quarta-feira, novembro 08, 2006

Coisas que não merecem a condenação ou censura do Vaticano

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«O Vaticano apelou hoje à anulação do desfile do Orgulho Gay previsto para sexta-feira em Jerusalém, para não ferir "os sentimentos de milhões de crentes judeus, muçulmanos e cristãos". Num comunicado divulgado esta tarde, o Vaticano afirma que recebeu "com amargura" a organização, em Jerusalém, de "uma dessas 'manifestações da soberba homossexual'".

O Vaticano "exprime a sua mais viva desaprovação de uma iniciativa que constituirá um grave afrontamento aos sentimentos de milhões de judeus, muçulmanos e cristãos", porque a cidade tem "um carácter sagrado" e "exige que a sua convicção seja respeitada".

Na nota, a Santa Sé sublinha ainda que "o direito à liberdade de expressão é submetida a justas limitações, em particular quando o exercício desse direito ofende os sentimentos dos crentes".»

Boas notícias

«What an incredible night! More than 200 pro-equality candidates have been elected and we now have a fair-minded majority in the U.S. House.»
E no Arizona uma emenda constitucional anti-casamento entre pessoas do mesmo sexo poderá ser pela primeira vez derrotada. Ah, e a limpeza parece que vai começar pelo Senado, Rick Santorum foi cilindrado na Pensilvânia. Entretanto no Massachusetts foi eleito o primeiro governador negro do estado, e apenas o segundo na história dos EUA, Deval Patrick (que até tem uma página em português). Muitos resultados por apurar, mas já há muitos motivos para celebrar.

terça-feira, novembro 07, 2006

A comunicação social e o aborto: 3 perguntas pertinentes

1) Não é só a Renascença, também a RTP gosta de ilustrar as apresentações das suas peças sobre o referendo à despenalização da IVG com imagens de fetos com mais de 10 semanas. Porquê? Mas o referendo não é sobre uma questão penal? Não é sobre se se punem ou não as mulheres que abortam até às 10 semanas? Cadê o martelinho de juiz ou as grades da cadeia que se vêem em qualquer outra apresentação de notícias sobre temas penais!?

2) Porque razão quase não se ouviu falar da reforma penal nicaraguana? Numa altura em que se discute a alteração da lei portuguesa parece-me elementar destacar-se isto. Será que o silêncio se vai manter face à Polónia? É que não deixa de ser engraçado que se passe a vida a ouvir falar "nos perigos da liberalização", quando a lei socialista continuará a ser das mais restritivas do continente europeu e quando os sinais de alterações mais recentes a nível global são extremamente preocupantes, e seguem o sentido apontado pelo Vaticano: criminalização até quando o aborto é justificado pela existência de risco de vida para a mulher.

3) Porque ninguém pergunta à Miss Vodka Laranja sobre a legitimidade de suspender os julgamentos a mulheres que abortam no caso do Não ganhar? É que a senhora anda por aí feita tresloucada a gritar aos quatro ventos que se podem travar os julgamentos mesmo que o Não vença, e eu não estou a ver como fazer isso sem desrespeitar por completo esse hipotético resultado. Ou a senhora é mesmo burra e acredita no que diz, apesar de ser óbvio que toda a restante frente criminalizadora vê com bons olhos uma alteração à la Nicarágua. Ou então a senhora mente intencionalmente, visando confundir o eleitorado, e naturalmente que deve ser confrontada com as suas incoerências.

Ainda numa de memórias televisivas

Lembram-se desta cara? Neil Patrick Harris era o protagonista de uma série de sucesso do início dos 90's, "Doogie Howser, M.D.", o médico adolescente (não me lembro do nome em português). Continuou a fazer televisão, embora nunca com o êxito inicial, e recentemente começaram a surgir boatos na imprensa americana de que era homossexual. Surgiu então um desmentido, que afinal era falso:
«So, rather than ignore those who choose to publish their opinions without actually talking to me, I am happy to dispel any rumors or misconceptions and am quite proud to say that I am a very content gay man living my life to the fullest and feel most fortunate to be working with wonderful people in the business I love.»
Clap, clap!

Mais polémicas publicitárias da United Church of Canada

A The United Church of Canada é conhecida pela sua tolerância e abertura, bastante atípicas em igrejas cristãs, e também pelas suas polémicas publicidades - lembram-se do anúncio "Ejector" banido pelas tvs americanas? Agora lançou uma nova campanha, em várias frentes (TV, jornais, internet), que lança várias perguntas ousadas (para a maioria da cristandade), tem até um esquilo com nome de rapper, E-Z, que responde a perguntas fáceis, incluindo sobre homossexualidade, o esquilo responde sem hesitações. Tudo isto para promover um site de discussão religiosa, o wondercafe.ca. Ateísmos meus à parte, quando é que esses católicos muito modernitos que povoam este país, se tornam efectivamente modernitos e importam uma filial desta igreja? De modernismos inconsequentes está o inferno cheio, ou melhor, o Vaticano.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Vi um anúncio da Planeta Agustini e deu-me para isto


Do "Bana e Flapi" não achei nada... Mas deve ter sido isto que safou a "geração rasca".

PS
: E o Bocas, claro!

PPS: E o Dartacão! O Vicky não encontrei em português. Mas dei ainda com este curioso vídeo dos "Amigos do Gaspar", com um guarda "de cócoras" a "espantar a bicharada"! LOL

O blog agora está na caixinha

Falta de tempo e alguma preguiça têm feito com que o blog seja actualizado menos vezes, e sobretudo passe ao lado de assuntos altamente blogáveis como todo o caso Ted Haggard, influente líder evangélico norte-americano, casado e pai de 5 rebentos, conselheiro da Casa Branca, machista, pró-prisão, anti-evolucionismo, anti-casamento gay, ah, e claro, grande connoisseur da prostituição masculina. Mas é também para suprir estas falhas que está na barra lateral a caixinha dos "posts a não perder". E é também esse um dos motivos para a preguiça reinante por aqui, para quê escrever se outros o já fizeram tão bem? Para os mais desatentos fica então a dica, atenção à caixinha, que em geral é refrescada 2 ou 3 vezes ao dia.

sábado, novembro 04, 2006

Procuram-se famílias de acolhimento em Viena

A capital austríaca tem falta de famílias de acolhimento, e várias das crianças "por acolher" acabam por ser enviadas para outras cidades. Vai daí foi lançada uma campanha publicitária a chamar a atenção para o problema, e nenhum modelo familiar foi deixado de fora como se vê pelo cartaz no topo do post.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Nobel do Arco-Íris

Já são conhecidos os laureados deste ano pela Associação ILGA Portugal, pelo seu contributo no combate à ignorância e preconceito:

- ‘Aqui não há quem viva’, Teresa Guilherme Produções

- ‘Laramie’, Teatro Municipal Maria Matos (Diogo Infante, Direcção Artística)

- Luís Grave Rodrigues, Helena Paixão e Teresa Pires pela primeira tentativa de casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal

- São José Almeida, jornalista do Público

- Unidade de Missão para a Reforma Penal

Parabéns a tod@s!

A homofobia é tão gay (2)

quinta-feira, novembro 02, 2006

Sê um bom cristão e mata uma árvore hoje

Genial galeria de propaganda que podia muito bem ser real, encontrada pela Ana. E Portugal parece ser um dos países mais afortunados. Ámen.

A criminalização é pró-vida?

Quando é que começamos a chamar as pessoas defensoras da criminalização da IVG de pró-prisão? Que é efectivamente o que são. O Destak está a recolher comentários no seu blog para publicar na edição de amanhã. Lembrem-se que é possivelmente o jornal mais lido no país...

terça-feira, outubro 31, 2006

O Não é isto

«Estas queridas, vá lá saber-se porquê, são favoráveis à despenalização do aborto. Até podiam ser contra. Todavia, como pergunta o João Villalobos, "alguém me explica, como se tivesse 10 semanas, qual a razão para o Clube Safo se pronunciar a favor (ou já agora mesmo que fosse contra) da despenalização do aborto? Ou faltou-me aprender algumas coisas na escola?".»
O nível do debate na blogosfera já baixou a este ponto - pérola de um blog pró-prisão que me escuso a linkar, encontrada no Womenage a Trois. Isto é daquelas coisas que nem merece resposta, serve apenas para mostrar quem são estas pessoas do lado do Não, e que valores as movem. Mas há um comentário no tal blog de "portugueses livres" (sic) pela criminalização das mulheres que abortam que não resisto a reproduzir: «O argumento é tão ridículo que me apetece contrapor com outro igualmente ridículo. "Alguém me explica porque é que a Igreja se pronuncia, mesmo que fosse a favor? Também me deve ter faltado aprender qualquer coisa na catequese..."».

Desisto

Alguém é capaz de me explicar o que é que a Edite Estrela está a fazer na mesa do Sim?

Desonestidades à direita:

1) A lei actual criminaliza, o voto Sim no referendo visa descriminalizar, se a Zita quer descriminalizar então não vota Não a isso mesmo, right? Wrong, de acordo com a Miss Vodka Laranja é ao contrário, agora o que está a dar é o eleitoralmente incorrecto, vote o contrário do que defende!

2) O número de abortos aumentou nos EUA, certo. Mas a população aumentou muito mais, logo, a taxa de abortos baixou. Mas esta segunda parte não foi dita pelo betinho da direita.

3) Isilda Pegado, francamente, um mínimo de frontalidade! A honestidade intelectual definitivamente não tem espaço no meio de tanta valorização dos embriões. A Isilda não disse, mas é bastante claro, quer uma lei igual à da Nicarágua!

PS: Grande Fernanda Lapa!!! (Pois, não resisti a mais uma espreitadela, valeu pela Fernanda, mas de castigo levei com a Teté).

PPS: Dizem-me que estou a ser injusto com a Edite Estrela. É possível, vi só bocados da coisa, mas num deles apanhei uma estranha comparação entre abortos e tratamentos a toxicodependentes que... enfim.. e sempre aquela falta de convicção, aquela caridadezinha cristã.. arghh....

PPPS: Ok, se a Manel também o diz é porque é mesmo. Retiro então a pergunta de cima, está respondida.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Puro masoquismo

Tinha prometido a mim próprio que não ia cair na tentação. Mas depois de ler os primeiros relatos acabei por sucumbir. Resultado, aprendi, pela boca de um senhor que carrega um alegado curso de medicina emoldurado, que o infanticídio foi legalizado na América. Terá sido o Bush? Grande sacana, já não lhe bastavam os iraquianos (de qualquer idade)...

PS: Em vez de andar com o curso atrás devia era contratar a Dona Dina, tinha muito mais efeito.

As eleições terminaram, o YouTube é para sempre




Já tinha ouvido falar nisto, mas nunca imaginei que fosse tão bom. Tem desde logo duas enormes vantagens em relação aos tempos de antena portugueses, muito mais curtos e muito mais variados - até o Papai Noel candidatou-se. Mas a minha favorita é de longe a senhora do canto superior esquerdo, fosse eu cearense e o meu voto era só dela. No Brasil como em Portugal, as melhores cantoras dos tempos de antena chamam-se Dina. Muito mais pelo YouTube fora...

PS: Cuidado que isto é do mais viciante que há. Não resisto a partilhar mais dois, Clodovil e Zé do Bode, espero que tenham sido eleitos:

You know my feelings about asthma


Sem pré-aviso a segunda temporada de "Nighty Night" estreou ontem na 2:. Genial é pouco. E além de "britcom" este post merece também a tag "kill bill" (ou don). Percebe-se melhor a associação neste vídeo do episódio de ontem. TV assim é um luxo.

Tinha outro jeito?

domingo, outubro 29, 2006

"Cientificamente incorrecto", pois se o dizem...

Esta estória do "politicamente incorrecto" já enjoa há anos. Quando alguém me fala nisso é como se dissesse, pegando na bonita metáfora de Pacheco Pereira, "Ponham lá aí um cartaz a dizer que eu sou muito estúpido" (razão pela qual uso estes chavões ocos ao invés de argumentar). Mas o mais giro é que dei conta recentemente de alguns subprodutos da coisa que resultam, no mínimo, hilariantes.

Li num artigo recente (algures em papel, não lembro onde), uma série de elogios a um cientista que com "grande coragem ousava" pôr em causa o aquecimento global (essa grande conspiração anti-capitalista - by the way, 29ºC hoje no Norte do país e estamos quase em Novembro, isto depois de semanas de monções, ela está bonita!). Mas o giro era a expressão que usavam para classificar o trabalho da dita cuja ovelha negra da climatologia: cientificamente incorrecto! Poderiam ter sido mais acertados? É que é mesmo isso. Mas o vírus não se fica por aqui, leiam e chorem de riso:
«No seu último número, a revista Atlântico concedeu um generoso espaço ao livro Revoltas Escravas: mistificações e mal-entendidos, publicando um excerto da obra e uma pequena explicação do autor sobre as razões que o levaram a escrevê-la.

Surpreendentemente, a revista anunciou ou destacou o facto através da seguinte frase: "Excerto do livro "Revoltas Escravas: mistificações e mal-entendidos, uma perspectiva historicamente incorrecta das revoltas dos escravos e da abolição da escravatura".»

Só que a dislexia ainda não é para todos, e o autor homenageado, o tal "historiador incorrecto", não curtiu o "elogio". Com um bocadinho de sorte pode ser que o efeito destes novos subprodutos seja o de expor o que em geral se esconde de forma cobarde sob a capa, afinal literal, do "orgulhosamente politicamente incorrecto": políticas antidemocráticas da pior espécie.