quarta-feira, dezembro 13, 2006

Afinal era do soja

Malta, fomos apanhad@s! A direita americana descobriu o segredo do nosso plano para gayzificar o mundo: alimentar as crianças com soja para que se tornem gays. («Soy sauce is fine. Unlike soy milk, it's perfectly safe because it's fermented, which changes its molecular structure. Miso, natto and tempeh are also OK, but avoid tofu.») Upps, que fazer agora? Plano B, óleo de fígado de bacalhau?

PS: Pensando melhor, promover cultos evangélicos é capaz de dar mais resultado... Hmmm...

terça-feira, dezembro 12, 2006

Pedagogia para o Google

Conselho Económico e Social da ONU aprova estatuto consultivo para 3 organizações LGBT

Uma excelente notícia. Há que tempos que se andava a reivindicar isto, mas levando negas constantes dos EUA e países subdesenvolvidos. Os detalhes da aprovação no site oficial (onde se fica a saber que a Guiné-Bissau se absteve e a Rússia votou contra, entre outros). E as três felizes contempladas são: a ILGA Europe, que tem associadas portuguesas, a Lesben- und Schwulenverband in Deutschland (LSVD) da Alemanha e a Landsforeningen for Bøsser og Lesbiske (LBL) da Dinamarca. Parabéns!

PS: Este marco histórico poderá abrir as portas a outras organizações, como a neerlandesa COC Nederland, a mais antiga organização LGBT do mundo, tem exactamente a idade da ONU, e cuja candidatura ao Conselho será discutida no próximo ano.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Portuguese Gay Villages

De link em link fui parar ao artigo da Wikipédia sobre Vauxhall, cidade no Sul de Londres que de acordo com a BBC alberga a maior comunidade portuguesa do Reino Unido. Os dados não são os mais actuais, segundo notícias recentes o número total de portugueses no Reino Unido é já bem superior ao de britânicos em Portugal. Mas o que achei curioso foi descobrir que Vauxhall alberga também uma cena gay cada vez mais pujante, merecendo até o título de Gay Village.

Lembrei-me logo de P'Town, Massachusetts, EUA (e de que li primeiro n'Os Tempos que correm). Cidade onde 22,6% dos habitantes é descendente de portugueses, e que é também uma das mais conhecidas Gay Villages dos Estados Unidos.

Segundo a Wikipédia há ainda uma outra Gay Village portuguesa, o Príncipe Real em Lisboa. Alguém confirma? (Ou corrige a wiki...).

3 boas novas para começar a semana a sorrir

1) O ataque à legalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo no Canadá caiu em saco roto. Era previsível, era aliás o que queriam os conservadores, como antevi em Janeiro.

2) Não vejo a morte de Pinochet exactamente como uma boa notícia, pois afinal era já inofensivo e desta forma morre sem condenação. Mas que isso deixe Tatcher entristecida só nos pode aquecer o coração com sentimentos típicos da época. Poor Maggie...

3) Ironias polacas. O mais conservador, católico, nacionalista e populista governo da União Europeia enfrenta uma grave crise fruto de um escândalo, oh surpresa, de natureza carnal. Bastante carnuda aliás, já que Aneta Krawczyk garante ter subido na carreira à custa de se deitar com o ministro da agricultura e um deputado - desconhece-se se em simultâneo. Como se já não lhes bastasse ter um primeiro-ministro bicha.

domingo, dezembro 10, 2006

Homem de 4 anos acusado de assediar sexualmente a sua professora

Foi em Bellmead, Texas. E escrevi "homem" porque se às 10 semanas já são crianças, aos 4 anos (+ 9 meses) estão bem em idade de serem perigosos violadores.

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Jogo de Espelhos

Desde a passada sexta-feira que tenho adiado escrever sobre o documentário exibido pela RTP1, "Jogo de Espelhos" de Margarida Metello, sobre Gisberta, o seu assassinato e seus assassinos. Eu gostei muito, sóbrio, completo e capaz de dar a voz a todos os intervenientes e um rosto à vítima. Assim ficamos a saber que não é homicídio segundo a lei portuguesa se o corpo, que julgámos cadáver, ainda estiver vivo no momento de o atirarmos à água, com intenção de oculta-lo e não de mata-lo por afogamento. Isto porque não houve premeditação. Curiosa teoria se confrontada com a letra do rap mostrado no documentário, do grupo "The Gang", em que se prometiam varridelas das ruas, que incluiam a morte de "gunas e paneleiros". Este foi aliás o ponto mais revelador do documentário, eu que segui o caso com relativa atenção, nunca tinha ouvido isto e não imaginava que o grupo fosse organizado ao ponto e ter um nome, "The Gang", e de ter um discurso claramente de extrema-direita.

Este "The Gang" é fruto de um dos muitos orfanatos portugueses, dos quais pouco ou nada sabemos. As descrições do funcionamento da Oficina S. José foram arrepiantes. Milhares de crianças neste país vivem neste tipo de instituições, e é como se vivessem num universo paralelo, pouco se sabe e poucos se interessam. Não sabemos sequer o nome das instituições, só quando alguma tragédia por lá se passa é que os nomes chegam aos jornais e manchetes.

Bom, não há regra sem excepção. A Ajuda de Berço é uma dessas excepções, apesar da pequena dimensão (segundo o site oficial tem apenas 5 quartos), é imbatível no que toca ao mediatismo positivo. E é também a menina dos olhos dos movimentos pelo Não, que sempre a apontam como o seu grande feito (lembro que esta instituição nasceu destes movimentos depois de 1998). A lista de apoios, disponível no seu site, impressiona: RTP, SIC Mulher, Câmara Municipal de Lisboa, Swatch, Jogos Santa Casa, Pingo Doce, Montepio Geral, Banco Espírito Santo, Gelados Olá, Casino Estoril ou Patriarcado de Lisboa, entre vários outros. Sem esquecer, é claro, o Ministério da Segurança Social e do Trabalho.

Uma autêntica máquina de marketing, que conta ainda com uma linha telefónica de valor acrescentado, para donativos, ou venda de bonecos. Contraste absoluto com instituições que albergam muito mais crianças, mas que são completamente desconhecidas pela opinião pública. Mérito, é claro, a quem gere esta instituição. E provavelmente consequência natural de ser fruto de uma campanha política. Que de resto se mantém, no mesmo site encontramos ainda, logo na página principal, uma sugestão radiofónica, a Web Rádio Católica, "a primeira rádio pró-vida em Portugal" (sic).

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Plataforma Não Obrigada

Releio, mas continuo confuso. Sobretudo depois de ler isto. Afinal, antes obrigada que abortadeira. Deveria portanto ser "Plataforma Não, Obrigada". Mas isto levantaria outras dúvidas. O agradecimento parte de quem? E a quem é dirigido? Bom, parte de uma mulher, "obrigada", que agradece, mas rejeita, a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, subentende-se. Assim como, "Quer um bolinho? Não, obrigada.". Só que a despenalização não é um bolinho. Mas mesmo que tenhamos o mau gosto de o ver assim, como um bolinho, ele só é oferecido a quem aborta. Ou seja, não se trata de um "Quer abortar? Não, obrigada.". É antes um, "Abortou e não deve ser criminalizada por isso.". E respondem, "Não, obrigada."? Ou seja, quer ser criminalizada, é isso? É que minha amiga Plataforma, se não quer abortar é fácil, não aborte. E se abortando quiser ser criminalizada por isso, seja por favor mais clara na mensagem e dirija-se a quem de direito, pode ser mesmo a esquadra da área de residência, "Abortei, prendam-me e obrigada". Mas acima de tudo, deer Plat, ponha a porra de uma vírgula no nome, é que assim começo mesmo a desconfiar que só sendo obrigada alguém daria a cara por tal coisa.

Nos bares de alterne basta comprar uma bebida e a menina não é sorteada, é certa

«Ou então ligue 800 XXX XXX e habilita-se a ter a adaptação (serviço de troca do redutor) feita por uma miúda do gás.» E suponho que o último a ligar seja paneleiro, pelo que terá que levar com um miúdo da bilha. Via Womenage a Trois.

terça-feira, dezembro 05, 2006

O irlandês será a 21ª língua oficial da UE a 1 de Janeiro próximo


Além do búlgaro e do romeno, em virtude do novo alargamento a Leste, também o irlandês se juntará ao lote de idiomas oficiais da União Europeia em 2007. E digo irlandês porque o termo "gaélico" é usado para designar diferentes línguas celtas, incluindo o gaélico escocês ou o irlandês. Esta é uma óptima notícia para a primeira língua oficial da Irlanda, embora esteja hoje longe de ser a mais usada. A extinção chegou a parecer certa, mas medidas recentes de incentivo ao uso e aprendizagem estão a fazer ruir essas certezas. A oficialização a nível europeu é mais uma machadada nesse fatalismo. Claro que não faltará quem diga que será também uma machadada no orçamento da União. Ou a apontar a injustiça de línguas com muito mais falantes dentro da UE, como o árabe, o russo ou o catalão, continuarem à margem (quem quiser pesquisar sobre o tema tem na Wikipedia a melhor porta de entrada). E isto tudo veio a propósito desta belíssima curta-metragem que descobri no Chuza!.

"Sandes" por Veados Com Fome


Pergunta ingénua, haverá neste país banda com um nome mais giro? É que nem os Mão Morta! E ainda por cima rockalham de modo a fazer jus ao nome.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Pausa publicitária


Para ver mais uma campanha do tipo "bonzões seminus a trabalhar". Esta é da Reversa, uma marca de cremes para a pele canadiana, e pode ser escutada em inglês ou em francês do Quebeque.

O regresso à roda

«Os berçários para recolha de bebés abandonados, onde mães desesperadas podem deixar os recém-nascidos, já existem há seis anos na Alemanha mas continuam a ser controversos, sobretudo porque tudo decorre no anonimato. A primeira "Babyklappe", nome alemão que se atribuiu a estes berços, surgiu em Abril de 2000, em Hamburgo, e o Sternipark, associação de apoio à infância que a lançou, diz já ter salvo a vida, desde então, a 25 recém-nascidos.

O sucesso da "Babyklappe" em Hamburgo - entretanto já há duas na grande metrópole - teve repercussões, e já existem 78 berçários do mesmo género em toda a Alemanha.


(...) continuam a aparecer todos os anos, na Alemanha, 20 bebés abandonados mortos. "No entanto, nas zonas onde existem berçários para recolha de bebés abandonados, o número destes trágicos casos diminuiu significativamente", acrescentou o mesmo responsável.»
Desconheço os números portugueses, que provavelmente não serão sequer contabilizados oficialmente, mas no mínimo não ficam longe dos números alemães de 20 bebés abandonados por ano - a diferença maior está na população alemã, 8 vezes superior à portuguesa. Caixote do lixo, rua, rio, vivos ou mortos, as notícias estão sempre a aparecer nos jornais.

Em Portugal já houve "berçários", chamavam-se "casas da roda". Os bebés podiam ser deixados de forma anónima numa plataforma voltada para a rua, que sendo rodada levava o bebé para o interior, sem que ninguém visse o rosto de quem o colocou lá. Muitos destes bebés levavam o sobrenome "Exposto", nome também dado a estas casas. Tudo isto terminou há muito, mas não faria sentido voltar? (exceptuando o sobrenome, que servia apenas de estigma).

Os opositores na Alemanha dizem que os berçários "não salvam crianças e, ainda por cima, fazem com que haja mais crianças abandonadas". Será mesmo assim? E pondo a hipótese de ser assim, será preferível uma situação em que as pessoas só não abandonam os seus filhos por não haver forma anónima e legal de o fazer?

A secretária de Estado adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz, desafia a sociedade civil a debater a questão. E tal debate parece-me urgente e oportuno. Não só temos números de abandono semelhantes a países muito mais populosos, como ainda vivemos num país onde uma vez grávida, não resta à mulher outra alternativa legal que a de levar a gravidez até ao final (salvo raras excepções).

Casamentos pioneiros

Tony Halls e Vernon Gibbs casaram na passada sexta-feira na Cidade do Cabo, África do Sul. Os noivos, que adoptaram o sobrenome Halls-Gibbs, dedicaram o seu casamento a todas as vítimas do HIV e da discriminação homofóbica. Amantes da natureza, casaram com as roupas que vestem usualmente na Arendhoogte Guest Lodge, que gerem.
Sabrina Rivera e Ángela Idoate são as primeiras mulheres transexuais e lésbicas a casar em Espanha. "Simplemente, somos otra forma de familia", disseram as noivas. A celebração ocorreu sábado em Madrid.

sábado, dezembro 02, 2006

Quem deixou que a Floribella tramasse o Noddy?

Parecia que mais dia menos dia ia acontecer, mas não pude deixar de sentir um baque no estômago quando ao entrar no hipermercado vejo que os Noddys de peluche, os Noddys de borracha, as chávenas do Noddy, os Noddys insufláveis e até os livros e escovas de dentes do Noddy haviam sido substituídos, sem dó nem piedade, por parafernália idêntica, mas da Floribella. Só faltava mesmo o papel higiénico, único produto que consideraria comprar.

O Noddy ensinava as crianças a falarem inglês e o que ensina a Floribella? De todas as vezes que apanhei cenas da personagem das duas uma, ou estava a insultar/gritar com alguém, ou a mentir ao patrão que também quer engatar. Fora da série vende roupa, "peçam ao pai-natal as roupinhas quentinhas da Floribella, mas só se tiverem a etiqueta original". E as mães e pais deste país não a odeiam? O que mais falta?
A minha esperança na vingança fria que se impõe está depositada por inteiro no Bob, o construtor. E acho que não me vou desiludir...

PS: Por falar em programação infantil, daqui a nada vai começar o Festival Eurovisão da Canção Júnior, pela primeira vez com um concorrente da RTP. Eu não simpatizo nada com concursos de talentos infantis, tantos os casos de talentos júniores que viram traumas seniores, mas a verdade é que a canção portuguesa desta noite é bem melhor que as mais recentemente levadas à Eurovisão senior, nomeadamente aquela esganiçada há uns anos pela rapariga hoje conhecida como Flor.

Um Sim que mexe


1) O Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo Sim já tem blog.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Guy Love


Da comédia "Scrubs".

Dia de ficar no sofá a ver a RTP

A programação da RTP para esta noite promete. Às 22h45 passam "Jogo de Espelhos", uma reportagem sobre a Gisberta. Às 23h40 "O Principal Suspeito", a segunda parte de um policial protagonizado por Helen Mirren, quem viu ontem a primeira parte não vai querer perder o final. E à 1h35 passa "A Era da Sida", um dos vários documentários e programas especiais que vão passar por estes dias na televisão pública, sobretudo na 2:. Mas ainda há tempo para aproveitar o feriado da restauração da independência e ir fazer umas compritas ao El Corte Inglés.