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sexta-feira, julho 31, 2009

O princípio da mediocridade em Gabriel Olim

Nota prévia: nunca percebi muito bem o tempo que as associações LGBT perdem com a questão do sangue, a meu ver um dos tópicos mais irrelevantes no campo das discriminações. E se a UNICEF deixasse de aceitar dádivas monetárias dos gays? Seria assim tão mau para as nossas existências? Má seria uma discriminação na hora em que precisamos de uma transfusão de sangue. Mas o pior não é isso, o pior é que esta discussão é terreno minado, de onde em geral só se sacam frutos mediáticos enevenenados. Prova disso mesmo a mais recente entrevista do madeirense Gabriel Olim, presidente do Instituto Português do Sangue.

(Já sei, não é nada politicamente correcto salientar que o homem é madeirense, sendo isso - será? - irrelevante para o caso. Mas é o próprio que diz que se dane o politicamente correcto, so what?)

Se dúvidas houvesse de que falamos de alguém intelectualmente muito limitado quando falamos do sr. Olim elas esfumam-se nesta entrevista. Não é preciso ir mais longe que a primeira resposta: «De tal modo que os ingleses publicaram em Março uma resolução para poderem perguntar explicitamente aos possíveis dadores se tiveram sexo anal ou oral com outro homem. E não é por terem nada contra os gays.» Aqui fica claro que 1) O sr. Olim ainda não se apercebeu que há uma diferença entre se ser gay e ter-se sexo desprotegido com homens. E 2) o sr. Olim ainda não percebeu que é exactamente um questionário à inglesa aquilo que as associações LGBT reivindicam para Portugal.

A entrevista prossegue no mesmo tom confuso e desorientado, sendo múltiplas as passagens onde Olim insiste no erro de confundir homossexualidade com comportamentos de risco, e de continuar a não perceber que é essa a sua gaffe. A coisa vai ao ponto de achar uma provocação alguém assumir-se como gay e querer dar sangue, e, simultaneamente, achar que se devem processar os homossexuais que dão sangue sem se identificarem como homossexuais. Confusos? Certamente não mais que Olim.

O pior é que há gente que lê isto e encontra nexo na confusão do senhor doutor, afinal um senhor doutor, pelo que saberá do que fala. E mais uma vez temos a associação da homossexualidade ao HIV, à promiscuidade e ao desinteresse pela saúde pública. Enfim, o caldo homofóbico continua quente.

Quente o suficiente para que, p.ex., todos aqueles homens casados que não se identificam como gays, aos outros ou a si próprios, mas que têm sexo extraconjugal (e possivelmente desprotegido) com outros homens, continuem a usar a dádiva de sangue como método de testar o HIV discretamente. Sem a mariquice de ir a um CAD.

Também faz com que muitos homossexuais saudáveis e que não praticam comportamentos de risco não queiram dar sangue, porque já perceberam que há o risco de lá chegarem e serem maltratados por um idiota qualquer. Perdendo-se boas dádivas.

Pela minha experiência de ex-dador não é isso que acontece. Nunca me foi perguntado se era ou não gay. Perguntaram-me, isso sim e à inglesa, se tive sexo anal ou oral desprotegido. Porque é isso que interessa. Só mais tarde soube, na imprensa, que haveria uma proibição de homossexuais darem sangue, e foi aí que deixei de dar.

Aparentemente o idiota-mor está afinal na presidência do IPS. Algo que vem na linha do que publicava a Spiegel há poucos dias: «Nas organizações globais, a mediocridade é o caminho para o topo». Isto a propósito de Durão Barroso, mas que parece assentar como uma luva no sr. Olim. Afinal onde é que prefeririam encontrar este homem, atrás de uma secretária ou numa urgência hospitalar?

quarta-feira, março 26, 2008

Brazilian Beauty

Cartaz da nova campanha pelo uso do preservativo do Ministério da Saúde brasileiro, especificamente dirigida a gays e "outros homens que têm sexo com homens". Via Estadão.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

domingo, janeiro 27, 2008

Subscrevo

1) A petição de solidariedade para com os professores de La Sapienza que tiveram a ingenuidade de acreditarem serem livres de condenar o convite à papista figura para que presidisse a abertura do ano lectivo na universidade. São agora insultados e ameaçados por meio mundo. Eu quero continuar a ser ingénuo e acreditar que se pode criticar o Bento sem sofrer represálias apenas por isso.

2) Braga-Porto em 40 minutos. Os argumentos desta petição, dirigida à CP, podem ser lidos neste blog.

3) Fim às excepções na lei do tabaco. Ainda sem link, pede-se o favor à Fernanda Câncio de colocar o seu artigo de hoje na Notícias Magazine no petitiononline.com (ou similar) que a gente assina por baixo, em 2 ou 3 dias seremos mais que os da petição das discotecas, tenho a certeza.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Castedo hits the news

É o furo noticioso da semana, já lidera o top do Sapo. A série de telefonemas do e para o INEM a propósito de uma vítima de uma queda em Castedo, Alijó, Trás-os-Montes, que a SIC exibiu nos seus noticiários. Enorme indignação com as falhas e demoras na assistência um pouco por todos os média, blogs incluídos. Mas dois curiosos pormenorzinhos não parecem merecer atenção entre os indignados: 1) a vítima, de acordo com os familiares que ligaram para o 112, já estava morta e 2) será normal que telefonemas desta natureza sejam exibidos na praça pública? Será que as pessoas que falam nos ditos deram autorização à SIC para que exibisse as suas conversas? É isto decente?

Por certo que há falhas nos serviços de emergência em muitos locais do país, sobretudo os menos habitados, e por certo que é assunto para merecer toda a nossa atenção e indignação. Mas e o respeito pela privacidade alheia? Perdeu-se por completo na era da reality tv? Se calhar sou eu que estou a ficar um prude, mas para mim este tipo de jornalismo é absolutamente sick. Não é com voyeurismos oportunistas que chegamos a um bom retrato do estado do SNS a nível nacional, nem na hipermediatização de casos que há uns meses atrás não chegariam sequer ao jornal local por não interessarem a determinadas agendas. Sick, sick, sick.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Teste: Que tipo de activista gay és tu?

Imagina que és um activista gay e és contactado por um tablóide a propósito de uma muito mal contada estória sobre uma nova infecção supostamente em crescimento na população gay norte-americana. Como respondes?

A) Rejeitas o alarmismo precipitado e desinformado. Recordas a história da SIDA, concluindo que as doenças não têm orientação sexual e esse tipo de simplismos apenas contribui para a disseminação das mesmas.

B) Apoias o alarmismo, instando as autoridades a adoptarem-no. Mencionas o preservativo, mas apenas para sexo com "estranhos" (sic), e isso embora as informações existentes sobre a nova bactéria digam que a transmissão não é prevenida pelo mesmo. E insultas os homossexuais que frequentam saunas e quartos-escuros.

Se respondeste A és um activista responsável e inteligente, ganhas um prémio arco-íris. Se respondeste B não és um activista gay, voltas à casa de partida e devolves as tuas plumas, porque de moralistas parvos já está o país cheio, não precisa de mais alguns em formato rosa choque, adeus e obrigado.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Novo ano, novo ar

Tenho estado à espera que surja no 5 Dias a brilhante crónica anti-tabágica que a Fernanda Câncio escreveu na Notícias Magazine, mas o texto nunca mais surge para que o possa copiar. Azarinho, terei eu que escrevinhar alguma coisita. Começo então pela rénica sondagem, que resultou em 64% dos rénicos eleitores a acreditarem na correcta aplicação na nova lei do fumo, muito por mor do efeito ASAE; 22% a achar que a lei tem demasiadas lacunas, que poderão resultar num fracasso semelhante ao da lei espanhola; e finalmente 12% que passará a ter que aceder ao renas através de atalhos à censura chinesa, país para onde tencionam emigrar por se poder fumar à vontade.

Quando a lei estava a ser cozinhada eu era dos pessimistas. Estavam a ser abertas demasiadas excepções que poderiam levar à anulação da lei. Mas neste momento faço parte dos 64% que acreditam que a lei irá ser aplicada. Já várias notícias tem saído com números acima dos 90% de estabelecimentos que proibirão totalmente o fumo, e sente-se no ar que será mesmo para levar a sério. Óptimo. É pena que tenha que ser assim, mas a história tem mostrado que só assim os não-fumadores conseguem fazer valer o seu direito ao ar limpo. Não houve bom senso que impedisse o fumo nos comboios ou aviões, foi a proibição que funcionou. Funcionará também agora.

Pena é a mensagem, trilingue (mas sem mirandês ou língua gestual), escolhida para indicar os locais livres de fumo e os enfumarados, "não fumadores" versus "fumadores". Ora ninguém está proibido de ir a lado nenhum, só se proíbe o fumo, era simplesmente isso que devia dizer nos sinais, "proibido fumar". É isso mesmo que dirá nos sinais franceses, cuja lei, para cafés e restaurantes, também entra em vigor no próximo dia 1. Mas enfim, será mais uma desculpa para os fumadores se vitimizarem, só isso. O importante é que funcionários e clientes não fumadores deixem de ser vítimas reais do fumo.

Para terminar deixo aqui os anúncios da campanha anti-tabagista da UE, que sempre me pareceram dos melhores que já vi sobre o tema.





quarta-feira, novembro 21, 2007

À atenção dos juízes portugueses




Já antes mostrei aqui esta campanha brasileira, mas o que é excelente vale sempre a pena rever. E que falta faz em Portugal uma campanha assim!

quarta-feira, setembro 26, 2007

Será a Eslováquia o cavalo de Tróia do Vaticano contra a Europa?

Atenção à reportagem no Rue89.com. Numa altura em que continuam a chegar fétidos ventos de Leste. Mas também alguns sinais de resistência e esperança.

Por cá vai dando que falar a indignação do polvo vaticânico com a ideia do governo em deixar de pagar salários fixos a padres que "prestam serviços hospitalares", para passar a pagar tão valiosos serviços a recibos verdes - eis finalmente a igreja a lutar contra a precariedade. Num país sem saúde oral pública, andar a pagar a padres pelas suas rezinhas hospitalares, i.e., por andarem a propagandear a sua seita em busca de novos clientes por entre aqueles que se encontram mais fragilizados, os doentes, é um grosseiro insulto à nossa inteligência. Mas parece que 'tá-se bem...

Tal como essa mesma seita não teve problemas em pagar o dobro do previsto pelo novo megatemplo lá na terra dos pastorinhos visionários especialistas em futurologia pós-soviética. 80 milhões de euros. Ninharias portanto, já pagas, a pronto e provavelmente em cash... directamente das caixas de esmolas continuamente cheias por quem não tem grandes dentes, mas vai tendo uns trocos para pagar promessas que poderão ou não ser cumpridas. Aterrar em azinheiras é fácil, ter coragem para disponibilizar um livro de reclamações é que é pior...

A Eslováquia poderá ser o cavalo de Tróia, mas a nós ninguém tira a alcunha de sacristia papal. É pró que o Bentinho queira! Esta fétida lesma morta que se espapa à beira do velho Atlântico é sua e de mais ninguém. (Excepto talvez a Lusoponte, ricos negócios os da era cavaquista...)

sexta-feira, junho 29, 2007

Uma onda de calor anal percorre a blogosfera*

Tatuagem da moda para o Verão

Li por essa blogosfera fora várias comparações entre a recente discussão sobre os "malefícios" do sexo anal e a discussão sobre o fumo, e fiquei com a dúvida sobre se afinal a discussão é sobre o direito a foder ou não em locais públicos fechados. É que se a discussão é essa há que recentra-la não nos perigos de quem fuma/fode, mas de quem apenas está presente no local, como observador passivo, não participando no acto. Suponho que esta confusão surgiu precisamente do termo "passivo", que levou a um errado paralelismo entre fumadores e fodedores passivos. O que suscita todo um novo debate sobre a justiça e rigor da expressão "fodedor passivo".

Seja como for perspectivam-se boas notícias para os anodependentes, afinal depois do recuo do governo no combate ao fumo nos locais públicos fechados, por pressões dos nicotinodependentes, ficou mais difícil justificar a continuação da proibição do sexo anal nesses mesmos locais. Quem não consegue tomar um café sem dar, ou levar, uma pela meio, terá finalmente uma vida mais regalada. A blogosfera já antes provou ser capaz de mover montanhas, e quem diz montanhas, diz nádegas.

[* Juro que não fui eu que a lancei, eu nunca lanço coisas dessas em público.]

quarta-feira, junho 27, 2007

Anulada a lei anti-fumo

A confirmarem-se as mais recentes notícias de que afinal serão os donos dos estabelecimentos a decidirem se se pode fumar ou não, estará confirmada a morte da lei anti-fumo que chegou a ser anunciada. É que os donos dos estabelecimentos já podem decidir se deixam fumar ou não, e o resultado está à vista de todos. Quando é que o fumo acabou nos comboios ou aviões? Quando os fumadores decidiram não fumar de livre e espontânea vontade? Com um apoio popular esmagador a uma lei a sério, semelhante à da Irlanda ou Escócia, só se percebe este recuo pela influência nefasta do poderoso lobby fumador, que só no ano passado matou 12 mil portugueses.

PS: Esta última frase do post está um bocadinho insurgente... é mesmo melhor não ler certos blogs.

Fobias anais

O lobby gay a tentar exterminar a espécie humana

Leio certas coisas, pasmo e imagino como não serão complicados os problemas gastro-intestinais de certas pessoas. A própria ideia, lei sagrada aliás, de que o bom cu, o cu honesto, é aquele que se limita a expelir merda e peidos durante toda uma vida parece-me em si mesma pobre e pouco divinal. Será que era isso mesmo que Deus queria? Que o cu, onde Deus se deu ao trabalho de colocar uma quantidade extraordinária de nervos sensores, servisse apenas para tão pouco nobre tarefa?

Mas o que mais me intriga nem são as intenções divinas relativas ao cu dos homens (e mulheres, supõem-se). Deus dita a lei e a partir daí não é necessário qualquer outro argumento, é assim que funcionam as coisas no mundo religioso. Portanto, nada de beijinhos, dedinhos e muito menos penetrações penianas, claro. Tudo o que dê prazer ao nervos do rabinho está vedado.

É este ponto o que mais me intriga. Quão longe levarão algumas pessoas esta regra? É que quando leio que o sexo anal só pode ser uma "prática insanitária", sou obrigado a questionar-me sobre quantos rabinhos andarão por aí sem nunca verem água...

É que, e esquecendo por momentos as leis divinas, a minha regra é um pouco diferente, cu limpo é o cu lavado, e cu sujo é o cu borrado. Darlings, evitem as generalizações abusivas, se têm o rabo sujo é fácil, lavem-no, não é preciso muita massagem nem nada que dê um "prazer excessivo", mas se a agradabilidade que advém de andar com o rabo limpo também é pecado, acho que a prática religiosa é bem capaz de ser um problema sanitário muito mais grave que o lobby gay...

Mas urgente mesmo é começarem a tomar Imodium rapid, que a blogosfera não tem que levar com os vossos problemas internos. Partilhem antes isso com as resmas de amicíssimos amigos gays que vocês têm sempre...

PS: Bem sei que o post que este comenta não fala explicitamente em leis divinas, tenta passa-las como Ciência. Mas minha cara amiga, sistema excretor tem tudo a ver com sistema reprodutor, ou numa linguagem que entenda, a pila que faz xixi é a mesma que faz bebés, percebeu? Quando não se conhecem os termos científicos o melhor mesmo é usar os da linguagem corrente, dizer "merda", "peido", "xixi" ou "cocó". Mas e daí, se já só é isso que se diz e é, mais vale de facto usar outro palavreado...

quinta-feira, maio 31, 2007

Para variar, serviço público

Variando também, dizer bem da RTP. Foi excelente a estreia do "Centro de Saúde" na passada Terça-feira, apresentado por Cláudia Borges e dedicado à situação da Sida no país. Muito muito bom e esclarecedor. O segundo programa será ainda sobre esta temática.

"O planeta agradece" apresentado por Diogo Infante (que também apresenta o excelente "Cuidado com a língua") é mais um óptimo programa dos vários dedicados ao ambiente pela RTP, "Biosfera" e o "Minuto Verde" são outros a ter em conta. É na informação temática ou especializada que o canal público se sai melhor e faz esquecer a desgraça da informação generalista.

Finalmente para celebrar o dia mundial da criança a RTP 2 decidiu avançar com uma programação especial sobre sexualidade dirigida ao público infantil. Os encarregados de educação são convidados a assistir hoje (23h30), para decidirem se querem recomendar aos filhos que vejam amanhã (20h30) uma animação dinamarquesa-canadiana a explicar como se fazem os bebés. O que não deixa de ser uma cedência à ideia de que a educação sexual não deve ser universal e obrigatória, ou seja, que um pai pode exigir ignorância para os seus filhos - não podia dizer só bem. Mas parece que mesmo com todas estas cautelas já andam por aí uns e-mails de origem na extrema-direita a pedir para protestarem junto do provedor a exibição do filme, pelo que podemos fazer exactamente o contrário, aqui.

O recuo nicotinodependente

Porque é que raio o governo o escolheu o dia mundial do não-fumador para anunciar que afinal as multas para quem fumar em local não permitido não vão ser tão altas como inicialmente anunciado? Qual é a ideia? Não era acabar com o fumo em local público fechado? Palermice pura, mas palermice que sai cara.

Quando Portugal é o país europeu com mais alta percentagem de gente favorável a uma lei firme (alta ao ponto de incluir uma grande percentagem de fumadores), não há desculpas para estes recuos e flexibilizações da lei. A acontecerem o único efeito será matar o propósito da lei (e não será este o único a morrer), tal qual aconteceu em Espanha, onde ninguém liga à dita. Lei flexível é a actual, a que temos desde sempre, os estabelecimentos são livres de proibir o fumo, os fumadores são livres de decidirem não fumar para cima dos outros. Mas o que se verifica é que a maior tolerância dos não-fumadores com o fumo, do que a dos fumadores com a possibilidade de não fumarem, gera uma omnipresença tabágica nos locais fechados. É por isso que o estado deve agir, e deve fazê-lo da única forma capaz de produzir os efeitos pretendidos, banindo o fumo dos locais públicos fechados. Tão simples quanto isto. Se o fazem na Suécia e seus Invernos gelados, em Portugal é ainda mais fácil, sem "mas" nem meio "mas".

PS: E para que fique claro o quão forte é a minha posição neste assunto (sim, eu sim, fascismo higienista etc e tal) adianto que (já que fiz uma declaração de voto na altura) se as eleições legislativas fossem hoje não votaria no Bloco de Esquerda, sendo as suas patetices em torno deste assunto uma das razões mais fortes para não o fazer. A luta pela saúde dos trabalhadores não pode ser hipotecada só porque colide com o cigarrinho dos deputados do Bloco.

quarta-feira, maio 23, 2007

Contra-natura, mas pró-esperma

Cueca anti-radiação, ou pró-esperma, da ISA bodywear
«A marca espanhola Zara teve que pedir desculpa aos ultra-ortodoxos judeus por ter cometido aquilo que aquela comunidade considera um grave pecado, ao misturar algodão com linho num traje masculino, conhecido como "sh'tanz". Trata-se de uma mistura que está proibida pelo judaísmo, que a encara como um pecado contra a natureza, um "híbrido".»
Mas se calhar os judeus ultra-ortodoxos deviam reequacionar a sua política sobre os "híbridos vestuários". Não só porque natura natura é andar em pelota. Mas também porque isso os proibirá de usarem as novas cuecas anti-radiação dos telemóveis, inventadas por uma marca suíça e fabricadas em Portugal, que prometem proteger a qualidade do esperma de quem as vestir mesmo na presença dos "venenosos" telemóveis, mas cujo tecido, como se não bastasse ser uma mistura de lycra e algodão, inclui ainda fios metálicos. 29,90 francos suíços, à volta de 18 euros, é pouco quando se trata de garantir a continuação da linhagem, ainda que corrompida por uma nova tolerância às misturadas anti-natura. Cor para já só preto, e ainda se aceitam voluntários para os últimos testes.