sexta-feira, outubro 20, 2006

A homofobia é tão gay

Parece que finalmente a homossexualidade de Jarosław Kaczyński, primeiro-ministro polaco e irmão gémeo do presidente Lech, é abertamente falada na Polónia. O homem responsável pela crescente onda de homofobia no país, que conduziu a repressões violentas de marchas LGBT pacíficas, promoção de marchas homofóbicas da extrema-direita, encerramento de bares, perseguições policiais de activistas etc etc é obviamente gay ele próprio. É claro que há heterossexuais homofóbicos, mas nunca fazem disso "a sua marca". Um militante da homofobia, alguém suficientemente obcecado para, p.ex., falar sempre disso nos seus artigos no jornal ou num qualquer blog, não pode ser heterossexual. Um heterossexual, mesmo que homofóbico, tem mais em que pensar. Este caso polaco é só mais um que vem provar esta ideia, vários outros semelhantes se têm visto na política norte-americana. Mas confesso que este me dá especial gozo. Agora espero pelo Lech, que se vai safando por ser casado com uma mulher, mas...

É a vida senhores, é a vida...

O Heliocóptero vem lembrar um caso das últimas eleições presidenciais americanas que vem bem a propósito do próximo referendo em Portugal. Trata-se da ameaça de excomunhão que a ICAR americana fez pender sobre alguns dos seus membros por serem pró-escolha enquanto candidatos a cargos políticos. A ameaça não se cumpriu, mas fez mossa em algumas campanhas, nomeadamente na de Kerry, rival de George W. Bush. A ICAR americana prejudicou claramente um candidato católico pró-escolha em favor de um candidato cristão, mas não católico, pró-guerra, pró-poluição (embora não tanto como Durão Barroso) e recordista na assinatura de ordens de execuções enquanto governador do Texas. Pois, a ICAR é pró-paz, anti-pena de morte e vagamente pró-ambiente, mas tudo isso se torna irrelevante se o assunto é IVG. Tal como aliás, a vida da mulher (mesmo quando o feto é anencéfalo).

Eu peço ao papa que denuncie os casos de pedofilia que conhece*

«Papa pede a italianos que combatam amor "desviante"»

Ora nem mais!

«Veterana nos debates sobre o tema, a comunista Odete Santos subiu à tribuna para defender a posição do PCP de que deveria ser o Parlamento a mudar a lei, sem recurso a referendo. "Ainda se convoca a praça pública para perguntar se a mulher que aborta é ou não criminosa", referiu.»
Só fico com pena que o PCP não tenha decidido apresentar formalmente esta proposta de pergunta (como fez o CDS), pensando bem, a mais honesta e rigorosa. E que teria como única desvantagem inverter os actuais campos do Sim e do Não. Não era grave.

quinta-feira, outubro 19, 2006

"Fora da Lei" no doclisboa 2006

Estreia no sábado, às 18h30 na Culturgest, o documentário de Leonor Areal sobre o "caso" Teresa e Lena. Mais sobre o filme aqui, e sobre o festival aqui.

Ainda sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e também em Lisboa, há um ciclo de debates organizado pelo Miguel Vale de Almeida na livraria Almedina, o primeiro é já amanhã.

A Renascença afia as garras

Já toda a gente deve ter visto a campanha publicitária que a Rádio Renascença - Emissora Católica Portuguesa lançou nas televisões e jornais. Mesmo a calhar, a tempo de fazer subir um pouquito as audiências (pelo menos as que sejam capazes de sobreviver ao terço das 18h30) em plena pré-campanha para o referendo à IVG. A imagem que ilustra este post, onde se vê uma mulher com barriga de quem está prestes a dar à luz e um feto com pelo menos umas 18 semanas, foi também escolhida pela Renascença para ilustrar uma "notícia" no seu site sobre o referendo do sim ou não à despenalização da IVG até às 10 semanas.

A "notícia" é gira e começa assim: «Tem mais de um ano, evitava o referendo, e caiu no esquecimento pela mão do PS: uma proposta de projecto de lei que tinha como objectivo livrar da cadeia as mulheres acusadas do crime de aborto.» Mas tenho eu ouvido falar noutra coisa a não ser este disparate de manter a lei, criar mecanismos que impeçam a sua aplicação nos tribunais, mas mantendo também o aborto clandestino como única possibilidade de abortar? (O tal que só em 2005 levou 10511 mulheres a receberem tratamento hospitalar.) Mas para a Renascença isto é coisa boa e coisa não suficientemente propagandeada, e mais, evitava o referendo. O que evitava o referendo sei eu, e não é esta treta da "legião de Maria" do PS, também acarinhada por gente como Portas e Marcelo. Mas a onda na Renascença não é, nem nunca foi, a de informar, é converter, e rezar, rezar muito!

quarta-feira, outubro 18, 2006

Como com a electricidade? Nem pensar!

O CDS, o partido lança-chamas da política portuguesa, vem lançar mais uma para a confusão, o seu objectivo principal. O CDS não percebe o português da pergunta proposta pelo PS para o referendo sobre a IVG, e por isso sugere o seu portuñol. A pergunta do PS é: "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?".

A primeira objecção do CDS é com "despenalização", que entende dever ser "liberalização". Perdon? Pois, isso mesmo, "liberalização", uma palavra que nos tempos que correm lembra sobretudo o fim de monopólios estatais e privatizações. Assim como se fez com o mercado da electricidade, conduzindo ao anunciado aumento de 15,7% nas facturas! Aliás, tudo coisas a que o CDS costuma ser super a favor, o que poderia suscitar confusões várias dentro do seu próprio eleitorado na hora de votar. Better not, ok? O que é penalizado e feito no privado, despenaliza-se e faz-se nos hospitais públicos, é essa a ideia, capice?

Depois diz o CDS que se deve usar "aborto" e não "interrupção voluntária da gravidez". Aborto é a expressão mais usada, concedo, aliás, eu próprio a uso - até porque não quero que só páginas anti-escolha sejam googladas com essa palavra-chave, sem dúvida a mais procurada. Mas ser muito usada não significa ser rigorosa, como compete ser a língua de coisas como referendos. É que se o CDS não sabe eu explico, em rigor "aborto" é o feto abortado num "abortamento". O acto que interrompe a gravidez é então o abortamento, e o seu resultado o aborto. "Liberalizar o aborto" proporciona então interpretações como "privatizar fetos abortados", e não é isso que se pretende. Se o CDS não entende bem a pergunta sugerida pelo PS a solução é mesmo voltar à escola.

Chega de ingenuidades, de uma vez por todas: não é o feto que está em causa

As discussões sobre a IVG agastam-me, cansam-me, aborrecem-me... Tidas tantas vezes, já só tenho pachorra para discutir estratégias, denunciar esquemas do Não etc. Mas volta e meia lá tenho eu que levar com a estória do feto que "é um ser humano pequenino", que nem se vê, mas merece mais atenção que, por exemplo, as 15 mil crianças institucionalizadas neste país. De uma vez por todas, não é isso que está em causa neste referendo.

Alguém que efectivamente acredite na teoria do feto = pessoa não se poderia limitar a votar não no próximo referendo, teria que dizer não à actual lei. A actual lei prevê, por exemplo, que a mulher possa abortar quando a gravidez é fruto de uma violação. Esse feto abortado legalmente é exactamente igual aos fetos abortados ilegalmente, resultantes de relações sexuais consentidas. É esta excepção à criminalização do aborto que melhor explica e ilustra o que efectivamente está em jogo quando se fala da IVG, que "valores" afinal são estes que movem o Não.

A maior parte das pessoas partidárias do Não é favorável a esta excepção, e o motivo que é dado é este: "a mulher não teve culpa". Ou seja, nos restantes casos "a mulher tem culpa". E tem culpa, porque teve sexo, e se teve sexo deve arcar com as consequências, e as consequências do sexo devem ser filhos, aliás, única razão pela qual se deve ter sexo. São estes então os valores do Não.

Se a preocupação fossem os fetos, procurar-se-iam estratégias que reduzissem o número de abortos. Educação sexual nas escolas, acesso facilitado a meios contraceptivos etc. Enfim, tudo coisas que encontram sempre como obstáculos os partidários do Não. Aliás, rapidamente se chegaria à conclusão que o país a imitar seria a Holanda, o país europeu com menos abortos realizados, e não por acaso, o país que penaliza o aborto num menor número de situações (o "aborto livre" é coisa que só existe em algumas cabecinhas menos saudáveis).

Mas não é nada disso que está em causa. O papel da mulher na sociedade é o que se referenda em Janeiro próximo. Deve a mulher ter direito a uma vida sexual orientada pelo seu desejo de prazer (como sempre fez o homem), ou deve a mulher limitar-se ao papel de mãe e esposa?

Quase metade dos espanhóis deseja a anexação de Portugal

«Quase metade dos espanhóis, 45,7 por cento, quer a união entre Portugal e Espanha, com a maioria a defender que o novo país deve chamar-se Espanha, ter Madrid como capital e manter o regime monárquico, de acordo com uma sondagem.»
Quase se podia dizer que a sondagem do El Sol abriu uma caixa de pandora. Mas será antes o caso de confirmar suspeitas de sempre. Nem era preciso uma sondagem do lado de lá, o empolgamento com que os supostos 28% de portugueses iberistas foi recebida pela comunicação social espanhola, que só se lembra de Portugal quando há algum desastre ou alguma eleição, eliminava qualquer dúvida. Aquele rectângulozinho no mapa incomoda qualquer uno...

Mas nisto de tiques imperialistas estamos todos bem servidos. É que a sondagem do Sol não se resumia a perguntar por Espanha, apesar de só disso se ter falado. Razão pela qual me passou ao lado o resto da dita, bem mais interessante diga-se, que encontrei por mero acaso:
«2.) Portugal e as ex-colónias:

3.1.) Deveriam ter apenas as tradicionais relações entre estados independentes?
Sim 64,6% - Não 26,2%

3.2.) Deveriam constituir uma comunidade ou federação de estados?
Sim 38,2% - Não 49,7%

3.3.) Deveriam permanecer sob o domínio de Portugal?
Sim 21,1% - Não 70,5%»
Fiquei sem perceber bem se a indiferença face a estes resultados se deveu a serem demasiado sensíveis ou por outra, previsíveis. Mas parecem bem mais interessantes e dignos de aprofundamento que os outros, por não se deverem sobretudo a circunstâncias económicas. Os resultados da pergunta 3.2 são ainda mais intrigantes se confrontados com estes:
« 3.1.) Portugal perdeu ou ganhou com a entrada na união europeia?

Ganhou 51,7% - Perdeu 24,6% - Nem ganhou, nem perdeu 20,9%»
Ou seja, quase metade não vê vantagens na adesão à UE (na maior parte dos domínios a maioria diz que o país está pior que há 20 anos, excepto no que toca ao prestígio internacional). E pelos vistos 40% estaria disposto a formar uma união semelhante, mas com os PALOP. Mas tal como o entusiasmo espanhol com o iberismo parece ser bem maior que o português, o inverso deverá acontecer com os PALOP face a uma união com Portugal (salvo alguma excepção insular). Parece-me que no logo comemorativo do 50º aniversário da União Europeia Portugal só se irá rever na parte que diz "1957".

terça-feira, outubro 17, 2006

Little Miss Sunshine

Little Miss Sunshine é um filme fabuloso que estreou nas salas nacionais na semana passada com o nome "Uma Família À Beira De Um Ataque de Nervos". O título em português pode sugerir imagens menos abonatórias mas esta é uma história muito bem conseguida que se desenrola sem desiludir. Uma família em que toda a gente tem que lidar com problemas difíceis decide partir numa viagem para que Olive, a filha mais nova, possa participar num concurso de beleza - Little Miss Sunshine. Durante a viagem acompanhamos os momentos de tensão entre os vários personagens e o humor simples, que só ligeiramente roça situações mais clichés, vai-nos aconchegando durante todo o filme, subindo a fasquia aos poucos até nos conquistar por completo no final. E mesmo por entre as gargalhadas descobrimos os medos destas pessoas, as suas desilusões e toda aquela camada depressiva que parece estar dormente, à espera da ruptura, do desabafo violento.

Se ainda não foram ver recomendo que não percam a oportunidade.

The Catherine Tate Show


Passa aos domingos à noite na 2: e é de morrer de riso. A Lauren consegue ser ainda melhor que a Vicky Pollard do Little Britain. Se duvidam vejam também este.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Porque é que a lei devia ter sido alterada sem novo referendo?

«"Faz-se campanha a dizer: «Vamos ouvir os portugueses» e ainda os portugueses não foram ouvidos, nem sequer se votou a pergunta e já o ministro António Costa veio dizer que mesmo que eles digam «sim» e não votarem 50%, faz-se a lei à mesma. E se votarem «não» e não houver 50%? Então não devia fazer a lei. Se o importante é haver 50%, isso vale para o «sim» como para o «não». Ele não pensou no que disse", refere Marcelo [Rebelo de Sousa].»
Acho piada a esta ideia, "se o referendo não for vinculativo a lei não deve mudar", é gira. Ou seja, se a abstenção ganhar, quem ganha afinal é o Não. A ideia não é nova, foi aliás esta a tese vencedora em 1998. E o grande erro do PS, engolir esta treta como válida. Se o referendo não é vinculativo, tal acontece porque as pessoas não se interessaram o suficiente por ele, ou seja remetem a decisão para a assembleia. E era lá que a lei devia ter sido aprovada há quase 10 anos. Não foi, e por erros consecutivos do PS teremos em breve novo referendo. Que não se repitam os erros. É que toda a gente sabe, por vários estudos e sondagens feitos ao longo de anos, que se as pessoas forem votar a vitória do Sim é certa. Uma abstenção alta aliada a esta deturpação do sentido da mesma é a única hipótese para o Não. É por isso que a Igreja vai dizendo que não tem posição oficial, que Portas e Marcelo apostam no Nim (pela lei actual, mas contra a sua aplicação) e Pegado e Teté querem calar o primeiro-ministro. A vitória do Sim passa então por garantir uma participação elevada no dia do referendo, mas também deve deixar claro o quanto antes que os não-votos não são votos Não.

Vota Sim

O blog que pretende reunir material de campanha para uso on-line já está activo. A falta de tempo tem-me impedido de arranjar melhor a coisa, mas os belíssimos banners do Pedro e do Eduardo já estão prontos a serem espalhados pela net fora. Mais uma vez, obrigado a ambos.

Afinal nem todos estão acomodados

«ILGA acusa governo de “falta de coragem” para alterar leis discriminatórias»

«JS mantém objectivo de agendar em 2007 diploma sobre casamento homossexual»

sexta-feira, outubro 13, 2006

Quando os interesses partidários são colocados à frente dos interesses do movimento LGBT

«O Partido Socialista não vai propor a adopção de crianças por pessoas do mesmo sexo ou o casamento de casais homossexuais antes de 2009. O membro da Opus Gay António Serzedelo compreende as razões da decisão, mas considera que três anos pode ser tempo de mais. (...) "Em todo o caso, parece-nos acertada, da parte do senhor primeiro-ministro (...)"

Para o activista, é preciso sensibilizar a opinião pública portuguesa e os próprios casais homossexuais antes de se tomar decisões. "Na verdade, é preciso construir a casa não pelo telhado mas começar a construí-la da base. Eu sou absolutamente a favor do casamento, absolutamente a favor da adopção, mas entendo que é um processo que tem de ser trabalhado junto da população, junto dos poderes locais, junto dos heterossexuais e até junto dos próprios gays.»
Rir para não chorar. Durante anos ouvi acusações mais ou menos gratuitas por parte deste senhor sobre a suposta "excessiva partidarização do movimento LGBT", acusações essas que tinham como único efeito a descredibilização do movimento. Curiosamente este é também (salvo erro) o único dirigente associativo LGBT que participou em eleições recentes, mais concretamente nas últimas autárquicas pelo Partido Socialista. Voilá, eis o resultado. Está feito o frete e para a generalidade da opinião pública, que não fará qualquer distinção entre uma associação LGBT e outra, os ditos LGBTs até estão satisfeitos. Obrigadinho sr. Sezerdelo, uma pena aquela estória do ficheiro dos sócios da Opus Gay se ter perdido, para sabermos ao certo quantos LGBTs estão satisfeitos com o governo socialista, mas pronto, pelo menos um está, não é mesmo?

PS: Mas entende-se perfeitamente que para Serzedelo o casamento entre pessoas do mesmo sexo não seja uma prioridade, afinal, Serzedelo até já é casado...

Sexta-feira 13

Acho que desisto deste país...

PS: Neste momento os três canais generalistas estão a exibir exactamente as mesmas imagens em directo de Fátima (suponho que algum aniversário de avistamentos óvnicos), e no curto espaço de tempo em que decidi apreciar a cena pude ouvir pequenos discursos anti-escolha e pró-castidade. Enfim, o tipo de caralhadas que os padres adoram vomitar dos altares quando se sabem filmados. Vá lá, desta vez pouparam as crianças, a 2: está a passar desenhos-animados. Polónia Ocidental, mesmo.

Hablemos entonces

quinta-feira, outubro 12, 2006

Fedele o infedele?


A TV italiana é uma festa. Como se não bastassem os programas "caça aos deputados consumidores de droga" (YouTube), há concursos como este, onde podemos ver a neta de Mussolini a fazer jus à ascendência que tem, numa alegre troca de piiiiiis com Vittorio Sgarbi, um ex-colaborador de Berlusconi, condenado por corrupção no ministério da cultura italiana. Via Chuza!.

quarta-feira, outubro 11, 2006

A RTP sugere: António de Oliveira Salazar

Afinal não resistiu, e o nome já foi acrescentado à lista. «Essa inércia diz o seguinte: foi um tempo em que não havia democracia, nem liberdade, mas havia estabilidade, autoridade e um viver modestamente, mas em equilíbrio económico e financeiro", explica Marcelo Rebelo de Sousa.» - ou por outras palavras, mas não distorcendo a mensagem do afilhadinho queerido do regime, a fome quando é diária torna-se vício, e não há liberdade ou democracia que lhe cheguem aos pés, em caso de dúvida, a porrada resolvia-a, para os casos de maior relutância, havia a Guiné ou o Tarrafal. Não é, de facto, um país para brincadeiras, mas fartam-se de gozar com a nossa cara...

PS: 'Bora rebentar com a caixa de correio do provedor?

Diz-se que o oxigénio também os tem ajudado a respirar melhor

Às vezes temos que ler as coisas duas ou três vezes até acreditarmos que foram mesmo escritas e publicadas tal como as lemos à primeira. Esta foi a manchete de ontem do Metro (clique na imagem para conseguir ler), diário gratuito de grande tiragem e audiência em Lisboa e Porto. O desenvolvimento que é dado não permite perceber se efectivamente Inês Fontinha (da associação anti-prostituição O Ninho) sugere que se deva terminar com os testes anónimos e gratuitos ao VIH, mas é claramente isso que faz o jornal. Como é possível tamanha irresponsabilidade, é a única coisa que ouso perguntar perante isto.

PS: Não é por acaso que Cavaco escolheu visitar esta associação numa altura em que o governo deu sinais de querer regulamentar a indústria do sexo em Portugal. Já não há caridade grátis, tanto Cavaco como a O Ninho deixam bem claro que exigem troco...

terça-feira, outubro 10, 2006

Jogos da Lusofonia, valha o YouTube


A ideia destes jogos pareceu-me óptima, simpática, gira enfim. Sem saudades do império, mas com desejos de valorização da língua que falo, Macau 2006 pareceu-me um óptimo veículo para isso mesmo. De resto a mascote é tão irresistível que até tive que a colocar ali ao lado, e vai-me custar horrores tirar o cachorrinho. Fica também no post para a posteridade. No entanto as duas principais potências da língua parecem estar pouco interessadas no caso. O Brasil nem se deu ao trabalho de mandar uma equipa de futebol, mesmo assim já lidera o quadro de medalhas e o Comitê Olímpico tem um site excelente sobre os jogos, mas nos média brasileiros parece-me que o acontecimento não existe. Em Portugal a coisa não está melhor, com a RTP a remeter a cobertura dos jogos para a RTP África e RTP Internacional. Quem não tem cabo ou satélite tem que se contentar com o YouTube (apresentação e abertura). Vou-me queixar ao provedor.

PS: Entretanto foi decidido que será Portugal a realizar a próxima edição, em 2009. Mas ainda não está definida a cidade. Os 3ºs deverão ser na Índia ou no Brasil, em 2013.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Ao menos escrevei um bilhetinho a explicar

Estratégias para o activismo online pró-escolha

O referendo aproxima-se a passos largos e não se nota, ou eu não noto, grande entusiasmo ou preparativos para o mesmo do lado do Sim. As razões são muitas, cansaço da discussão, cansaço de fazer trabalhos que competiam à assembleia, enfim... Mas o referendo é praticamente certo, e ao menos desta vez o secretário-geral do PS vai mesmo à luta. É essencial que nos mobilizemos o quanto antes, e que tenhamos noção do quão importante este referendo é para o futuro do país, muito para além do aborto. Isto é a oportunidade de mostrar que a sociedade progrediu, e que o peso político de certas entidades (terrenas ou não) está completamente sobreavaliado. É preciso pôr mãos à obra portanto. Um dos campos de batalha que não pode ser desprezado é este onde me lêem, lancemos então bits e bytes pró-escolha.

1) Banners e badges. O que está ali em cima é óptimo, encontrei-o no Arrastão, e como este encontram-se vários pela net, o problema é que estão todos em inglês. Há por aí boas pessoas com jeito para estas coisas, ou simplesmente com programas melhores que o paint, que queiram investir algum tempo nisto? Eu encarrego-me da sua publicação, aqui no renas, ou, se forem muitos, num site criado para o efeito. Deixo desde já algumas frases adaptadas de slogans anglófonos:

- És contra o aborto? Então não abortes!

- Se o feto for gay prometes continuar a defender os seus direitos?

- A tua religião fora do meu útero.

- Se és pró-guerra, anti-igualdade e achas que o buraco do ozono é inofensivo, como te podes chamar pró-vida?

- És pró-escolha ou pró-cabide?

- Maternidade responsável ou maternidade forçada? És tu que decides.

- IVG: em caso de dúvida vote SIM!

Este é último é da Manel. São só algumas sugestões, muitas outras frases são possíveis, nomeadamente específicas para os blogs: "Este blog é pró-escolha, vota sim".

2) Google. O Google é a porta de entrada na internet, e quem bate à porta a perguntar por "aborto" é muito mal encaminhado. Pesquisando na versão portuguesa o primeiro resultado é um manhosíssimo site brasileiro anti-escolha, depois as Women on Waves (associação holandesa), Aborto.com um site pró-escolha espanhol traduzido em português, depois novo site brasileiro anti-escolha e católico, depois um resultado do aeiou que remete para um site anti-escolha português e finalmente uma série de notícias fecham a primeira página de resultados. Ou seja, não só os sites anti-escolha ganham em número e posicionamento, como nenhum dos sites pró-escolha é português.

É urgente que haja conteúdo especificamente português (para assim poder responder a dúvidas sobre a legislação e realidade do país) de qualidade e, claro, pró-escolha. Se esse site já existe avisem-me por favor, que não está googlável. E como se googlaliza um site? Linkando-o fortemente. É por isso que ao descrever os resultados do Google tive o cuidade de linkar os pró-escolha, e não linkar nenhum dos machistas. Quanto mais linkado é um site, melhor posicionado surge no Google e outros motores de busca, tanto melhor se o link conter a palavra através da qual se pretende que o site seja googlado. 'Bora lá fazer listinhas de links pró-escolha nos blogs? Ou melhor ainda, sempre que escreveres a palavra "aborto" no teu blog ou site acrescenta-lhe um link pró-escolha.

3) Wikipédia. A Wikipédia aparece só na segunda página de resultados da busca por "aborto", mas facilmente surgirá na primeira. O problema é que o artigo sobre interrupção da gravidez está ainda longe da qualidade ideal. É óbvio que não estou a sugerir aqui que o transformemos em propaganda pró-escolha, não é isso que se espera de uma enciclopédia. Mas o artigo está ainda muito incompleto, e é quase nula a referência à situação portuguesa. Qualquer pessoa o pode editar, por isso mãos à obra, sim?

PS [às 21h50]: A primeira contribuição já chegou, é do Eduardo e brevemente estará disponível em diversos tamanhos em endereço a anunciar. Obrigado, está excelente!


Podes enviar mais para renaseveados[at]gmail.com.

domingo, outubro 08, 2006

Mitos económicos

Os senhores das gravatas não se cansam de repetir, o problema da economia portuguesa está na "falta" de empreendedorismo dos portugueses, na função pública que "não é nada" produtiva e no "excesso" de direitos dos trabalhadores. Repetem-no incansavelmente dos seus palanques em universidades públicas ou da direcção de empresas privadas, i.e., privatizadas. Tanto o repetem, quais orações, que quase acreditamos neles. Valham os factos para provar que se a receita fosse essa a nossa economia seria a mais forte da União:

«Em cada cinco portugueses, um é trabalhador por conta própria, segundo os dados revelados pelo Eurostat. Portugal surge assim na quarta posição entre os 25 Estados membros da União Europeia, no que respeita ao número de empresários em nome individual do sector não financeiro.

Em 2005, 21% da população portuguesa inserida no mercado laboral, do sector não financeiro, era trabalhador por conta própria, uma marca só superada por países como Chipre, Itália e a Grécia, onde 32% dos trabalhadores são empresários em nome individual. Na União Europeia, em média, por cada seis empregados, um trabalha por conta própria. (...)»


O sol de Outono não queima

Esta notícia do Sol não é nada inocente. Isto de apresentar dados velhos e conhecidos como se de coisa nova se tratasse, traz sempre água no bico. O objectivo foi tentar embaraçar o PS, agitando o "fantasma da adopção", e procurando assim inibir o casamento. Mas o resultado nem foi dos piores. É que a adopção de crianças por casais homossexuais é cada vez menos vista como um fantasma, é uma realidade, basta ler o semanário concorrente. E o PS tem mesmo que ser picado nestas questões, pois de contrário escudar-se-á no eterno "é preciso que haja um debate" - ele já está aí há muito. Picado o PS, logo veio o recuo do avanço nunca feito. Mas também foi reforçada a promessa do casamento. Tudo isto sem mortos nem feridos. Afinal até Marques Mendes concordaria, não se está a falar de nada que já não seja feito há anos na Holanda.

sábado, outubro 07, 2006

Sic Pride

«A associação ANIMAL está a promover, esta tarde, um protesto telefónico contra a estação de televisão SIC por utilizar animais como elefantes, tigres e camelos na comemoração dos seus 14 anos, na Avenida da Liberdade, em Lisboa.»
PS: Mas giro giro foi ver um bando de matrafonas numa parada dedicada às crianças, sem ter que ler umas vinte crónicas contra o exibicionismo da coisa... Não há nada como não ter objectivos políticos para se marchar em sossego.

sexta-feira, outubro 06, 2006

Efeito dominó?

Depois do papa, o arcebispo de Madrid. Cada vez mais perto, ai, ai...

Os bebés pró-escolha são os mais giros

O problema, meu querido, é que as crianças criadas em ambientes repressivos, fundamentalistas religiosos, anti-escolha, homofóbicos e por aí fora, tendem a ter sempre um ar algo melancólico, acabrunhado, de quem veio ao mundo sem ser desejado, enfim, um ar nada fotogénico. É por isso... Valham os infinitos tentáculos divinos para que se esqueça mais este abuso clerical de criança alheia.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Na Eslovénia navega-se melhor

Conclusão óbvia da leitura deste mapa. [via Chuza!]

PS: A audiência rénica também está de parabéns, 36.5% segundo o Google Analytics. Estais quase eslovenos.

"A República ainda não chegou a Olivença"

Lia-se numa faixa empunhada por alguns dos poucos assistentes das comemorações oficiais do Dia da Implantação da República. E não parece que tal venha a acontecer tão cedo, ainda há dias a guardia civil invadiu a sede local da Izquierda Unida em Medina Sidonia, e confiscou a bandeira republicana espanhola, tendo devolvido apenas alguns dias depois. Nem tudo está mal para Portugal nas comparações ibéricas. Viva a República!

quarta-feira, outubro 04, 2006

Novos €uros, velhos moralismos

No próximo dia 1 de Janeiro, além da adesão da Roménia e Bulgária à União Europeia, dar-se-á o primeiro alargamento da €urolândia (descontando o Kosovo e Montenegro), com a entrada da Eslovénia. As novas moedas eslovenas terão desde logo a nova face comum (em segundo plano na imagem). A desculpa dada para a criação desta nova face é o alargamento a Leste da União. Mas olhando para as alterações percebe-se que isso é só uma desculpa esfarrapada para terminar com a genitália masculina em que se transforma a Escandinávia sem a Noruega. É que o alargamento foi a Leste, não à Noruega, que continua a não dar sinais de querer aderir. E porque não colocaram também a Islândia? Depois esquecem até países com entrada prevista no €uro em 2008, o Chipre (que também não está nas notas). Até porque colocar o Chipre implicaria colocar a Turquia, que dá alergia a muita gente. As africanas Canárias é que continuam a ver-se bem, mas dos Açores nem sinal.

terça-feira, outubro 03, 2006

Grandes Portugueses: Calouste Sarkis Gulbenkian (1869 - 1955)

Arménio, nascido na Turquia e naturalizado britânico. Mas e o que seria da cultura deste país sem ele?

Grandes Portuguesas: Nelly Furtado (1978 - )

Fica difícil levar a sério uma lista que conta com nomes como Figo, Joaquim de Almeida ou Agustina Bessa-Luís e esquece a Nelly Furtado. A música made by tugas nunca antes voou tão longe, é assim tão grave que as canções não se chamem "Sou como uma pássara" ou "Devoradora de homens"? Ou será por andar a espalhar que lá no fundo somos todos bissexuais?

Grandes Portuguesas: Brites de Almeida (1350? - ?)

Mais conhecida por Padeira de Aljubarrota, sozinha terá morto 7 soldados castelhanos. A RTP usa-a na publicidade ao programa, mas porque não está na lista de sugestões? Só porque não é certo que tenha existido? Bah...

segunda-feira, outubro 02, 2006

Grandes Portugueses: Fernando Pereira (1950-1985)

Provavelmente o nosso único herói e mártir ecologista. Foi morto pelas bombas colocadas pelos serviços secretos franceses no Raibow Warrior, navio da Greenpeace, em Auckland, Nova Zelândia, em 1985. A sua morte vem agora assombrar a campanha para candidata presidencial socialista da homofóbica Ségolène Royal, pelo envolvimento do seu irmão no assassinato.

Grandes Portugueses: Amílcar Cabral (1924-1973)

Não queria ser português, mas não lhe faltou grandeza. Imperdoável omissão na lista da RTP.

Gandas tugas

No site do novo programa da RTP lê-se sobre um dos candidatos:

«A figura de D. Sebastião fascina há séculos, em parte, devido aos mistérios que encerra. A sua vida íntima é um dos mais discutidos. Há muitas histórias tóxicas acerca dela. Em toda a sua juventude não se lhe conheceu qualquer interesse pelas mulheres. Alguns historiadores justificam o ascetismo com o seu fervor religioso, outros apontam para uma estranha doença de índole sexual que o afectava desde os onze anos e o deixava prostrado, amiúde. Há mesmo quem arrisque a homossexualidade. Certo é que nunca casou, apesar da insistência da corte para que escolhesse noiva entre as casa reais europeias.»

Vá lá, resistiram à tentação de colocar o Salazar na lista. Mas conseguiram listar gente como Sampaio, Figo ou Cavaco (que aliás é algarvio), desrespeitando desde logo a regra básica "o bom tuga é o tuga morto". Este programa é um original da BBC, que já conta com várias edições noutros países e alguns resultados curiosos. Se o vencedor em Portugal não for o Camões ou o Vasco da Gama confesso-me desde já surpreendido. A Bet and Win ainda não aceita apostas, they loose.

domingo, outubro 01, 2006

Congresso de segurança mínima


Zapatero perde a cadeira no congresso espanhol por culpa de 4 gatos. Uma acção de alerta e protesto contra a pobreza. Até custa a crer que o vídeo seja verdadeiro, mas parece que é mesmo. Via Chuza!

PS: Afinal é falso. Mas está muito bem feito, e é mais giro um assalto simulado que um real, parabéns aos gatos!

sábado, setembro 30, 2006

Quem não tem polvo caça com Lula

Eu também votaria Lula amanhã. Não estando exactamente por dentro da política brasileira, o que vejo à distância é um presidente que não tendo cumprido com as expectativas criadas em sua volta (algumas impossíveis), possibilitou uma melhoria das condições de vida de milhões de brasileiros sem paralelo na história do país. A corrupção não é coisa nova, novo foi o destaque que mereceu por cá, nova é a condenação da igreja ao fenómeno. Não há alternativa e Lula é mesmo o melhor presidente das últimas décadas.

Em relação às políticas LGBT-related, Lula é ainda mais obviamente a única possibilidade. Apesar de não ser capaz de arriscar com o casamento, o seu programa «Cidadania GLBT: Construindo um Brasil sem homofobia» é bastante completo, dado o contexto. E certamente que não seria a anti-escolha Heloísa Helena a fazer melhor.

quinta-feira, setembro 28, 2006

A frontalidade da Newsweek

Estas são as capas da última edição da revista Newsweek. Como já tinha referido o Max, "Losing Afghanistan: The Rise of Jihadistan" foi manchete à volta do mundo, excepto na terra natal da revista. Nos Estados Unidos a capa foi sobre a fotógrafa Annie Leibovitz, antiga companheira de Susan Sontag, cujo nome é referido por 15 vezes na reportagem publicada. No total a reportagem tem 1803 palavras, mas nenhuma delas é "partner", "lover", "gay" ou "lesbian". O heterobranqueamento de Sontag continua em alta. Sobre tudo isto a não perder mais uma hilariante tirada de Jon Stweart, mesmo tendo deixado alguns bloggers aborrecidos pelas não-citações.

Portugal é o quarto país do mundo com mais alta taxa de penetração da internet (!?)

É o que diz esta tabela, que tem desde logo a falha de usar dados de origens diferentes para cada país (logo diferentes métodos de contagem, etc). Mas não encontro alternativas, e é bom ver, para variar, um top onde o país se sai bem.

Brincar ao Parlamento Europeu

Começa já na próxima segunda-feira um jogo virtual que parece ser interessante: "Become a Member of European Parliament" (Torna-te membro do Parlamento Europeu). Poderá ser jogado em três idiomas, polaco, inglês e francês, e promete prémios aliciantes, além da oportunidade de simular o trabalho parlamentar europeu.

terça-feira, setembro 26, 2006

Dia Europeu das Línguas

Um bom pretexto para te lançares na aprendizagem de uma nova língua, ou desenferrujares uma que já conheças. E é que nem precisas levantares-te da cadeira, há imensos sites que de forma gratuita te possibilitam isso mesmo. Alguns exemplos: BBC (vários cursos a vários níveis, sendo o inglês a língua-base), Deutsch Welle (aprender alemão, vários níveis para lusofalantes), Stella (dinamarquês e húngaro em inglês), Speak Dutch, até um curso de esperanto e ainda dezenas de outros listados neste directório.

segunda-feira, setembro 25, 2006

69% dos espanhóis aceitaria unir-se a Portugal

Os números são da votação online do diário gratuito 20 Minutos (via Chuza!), e que nos parece ter uma validade científica semelhante à sondagem do semanário El Sol (que neste momento tem como notícia de topo no seu site a segunda gravidez da princesa Letizia). Seja como for, a nossa própria votação, igualmente de rigor inabalável, mostra claramente uma preferência muito maior dos portugueses pela Noruega. Pelo que perde sentido o sentimento espanhol. Preocupemo-nos mas é com os galegos, que nos querem roubar o peixe!

PS: Pelo que percebo do mapa publicado no diário espanhol, a Curia será a maior metrópole lusa, não?

PPS: Para os adeptos do SM, e não só, a não perder logo à noite o "Prós e Contras", onde poderemos ver um sequioso e gratuito Aznar. Com um bocadinho de sorte ainda nos pede desculpas por estarmos a ocupar o Ocidente espanhol há mais de 8 séculos.

PPPS: Absolutamente deliciosos e imperdíveis os comentários no 20 Minutos. Exemplo: «Si los catalanes se los regalamos a Francia y los vacos a Inglaterra, que apañados van, y nos unimos a Portugal de alguna manera, seguro que ganamos en paz, tranquilidad, dinero y calidad de vida. Portugal es un hermoso país, en donde somos queridos y la unión nos veneficiará a ambos.» ou «Siempre y cuando no tenga que aprender portugues me da igual.» e ainda «Soy espanhol y vivo en Portugal y pienso que nunca en la vida nos llevariamos bien. Son tan diferentes en todo que asusta. Ellos saldrian ganando pero nosotros no. VIVA ESPAÑA LIBRE».

Esqueçam a Madonna


Paris é uma festa.

domingo, setembro 24, 2006

Verdes de bolor

O suplemento de domingo do DN e JN é praticamente intragável, mas volta e meia lá aparece algo interessante, e só por isso o folheio. Ainda hoje valeu a pena ler a entrevista à bióloga Margarida Silva, sobre plantas transgénicas. Em geral a solução para não ficar logo pela manhã com vontade de cortar os pulsos é passar à frente as crónicas de Isabel Stilwell e Eduardo Sá. E para não ter vontade de cortar os pulsos de outrem evitar igualmente as crónicas de Zé de Bragança e Manuel Ribeiro. Tomados estes cuidados fui apanhado em falso por esta bonita prosa de Tomás de Montemor, que semanalmente assina as "páginas verdes".
«SE É HOMEM E A SUA MAIOR AMBIÇÃO na vida é ficar grávido (o assunto está tão bem entregue em mãos femininas, mas enfim), aconselho-o a ir a banhos no rio Potomac em Vashinton (como dizia o Raul Solnado), nos EUA.

A RÉPLICA DOS RESULTADOS em humanos não está garantida, mas a recente descoberta de vários peixes neste rio que mostram sinais de não estarem bem certos do sexo a que pertencem - os cientistas, diplomaticamente, chamam-lhes peixes intersexo - faz pensar que qualquer coisa semelhante possa acontecer aos humanos. Aparentemente estes peixes têm o sistema hormonal descontrolado e por isso aparecem cada vez mais exemplares com ovos nos testículos. Deve ser um pouco incomodativo ter um bebé nos testículos, mas se ainda está a pensar nisso... força.

A RAZÃO PARA O ESTRANHO AUMENTO de peixes gay, ou seja machos efeminados, parece estar relacionado com os altos níveis de poluição das águas do rio. Foram detectados certos compostos, usados na indústria farmacêutica, cosmética e outras, que são conhecidos desreguladores endócrinos, com o poder de pôr os organismos animais a trabalhar às avessas. Por exemplo, já foram acusados de tornar mais pequenos os pénis dos ursos-polares e de provocar hermafroditismo (possuir órgãos genitais dos dois sexos) em baleias.

COMO DISSE, NÃO SEI SE OS AMERICANOS que beberem de mais desta água vão começar a levar capacetes cor-de-rosa e Chanel n.º5 para combater talibãs, mas o certo é que o destino que queremos dar aos resíduos químicos das nossas indústrias tem de ser decidido depressa, sob o risco de começarem a afectar severa e irreversivelmente a nossa vida. (...)»
A coisa prossegue referindo tragédias humanas reais, causadas pelo envenenamento de águas pelas indústrias na Índia e Costa do Marfim. Os itálicos e maiúsculas da citação estão conforme o original, só o verdito foi acrescentado por mim. E acho que nem vale a pena dizer mais nada.

Here we go again

«O tema do aborto surge por acaso. "Sou a favor. E nem sequer estou a falar da despenalização. Sou mesmo a favor do aborto. Acho que uma mulher normal não o faz de ânimo leve." E sublinha a falsidade da questão. "Uma mulher com possibilidades económicas faz um aborto numa clínica ou vai a Espanha. Os pobres são os mais prejudicados, ponto final. É tudo uma hipocrisia. Esta discussão do aborto enerva-me", desabafa.»
Quem o diz é Ana Vital Melo, antiga assessora de Marcelo, Leonor Beleza e Marques Mendes, no suplemento de sábado do DN e JN. A realidade é tão simples quanto isto, até uma laranjinha a vê. Mas ao que parece em janeiro lá teremos que gramar mais um referendo. O debate já cansa, e nada tem resolvido. Esperemos que seja desta. Entretanto os defensores da lei que manda as mulheres para a cadeia parecem estar a preparar a curiosidade estratégia de defenderem essa mesma lei, mas não a sua aplicação. Estamos conversados em relação ao limite de hipocrisia a que esta malta chega. Não há limite.

É favor avisar o presidente da Comissão


Que o Vaticano não faz parte da União Europeia. E enquanto esta não estiver aberta a ditaduras fundamentalistas religiosas, assim continuará. By the way, a memória do Fujão é curtíssima, já se sabia, por isso relembro que o dito Bentinho foi dos primeiros a colocar-se ao lado dos trogloditas censores aquando da estória dos cartoons. Pelo que.. convenhamos, seria bastante imerecido dar agora palmadinhas nas costas do Bento, não?

sábado, setembro 23, 2006

Dia português com carros

Terminou ontem a Semana Europeia da Mobilidade, e foi ontem também o Dia Europeu Sem Carros. E em Portugal mal se deu por eles. Apesar do grande número de cidades envolvidas, Porto e Lisboa optaram por continuar porquinhas e congestionadas como nos restantes dias do ano, e a comunicação social não está, nem é costume estar, para se preocupar grandemente com o resto do país.

Ao contrário do que muitos gostam de dizer (sem oferecer qualquer alternativa), este não é um "dia inútil" e sem consequência. Tudo depende, é claro, do empenho das autarquias em fazer com que a ideia resulte e sirva de inspiração para os restantes dias e semanas do calendário. A ideia tem dado óptimos frutos em vários pontos do continente europeu. Mas somos livres de continuar a chafurdar na imundice e caos das duas maiores cidades portuguesas, enquanto não apodrecem de vez pelo menos. Como diria o outro, uma autêntica "festa do politicamente incorrecto".

Mas quem não está virado para disparates políticos ou problemas respiratórios, e acha que estas coisas da política deviam servir exactamente para aumentar o bem-estar das populações e proporcionar um desenvolvimento sustentado, encontrará uma boa leitura no manual «Cidades para Bicicletas, Cidades de Futuro». Este é um documento da Comissão Europeia, já do ano 2000, mas cada vez mais actual e um óptimo objecto de propaganda por políticas mais correctas e saudáveis para a mobilidade citadina. A ler e divulgar.

Campeonato da Europa 2012 na Polónia?

«10 jogadores brasileiros do Pogon Szczecin (...) foram vítimas de insultos racistas por parte de vários adeptos do Lechia Gdansk, em encontro da Taça da Polónia. Além dos cânticos, insultos e imitações de macacos, os simpatizantes do Lechia foram ao ponto de arremessar bananas para o relvado.»
Bora lá explicar à UEFA que nas circunstâncias actuais uma candidatura polaca não pode ser levada a sério, pelo contrário, devia ser já excluída da votação final. Os restantes candidatos à organização do evento são a Croácia-Hungria e a Itália.

PS: Entretanto as diferentes extrema-direitas que governam a Polónia entraram agora em colisão. Pois que rebentem.

sexta-feira, setembro 22, 2006

El 28% de portugueses aceptaría unirse a España

Lê hoje no Terra.es as questões relevantes que só amanhã poderias ler no El Sol.

Entretanto, quantos seremos os que desejam que Portugal se una à Noruega permanece uma incógnita. Para quando um semanário La Nieve que nos esclareça? Valha o renas!


PS (às 19h43): Como nada me obriga à isenção face a esta votação, e como não estou a curtir o evoluir da mesma, faço o apelo: vota Noruega! Babes, uma combinação explosiva de petróleo e bacalhau, qual é a dúvida afinal? E vejam que bandeirinha bonita podíamos ter:

Kiss my ass

Nem é isso que mais me tem incomodado. A ultrassexualização da tradução é que me parece mais grave. Por exemplo, "I'll kiss her ass" seria sempre traduzido em qualquer outra série por "vou dar-lhe graxa". Mas no "The L Word" rapidamente passou a um explícito "vou lamber-lhe o cu", é que nem era beijar, era lamber mesmo. Mas antes assim, que nada.

"Answered By Fire" às 22h55 na RTP1

Timor Leste merecia uma série assim. A primeira parte passou ontem, a segunda (e última) passa hoje.

quinta-feira, setembro 21, 2006

Novas da Índia e Moçambique

E das boas. Na Índia mais de 100 personalidades do país, incluindo Arundhati Roy ou o prémio Nobel da economia Amartya Sen, assinaram uma carta aberta contra a criminalização da homossexualidade. Tal como em vários países africanos e caribenhos, esta criminalização é um resquício dos tempos coloniais, mas que em vez de ser repelido até por isso, foi sendo apropriado por grupos conservadores e nacionalistas que não hesitam em classificar a homossexualidade como "anti-indiana", "anti-africana", "anti-jamaicana", etc. Esta carta é portanto um documento histórico, que certamente terá um efeito positivo no país que pretende organizar os 2ºs Jogos da Lusofonia.

Também em Moçambique, onde (à semelhança dos restantes PALOP, excepto São Tomé e Príncipe) a homossexualidade ainda está ilegalizada, igualmente por herança colonial, o tema tem sido pela primeira vez debatido publicamente e de forma positiva. O que, claro, não impede que o trogloditismo analfabeto (mesmo que com o sobrenome "Craveirinha") saia à rua. O hilariante deste exemplo é que a bibliografia recomendada (utilizada não foi certamente) é do mais gay friendly que há, e contradiz tudo o que é escrito no artigo.

Os homofóbicos podem ser tão giros


Chorei a rir com o senhor Paul Drummond Cameron, muito mais divertido que o soldadinho Bleu Copas, há que reconhecer. O problema é que a vida não é feita de piadas...

terça-feira, setembro 19, 2006

Politicamente Estúpido

O "Loose Change" não me pareceu de imediato um objecto para levar a sério, isso só aconteceu quando me pus a ler "o" blog que se propõe "desmontar as mentiras do documentário" - assustadoramente pobre e inconsistente tentativa de resposta. Mas o filme, que mais não é que uma série de suposições e teorias imaginativas, é efectivamente de contraditório difícil, já que o acesso às provas relativas ao 11 de Setembro nunca foi livre e imediato, bem pelo contrário. Acreditar na versão oficial dos acontecimentos implica necessariamente dar uma quantidade nada pequena de crédito à administração Bush. É aqui que está o grande busílis.

«"Ponham lá aí um cartaz a dizer que eu sou muito estúpido", é o que os que levam a sério o "Loose Change", a começar pelos programadores da RTP que entraram agora num nível provocatório, estão a dizer.» Quem o diz é Pacheco Pereira, que mais acrescenta, «Podia até fazer-se uma versão politicamente correcta: “eu ainda sou mais estúpido do que o Presidente Bush”.».

Eu fico mesmo preocupado quando leio este tipo de coisas. Desde logo porque o insulto é o derradeiro, ou melhor, o não-argumento usado quando a derrota no debate está à vista de todos. E depois porque a parca tentativa de resposta ao filme indicia que Pacheco nem o terá visto - mas que seja isso, ao menos.

Acrescentemos a isto o fanatismo pró-Bush, que faz com que todos os que não comunguem da mesma fé sejam irremediavelmente classificados como anti-americanos, e temos o caldo entornado. Já para não falar no uso até à náusea da expressão "politicamente correcto", ainda não reparou que tanto a usaram, gastaram e abusaram que hoje em dia isso não quer dizer absolutamente nada?

Eu só voltarei a levar Pacheco Pereira a sério no dia em que ele próprio use um badge que diga, "Estúpido sou eu, que acreditei nas armas de destruição maciça".

segunda-feira, setembro 18, 2006

E o que tem a dizer a administração dos Armazéns do Chiado?

As agressões ao Tiago e amigo ocorreram mesmo às portas destes armazéns, local para onde se dirigiram os agressores depois do crime. Parece-me que há uma série de questões a colocar à administração. A julgar pela ilustração do seu site, estão bem cientes da importância do pink money no seu negócio. É bom que se preocupem também com a segurança e integridade física da pink people. Podem pedir-se esclarecimentos sobre tudo isto directamente no site ou por e-mail.

Violência homofóbica no Chiado

A passividade dos seguranças privados, a indiferença e cobardia de quem vê e passa sem nada fazer, o trogloditismo e à vontade dos meninos da cabeça rapada. Tudo contado por quem a sofreu na pele. Em pleno Chiado, em plena Lisboa, em pleno século XXI. Não senhor dos Santos, não há uma forte cultura homofóbica aqui na Polónia Ocidental, perdão, Portugal.

Vale mesmo a pena ler

"Meditação causada por um livro" é o título da crónica de Joaquim Manuel Magalhães publicada na última edição do Expresso. E que falta fazia um artigo assim na imprensa portuguesa, é que o casamento entre pessoas do mesmo sexo também pode ser uma reivindicação conservadora, e é preciso que haja quem fale nessa linguagem. Sobretudo se o faz na primeira pessoa. Clap, clap! [Via Da Literatura]

Sangue a mais no Santo António

"Loose Change" x 4

Parece-me no mínimo estranho, mas esta tarde a RTP passou pela quarta vez (pelo menos) o polémico documentário "Loose Change". Parece-me estranho sobretudo por ser tão oposto a toda a restante informação da televisão pública no que toca ao 11 de Setembro e adjacências. Pacheco Pereira já se queixou, mas segundo o provedor da RTP, Paquete de Oliveira, a justificação estará mesmo nos muitos pedidos de reposição. Mas é que devem ser mesmo muitos para justificar tanta reposição em tão pouco tempo - embora duas das repetições tenham sido em horários nada convidativos, e a promoção ao doc quase nula.

De resto concordo inteiramente com a Manel, não papo tudo o que o filme defende, mas agrada-me que alguém venha pôr em causa uma série de verdades quase sagradas. Sobretudo quando já todos sabemos que a administração Bush mente sem pudor, mata sem hesitar e põe os interesses do capital acima de tudo. E que mesmo assim os grandes meios de comunicação social americanos limitam-se a ser eco do que diz Bush numa série de assuntos vitais, 11 de Setembro incluído.

Afinal, pensando melhor, não é assim tão estranho que esta lufada de ar fresco tenha feito com que tanta gente chateasse a RTP para que soprasse mais vezes.

domingo, setembro 17, 2006

"The L Word" de volta à 2:

Oportunidade para ver ou rever a primeira temporada, e tudo de seguida. Dois episódios diários, às 00h30, já a começar esta segunda-feira. E depois estreará a temporada seguinte.

Banco de esperma gratuito e para tod@s

Afinal parece que o anunciado primeiro banco de esperma português já não vai abrir. Como se já não bastasse a discriminação medievalista da lei (só casais heteros casados a ele poderiam aceder), nem a aplicação da dita parece estar fácil de levar à prática. Felizmente existe uma coisa chamada World Wide Web que possibilita maravilhas como esta. Um Yahoo! Group para homens interessados em doar esperma (a venda é proibida) e mulheres ou casais (lésbicas e heteros) que o procuram. No fundo é uma plataforma de contacto, sem limitações geográficas, apenas linguísticas (funciona em inglês), que já deu muitos bons frutos. A divulgar por todos os potenciais interessados.

sábado, setembro 16, 2006

O sudoku está giro

Os blogs nem por isso, têm que ter todos a mesma template? O logotipo é de uma agência de viagens e o nome é de tablóide. Mas o site até está engraçado (a minha curiosidade não valia 2€), embora lhe falte, como a quase todos os sites de informação portugueses, um favicon. É facílimo fazer um, e agora até os há animados (como o do Portal do Governo). E para quem gosta de navegar com umas 20 abas abertas em simultâneo, dão um jeitaço. Vejam lá isso, sim? No favicon, no bookmark!

Os segredos do provedor

Eu gosto desta generalização dos provedores pelos principais órgãos da comunicação social. E fiquei por isso contente ao saber que a RTP aderiu ao conceito. Não posso contudo avaliar o primeiro programa, já que o vi apenas por uns segundos. Mas os suficientes para ficar a saber que o provedor recebeu uma queixa que tinha levado à suspensão de um programa da estação, mas que por tudo estar ainda em inquérito não poderia dizer de que programa se tratava. Ora para isto melhor teria sido se nada tivesse dito. A ideia dos provedores não é pôr as coisas em pratos limpos?

Transparência q.b.

Este é um cartaz do Ciutadans-Partit de la Ciutadania, um partido catalão, com o seu líder em pelota. Em pelota, mas sem pilota que se veja. E, política ou não, nota-se a falta. Mais valia estar vestidinho como de costume. [Via Chuza!]

Mas para os ilhéus é assim todos os anos

«Aconteceu há dois anos, antes disso só tinha sucedido em 1996, voltou a registar-se este ano: a nota de entrada nos cursos de Medicina caiu quase um valor em relação a 2005, baixando a fasquia dos 18 valores para seis das nove licenciaturas do País.»
Nunca ouvi a gente indignada com as quotas para as mulheres nas listas partidárias dizer uma palavra sobre o assunto (are you listening, mr. president?). Aliás, creio que muita gente o desconhece por inteiro. Mas existem umas coisas chamadas "contingentes especiais das regiões autónomas" que todos os anos garantem a entrada nos cursos de medicina a alunos insulares com notas bastante inferiores às dos seus colegas continentais. A desculpa é a de que haverá falta de médicos nas ilhas. Mas a desculpa não cola, desde logo haverá certamente regiões em pior situação no continente, e depois nada garante que estes especiais alunos voltem às ilhas que os viram nascer (ou lá residir por dois anos). É que a isso não são obrigados, ao contrário por exemplo do contingente especial para militares, que obriga os licenciados que dele usufruíram a trabalhar no exército. Mas não são só os ilhéus, os filhos dos emigrantes, como se não bastasse estarem em situação priviligiada para concorrerem em dois países diferentes, também têm contingente. Lembram-se da filha do ministro santanista? É que uns são filhos e outros são enteados, mas ninguém fica indignado.

Zangaram-se as comadres

O bom do Bento achou que estava a falar de gays, assunto em que pode e chafurda abundantemente sem que ninguém se ofenda ou o mande calar, a começar pelos milhões de gays que fazem parte do clero católico, e ainda mais alguns milhões de lésbicas que ficam à porta. Não estava. Estava a falar com gente da sua laia, e com gente dessa é preciso muito cuidadinho. Ou não, dependendo das intenções.

Aquando da polémica dos cartoons Made in Denmark, Bentinho não hesitou em colocar-se ao lado dos que agora lhe exigem desculpas. Isto é, líderes fundamentalistas islâmicos com mais influência nos seus bairros e freguesias, que o Bento em todo o mundo católico. Mas amizades de ocasião duram pouco.

E a Bento restam agora duas alternativas. Pedir desculpas, deixando irados os seus maiores apoiantes, a extrema-direita. Ou não fazê-lo, sendo combustível para a "guerra das civilizações", regozijando os seus apoiantes de sempre e os seus novos inimigos, que há muito anseiam por tal coisa.

Aguardo curioso.

Quanto às declarações que originaram tudo isto, eram obviamente tretas p'ra beato ver. Se algo novo trouxe o Islão, foram as moscas...

Patriotismo deve ser isto

Inchar orgulhosamente ao ver uma estrela cadente da pornografia checa despir uma camisola de Portugal.

A marcha do casamento

O primeiro casamento entre soldados do mesmo sexo em Espanha foi celebrado ontem em Sevilha. Parabéns aos noivos, Alberto Sánchez Fernández, de 24 anos, e Alberto Linero Marchena, de 27.

Vote num, leve com dois

Ali entre a Presidência Directa e o Palácio de Belém vive Maria. E Maria tem um interesse especial por si, que é português (se não és, esquece). Partilhe com Maria as suas preocupações, pois a isso está disposta e disponível, e para isso foi eleita por Cavaco para o cargo que ocupa numa bonita página rosa. Obrigado Maria, não era preciso incomodar-se.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Queer Israel

«As coisas não estão nada fáceis para os cineastas israelenses Eytan Fox e Gal Uchovsky, cujo filme, "The Bubble" (A Bolha), fez sua estréia internacional esta semana no Festival de Cinema de Toronto.

A história de amor homossexual entre um israelense e um palestino afastou o público conservador em Israel e em outros países. Além disso, europeus de tendência esquerdista estão furiosos com os ataques de Israel contra o Líbano e não têm o menor interesse em assistir a filmes israelenses. (...)

"Durante a guerra e depois dela, festivais de cinema cancelaram a exibição de filmes israelenses por causa do sentimento negativo contra Israel. Consigo entender algumas dessas emoções e me identifico com algumas", disse Fox.»
Pois eu não entendo nem um bocadinho, aliás, este tipo de notícias dá-me náuseas. Claro que poderá haver algum exagero de realizador a tentar justificar o fracasso de um mau filme (não faço ideia, não vi), mas nos tempos que correm um filme sobre uma estória de amor homossexual israelo-palestiniana teria que ser mesmo incrivelmente mau para não suscitar interesse. A não ser, é claro, que haja mesmo um boicote - e desde que soube da presença de activistas gays em manifs pró-Ezbolá que já nada me espanta.

Não será essa contudo a razão da sua ausência do 10º Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa, já que estarão em exibição três outros filmes israelitas: "Good Boys", "Say Amen!" e "The Lady is a Champ", o que não deixa de ser impressionante dada a dimensão e localização geográfica do país. Com algumas semelhanças à estória do "The Bubble" temos o "Go West", filme bósnio sobre uma relação amorosa entre um sérvio e um muçulmano em tempo de guerra nos Balcãs.

Todos eles me suscitam curiosidade, no entanto o único filme gay e israelita que vos posso garantir ser bom, ou melhor, excelente, é o inesquecível "Yossi & Jagger", que creio já ter passado em Lisboa. Aos cinéfilos que recusam ver filmes só porque têm a nacionalidade X ou Y, por favor, ao menos tenham a decência de deixarem de dizer que são cinéfilos.

Dia Global de Acção por Darfur

É no domingo e a Amnistia Internacional convida-te a usar um chapéu azul e a assinar esta petição pelo envio de capacetes azuis para o cenário de guerra de que quase nunca se fala. Isto não havendo americanos ou judeus ao barulho perde o interesse, está visto...

Angelina e Brad: casamento só quando for igual para todos

Brad Pitt assegurou na última edição da Esquire que só voltará a casar, no caso com Angelina Jolie, quando o casamento for um direito para todos no seu país. Uma posição semelhante à de Charlize Theron, que adiou o seu casório com Stuart Townsend para a mesma altura. Se a lista de celebridades a dizer o mesmo continua a crescer, no dia em que a América legalize o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todo o país, esses serão seguramente os casamentos menos falados do dia.