domingo, fevereiro 11, 2007

O que é que estas aí a fazer? Vai votar!

1) Grande capa a do Diário de Notícias de hoje. Sem dúvida o órgão de comunicação que fez a melhor cobertura de toda a campanha.

2) Tudo péssimo na RTP, aquilo é a televisão pública ou a TV Opus Dei? Missa pela manhã, desinformação ao almoço ("referendo ao aborto")...

3) Chove continuamente a Norte, creio que no Sul o tempo vai melhor. Mas isso não justifica 11,57% de afluência às urnas até ao meio-dia! Vai votar, diz aos teus amigos para irem votar, SMSs de incentivo ao acto de votar, sem indicação do sentido de voto, são legais e recomendáveis. Mesmo que não tenhas posição, vai e vota nulo, a bem dos referendos!

4) Visto na TV, políticos em campanha junto a mesas de voto: Ribeiro e Castro e João Jardim - nojento apenas.

5) Já esqueceram 1998? As sondagens davam vitórias formidáveis ao lado que acabou por perder. As sondagens não valem nada, só o teu voto no boletim conta. Se nunca votaste e não sabes o procedimento, lê isto, é simples. SE PERDESTE O BILHETE DE IDENTIDADE E/OU O CARTÃO DE ELEITOR PODES VOTAR NA MESMA, SÓ PRECISAS DE UM DOCUMENTO ALTERNATIVO, CARTA DE CONDUÇÃO, PASSAPORTE, ETC...

6) Chegam-me relatos de "aparições" de crucifixos por todo o lado. É ILEGAL, faz queixa à CNE se isso aconteceu na tua mesa de voto. É duplamente ilegal se a mesma se encontra numa escola pública, nesse caso faz também queixa ao ministério da educação.

7) Por ora é tudo, que está na minha vez de ir votar.

A chuva não é desculpa

Mulheres votando em Nova Iorque em 1917, 3 anos antes da 19th Amendment.

Os resultados oficiais, incluindo níveis de votação ao longo do dia, serão divulgados em referendo.mj.pt.

O caminho para a felicidade


Os inquéritos permitem concluir, explica a investigadora Anália Torres, que os países com mais baixo nível de modernidade nos valores de género na família são aqueles em que se verifica um maior stress doméstico. O inverso também se aplica, neste caso, com os países nórdicos a liderar a tabela.»
[via]

Your Excellency Hoppy, Bissau te aguarda


Esta estória é deliciosa. Então não é que Whoopi Goldberg descende de guineenses? O governo local não coube em si de contente e tratou logo de enviar um convite à estrela norte-americana, a pressa foi tanta que o entregaram em mãos à embaixada americana, que tratou de o enviar para Washington. Começava assim: «Your Excellency Hoppy Goldberg, it is with great euphoria that the government of Guinea-Bissau . . . learned of your ancestral origins . . . The news has awoken in each and every one of us a deep sense of fraternity . . . We simply cannot remain indifferent to the news of your Guinean heritage.».

A "hope" mantém-se entre as elites guineenses, muito embora o RP da actriz já tenha anunciado que Whoopi não gosta de andar de avião e o programa diário que tem na rádio impede qualquer viagem. Já o povo da Guiné-Bissau está a Leste de quem seja tão ilustre prima, muito embora lhe reconheçam traços físicos comuns à etnia Papel. Seja como for, seria recebida de braços abertos. E que bom que era que alguém com um discurso tão fresco como Whoopi fosse fazer estragos a alguns tabus guineenses...

sábado, fevereiro 10, 2007

Censura na Antena 1

«A edição de ontem do programa de rádio "O amor é ...", da autoria de Júlio Machado Vaz e Ana Mesquita, não foi para o ar. Segundo a RDP a emissão comprometia a isenção da estação, argumento contestado pelos autores.» [via]
Como? A Antena 1 faz parte do grupo RTP - Rádio e Televisão de Portugal. Um grupo estatal, ou seja, pago com os impostos de todos. Ao longo da campanha este grupo passou, nos seus vários canais, programas de autor ou religiosos que fizeram apelos directos e constantes a um certo sentido de voto (programa de Marcelo Rebelo de Sousa, o programa diário da igreja católica na RTP2 ou o programa da aliança evangélica no mesmo canal). Só censuraram Júlio Machado Vaz porquê? Receberam queixas? Inundemos então a caixa de correio do provedor do ouvinte.

A nossa Amesterdão

Já tinha os canais e as bicicletas, só faltava mesmo uma loja de drogas leves. Já há. Aveiro está com tudo.

sexta-feira, fevereiro 09, 2007

If you could eradicate misogyny, homophobia would evaporate

É também por isto que no domingo o nosso voto só pode ser Sim. Ainda tens algumas horas para convencer todos os que te rodeiam, que não falte ninguém no domingo.

Público à la Guardian

O anunciado novo design do Público parece-me giro, ou não se parecesse imenso com o do The Guardian (uma pena ficar-se pelo design a semelhança). O que não se percebe são os atalhos manhosíssimos, necessários para fazer o download do Nº zero... O Público não tem capacidade para oferecer este download, mas aloja o vídeo do anúncio no seu site? Não era mais elegante ter o ficheiro PDF no site e poupar espaço com o vídeo usando o YouTube?

Reflexão Sick

Desde que a SIC se transformou no Canal Floribella que praticamente a deixei de ver. Mas várias pessoas me têm assegurado que a parcialidade deste canal em relação ao referendo é em tudo comparável à da RTP, até as novelas brasileiras são transmitidas com o timming certo para favorecer o Não. Agora soube que amanhã, dia de reflexão, a SIC vai transmitir uma reportagem com o sugestivo título "O bebé milagre". No comments.

Os 25.000 Euros de Matilde Sousa Franco

Um dos argumentos que o Não tem usado nesta campanha é o de que o aborto clandestino não se combate com aconselhamento médico, mas com punição penal e apoio à maternidade (dando só ênfase ao segundo ponto, claro). O "trunfo" que usam costuma ser o das associações de solidariedade privadas que gerem, e que vivem dependentes de subsídios do estado. Escusado será dizer que as grávidas que procuram ajuda nestas instituições são mulheres que já decidiram levar avante a sua gravidez. E que o estado devia ajudar todas as grávidas directamente, e não subsidiando associações políticas de carácter privado, a solidariedade privada deve ser isso mesmo, privada, subsidiada portanto com fundos privados.

Mas estas desonestas subtilezas do discurso do Não atingiram um novo baixo de honestidade com o depoimento de ontem de Matilde Sousa Franco, no tempo de antena da Não Obrigada. Matilde contrapunha à nossa despenalização do aborto o subsídio criado pelo governo alemão, de 25.000€, para as mulheres grávidas, em Janeiro último. "Moderno é votar Não" assegurava. Como se de um voto Não dependesse a criação de subsídio idêntico em Portugal. Esquecendo que a Alemanha tem a lei do aborto que se quer para Portugal, votando Sim. Esquecendo que o Não venceu em 1998 e nem por isso o apoio à maternidade aumentou, mesmo havendo pelo meio dois Primeiros Ministros de direita...

Mulheres grávidas de Portugal, se o Não ganhar não hesitem, vão bater à porta da seu dona Matilde e exijam o dinheiro que vos prometeu.

Errata: Afinal o subsídio do governo alemão não é às grávidas, mas às novas mães. Não se entende por isso o elogio de Matilde, pois para o governo alemão um feto não é merecedor do subsídio, só um recém-nascido o é.

A mulher dos 7 abortos

Não sei que tipo de credibilidade se pode dar ao depoimento, visto num dos tempos de antena da Plataforma Não Obrigada, de uma mulher que dizia ter feito 7 abortos quando era jovem, que se arrepende muito e que por isso vota Não. A senhora é claramente pouco bafejada pela inteligência, só pode sê-lo para ter feito tantos abortos num tão curto espaço de tempo. Mas o mais extraordinário é ver alguém que afirma ter feito todos esses traumáticos abortos durante a vigência da actual lei, a lei que afinal defende votando Não. Uma pena que a defesa não vá até às últimas consequências, entregando-se numa esquadra, como conviria.

Será ela a musa inspiradora dos discursos do Não, que descrevem a mulher portuguesa como uma abortista compulsiva?

Concorda que o aborto deixe de ser um assunto de justiça criminal e passe a ser tratado como um assunto de saúde?*

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

ALERTA: "Não" está a divulgar apelos por e-mail para que façam campanha por SMS no Domingo

Os movimentos do Não estão a espalhar e-mails a apelar às pessoas para que façam campanha pelo Não, via SMS, no próximo domingo, o que constituiria uma violação flagrante da lei eleitoral.
«Foi nos pedido que no Domingo gastassemos o saldo do telemóvel a mandar mensagens para toda a lista telefónica a lembrar a mecessidade de ir votar... "NÃO". Espalhem essa mensagem e lembrem-se que foi assim que o Zapatero ganhou as eleições em Espanha.»
Lê-se num dos e-mails, assinado pelo departamento de relações públicas do movimento "Minho com vida". Mais um, dos muitos, golpes sujos que o Não tem feito ao longo desta campanha...

PS: É óbvio que qualquer um de nós é livre de falar com amigos sobre o referendo quando bem entender. Lembrar que é dia de votar, é até uma obrigação de todos os que acreditam na validade do instituto do referendo (mesmo que não concordando com este especificamente), e a SMS é certamente o mais eficaz lembrete. O que choca neste caso é a premeditação conspirativa e o apelo descarado a um certo sentido de voto, e pior, associar o nome de Zapatero a este tipo de práticas. Há gente com um sentido muito deturpado sobre o que seja a democracia...

Quando só se tem a Kátia

O roubo é a única alternativa, a bem da vida dos tímpanos, claro. Tudo pela vidinha.

Actualização: também a Plataforma Não Obrigada usou sem consentimento uma música dos Madredeus, adianta a edição em papel do JN de hoje, e a Teresa Salgueiro não gostou mesmo nada.

UE ou CPLP?

Os rappers que comentei aqui em baixo são angolanos. Vejamos como está a situação em Angola:

«Em Angola, dez por cento das mortes maternais têm origem no aborto clandestino e a pena de prisão pode ir até aos oito anos. A polícia tem até piquetes nos hospitais para interrogar as mulheres que chegam com complicações pós-aborto.»
Também do Brasil chegam novos apelos ao Não, via telenovelas.
«Pesquisas indicam que todos os anos ocorrem no Brasil entre 750 mil a 1 milhão de abortos clandestinos, cujas complicações constituem a quarta causa de morte materna no país. Segundo dados oficiais, cerca de 250 mil mulheres são internadas por ano em hospitais da rede pública de saúde para fazerem raspagem do útero após aborto inseguro, a maioria é jovem e pobre.

O Código Penal do Brasil, de 1940, considera o procedimento crime, excepto em duas situações: gravidez resultante de violação e risco de vida da mãe. Uma terceira possibilidade diz respeito ao aborto terapêutico para casos de anomalias fetais incompatíveis com a vida, isto é, quando o feto apresenta má-formação severa ou acefalia.»

No próximo domingo temos duas hipóteses, continuar com o modelo usado na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), ou passarmos a usar o modelo mais usado na União Europeia (UE), podendo transformar Portugal num exemplo positivo para a restante CPLP. Seja como for, orgulhosamente sós não estaremos... e quanto a pioneirismo, só mesmo ao nível da CPLP e se votarmos Sim.

No país da iliteracia 2

«O líder do PSD, Luís Marques Mendes, considerou hoje "radical" e "extremista" a posição do primeiro-ministro, José Sócrates, de recusar alterar a lei sobre a despenalização da interrupção voluntária da gravidez caso o "não" vença no referendo do próximo domingo.»
Imaginem o disparate que era se em caso de vitória do Não à despenalização, não se despenalizasse. Imaginem o que era respeitar essa possível vontade do eleitorado. Até pareceria que estamos num estado de direito. Marques Mendes é bastante lúcido, é uma república das bananas e devemos orgulhar-mo-nos disso. Se a actual lei mal se cumpre, porque raio havíamos de respeitar os resultados de domingo, sejam eles quais forem?

PS: Ainda há gente com tino no PSD.

No país da iliteracia

Se o ridículo pagasse imposto

Não sofrendo de miopia, qualquer pessoa distingue os dois símbolos a léguas. Não fosse o daltonismo agudo que floresce para os lados do Caldas, o CDS perceberia também que as cores do logótipo são as mesmas do seu próprio partido. E se a memória não fosse tão curta, perceberiam que o logotipo do STAPE é exactamente igual ao já usado no referendo à regionalização em 1998, na altura sem qualquer queixinha destes senhores. Mas a hora é de desconversar, baralhar, fazer histerias a troco de nada, para silenciar os reais atropelos à lei eleitoral.

Um Sim de onde menos se esperaria

«Manuel Costa Pinto, padre de Viseu, disse hoje que votará "sim" no referendo do próximo domingo, porque entende que deve acabar a humilhação das mulheres em tribunal e o "verdadeiro infanticídio" a que obriga a lei actual. (...)

"Mulheres com medo, que não têm dinheiro para ir para o aborto clandestino e muito menos para o estrangeiro, disfarçam a gravidez até ao parto. Vão para uma casa de banho, sai uma criança, aí sim, já uma criança, metem-na num saco e deitam-na ao caixote do lixo, ao esgoto ou até no campo", disse também aquele padre de Viseu.»
Já tinha feito uma referência indirecta a este fenómeno, uma simples busca por "recém nascido" no Google News revela um mar de tragédias deste tipo, aqui e no Brasil. Creio que não há números oficiais, mas são sem dúvida altos só a avaliar pela imprensa. O assunto é "tabu" e muito complexo, pelo que é natural que o Sim se escuse a usa-lo como argumento. Mas é também mais um motivo para valorizar a franqueza deste padre.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Tem a palavra Júlio Machado Vaz


Produções Murcon, via Sim no referendo. Um absoluto mr., como de costume.

Flash mob pelo Sim no Chiado


Reconheci pelo menos um amigo blogger ;) A ideia partiu do Colectivo Feminista, este vídeo é do Portugal Diário, notícia aqui. E o Porto fica-se? Se não há dinheiro, haja imaginação e espontaneidade, que a seriedade sempre foi nossa. Sobre esta coisa das flash mobs, ou multidões instantâneas, ler a Wikipédia.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

O que importa reter de tudo o que se tem dito


Daniel Oliveira no seu melhor, pondo os pontos nos iis. Ao contrário do que a careta mentirosa de Laurinda Alves possa querer dizer, o boletim de voto só tem duas opções (não é assim). Este vídeo também é ilustrativo da patética parcialidade de Fátima Campos Ferreira, a "professora primária da televisão pública" (sem querer ofender as professoras primárias). Entretanto Marques Mendes ainda não percebeu o óbvio e chama radical a Sócrates, por este querer cumprir a lei dos referendos e respeitar a vontade popular, seja ela qual for. Mas esta gente sabe sequer ler?

Farto de bebés despedaçados no teu e-mail?

Eu também. Repugna-me que se despedacem bebés, um dos motivos pelos quais voto Sim, aliás. Sou contra o aborto tardio, contra o infanticídio pós-parto. Contra o abuso do aborto cirúrgico que a clandestinidade, ou a legalidade à espanhola, promovem, quando o aborto químico é preferível a vários níveis. Em resumo, acho que o aborto se tem que acontecer deve acontecer o mais cedo possível, quando é desonesto falar-se em bebé, da forma mais segura possível, e o menos invasiva possível para a mulher.

É isto que explico a quem me manda e-mails de recém-nascidos despedaçados, como argumento para se oporem à despenalização do aborto até às 10 semanas, com consentimento da mulher, em estabelecimento de saúde autorizado. Explico isso, e depois mostro-lhes este vídeo, que ilustra a realidade dos nossos dias, a realidade que o Não consente e promove. Quem não quiser ver este vídeo que pare de me mandar imagens sobre o que não está em causa neste referendo, obrigado.

Coisas que o Não possibilita

"Há mulheres que abortam por negócio, para venderem as matérias fetais!" Agora alguém me explique como é que este "negócio" que "há" agora, hoje, em plena era-Não, pode ser usado como argumento contra a despenalização da IVG até às 10 semanas em estabelecimento de saúde autorizado? Não quero pôr em causa a afirmação do dr. Castro Caldas, de modo algum, apenas lhe pergunto, essas mulheres, certamente que muitas (já deu para perceber ao longo desta campanha que para as mulheres portuguesas o verdadeiro orgasmo está no acto de abortar), alguma vez iriam abortar às 10 semanas (quando as "matérias fetais" são meras 10g) e num estabelecimento autorizado, onde qualquer venda de órgãos ou tecidos é estritamente proibida? Diga à PJ o que sabe dr. Caldas, diga à PJ! Não seja cúmplice pelo silêncio!

PS: Vídeo aqui.

Generosidade condicionada

Das muitas desonestidades de que o Não faz bandeira, uma das mais intrigantes é o seu suposto apoio a mulheres grávidas, que supostamente evita muitos abortos. Serei só eu a achar que uma mulher que esteja a pensar abortar não irá nunca aconselhar-se junto de uma associação que a quer criminalizar por isso? E que raio de generosidade é essa que vive à conta de subsídios do estado, e não perde uma oportunidade para reivindicar mais? Ajudar com o dinheiro de todos é fácil. E supondo que sim, que mulheres hesitantes em abortar ou não, batem à porta destas generosas instituições, mas decidem ainda assim abortar, que fazem elas? Pagam um aborto seguro em Espanha? Ou denunciam-nas à polícia?

Às Kátias e Cristas orgulhosamente sós

Dizia ontem, nos Prós & Contras, Assunção Cristas (a miúda do Não que sorria sempre que se sabia filmada): "temos que ser pioneiros nalguma coisa". Já Kátia Guerreiro, fadista que importou o "K" não se sabe bem de onde, dizia no mesmo programa uma semana antes: "Portugal não tem que seguir a Europa em tudo, podemos trilhar o nosso próprio caminho". Pioneirismo e originalidade portanto. Nada, porém, mais longe da realidade global. Portugal está acompanhado, fortemente acompanhado, pela América Latina, África e Médio Oriente. E não há pioneirismo em fazer o que todos já fizeram, e entretanto os mais desenvolvidos deixaram de fazer. Por cá, como no Panamá, impera o atraso apenas.
«Um grupo de católicos convocados pela Igreja Católica e membros da Aliança panamiana pela Vida manifestou-se ontem, com palavras de ordem e cartazes, em frente da Assembleia Nacional para exigir a eliminação de toda e qualquer excepção para a prática de abortos no Panamá, tanto do código vigente como da proposta de reformas. (...)

O Código Penal panamiano sanciona o aborto cirúrgico com penas que vão de um a dez anos de prisão, que só não se aplicam em caso de interrupção consentida quando está em causa uma violação, ou por correr perigo a vida da mãe ou do feto.»

E não dá para atira-la aos leões?

«Na Roma Antiga havia.» Fátima Campos Ferreira, defensora do Não à despenalização do aborto até às 10 semanas, esta noite ao interromper Vera Jardim, quando este garantia que nenhum código penal europeu previa um crime sem pena. Tudo isto no Prós & Contras especial, inventado às três pancadas para promover a nova e falsa teoria de que votar Não é votar numa despenalização alternativa.

Para quem não se lembra, em 1998 a pergunta a referendo era a mesma, ganhou o Não, nada mudou, mulheres morreram, mulheres foram julgadas e condenadas, Portugal não seguiu a trela da Europa, continuamos na trela do Irão, da Nicarágua ou da Nigéria. Já repararam aliás como o Não tão orgulhoso na pátria, vê afinal os portugueses, e especialmente as portuguesas, como incapazes e inferiores aos restantes europeus? As leis que funcionam na Escandinávia nunca funcionariam aqui, aqui as mulheres fariam fila nos hospitais para abortar na segunda-feira se o Sim ganhasse no domingo. É a isto que se resume o discurso do Não.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Sim no referendo

Este é provavelmente o melhor blog de campanha eleitoral feito até hoje no país, e já houve várias campanhas desde que há blogs. Ainda não lhe tinha dedicado um post em especial, fica agora feita a homenagem, já que era impossível colocar ali na caixinha dos "posts a não perder" todos os que merecem destaque sem ofuscar posts de outras fontes. Parabéns aos escribas e força para o resto da semana.

PS: Roubei ao Creolina na Alma o banner que está na barra lateral.

domingo, fevereiro 04, 2007

Grandes Mentirosos

1) A Plataforma Não Obrigada tem dito diariamente que não quer a partidarização da campanha. Por mim tudo bem, mesmo que façam caminhadas com o CDS na primeira fila e o PNR na última. Mas usarem o tempo de antena do PPM já é abusar.

2) A posição oficial do PSD é de neutralidade. Estranha posição quando se vê o seu líder diariamente em campanha pelo Não. Mas pior ainda são os tempos de antena, onde participam, nem mais, os mais radicais defensores do Não, com um discurso que não é sequer compatível com a actual lei.

3) Marques Mendes assumiu um compromisso que não pode cumprir. Se o Não ganhar despenaliza a IVG. Alguém explique a este mentiroso compulsivo (ou será apenas tonto?) que o referendo não é nenhuma eleição, que tem uma pergunta muito concreta e clara e que cabe ao parlamento já eleito (onde o PSD é minoritário) legislar em conformidade com a resposta dada pelos eleitores. Sim ou não à despenalização do aborto a pedido da mulher até às 10 semanas.

4) Apesar da gritante parcialidade de Fátima Campos Ferreira, o Sim esmagou o Não em todos os sentidos no passado Prós & Contras. Razão pela qual o programa vai repetir o tema esta noite. Óptima oportunidade para o Sim desmontar as novas mentiras do Não entretanto acumuladas. Força!

sábado, fevereiro 03, 2007

Um grande passo para Israel

Esta semana. E um marca passo para Portugal.

Pessimismo serenado

O claro, lúcido e sereno João César das Neves, escreveu um livro bem fundamentado e esclarecido, contra o extremismo e a intolerância. Como não podia deixar de ser, no meio de tanta sensibilidade e bom senso, o mesmo será apresentado por Marcelo Rebelo de Sousa. Faz todo o sentido, para o primeiro o aborto é comparável ao homicídio, e para o segundo a despenalização do aborto não devia ter limite de semanas, só não devia ser a mulher a optar e muito menos em estabelecimento legalmente autorizado. Confusos? É suposto estarem, é essa a ideia. E é por estas e por outras que posts como este não me desanimam, pelo contrário, dormirei agora melhor se sonhar com 50,3%.

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Y viva la Iespiánhia!

Na discussão da despenalização do aborto Espanha vem sempre à baila. Está mesmo ao lado, fica à mão por assim dizer, e dá jeito a muita gente. Dá desde logo jeito a quem quer (e pode) abortar com segurança (médica e legal), mesmo as senhoras do Não podem ir a Badajoz ou a Vigo sem grande confusão. E dá jeito para muitas comparações, que só costumam dar jeito ao Não.

1) "A lei é igual à nossa", asseguram-nos. Não é bem assim, mas não anda muito longe. 2) Ao mesmo tempo generalizam as subidas dos números de abortos em Espanha a toda a Europa, e garantem que é o que vai acontecer por cá. 3) Asseguram ainda que votar Sim é abrir as portas às clínicas espanholas.

1) A lei é semelhante, mas em Espanha não se fazem julgamentos. O que se faz é que nas clínicas os pareceres médicos necessários são meros passos burocráticos automatizados. No fundo é chegar, abortar e pagar. A grande maioria dos abortos são feitos em clínicas privadas.

2) O Estado espanhol desresponsabilizou-se portanto da situação, está tudo nas mãos dos privados, a quem a redução do número de abortos não interessa. É claro que o aumento do número bruto se deve em grande medida ao aumento da população, sobretudo da imigrante. Mas não há reais esforços para reduzir o número de abortos. Planeamento familiar e aconselhamento, lá como cá, vai-se indo...

3) As clínicas espanholas vão instalar-se quer vença o Sim ou o Não, e por certo que o resultado ideal para as mesmas é uma repetição do resultado de 98. Uma fraca vitória do Não, com toda a gente a dizer que é contra a penalização, dificilmente conduzirá a um grande aumento do policiamento zelota do cumprimento da lei. As clínicas poderão fazer em Portugal o que fazem em Espanha, abortos seguros, mas pagos. E o estado poderá continuar a demitir-se da educação sexual, do planeamento familiar, enfim, da saúde reprodutiva dos cidadãos. Abrindo então espaço a uma taxa de abortos muito superior à holandesa, a mais baixa do mundo.

4) Na hipótese remota de o Não ter uma vitória sólida (vinculativa) o caso seria necessariamente diferente. Mais policiamento, mais julgamentos, e provavelmente algumas prisões efectivas, que alguns juízes anseiam por aplicar. Só lhes falta o clima político certo. É o voto que o vai determinar.

O renas virou um vlog


Está quase post sim, post sim, com vídeo. Que fazer? É a irresistível força das imagens em movimento. No Sim no referendo encontram-se alguns dos tempos de antena e outros serão adicionados assim que disponíveis. Eu também criei uma playlist no YouTube com vídeos pelo Sim ou sobre o Sim. Está a faltar o vídeo de Sócrates, para já só no Sapo. E de tudo que vi é precisamente este aqui em cima o que mais gosto, não sei se será o mais eficaz, mas é sem dúvida o mais real e honesto. Parabéns a quem o fez, está mesmo excelente. Comoveu-me, a sério, o que é difícil por estes dias de guerra aberta. Enfim, escolham os que mais gostam e mostrem aos vossos amigos, e-mailar o mais possível. Já só faltam 9 dias.

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Nada como uma ecografia aos 9 meses, como prova de imparcialidade


Campanha publicitária ao novo grafismo do jornal Público, a fazer lembrar uma outra à cerveja Imperial (não pela ecografia, mas pelos "vivas", também eles imparcialíssimos se o assunto é aborto). Via Ponto Media.

quarta-feira, janeiro 31, 2007

Marques Mendes mentiu, porque é que a RTP não o mostrou?

Não sei como foi nos outros canais, mas na RTP a crítica de Louçã a Marques Mendes, por este criticar a pergunta que aprovou no parlamento, foi seguida pela negação mentirosa de Marques Mendes, e assim terminou a informação. Ora a RTP tem as imagens que mostram Marques Mendes a dizer aquilo que negou hoje, porque não as mostrou? Porque se limita a deixar no ar a (fraca) palavra de alguém, quando tem as imagens que acabariam com qualquer dúvida? As imagens, dos ataques à pergunta e da negação disso mesmo, podem ser vistas aqui.

PS: Valha a TVI:

No segredo do confessionário

Em Itália um jornalista confessou-se a diversos padres por todo o país, fingindo ser um arquitecto casado com um amante homossexual ou um médico que praticou eutanásia, entre outras personagens. As respostas e conselhos dos sacerdotes são do mais variado possível, ora recomendando a continuação discreta de casos homossexuais, ora sexo sem preservativo mesmo sabendo estar infectado pelo HIV. Não há por aí nenhum jornalista disposto a trabalho idêntico pelas paróquias portuguesas?

PS: A previsível reacção do Vaticano.

Tem a palavra Alexandra Teté


Para não dizerem que não damos nenhum tempo de antena ao Não, ei-lo (também no Sapo),e creio que nem vale a pena comentar, constatemos apenas.

O programa "Sociedade Civil" passa diariamente na RTP2, e esta semana é inteiramente dedicado ao referendo, podem vê-lo na íntegra no Centro Multimédia da RTP. Neste aqui videocitado também esteve presente o Miguel Vale de Almeida, absolutamente brilhante, as usual, parabéns! Vale mesmo a pena ver o programa por inteiro.

Se às 10 semanas pós-fecundação já é uma criancinha...

Aos 5 anos já tem mais do que a idade suficiente para ler e difundir pornografia de terror, como é óbvio. E já vão com sorte por (desta vez) não terem imagens de canibalismo...

terça-feira, janeiro 30, 2007

Tem a palavra José Sócrates


(Sapo/YouTube)

13 mulheres não valem nada, e o aborto nunca existiu

É a única conclusão possível depois de visto o novo outdoor da "Plataforma Não Obrigada". E isto, mesmo já dando de barato que um embrião, sem sistema nervoso, pode ser comparado a uma pessoa... *10, 9, 8, 7.... inspirar*

O argumento natalista

Propaganda natalista nazi (esq.) e estalinista (dir.).

"Vai-se legalizar o aborto quando a taxa de natalidade é tão baixa?". É um falso argumento a vários níveis. Desde logo é altamente discutível se a baixa taxa de natalidade é um problema. Mas é sobretudo falso porque se sabe que a criminalização ou não do aborto em nada influencia a taxa de natalidade. Mas nem é isso o que mais choca, o que choca, ou devia chocar, é a facilidade com que alguns vêem as mulheres como meras parideiras ao serviço da pátria. Choca-me que este argumento usado por Hitler e Estaline, precisamente para criminalizarem o aborto, continue ainda hoje, como se nada fosse, como se nada tivesse acontecido, a ser usado com a descontracção e dramatismo fingido com que se canta um fado.

Grandes Fraudes Portuguesas

Orgulho no Sim

Depois do Prós & Contras é só isto que me ocorre. Que orgulho tenho em estar ao lado daquelas pessoas quando no próximo dia 11 escrever o X no Sim. Vital Moreira absolutamente impecável, absolutamente na mouche, calmo, sereno, honesto, claro e esclarecedor. Brilhante, absolutamente brilhante. Idem para a dra. Maria José Alves. Clap, clap, clap! Mais, nunca pensei um dia escrever isto, mas força, força companheiro Vasco Rato! "Se não é por opção da mulher, é por opção de quem?" é uma das frases da noite, e claro, ficou sem resposta por parte dos Nãos. Vénias ainda a Catarina Furtado e a Lídia Jorge, vilmente atacadas pelas patrulheiras do Não, a segunda em directo no programa. Estou a esquecer nomes, mas lindos todos, claros, serenos, calmos, positivos. Babei de orgulho.

Eu que hesito sempre entre ver ou não ver estas coisas, não vá o coração não aguentar (que isto de já ter mais de 10 semanas é lixado para os corações), dei por mim a serenar e a apreciar o quão belo pode ser simplesmente falar verdade, encarar a realidade, ser honesto e corajoso. Clap, clap, clap! Parabéns a todas e a todos os que se bateram pelo Sim, foi lindo!

segunda-feira, janeiro 29, 2007

SócratesTube

Depois de Cavaco na Índia e Marcelo em Marte, é-nos (cidadãos internautas) agora dado a ver Sócrates na China. E no Sapo, como sugeri ao presidente, embora sem sucesso.

"Referendo ao aborto"

Abortar, sim ou não? É uma pergunta que compete responder à mulher que se encontra numa situação em que abortar é uma das hipóteses. Isso é, foi e será assim, independentemente do resultado do referendo, porque independentemente do resultado do referendo, o aborto continuará a ser uma realidade, e logo uma hipótese.

A pergunta do referendo é outra, se concordamos, ou não, com a despenalização do aborto até às 10 semanas realizado em estabelecimento autorizado. Simplicíssimo, mas eu explico, se achamos que a actual pena de prisão até 3 anos prevista na lei não tem razão de ser para os casos de aborto em estabelecimentos de saúde devidamente equipados e legalizados. Sim ou não?

Mas ainda antes de Marcelo, já a RTP tentava baralhar as coisas. Convencer-nos que o que se referenda é a primeira pergunta, e não a segunda. Já o escrevi n vezes, lamento estar a repetir-me, mas a RTP repete-se continuamente. "Referendo ao aborto", "sim ou não ao aborto", "movimentos contra o aborto", ainda hoje ouvi no Telejornal. O que não se ouve é "referendo à despenalização da interrupção voluntária da gravidez", que poderia ser encurtado para "referendo à despenalização do aborto", mas nunca "referendo ao aborto". Disse, insisto, repito, não é jornalismo, não é sério, não é honesto e é pago com os nossos impostos.

Já escreveste ao provedor? Se adiares para depois de dia 11, poderá ser demasiado tarde.

Vídeos do prof. Marcelo resumidos e explicados


Para quem não tem pachorra para ver os originais, aqui fica o resumo. Também no YouTube.

Visionamento a acompanhar com a leitura deste artigo do Rui Tavares, na mouche como de costume.

sábado, janeiro 27, 2007

O Não e a extrema-direita

Já se sabia que a extrema-direita estava pelo Não no referendo antes mesmo da campanha começar. Basta lembrar que Hitler criminalizava o aborto quando praticado por mulheres arianas, cuja função era parir mais filhos para a pátria. Até aqui nada de novo, nenhum motivo para notícia sequer, a melhor forma de se lidar com isto, já se sabe, é com um cordon sanitaire. Ao Não democrático competia apenas não se deixar confundir com o Não nazi.

Problemas da periferia e imaturidade democrática, o Não do Establishment (CDS, ala direita do PSD e legião de Maria do PS) prefere a extrema-direita a um partido democrático e com assento parlamentar como o Bloco de Esquerda. Desde que este partido denunciou as ligações do "Blogue do Não" ao blog "Pela Vida", o BE está sob ataque cerrado pelas hostes do Não, que o acusam, claro, de "extremismo", mas pouco se esforçam para mostrar as diferenças face à extrema-direita. E não são apenas links que os ligam, até debates conjuntos já tiveram. E mesmo com alguma boa vontade, a verdade é que não se vislumbram diferenças entre os argumentos de uns e outros. A mistura do Não com a extrema-direita não foi criada pelo Bloco, esteve sempre lá, e só não vê quem não quer.

Afinal havia outra

Fartinho que estava das manipulações grosseiras da RTP, decidi dar uma oportunidade ao noticiário da SIC. Ingenuidade minha de novo, da tv é de se esperar sempre o pior. E assim foi, antes de uma peça sobre acções de campanha de rua por Lisboa de ambas as facções anunciou-se com grande alarido, o âncora claro, que a do Não se viu a braços com grave incidente. Afinal o grande incidente mais não era que um transeunte a rejeitar a hipocrisia subjacente ao voto Não e a lembrar que na restante Europa, à qual queremos pertencer, a coisa há muito foi resolvida. A isto ia uma individua do Não dizendo que não era nada assim, que a Europa anda arrependidíssima de já não penalizar as mulheres e querem todos voltar para trás. Claro que não deu um único exemplo, e só a Polónia serviria para tal, mas não é exactamente como a Polónia que queremos ser, ou é? E dica grátis para a sujeita, se também pensou Nicarágua esqueça, é noutro continente... Mas bom, nada disto se soube pela SIC, que tal como a RTP, defende a teoria de que o jornalismo isento é o jornalismo acéfalo, incapaz de denunciar a mais flagrante mentira ou contradição. E por outro lado, capaz de transformar uma breve discussão num "incidente". Que diria a SIC do fulano que chamou "abortadeira de m****" à L.?

Avançando na peça viu-se depois Paula Teixeira da Cruz em campanha pelo Sim, mas quem não soubesse que se tratava de uma deputada do PSD, ficou sem o saber vendo a SIC... Finda a reportagem anunciam uma outra sobre filmes intrauterinos de carícias entre gémeos, assim um cúmulo de pornografia embriófila e incestuosa que me escusei a ver.

Se o Sim ganhar no próximo dia 11 haverá mais um motivo para considerar que a democracia portuguesa amadureceu, pois nesse dia se concluirá que as tvs já não decidem eleições.

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Mudando de assunto, ou talvez não...


"Éramos pocos" é uma das duas curtas espanholas nomeadas ao Oscar, e está integralmente disponível no YouTube. Deliciosamente ácida.

RTP pelo Não (actualização)

Ingenuidade minha. Decidi assistir ao Jornal da Tarde de hoje a ver se corrigiam a mentira grosseira que passaram ontem. Claro que não, até porque só houve uma notícia sobre o referendo durante todo o noticiário: excertos da entrevista ao sr. Policarpo, chefe da filial portuguesa da ICAR, dada ontem em horário nobre pela televisão pública. E se ontem ao ver a entrevista completa Policarpo parecia um defensor do Não pouco convicto, quase hesitante, hoje, com os momentos bem seleccionados, não deixou qualquer dúvida. E tu, já escreveste ao provedor?

quinta-feira, janeiro 25, 2007

Portugal é o 3º melhor do mundo, que a Nicarágua já está no céu!

Ainda no Jornal da Tarde de hoje, e imediatamente a seguir às notícias sobre o aborto (não fossem os espectadores perder a associação "aborto/baixa natalidade" por causa de alguma notícia de bola), a RTP divulgou um "estudo" da Associação Portuguesa das Famílias Numerosas a alarmar para esse assunto, o da baixa natalidade. Estudos destes são a dar com um pau (dos sérios aos a brincar como este), estão longe de ser novidade, e se queremos taxas de natalidade altas como em França e na Dinamarca não é criminalizando o aborto que o conseguimos. Mas a ideia de noticiar o dito "estudo" era outra, ou não estivéssemos na RTP, e daqui até ao referendo ainda veremos várias notícias "inocentes" plantadas imediatamente a seguir às do aborto, como aliás já vimos esta semana, ora ginástica para grávidas em Vila Real, ora uma associação pelo parto natural... Estou até capaz de imaginar a próxima!
«Com uma eventual vitória do "sim" no referendo do dia 11 de Fevereiro, Portugal desceria do terceiro para o décimo lugar no ranking mundial de "países amigos da vida". Esta foi a principal conclusão do estudo do docente da Universidade do Minho e mandatário do movimento cívico Minho pela Vida, Luís Botelho Ribeiro, apresentado ontem à tarde, em Lisboa.

De acordo com o docente, Portugal "é o terceiro melhor país do mundo para nascer, logo atrás da Irlanda e da Suíça", que ocupam respectivamente o primeiro e segundo lugares. Mas o trabalho avança que caso o aborto seja despenalizado Portugal desceria para o décimo lugar.
»
(fonte: Plataforma Não Obrigada)
É isso mesmo, Portugal é o terceiro melhor país do mundo para nascer! *pausa para risos e lágrimas* Adiante, este nome, Luís Botelho Ribeiro, lembrou-me algo, e depois de se me fazer luz (pois é, perigosos abortistas como eu também tem essa capacidade de ocasionalmente fazerem luz sobre determinados assuntos), percebi melhor as razões de Portugal estar em 3º no tal estudo. É que Luís Botelho Ribeiro foi um dos candidatos a candidatos das últimas eleições presidenciais. Queixando-se da falta de atenção da televisão pública iniciou uma greve de fome que terminou 3 dias depois, não que a atenção da RTP tivesse chegado, apenas a fome que apertou e foi mais forte que a palavra dada. Suspeito portanto que o 3º lugar de Portugal no estudo mundial, se devem ao facto do sr. Ribeiro ter começado pela Irlanda, saltado para a Suíça, indo a Portugal, e tendo desistido de ir mais longe ao verificar a vastidão do globo terrestre.

À procura da confirmação dessa minha suspeita fui procurar o site do Minho pela Vida, não achei. Mas achei um Minho com Vida, que até é capaz de ser o que a Plataforma Não Obrigada refere, já percebemos há muito que esta gente com nomenclatura e língua portuguesa não vai longe... Lá chegado, estudo não encontrado, mas encontrei uma apetitosa notícia, apetitosa por ser tão esclarecedora do que move esta gente, a criminalização total do aborto, ora atentem:
«(...) agora arremete contra a lei que eliminou o falacioso aborto terapêutico na Nicarágua. (...) Entretanto, esta semana reapareceu nos meios exigindo na Nicarágua que se restitua o aborto terapêutico, a pesar que peritos médicos em todo mundo reconhecem que com os avanços científicos atuais *o aborto nunca é necessário para salvar a vida de uma mulher doente*.»
Bastante mais claros que Marcelos ou bispos viseenses, não? Querem-nos como a Nicarágua. O que é que se responde a isto?


Não é jornalismo, é a manipulação grosseira da RTP

Depois de ter promovido o vídeo do sr. Marcelo na terça-feira, o Jornal da Tarde voltou a youtubar hoje. Mas fê-lo com o rigor a que já nos habituou, ou seja, nenhum. Foi dito que Francisco Louçã respondeu a Marcelo, e que Marcelo logo lhe deu troco, e foi nesta sequência que foram apresentados excertos dos dois vídeos, terminando com a lapidar frase Marcelina que tanto sentido faz aos iliteratos do país, "não é a despenalização, é a liberalização", não sem antes a jornalista ditar, "despenalização ou liberalização, assim se dividem os movimentos em campanha" (!?!?!?).

Ora acontece que a resposta de Marcelo era a declarações de Louçã fora do YouTube, sendo a resposta de Louçã no YouTube o vídeo mais recente desta discussão, e não o contrário como foi noticiado na RTP. RTP que concluiu a peça nestes termos, "mas enquanto a resposta de Louçã só conta com 900 visitas, a mais recente de Marcelo já vai nas 8000". Repito, e basta ver no YouTube, o vídeo de Marcelo respondendo a Louçã foi adicionado dia 22, altura em que toda a comunicação promovia o seu vídeo de estreia, a resposta de Louçã foi colocada dia 24. Tudo isto é básico, e distorcer algo tão facilmente verificável já não sei se é manipulação ou simplesmente o cúmulo da irresponsabilidade, negligência e burrice.

PS: A peça da RTP está disponível no seu site, começa ao minuto 21. Era bom que alguém a youtubasse para a posteridade, infelizmente não faço ideia de como se fará tal coisa.

PPS: Entretanto foi lançado o 3º vídeo de Marcelo, que agora diz que vota Não porque não acredita que o Sim vá ser aplicado... confusos? É esse o objectivo.

PPPS: Voilá, e no Sapo que é mais rápido (tanto nos uploads, como nos downloads):



PPPPS: E agora também no YouTube.

Acho nojento fazerem-se orgias em frente a uma maternidade

Mapa da "caminhada pela vida", a caminhar vivamente em breve por Lisboa.

Ou será que vão tirar o exclusivo à Nª Sª e às dragonas indonésias também a fazendo de forma imaculada?

quarta-feira, janeiro 24, 2007

Project Gutenberg em Português

O Projecto Gutenberg é a mais antiga biblioteca virtual (e gratuita) do mundo, e agora está disponível em português. Construída por voluntários de todo o mundo procura agora aumentar a sua colecção neste idioma. Há várias formas de ajudar, descobre aqui como o fazer.

Então a violência doméstica deixou de ser crime público?

O que a Igreja realmente pensa sobre o aborto

Depois de um dia de aparente benevolência e boa vontade da ICAR, que por marcelina inspiração se diz "a favor da despenalização, mas contra a liberalização do aborto", convém recordar o que diz a mesma ICAR quando não se está em período de campanha. Bastante mais claros não são? Afinal tem o dever de participar na campanha, afinal são pela penalização e não concebem que os católicos não o sejam, e a educação sexual é em casa, não na escola. Mas em tempo de campanha suaviza-se o discurso, inventam-se jogos de palavras e confia-se na iliteracia dos jornalistas que logo acorrem histéricos...

À atenção dos Sim's que acham que a vitória está garantida

A leitura deste post sobre as sondagens de 98. O PS que continue de braços cruzados, a RTP que continue a esbanjar recursos públicos para propagandear o Não, e depois...

E continua a campanha da RTP pelo Não

Não é só o padre Borga a colorir negativamente a hora de almoço da televisão pública. Ainda numa de masoquista decido ver o Jornal da Tarde da RTP. Chega a hora de falar no referendo e lá vem novo bispo, todos os dias há um novo, e hoje foi a vez do de Viseu. Novidade, as sacristias deste país já estão ligadas à internet! Então não é que o senhor bispo repetiu palavra por palavra o discurso troca-tintas do sr. Marcelo Rebelo de Sousa, aka "O Professor". Que a igreja afinal até é pela despenalização das mulheres, mas que não quer a legalização do dito cujo. Resumindo, cadeia não, clandestinidade sempre! Uma pena que esta gente só se lembre disto quando se discute a legalização, quase 10 anos sem ouvir uma palavra a favor da despenalização, e de repente parece que todos sempre lutamos por isso...

Bom, acaba a recitação das youtubadas do professor Marcelo pelo senhor bispo e começa uma reportagem sobre diabetes. Ah? Então e o Sim? Onde está? Nem para passar o Ricardo Araújo Pereira (Gato Fedorento) que trabalha na estação? Não, ficamos como na segunda-feira passada, no Jornal da Tarde só há espaço para o Não.

PS: E ainda alguém desse clube novo do "Não no referendo, mas Sim à despenalização" me há-de explicar que legitimidade política haveria para despenalizar (que é aquilo que o referendo pergunta) em caso de vitória vinculativa do Não...

Olhe que não, olhe que não

Puro masoquismo, ligo a tv antes das 13h e levo logo com o padre Borga a dizer "ainda bem que somos todos contra o aborto!". Fica a dúvida, estaria a referir-se aos funcionários da RTP? (E já agora, quanto é que o padre Borga r€c€b€ por promover os seus discos pimba e superstições diariamente na televisão pública?) Ou, será que o padre se referia a toda a gente envolvida na campanha, seja pelo Sim ou pelo Não?

É possível que fosse este o caso, tal a imagem de ultramoderação que o Sim se esforça por passar. Eu acho que estrategicamente é importante passar a imagem de que o Sim é o voto moderado, o voto do bom-senso, da responsabilidade. Mas muito cuidado com as cedências que se fazem ao Não. Pessoalmente não tenho qualquer objecção moral ou ética ao aborto voluntário no início da gravidez.

A única razão pela qual considero positiva a redução do número de abortos é por isso significar que menos mulheres são expostas aos riscos a ele subjacentes. Riscos esses que são a razão pela qual o aborto não deve ser usado ou promovido como método contraceptivo, mas antes como o "plano B", quando tudo o resto falha. Mas um plano B perfeitamente legítimo, tal como é perfeitamente legítimo que cientistas cultivem células humanas em caixas de petri ou clonem porcos com alguns genes humanos que possibilitem o desenvolvimento de órgãos aptos ao transplante para pessoas que deles necessitem. Conjuntos de células humanas vivas não são necessariamente seres humanos, é preciso bem mais que isso. Como bem escreve o Ricardo Alves, a vida não começa com a fecundação, transmite-se. E avaliar algo por aquilo que poderá vir a ser, em vez daquilo que é, não é mais que futurologia e crença. Sejamos racionais, sim?

terça-feira, janeiro 23, 2007

Minhot@s, isto também é convosco:

Basta!

A televisão pública, paga com os nossos impostos, promove uma "oportuna" (leia-se conveniente) entrevista ao sr. Policarpo com esta pergunta e resposta: "Será o ABORTO comparável ao TERRORISMO? O Papa Bento XVI diz que SIM.". De uma vez por todas basta! Basta de campanha pelo Não paga com os nossos impostos! Basta de "jornalistinhas" videntes armados em pastorinhos new age! Basta de sermos insultados e difamados pela televisão que pagamos do nosso bolso! Basta de propaganda no lugar da informação! BASTA! Foram ultrapassados todos os limites da decência democrática. Foram esquecidos todos os princípios do jornalismo. É o grau zero do que era suposto ser serviço público.

Marcelo Rebelo de Sousa, o abortista radical que gosta de mentiras

muito boa gente comentou o vídeo e site do comentarista pago com os seus impostos. Mas os ditos são tão, como dizer, inacreditáveis que não resisto a comentar. Marcelo defende a despenalização até às 18 semanas e por isso vota não. Marcelo é a pessoa mais feliz com o referendo, mas acha a pergunta mentirosa. Depois navega-se pelo site e descobrem-se coisas espantosas, como "Em 2005 houve 73 casos, e não milhares, de mulheres atendidas na sequência de aborto clandestinos." Porquê? Porque sim, porque Marcelo diz que sim e é quanto basta, não é preciso indicar fontes, nada, atira-se um número ao ar, contradizem-se os estudos elaborados, et voilá. Citações completamente descontextualizadas (sem sequer a indicação de onde e quando foram proferidas) também abundam. Só faltam mesmo a seriedade e a honestidade, mas não é isso que interessa, o que interessa é garantir a vitória do obscurantismo a qualquer preço, orgulhosamente sós na Europa - a cauda será sempre nossa!

PS: Que querida a RTP, no Jornal da Tarde de hoje até ensinou os espectadores a procurarem os vídeos do Marcelinho no YouTube. Digo vídeos porque há um novo onde Marcelo esclarece melhor a posição, é contra a penalização mas é a favor da clandestinidade. Abortai à vontade, mas longe da minha vista, mesmo que isso implique um prejuízo da vossa saúde... a minha vistinha é que não pode ser afectada.

E a Europa civilizada mira-nos com pena e convida-nos a juntarmo-nos ao grupo

«A eurodeputada socialista Edite Estrela divulgou ontem à noite, durante um debate realizado em Castelo Branco, que o Parlamento dinamarquês apelou ao "sim" no referendo sobre o aborto em Portugal. O documento, enviado à presidente da delegação portuguesa do grupo socialista no Parlamento Europeu "por uma colega dinamarquesa", foi definido como "um apelo subscrito por todos os partidos com assento no Parlamento dinamarquês".»

Na Dinamarca o aborto a pedido é permitido até às 12 semanas da gravidez. O país que em Portugal tem muitos fãs de direita pelo seu modelo de "flexisegurança" (mais pelo "flexi" do que pela "segurança"), tem uma das taxas de desemprego mais baixas do continente, uma das taxas de natalidade mais altas e é o país no mundo onde mais pessoas se declaram felizes. Escusado será dizer que Portugal é o mais infeliz da Europa Ocidental.

Amanhã

domingo, janeiro 21, 2007

RTP Não Não Não

Começa a ser escandalosa a cobertura da RTP à campanha para o referendo. Não tenho ligado muito às outras TVs, mas constatar que os meus impostos servem para financiar a propaganda do Não é de dar a volta ao estômago. É certo que já tiraram a imagem do recém-nascido do grafismo optando por um boletim de voto (até parece que lêem o renas), mas a expressão "referendo ao aborto" continua em alta, e as peças sobre o Não são sempre pelo menos o dobro (em número e tempo) que as do Sim. E além destas, como aponta o Miguel, seguem-se reportagens "inocentes" sobre partos em casa ou raparigas adolescentes que decidiram levar avante gravidezes não planeadas - good for them, sem ironia, só me pergunto, mas que raio tem isso a ver com o artigo que se referenda? Para os que não se lembram reza assim: «A mulher grávida que der consentimento ao aborto praticado por terceiro, ou que, por facto próprio ou alheio, se fizer abortar, é punida com pena de prisão até 3 anos.» Quem quer ter filhos pode continuar a tê-los e como bem entender, só não se quer obrigar ninguém a tê-los não os querendo, ok?

Mas não é só a RTP em alegre campanha pelo Não, o que me parece constituir uma grande diferença face a 98, altura em que a comunicação social esteve bem mais isenta. Nos tempos que correm qualquer indignação do CDS vale uma notícia, ora não sei quem que mandou uns mails, ora uma juíza que ousa ter opinião. Que se lixe a parte de haver na televisão pública um espaço diário da responsabilidade da ICAR em propaganda pelo Não desde que se começou a falar em referendo! E o sorriso enternecido de Judite Sousa ao apresentar uma peça sobre os betinhos beatos do "Diz que Não", a dizerem que iam ajudar as criancinhas, também é pago com os teus impostos! (By the way, alguém devia avisar essa miudagem que o RAP do Gato Fedorento vota Sim, pelo que convinha mudarem de nome). Mas deixemo-nos estar, cruzemos os braços como em 98... embalemo-nos no bonito discurso do "não partidarizem a campanha", que é o que mais se ouve nos últimos tempos, e vão ver a festa do CDS no dia 11 de Fevereiro.

PS: Incrível, não há mesmo pingo de vergonha. Hoje [22.01.2007] no Jornal da Tarde da RTP passaram duas peças sobre o referendo, a primeira sobre as declarações do bispo da Guarda (que o de Beja não interessava mostrar), que defende a pena capital para quem aborta, e depois um anúncio da caminhada pelo Não que vai haver em Lisboa. Reportagens sobre o Sim, zero! Não há mesmo vergonha! Já escreveste ao provedor?

O Não recomenda a Volkswagen

Dos Estados Unidos ao Brasil a Volkswagen esforça-se por transmitir uma imagem que faça esquecer as suas tenebrosas origens. Curiosamente em Portugal não há essa preocupação. Num anúncio a um seu modelo recente publicado em várias revistas lê-se: "Recomendado pela Associação Portuguesa de Famílias Numerosas". Associação esta com posições bem extremadas à direita e profundamente ligada ao movimento do Não - basta entrar no site, que por pudor não linko, para se constatar isso mesmo. Ou seja, o Não recomenda a Volkswagen, devemos então concluir que a Volkswagen recomenda o Não? Mais um palpite para a explicação do oceano de dinheiro onde navegam os movimentos pró-prisão.

Relaxe, mesmo que o Sim ganhe o país continuará na cauda da Europa

Acho piada quando ouço alguém, e já lhes perdi a conta, dizer que não é a favor da penalização, mas é contra a "liberalização total" (sic) e que por isso vota Não. Basta ver esta infografia das diferentes legislações europeias para se perceber que Portugal continuará a ter, mesmo com a vitória do Sim, das leis mais restritivas, já que o mais comum na Europa é o aborto a pedido até às 12 semanas. Na Suécia é até às 18, ficaremos então como a Eslovénia, o que não é mau, porque, e por falar em contas, na economia a Eslovénia já nos passou a perna há muito...

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Homophobia's Anatomy


Acabei de ler que a série transmitida pela RTP "Grey's Anatomy" tem sensivelmente o dobro da audiência do "House M.D.", transmitida pela TVI. Claro que o horário de exibição não é alheio ao facto. É é precisamente em torno da "Anatomia de Grey" a mais recente polémica estelar americana, com o actor Patrick Dempsey à porrada com Isaiah Washington, por este último ter chamado "faggot" (paneleiro) a T.R. Knight, George O'Malley na série. Washington negou o insulto durante os Globos de Ouro, o que mereceu duras críticas de Katherine Heigl. Em cima, a versão de T.R. Knight no programa da Ellen DeGeneres.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Leituras obrigatórias

5 anos do julgamento da Maia, ver as reportagens do Público reproduzidas no blog do Movimento Cidadania e Responsabilidade pelo Sim.

Os juízos dos juízes no Glória Fácil. Pergunta à f., mas há juízes não-escanzelados e não-franzinos? Ainda não conheci nenhum desses, mas juízes cujo maior problema existencial é o acne já tenho conhecido alguns, o que por si só é capaz de explicar muita coisa...

No Diário Ateísta óptimas postas sobre novas ficções, depois da "guerra ao natal" do Público, "o amuo de Ratzinger por causa de Sócrates" no Semanário. Especial atenção aos gráficos que mostram que a sociedade portuguesa está mais secularizada que a espanhola.

Digassim, o Prozac português

Fartinho que estou de ouvir o discurso do Portugal em depressão, dos portugueses tristes e das portuguesas desanimadas, fui procurar o remédio. Prozac, Fluoxetina, é o antidepressivo mais popular no mundo. Mas quase tombei quando descobri que um dos genéricos deste medicamento à venda em Portugal se chama, nem mais, DIGASSIM, e como se não bastasse, é produzido pelos Laboratórios Vitória! É que é isso mesmo, anime-se, DIGASSIM, VOTESSIM, e vai ver que o país arrebita! Alegria minha gente, SIM simplesmente!

Infelizmente o voto é secreto

«O cónego de Castelo de Vide, Portalegre, citou hoje o Código Canónico para afirmar que os cristãos que votem "sim" no referendo de 11 de Fevereiro serão alvo de "excomunhão automática".»
Uma vez mais pura hipocrisia. É óbvio que de acordo com o Código Canónico era isso que devia acontecer aos católicos que votem Sim. Lamentavelmente o voto é secreto. Sosseguem no entanto os católicos em campanha pública pelo Sim, mantereis o título ainda assim, por mais que grite o cónego de Castelo de Vide. À ICAR interessa que a ameaça paire sobre os devotos eleitores, a ver se alguns se assustam, mas nunca a executaria.

É a contagem muito por cima do número efectivo de católicos no país que lhe garante, à ICAR, todas as mordomias, privilégios, isenções fiscais e atenções mediáticas de que goza diariamente. Se de repente políticos, jornalistas e população em geral acordassem para a realidade de apenas pouco mais de 10% da população ter práticas religiosas católicas regularmente, tudo isso seria posto em causa. O país não mais seria classificado de "católico", a Concordata seria rasgada e a Laicidade do estado cumprida.

Paire a ameaça, mantenham-se as morais que nenhum católico cumpre ou segue, mas não se desconte nunca nenhuma alminha, por mais perdida, das contas dos súbditos de Nª Sª a ICAR toda poderosa. Basta olhar para Espanha, onde a apostasia se tem popularizado, i.e. o pedido voluntário de excomunhão, a tal ponto que a ICAR agora a recusa. Mesmo não querendo, católicos sereis até morrer.

Mas claro que podem sempre tentar escrever ao bispo a anunciar o positivo sentido de voto, pedindo para que este haja em conformidade. 'bora?

quarta-feira, janeiro 17, 2007

Medievo Timorense

SimTube

Há uns tempos queixei-me da falta de vídeos pelo Sim disponíveis na net, entretanto encontrei alguns, aqui fica a lista provisória:

1) «Declaração de Aveiro - Movimentos Pelo Sim - 14 Janeiro 2007» (também no Sapo)

2) «Jovens pelo Sim - Aveiro - 14 Janeiro 2007» (também no Sapo)

3) «Movimento Jovens pelo Sim»

4) «Ser Moderno É Que É!»

5) «Cartaz da JS em Fafe»

6) «Cartazes Pró Escolha» (também no YouTube)

7) «Entrega de assinaturas do Movimento Jovens pelo Sim»

8) «Inauguração da Sede Jovens Pelo Sim - Reportagem RTP»

9) «Caminhada pelo Sim - Reportagem RTP»

10) «Entrevista com Maria José Magalhães sobre a Marcha Sim (Matosinhos/Porto)» (também no YouTube)

11) «Entrevista com Teixeira Lopes sobre a Marcha Sim (Matosinhos/Porto)» (também no YouTube)

O 1 e 2 achei-os no Não Mesmo. O 3 e 4 achei no YouTube mesmo, mas aparentemente pertencem ao Esquerda.net, sinceramente o 4 não me convence nada... Mas quando a oferta escasseia não podemos ser muito exigentes, daí o 5, o único que se encontra no Sapo Vídeos - seria bom que os autores também apostassem nessa plataforma para uma divulgação mais abrangente. Se souberem de mais por favor avisem, a lista irá sendo actualizada sempre que for caso disso.

E não é que os abortistas gays têm natalidades mais altas?

Era bom que a comunicação social desse mais destaque a esta notícia, e confrontasse as pessoas do Não com estes números sempre que vêm com o discurso da natalidade como pseudo-argumento contra a despenalização do aborto ou, já agora, o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Vejam como estão as Dinamarcas, Holandas e as Franças, e como estão as Polónias, Portugais ou as Grécias, e tirem algumas conclusões...

terça-feira, janeiro 16, 2007

Dreamgirls


Este foi um dos vencedores dos Golden Globes, atribuídos ontem, sucedendo assim ao "Walk the line". Aqui entre nós, com a lucidez dada por um ano de distância, esse foi de longe o meu filme favorito dos vários que andaram nessas corridas de Oscars e Globos em 2006, e o único que revi entretanto. Espero portanto que o "Dreamgirls" seja o "Walk the line" deste ano, e a avaliar pelo trailer, tem tudo para o ser. Estreia dia 1 de Março.

A malta toda arreliada e afinal aquilo foi só como um abortito

Falo, é claro, da execução de Saddam. Mas já sabem como é esta cena dos abortos, só porque um faz, logo outros querem fazer igual. Caprichos!

Não têm onde viver, mas terão onde rezar, que é o que interessa

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Tom of Finland fotografado

Óptima descoberta via Salsa e Pimenta.

À atenção de Eduardo Pitta

Essa estória está longe de ser inédita. Mas mesmo se fosse, porque raio não poderiam dela saber os "partidos e associações de defesa dos homossexuais"? E é preciso "partir muita pedra" às ocultas dos "partidos e associações"? Não era mais fácil partirem pedras juntos em vez de atirarem pedras uns aos outros? Ah, e no Reino Unido os homossexuais não podem casar, é uma união civil, e nem vale a pena casar no Canadá e tentar reconhecimento no UK, que também não é dado.

A moral dessa estória, e de várias semelhantes anteriores é simples, enquanto o casamento entre pessoas do mesmo sexo não estiver legalizado em Portugal, este mesmo país não facilitará as burocracias necessárias para que cidadãos portugueses casem ou "quase-casem" (como no caso britânico) com pessoas do mesmo sexo no estrangeiro, até porque isso poderia ser usado para mais tarde exigir um reconhecimento português do casamento em causa. A pedra a partir é bastante clara, legalize-se o casamento entre pessoas do mesmo sexo em Portugal o quanto antes.

sábado, janeiro 13, 2007

RTP: Jornalismo abortado

Não, não vou repetir as minhas queixas pela campanha diária pelo Não do Padre Borga nas manhãs da RTP1 ou da campanha igualmente diária da ICAR nas tardes da RTP2. É mesmo do Jornal da Tarde que vos falo.

Na 5ª feira houve apenas espaço para o Não, uma conferência de uma qualquer sotaina em campanha por Vale de Cambra valeu uma notícia, no Sim nada lhes importou. Na 6ª feira as coisas foram mais equitativas no tempo, ou talvez não. Depois de uma entrevista a uma jovem que já abortou em condições de clandestinidade seguiu-se a de uma mão adolescente a quem "nunca passou pela cabeça abortar". Ora se nunca lhe passou pela cabeça abortar que raio de interesse poderá ter a sua estória em relação ao que se discute agora? Afinal nada de diferente se teria passado em relação ao seu caso particular, fosse legal ou ilegal abortar. Finalmente hoje, mais uma homilia de Fátima, entrevistas de rua aos crentes, e pelo Sim? Apenas o anúncio que Jorge Coelho ia lançar a campanha do PS.

Mas fosse só este claro favorecimento de tempo de antena ao Não. O favorecimento ao Não na RTP é a todos os níveis, e começa logo na apresentação do tema: "referendo ao aborto". Mas referendo ao aborto de quem? Da ética jornalista no serviço público? Parece-me abortada há muito. Aborto da RTP? Aborte-se então. Como já escrevi aqui, "referendo ao aborto" não pode ser tolerado como um resumo de "referendo à despenalização da IVG". Não é a mesma coisa. Dizer "referendo ao aborto" é entrar na lógica do Não. Não é jornalismo, é distorção e manipulação. Tal como falar em "movimentos contra e a favor do aborto", já perdi a conta às vezes que ouvi isto na RTP! E como se não bastasse usam um feto de não sei quantos meses como grafismo para o tema, ao invés de um isentíssimo boletim de voto ou martelo da justiça, ou seja, aquilo que afinal se discute. Televisão pública assim mais vale abortar de vez. É isso mesmo que vou dizer ao Provedor.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Justiça sanguinária

«Pai biológico reclama filha mais 60 mil euros dos pais adoptivos». Que raio de justiça é esta que esbanja recursos à procura de pais biológicos que não querem ser encontrados, depois da mãe entregar de livre vontade a criança a um casal adoptivo? Que raio de justiça é esta onde um "laço de sangue" justifica a destruição de uma família a sério, desejada, planeada e construída? A sério que não percebo nada disto. Ainda menos ao saber que as tais investigações que são sempre iniciadas quando a mãe não sabe ou recusa dizer o nome do pai são arquivadas automaticamente se se descobre que se tratou de uma relação incestuosa - quão púdicos estamos se os laços de sangue são múltiplos!

Por certo que a imagem do pai adoptivo na cadeia vai ser um excelente exemplo e incentivo para quem estivesse a pensar adoptar... Que tristeza de país.

quinta-feira, janeiro 11, 2007

O renas errou

Ou precipitou-se, que a senhora nunca tinha sido muito clara. Mas foi-o agora. Ségolène Royal faz assim jus à alcunha de "La Zapatera", atribuída pela direita, e afasta-se do "Sarkolène" que lhe atira alguma esquerda. Fosse eu francês e podia já contar com o meu voto. E se bem conheço a política portuguesa, a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo em França terá muito maior impacto em Portugal e na sua classe política, do que teve a espanhola. Que aconteça o quanto antes pois então. Dakar-Champs-Élysées é o caminho!