quarta-feira, janeiro 24, 2007

Olhe que não, olhe que não

Puro masoquismo, ligo a tv antes das 13h e levo logo com o padre Borga a dizer "ainda bem que somos todos contra o aborto!". Fica a dúvida, estaria a referir-se aos funcionários da RTP? (E já agora, quanto é que o padre Borga r€c€b€ por promover os seus discos pimba e superstições diariamente na televisão pública?) Ou, será que o padre se referia a toda a gente envolvida na campanha, seja pelo Sim ou pelo Não?

É possível que fosse este o caso, tal a imagem de ultramoderação que o Sim se esforça por passar. Eu acho que estrategicamente é importante passar a imagem de que o Sim é o voto moderado, o voto do bom-senso, da responsabilidade. Mas muito cuidado com as cedências que se fazem ao Não. Pessoalmente não tenho qualquer objecção moral ou ética ao aborto voluntário no início da gravidez.

A única razão pela qual considero positiva a redução do número de abortos é por isso significar que menos mulheres são expostas aos riscos a ele subjacentes. Riscos esses que são a razão pela qual o aborto não deve ser usado ou promovido como método contraceptivo, mas antes como o "plano B", quando tudo o resto falha. Mas um plano B perfeitamente legítimo, tal como é perfeitamente legítimo que cientistas cultivem células humanas em caixas de petri ou clonem porcos com alguns genes humanos que possibilitem o desenvolvimento de órgãos aptos ao transplante para pessoas que deles necessitem. Conjuntos de células humanas vivas não são necessariamente seres humanos, é preciso bem mais que isso. Como bem escreve o Ricardo Alves, a vida não começa com a fecundação, transmite-se. E avaliar algo por aquilo que poderá vir a ser, em vez daquilo que é, não é mais que futurologia e crença. Sejamos racionais, sim?

terça-feira, janeiro 23, 2007

Minhot@s, isto também é convosco:

Basta!

A televisão pública, paga com os nossos impostos, promove uma "oportuna" (leia-se conveniente) entrevista ao sr. Policarpo com esta pergunta e resposta: "Será o ABORTO comparável ao TERRORISMO? O Papa Bento XVI diz que SIM.". De uma vez por todas basta! Basta de campanha pelo Não paga com os nossos impostos! Basta de "jornalistinhas" videntes armados em pastorinhos new age! Basta de sermos insultados e difamados pela televisão que pagamos do nosso bolso! Basta de propaganda no lugar da informação! BASTA! Foram ultrapassados todos os limites da decência democrática. Foram esquecidos todos os princípios do jornalismo. É o grau zero do que era suposto ser serviço público.

Marcelo Rebelo de Sousa, o abortista radical que gosta de mentiras

muito boa gente comentou o vídeo e site do comentarista pago com os seus impostos. Mas os ditos são tão, como dizer, inacreditáveis que não resisto a comentar. Marcelo defende a despenalização até às 18 semanas e por isso vota não. Marcelo é a pessoa mais feliz com o referendo, mas acha a pergunta mentirosa. Depois navega-se pelo site e descobrem-se coisas espantosas, como "Em 2005 houve 73 casos, e não milhares, de mulheres atendidas na sequência de aborto clandestinos." Porquê? Porque sim, porque Marcelo diz que sim e é quanto basta, não é preciso indicar fontes, nada, atira-se um número ao ar, contradizem-se os estudos elaborados, et voilá. Citações completamente descontextualizadas (sem sequer a indicação de onde e quando foram proferidas) também abundam. Só faltam mesmo a seriedade e a honestidade, mas não é isso que interessa, o que interessa é garantir a vitória do obscurantismo a qualquer preço, orgulhosamente sós na Europa - a cauda será sempre nossa!

PS: Que querida a RTP, no Jornal da Tarde de hoje até ensinou os espectadores a procurarem os vídeos do Marcelinho no YouTube. Digo vídeos porque há um novo onde Marcelo esclarece melhor a posição, é contra a penalização mas é a favor da clandestinidade. Abortai à vontade, mas longe da minha vista, mesmo que isso implique um prejuízo da vossa saúde... a minha vistinha é que não pode ser afectada.

E a Europa civilizada mira-nos com pena e convida-nos a juntarmo-nos ao grupo

«A eurodeputada socialista Edite Estrela divulgou ontem à noite, durante um debate realizado em Castelo Branco, que o Parlamento dinamarquês apelou ao "sim" no referendo sobre o aborto em Portugal. O documento, enviado à presidente da delegação portuguesa do grupo socialista no Parlamento Europeu "por uma colega dinamarquesa", foi definido como "um apelo subscrito por todos os partidos com assento no Parlamento dinamarquês".»

Na Dinamarca o aborto a pedido é permitido até às 12 semanas da gravidez. O país que em Portugal tem muitos fãs de direita pelo seu modelo de "flexisegurança" (mais pelo "flexi" do que pela "segurança"), tem uma das taxas de desemprego mais baixas do continente, uma das taxas de natalidade mais altas e é o país no mundo onde mais pessoas se declaram felizes. Escusado será dizer que Portugal é o mais infeliz da Europa Ocidental.

Amanhã

domingo, janeiro 21, 2007

RTP Não Não Não

Começa a ser escandalosa a cobertura da RTP à campanha para o referendo. Não tenho ligado muito às outras TVs, mas constatar que os meus impostos servem para financiar a propaganda do Não é de dar a volta ao estômago. É certo que já tiraram a imagem do recém-nascido do grafismo optando por um boletim de voto (até parece que lêem o renas), mas a expressão "referendo ao aborto" continua em alta, e as peças sobre o Não são sempre pelo menos o dobro (em número e tempo) que as do Sim. E além destas, como aponta o Miguel, seguem-se reportagens "inocentes" sobre partos em casa ou raparigas adolescentes que decidiram levar avante gravidezes não planeadas - good for them, sem ironia, só me pergunto, mas que raio tem isso a ver com o artigo que se referenda? Para os que não se lembram reza assim: «A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos.» Quem quer ter filhos pode continuar a tê-los e como bem entender, só não se quer obrigar ninguém a tê-los não os querendo, ok?

Mas não é só a RTP em alegre campanha pelo Não, o que me parece constituir uma grande diferença face a 98, altura em que a comunicação social esteve bem mais isenta. Nos tempos que correm qualquer indignação do CDS vale uma notícia, ora não sei quem que mandou uns mails, ora uma juíza que ousa ter opinião. Que se lixe a parte de haver na televisão pública um espaço diário da responsabilidade da ICAR em propaganda pelo Não desde que se começou a falar em referendo! E o sorriso enternecido de Judite Sousa ao apresentar uma peça sobre os betinhos beatos do "Diz que Não", a dizerem que iam ajudar as criancinhas, também é pago com os teus impostos! (By the way, alguém devia avisar essa miudagem que o RAP do Gato Fedorento vota Sim, pelo que convinha mudarem de nome). Mas deixemo-nos estar, cruzemos os braços como em 98... embalemo-nos no bonito discurso do "não partidarizem a campanha", que é o que mais se ouve nos últimos tempos, e vão ver a festa do CDS no dia 11 de Fevereiro.

PS: Incrível, não há mesmo pingo de vergonha. Hoje [22.01.2007] no Jornal da Tarde da RTP passaram duas peças sobre o referendo, a primeira sobre as declarações do bispo da Guarda (que o de Beja não interessava mostrar), que defende a pena capital para quem aborta, e depois um anúncio da caminhada pelo Não que vai haver em Lisboa. Reportagens sobre o Sim, zero! Não há mesmo vergonha! Já escreveste ao provedor?

O Não recomenda a Volkswagen

Dos Estados Unidos ao Brasil a Volkswagen esforça-se por transmitir uma imagem que faça esquecer as suas tenebrosas origens. Curiosamente em Portugal não há essa preocupação. Num anúncio a um seu modelo recente publicado em várias revistas lê-se: "Recomendado pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas". Associação esta com posições bem extremadas à direita e profundamente ligada ao movimento do Não - basta entrar no site, que por pudor não linko, para se constatar isso mesmo. Ou seja, o Não recomenda a Volkswagen, devemos então concluir que a Volkswagen recomenda o Não? Mais um palpite para a explicação do oceano de dinheiro onde navegam os movimentos pró-prisão.

Relaxe, mesmo que o Sim ganhe o país continuará na cauda da Europa

Acho piada quando ouço alguém, e já lhes perdi a conta, dizer que não é a favor da penalização, mas é contra a "liberalização total" (sic) e que por isso vota Não. Basta ver esta infografia das diferentes legislações europeias para se perceber que Portugal continuará a ter, mesmo com a vitória do Sim, das leis mais restritivas, já que o mais comum na Europa é o aborto a pedido até às 12 semanas. Na Suécia é até às 18, ficaremos então como a Eslovénia, o que não é mau, porque, e por falar em contas, na economia a Eslovénia já nos passou a perna há muito...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Homophobia's Anatomy


Acabei de ler que a série transmitida pela RTP "Grey's Anatomy" tem sensivelmente o dobro da audiência do "House M.D.", transmitida pela TVI. Claro que o horário de exibição não é alheio ao facto. É é precisamente em torno da "Anatomia de Grey" a mais recente polémica estelar americana, com o actor Patrick Dempsey à porrada com Isaiah Washington, por este último ter chamado "faggot" (paneleiro) a T.R. Knight, George O'Malley na série. Washington negou o insulto durante os Globos de Ouro, o que mereceu duras críticas de Katherine Heigl. Em cima, a versão de T.R. Knight no programa da Ellen DeGeneres.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Leituras obrigatórias

5 anos do julgamento da Maia, ver as reportagens do Público reproduzidas no blog do Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo Sim.

Os juízos dos juízes no Glória Fácil. Pergunta à f., mas há juízes não-escanzelados e não-franzinos? Ainda não conheci nenhum desses, mas juízes cujo maior problema existencial é o acne já tenho conhecido alguns, o que por si só é capaz de explicar muita coisa...

No Diário Ateísta óptimas postas sobre novas ficções, depois da "guerra ao natal" do Público, "o amuo de Ratzinger por causa de Sócrates" no Semanário. Especial atenção aos gráficos que mostram que a sociedade portuguesa está mais secularizada que a espanhola.

Digassim, o Prozac português

Fartinho que estou de ouvir o discurso do Portugal em depressão, dos portugueses tristes e das portuguesas desanimadas, fui procurar o remédio. Prozac, Fluoxetina, é o antidepressivo mais popular no mundo. Mas quase tombei quando descobri que um dos genéricos deste medicamento à venda em Portugal se chama, nem mais, DIGASSIM, e como se não bastasse, é produzido pelos Laboratórios Vitória! É que é isso mesmo, anime-se, DIGASSIM, VOTESSIM, e vai ver que o país arrebita! Alegria minha gente, SIM simplesmente!

Infelizmente o voto é secreto

«O cónego de Castelo de Vide, Portalegre, citou hoje o Código Canónico para afirmar que os cristãos que votem "sim" no referendo de 11 de Fevereiro serão alvo de "excomunhão automática".»
Uma vez mais pura hipocrisia. É óbvio que de acordo com o Código Canónico era isso que devia acontecer aos católicos que votem Sim. Lamentavelmente o voto é secreto. Sosseguem no entanto os católicos em campanha pública pelo Sim, mantereis o título ainda assim, por mais que grite o cónego de Castelo de Vide. À ICAR interessa que a ameaça paire sobre os devotos eleitores, a ver se alguns se assustam, mas nunca a executaria.

É a contagem muito por cima do número efectivo de católicos no país que lhe garante, à ICAR, todas as mordomias, privilégios, isenções fiscais e atenções mediáticas de que goza diariamente. Se de repente políticos, jornalistas e população em geral acordassem para a realidade de apenas pouco mais de 10% da população ter práticas religiosas católicas regularmente, tudo isso seria posto em causa. O país não mais seria classificado de "católico", a Concordata seria rasgada e a Laicidade do estado cumprida.

Paire a ameaça, mantenham-se as morais que nenhum católico cumpre ou segue, mas não se desconte nunca nenhuma alminha, por mais perdida, das contas dos súbditos de Nª Sª a ICAR toda poderosa. Basta olhar para Espanha, onde a apostasia se tem popularizado, i.e. o pedido voluntário de excomunhão, a tal ponto que a ICAR agora a recusa. Mesmo não querendo, católicos sereis até morrer.

Mas claro que podem sempre tentar escrever ao bispo a anunciar o positivo sentido de voto, pedindo para que este haja em conformidade. 'bora?

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Medievo Timorense

SimTube

Há uns tempos queixei-me da falta de vídeos pelo Sim disponíveis na net, entretanto encontrei alguns, aqui fica a lista provisória:

1) «Declaração de Aveiro - Movimentos Pelo Sim - 14 Janeiro 2007» (também no Sapo)

2) «Jovens pelo Sim - Aveiro - 14 Janeiro 2007» (também no Sapo)

3) «Movimento Jovens pelo Sim»

4) «Ser Moderno É Que É!»

5) «Cartaz da JS em Fafe»

6) «Cartazes Pró Escolha» (também no YouTube)

7) «Entrega de assinaturas do Movimento Jovens pelo Sim»

8) «Inauguração da Sede Jovens Pelo Sim - Reportagem RTP»

9) «Caminhada pelo Sim - Reportagem RTP»

10) «Entrevista com Maria José Magalhães sobre a Marcha Sim (Matosinhos/Porto)» (também no YouTube)

11) «Entrevista com Teixeira Lopes sobre a Marcha Sim (Matosinhos/Porto)» (também no YouTube)

O 1 e 2 achei-os no Não Mesmo. O 3 e 4 achei no YouTube mesmo, mas aparentemente pertencem ao Esquerda.net, sinceramente o 4 não me convence nada... Mas quando a oferta escasseia não podemos ser muito exigentes, daí o 5, o único que se encontra no Sapo Vídeos - seria bom que os autores também apostassem nessa plataforma para uma divulgação mais abrangente. Se souberem de mais por favor avisem, a lista irá sendo actualizada sempre que for caso disso.

E não é que os abortistas gays têm natalidades mais altas?

Era bom que a comunicação social desse mais destaque a esta notícia, e confrontasse as pessoas do Não com estes números sempre que vêm com o discurso da natalidade como pseudo-argumento contra a despenalização do aborto ou, já agora, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Vejam como estão as Dinamarcas, Holandas e as Franças, e como estão as Polónias, Portugais ou as Grécias, e tirem algumas conclusões...

terça-feira, janeiro 16, 2007

Dreamgirls


Este foi um dos vencedores dos Golden Globes, atribuídos ontem, sucedendo assim ao "Walk the line". Aqui entre nós, com a lucidez dada por um ano de distância, esse foi de longe o meu filme favorito dos vários que andaram nessas corridas de Oscars e Globos em 2006, e o único que revi entretanto. Espero portanto que o "Dreamgirls" seja o "Walk the line" deste ano, e a avaliar pelo trailer, tem tudo para o ser. Estreia dia 1 de Março.

A malta toda arreliada e afinal aquilo foi só como um abortito

Falo, é claro, da execução de Saddam. Mas já sabem como é esta cena dos abortos, só porque um faz, logo outros querem fazer igual. Caprichos!

Não têm onde viver, mas terão onde rezar, que é o que interessa

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Tom of Finland fotografado

Óptima descoberta via Salsa e Pimenta.

À atenção de Eduardo Pitta

Essa estória está longe de ser inédita. Mas mesmo se fosse, porque raio não poderiam dela saber os "partidos e associações de defesa dos homossexuais"? E é preciso "partir muita pedra" às ocultas dos "partidos e associações"? Não era mais fácil partirem pedras juntos em vez de atirarem pedras uns aos outros? Ah, e no Reino Unido os homossexuais não podem casar, é uma união civil, e nem vale a pena casar no Canadá e tentar reconhecimento no UK, que também não é dado.

A moral dessa estória, e de várias semelhantes anteriores é simples, enquanto o casamento entre pessoas do mesmo sexo não estiver legalizado em Portugal, este mesmo país não facilitará as burocracias necessárias para que cidadãos portugueses casem ou "quase-casem" (como no caso britânico) com pessoas do mesmo sexo no estrangeiro, até porque isso poderia ser usado para mais tarde exigir um reconhecimento português do casamento em causa. A pedra a partir é bastante clara, legalize-se o casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal o quanto antes.

sábado, janeiro 13, 2007

RTP: Jornalismo abortado

Não, não vou repetir as minhas queixas pela campanha diária pelo Não do Padre Borga nas manhãs da RTP1 ou da campanha igualmente diária da ICAR nas tardes da RTP2. É mesmo do Jornal da Tarde que vos falo.

Na 5ª feira houve apenas espaço para o Não, uma conferência de uma qualquer sotaina em campanha por Vale de Cambra valeu uma notícia, no Sim nada lhes importou. Na 6ª feira as coisas foram mais equitativas no tempo, ou talvez não. Depois de uma entrevista a uma jovem que já abortou em condições de clandestinidade seguiu-se a de uma mão adolescente a quem "nunca passou pela cabeça abortar". Ora se nunca lhe passou pela cabeça abortar que raio de interesse poderá ter a sua estória em relação ao que se discute agora? Afinal nada de diferente se teria passado em relação ao seu caso particular, fosse legal ou ilegal abortar. Finalmente hoje, mais uma homilia de Fátima, entrevistas de rua aos crentes, e pelo Sim? Apenas o anúncio que Jorge Coelho ia lançar a campanha do PS.

Mas fosse só este claro favorecimento de tempo de antena ao Não. O favorecimento ao Não na RTP é a todos os níveis, e começa logo na apresentação do tema: "referendo ao aborto". Mas referendo ao aborto de quem? Da ética jornalista no serviço público? Parece-me abortada há muito. Aborto da RTP? Aborte-se então. Como já escrevi aqui, "referendo ao aborto" não pode ser tolerado como um resumo de "referendo à despenalização da IVG". Não é a mesma coisa. Dizer "referendo ao aborto" é entrar na lógica do Não. Não é jornalismo, é distorção e manipulação. Tal como falar em "movimentos contra e a favor do aborto", já perdi a conta às vezes que ouvi isto na RTP! E como se não bastasse usam um feto de não sei quantos meses como grafismo para o tema, ao invés de um isentíssimo boletim de voto ou martelo da justiça, ou seja, aquilo que afinal se discute. Televisão pública assim mais vale abortar de vez. É isso mesmo que vou dizer ao Provedor.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Justiça sanguinária

«Pai biológico reclama filha mais 60 mil euros dos pais adoptivos». Que raio de justiça é esta que esbanja recursos à procura de pais biológicos que não querem ser encontrados, depois da mãe entregar de livre vontade a criança a um casal adoptivo? Que raio de justiça é esta onde um "laço de sangue" justifica a destruição de uma família a sério, desejada, planeada e construída? A sério que não percebo nada disto. Ainda menos ao saber que as tais investigações que são sempre iniciadas quando a mãe não sabe ou recusa dizer o nome do pai são arquivadas automaticamente se se descobre que se tratou de uma relação incestuosa - quão púdicos estamos se os laços de sangue são múltiplos!

Por certo que a imagem do pai adoptivo na cadeia vai ser um excelente exemplo e incentivo para quem estivesse a pensar adoptar... Que tristeza de país.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

O renas errou

Ou precipitou-se, que a senhora nunca tinha sido muito clara. Mas foi-o agora. Ségolène Royal faz assim jus à alcunha de "La Zapatera", atribuída pela direita, e afasta-se do "Sarkolène" que lhe atira alguma esquerda. Fosse eu francês e podia já contar com o meu voto. E se bem conheço a política portuguesa, a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo em França terá muito maior impacto em Portugal e na sua classe política, do que teve a espanhola. Que aconteça o quanto antes pois então. Dakar-Champs-Élysées é o caminho!

É dar uso ao Gmail

O Gmail já é mais procurado que o sexo pelos internautas portugueses. Óptima notícia, é que o sexo na net é uma seca comparado com o real, e já o Gmail é o melhor serviço de e-mail que se pode encontrar, há que elevar os padrõezinhos pois então. Já aqui falei algumas vezes de estratégias para o activismo online anti-prisão. Destas parece-me que o marketing viral será a que tem mais potencial. Os blogs, por muito a sério que sejam levados pelos seus autores, são lidos por uma minoria de pessoas, têm menos leitores que os jornais da paróquia. Já o e-mail passa de mão em mão sem parar, isto se obedecer a algumas regras simples: nada de textos muito longos e convém que o conteúdo tenha algum sentido de humor.

Posto isto recomendo o seguinte, vão à parte dos contactos do vosso Gmail e criem um grupo com os e-mails das pessoas que considerem mais receptivas a este tipo de mensagem e capazes de as fazerem encaminhar para mais pessoas. É facílimo criar o grupo, e uma vez criado basta escrever o nome do grupo no campo do endereço para ser enviado para todos. Enviem sempre o vosso e-mail no modo "Bcc" ou "Cco" se tiverem o e-mail a funcionar em português, as pessoas que recebem o vosso e-mail colectivo não precisam de saber o e-mail das outras a quem enviaste, até porque é assim que depois os spammers acabam por ter acesso ao teu e-mail. Se reencaminhas um e-mail já recebido apaga o remetente antes de enviares, só interessa o conteúdo, quanto mais limpo melhor. Ah, e o "Fw:" no assunto também fica muito mal, embora possa funcionar como incentivo a reencaminhar depois, vá lá, um aceita-se, mais que um Fw é puro lixo, apaga. Agora se quiseres lançar mãos à obra tens já aqui um excelente material de reencaminhamento: www.nao-mesmo.org. É exactamente este tipo de resposta que circula bem nas malhas dos e-mails. É espalhar pois então, que ao Sim não há banco que financie a campanha...

Cartazes do PS já estão na rua

Finalmente! Eu gosto bastante, acho que estão eficazes e dirigidos a quem interessa. Claro que a extrema-direita já veio falar em fraude. Nada que surpreenda vindo de quem vem, a imbecilidade desta gente vai ao ponto de ainda não ter percebido que o que se referenda é precisamente a retirada da pena de prisão da lei ou não. Fraudulentos são os cartazes que falam em financiamentos e impostos, que não estão a ser referendados. Mas pronto, extrema-direita é extrema-direita, ninguém espera honestidade ou inteligência dessa malta.

Guerra à laicidade

1) Contribuir com os meus impostos para o salário milionário de um director cuja estratégia para uma melhor cobrança fiscal passa por rezar missinhas? Contribuir com os meus impostos para o pagamento das ditas missinhas? O que virá a seguir, o ministro da agricultura a fazer a dança da chuva da próxima vez que houver seca?

2) «Um grupo de socialistas católicos vai afixar em todo o país cerca de três mil cartazes com o lema «Ser de esquerda é ser pela vida», disse hoje à agência Lusa o dirigente do PS/Barreiro Cláudio Anaia.» Quando a minha maior esperança em relação a este referendo estava no facto de só a extrema-direita partidária fazer campanha pelo Não (CDS e PNR), vem mais um beato do PS apunhalar o partido a que diz pertencer. É CLARO QUE SER DE ESQUERDA É SER PELA VIDA, pela vida digna, pela vida com liberdade, pela vida que respeita a mulher como um ser humano capaz de decidir o seu próprio futuro! O que não é certamente de esquerda é defender leis de criminalização e perseguição às mulheres que não se reduzem ao papel de "parideiras da nação", e justificar isso com argumentos religiosos! Não era o PS laico?

terça-feira, janeiro 09, 2007

Ó Cavaco olha o Sapo

Le président está de malas aviadas para a Índia, com uma comitiva empresarial que espera fazer negociatas várias. Mas o que me impressionou foi o primor da página feita de propósito para a ocasião. Até tem um link para "podcasts & vídeos", o quão high tech estamos nós! Mas o único vídeo disponibilizado até ao momento demora horrores a descarregar. Dica para o mr. president, já que foi publicitar software nacional junto do rei de Espanha, pode fazer o mesmo com os seus fiéis videonautas lusos que não querem perder pitada dos seus passeios de elefante branco, e alojar o vídeo no Sapo, ia ver que o descarregávamos melhor, salvo seja.

Por falar nisso, aproveito para actualizar este meu post, já se podem usar tags com 3 letras, já há tops dos mais vistos para o dia, semana e desde sempre (e o anúncio da ILGA está nos ditos), e também já se sabe quantos votos tem cada vídeo. Só ainda não se encontra o vídeo da Cicarelli... e da Elsa Raposo, só um beijinho à Sofia Aparício.

Morrissey na Eurovisão?


Façamos figas. United Kingdom, twelve points. Le Royaume-Uni, douze points.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Resolução de Ano Novo

Ler menos blogs, dormir mais.

Pior que muito mau

A eleição do Pior Português de Sempre promete ser ainda pior que a dos Grandes Portugueses. Neste momento quem lidera a votação da "personalidade que mais contribuiu para a ruína do país" é Mário Soares, que com 30% dos votos fica à frente de Salazar, que tem 25%. Na votação sobre quem "melhor encarna as piores qualidades do povo português" é Fátima Felgueiras quem lidera.

O primeiro resultado é tão abjecto que me escuso a comentar. Mas o segundo é revelador da misoginia que ainda graça no país. Fátima Felgueiras só atingiu a fama que tem por ser mulher, ene autarcas por aí envolvidos em esquemas de corrupção semelhantes, e os únicos que lhe passam a perna no escândalo são aqueles envolvidos em esquemas de muito maior dimensão. A fuga para o Brasil foi só a cereja do bolo que é ver uma mulher a pecar onde só aos homens se deixa.

Telemoralidades

Na SIC um anúncio de uma telenovela brasileira fala em "coragem" e "alegria" de uma personagem grávida de gémeos. Ao que apurei a dita personagem é abandonada pelo namorado, assim que sabe da gravidez, e apesar de todos os problemas, financeiros e familiares, decide levar a gravidez avante, a notícia de que afinal são gémeos deixa-a, como naturalmente ficaria qualquer rapariga na sua situação, eufórica. O embrião, afinal dois, é sempre referido como "essa criança".

Em conversa com experts soube que na TVI passa uma novela portuguesa com trama semelhante, uma rapariga é drogada e violada, engravida e rejeita abortar, o conselho da irmã, que é a vilã da trama. Anos mais tarde volta a encontrar o violador e "parece" que se vai apaixonar por ele e no fim acabarão todos juntos, violador, violada e filho, felizes para sempre.

Sempre pensei que o objectivo das telenovelas era fazer as pessoas esquecerem dos seus problemas, relaxarem em frente à TV depois de um dia de trabalho. Por isso mesmo não entendo a abundância de personagens violadas ou grávidas abandonadas pelos parceiros. E não, ficarem satisfeitíssimas com o seu destino não me parece que corrija o problema.

PS: E hoje [9-1-2007] na RTP, para se fazer o pleno, numa novela luso-brasileira: "padre eu estou grávida e ele quer matar meu filho". O padre, Virgílio Castelo, não deixou.

sábado, janeiro 06, 2007

Déjà vu

A avacalhação da campanha já começou, e daqui até 11 de Fevereiro o mais provável é que a coisa vá agravando. Como bem disse Ana Sá Lopes, avacalhar é abrir alas para o Não. E isto por uma razão simples, os moderados do Sim prezam imenso a sua moderação e muito pouco o seu Sim. Avacalhando a campanha eles já não se metem, ou melhor, metem-se para atacar os "radicais do Sim", acrescentando sempre que tem muito respeito pelo Não, salvaguardando assim a sua imensa moderação, que é o que importa.

Já o Não não tem destes problemas, o que importa é facturar votos, dê por onde der, para que não se ponha em causa do seu poder, a sua influência. Mentem, distorcem, fazem falsas promessas (educação sexual, não aplicação da lei que defendem, etc), e tudo vai bem, ninguém ataca ninguém, é só palmadinhas nas costas. Os menos moderados (no Não não há radicais) lá se vão entretendo com panfletos de recém-nascidos mortos e agendamentos de comícios pelo Não no domingo do referendo. E assim vai o país, e não é a primeira vez. Para já a única diferença que noto em relação a 98 é que as sondagens não dão uma margem tão grande ao Sim...

PS: E na RTP continuam a falar em "referendo ao aborto", "movimentos contra o aborto", "movimentos a favor". Contribuir com os meus impostos para o jornalismo rasca? Assim é.

Vaticano sai do armário?

Ou é apenas mais uma tentativa de (hetero)branqueamento do passado? [via]

sexta-feira, janeiro 05, 2007

Feliz Epifania

Sejam rainhas por uma noite, mas não abusem do bolo-rei.

Países errados seu dona Nogueira Pinto

Hoje pude apreciar na RTP várias declarações de militantes da "Plataforma não obrigada" (por falar nisso, o renas é o segundo resultado na busca no Google pela dita cuja plataforma, not bad!), e já deu para perceber que o prato forte vai ser a desonestidade financeira, mesmo que não seja de finanças nem de financiamentos o que trata o referendo. Aliás, supondo uma vitória vinculativa do Sim, a forma da aplicação da despenalização poderá ser sempre alterada no futuro sem novo referendo, desde que não seja modificado o princípio da não criminalização até às 10 semanas, que é do que se fala, não é demais repeti-lo. Mas resultado, valores inflacionados e despesas esquecidas, vai ser esse o prato forte.

Mais divertido foi ouvir, porque certamente que era gozo (nem Nogueira Pinto do alto do seu narizinho empinado poderá crer verdadeiramente que o eleitorado seja assim tão imbecil que engula estas cantilenas), a dizer algo como "em França este ano vai ser dedicado ao combate ao Alzheimer, na Alemanha a não-sei-quê, e Portugal dedica-o ao aborto?". Wrong countries lady Nog. Esses já tiveram os seus "anos do aborto", há décadas atrás, tantas quantas as que medem o nosso atraso face a eles. A sua comparação, para fazer um mínimo de sentido, teria que ser do tipo, "A Polónia vai dedicar este ano à coroação de Jesus, a Nicarágua vai dedica-lo à conversão dos ex-vermelhos ao catolicismo fundamentalista, e Portugal quer dedica-lo à emancipação feminina?".

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Menos sorrisos nas fotos dos diários

Este título é de uma notícia do JN de hoje. Mas eu acrescentaria que também há menos sorrisos na cara dos leitores dos diários, e isto porque os diários amam as más notícias. No mesmo jornal é noticiado hoje o mais recente ataque ao casamento entre pessoas do mesmo sexo no Massachusetts, que poderá levar a um referendo sobre a matéria, sem contudo haver qualquer referência às várias sondagens que revelam que a maioria dos eleitores daquele estado americano está contra esse reverso.

Esta foi, salvo erro, a primeira notícia do JN sobre direitos LGBT em 2007. Podiam ter noticiado os números das uniões civis checas revelados no dia 2, a primeira união civil gay na Suíça ou, melhor ainda, este importante passo para a oficialização e normalização da adopção de crianças por casais de gays e lésbicas no Brasil (recordo que já houve alguns casos de adopção, mas por decisão de juízes, sem que tal esteja explicitamente previsto na lei e mecanismos processuais). Mas não, a má notícia voa, a boa tem que se procurar.

Aumente o seu vocabulário


Quem disse que não se aprende nada a ler jornais desportivos? "Sporno" it is, by Mark Simpson.

PS: Acho que vou já registar a expressão "pornógrafos da paz" para designar os bombeiros que se despem para angariarem apoios no combate aos fogos. Infelizmente é modalidade não muito praticada em Portugal, mas na Galiza é um furor, do Ferrol a Vigo, passando pela Corunha, claro está.

Em Valência o baptismo é maldição para a vida toda

Inacreditável. Ou melhor, quase inacreditável, que vindo de quem vem...

PS: Também em Madrid.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

E o debate público? E as prioridades?

E todas aquelas coisas que se dizem quando alguém ousa falar em, por exemplo, legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo? Para a bichice inconsequente e irrelevante estão sempre eles prontos:

Contribuir com os meus impostos para a campanha do Não?

Sai-se da A3 e a primeira coisa que se vê e lê é um outdoor da Câmara Municipal da Trofa, com um "avozinho" abraçado a um "netinho" e os dizeres: «Trofa, um município pró-família» (desde já eternamente grato a quem me consiga uma foto do dito outdoor). Eu acho que não tenho que explicar porque é que um cartaz assim, posto em vésperas de referendo, é campanha pelo Não. É óbvio que votar Não não é um gesto pró-família, ou sequer pró-vida, é apenas pró-prisão, que é isso que se referenda. Mas a manipulação e distorção dos significados das palavras e expressões sempre foi especialidade da direita, que de outro modo se chamaria "torta".

Posto isto, lá fui ao site da autarquia criada por capricho dos deputados do PSD (quando o país deveria estar era a discutir fusões de concelhos), em busca de uma foto do cartaz (sem sucesso) e de alguma explicação para o mesmo. Achei esta última, em Outubro a Trofa foi distinguida pela Confederação Nacional de Associações de Famílias como "Município Pró-Família". Distinção em Outubro, cartaz pago com dinheiros públicos e com a cara de sua excelência o autarca-mor trofense (sim, é ele o avozinho do outdoor) em Janeiro. Não, não há vergonha.

Ordem e Progresso

Afinal havia outra Teté. Grande notícia logo a abrir o ano.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Comentário alongado ao Sapo Vídeos

O Sapo é o maior portal português e, segundo fontes anfíbias, o único portal europeu capaz de fazer frente ao domínio do Google dentro dos domínios do seu país. Eu confesso que o Sapo me andava a passar ao lado há bastante tempo, em parte devido a ressentimentos por chatices com o serviço ADSL (mas que se atenuaram por se repetirem com outros operadores), mas também porque nestas coisas das internets gosto sempre de experimentar o brand new, e esse costuma ser americano. Pelo que sou um fã do Google há muito tempo.

Mas isso não implica que partilhe das críticas negativas que já li sobre o Sapo Vídeos, dizendo que é "mera cópia do YouTube". Era óptimo aliás que se tornasse tão bom quanto o YouTube (no look geral e cores já ganhou até), o site americano é popular e vale biliões precisamente por ser excelente a vários níveis. Mas uma versão portuguesa do dito nunca seria "mera cópia", porque o YouTube não fala português, aliás, nem reconhece a língua portuguesa. Pelo que os vídeos Made in Portugal andam para lá perdidos, qual gota no oceano, mascarados de "english" ou "spanish" no registo. O Sapo Vídeos abre desde logo as portas aos internautas portugueses que não falem inglês, e sobretudo possibilita a criação de um "palco" privilegiado para a divulgação com sucesso da nova linguagem da web, o vídeo, na nossa língua. Ou melhor dizendo, variante linguística, que no Brasil já há dois sites similares, o VídeoPop e o videolog. Mas em suma, para os videonautas portugueses terem "peso" precisam de ferramentas próprias, daí ser essencial um serviço como o do Sapo. (Claro que se o YouTube se traduzisse e permitisse a busca e tops por país de origem dos vídeos, essa necessidade não seria tão premente.)

Feitos os elogios à iniciativa anfíbia passemos à crítica construtiva, de quem não percebe nada de construção de sites, mas sabe usa-los e aprecia a facilidade de uso.


1) A barra de comandos dos vídeos. Demasiado grossa e pior, quando reduzimos o tamanho do vídeo a grossura mantém-se como se viu neste exemplo. Isto praticamente impossibilita colocar os vídeos nas barras de links como muitos bloggers gostam de fazer. O curioso é que no próprio Sapo se vê constantemente publicidade em vídeo com uma barrita muito mais elegante, e que se esconde quando não é usada (ver imagem acima). Uma barra assim seria até uma vantagem face ao YouTube.

2) Os comandos. Faltam dois que o YouTube tem e eu gosto, a possibilidade de reduzir o tamanho do vídeo (aumentando a nitidez), com os do YouTube isto só é possível quando se visiona o vídeo no portal, se o Sapo incluísse esta função mesmo quando os vídeos estão embebidos nos blogs tanto melhor. E um link para a página do vídeo no Sapo, essencial.

3) Busca e tags. Pelo que percebi a busca no site só tem em conta as tags, não inclui sequer o título atribuído aos vídeos, o que dificulta imenso encontrar as várias notícias da SIC já alojadas, e que só contam com a tag "jornal_da_noite". Além disso as tags têm que ter no mínino 4 letras, o que se impossibilita tags tão úteis como SIC, TVI, RTP, gay ou mar.

4) Outros. Não se vê o número de votos de cada vídeo, e era importante. Espero que há medida que o site se popularize também se diversifiquem os tops, "mais vistos hoje", "este mês", etc. Mostrar os links que cada vídeo tem também era útil, como acontece no YouTube, apesar de lá não funcionar muito bem esta função. Arranjar um modo de "esconder" os vídeos repetidos também era útil, é um bocado irritante haver resultados iguais nas buscas. Tal como é um bocado irritante a exclusividade anfíbia dos canais SIC, e o único efeito é terem menos espectadores néticos, ninguém vai trocar de servidor só por isso, creio.

Pronto, estas são as minhas principais sugestões, em resposta a um comentário da Jonas. Finalmente, o Sapo Vídeos tem um blog e já lançou um tentador concurso de vídeos de fim-de-ano. Boa sorte!

PS: Crítica aos utilizadores anfíbios, parem de trazer coisas sem interesse nenhum do YouTube, já toda a gente viu. Podem fazer coisas sem interesse nenhum mas que sejam ao menos novas e em português, para japoneses a cantar em playback ou americanos aos tombos temos o YouTube. Obrigado.

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Papa começa o ano a insultar as vítimas de terrorismo comparando-as a embriões

É o que diz a imprensa portuguesa. Curioso é notar no Google News como divergem os títulos dos sites portugueses dos brasileiros, sendo que estes últimos não têm nenhuma referência ao aborto. A igreja não precisa de se esforçar muito para que a comunicação social portuguesa lhe estenda a passadeira vermelha. Basta que transformem as suas missinhas sagradas de dias santos em comícios políticos da mais barata demagogia. Muda-se o ano, mas o fedor que chega de Roma continua o mesmo. Volta Nero, estás perdoado.

PS: Eu sei que isto ainda agora começou, mas mais uma razão para não haver dúvidas, até ao momento o post do ano é este.

domingo, dezembro 31, 2006

Bom Ano Novo

Boas Entradas a Tod@s @s que por aqui passam, à Eslovénia no €uro, à Roménia e Bulgária na União e ao Irlandês ao conjunto das línguas oficiais. Boas sementeiras e melhores colheitas. Divirtam-se!

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Já viste isto?


Este anúncio da ILGA Portugal já tem quase dois anos, mas continua uma ternura actualíssima, que devia ter passado mais vezes na televisão. Graças aos sites de vídeo está sempre ao alcance de um click, e não resisti a passa-lo para o novo Sapo vídeos. No YouTube existem várias versões legendadas, em inglês (31,514), em esperanto (593) e em espanhol (61), que juntamente com a versão sem legendas (6,785) totalizam já quase 40.000 visionamentos via internet. Mas certamente que ainda muita gente não o viu, e só perde por isso. 'Bora então mandar um dos endereços por e-mail aos amigos ;)

PS: Em menos de uma hora o anúncio já ultrapassou as 100 visualizações no Sapo!

quinta-feira, dezembro 28, 2006

Testando o Sapo Vídeos


Já aí está (não sem algum atraso) o auto denominado "YouTube português", em videos.sapo.pt. À primeira vista parece-me giro (embora não esteja a conseguir ver as emissões em directo dos canais SIC). Assapemos então.

PS: Primeira falha grave notada, não há forma de clicando no vídeo ir parar à sua página no Sapo, como acontece com o YouTube... O registo no site também devia ser mais simples, tal aliás como o endereço dos vídeos, o que seria uma vantagem face ao YouTube.

PPS: Para uma melhor comparação:

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Os movimentos contra e a favor do quê?

Isto estava na primeira página do Jornal de Notícias de ontem. E isto mesmo já ouvi dizer ao apresentador do Telejornal da RTP1, José Rodrigues dos Santos. Isto não pode ser tolerado como um resumo legítimo de "movimentos a favor e contra a despenalização da interrupção voluntária da gravidez", porque uma e outra não significam o mesmo. Isto é mau jornalismo, é desinformação, é a subversão do que se referenda. Provavelmente a maioria das pessoas dos movimentos pelo Sim é contra o aborto, no sentido em que nunca abortaria e vê-o como algo necessariamente mau, ao passo que muita gente do Não já abortou e tornará a fazê-lo se achar necessário. O que se referenda é se as mulheres que abortam por opção devem ser sujeitas a perseguições policiais, julgamentos e penas de prisão ou não.

Já agora, esta manchete era sobre as declarações do bispo do Porto, que comparou o aborto à roda dos bebés abandonados. O que os jornalistas (tv, jornais, etc) não disseram é que a roda não era medieval, era usada em Portugal pelo menos até ao século XIX e é usada actualmente (com outra designação e formato) em países como a Alemanha. O sentido crítico do jornalismo português anda tão fraco que estas mesmas declarações foram repetidas até à exaustão, sem que ninguém comentasse o facto do bispo as ter proferido numa igreja às moscas em pleno dia de natal. Isso é que era capaz de dar uma bela reportagem.

domingo, dezembro 24, 2006

Merry Kiss-my-ass


Ele há coisa (exceptuando a homofobia, claro) mais gay que o Natal? "Merry" quer aliás dizer "full of gaiety", pelo que a resposta é não, não há. Não por acaso também, se chama este bloguito "renas e veados", a combinação mais "natalícia logo gay" que se arranjou já lá vão mais de 3 anos. Mais precisamente a 11 de Dezembro de 2003, e com tanta mudança de endereço, perda de arquivos e afazeres vários, a data escapou-se-me, tal como, e de novo, aos gentis leitores. Fica agora a nota, faça-se então a festa. Merry Kiss-my-ass.

sábado, dezembro 23, 2006

Even you, Brits?

Interessantíssima e oportuna sondagem do Guardian. Segundo a qual 82% dos britânicos considera a religião um foco de tensões e divisões, apenas 16% discorda. 63% descreve-se como não sendo uma "pessoa religiosa", incluindo mais de metade dos que se identificaram como cristãos. Apenas 13% participa em algum tipo de cerimónia religiosa pelo menos uma vez por semana, e 43% garante nunca o fazer. O porta-voz da Igreja de Inglaterra veio dizer que "as pessoas agora têm menos tempo, a vida está mais complicada, etc", enfim, uma série de desculpas que não colam. Tal como em Portugal, é hoje mais fácil a qualquer britânico participar de cerimónias religiosas, as pessoas em geral trabalham menos horas, têm mais dinheiro e mais facilidade de transporte, não participam em cerimónias religiosas porque têm melhor com que se entreterem, tão simples quanto isto. Finalmente só 17% considera a Grã Bretanha como um país cristão, 62% defende que é melhor descrita como tendo várias crenças.

Mercadores no templo só de sotaina

A ICAR condena a venda de relíquias de João Paulo 2º, que têm acontecido nos arredores do Vaticano e na internet. Na mesma internet em que o L'Osservatore Romano, jornal oficial da ICAR, promove a venda de segundas edições do número que anunciava na capa a morte ("chamamento divino") do dito papa polaco, por um preço ligeiramente superior (o dobro) ao habitual.

Depois dos Reis, as Rainhas


É já dia 7 que estreia nos EUA a nova temporada da "The L word". O vídeo disponibilizado no YouTube pela CBS teve já mais de 1 milhão de visualizações em menos de uma semana. Esta estratégia da CBS de difundir anúncios e cenas dos seus programas no YouTube parece ter contribuído para uma subida das audiências, mas as TVs portuguesas ainda não aderiram ao conceito, deixando que sejam os espectadores a, ilegalmente, fazerem essa distribuição já depois da exibição do programa... Pode ser que com o prometido YouTube do Sapo se decidam a arriscar. Só espero que o tal "YouTube.pt" seja nos moldes do original, ou seja, sem limitações anfíbias, do tipo, só para clientes. Net is for free, é uma regra de ouro, logo atrás da net is for porn.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Guerra a sério

Parece que vivemos num mundo em que se encara com naturalidade que um homem vestido de saias e dourados vários, com cara de quem não fode e se gaba disso, condene e ataque continuamente aqueles que amam alguém do mesmo sexo. E não é que vivemos mesmo? O sobrenatural deve ser isto.

PS: Há no mundo 9 países que condenam a homossexualidade com a pena de morte (e apenas 5 que permitem o casamento entre pessoas do mesmo sexo), sobre isto nunca falou, nem falará, o papa. Mas também não será isso a afastar do polvo vaticânico milhares de gays e lésbicas que lá militam... Bentinho conhece os mecanismos do auto-ódio, e sabe bem o quanto pode esticar a corda, e não é pouco.

O Público continua a errar, e cada vez mais

Ainda a "Guerra ao Natal", coisa inventada no ano passado pelos neo-cons americanos para ofuscar a Guerra no Iraque, mas que os neo-cons portugueses só conseguiram imitar este ano, guiados por esse farol do jornalismo beato que é o L'Osservatore Romano. Ora o púlpito do mais reluzente neo-conismo luso é o jornal Público, que por estes dias continua a promover e difundir uma alegre mistura de factos descontextualizados, opiniões, invenções e paranóias que visam provar essa gigantesca conspiração internacional anti-Natal (sendo que "Natal" para o Público refere-se exclusivamente ao nascimento daquele palestiniano milagreiro que terá vivido há +/- 2000 anos, apesar dos traços comuns com milagreiros anteriores - gregos e outros - sugerir que seja mera versão palestiniana do mito original).

Mas se na América os culpados da "Guerra ao Natal" eram os judeus, para os nossos neo-cons a culpa é dos muçulmanos supostamente ofendidos (coisa bizarra, dado que também o Islão dá crédito ao milagreiro referido), mas sobretudo da laicidade e de quem a defende, pois claro. Na verdade as "proibições" que se lêem no Público são na sua maioria não-celebrações, ou seja, não sujeição a este clima de obrigatoriedade de festejar o nascimento do crucificado oriental. É precisamente para isso que serve a laicidade, para libertar as pessoas de imposições religiosas, para tornar o estado neutro, e cada um, livremente, decidir por si se quer acreditar ou não em estórias da carochinha, e qual a que mais lhe agrada.

O que o Público não questiona, e talvez fosse oportuno questionar, são os gastos das autarquias portuguesas com a histeria natalícia. Autarquias que muitas vezes não conseguem servir todos os seus cidadãos de água ou saneamento, mas que estão sempre prontas a largar largos milhares de euros em presépios gigantes de peluche imprudentemente largados em rotundas ou beiras de estrada. Mas a agenda do Público é outra, e vai daí temos que levar com o choradinho do católico perseguido - os desgraçados.

Sobre tudo isto a não perder os posts do Diário Ateísta, nomeadamente «A Guerra continua, Cristo no meio da rua!» do Ricardo Alves.

Orgasmo Global pela Paz

Que melhor forma de celebrar o Solstício de Inverno? [via] Mas façam-no com segurança, seguindo por exemplo os bons conselhos da F:S, uma das várias publicações gay, disponíveis em PDF na web, que adicionei à barra de links, esta é especificamente sobre a saúde dos homens homossexuais. Enjoy! - os links, o solstício e os orgamos, claro.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Também não há lugar para os gays nos presépios

Ainda ontem comentava com um amigo que vi recentemente uma exposição de presépios onde imperava a diversidade étnico-racial, de figuras africanas a trajes madeirenses (menino incluído), passando por figuras caricaturais, de enormes orelhas. Os materiais também eram os mais diversos, incluindo o chocolate. Claro que a regra "casal hetero mais o menino" era inviolável. Isso mesmo comentei, todas as alternativas raciais eram aceites com naturalidade, mas que aconteceria se houvesse um com dois Josés? O caso do parlamento italiano mostra que nem seria preciso ir tão longe para cair o carmo e a trindade, basta que haja homossexuais entre os pastores.

Sobre esta temática (dos presépios alternativos) não percam ainda este post, genial!

Do 8 ao 80

«O juiz Pedro Albergaria reconhece no entanto que a violência entre homossexuais tem expressões tenebrosas.

A ILGA diz o mesmo e lembra que a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima já recebeu várias queixas referentes a casais do mesmo sexo.
»
Não é nada disso que diz o juiz, o que ele diz é que a violência contra os homossexuais tem expressões tenebrosas. É praticamente a única coisa acertada que diz e logo vem a SIC distorcer as coisas... A citação correcta:
«Em quarto lugar, e contíguo ao que acabei de afirmar, estou certo que a violência sobre os homossexuais assume, entre nós como em outras latitudes, expressões bem tenebrosas e não menos sinistras. É bem conhecida a realidade urbana de grupúsculos de delinquentes, geralmente adolescentes, que não arranja outro modo de afirmar a sua masculinidade que não seja através da sistemática agressão sobre quem escolheu uma orientação sexual diferente da sua.»
"Escolheu uma orientação sexual" é que é mais giro do que acertado. Quando é que o sr. Albergaria escolheu ser hetero? E porquê? Que prós e contras pesaram na sua decisão? Morro de curiosidade...

Entretanto têm saído muitas notícias sobre esta polémica, felizmente em geral mais rigorosas que a da SIC on-line, é ver no Google News e estar atento aos telejornais que também devem falar no caso.

À atenção do senhor que não acredita em violência doméstica homossexual

Esta reportagem do Correio da Manhã. [Ignore-se só aquela parte dos "talibãs homossexuais", há gente que usa cada segundo de atenção mediática que se esforça por conseguir para atacar o movimento a que diz pertencer... o que é que se há-de fazer?] Ver também este artigo do Público sobre o estudo da Universidade do Minho a esta triste e silenciada realidade. O estudo propriamente dito creio que não está on-line.

Para que é que precisamos de juízes? Justiça popular!

Ainda não tinha digerido os excertos de um bonito parecer escrito por alguns dos nossos ilustres juízes, e já o Miguel desenterrou mais literatura judicial para alegrar a quadra. Pelos vistos falta consenso na questão do reconhecimento legal da violência doméstica entre homossexuais porque "os portugueses são contra o casamento", o que por si só retira legitimidade ao novo Código Penal. Mas não seria melhor perguntar o que pensam os portugueses sobre o reconhecimento ou não da violência doméstica fora do casamento?

E já agora, será que o Código Penal deve mesmo guiar-se por consensos populares? Assuntos "fracturantes" como a abolição da pena de morte deviam ser sujeitos a referendo? Conhece o senhor juiz as sondagens feitas sobre esse assunto? Será que devíamos viver como se nunca tivéssemos saído do século XIX? Será que há consenso popular na forma como são seleccionados os juízes actualmente? Enfim, perguntas que me ocorrem quando leio tão belas prosas...

A cegueira ideológica da Associação Sindical de Juízes

Leio e pasmo. A associação que representa os magistrados do país esqueceu as uniões de facto? Não é capaz de perceber o claríssimo artigo 152º do novo código penal? A homofobia é tal que não concebe sequer que casais homos e heteros tenham em comum alguns defeitos? Só faltou terem escolhido um palanque do CDS-PP (qual Ordem dos Médicos) para fazerem a exibição pública das suas fraquezas intelectuais... Bom, se ainda houvesse dúvidas, ficou explicada a sentença do caso Gisberta. É a justiça que temos, não espanta que no Eurobarómetro mais recente sejam os portugueses os mais preocupados com a dita cuja. Quando não há é quando se sente a falta que faz.

terça-feira, dezembro 19, 2006

"And I close my guard, the rest is bullshit"


«Brazilian Jujitsu? It's like the GAYEST sport there is.»

Era isto que deviam escrever nos maços

62% dos jovens portugueses a favor do casamento homossexual

É uma percentagem ENORME! Foi calculada em 2001, e creio que este Eurobarómetro especial passou completamente ao lado do país, até porque só está disponível no site da UE em francês. 62%! Políticos de Portugal ponham os olhos nisto, são os vossos futuros e actuais eleitores (as idades estão entre os 15 e os 24). Em 1997 eram já mais de 50% os que concordavam a legalização do casamento, pelo que se verifica um crescendo favorável à medida. Isto já estava escrito no post anterior, mas merecia destaque especial. 62%, insisto.

Eurobarómetro 66: casamento pela Europa fora

Portugal 29%, bem abaixo da média da União, e a léguas da média dos países que já têm casamento (Países Baixos, Espanha e Bélgica). «One has to remember that homosexual marriages (or similar union between to persons of the same gender) are allowed in the Netherlands, Belgium, Spain, Sweden and in the UK.» Isto diz o relatório, mas esquece a Dinamarca, que foi quem primeiro legalizou o "quase-casamento". Ou seja, a sondagem mostra claramente que os níveis de aceitação são maiores nos países onde o dito casamento, ou quase, já é realidade. Pode-se até deduzir que essa aceitação é crescente - atente-se a Espanha, onde essa legalização é mais recente.

De qualquer modo há uma "subida" de 10% face à sondagem da Católica de Outubro último, embora ainda longe dos 35,3% da Aximage em 2004. E sobretudo longe do Eurobarómetro 47.2 (de 1997), onde estas mesmas questões foram feitas aos jovens entre os 15 e os 24 anos (página 85), sendo que 50,3% dos portugueses se pronunciou favorável ao casamento, e 32% favorável à adopção. Em 2001, o Eurobarómetro 55.1 (página 105), indicava que a percentagem de jovens portugueses favoráveis ao casamento subira para 62%, enquanto que o apoio à adopção se situava nos 29%.

E tudo isto sem quase se falar no assunto. Agora imaginem por um segundo se acaso algum partido defendesse a sério esta medida? [E se calhar também dava jeito que algumas Opus (anti-)Gay que para aí andam serenassem os seus ataques ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tipo, já que não fazem nada de útil ao menos não atrapalhem, ok?]

Mas o Eurobarómetro 66 tem vários outros dados dignos de atenção. No capítulo da importância da religião na sociedade Portugal está próximo à média europeia e ao valor verificado na vizinha Espanha, 50% consideram a religião "muito importante".

Já em relação à concordância com a afirmação «Mais igualdade e justiça, mesmo que isso signifique menor liberdade individual», são nada mais nada menos que 80% os portugueses que se mostram favoráveis, e que lideram isolados a tabela europeia (na Espanha a percentagem é de 66% e nos Países Baixos, os últimos da lista, 46%). Para mim, mais igualdade e justiça levam precisamente a uma maior liberdade individual, pelo que a afirmação é algo tonta. Mas mostra bem o quão valiosos são estes valores, de igualdade e justiça, no país, pelo que o que falta é mostrar que a luta pelo casamento homossexual é uma luta por maior igualdade e justiça, precisamente.

Finalmente um dado de que nos podemos orgulhar, depois dos suecos, são os portugueses que mais concordam que o contributo dos imigrantes para o desenvolvimento do país é muito elevado, 66% (79% na Suécia, 53% nos Países Baixos e apenas 40% em Espanha).

segunda-feira, dezembro 18, 2006

Invasão em 10, 9, 8...

Quando o jornalismo sério parece ser proibido

É o que ocorre quando se vêem coisas como esta publicadas. Comecemos pelo título "Quando festejar o Natal é proibido", estão a pensar no Afeganistão ou na Coreia do Norte? Desenganem-se, o cenário deste bonito folhetim de natal do Público é o Reino Unido, a Espanha, os Estados Unidos e até o pequenino Portugal. Veja-se o primeiro parágrafo:
«Festas de Natal proibidas numa escola em Saragoça (Espanha) para não ofender crentes não-cristãos, empresas que não querem festas natalícias no Reino Unido, árvores de Natal removidas e depois recolocadas no aeroporto de Seattle (EUA) na sequência de polémicas sobre as decorações. O Natal, festa que comemora o nascimento de Jesus Cristo, está a ser limpo da sua raiz, com argumentos como o pluralismo e a laicidade.»
É o salve-se quem puder! Ou talvez não. As "festas de Natal proibidas numa escola em Saragoça" afinal não são várias, mas apenas uma, e não foi proibida, simplesmente não foi realizada. O que o Público não diz é que a escola tem sido atacada por todos os lados por esta simples não celebração. Caso para dizer, quando festejar o Natal parece ser obrigatório.

As empresas que não querem festas natalícias no Reino Unido não são nomeadas na "notícia" do Público, que cita o The Sun - cada vez mais o equivalente britânico ao Público. Mas olhando de forma não ingénua para a coisa, concluiremos que os custos e a sujidade que costumam resultar destas festas, tradicionalmente regadas com muito álcool, serão as causas dessas recusas, e não qualquer pudor religioso - que de religioso pouco ou nada têm as ditas festas em terras de sua majestade.

As árvores de Natal do aeroporto de Seattle foram recolocadas, como diz o Público, e as "polémicas", como se lê em seguida, eram afinal um mero pedido para que o aeroporto usasse também decorações alusivas Hannukkah, que foi mal interpretado - incompetência, nada mais.

Finalmente a "festa que comemora o nascimento de Jesus Cristo" que está a ser "limpa da sua raiz", quem diria? Por acaso as raízes do Natal estão longe de serem cristãs, cristã foi a apropriação de celebrações invernais com múltiplas origens, razão pela qual alguns símbolos pagãos são vistos hoje como "cristãos", porque natalícios - a árvore, por exemplo. Isto é tão verdade que no Reino Unido, e também em Boston, o Natal já foi efectivamente proibido, mas pelos cristãos, no século XVII, que o repudiavam (violentamente) pelas suas origens pagãs.

O Natal de cristão nunca teve muito, e no nosso tempo é sobretudo a festa do consumo e do espírito de solidariedade forçado, celebrada de Roma a Tóquio ou Banguecoque. A mim, como ateu, não me ofendem nada as iluminações ou árvores natalícias, até lhes acho alguma graça quando aparecem em Outubro, embora em Dezembro já andemos todos fartos. Choca-me, isso sim, que na escola pública crianças sejam obrigadas a declamar versos como «Eu sou a escrava do Senhor; que se cumpra o que me disseste.», quando provavelmente nunca lêem nenhum discurso sobre os princípios da nossa República. Choca-me é este jornalismo panfletário e alarmista, que ainda por cima não passa de uma repetição tosca da "war on christmas" inventada pelos neo-cons americanos no ano passado, para ofuscar a verdadeira guerra (promovida por cristãos) no Iraque.

E para provar que aqui no renas não temos nada contra o Natal, deixo duas sugestões bem natalícias:

1) Importe-se a Santa Speedo Run para Portugal! Já aqui tínhamos falado desta corrida tradicional de Boston, e não desistimos enquanto não for transposta para as ruas do Porto.

2) Caganer do Bentinho, se querem mesmo fazer um presépio, façam-no com estilo. E este ano o caganer da moda é do Bento!

E já agora, um bom Natal.

domingo, dezembro 17, 2006

Por falar em votações inúteis

«O Movimento Independente de Cidadãos (MIC), do socialista Manuel Alegre, vai fazer um referendo interno para decidir a posição pública a assumir sobre a despenalização do aborto, foi hoje anunciado.»
Parece-me cada vez mais claro que a grande conquista deste movimento, além dos inchaços de ego do sr. Alegre, será o esvaziamento das palavras "independente" e "cidadania" de qualquer sentido...

É você, que o seu voto não nos agrada

Depois de lançar esta votação aos seus leitores on-line, a revista Time optou por decidir que a "pessoa do ano" é "você", ou seja, os internautas, aqueles que "controlam a era da informação", aqueles que se dão ao trabalho de participar em votações on-line, mesmo que esse voto afinal não sirva para nada...

sábado, dezembro 16, 2006

Contribuir com os meus impostos para financiar julgamentos e perseguições policiais de mulheres por fazerem algo legal no resto da Europa? Nunca mais!

Este cartaz do Bloco de Esquerda está excelente (via Devaneios), uma óptima resposta à mais recente demagogia do Não. E se o Não quer discutir finanças é melhor refazer as suas contas: perseguições policiais, julgamentos, tratamentos hospitalares devidos a abortos clandestinos, morte prematura de contribuintes devido ao aborto clandestino... façam lá as continhas e depois vão reler a pergunta do referendo s.f.f., é que não é isso que está em causa. Já sabíamos que estavam mal no português, mas na matemática não estão nada melhor...

Bush diz-se feliz com gravidez da filha lésbica de Dick Cheney

Procurando no Google News em português encontra-se esta notícia em vários sites brasileiros, num angolano e num suíço. Porque é que isto não é publicado em Portugal?

PS: Obviamente que num "mundo ideal" isto não seria notícia, porque não se fariam notícias a partir da vida privada das pessoas... Mas esse não é o nosso mundo, e não é certamente essa a regra da imprensa portuguesa. Aliás, foi a própria Mary Cheney a tornar pública a sua gravidez. Não se percebe por isso o silêncio em Portugal.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Melhor estratégia de campanha: façam campanha!

Eu sou sensível à argumentação do Eduardo, mas também o sou em relação à da Cris, e sobretudo concordo com cada linha do Miguel. É claro que há discursos que funcionam melhor com determinadas pessoas do que outros, e há até discursos que podem ser contraproducentes com algumas delas. Mas parece-me que a maior falha é quando não há discurso algum, e foi isso que fez com que se perdesse o referendo de 98.

Desta vez as coisas pareciam estar melhor encaminhadas, o PS parecia muito mais empenhado e convicto, e no PSD as vozes pelo Sim multiplicaram-se. Só que entretanto o PS tem recuado, e o que vemos é uma sua deputada a apresentar um livro pelo Não. O Não tem, graças à igreja católica, essa vantagem única de fazer a campanha chegar a rigorosamente todas as aldeias do país. Tem também muito mais dinheiro para investir na coisa, há mesmo bancos pelo Não. E tem meios de comunicação social de todos os tipos em propaganda declarada a nível nacional: Rádio Renascença, Correio da Manhã e o programa Ecclesia diariamente na RTP2. O Sim tem zero. E na comunicação social local e regional a coisa é ainda pior.

É certo que as sondagens são todas favoráveis ao Sim, tal como eram em 98. O que falta é arrastar esse Sim até às urnas. O que falta é fazer campanha, seja qual for o formato ou discurso. Há que lembrar continuamente o referendo: 11 de Fevereiro! E há que ir para a rua, que a internet é muito engraçada, mas é passatempo para meia dúzia, meia dúzia de votos já decididos e contados há muito. Vivemos num país onde se encara com total naturalidade que a escola pública, da primária à reitoria da maior universidade, seja decorada com presépios. Pior, que as alunas da primária sejam postas a recitar versos como este: «Eu sou a escrava do Senhor; que se cumpra o que me disseste.» - ficar grávida pois então.

São precisos outdoors, são precisos discursos familiares nas ceias de natal e encontros de ano novo, são precisas assinaturas para os movimentos pelo Sim, é preciso que cada um se mexa e fale com quem conhece. É sobretudo preciso que nenhum dos votos sondados falte no dia da votação. 11 de Fevereiro, relembro e relembrarei mil vezes.

Uma família luso-belga


Estava eu à procura no YouTube de vídeos do programa que parou ontem a Bélgica em frente à TV (para já só há este), e achei esta, e várias outras reportagens, sobre um casal homossexual luso-belga que adoptou 2 crianças (as reportagens são da altura em que a lei de adopção estava a ser debatida).

Mandatário do "Não obrigada" em Teerão

Faz todo o sentido de resto. Aprender o negacionismo dos direitos das mulheres é no Irão mesmo. Mas no caso o negacionismo era outro, o do Holocausto. E apesar de ser coisa conhecida e publicada pela comunicação social do mundo inteiro há vários meses, Nuno Rogeiro teve que ir ao Irão para perceber que era disso mesmo que se tratava. Pelos vistos era um de dois portugueses, sendo o outro um neo-nazi. O curioso é que a mesma direita que andou a gritar aos quatro ventos "diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és" a propósito, nomeadamente, do elogio iraniano à reeleição de Chávez na Venezuela, fala agora em "coragem" de Rogeiro, segundo ele próprio um "amigo do Irão". Recuso-me a usar o ditado reaccionário, mas haja um poucochinho de decência e vergonha na cara, sim?

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Delinquente cadastrado ameaça de morte Daniel Oliveira

«Ia eu calmamente na rua, a caminho de mais uma reunião, quando fui abordado por um sujeito. Perguntou-me se eu sabia quem ele era. Sou distraído e não fazia a mais pálida ideia. Lá me desculpei e respondi que não. Sem ter aberto mais a boca, o sujeito explicou-me que tencionava arrancar-me a cabeça e partir-me todo, caso eu voltasse a escrever sobre ele (sic). No meio de vários insultos (todos envolvendo a orientação sexual que ocupa de forma obsessiva a imaginação destes rapazes) e de uma simulação de como me tencionava agredir, com alguma teatralização mímica e risos orgulhosos, apresentou-se: Mário Machado. E para eu passar a ter cuidadinho na rua. Sem que nunca lhe tivesse respondido, e para me prevenir em relação a situações futuras, pedi ao jovem que me acompanhasse à esquadra mais próxima (do outro lado da rua) onde apresentei queixa por “ameaça de morte” e “ameaça de agressão”. Em frente à polícia, e como os seus amigos costumam fazer com os imigrantes que vão espancando, o rapaz ainda fez menção de apresentar ele queixa contra mim. Acabou por não o fazer. E assim passei o meu fim de tarde de segunda-feira: a preencher uma queixa na polícia contra um delinquente. Não é o que se espera de um fim de tarde de um bloquista. Mas, pronto, tenho de aceitar: às vezes não chega intervir no meio social.»
O agressor tem beneficiado da brandura que por vezes se abate sobre alguns tribunais portugueses na hora de sentenciar crimes violentos, e anda por aí à solta a fazer a única coisa que sabe. Este é o mesmo indivíduo que uma vez surgiu alegremente nos ecrãs da RTP a exibir uma arma ilegal, tendo sido detido no dia seguinte. Está também associado a um partido ilegal, mas ainda não ilegalizado. Os tribunais estão à espera exactamente do quê? Sangue já há, e há muito. Que não corra mais era suposto ser um objectivo da Justiça.