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sábado, janeiro 27, 2007

Afinal havia outra

Fartinho que estava das manipulações grosseiras da RTP, decidi dar uma oportunidade ao noticiário da SIC. Ingenuidade minha de novo, da tv é de se esperar sempre o pior. E assim foi, antes de uma peça sobre acções de campanha de rua por Lisboa de ambas as facções anunciou-se com grande alarido, o âncora claro, que a do Não se viu a braços com grave incidente. Afinal o grande incidente mais não era que um transeunte a rejeitar a hipocrisia subjacente ao voto Não e a lembrar que na restante Europa, à qual queremos pertencer, a coisa há muito foi resolvida. A isto ia uma individua do Não dizendo que não era nada assim, que a Europa anda arrependidíssima de já não penalizar as mulheres e querem todos voltar para trás. Claro que não deu um único exemplo, e só a Polónia serviria para tal, mas não é exactamente como a Polónia que queremos ser, ou é? E dica grátis para a sujeita, se também pensou Nicarágua esqueça, é noutro continente... Mas bom, nada disto se soube pela SIC, que tal como a RTP, defende a teoria de que o jornalismo isento é o jornalismo acéfalo, incapaz de denunciar a mais flagrante mentira ou contradição. E por outro lado, capaz de transformar uma breve discussão num "incidente". Que diria a SIC do fulano que chamou "abortadeira de m****" à L.?

Avançando na peça viu-se depois Paula Teixeira da Cruz em campanha pelo Sim, mas quem não soubesse que se tratava de uma deputada do PSD, ficou sem o saber vendo a SIC... Finda a reportagem anunciam uma outra sobre filmes intrauterinos de carícias entre gémeos, assim um cúmulo de pornografia embriófila e incestuosa que me escusei a ver.

Se o Sim ganhar no próximo dia 11 haverá mais um motivo para considerar que a democracia portuguesa amadureceu, pois nesse dia se concluirá que as tvs já não decidem eleições.

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Portugal é o 3º melhor do mundo, que a Nicarágua já está no céu!

Ainda no Jornal da Tarde de hoje, e imediatamente a seguir às notícias sobre o aborto (não fossem os espectadores perder a associação "aborto/baixa natalidade" por causa de alguma notícia de bola), a RTP divulgou um "estudo" da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas a alarmar para esse assunto, o da baixa natalidade. Estudos destes são a dar com um pau (dos sérios aos a brincar como este), estão longe de ser novidade, e se queremos taxas de natalidade altas como em França e na Dinamarca não é criminalizando o aborto que o conseguimos. Mas a ideia de noticiar o dito "estudo" era outra, ou não estivéssemos na RTP, e daqui até ao referendo ainda veremos várias notícias "inocentes" plantadas imediatamente a seguir às do aborto, como aliás já vimos esta semana, ora ginástica para grávidas em Vila Real, ora uma associação pelo parto natural... Estou até capaz de imaginar a próxima!
«Com uma eventual vitória do "sim" no referendo do dia 11 de Fevereiro, Portugal desceria do terceiro para o décimo lugar no ranking mundial de "países amigos da vida". Esta foi a principal conclusão do estudo do docente da Universidade do Minho e mandatário do movimento cívico Minho pela Vida, Luís Botelho Ribeiro, apresentado ontem à tarde, em Lisboa.

De acordo com o docente, Portugal "é o terceiro melhor país do mundo para nascer, logo atrás da Irlanda e da Suíça", que ocupam respectivamente o primeiro e segundo lugares. Mas o trabalho avança que caso o aborto seja despenalizado Portugal desceria para o décimo lugar.
»
(fonte: Plataforma Não Obrigada)
É isso mesmo, Portugal é o terceiro melhor país do mundo para nascer! *pausa para risos e lágrimas* Adiante, este nome, Luís Botelho Ribeiro, lembrou-me algo, e depois de se me fazer luz (pois é, perigosos abortistas como eu também tem essa capacidade de ocasionalmente fazerem luz sobre determinados assuntos), percebi melhor as razões de Portugal estar em 3º no tal estudo. É que Luís Botelho Ribeiro foi um dos candidatos a candidatos das últimas eleições presidenciais. Queixando-se da falta de atenção da televisão pública iniciou uma greve de fome que terminou 3 dias depois, não que a atenção da RTP tivesse chegado, apenas a fome que apertou e foi mais forte que a palavra dada. Suspeito portanto que o 3º lugar de Portugal no estudo mundial, se devem ao facto do sr. Ribeiro ter começado pela Irlanda, saltado para a Suíça, indo a Portugal, e tendo desistido de ir mais longe ao verificar a vastidão do globo terrestre.

À procura da confirmação dessa minha suspeita fui procurar o site do Minho pela Vida, não achei. Mas achei um Minho com Vida, que até é capaz de ser o que a Plataforma Não Obrigada refere, já percebemos há muito que esta gente com nomenclatura e língua portuguesa não vai longe... Lá chegado, estudo não encontrado, mas encontrei uma apetitosa notícia, apetitosa por ser tão esclarecedora do que move esta gente, a criminalização total do aborto, ora atentem:
«(...) agora arremete contra a lei que eliminou o falacioso aborto terapêutico na Nicarágua. (...) Entretanto, esta semana reapareceu nos meios exigindo na Nicarágua que se restitua o aborto terapêutico, a pesar que peritos médicos em todo mundo reconhecem que com os avanços científicos atuais *o aborto nunca é necessário para salvar a vida de uma mulher doente*.»
Bastante mais claros que Marcelos ou bispos viseenses, não? Querem-nos como a Nicarágua. O que é que se responde a isto?


Não é jornalismo, é a manipulação grosseira da RTP

Depois de ter promovido o vídeo do sr. Marcelo na terça-feira, o Jornal da Tarde voltou a youtubar hoje. Mas fê-lo com o rigor a que já nos habituou, ou seja, nenhum. Foi dito que Francisco Louçã respondeu a Marcelo, e que Marcelo logo lhe deu troco, e foi nesta sequência que foram apresentados excertos dos dois vídeos, terminando com a lapidar frase Marcelina que tanto sentido faz aos iliteratos do país, "não é a despenalização, é a liberalização", não sem antes a jornalista ditar, "despenalização ou liberalização, assim se dividem os movimentos em campanha" (!?!?!?).

Ora acontece que a resposta de Marcelo era a declarações de Louçã fora do YouTube, sendo a resposta de Louçã no YouTube o vídeo mais recente desta discussão, e não o contrário como foi noticiado na RTP. RTP que concluiu a peça nestes termos, "mas enquanto a resposta de Louçã só conta com 900 visitas, a mais recente de Marcelo já vai nas 8000". Repito, e basta ver no YouTube, o vídeo de Marcelo respondendo a Louçã foi adicionado dia 22, altura em que toda a comunicação promovia o seu vídeo de estreia, a resposta de Louçã foi colocada dia 24. Tudo isto é básico, e distorcer algo tão facilmente verificável já não sei se é manipulação ou simplesmente o cúmulo da irresponsabilidade, negligência e burrice.

PS: A peça da RTP está disponível no seu site, começa ao minuto 21. Era bom que alguém a youtubasse para a posteridade, infelizmente não faço ideia de como se fará tal coisa.

PPS: Entretanto foi lançado o 3º vídeo de Marcelo, que agora diz que vota Não porque não acredita que o Sim vá ser aplicado... confusos? É esse o objectivo.

PPPS: Voilá, e no Sapo que é mais rápido (tanto nos uploads, como nos downloads):



PPPPS: E agora também no YouTube.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

E continua a campanha da RTP pelo Não

Não é só o padre Borga a colorir negativamente a hora de almoço da televisão pública. Ainda numa de masoquista decido ver o Jornal da Tarde da RTP. Chega a hora de falar no referendo e lá vem novo bispo, todos os dias há um novo, e hoje foi a vez do de Viseu. Novidade, as sacristias deste país já estão ligadas à internet! Então não é que o senhor bispo repetiu palavra por palavra o discurso troca-tintas do sr. Marcelo Rebelo de Sousa, aka "O Professor". Que a igreja afinal até é pela despenalização das mulheres, mas que não quer a legalização do dito cujo. Resumindo, cadeia não, clandestinidade sempre! Uma pena que esta gente só se lembre disto quando se discute a legalização, quase 10 anos sem ouvir uma palavra a favor da despenalização, e de repente parece que todos sempre lutamos por isso...

Bom, acaba a recitação das youtubadas do professor Marcelo pelo senhor bispo e começa uma reportagem sobre diabetes. Ah? Então e o Sim? Onde está? Nem para passar o Ricardo Araújo Pereira (Gato Fedorento) que trabalha na estação? Não, ficamos como na segunda-feira passada, no Jornal da Tarde só há espaço para o Não.

PS: E ainda alguém desse clube novo do "Não no referendo, mas Sim à despenalização" me há-de explicar que legitimidade política haveria para despenalizar (que é aquilo que o referendo pergunta) em caso de vitória vinculativa do Não...

terça-feira, janeiro 23, 2007

Basta!

A televisão pública, paga com os nossos impostos, promove uma "oportuna" (leia-se conveniente) entrevista ao sr. Policarpo com esta pergunta e resposta: "Será o ABORTO comparável ao TERRORISMO? O Papa Bento XVI diz que SIM.". De uma vez por todas basta! Basta de campanha pelo Não paga com os nossos impostos! Basta de "jornalistinhas" videntes armados em pastorinhos new age! Basta de sermos insultados e difamados pela televisão que pagamos do nosso bolso! Basta de propaganda no lugar da informação! BASTA! Foram ultrapassados todos os limites da decência democrática. Foram esquecidos todos os princípios do jornalismo. É o grau zero do que era suposto ser serviço público.

Marcelo Rebelo de Sousa, o abortista radical que gosta de mentiras

muito boa gente comentou o vídeo e site do comentarista pago com os seus impostos. Mas os ditos são tão, como dizer, inacreditáveis que não resisto a comentar. Marcelo defende a despenalização até às 18 semanas e por isso vota não. Marcelo é a pessoa mais feliz com o referendo, mas acha a pergunta mentirosa. Depois navega-se pelo site e descobrem-se coisas espantosas, como "Em 2005 houve 73 casos, e não milhares, de mulheres atendidas na sequência de aborto clandestinos." Porquê? Porque sim, porque Marcelo diz que sim e é quanto basta, não é preciso indicar fontes, nada, atira-se um número ao ar, contradizem-se os estudos elaborados, et voilá. Citações completamente descontextualizadas (sem sequer a indicação de onde e quando foram proferidas) também abundam. Só faltam mesmo a seriedade e a honestidade, mas não é isso que interessa, o que interessa é garantir a vitória do obscurantismo a qualquer preço, orgulhosamente sós na Europa - a cauda será sempre nossa!

PS: Que querida a RTP, no Jornal da Tarde de hoje até ensinou os espectadores a procurarem os vídeos do Marcelinho no YouTube. Digo vídeos porque há um novo onde Marcelo esclarece melhor a posição, é contra a penalização mas é a favor da clandestinidade. Abortai à vontade, mas longe da minha vista, mesmo que isso implique um prejuízo da vossa saúde... a minha vistinha é que não pode ser afectada.

sábado, janeiro 13, 2007

RTP: Jornalismo abortado

Não, não vou repetir as minhas queixas pela campanha diária pelo Não do Padre Borga nas manhãs da RTP1 ou da campanha igualmente diária da ICAR nas tardes da RTP2. É mesmo do Jornal da Tarde que vos falo.

Na 5ª feira houve apenas espaço para o Não, uma conferência de uma qualquer sotaina em campanha por Vale de Cambra valeu uma notícia, no Sim nada lhes importou. Na 6ª feira as coisas foram mais equitativas no tempo, ou talvez não. Depois de uma entrevista a uma jovem que já abortou em condições de clandestinidade seguiu-se a de uma mão adolescente a quem "nunca passou pela cabeça abortar". Ora se nunca lhe passou pela cabeça abortar que raio de interesse poderá ter a sua estória em relação ao que se discute agora? Afinal nada de diferente se teria passado em relação ao seu caso particular, fosse legal ou ilegal abortar. Finalmente hoje, mais uma homilia de Fátima, entrevistas de rua aos crentes, e pelo Sim? Apenas o anúncio que Jorge Coelho ia lançar a campanha do PS.

Mas fosse só este claro favorecimento de tempo de antena ao Não. O favorecimento ao Não na RTP é a todos os níveis, e começa logo na apresentação do tema: "referendo ao aborto". Mas referendo ao aborto de quem? Da ética jornalista no serviço público? Parece-me abortada há muito. Aborto da RTP? Aborte-se então. Como já escrevi aqui, "referendo ao aborto" não pode ser tolerado como um resumo de "referendo à despenalização da IVG". Não é a mesma coisa. Dizer "referendo ao aborto" é entrar na lógica do Não. Não é jornalismo, é distorção e manipulação. Tal como falar em "movimentos contra e a favor do aborto", já perdi a conta às vezes que ouvi isto na RTP! E como se não bastasse usam um feto de não sei quantos meses como grafismo para o tema, ao invés de um isentíssimo boletim de voto ou martelo da justiça, ou seja, aquilo que afinal se discute. Televisão pública assim mais vale abortar de vez. É isso mesmo que vou dizer ao Provedor.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

O Público continua a errar, e cada vez mais

Ainda a "Guerra ao Natal", coisa inventada no ano passado pelos neo-cons americanos para ofuscar a Guerra no Iraque, mas que os neo-cons portugueses só conseguiram imitar este ano, guiados por esse farol do jornalismo beato que é o L'Osservatore Romano. Ora o púlpito do mais reluzente neo-conismo luso é o jornal Público, que por estes dias continua a promover e difundir uma alegre mistura de factos descontextualizados, opiniões, invenções e paranóias que visam provar essa gigantesca conspiração internacional anti-Natal (sendo que "Natal" para o Público refere-se exclusivamente ao nascimento daquele palestiniano milagreiro que terá vivido há +/- 2000 anos, apesar dos traços comuns com milagreiros anteriores - gregos e outros - sugerir que seja mera versão palestiniana do mito original).

Mas se na América os culpados da "Guerra ao Natal" eram os judeus, para os nossos neo-cons a culpa é dos muçulmanos supostamente ofendidos (coisa bizarra, dado que também o Islão dá crédito ao milagreiro referido), mas sobretudo da laicidade e de quem a defende, pois claro. Na verdade as "proibições" que se lêem no Público são na sua maioria não-celebrações, ou seja, não sujeição a este clima de obrigatoriedade de festejar o nascimento do crucificado oriental. É precisamente para isso que serve a laicidade, para libertar as pessoas de imposições religiosas, para tornar o estado neutro, e cada um, livremente, decidir por si se quer acreditar ou não em estórias da carochinha, e qual a que mais lhe agrada.

O que o Público não questiona, e talvez fosse oportuno questionar, são os gastos das autarquias portuguesas com a histeria natalícia. Autarquias que muitas vezes não conseguem servir todos os seus cidadãos de água ou saneamento, mas que estão sempre prontas a largar largos milhares de euros em presépios gigantes de peluche imprudentemente largados em rotundas ou beiras de estrada. Mas a agenda do Público é outra, e vai daí temos que levar com o choradinho do católico perseguido - os desgraçados.

Sobre tudo isto a não perder os posts do Diário Ateísta, nomeadamente «A Guerra continua, Cristo no meio da rua!» do Ricardo Alves.

quinta-feira, novembro 30, 2006