ser explorada. Como era Portugal há algumas décadas atrás, realidade que de resto ainda tem reflexos nos dias de hoje.

Voltando às "Barrigas de Amor", o mais abjecto é a falta de honestidade de quem organiza a coisa. O tentar passar algo que não é mais do que pura e dura propaganda política, e da ultra conservadora, como algo giro e inocente, para o Guinness até. Manipulando e usando como bandeiras políticas mulheres naturalmente orgulhosas e satisfeitas com a sua gravidez. Abjecto. E a RTP transmite.

Agora a sério, quando é que o PS aproveita a fama que já tem de controlo da estação pública e, sei lá, tenta controlar efectivamente alguma coisa, ao menos moderar o salazarismo que tresanda da sua programação constantemente?

PS: Valha o segundo canal, o documentário sobre o direito a morrer com dignidade, transmitido ontem, foi excelente. Mas nada que a RTP1 fosse capaz de transmitir em horário nobre, a ideologia é outra, e a liberdade individual não é um valor que lhe interesse promover.

sábado, junho 09, 2007

A lenga-lenga anti-regionalista

«Acredito na descentralização, mas não acredito na regionalização. O nosso país, no seu todo, tem a dimensão correspondente a uma região média europeia. O caso dos Açores e da Madeira é muito especial, pela geografia e pela história. Não podemos correr o risco de perder uma coesão nacional que se diluiria se houvesse regionalização.»
Vasco Graça Moura ao JN de hoje. A lenga-lenga dos anti-regionalistas continua a mesma passados 10 anos, assente apenas em mitos pacóvios e mentiras grossas.

Acreditam na descentralização, mas não se lhes conhece uma única medida nesse sentido.

Distorcem o mapa da Europa e dizem coisas tão incríveis de tão falsas como "o nosso país, no seu todo, tem a dimensão correspondente a uma região média europeia" (!?!?). É que o nosso país, no seu todo, é superior ao país médio da UE. Eu sei que é muito mais fixe passarmos a vida a dizer que "o país é pequenino, coitadinhos de nós", mas na verdade o país é mediano, grandito até, para os padrões europeus... A diferença é que a maioria dos países, mesmo sendo mais pequenos que o nosso, estão regionalizados.

Last but not least, a "coesão nacional". Será "coesão nacional" a diferença brutal do PIB per capita do Norte em relação ao do Vale do Tejo? Dane-se a coesão nacional se assim for. Os Açores e a Madeira estão mais "coesos" agora ou antes de estarem regionalizados? É fácil lembrar Jardim, e pelos vistos também já ninguém se lembra dos movimentos bombistas que defendiam a independência dos arquipélagos antes da regionalização. E também é fácil esquecer o crescimento brutal da emigração portuguesa para Espanha, sobretudo partindo do Norte e interior do país, não será isso atentatório à "coesão nacional"? O nosso modelo de desenvolvimento deve então continuar a inspirar-se no modelo grego? Pode-se "retalhar" o país em freguesias, concelhos, distritos, mas jamais em regiões porque a seguir ia querer ser tudo um país independente? Será? E porque seria?

quinta-feira, maio 24, 2007

RTP Crime

Ligo a tv pública, RTP2, à espera de encontrar a informação mais relevante do dia no seu jornal de horário nobre, mas antes vejo um indivíduo, líder de um micropartido que tem feito manchetes à custa de detenções várias entre os seus membros por, entre outros crimes, tráfico de droga, de armas, de mulheres ou homicídios racistas, a ser prazeirosamente entrevistado por Alberta Marques Fernandes.

O pretexto é, what else?, as intercalares em Lisboa, esse assunto local que o centralismo doentio da nação eleva a "questão nacional". As respostas são contra o "poderoso lobby gay", "anormal, desviante" e por aí fora. A despedida, já com o "tempo excedido", é um "tive muito gosto em tê-lo cá". E esta merda toda foi paga com os teus impostos.

Escusam de vir com a estória dos "deveres de isenção" e "igualdade de tratamento para todos os partidos" a que a RTP estaria obrigada. Porque NUNCA na história da estação isso alguma vez foi passado à prática. NUNCA numa eleição nacional se viram entrevistas a todos os candidatos, humanistas, monárquicos, atlantistas, da terra, operários socialistas, etc etc etc, porquê então fazê-lo numa eleição de âmbito local? Onde para cúmulo os "candidatos de relevo" não são os 5 do costume (correspondendo às forças representadas no parlamento), mas 7, graças aos independentes, mais do que suficientes para ocuparem demasiado tempo e recursos por si só.

A RTP viola assim a constituição ao perpetuar e reforçar um favorecimento mediático desmesurado à capital do país, discriminando tudo o resto. E ao permitir discursos de ódio em função de orientação sexual, aliás, ao premia-los com "muito gosto". Não há vergonha, não há decência, não há pingo de consciência ou ética jornalística. É o forrobodó da estupidez. Os liberais não precisam de gastar mais latim comigo, estou convencido: privatize-se já aquela merda!

PS: É isto o famoso controlo do PS sobre a RTP? Livra!

PPS: Para quem não viu, saiba que das Neves sugeria hoje no Destak que se discutisse a recriminalização da homossexualidade. A RTP não perdeu tempo a apanhar a deixa. É a chamada "agenda nigeriana" a comandar a comunicação social ("agenda polaca" seria já um eufemismo).

terça-feira, maio 15, 2007

O jornalismo que os teus impostos pagam

No Jornal 2, Alberta Marques Fernandes com a ligeireza que lhe é característica pergunta: "Que alternativa há então a estes modelos falidos do comunismo ou da social-democracia?". A pergunta dirigia-se a alguém envolvido na fabricação de um livro com o catita título "A Primavera do político", sobre a crise da democracia europeia, afinal apenas a crise da esquerda. "Esta Primavera possibilitada pelas eleições francesas" ouvi ainda da Alberta. Tudo apresentado nestes termos, com direito a reportagem seguida de entrevista, uns bons sei lá quantos minutos, com uma inovação pelo meio, Pacheco Pereira apresentado como "investigador do ISCTE" (sic).

No Prós & Contras o correspondente em Londres da RTP denuncia, "o maior guia pedófilo do mundo é inglês e continua a ser publicado". E que guia é esse? "Spartacus", disse o repórter.

quinta-feira, maio 03, 2007

Correiodamanhização fumada

«Multas do tabaco duas vezes mais caras que as da droga» - na capa do DN de hoje, e lá dentro o título: «Fumar tabaco dá o dobro da multa por fumar droga». A sério? Quer dizer então que quem fumar tabaco (ponto) terá uma multa superior a quem fumar droga? Ou que a multa por fumar droga é comparável à de fumar tabaco, porque só se aplica quando se fuma em local público e fechado? Haverá espaços para fumar droga nos restaurantes com mais de 100m2? E máquinas de venda de charros?

Recapitulando, a Carbonária já tínhamos, portanto só faltam os sionistas

«Maçonaria apoia casamento entre homossexuais»
(título do novo Correio da Manhã)

quarta-feira, maio 02, 2007

segunda-feira, abril 30, 2007

A fractura

«Sondagem: 60% dos portugueses preferia voltar ao escudo»

Esta notícia tem já vários dias, mas passou-me ao lado. Em lado nenhum li crónicas a opinar sobre o assunto, manchetes de jornal, nada, népia. 60% dos portugueses preferiam voltar ao escudo, mas nenhum deles é jornalista, está claro. Esclareço já que eu não me encontro entre esses 60%, e admito até que o número possa estar sobreavaliado, mas quando um valor destes (6 em cada 10!) relacionado com algo tão importante como o nosso dinheiro é lançado por um estudo britânico, não era caso para a comunicação social lhe fazer eco? Aprofundar o tema, fazer novas sondagens, inquirir os políticos responsáveis pela adesão ao €uro? Relembro que os eleitores nunca foram questionados directamente sobre essa matéria. É normal haver 60% contra, já vários anos passados sobre a adesão? Não será isto altamente fracturante?

Aparentemente não. Fracturantes, claro, são os casórios gay. Veja-se a notícia do DN que o Pedro tão bem desmonta. Lê-se um relatório, realça-se um único de vários pontos, supõe-se a reacção da figura X e classifica-se irremediavelmente o caso de "fracturante". A fractura não está então na actual negação a alguns cidadãos do direito de casarem, mas na ideia de que a abolição dessa discriminação teria forte oposição popular. É, pelo menos, o que dizem algumas sondagens. Por exemplo, em 2001 62% dos jovens portugueses se declarava a favor da medida.

Mas esta sondagem não mereceu grande destaque na comunicação social então, é, digamos, demasiado fracturante para noticiar. Melhor sorte tiveram sondagens mais abrangentes quanto às faixas etárias, com percentagens semelhantes à da oposição nacional ao €uro. Essas já não eram fracturantes, porque deixavam em evidência o fracturismo do casamento gay. Já a do €uro não se deve mostrar, porque é fracturante, já que fracturiza um tema afinal consensual, sem discussão possível, como o €uro. Confusos? That's the point!