sexta-feira, novembro 10, 2006

Sem a benção do Vaticano

Aprovadas as uniões civis para casais homossexuais na maior cidade católica do mundo, a Cidade do México. E no Massachussetts, o segundo estado americano com maior percentagem de católicos, o casamento entre pessoas do mesmo sexo está seguro, depois de rejeitado novo ataque político.

Com a benção do Vaticano

Ou de como a "moderação" promove o integrismo católico

«Um grupo de 31 deputados do PSD e do CDS-PP entregam hoje, no Tribunal Constitucional, um pedido de fiscalização sucessiva da constitucionalidade da lei da procriação medicamente assistida (PMA), por considerarem que há disposições que violam a lei fundamental (...) Teresa Venda e Rosário Carneiro, do Movimento Humanismo e Democracia, eleitas deputadas nas listas do PS também deverão subscrever o pedido, que já excedeu largamento as 23 assinaturas, equivalentes a 10 por cento do total dos parlamentares, exigidas para o efeito.»
A lei da PMA é uma absoluta vergonha. É mais retrógrada que a lei aprovada em Espanha nos anos 80, só para dar um exemplo. Se o Bloco de Esquerda fosse o que diz ser, seria este partido a promover a fiscalização da constitucionalidade de uma lei de machismo e homofobia bastante explícitos. Mas não.

Aliás, o Bloco, o PCP, os Verdes, e claro, o PS, todos cantaram pela bitola da moderação, que era preciso "evitar radicalismos", tudo a seu tempo, bla bla bla, aprovando assim uma lei que nos mantém seguros na cauda europeia dos direitos reprodutivos. Tudo isto seria para sossegar os católicos. (Exactamente a mesma desculpa usada agora para se evitarem discursos emancipatórios na campanha do referendo à IVG, apostando tudo na coitadinhização).

Está visto que não resultou. Apostar na cobardia política e na discriminação teve como único efeito dar espaço ao extremismo católico. Que não se contenta em ver-nos na cauda da Europa, quer-nos igual à Nicarágua. E não há pingo de vergonha mesmo. Até a brigada das cruzes do PS se junta ao forrobodó fundamentalista. Venda e Carneiro, as duas integristas católicas que por obscurantíssimos motivos são sempre enfiadas nas listas do PS em lugar elegível, mostram uma vez mais para que servem.

O delírio vai ao ponto de Isilda Pegado andar ainda a promover um referendo à lei da PMA, porque afinal os espermatozóides também devem ter alminha, e que se lixe o défice, 'bora gastar milhões em abstenções mais que previsíveis. Sim, a mesma Pegado que recusou esclarecer na RTP a sua posição face às situações em que o aborto está despenalizado actualmente no país. Ainda há dúvidas?

Não sejas quadrado no voto

Tão franca, tão honesta, tão directa, tão simples, tão é mesmo isto, a campanha que o Governo Flamengo lançou para as eleições belgas de Outubro último. Clique na imagem para ampliar, o texto é mais ou menos isto em português: «Há muitos homens brancos de meia idade no seu concelho local e provincial. Muitos mais, proporcionalmente, do que aqueles que vivem no seu bairro. Porque não deveria haver mais espaço para outros tipos de pessoas? Um pouco mais de diversidade nos concelhos locais e provinciais significa que os assuntos são vistos de diferentes perspectivas. E isso pode conduzir a ideias refrescantes. Pense nisso, antes de votar no dia 8 de Outubro». Um cego, um negro e uma mulher são os 3 super-heróis da campanha. Mais um fantástico achado do Houtlust.

Together?



Este é o logotipo escolhido para celebrar os 50 anos da assinatura do Tratado de Roma, da autoria do polaco Szymon Skrzypczak. Várias críticas têm sido feitas ao design do dito, mas o que mais choca é o uso exclusivo do inglês. A Comissão prometeu desde logo a sua tradução para os restantes idiomas oficiais das União, mas o resultado nunca poderá ser famoso, basta pensar nas diferenças do número de letras, sem ir sequer à parte da acentuação não ser mera decoração na maioria das línguas. Mas este caso está longe de ser o primeiro. Neste blog do Libération é possível ver vários outros casos de propaganda europeia exclusivamente em inglês, e em plena Bruxelas. E navegando pelos vários sites da UE, começando pelo do concurso do logo (até no URL), se percebe que o inglês domina as instituições europeias. O caso do logotipo dos 50 anos torna-se mais grave pelo seu simbolismo, e pela difusão que terá por toda a União. É de prever que a seguir às queixas da ministra francesa dos assuntos europeus muitas outras se sigam. Ou será que só os franceses ainda resistem a um futuro anglófono para a UE? Or should I say EU?

E os sacanas dos europeístas, quando é que prendemos esses traidores?

quinta-feira, novembro 09, 2006

Era um murro destes se faz favor

Um site facílimo de usar e que vai registando o sentido de voto (progressista ou conservador) dos membros do senado e da casa dos representantes dos Estados Unidos - descoberto n'A Vila. A ideia é tão simples quanto poderosa. Bem sei que alguns deputados provavelmente ficariam aterrados perante a criação de algo deste tipo em Portugal, e rapidamente viriam as comparações a "listas negras" ou "polícia ideológica". Mas é precisamente este tipo de coisa que é perfeitamente legítimo fazer, e que aproxima e esclarece as pessoas sobre a política.

A contrário da vida amorosa dos políticos, coisa que tem estado muito na moda ultimamente na imprensa nacional. Mas, note-se, apenas em relação a vidas amorosas heterossexuais. Um curioso critério discriminatório que nos vai poupando a ler sobre os amores e desamores de uma série de políticos da praça de não pequena relevância.

quarta-feira, novembro 08, 2006

Coisas que não merecem a condenação ou censura do Vaticano

No comments

«O Vaticano apelou hoje à anulação do desfile do Orgulho Gay previsto para sexta-feira em Jerusalém, para não ferir "os sentimentos de milhões de crentes judeus, muçulmanos e cristãos". Num comunicado divulgado esta tarde, o Vaticano afirma que recebeu "com amargura" a organização, em Jerusalém, de "uma dessas 'manifestações da soberba homossexual'".

O Vaticano "exprime a sua mais viva desaprovação de uma iniciativa que constituirá um grave afrontamento aos sentimentos de milhões de judeus, muçulmanos e cristãos", porque a cidade tem "um carácter sagrado" e "exige que a sua convicção seja respeitada".

Na nota, a Santa Sé sublinha ainda que "o direito à liberdade de expressão é submetida a justas limitações, em particular quando o exercício desse direito ofende os sentimentos dos crentes".»

Boas notícias

«What an incredible night! More than 200 pro-equality candidates have been elected and we now have a fair-minded majority in the U.S. House.»
E no Arizona uma emenda constitucional anti-casamento entre pessoas do mesmo sexo poderá ser pela primeira vez derrotada. Ah, e a limpeza parece que vai começar pelo Senado, Rick Santorum foi cilindrado na Pensilvânia. Entretanto no Massachusetts foi eleito o primeiro governador negro do estado, e apenas o segundo na história dos EUA, Deval Patrick (que até tem uma página em português). Muitos resultados por apurar, mas já há muitos motivos para celebrar.

terça-feira, novembro 07, 2006

A comunicação social e o aborto: 3 perguntas pertinentes

1) Não é só a Renascença, também a RTP gosta de ilustrar as apresentações das suas peças sobre o referendo à despenalização da IVG com imagens de fetos com mais de 10 semanas. Porquê? Mas o referendo não é sobre uma questão penal? Não é sobre se se punem ou não as mulheres que abortam até às 10 semanas? Cadê o martelinho de juiz ou as grades da cadeia que se vêem em qualquer outra apresentação de notícias sobre temas penais!?

2) Porque razão quase não se ouviu falar da reforma penal nicaraguana? Numa altura em que se discute a alteração da lei portuguesa parece-me elementar destacar-se isto. Será que o silêncio se vai manter face à Polónia? É que não deixa de ser engraçado que se passe a vida a ouvir falar "nos perigos da liberalização", quando a lei socialista continuará a ser das mais restritivas do continente europeu e quando os sinais de alterações mais recentes a nível global são extremamente preocupantes, e seguem o sentido apontado pelo Vaticano: criminalização até quando o aborto é justificado pela existência de risco de vida para a mulher.

3) Porque ninguém pergunta à Miss Vodka Laranja sobre a legitimidade de suspender os julgamentos a mulheres que abortam no caso do Não ganhar? É que a senhora anda por aí feita tresloucada a gritar aos quatro ventos que se podem travar os julgamentos mesmo que o Não vença, e eu não estou a ver como fazer isso sem desrespeitar por completo esse hipotético resultado. Ou a senhora é mesmo burra e acredita no que diz, apesar de ser óbvio que toda a restante frente criminalizadora vê com bons olhos uma alteração à la Nicarágua. Ou então a senhora mente intencionalmente, visando confundir o eleitorado, e naturalmente que deve ser confrontada com as suas incoerências.

Ainda numa de memórias televisivas

Lembram-se desta cara? Neil Patrick Harris era o protagonista de uma série de sucesso do início dos 90's, "Doogie Howser, M.D.", o médico adolescente (não me lembro do nome em português). Continuou a fazer televisão, embora nunca com o êxito inicial, e recentemente começaram a surgir boatos na imprensa americana de que era homossexual. Surgiu então um desmentido, que afinal era falso:
«So, rather than ignore those who choose to publish their opinions without actually talking to me, I am happy to dispel any rumors or misconceptions and am quite proud to say that I am a very content gay man living my life to the fullest and feel most fortunate to be working with wonderful people in the business I love.»
Clap, clap!

Mais polémicas publicitárias da United Church of Canada

A The United Church of Canada é conhecida pela sua tolerância e abertura, bastante atípicas em igrejas cristãs, e também pelas suas polémicas publicidades - lembram-se do anúncio "Ejector" banido pelas tvs americanas? Agora lançou uma nova campanha, em várias frentes (TV, jornais, internet), que lança várias perguntas ousadas (para a maioria da cristandade), tem até um esquilo com nome de rapper, E-Z, que responde a perguntas fáceis, incluindo sobre homossexualidade, o esquilo responde sem hesitações. Tudo isto para promover um site de discussão religiosa, o wondercafe.ca. Ateísmos meus à parte, quando é que esses católicos muito modernitos que povoam este país, se tornam efectivamente modernitos e importam uma filial desta igreja? De modernismos inconsequentes está o inferno cheio, ou melhor, o Vaticano.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Vi um anúncio da Planeta Agustini e deu-me para isto


Do "Bana e Flapi" não achei nada... Mas deve ter sido isto que safou a "geração rasca".

PS
: E o Bocas, claro!

PPS: E o Dartacão! O Vicky não encontrei em português. Mas dei ainda com este curioso vídeo dos "Amigos do Gaspar", com um guarda "de cócoras" a "espantar a bicharada"! LOL

O blog agora está na caixinha

Falta de tempo e alguma preguiça têm feito com que o blog seja actualizado menos vezes, e sobretudo passe ao lado de assuntos altamente blogáveis como todo o caso Ted Haggard, influente líder evangélico norte-americano, casado e pai de 5 rebentos, conselheiro da Casa Branca, machista, pró-prisão, anti-evolucionismo, anti-casamento gay, ah, e claro, grande connoisseur da prostituição masculina. Mas é também para suprir estas falhas que está na barra lateral a caixinha dos "posts a não perder". E é também esse um dos motivos para a preguiça reinante por aqui, para quê escrever se outros o já fizeram tão bem? Para os mais desatentos fica então a dica, atenção à caixinha, que em geral é refrescada 2 ou 3 vezes ao dia.

sábado, novembro 04, 2006

Procuram-se famílias de acolhimento em Viena

A capital austríaca tem falta de famílias de acolhimento, e várias das crianças "por acolher" acabam por ser enviadas para outras cidades. Vai daí foi lançada uma campanha publicitária a chamar a atenção para o problema, e nenhum modelo familiar foi deixado de fora como se vê pelo cartaz no topo do post.

sexta-feira, novembro 03, 2006

Nobel do Arco-Íris

Já são conhecidos os laureados deste ano pela Associação ILGA Portugal, pelo seu contributo no combate à ignorância e preconceito:

- ‘Aqui não há quem viva’, Teresa Guilherme Produções

- ‘Laramie’, Teatro Municipal Maria Matos (Diogo Infante, Direcção Artística)

- Luís Grave Rodrigues, Helena Paixão e Teresa Pires pela primeira tentativa de casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal

- São José Almeida, jornalista do Público

- Unidade de Missão para a Reforma Penal

Parabéns a tod@s!

A homofobia é tão gay (2)

quinta-feira, novembro 02, 2006

Sê um bom cristão e mata uma árvore hoje

Genial galeria de propaganda que podia muito bem ser real, encontrada pela Ana. E Portugal parece ser um dos países mais afortunados. Ámen.

A criminalização é pró-vida?

Quando é que começamos a chamar as pessoas defensoras da criminalização da IVG de pró-prisão? Que é efectivamente o que são. O Destak está a recolher comentários no seu blog para publicar na edição de amanhã. Lembrem-se que é possivelmente o jornal mais lido no país...

terça-feira, outubro 31, 2006

O Não é isto

«Estas queridas, vá lá saber-se porquê, são favoráveis à despenalização do aborto. Até podiam ser contra. Todavia, como pergunta o João Villalobos, "alguém me explica, como se tivesse 10 semanas, qual a razão para o Clube Safo se pronunciar a favor (ou já agora mesmo que fosse contra) da despenalização do aborto? Ou faltou-me aprender algumas coisas na escola?".»
O nível do debate na blogosfera já baixou a este ponto - pérola de um blog pró-prisão que me escuso a linkar, encontrada no Womenage a Trois. Isto é daquelas coisas que nem merece resposta, serve apenas para mostrar quem são estas pessoas do lado do Não, e que valores as movem. Mas há um comentário no tal blog de "portugueses livres" (sic) pela criminalização das mulheres que abortam que não resisto a reproduzir: «O argumento é tão ridículo que me apetece contrapor com outro igualmente ridículo. "Alguém me explica porque é que a Igreja se pronuncia, mesmo que fosse a favor? Também me deve ter faltado aprender qualquer coisa na catequese..."».

Desisto

Alguém é capaz de me explicar o que é que a Edite Estrela está a fazer na mesa do Sim?

Desonestidades à direita:

1) A lei actual criminaliza, o voto Sim no referendo visa descriminalizar, se a Zita quer descriminalizar então não vota Não a isso mesmo, right? Wrong, de acordo com a Miss Vodka Laranja é ao contrário, agora o que está a dar é o eleitoralmente incorrecto, vote o contrário do que defende!

2) O número de abortos aumentou nos EUA, certo. Mas a população aumentou muito mais, logo, a taxa de abortos baixou. Mas esta segunda parte não foi dita pelo betinho da direita.

3) Isilda Pegado, francamente, um mínimo de frontalidade! A honestidade intelectual definitivamente não tem espaço no meio de tanta valorização dos embriões. A Isilda não disse, mas é bastante claro, quer uma lei igual à da Nicarágua!

PS: Grande Fernanda Lapa!!! (Pois, não resisti a mais uma espreitadela, valeu pela Fernanda, mas de castigo levei com a Teté).

PPS: Dizem-me que estou a ser injusto com a Edite Estrela. É possível, vi só bocados da coisa, mas num deles apanhei uma estranha comparação entre abortos e tratamentos a toxicodependentes que... enfim.. e sempre aquela falta de convicção, aquela caridadezinha cristã.. arghh....

PPPS: Ok, se a Manel também o diz é porque é mesmo. Retiro então a pergunta de cima, está respondida.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Puro masoquismo

Tinha prometido a mim próprio que não ia cair na tentação. Mas depois de ler os primeiros relatos acabei por sucumbir. Resultado, aprendi, pela boca de um senhor que carrega um alegado curso de medicina emoldurado, que o infanticídio foi legalizado na América. Terá sido o Bush? Grande sacana, já não lhe bastavam os iraquianos (de qualquer idade)...

PS: Em vez de andar com o curso atrás devia era contratar a Dona Dina, tinha muito mais efeito.

As eleições terminaram, o YouTube é para sempre




Já tinha ouvido falar nisto, mas nunca imaginei que fosse tão bom. Tem desde logo duas enormes vantagens em relação aos tempos de antena portugueses, muito mais curtos e muito mais variados - até o Papai Noel candidatou-se. Mas a minha favorita é de longe a senhora do canto superior esquerdo, fosse eu cearense e o meu voto era só dela. No Brasil como em Portugal, as melhores cantoras dos tempos de antena chamam-se Dina. Muito mais pelo YouTube fora...

PS: Cuidado que isto é do mais viciante que há. Não resisto a partilhar mais dois, Clodovil e Zé do Bode, espero que tenham sido eleitos:

You know my feelings about asthma


Sem pré-aviso a segunda temporada de "Nighty Night" estreou ontem na 2:. Genial é pouco. E além de "britcom" este post merece também a tag "kill bill" (ou don). Percebe-se melhor a associação neste vídeo do episódio de ontem. TV assim é um luxo.

Tinha outro jeito?

domingo, outubro 29, 2006

"Cientificamente incorrecto", pois se o dizem...

Esta estória do "politicamente incorrecto" já enjoa há anos. Quando alguém me fala nisso é como se dissesse, pegando na bonita metáfora de Pacheco Pereira, "Ponham lá aí um cartaz a dizer que eu sou muito estúpido" (razão pela qual uso estes chavões ocos ao invés de argumentar). Mas o mais giro é que dei conta recentemente de alguns subprodutos da coisa que resultam, no mínimo, hilariantes.

Li num artigo recente (algures em papel, não lembro onde), uma série de elogios a um cientista que com "grande coragem ousava" pôr em causa o aquecimento global (essa grande conspiração anti-capitalista - by the way, 29ºC hoje no Norte do país e estamos quase em Novembro, isto depois de semanas de monções, ela está bonita!). Mas o giro era a expressão que usavam para classificar o trabalho da dita cuja ovelha negra da climatologia: cientificamente incorrecto! Poderiam ter sido mais acertados? É que é mesmo isso. Mas o vírus não se fica por aqui, leiam e chorem de riso:
«No seu último número, a revista Atlântico concedeu um generoso espaço ao livro Revoltas Escravas: mistificações e mal-entendidos, publicando um excerto da obra e uma pequena explicação do autor sobre as razões que o levaram a escrevê-la.

Surpreendentemente, a revista anunciou ou destacou o facto através da seguinte frase: "Excerto do livro "Revoltas Escravas: mistificações e mal-entendidos, uma perspectiva historicamente incorrecta das revoltas dos escravos e da abolição da escravatura".»

Só que a dislexia ainda não é para todos, e o autor homenageado, o tal "historiador incorrecto", não curtiu o "elogio". Com um bocadinho de sorte pode ser que o efeito destes novos subprodutos seja o de expor o que em geral se esconde de forma cobarde sob a capa, afinal literal, do "orgulhosamente politicamente incorrecto": políticas antidemocráticas da pior espécie.

sábado, outubro 28, 2006

150 anos de caminhos de ferro em Portugal

Comemoram-se hoje, a CP oferece viagens e tudo. Além de entradas gratuitas durante este ano em todos os museus ferroviários nacionais, mais informações e ofertas descritas aqui. Também por estes dias se ficou a saber que o "TGV" Porto-Vigo deverá estar a funcionar em 2013 com um custo de 1.4 mil milhões de euros (um Alfa Pendular não seria mais do que suficiente? e muitíssimo mais que a vergonhosa oferta actual) e que por outro lado as linhas do interior continuarão a fechar. Estes contrastes de 8 e 80, litoral/interior, ficaram bem visíveis no excelente documentário realizado pela RTP para celebrar a data.

Braga em festa

Reabriu o Theatro Circo de Braga, que por acaso foi o "meu" primeiro teatro. Mais informações no site oficial e na Wikipédia.

Homofobia, nem os animais escapam

Em dia de reflexão a campanha faz-se via spam

Claro que cliquei imediatamente no botãozinho que diz "report spam". Mas depois ainda fui à lixeira ler o resto do e-mail, não só anti-escolha e nacionalista, como homofóbico, claro. O candidato anti-Lula é também o candidato Opus Dei, que é quanto basta para preferir qualquer outro (veja-se o que está a acontecer no Reino Unido) e para se perceber melhor este tipo de jogada traiçoeira em véspera de eleições.

Fodder for museums

«The issue is not just the contrast between the mellifluous, musical accent of Brazil — “Portuguese with sugar,” in the words of the 19th-century realist Eça de Queiroz — and the clipped, almost guttural sound in Portugal. There are also marked differences in usage that have traditionally led to misunderstandings and provided fodder for jokes. In Portugal, for example, a word for a line (the waiting kind) is to Brazilians a derogatory slang term for a homosexual.»
Por acaso este exemplo é só mais um dos que se desactualizaram face à brasileirização portuguesa. E isso não é uma coisa má, tal como este artigo do The New York Times (descoberto via DN), a propósito do Museu da Língua Portuguesa inaugurado este ano em São Paulo, e já o mais visitado do Brasil. Mas as influências intralusófonas não se fazem num só sentido, no excelente "Cuidado com a língua" da RTP, exibido na semana passada, fiquei a saber que o termo "arruada", popularizado nas últimos eleições portuguesas, é considerado um neologismo com origem no galego "ruada". A língua não está morta, e definitivamente não é "espanhol mal falado" (como segundo o NYT algumas pessoas falantes dessa lengalenga repetitiva de apenas 5 vogais, com origem no calão militar latino, parecem acreditar). Mas mesmo assim já se prepara novo museu de conservação da dita, agora em Lisboa, just in case.

sexta-feira, outubro 27, 2006

Nicarágua, o paraíso pró-vida na terra

«Depois de semanas de debates, o Congresso da Nicarágua aprovou nesta quinta-feira uma lei que proíbe todo tipo de aborto. Estão incluídos na proibição até os casos em que a gravidez decorre de violência sexual ou em que a vida da mãe corre perigo.

O projeto de lei foi aprovado por 59 votos a favor e nenhum contra. Sete deputados se abstiveram de votar, e outros 29 não compareceram à sessão.»


«Estima-se que anualmente se façam cerca de 32.000 abortos clandestinos na Nicarágua sem quaisquer condições de segurança ou salubridade, enquanto foram levados a cabo somente 24 abortos legalmente autorizados nos últimos três anos, incluindo o de uma menina de 9 anos que tinha sido violada em 2003 mas que, segundo a nova lei, não poderia agora abortar.»
Ah, e não se deixem enganar pelo arco-íris do brasão de armas nicaraguano, a homossexualidade também é ilegal. Das Neves, Teté, Pegado, esperais o quê? Nicarágua já!

PS: Também era giro fazer um badge pró-escolha a partir do brasão nicaraguano, substituindo as inscrições actuais por algo como "Porque não estamos na Nicarágua - Voto Sim". Percebesse eu alguma coisa de photoshops e afins...

PPS: Obrigadíssimo à Shyznogud e ao Jonas, era exactamente isto que queria:


Atentado ambiental no Porto

quinta-feira, outubro 26, 2006

Páginas Verdes

Só depois de ver a fantástica primeira página do The Independent de hoje, dedicada a uma série de medidas contra a alteração climática, vi a do Público, mais verde que nunca. O engano durou pouco, afinal no Público era só publicidade...

Addicted to Google

Há já muito tempo que procurava um agregador de novas, por lhes conhecer as vantagens teóricas. Mas na prática tanto o Bloglines como o Kinja, falharam na missão de me convencerem e fidelizarem. Será alguma incompatibilidade estética talvez, mas experimentado o Google Reader não quero eu outra coisa. Para quem não sabe todos estes sites permitem guardar os nossos blogs ou sites noticiosos favoritos, avisando quando à coisas novas on-line. Dependendo do site, a nova poderá ou não ser lida por inteiro no agregador sem sequer termos que ir ao blog original. É perfeito para não perdermos pitada dos blogs que não visitamos diariamente por não terem actualização diária ou constante. Adicionar novos blogs à nossa conta do Google Reader é facílimo com o Firefox, basta clicar no botãozinho laranja à direita da barra de endereço e adicionar. Por último há ainda a registar a opção de tornarmos públias as nossas novas favoritas, melhor ainda, até de criar caixas das nossas novas favoritas que podem ser colocadas nos blogs. Já faltou mais para que "google" seja sinónimo de "internet". O plano de dominação global avança a passos largos, este post é apenas mais um humilde contributo para a ditadura googliana que se avizinha.

PS: Entretanto na barra lateral, a título experimental, adicionei uma caixa com os posts cuja leitura me parece mais recomendável. Não sei ainda se está ali para ficar, até porque tem revelado algumas falhas de funcionamento, mas para já parece-me uma óptima forma de sugerir leituras, melhor que a lista de blogs em bruto...

Velha Jérsia

Direitos iguais, reconhecimento e tratamento públicos diferentes. O Supremo Tribunal de Nova Jérsia deu até abril para os legisladores do Garden State garantirem que casais homossexuais tenham os mesmos direitos que os casais heterossexuais. Apesar da porta do casamento continuar aberta, a sentença escancarou a da parceria civil, e já se sabe que os políticos nestas coisas preferem sempre a trabalheira de criar uma lei especial do zero, a fazer uma simples alteração na lei já existente. Dado o contexto actual nos EUA a notícia é boa, mas não deixa de ser frouxa e um mau exemplo. Mau exemplo com muitos adeptos na África do Sul, dispostos a desafiar a ordem clara do tribunal sul-africano, que não abria nenhuma outra porta que não a igualdade plena, ou seja, casamento com as letras todas.

terça-feira, outubro 24, 2006

A sondagem da Católica parte 3

O Pedro Magalhães já respondeu ao meu último post. Agradeço a resposta, mas continuo intrigado. É que se justifica bem as vantagens de dar várias hipóteses de resposta a uma pergunta, continua sem conseguir explicar o porquê de em todas as do inquérito em causa, só esta ter merecido tal consideração. Por exemplo, seria pertinente perguntar se as pessoas que defendem a educação sexual nas escolas o defendem a título opcional ou obrigatório. Aliás, em relação ao tema da eutanásia podemos considerar que foram analisadas outras nuances, com recurso não à multiplicação de hipóteses de resposta, mas sim à multiplicação de perguntas: "A eutanásia deve ser legal?" e "Se em coma, a pedido dos familiares". Aliás, é exactamente isto que é feito no estudo americano que me indica no seu post. Neste caso alguém a favor do casamento e da união de facto, por exemplo, pode expressar-se positivamente em relação a ambas. No caso do estudo da Católica teve que escolher, mas se calhar essa escolha significa apenas uma preferência, e não uma rejeição das outras hipóteses. É aqui que está o busílis, diria eu.

PS: Eu não sugeri que a Católica não devia fazer estudos em determinadas áreas, apenas que se calhar às vezes é melhor não dizer nos telefonemas que "é para a Católica", só isso.

PS: Agradeço mais uma vez ao Pedro Magalhães a rápida resposta, agora por mail, e esclareço que ao contrário do que pensava esta sondagem não foi feita por telefone.

Tag: iberismo

Esta funcionalidade das tags é fantástica, a gota que me convenceu a mudar para o copo da Beta Blogger. A nuvem de tags que temos ao fundo da barra lateral então, é uma maravilha. E nela se vê o quão popular é a tag "espanha" por estas bandas. Mas talvez seja a hora de corrigir o seu uso, é que "iberismo" será mais adequado para classificar alguns dos "posts espanhóis". Assunto de resto cada vez mais na berra. No domingo o Público trazia amplo dossiê dedicado ao tema, e no dia em que se sabe que os portugueses são a maior comunidade da UE a residir em Espanha, em Cáceres discute-se a "percepção pública da homossexualidade em Portugal e Espanha: orgulho ou preconceito?".

Não vejo problema nenhum em que o tema seja discutido, debatido, aprofundado... Só me aborrece que se promovam falácias como a defendida por Saramago, Santiago Petschen e mesmo por Pasqual Maragall. Falo da ideia de que Portugal constituiria nessa hipotética união ibérica a mais numerosa comunidade, isto porque Castela afinal tem menos de 2 milhões de habitantes. Pois, mas castelhanos (sensu lato), do lado de lá, são quase todos. Ou será mais diferente um extremenho de um aragonês do que um minhoto de um algarvio? Até porque como dizia um editorial do DN, se formos por aí, então "não fará falta qualquer federação ibérica se passarmos a olhar para Espanha através das suas várias capitais e não apenas Madrid".

Ainda a sondagem da Católica

O Margens de Erro sai em defesa da sondagem, nomeadamente face às críticas apresentadas pelo Miguel e por mim. No entanto continua sem responder àquela que me parece ser a principal, porquê é que a questão do casamento foi a única nesta sondagem a merecer mais hipóteses de resposta que o "sim ou não" de todas as outras? Razão pela qual nem pode ser incluída nos gráficos que o Pedro Magalhães recomenda.

De resto ninguém duvida que o país onde estamos é homofóbico. Como bem diz a ILGA em comunicado, não é o casamento entre pessoas do mesmo sexo a questão fracturante, o que fractura o país é a homofobia, sendo as respostas à questão do casamento apenas um dos sintomas disso mesmo. Agora o que mais me fez desconfiar desta sondagem é a ligeira evolução negativa que ela representa face à anterior. Pois se o país é homofóbico, não é menos verdade que nos últimos anos (sobretudo nos últimos dois) se tem assistido a muitas alterações positivas na forma como as pessoas encaram a homossexualidade e @s homossexuais. Esta sensação não sou só eu que a tenho, e por isso estranho não a ver reflectida na sondagem da Católica, mesmo com todos os cuidados de comparar sondagens com metodologias bem diferentes.

Quanto ao mais o problema não é, claro, a sondagem, o problema é que quem tem nas mãos a faca para cortar este queijo recusa-se a fazê-lo. E já agora, sim a igreja tem mesmo uma embirração especial contra os gays. À excepção do aborto, nenhuma outra oposição da igreja é tão visível nos média como a contínua campanha contra qualquer tipo de reconhecimento das uniões homossexuais. Mas não é o nome da universidade o problema maior deste estudo, embora seja uma questão que não deva ser menosprezada, até porque é fácil evitar esse possível factor de distorção em futuros inquéritos.

Tuguismo sick

Parece que o "Eixo do Mal" da SIC e o "Inimigo Público" do Público se uniram para escolher "O Pior Português de Sempre", uma inversão do programa da RTP, "Grandes Portugueses". Até aqui tudo bem. O pior é que, mais uma vez, a figura de D. Sebastião serve para aliviar a homofobiazinha costumeira:
«Que político mais contribuiu para a ruína do nosso País?
D. Sebastião
O sodomita irresponsável que afundou Portugal em Alcácer-Quibir e criou o sebastianismo, sentimento que infecta Portugal há 5 séculos, como um cancro.»
A sério? Então afundou-se em Alcácer-Quibir por ser sodomita? Eu que achava que era por ser um fundamentalista católico, educado e (diz-se) violado repetidamente pela padralhada desde terra idade. E se bem me lembro também, o sebastianismo quem o criou foram os fundamentalistas católicos sobreviventes que a ele rezam desde o desaparecimento. Mas isto são achanços meus, que, por outro lado, acho cada vez menos graça às graçolas fáceis destes humoristas arruínados à nascença, por culpa exclusiva, é claro, de um teenager gay, há séculos morto em Marrocos.

PS: E digam lá se há figura mais tuga que o pobre do Sebastiãzinho? Fruto de incestos vários, bisneto de Joana a louca (I de Castela), criado por jesuítas, abusado sexualmente pelos mesmos, feito rei aos 3 anos, sanguinário, islamofóbico, fanático católico e gay. Definitivamente merece o meu voto, e não é p'ra palhaçada da SIC, é mesmo para a da RTP.

Join the party

Firefox 2

Bichas em exibição no Museu de História Natural de Oslo

"Contra-natura? - uma exposição sobre homossexualidade animal" está em exibição no Museu de História Natural de Oslo desde dia 12, e por lá ficará até Agosto do próximo ano. Via Chuza!.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Gladiador-a-dias


Lembram-se do cleaning hunk (bonzão das limpezas)? Agora há mais dois, que vêm ilustrar fantasias há muito sonhadas por tod@s: um gladiador a limpar o quarto de banho ou um cowboy a tratar da cozinha, entre outras. Para quem gosta do género publicitário, saiba que o rapaz da Philips que dá conselhos sobre depilação masculina ainda é o mesmo, para ver ou rever aqui.

sábado, outubro 21, 2006

Até quando nos sujeitaremos a ter que ler estas coisas?

Editorial de hoje do El País:
«La frontera del aborto

(...) Convocado tras un pacto vergonzante para aplacar la ira de la Iglesia católica y del ultraconservador lobby médico, ante una reforma progresista de la ley que había aprobado ya el Parlamento, aquel referéndum sólo sirvió para dividir al país y perpetuar una situación humillante para las mujeres que se mantiene hasta hoy mismo, cuando apenas 1.000 de las 20.000 portuguesas que abortan cada año lo hacen de manera legal y segura. El resto recurre bien a clínicas privadas ilegales, bien a clínicas legales españolas, en el mejor de los casos; y en el peor, a métodos caseros, llenos de riesgos: 11.000 mujeres ingresan cada año en urgencias declarando haber sufrido abortos espontáneos para evitar ser perseguidas judicialmente. Desde 2002, 40 mujeres y profesionales de la salud han sido procesados por abortos ilegales. (...)

Las mujeres portuguesas no pueden seguir sometidas a una legislación anacrónica, peligrosa y humillante, y Portugal no debe permitirse presidir la Unión Europea en el segundo semestre de 2007 sin resolver esa injusticia.»

Mais uma prenda para o PS

Depois da Opus Dei, perdão, Gay, é a vez da Universidade Católica. O Miguel diz praticamente tudo o que há a dizer, mas não resisto a dar mais algumas achegas.

Comecemos pelo princípio: «Portugueses ainda perfilham moral tradicionalista» titula o Público, para logo se ler «Legalização da prostituição, eutanásia activa a pedido de doente incurável ou com doença dolorosa, introdução do sacerdócio feminino. Eis algumas causas fracturantes que, mesmo não estando actualmente na agenda política, recebem apoio maioritário dos portugueses, de acordo com uma sondagem da Universidade Católica (...)». Eh lá, é isto a moral tradicionalista afinal? E a sondagem deu para meter isto tudo numa só? E "fracturantes" já nem leva aspas, repararam?

Imagino a confusão que terá sido o telefonema de quem respondeu à sondagem. (Ainda há pouco tive o azar de levar com uma sobre telemóveis que prometia ser curta, e nunca mais acabava, estas sumarentas nunca me calham, raios!) E como se a confusão de temas não fosse por si só suficiente para enviesar os resultados, ainda há a parte do "podia responder a umas perguntinhas duma sondagem p'ra Católica?", que inibe qualquer devoto a dizer o que realmente lhe vai na alma.

Mas vamos imaginar que a sondagem correspondia à realidade, nela não veríamos grandes diferenças (no que toca ao casamento entre pessoas do mesmo sexo) face à única outra sondagem que conheço sobre o tema feita no país, a da Aximage de 2004. Embora nesta as alternativas fossem casamento (35,3%) ou não-casamento (53,8%). E nestas coisas de sondagens sobre temas que não estão em "campanha eleitoral" o modo como é feita a pergunta e as hipóteses dadas podem ser a diferença entre 30 ou 60%. Porque o que as pessoas querem é despachar o telefonema, e seguirem com os seus afazeres. Mas supondo então que a coisa pouco ou nada tinha mudado, excepto, de acordo com a Católica, nas camadas mais jovens, com grande aceitação quer do casamento, quer da adopção por casais homossexuais. Porque não "mudaram as mentalidades" nestes 2 anos? Porque não são os resultados semelhantes ao das sondagens espanholas?

Parece-me fácil a resposta, por culpa do PS! As associações LGBT, os blogs, os artigos de jornal, podem e têm feito muita coisa, mas o seu alvo é necessariamente limitado. O que falta no país é um discurso político mainstream pró-casamento, claro e convincente, e isso, só o PS está em condições de dar. E que faz o PS? Fica embaraçado se lhe perguntam do tema, adia, dá o dito por não dito, patrocina "activistas gay" que não querem casamento... Esta sondagem, que é um óptimo presente e desculpa para o PS adiar ainda mais as suas envergonhadas promessas, é da sua absoluta culpa. O que o PS devia pensar é que se sem mesmo nada fazer as "mentalidades" já estão assim, seria tão fácil contribuir para "mudanças" mais alargadas...

sexta-feira, outubro 20, 2006

A homofobia é tão gay

Parece que finalmente a homossexualidade de Jarosław Kaczyński, primeiro-ministro polaco e irmão gémeo do presidente Lech, é abertamente falada na Polónia. O homem responsável pela crescente onda de homofobia no país, que conduziu a repressões violentas de marchas LGBT pacíficas, promoção de marchas homofóbicas da extrema-direita, encerramento de bares, perseguições policiais de activistas etc etc é obviamente gay ele próprio. É claro que há heterossexuais homofóbicos, mas nunca fazem disso "a sua marca". Um militante da homofobia, alguém suficientemente obcecado para, p.ex., falar sempre disso nos seus artigos no jornal ou num qualquer blog, não pode ser heterossexual. Um heterossexual, mesmo que homofóbico, tem mais em que pensar. Este caso polaco é só mais um que vem provar esta ideia, vários outros semelhantes se têm visto na política norte-americana. Mas confesso que este me dá especial gozo. Agora espero pelo Lech, que se vai safando por ser casado com uma mulher, mas...

É a vida senhores, é a vida...

O Heliocóptero vem lembrar um caso das últimas eleições presidenciais americanas que vem bem a propósito do próximo referendo em Portugal. Trata-se da ameaça de excomunhão que a ICAR americana fez pender sobre alguns dos seus membros por serem pró-escolha enquanto candidatos a cargos políticos. A ameaça não se cumpriu, mas fez mossa em algumas campanhas, nomeadamente na de Kerry, rival de George W. Bush. A ICAR americana prejudicou claramente um candidato católico pró-escolha em favor de um candidato cristão, mas não católico, pró-guerra, pró-poluição (embora não tanto como Durão Barroso) e recordista na assinatura de ordens de execuções enquanto governador do Texas. Pois, a ICAR é pró-paz, anti-pena de morte e vagamente pró-ambiente, mas tudo isso se torna irrelevante se o assunto é IVG. Tal como aliás, a vida da mulher (mesmo quando o feto é anencéfalo).

Eu peço ao papa que denuncie os casos de pedofilia que conhece*

«Papa pede a italianos que combatam amor "desviante"»

Ora nem mais!

«Veterana nos debates sobre o tema, a comunista Odete Santos subiu à tribuna para defender a posição do PCP de que deveria ser o Parlamento a mudar a lei, sem recurso a referendo. "Ainda se convoca a praça pública para perguntar se a mulher que aborta é ou não criminosa", referiu.»
Só fico com pena que o PCP não tenha decidido apresentar formalmente esta proposta de pergunta (como fez o CDS), pensando bem, a mais honesta e rigorosa. E que teria como única desvantagem inverter os actuais campos do Sim e do Não. Não era grave.

quinta-feira, outubro 19, 2006

"Fora da Lei" no doclisboa 2006

Estreia no sábado, às 18h30 na Culturgest, o documentário de Leonor Areal sobre o "caso" Teresa e Lena. Mais sobre o filme aqui, e sobre o festival aqui.

Ainda sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo, e também em Lisboa, há um ciclo de debates organizado pelo Miguel Vale de Almeida na livraria Almedina, o primeiro é já amanhã.

A Renascença afia as garras

Já toda a gente deve ter visto a campanha publicitária que a Rádio Renascença - Emissora Católica Portuguesa lançou nas televisões e jornais. Mesmo a calhar, a tempo de fazer subir um pouquito as audiências (pelo menos as que sejam capazes de sobreviver ao terço das 18h30) em plena pré-campanha para o referendo à IVG. A imagem que ilustra este post, onde se vê uma mulher com barriga de quem está prestes a dar à luz e um feto com pelo menos umas 18 semanas, foi também escolhida pela Renascença para ilustrar uma "notícia" no seu site sobre o referendo do sim ou não à despenalização da IVG até às 10 semanas.

A "notícia" é gira e começa assim: «Tem mais de um ano, evitava o referendo, e caiu no esquecimento pela mão do PS: uma proposta de projecto de lei que tinha como objectivo livrar da cadeia as mulheres acusadas do crime de aborto.» Mas tenho eu ouvido falar noutra coisa a não ser este disparate de manter a lei, criar mecanismos que impeçam a sua aplicação nos tribunais, mas mantendo também o aborto clandestino como única possibilidade de abortar? (O tal que só em 2005 levou 10511 mulheres a receberem tratamento hospitalar.) Mas para a Renascença isto é coisa boa e coisa não suficientemente propagandeada, e mais, evitava o referendo. O que evitava o referendo sei eu, e não é esta treta da "legião de Maria" do PS, também acarinhada por gente como Portas e Marcelo. Mas a onda na Renascença não é, nem nunca foi, a de informar, é converter, e rezar, rezar muito!

quarta-feira, outubro 18, 2006

Como com a electricidade? Nem pensar!

O CDS, o partido lança-chamas da política portuguesa, vem lançar mais uma para a confusão, o seu objectivo principal. O CDS não percebe o português da pergunta proposta pelo PS para o referendo sobre a IVG, e por isso sugere o seu portuñol. A pergunta do PS é: "Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?".

A primeira objecção do CDS é com "despenalização", que entende dever ser "liberalização". Perdon? Pois, isso mesmo, "liberalização", uma palavra que nos tempos que correm lembra sobretudo o fim de monopólios estatais e privatizações. Assim como se fez com o mercado da electricidade, conduzindo ao anunciado aumento de 15,7% nas facturas! Aliás, tudo coisas a que o CDS costuma ser super a favor, o que poderia suscitar confusões várias dentro do seu próprio eleitorado na hora de votar. Better not, ok? O que é penalizado e feito no privado, despenaliza-se e faz-se nos hospitais públicos, é essa a ideia, capice?

Depois diz o CDS que se deve usar "aborto" e não "interrupção voluntária da gravidez". Aborto é a expressão mais usada, concedo, aliás, eu próprio a uso - até porque não quero que só páginas anti-escolha sejam googladas com essa palavra-chave, sem dúvida a mais procurada. Mas ser muito usada não significa ser rigorosa, como compete ser a língua de coisas como referendos. É que se o CDS não sabe eu explico, em rigor "aborto" é o feto abortado num "abortamento". O acto que interrompe a gravidez é então o abortamento, e o seu resultado o aborto. "Liberalizar o aborto" proporciona então interpretações como "privatizar fetos abortados", e não é isso que se pretende. Se o CDS não entende bem a pergunta sugerida pelo PS a solução é mesmo voltar à escola.

Chega de ingenuidades, de uma vez por todas: não é o feto que está em causa

As discussões sobre a IVG agastam-me, cansam-me, aborrecem-me... Tidas tantas vezes, já só tenho pachorra para discutir estratégias, denunciar esquemas do Não etc. Mas volta e meia lá tenho eu que levar com a estória do feto que "é um ser humano pequenino", que nem se vê, mas merece mais atenção que, por exemplo, as 15 mil crianças institucionalizadas neste país. De uma vez por todas, não é isso que está em causa neste referendo.

Alguém que efectivamente acredite na teoria do feto = pessoa não se poderia limitar a votar não no próximo referendo, teria que dizer não à actual lei. A actual lei prevê, por exemplo, que a mulher possa abortar quando a gravidez é fruto de uma violação. Esse feto abortado legalmente é exactamente igual aos fetos abortados ilegalmente, resultantes de relações sexuais consentidas. É esta excepção à criminalização do aborto que melhor explica e ilustra o que efectivamente está em jogo quando se fala da IVG, que "valores" afinal são estes que movem o Não.

A maior parte das pessoas partidárias do Não é favorável a esta excepção, e o motivo que é dado é este: "a mulher não teve culpa". Ou seja, nos restantes casos "a mulher tem culpa". E tem culpa, porque teve sexo, e se teve sexo deve arcar com as consequências, e as consequências do sexo devem ser filhos, aliás, única razão pela qual se deve ter sexo. São estes então os valores do Não.

Se a preocupação fossem os fetos, procurar-se-iam estratégias que reduzissem o número de abortos. Educação sexual nas escolas, acesso facilitado a meios contraceptivos etc. Enfim, tudo coisas que encontram sempre como obstáculos os partidários do Não. Aliás, rapidamente se chegaria à conclusão que o país a imitar seria a Holanda, o país europeu com menos abortos realizados, e não por acaso, o país que penaliza o aborto num menor número de situações (o "aborto livre" é coisa que só existe em algumas cabecinhas menos saudáveis).

Mas não é nada disso que está em causa. O papel da mulher na sociedade é o que se referenda em Janeiro próximo. Deve a mulher ter direito a uma vida sexual orientada pelo seu desejo de prazer (como sempre fez o homem), ou deve a mulher limitar-se ao papel de mãe e esposa?

Quase metade dos espanhóis deseja a anexação de Portugal

«Quase metade dos espanhóis, 45,7 por cento, quer a união entre Portugal e Espanha, com a maioria a defender que o novo país deve chamar-se Espanha, ter Madrid como capital e manter o regime monárquico, de acordo com uma sondagem.»
Quase se podia dizer que a sondagem do El Sol abriu uma caixa de pandora. Mas será antes o caso de confirmar suspeitas de sempre. Nem era preciso uma sondagem do lado de lá, o empolgamento com que os supostos 28% de portugueses iberistas foi recebida pela comunicação social espanhola, que só se lembra de Portugal quando há algum desastre ou alguma eleição, eliminava qualquer dúvida. Aquele rectângulozinho no mapa incomoda qualquer uno...

Mas nisto de tiques imperialistas estamos todos bem servidos. É que a sondagem do Sol não se resumia a perguntar por Espanha, apesar de só disso se ter falado. Razão pela qual me passou ao lado o resto da dita, bem mais interessante diga-se, que encontrei por mero acaso:
«2.) Portugal e as ex-colónias:

3.1.) Deveriam ter apenas as tradicionais relações entre estados independentes?
Sim 64,6% - Não 26,2%

3.2.) Deveriam constituir uma comunidade ou federação de estados?
Sim 38,2% - Não 49,7%

3.3.) Deveriam permanecer sob o domínio de Portugal?
Sim 21,1% - Não 70,5%»
Fiquei sem perceber bem se a indiferença face a estes resultados se deveu a serem demasiado sensíveis ou por outra, previsíveis. Mas parecem bem mais interessantes e dignos de aprofundamento que os outros, por não se deverem sobretudo a circunstâncias económicas. Os resultados da pergunta 3.2 são ainda mais intrigantes se confrontados com estes:
« 3.1.) Portugal perdeu ou ganhou com a entrada na união europeia?

Ganhou 51,7% - Perdeu 24,6% - Nem ganhou, nem perdeu 20,9%»
Ou seja, quase metade não vê vantagens na adesão à UE (na maior parte dos domínios a maioria diz que o país está pior que há 20 anos, excepto no que toca ao prestígio internacional). E pelos vistos 40% estaria disposto a formar uma união semelhante, mas com os PALOP. Mas tal como o entusiasmo espanhol com o iberismo parece ser bem maior que o português, o inverso deverá acontecer com os PALOP face a uma união com Portugal (salvo alguma excepção insular). Parece-me que no logo comemorativo do 50º aniversário da União Europeia Portugal só se irá rever na parte que diz "1957".

terça-feira, outubro 17, 2006

Little Miss Sunshine

Little Miss Sunshine é um filme fabuloso que estreou nas salas nacionais na semana passada com o nome "Uma Família À Beira De Um Ataque de Nervos". O título em português pode sugerir imagens menos abonatórias mas esta é uma história muito bem conseguida que se desenrola sem desiludir. Uma família em que toda a gente tem que lidar com problemas difíceis decide partir numa viagem para que Olive, a filha mais nova, possa participar num concurso de beleza - Little Miss Sunshine. Durante a viagem acompanhamos os momentos de tensão entre os vários personagens e o humor simples, que só ligeiramente roça situações mais clichés, vai-nos aconchegando durante todo o filme, subindo a fasquia aos poucos até nos conquistar por completo no final. E mesmo por entre as gargalhadas descobrimos os medos destas pessoas, as suas desilusões e toda aquela camada depressiva que parece estar dormente, à espera da ruptura, do desabafo violento.

Se ainda não foram ver recomendo que não percam a oportunidade.

The Catherine Tate Show


Passa aos domingos à noite na 2: e é de morrer de riso. A Lauren consegue ser ainda melhor que a Vicky Pollard do Little Britain. Se duvidam vejam também este.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Porque é que a lei devia ter sido alterada sem novo referendo?

«"Faz-se campanha a dizer: «Vamos ouvir os portugueses» e ainda os portugueses não foram ouvidos, nem sequer se votou a pergunta e já o ministro António Costa veio dizer que mesmo que eles digam «sim» e não votarem 50%, faz-se a lei à mesma. E se votarem «não» e não houver 50%? Então não devia fazer a lei. Se o importante é haver 50%, isso vale para o «sim» como para o «não». Ele não pensou no que disse", refere Marcelo [Rebelo de Sousa].»
Acho piada a esta ideia, "se o referendo não for vinculativo a lei não deve mudar", é gira. Ou seja, se a abstenção ganhar, quem ganha afinal é o Não. A ideia não é nova, foi aliás esta a tese vencedora em 1998. E o grande erro do PS, engolir esta treta como válida. Se o referendo não é vinculativo, tal acontece porque as pessoas não se interessaram o suficiente por ele, ou seja remetem a decisão para a assembleia. E era lá que a lei devia ter sido aprovada há quase 10 anos. Não foi, e por erros consecutivos do PS teremos em breve novo referendo. Que não se repitam os erros. É que toda a gente sabe, por vários estudos e sondagens feitos ao longo de anos, que se as pessoas forem votar a vitória do Sim é certa. Uma abstenção alta aliada a esta deturpação do sentido da mesma é a única hipótese para o Não. É por isso que a Igreja vai dizendo que não tem posição oficial, que Portas e Marcelo apostam no Nim (pela lei actual, mas contra a sua aplicação) e Pegado e Teté querem calar o primeiro-ministro. A vitória do Sim passa então por garantir uma participação elevada no dia do referendo, mas também deve deixar claro o quanto antes que os não-votos não são votos Não.

Vota Sim

O blog que pretende reunir material de campanha para uso on-line já está activo. A falta de tempo tem-me impedido de arranjar melhor a coisa, mas os belíssimos banners do Pedro e do Eduardo já estão prontos a serem espalhados pela net fora. Mais uma vez, obrigado a ambos.

Afinal nem todos estão acomodados

«ILGA acusa governo de “falta de coragem” para alterar leis discriminatórias»

«JS mantém objectivo de agendar em 2007 diploma sobre casamento homossexual»

sexta-feira, outubro 13, 2006

Quando os interesses partidários são colocados à frente dos interesses do movimento LGBT

«O Partido Socialista não vai propor a adopção de crianças por pessoas do mesmo sexo ou o casamento de casais homossexuais antes de 2009. O membro da Opus Gay António Serzedelo compreende as razões da decisão, mas considera que três anos pode ser tempo de mais. (...) "Em todo o caso, parece-nos acertada, da parte do senhor primeiro-ministro (...)"

Para o activista, é preciso sensibilizar a opinião pública portuguesa e os próprios casais homossexuais antes de se tomar decisões. "Na verdade, é preciso construir a casa não pelo telhado mas começar a construí-la da base. Eu sou absolutamente a favor do casamento, absolutamente a favor da adopção, mas entendo que é um processo que tem de ser trabalhado junto da população, junto dos poderes locais, junto dos heterossexuais e até junto dos próprios gays.»
Rir para não chorar. Durante anos ouvi acusações mais ou menos gratuitas por parte deste senhor sobre a suposta "excessiva partidarização do movimento LGBT", acusações essas que tinham como único efeito a descredibilização do movimento. Curiosamente este é também (salvo erro) o único dirigente associativo LGBT que participou em eleições recentes, mais concretamente nas últimas autárquicas pelo Partido Socialista. Voilá, eis o resultado. Está feito o frete e para a generalidade da opinião pública, que não fará qualquer distinção entre uma associação LGBT e outra, os ditos LGBTs até estão satisfeitos. Obrigadinho sr. Sezerdelo, uma pena aquela estória do ficheiro dos sócios da Opus Gay se ter perdido, para sabermos ao certo quantos LGBTs estão satisfeitos com o governo socialista, mas pronto, pelo menos um está, não é mesmo?

PS: Mas entende-se perfeitamente que para Serzedelo o casamento entre pessoas do mesmo sexo não seja uma prioridade, afinal, Serzedelo até já é casado...

Sexta-feira 13

Acho que desisto deste país...

PS: Neste momento os três canais generalistas estão a exibir exactamente as mesmas imagens em directo de Fátima (suponho que algum aniversário de avistamentos óvnicos), e no curto espaço de tempo em que decidi apreciar a cena pude ouvir pequenos discursos anti-escolha e pró-castidade. Enfim, o tipo de caralhadas que os padres adoram vomitar dos altares quando se sabem filmados. Vá lá, desta vez pouparam as crianças, a 2: está a passar desenhos-animados. Polónia Ocidental, mesmo.

Hablemos entonces

quinta-feira, outubro 12, 2006

Fedele o infedele?


A TV italiana é uma festa. Como se não bastassem os programas "caça aos deputados consumidores de droga" (YouTube), há concursos como este, onde podemos ver a neta de Mussolini a fazer jus à ascendência que tem, numa alegre troca de piiiiiis com Vittorio Sgarbi, um ex-colaborador de Berlusconi, condenado por corrupção no ministério da cultura italiana. Via Chuza!.

quarta-feira, outubro 11, 2006

A RTP sugere: António de Oliveira Salazar

Afinal não resistiu, e o nome já foi acrescentado à lista. «Essa inércia diz o seguinte: foi um tempo em que não havia democracia, nem liberdade, mas havia estabilidade, autoridade e um viver modestamente, mas em equilíbrio económico e financeiro", explica Marcelo Rebelo de Sousa.» - ou por outras palavras, mas não distorcendo a mensagem do afilhadinho queerido do regime, a fome quando é diária torna-se vício, e não há liberdade ou democracia que lhe cheguem aos pés, em caso de dúvida, a porrada resolvia-a, para os casos de maior relutância, havia a Guiné ou o Tarrafal. Não é, de facto, um país para brincadeiras, mas fartam-se de gozar com a nossa cara...

PS: 'Bora rebentar com a caixa de correio do provedor?

Diz-se que o oxigénio também os tem ajudado a respirar melhor

Às vezes temos que ler as coisas duas ou três vezes até acreditarmos que foram mesmo escritas e publicadas tal como as lemos à primeira. Esta foi a manchete de ontem do Metro (clique na imagem para conseguir ler), diário gratuito de grande tiragem e audiência em Lisboa e Porto. O desenvolvimento que é dado não permite perceber se efectivamente Inês Fontinha (da associação anti-prostituição O Ninho) sugere que se deva terminar com os testes anónimos e gratuitos ao VIH, mas é claramente isso que faz o jornal. Como é possível tamanha irresponsabilidade, é a única coisa que ouso perguntar perante isto.

PS: Não é por acaso que Cavaco escolheu visitar esta associação numa altura em que o governo deu sinais de querer regulamentar a indústria do sexo em Portugal. Já não há caridade grátis, tanto Cavaco como a O Ninho deixam bem claro que exigem troco...

terça-feira, outubro 10, 2006

Jogos da Lusofonia, valha o YouTube


A ideia destes jogos pareceu-me óptima, simpática, gira enfim. Sem saudades do império, mas com desejos de valorização da língua que falo, Macau 2006 pareceu-me um óptimo veículo para isso mesmo. De resto a mascote é tão irresistível que até tive que a colocar ali ao lado, e vai-me custar horrores tirar o cachorrinho. Fica também no post para a posteridade. No entanto as duas principais potências da língua parecem estar pouco interessadas no caso. O Brasil nem se deu ao trabalho de mandar uma equipa de futebol, mesmo assim já lidera o quadro de medalhas e o Comitê Olímpico tem um site excelente sobre os jogos, mas nos média brasileiros parece-me que o acontecimento não existe. Em Portugal a coisa não está melhor, com a RTP a remeter a cobertura dos jogos para a RTP África e RTP Internacional. Quem não tem cabo ou satélite tem que se contentar com o YouTube (apresentação e abertura). Vou-me queixar ao provedor.

PS: Entretanto foi decidido que será Portugal a realizar a próxima edição, em 2009. Mas ainda não está definida a cidade. Os 3ºs deverão ser na Índia ou no Brasil, em 2013.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Ao menos escrevei um bilhetinho a explicar

Estratégias para o activismo online pró-escolha

O referendo aproxima-se a passos largos e não se nota, ou eu não noto, grande entusiasmo ou preparativos para o mesmo do lado do Sim. As razões são muitas, cansaço da discussão, cansaço de fazer trabalhos que competiam à assembleia, enfim... Mas o referendo é praticamente certo, e ao menos desta vez o secretário-geral do PS vai mesmo à luta. É essencial que nos mobilizemos o quanto antes, e que tenhamos noção do quão importante este referendo é para o futuro do país, muito para além do aborto. Isto é a oportunidade de mostrar que a sociedade progrediu, e que o peso político de certas entidades (terrenas ou não) está completamente sobreavaliado. É preciso pôr mãos à obra portanto. Um dos campos de batalha que não pode ser desprezado é este onde me lêem, lancemos então bits e bytes pró-escolha.

1) Banners e badges. O que está ali em cima é óptimo, encontrei-o no Arrastão, e como este encontram-se vários pela net, o problema é que estão todos em inglês. Há por aí boas pessoas com jeito para estas coisas, ou simplesmente com programas melhores que o paint, que queiram investir algum tempo nisto? Eu encarrego-me da sua publicação, aqui no renas, ou, se forem muitos, num site criado para o efeito. Deixo desde já algumas frases adaptadas de slogans anglófonos:

- És contra o aborto? Então não abortes!

- Se o feto for gay prometes continuar a defender os seus direitos?

- A tua religião fora do meu útero.

- Se és pró-guerra, anti-igualdade e achas que o buraco do ozono é inofensivo, como te podes chamar pró-vida?

- És pró-escolha ou pró-cabide?

- Maternidade responsável ou maternidade forçada? És tu que decides.

- IVG: em caso de dúvida vote SIM!

Este é último é da Manel. São só algumas sugestões, muitas outras frases são possíveis, nomeadamente específicas para os blogs: "Este blog é pró-escolha, vota sim".

2) Google. O Google é a porta de entrada na internet, e quem bate à porta a perguntar por "aborto" é muito mal encaminhado. Pesquisando na versão portuguesa o primeiro resultado é um manhosíssimo site brasileiro anti-escolha, depois as Women on Waves (associação holandesa), Aborto.com um site pró-escolha espanhol traduzido em português, depois novo site brasileiro anti-escolha e católico, depois um resultado do aeiou que remete para um site anti-escolha português e finalmente uma série de notícias fecham a primeira página de resultados. Ou seja, não só os sites anti-escolha ganham em número e posicionamento, como nenhum dos sites pró-escolha é português.

É urgente que haja conteúdo especificamente português (para assim poder responder a dúvidas sobre a legislação e realidade do país) de qualidade e, claro, pró-escolha. Se esse site já existe avisem-me por favor, que não está googlável. E como se googlaliza um site? Linkando-o fortemente. É por isso que ao descrever os resultados do Google tive o cuidade de linkar os pró-escolha, e não linkar nenhum dos machistas. Quanto mais linkado é um site, melhor posicionado surge no Google e outros motores de busca, tanto melhor se o link conter a palavra através da qual se pretende que o site seja googlado. 'Bora lá fazer listinhas de links pró-escolha nos blogs? Ou melhor ainda, sempre que escreveres a palavra "aborto" no teu blog ou site acrescenta-lhe um link pró-escolha.

3) Wikipédia. A Wikipédia aparece só na segunda página de resultados da busca por "aborto", mas facilmente surgirá na primeira. O problema é que o artigo sobre interrupção da gravidez está ainda longe da qualidade ideal. É óbvio que não estou a sugerir aqui que o transformemos em propaganda pró-escolha, não é isso que se espera de uma enciclopédia. Mas o artigo está ainda muito incompleto, e é quase nula a referência à situação portuguesa. Qualquer pessoa o pode editar, por isso mãos à obra, sim?

PS [às 21h50]: A primeira contribuição já chegou, é do Eduardo e brevemente estará disponível em diversos tamanhos em endereço a anunciar. Obrigado, está excelente!


Podes enviar mais para renaseveados[at]gmail.com.