quinta-feira, junho 21, 2007

Bicharada contra-natura

Logo à noite, pelas 23h30, a RTP2 transmite o primeiro documentário da série "Animais como Nós", «Uma fascinante série documental que questiona a separação que as nossas culturas e religiões tentaram estabelecer entre os seres humanos e os animais.». O resumo do programa a transmitir hoje, "Animal Homosexuality": «De acordo com recentes pesquisa científicas mais de quatrocentas e cinquenta espécies diferentes de animais entregam-se a actividades homossexuais, expressando-as de várias maneiras como a cortesia, a afeição, ou o acasalamento. Com a ajuda de pesquisas científicas recentes e de filmagens inéditas em diferentes locais do mundo, este programa examina e revê os fundamentais paradigmas da natureza.». Promete!

Adenda: Típica RTP, afinal o episódio exibido foi sobre a linguagem. De acordo com o site da distribuidora, esse é o 3.º, sendo o relativo aos comportamentos homossexuais nos animais o 1.º, tal como a RTP indicava no seu site. Mas a RTP conta apenas 6 episódios, quando a distribuidora diz ser uma série de 10. Ainda segundo o site da RTP2, na próxima semana será a vez de ser emitido o segundo episódio, "Animal Medicine". Pelo que só o diabo poderá prever o que será de facto emitido. Seja como for, o de hoje pareceu-me muito bom, pelo que vale a pena acompanhar a série por inteiro (ou 6 de 10, pelo menos), e com um bocado de sorte lá passarão o dos bichinhos bichas. Isto se o não ter passado hoje foi mesmo "azar", e não censura. É melhor escrever à RTP a perguntar...

quarta-feira, junho 20, 2007

Demito-me






Demasiada concorrência. Notar que os anúncios da Mcel são bocas à adesão da Vodacom (ou "Johnny"), empresa de capital sul-africano, ao programa "Made in Moçambique" e ao anúncio do cliente 1 milhão. Apesar do nacionalismo exacerbado, os da Mcel são mesmo giros, mais um:

terça-feira, junho 19, 2007

Associem-se por favor

O PND exige, o renas humildemente esclarece

«Lisboa: PND exige esclarecimentos do PS sobre casamentos gay»
Porque na política, como na vida, temos que saber quando, como e sobretudo a quem podemos exigir o que quer que seja. E se o PND nada pode exigir ao renas, muito o menos o poderia ao PS, considerem isto uma liçãozinha por caridade.
«A lista candidata do Partido da Nova Democracia (PND) à Câmara Municipal de Lisboa considerou hoje «lamentável» que a questão dos casamentos entre homossexuais seja «emblema» da campanha eleitoral e exigiu esclarecimentos do candidato do PS.»
Curioso lamento este. É que eu só oiço falar em PND precisamente quando o casamento homossexual vem à baila numa campanha eleitoral. Relembro as legislativas. Será por ser esse o único assunto deste partido? Ou será que simplesmente os casamentos gay dão sorte ao PND?
«Em comunicado, a lista candidata da Nova Democracia exigiu esclarecimentos públicos de António Costa e considerou estranho que os candidatos do PSD e do CDS «mantenham um silêncio» sobre esta matéria.»
E continua a falta de visão e estratégia. Qual é o interesse do PND em que o CDS ou o PSD se tornem igualmente obcecados cruzados contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo? Lá se ia a agenda, que restaria ao PND?
««Quem é homossexual e não anda de braço dado com o folclore de certas organizações não aceitará por certo ser constantemente usado por políticos que recorrem a todo o tipo de meios para obter votos», salientou.»
Ora quem salientou foi a lista do PND, segundo a notícia da Lusa. Só não se percebe se a lista fala em nome próprio ou não. Seja relativamente aos políticos que apenas usam os homossexuais como arma de arremesso, seja em relação aos "gays anti-folclore", que é gente, como se sabe, muito dada ao cinzentismo dos partidos de direita.
««Dr. António Costa se quer respeito para as suas ideias não pode ofender as convicções de quem pensa de forma diferente», disse ainda a lista candidata da Nova Democracia.»
Curiosa esta "lista falante", além de falar, quer que os outros se calem. Belo conceito de democracia.

Dica grátis, lembrei afinal que a última vez que ouvi falar neste micropartido não foi a propósito do casório sodomita, mas do seu candidato nas eleições madeirenses, que foi para um comício de Alberto João Jardim insulta-lo, conseguindo assim algo que nunca nenhum outro político tinha conseguido: dar um ar civilizado a Jardim. Ora se bem me lembro também, a estratégia da baixaria resultou, o PND elegeu um deputado ou coisa que o valha. Eis portanto a vossa receita para o sucesso, ide insultar o Carmona e deixai a gayzada em paz, que nós, @s folclóric@s, não temos pingo de pachorra a perder com micro-listas, por mais straight acting que sejam...

segunda-feira, junho 18, 2007

Leituras de Verão: o pretexto que faltava

E porque o Verão está mesmo a chegar


Garantem que na data certa. O renas entra já hoje no espírito da época, rumo às Selvagens e ao Arraial.

As nossas Falkland

«Um avião militar da Força Aérea espanhola em voo rasante criou uma ‘guerra’ na reserva natural das ilhas Selvagens, na Madeira, numa altura em que milhares de aves marinhas ali fazem nidificação.»
Ou o nosso Perejil, é difícil escolher a melhor comparação. Seja como for, enquanto João Jardim não tiver córágem para avançar para a independência da Madeira, as Desertas e as Selvagens são nossas de ponta a ponta, badegos incluídos. E se os espanhóis andam por lá a espantar a nossa passarada, urge avançarmos em peso e espantar os espanhóis. Vá Cavaco, estamos à espera, segue à frente.

PS: E afinal não seria nada que Soares e Sampaio já não tivessem feito, estes ataques espanhóis aos nossos passarinhos é coisa velha, vejam na Wikipédia. Mafarricos! Gatunos!

domingo, junho 17, 2007

NM: "Querem destruir a família"

Para quem ainda não reparou, saiba a Notícias Magazine (suplemento dominical do DN e do JN) está com nova direcção e novos cronistas. Uma óptima notícia, que já está a dar excelentes frutos. A crónica de hoje da Fernanda Câncio, sobre os constantes ataques dos tradicionalistas às famílias homoparentais, é disso exemplo. Não deixem de ler.

Actualização: E quem não tem acesso à revista pode lê-lo mesmo aqui.

sábado, junho 16, 2007

Barrigas ideologicamente fracturantes

Está anunciado para o próximo domingo na RTP1 não apenas a repetição dos momentos cavaquistas cortados pela publicidade, por exigência directa da cavacal presidência, mas também uma catita concentração apelidada de "Barrigas de Amor": «O Parque dos Poetas, em Oeiras, vai acolher no dia 17 de Junho, uma campanha inédita de incentivo à natalidade onde o ponto alto será a maior concertação de grávidas do mundo, para entrar no Livro Guinness dos Recordes.»

Isto é o que se lê no site da RTP, o site oficial é ainda mais sinistro. "Mundo ocidental (...) redução da natalidade", "corajosas que assumem a maternidade", "não se pretende entrar no diferendo sobre a interrupção voluntária da gravidez", mas é afinal só isso que pretendem. Rapidamente se percebe que a iniciativa (apoios: Renascença, Ajuda de Berço, etc.) parte dos grupos do Não no referendo. Perdida essa batalha, continua-se a guerra. A invenção e fomento da ideia de baixa natalidade enquanto problema nacional é o próximo passo, Cavaco também já deu para o peditório - não em bebés, mas em disparates.

Os problemas reais do país continuam a ser os relacionados com a educação, saúde, baixos salários... Resolvidos estes, a natalidade sobe naturalmente, para valores que garantem a substituição das gerações e até ligeiros crescimentos demográficos, como acontece há vários anos na Escandinávia. Natalidades muito altas são próprias de países subdesenvolvidos, autênticas fábricas de mão de obra barata e sem qualificação, pronta para ser explorada. Como era Portugal há algumas décadas atrás, realidade que de resto ainda tem reflexos nos dias de hoje.

Voltando às "Barrigas de Amor", o mais abjecto é a falta de honestidade de quem organiza a coisa. O tentar passar algo que não é mais do que pura e dura propaganda política, e da ultra conservadora, como algo giro e inocente, para o Guinness até. Manipulando e usando como bandeiras políticas mulheres naturalmente orgulhosas e satisfeitas com a sua gravidez. Abjecto. E a RTP transmite.

Agora a sério, quando é que o PS aproveita a fama que já tem de controlo da estação pública e, sei lá, tenta controlar efectivamente alguma coisa, ao menos moderar o salazarismo que tresanda da sua programação constantemente?

PS: Valha o segundo canal, o documentário sobre o direito a morrer com dignidade, transmitido ontem, foi excelente. Mas nada que a RTP1 fosse capaz de transmitir em horário nobre, a ideologia é outra, e a liberdade individual não é um valor que lhe interesse promover.

Não vale a pena chamar o santo, pode ser laico sff

sexta-feira, junho 15, 2007

Espanha: paridade chega às moedas

O congresso espanhol aprovou uma proposta do PSOE que visa a paridade entre homens e mulheres nas imagens das moedas de Euro cunhadas no país vizinho [via]. Actualmente só o rei espanhol (moedas de 1 e 2 €) e Miguel de Cervantes (10, 20 e 50 centavos) têm a honra. A primeira mulher a juntar-se ao grupo deverá ser Clara Campoamor, política feminista e republicana, defensora do voto feminino e do direito ao divórcio em Espanha.

Google participará no Europride em Madrid

E ainda no Gay Pride de Nova Iorque e São Francisco, garantem alguns sites. Uma boa notícia, para compensar uma série de pequenos incidentes e puritanismos googlianos face a conteúdos gay (nomeadamente no YouTube) sem correspondência com conteúdos semelhantes em modo hetero.

quinta-feira, junho 14, 2007

Sinais do amor de deus?

O salazarismo nunca boicotaram

«O Vaticano exortou esta quarta-feira os católicos a retirarem o seu apoio financeiro à Amnistia Internacional (AI) devido ao recente compromisso da organização de defesa dos direitos humanos em prol da despenalização do aborto.

Um comunicado do Conselho Pontifical Justiça e Paz, órgão do Vaticano, anunciou mesmo «a suspensão das contribuições financeiras» da igreja católica à Amnistia. (...)

A Amnistia decidiu, em Abril, ocupar-se das questões relativas ao aborto, «na medida em que estão directamente relacionadas com a sua acção pelo direito à saúde e contra a violência exercida sobre as mulheres», segundo Riccardo Noury.

A ONG preocupa-se particularmente com o destino das mulheres vítimas de violações, incesto ou cuja vida é posta em perigo por uma gravidez. Contudo, não fará campanha global a favor da legalização do aborto, precisou.»

Quem quiser tornar-se sócio da secção portuguesa da Amnistia Internacional deve seguir este link. Recordo que a Amnistia foi fundada em 1961 pelo advogado britânico Peter Benenson, a partir de uma campanha contra a prisão pelo regime salazarista de 6 estudantes portugueses, que cometeram o "crime" de brindarem pela liberdade.

Actualização: A Amnistia Internacional já desmentiu a informação do Vaticano, que referia uma "suspensão das contribuições" da igreja católica à AI. Nunca a AI recebeu qualquer contribuição financeira do Vaticano ou de qualquer outra religião ou seita.

quarta-feira, junho 13, 2007

Se fosse na Venezuela não se falaria noutra coisa 2

«Ao proceder deste modo, e ao invés do que tem acontecido em anos anteriores, o canal público de televisão privou os Portugueses e as Comunidades Portuguesas espalhadas pelo mundo de acompanharem na íntegra as cerimónias comemorativas do dia 10 de Junho, facto que a Presidência da República considera inaceitável.»
Muita gente deve ter chorado por tão grave privação... mas estou capaz de apostar que foram mais as mortes por tédio evitadas. Mas eis que:
«Em comunicado hoje divulgado, o conselho de administração da RTP afirma ter hoje apresentado «as devidas desculpas» à Casa Civil do Presidente Cavaco Silva, que, adianta, foi «esclarecida sobre o ocorrido» com a transmissão das comemorações oficiais do dia de Portugal, Camões e Comunidades.

A parte não emitida das comemorações, que este ano decorreram em Setúbal, será transmitida no domingo, 17 de Junho, à mesma hora.»

A isto se chama obediência canina. E à RTP deve-se passar a chamar TV Cavaco.

Dúvida existencial: o Toy não era apoiante da CDU?


Via Costa do Castelo. Dica para o sr. Carmona, o Toy não é nenhum Darth Vader a dançar salsa, sei que às vezes parece, mas não é e não engana.

Lisboa e @s LGBT: as ideias e propostas d@s candidat@s à CML

A ILGA Portugal promove um oportuno debate autárquico na próxima sexta-feira às 18h no CCGLL. Eis a lista das presenças confirmadas, a ordem está de acordo com a posição na respectiva lista candidata, o que permite tirar várias conclusões sobre a relevância do assunto para cada candidatura.

- Helena Roseta (n.º 1 da lista Cidadãos por Lisboa)

- Teresa Caeiro (n.º 2 da lista do CDS)

- Ana Sara Brito (n.º 3 da lista do PS)

- Gabriela Seara (n.º 3 do Lisboa com Carmona)

- Carlos Moura (n.º 6 da lista da CDU)

- Sérgio Vitorino (nº 24 da lista do BE)

- Nilza Sena (1.ª suplente da lista do PSD)

Claro que convém ter em conta que Teresa Caeiro é muito provavelmente a figura mais gay-friendly de todo o, por regra nada friendly, CDS-PP. E terá sido isso, e não o seu segundo lugar na lista, o motivo da sua escolha. De qualquer forma o CDS terá que suar para eleger o número 1, sendo certa a não eleição de Caeiro.

Já o Bloco opta por remeter para o 24º da sua lista a representação no debate. A desculpa de que assim se faz representar por um activista gay poderá convencer algumas pessoas. Mas a mim parece um claro menosprezo do assunto, atirado desta forma para o "gay de serviço" (independentemente do seu mérito, não é isso que está em causa), que não tem qualquer hipótese de eleição, sendo por isso indiferente a sua gay-friendliness, pois dos possíveis eleitos do BE continuaremos sem saber a opinião (que está longe de ser unânime no partido).

Seja como for a coisa promete (sobretudo por Helena Roseta e Ana Sara Brito), e era óptimo que @s lisboetas LGBT comparecessem em peso ao debate, para que os candidatos se sintam efectivamente confrontados com as questões dessa parte da população.

PS: A maioria feminina do debate também é reveladora, sobretudo pelo contraste com a norma do debate político nacional.

Sodertalje

Vale mesmo a pena ler esta reportagem do The New York Times sobre a cidade sueca que recebe mais refugiados iraquianos em todo o mundo industrializado, incluindo claro, as cidades dos países que formaram a coligação invasora do Iraque (Portugal, Espanha, Estados Unidos, etc...), e da qual não fez parte a Suécia.

Mais uma sentença da terra da liberdade

«But what Elisa Kelly does know is that she will be here for two-and-a-quarter years.

It is a relatively short sentence compared to the murderers and rapists with whom she paces around the narrow, pit-like courtyard once a day for 10 minutes.

You might argue that Elisa Kelly, who shares her cell with nine other inmates, is lucky, because her original sentence of eight years was slashed to 27 months after a lengthy and costly appeals process which finally hit a dead end when the US Supreme Court refused to hear her case. (...)

Elisa's crime was to hold a birthday party for her 16-year-old son Ryan and serve his friends beer.

As a precaution, she and her ex-husband, who is serving 30 days for bringing the alcohol onto the property, made sure that none of the kids would be able to drive home.

As they arrived at their 6000ft suburban mansion on the outskirts of Earlysville, she confiscated their car keys, put them in a bucket, barricaded the drive with her Hummer and told them to have a good time.

They were all expecting to have a sleep over and, since Elisa knew most of the kids because she had taught them at school, she did not think it was necessary to warn their parents that beer would be consumed.

At about 10pm the din of music and boys' voices was drowned out by police sirens.

Some 30 officers with guard dogs swooped on the red-brick house in Bleak House Road.

Someone shouted "cops!" and many of the boys dispersed into the surrounding forest.

Everyone was caught. The young guests were breathalysed and about half tested positive.

Elisa and her husband were immediately handcuffed and led away to jail. They both pleaded guilty.

In Virginia, like in much of the US, you can drive when you are 15, die in the army at 17 and buy a gun at 18.

But you cannot let beer or wine pass your lips legally until you are 21.»

Deixa lá, és #14 no AfterEllen.com


Chicks dig you.

terça-feira, junho 12, 2007

Não confundir com a Géorgia do Cáucaso

"Even a straight man has the right to have good hair"


Por falar em "ex-gays", não percam este autêntico hino do "orgulho ex-gay" no GodTube (sim, GodTube, com uma cruzinha em vez do T). Obrigado Musicólogo.

As loucas conferências de imprensa do G8


Putin a demonstrar uma muito melhor resistência à bebida que o seu comparsa francês, capaz de responder em alemão, com a frieza e cinismo que lhe são característicos, a um protestante contra o regime putinesco. [via]


Alguns apoiantes de Sarkozy estão a fazer circular este vídeo da televisão francesa (o vídeo anterior é da televisão belga e ao que consta as imagens não passaram ainda em França) como prova de que afinal Sarko não estava bêbado, mas apenas "indisposto" (quiçá envenenado por Putin...). A teoria é gira, mas continuo a achar mais piada às expressões de Sarko, mesmo neste vídeo, e será só a minha mente devassa ou ao minuto e meio (em decrescendo) ele de facto coça-os com uma despreocupação inusitada (e dificilmente com origem numa dor de estômago)?

"La journaliste" é a forma mais elegante e respeitosa que encontrou para referir Anna Politkovskaïa. E também é bom saber que os direitos dos homossexuais já são debatidos a par dos direitos humanos, qualquer dia até nos consideram pessoas... Tudo a seu tempo, primeiro há que curar a ressaca.

PS: Mais um vídeo, da mesma conferência. Desta vez da France3.

segunda-feira, junho 11, 2007

3 milhões na av. Paulista

Maior parada gay de sempre em todo o mundo. Sampa rula.

PS: A reportagem da SIC Notícias. Não particularmente completa ou feliz. E de uma vez por todas darlings, não são "os homossexuais que ganham acima da média", são, isso sim, os homossexuais que ganham mais que a maioria dos homossexuais, os que mais facilmente podem dizer que são homossexuais... estão a ver a diferença?

Diz-me com quem andas, advinharei o que bebeste


Sarko, depois de um encontro com Putin, oh la la. [via]

Fuengirola con Darth Vader


Eu achava que já tinha visto tudo com os tempos de antena brasileiros. Mas as recentes eleições municipais espanholas reservavam-nos esta surpresa [via]. Claro que com o apoio de Darth Vader a vitória de Esperanza Oña só podia ser à larga, com quase 58% dos votos. Não havia menino guerreiro que lhe pudesse fazer frente... ou não andasse ainda um kamikaze no exército de Oña.

sábado, junho 09, 2007

A lenga-lenga anti-regionalista

«Acredito na descentralização, mas não acredito na regionalização. O nosso país, no seu todo, tem a dimensão correspondente a uma região média europeia. O caso dos Açores e da Madeira é muito especial, pela geografia e pela história. Não podemos correr o risco de perder uma coesão nacional que se diluiria se houvesse regionalização.»
Vasco Graça Moura ao JN de hoje. A lenga-lenga dos anti-regionalistas continua a mesma passados 10 anos, assente apenas em mitos pacóvios e mentiras grossas.

Acreditam na descentralização, mas não se lhes conhece uma única medida nesse sentido.

Distorcem o mapa da Europa e dizem coisas tão incríveis de tão falsas como "o nosso país, no seu todo, tem a dimensão correspondente a uma região média europeia" (!?!?). É que o nosso país, no seu todo, é superior ao país médio da UE. Eu sei que é muito mais fixe passarmos a vida a dizer que "o país é pequenino, coitadinhos de nós", mas na verdade o país é mediano, grandito até, para os padrões europeus... A diferença é que a maioria dos países, mesmo sendo mais pequenos que o nosso, estão regionalizados.

Last but not least, a "coesão nacional". Será "coesão nacional" a diferença brutal do PIB per capita do Norte em relação ao do Vale do Tejo? Dane-se a coesão nacional se assim for. Os Açores e a Madeira estão mais "coesos" agora ou antes de estarem regionalizados? É fácil lembrar Jardim, e pelos vistos também já ninguém se lembra dos movimentos bombistas que defendiam a independência dos arquipélagos antes da regionalização. E também é fácil esquecer o crescimento brutal da emigração portuguesa para Espanha, sobretudo partindo do Norte e interior do país, não será isso atentatório à "coesão nacional"? O nosso modelo de desenvolvimento deve então continuar a inspirar-se no modelo grego? Pode-se "retalhar" o país em freguesias, concelhos, distritos, mas jamais em regiões porque a seguir ia querer ser tudo um país independente? Será? E porque seria?

sexta-feira, junho 08, 2007

Art. 13º - o espírito do legislador

Parece-me uma excelente altura para recordar ao Tribunal Constitucional o contexto de aprovação da alteração do art. 13º da Constituição, que passou a banir a discriminação em função da orientação sexual. Essa alteração dá-se em 2004, altura em que o casamento entre pessoas do mesmo sexo era já uma realidade nos Países Baixos, Bélgica, quase todas as províncias do Canadá e ainda no Massachusetts, EUA. E era já certo que em breve seria também uma realidade no país vizinho. Ou seja, a proibição da discriminação em função da orientação sexual surge num período em que um pouco por todo o mundo ocidental o casamento é debatido, e é debatido precisamente por se tratar de um caso onde a discriminação em função da orientação sexual persiste, razão que leva vários países a terminarem com a discriminação, alargando a possibilidade de casamento aos casais de pessoas do mesmo sexo.

A questão era então tão óbvia, que uma série de deputados do PSD, que por disciplina partidária votaram a favor da alteração do art. 13º, sentiu necessidade de escrever uma declaração de voto que basicamente contrariava esse mesmo voto, ao pronunciarem-se contra o casamento ou a adopção de crianças por casais de gays ou lésbicas.

Desde essa aprovação que os tribunais já consideraram inconstitucionais artigos relativos à idade de consentimento para relações sexuais, por estabelecerem diferentes idades de consentimento para relações hetero e homossexuais, estando anunciada para breve a alteração dos mesmos. Contrariamente a decisões judiciais anteriores à alteração constitucional. Ou seja, a justiça reconheceu já que a alteração constitucional implicava a inconstitucionalidade de algumas leis.

Os deputados que declararam opor-se à legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo eram uma minoria de deputados no parlamento. Uma minoria que não era essencial para a aprovação dessa alteração constitucional. Parece-me até legítimo deduzir que o seu voto favorável "envenenado" tencionava apenas enfraquecer o poder dessa alteração. E parece-me ainda mais legítimo deduzir que o seu efeito é oposto, pois ao declararem expressamente estarem contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, acabam por dessa forma revelar que o mesmo não se verifica em relação à maioria dos deputados que aprovou a alteração do art. 13º. Nenhum deles sentiu necessidade de se expressar nesse sentido, e teria bastado juntarem a sua assinatura à dita declaração. Ou seja, a maioria dos deputados estava ciente das implicações do seu voto, e não deu qualquer sinal de estar contra as mesmas. Afinal tinham acabado de votar isto:
Ainda há dúvidas sobre a inconstitucionalidade da actual lei do casamento civil?

Quem quer tramar o Noroeste Peninsular? (parte 2)

A autarquia crucificada

À esquerda o logo da Câmara Municipal de Lisboa, à direita o da candidatura de Carmona Rodrigues. A CNE não diz nada? [via]

quinta-feira, junho 07, 2007

Casamento lésbico chega ao TC

De recurso em recurso até ao Tribunal Constitucional, 1 ano e 4 meses. Quem se lembra de tanta celeridade judicial? Eu não me lembro, e só espero que esta rapidez não resulte numa "fast justice" à la McDonald's. O Luís Grave Rodrigues põe os pontos nos i's de algo que seria simples e básico se não houvesse tanta gente com prazer em complicar tudo, sobretudo a vida alheia... Era mesmo bom que o TC fizesse valer o seu papel de guardião da constituição e não descambasse numa sentença escrita ao sabor dos interesses político-partidários, porque nesse caso já sabemos qual será.

Dadas as semelhanças constitucionais, a decisão do Tribunal Constitucional da África do Sul torna-se de leitura obrigatória, uma amostra:
«The exclusion of same-sex couples from the benefits and responsibilities of marriage was not a small and tangential inconvenience resulting from a few surviving relics of societal prejudice destined to evaporate like the morning dew. It represented a harsh if oblique statement by the law that same-sex couples are outsiders, and that their need for affirmation and protection of their intimate relations as human beings is somehow less than that of heterosexual couples. It signifies that their capacity for love, commitment and accepting responsibility is by definition less worthy of regard than that of heterosexual couples. The intangible damage to same-sex couples is as severe as the material deprivation. They are not entitled to celebrate their commitment to each other in a joyous public event recognised by the law. They are obliged to live in a state of legal blankness in which their unions remain unmarked by the showering of presents and the commemoration of anniversaries so celebrated in our culture. (...)

In the open and democratic society contemplated by the Constitution there must be mutually respectful co-existence between the secular and the sacred. The function of the Court is to recognise the sphere which each inhabits, not to force the one into the sphere of the other. The objective of the Constitution is to allow different concepts about the nature of human existence to inhabit the same public realm, and to do so in a manner that is not mutually destructive and that at the same time enables government to function in a way that shows equal concern and respect for all.»

Miau Maria - Ciclo de Cinema Lésbico no Porto

É no Maria vai com as outras, em colaboração com o GRIP. Os trailers já rolam ali ao lado ;)

terça-feira, junho 05, 2007

De volta ao Terreiro do Paço

E agora sem fogueiras ou inquisidores... Por uma noite o centro político do país será dominado pelo arraial LGBT. Toda a informação sobre o arraial e a marcha que o antecede aqui. O marketing destas coisas sai caro pelo que qualquer eurito é bem vindo, tal como as postas, sms e mails aos amigos. Nada como um bom boca-a-boca para fazer deste o melhor arraial de sempre.

"Então é assim"

O filme de animação dinamarquês-canadiano que explica às crianças como se fazem os bebés, e que horrorizou 2 ou 3 pessoas no país, está disponível (até ver) aqui, na versão dobrada em português transmitida pela RTP2.

segunda-feira, junho 04, 2007

Momento obscurantista do dia (hoje não é da Polónia)

«Assim, nós homens, que queremos filhos, não devemos esperar que as nossas mulheres simplesmente nos comuniquem que pretendem abortar (mesmo durante as dez semanas).

Podemos reagir contra tal unilateralidade despótica da mulher por via de uma providência cautelar não especificada. (...)

Alguém mostrando fundado receio ... – um marido que quer ser pai e a mulher lhe diz que quer abortar Lesão grave e dificilmente reparável – o pai perder o filho concebido no âmbito do contrato de casamento Assegurar o direito ameaçado – manter a gravidez da qual é o pai o primeiro impulso na formação da vida Receio da sua lesão – ficar sem o filho que quer por simples vontade de outrém contra a sua própria vontade Em resumo: há meios ao nosso dispor para impedirmos que as nossas mulheres, connosco casadas, abortem sem o nosso consentimento; ou então, seríamos, nós homens, meramente os autores do acto sexualmente relevante para outros fins, designadamente o do prazer, mas desarticulados da inevitável consequência – gravidez – que desejamos.»
Do Boletim da Ordem dos Advogados. Obrigado Eduardo, estas coisas refrescam a alma. Só ainda não percebi bem porque insistem os pró-vida em casar com abortadeiras, suponho que seja a magia do amor :)

No but yeah but I love it

O logótipo escolhido para os Jogos Olímpicos de Londres 2012 [via], a perfect match com o fato-de-treino da Vicky.

PS: A polémica continua. Uma petição on-line com mais de 50000 assinaturas pela alteração do logo. Queixas de epilépticos pelo filme de promoção, cujas cores e movimentos terão provocado ataques de epilepsia a algumas pessoas no Reino Unido (o vídeo foi retirado do site oficial, mas pode ser visto no YouTube). O The Sun a propor antes a pintura de um macaco. E as bolsas de apostas a darem como quase certa a substituição para breve de um conceito que custou £400.000. Ouch!

As presidências voam, os logótipos ficam

Eu gostei, bastante até, aprovado!

A memória é curta: recessão demográfica

Cavaco está preocupado com a "quebra" da natalidade em Portugal e uma suposta "recessão demográfica". Diz mesmo que "não encontra precedentes na história do país". Eu não sei por onde Cavaco tem andado, mas no seu tempo de vida teve já oportunidade de presenciar algumas situações de emigração em massa que levaram efectivamente a momentos de recessão demográfica. O caso é tudo menos "sem precedentes", e muitíssimo menos notório (a haver de facto) que o que já foi em momentos recentes da história.

Eu até acredito que Portugal tenha perdido habitantes nos últimos 2 ou 3 anos, muitos imigrantes foram embora e muitos portugueses emigraram, sobretudo a Norte. Mas nada de dramático. Invocar um "problema de natalidade" é invocar um falso problema com vista a promover falsas soluções e toda uma agenda católico-nacionalista que o país dispensa.

Os problemas do país são os fracos salários (muito mais baixos que o que poderiam ser, sem causar qualquer problema de viabilidade às empresas, por muito que insistam no contrário), a crise do interior e do Norte, em grande parte devidas à centralização doentia em torno do Terreiro do Paço, o deficiente e caro serviço nacional de saúde ou o sistema de educação. É isso que faz com que os jovens migrem do interior para o litoral e de Portugal para o mundo. Daí a natalidade baixar, sintoma da crise, não problema per se.

Não há qualquer interesse em estimular uma natalidade muito superior à actual. Uma subida dos salários, uma melhoria da saúde e educação, garantiriam por si só uma ligeira subida, suficiente para garantir a "renovação generacional". O país já tem uma densidade populacional elevada, maior que a espanhola, e o mundo já tem, definitivamente, gente a mais. Além de que se se verificasse um súbito "baby boom" (quiça estimulado pelos apelos de Cavaco), aí sim o país estaria em maus lençóis, sem capacidade económica para cuidar de tanta criançada pelos padrões mínimos actuais. É que se é para ser economicista é bom lembrar que uma criança implica no mínimo 18 anos de despesas, enquanto que um imigrante começa a pagar impostos e a descontar para a segurança social desde o dia zero.

Portanto, se Cavaco quer mais bebés, que os faça (e mantenha do seu bolso), mas não venha atirar areia para os olhos das pessoas, já fartas de populismos e demagogias que nada resolvem.

A memória é curta: assassinos em série de Portugal

Com o julgamento do "serial killer de Santa Comba Dão" ouvem-se expressões como "o primeiro serial killer português" - ouvi-o na RTP. E daí se ouvem conclusões fáceis sobre a suposta criminalidade "como nunca se viu". Nada mais longe da realidade, como o demonstra bem o 9º lugar no ranking mundial da paz, que se fosse calculado desde a fundação, teria certamente agora o seu melhor resultado de sempre para Portugal. Voltando aos serial killers, lembro apenas dois, o último homem e a última mulher condenados à morte em Portugal.

A cabeça de Diogo Alves

Em 1841 foi executado Diogo Alves. Um dos milhares de imigrantes galegos que à época viviam em Portugal, vindo de Santa Xertrudes de Samos em Lugo, e que se dedicava a assaltar pessoas no Aqueduto das Águas Livres em Lisboa, atirando-as de seguida dos arcos abaixo. Chegou-se a pensar que se tratava de uma onda de suicídios, desconhecendo-se ao certo o número de vítimas (na ordem das dezenas). A cabeça do assassino encontra-se hoje "engarrafada" no dito monumento. O primeiro filme ficcional português, de 1911, foi sobre os seus crimes. Recentemente foi reeditada uma biografia romanceada, cuja primeira edição data de 1877. E Philip Graham [dica do Miguel] tem no YouTube um breve filme: «Bring me the head of Diogo Alves!».

Já a última mulher a ser condenada à morte em Portugal foi Luísa de Jesus, nascida em Coimbra. Tinha apenas 22 anos quando, em 1772, foi condenada pela morte de 33 recém-nascidos, que "levantava" na roda, recebendo assim 600 réis por criança, um subsídio que deveria ser usado na sua criação.

Como se vê, Portugal já teve assassinos bem mais sanguinários, e não era a existência da pena capital que os evitava...

sábado, junho 02, 2007

Separados à nascença?

Os gémeos Kaczyński, que governam e presidem a Polónia, a ladear Daffyd, the only gay in the village. As semelhanças físicas são notórias, mas creio que foram sobretudo os desejos e frustrações partilhados com Daffyd o principal motivo para a censura desta cena em especial do "Little Britain". I've said it before vicar, and I'll say it again: what that boy needs is a nice big cock up is arse. Definitivamente a moral da estória vale para os três.

sexta-feira, junho 01, 2007

Se fosse na Venezuela não se falaria noutra coisa

E muito pior:
«La Fundación 'Igualdad', que agrupa a los colectivos de homosexuales y lesbianas polacos, ha denunciado que la Policía ha emprendido una campaña de incitación a la denuncia entre las personas con esta orientación sexual.

La operación de recopilación de datos sobre los homosexuales se desarrolla en toda Polonia, según relató al diario varsoviano 'Metro' Janusz Boguszewicz, periodista de los portales en internet de los colectivos homosexuales.

'Fui citado por la Policía a la comisaría, donde se me interrogó exigiendo información sobre todos mis amigos y conocidos homosexuales', dijo Boguszewicz.

El policía que le interrogó tenía sobre la mesa varios artículos escritos por Boguszewicz y publicados en internet, y quería saber quién le había inspirado para escribirlos.

Cuando Boguszewicz denunció lo que le había pasado inmediatamente informaron sobre sucesos similares muchos otros homosexuales de diferentes ciudades.

Szymon Niemiec, homosexual domiciliado en Varsovia, denunció que él había sido interrogado por agentes de la Agencia de Seguridad Interior.

'Me preguntaron por los activistas de nuestras organizaciones, me enseñaron sus actas y pude convencerme de que la Policía hace un seguimiento muy minucioso de todos los asuntos relacionados con la homosexualidad que aparecen en internet', señaló Niemiec.

Malgorzata Rawinska, de la Fundación 'Igualdad', opina que la Policía quiere que los homosexuales sepan que están sometidos a un estricto control y que el objetivo de toda la operación es asustar a esos colectivos para que vuelvan a tener miedo a manifestar sus ideas en público.»
Via Chuza!.

O Tinky Winky safou-se, mas o Daffyd ficou mais só que nunca

Homofobia de Leste

Ali ao lado no Renas TV está a passar uma reportagem da CNN sobre a violência homofóbica em Moscovo, no YouTube encontram-se várias outras, é só entrar e navegar. Mas vale mesmo a pena ler a reportagem do The Guardian de hoje sobre estes surtos homofóbicos a Leste. Partidos ultranacionalistas, fundamentalistas religiosos das velhas igrejas e das novas seitas evangélicas, que florescem agora por aqueles lados, são os motores da vaga de ódio que prossegue sem grandes obstáculos por parte da UE.

quinta-feira, maio 31, 2007

Polónia respira de alívio: Tinky Winky não faz com que rapazes polacos cantem em coro "I will survive"

Teletubbies, mais másculos que o que pensavam inicialmente as autoridades polacas.

Excepto se o assunto é casório gay

Da página de conselhos sobre investimentos imobiliários do Guardian. A parte do "quieter" é corroborada pelo ranking da pacificidade.

Para variar, serviço público

Variando também, dizer bem da RTP. Foi excelente a estreia do "Centro de Saúde" na passada Terça-feira, apresentado por Cláudia Borges e dedicado à situação da Sida no país. Muito muito bom e esclarecedor. O segundo programa será ainda sobre esta temática.

"O planeta agradece" apresentado por Diogo Infante (que também apresenta o excelente "Cuidado com a língua") é mais um óptimo programa dos vários dedicados ao ambiente pela RTP, "Biosfera" e o "Minuto Verde" são outros a ter em conta. É na informação temática ou especializada que o canal público se sai melhor e faz esquecer a desgraça da informação generalista.

Finalmente para celebrar o dia mundial da criança a RTP 2 decidiu avançar com uma programação especial sobre sexualidade dirigida ao público infantil. Os encarregados de educação são convidados a assistir hoje (23h30), para decidirem se querem recomendar aos filhos que vejam amanhã (20h30) uma animação dinamarquesa-canadiana a explicar como se fazem os bebés. O que não deixa de ser uma cedência à ideia de que a educação sexual não deve ser universal e obrigatória, ou seja, que um pai pode exigir ignorância para os seus filhos - não podia dizer só bem. Mas parece que mesmo com todas estas cautelas já andam por aí uns e-mails de origem na extrema-direita a pedir para protestarem junto do provedor a exibição do filme, pelo que podemos fazer exactamente o contrário, aqui.

Os directos do café

Mais patetices. Como se não bastasse o habitual destaque exagerado que a informação da TV pública dá à bola, hoje houve também direito a directos para perguntar a quem passa ou a quem tenta almoçar em sossego, "o que acha? [da venda de 2 jogadores]". Isto foi para aí ao minuto 7 do Jornal da Tarde. Um directo de um café do Porto e outro de Lisboa. Já não há gente a morrer em Bagdad?

O recuo nicotinodependente

Porque é que raio o governo o escolheu o dia mundial do não-fumador para anunciar que afinal as multas para quem fumar em local não permitido não vão ser tão altas como inicialmente anunciado? Qual é a ideia? Não era acabar com o fumo em local público fechado? Palermice pura, mas palermice que sai cara.

Quando Portugal é o país europeu com mais alta percentagem de gente favorável a uma lei firme (alta ao ponto de incluir uma grande percentagem de fumadores), não há desculpas para estes recuos e flexibilizações da lei. A acontecerem o único efeito será matar o propósito da lei (e não será este o único a morrer), tal qual aconteceu em Espanha, onde ninguém liga à dita. Lei flexível é a actual, a que temos desde sempre, os estabelecimentos são livres de proibir o fumo, os fumadores são livres de decidirem não fumar para cima dos outros. Mas o que se verifica é que a maior tolerância dos não-fumadores com o fumo, do que a dos fumadores com a possibilidade de não fumarem, gera uma omnipresença tabágica nos locais fechados. É por isso que o estado deve agir, e deve fazê-lo da única forma capaz de produzir os efeitos pretendidos, banindo o fumo dos locais públicos fechados. Tão simples quanto isto. Se o fazem na Suécia e seus Invernos gelados, em Portugal é ainda mais fácil, sem "mas" nem meio "mas".

PS: E para que fique claro o quão forte é a minha posição neste assunto (sim, eu sim, fascismo higienista etc e tal) adianto que (já que fiz uma declaração de voto na altura) se as eleições legislativas fossem hoje não votaria no Bloco de Esquerda, sendo as suas patetices em torno deste assunto uma das razões mais fortes para não o fazer. A luta pela saúde dos trabalhadores não pode ser hipotecada só porque colide com o cigarrinho dos deputados do Bloco.

Um país de desconfiados

Nem parece que foi aqui a cimeira das Lages

É capaz de ser o único ranking em que Portugal surge próximo dos países escandinavos, embora a Islândia esteja ausente. O ranking só não explica se a paz é podre, eu temo que sim. Aqui fica uma amostra seleccionada do dito:

1 - Noruega
2 - Nova Zelândia
3 - Dinamarca
4 - Irlanda
5 - Japão
6 - Finlândia
7 - Suécia
8 - Canadá
9 - Portugal
10 - Áustria
11 - Bélgica
12 - Alemanha

14 - Suíça





20 - Países Baixos
21 - Espanha



25 - Austrália







33 - Itália
34 - França









44 - Grécia



48 - Marrocos
49 - Reino Unido
50 - Moçambique








59 - Cuba
60 - China






















83 - Brasil
84 - Sérvia







92 - Turquia



96 - Estados Unidos












109 - Índia


112 - Angola





118 - Rússia


121 - Iraque

quarta-feira, maio 30, 2007

segunda-feira, maio 28, 2007

O Nobel da Paz para Peter Tatchtell sff

Peter Tatchell a ser preso pela polícia russa, ontem em Moscovo. Estava numa manifestação que visava entregar à câmara moscovita uma petição assinada por 50 eurodeputados a apelar à liberdade de manifestação na capital russa, nomeadamente para as organizações LGBT, já por várias vezes impedidas de marchar na cidade. A manifestação foi atacada por grupos neo-nazis e ultra-ortodoxos, situação que a polícia usou como pretexto para deter dezenas de manifestantes pela liberdade, incluindo eurodeputados. Entre os detidos estava Peter Tatchell, o activista britânico nascido na Austrália, que há décadas é um exemplo, quase alucinado, de manifestação pacífica pelos direitos humanos. É difícil concordar com todas as posições de Tatchell, e muito menos imitar-lhe o estilo de vida austero e arriscado, mas definitivamente este é o homem a laurear com o Nobel, a bem da credibilidade do próprio prémio. Vale a pena ler o perfil que o The Guardian lhe dedicou há uns tempos.

quinta-feira, maio 24, 2007

RTP Crime

Ligo a tv pública, RTP2, à espera de encontrar a informação mais relevante do dia no seu jornal de horário nobre, mas antes vejo um indivíduo, líder de um micropartido que tem feito manchetes à custa de detenções várias entre os seus membros por, entre outros crimes, tráfico de droga, de armas, de mulheres ou homicídios racistas, a ser prazeirosamente entrevistado por Alberta Marques Fernandes.

O pretexto é, what else?, as intercalares em Lisboa, esse assunto local que o centralismo doentio da nação eleva a "questão nacional". As respostas são contra o "poderoso lobby gay", "anormal, desviante" e por aí fora. A despedida, já com o "tempo excedido", é um "tive muito gosto em tê-lo cá". E esta merda toda foi paga com os teus impostos.

Escusam de vir com a estória dos "deveres de isenção" e "igualdade de tratamento para todos os partidos" a que a RTP estaria obrigada. Porque NUNCA na história da estação isso alguma vez foi passado à prática. NUNCA numa eleição nacional se viram entrevistas a todos os candidatos, humanistas, monárquicos, atlantistas, da terra, operários socialistas, etc etc etc, porquê então fazê-lo numa eleição de âmbito local? Onde para cúmulo os "candidatos de relevo" não são os 5 do costume (correspondendo às forças representadas no parlamento), mas 7, graças aos independentes, mais do que suficientes para ocuparem demasiado tempo e recursos por si só.

A RTP viola assim a constituição ao perpetuar e reforçar um favorecimento mediático desmesurado à capital do país, discriminando tudo o resto. E ao permitir discursos de ódio em função de orientação sexual, aliás, ao premia-los com "muito gosto". Não há vergonha, não há decência, não há pingo de consciência ou ética jornalística. É o forrobodó da estupidez. Os liberais não precisam de gastar mais latim comigo, estou convencido: privatize-se já aquela merda!

PS: É isto o famoso controlo do PS sobre a RTP? Livra!

PPS: Para quem não viu, saiba que das Neves sugeria hoje no Destak que se discutisse a recriminalização da homossexualidade. A RTP não perdeu tempo a apanhar a deixa. É a chamada "agenda nigeriana" a comandar a comunicação social ("agenda polaca" seria já um eufemismo).

Mais razões para preferir o comboio

«Depois, temos que nos lembrar que durante as obras numa auto-estrada, há trabalhadores a efectuar essas mesmas obras a poucos metros da passagem do trânsito, e ao retirarmos a necessidade de pagamento de portagens para essas vias estaríamos a expor aqueles trabalhadores, e indirectamente a contribuir para o aumento do fluxo do tráfego rodoviário junto às obras, com o consequente aumento do perigo de acidentes", começou por explicar o presidente do Conselho de Administração da Via Verde Portugal.»
Sim, até porque os automobilistas adoram autoestradas em obras. E desde quando é que a Brisa avisa os seus clientes de que a autoestrada está em obras antes destes entrarem nas mesmas?
«"Por outro lado - acrescentou -, é um facto que as portagens não sofrem qualquer decréscimo no seu valor durante as obras, mas estas são feitas para permitir maior qualidade de circulação na auto-estradas, e quando as obras ficam concluídas também não há aumentos das portagens para vias que, entretanto, passam a permitir melhores condições para os seus utilizadores".»
"Melhores condições"!?! Ou apenas as condições que era suposto uma autoestrada ter sempre?

Imaginem esta política ser aplicada a serviços como hotéis ou piscinas, p.ex. "A piscina está em obras, mas pode usar os chuveiros." "Paga o mesmo de sempre, mas hoje tem que dormir no corredor".

E o PS entendeu ser esta lógica justa, pelo que chumbou os projectos do BE e PCP, que visavam o óbvio, o que se vê lá fora, quando um serviço não pode ser fornecido nas condições em que é suposto reduz-se ou elimina-se o preço para o cliente. Elementar. Mas não por cá...

quarta-feira, maio 23, 2007

Multibanco

O sistema Multibanco é das poucas coisas que funciona bem neste país. É o melhor simplex que já tivemos. É aliás provavelmente a única coisa que funciona melhor neste país que em qualquer outro país europeu. Em alguns ainda se vêem caixas automáticas que parecem funcionar em ambiente DOS e as pessoas ficam incrédulas se lhes dizem que costumam pagar a conta da água ou comprar bilhetes de comboio nas caixas portuguesas... O Multibanco faz os seus utilizadores pouparem tempo e os bancos pouparem milhões. Todos ganhamos. Por isso é inadmissível qualquer nivelamento por baixo na qualidade do serviço e muito menos qualquer criação de "taxas", a bem de uma "uniformização europeia", como se lê no DN de hoje. Portanto os jornalistas que tratem de passar a limpo esta estória muito mal contada, e os utilizadores do serviço que tratem de ir pensando em reagir. Os salários nunca se lembram de uniformizar... apre!

O BES, pelo menos, não consegue

Se clicar na imagem verá que o nome no mapa tem um "n" a mais do que o da frase principal. A Wikipédia corrobora a primeira versão. E não consigo vislumbrar onde esteja a dificuldade de dizer Guaratinguetá. Pindamonhangaba era capaz de ser mais complicado, mas ao BES fica bem escolher uma "cidade abençoada". Curiosamente na versão ucraniana do anúncio, que se supõe fazer a mesma piada, o nome da cidade também não está escrito da mesma forma na frase e no mapa... Quem sabe sabe, e o BES não anda nem lá perto...

Contra-natura, mas pró-esperma

Cueca anti-radiação, ou pró-esperma, da ISA bodywear
«A marca espanhola Zara teve que pedir desculpa aos ultra-ortodoxos judeus por ter cometido aquilo que aquela comunidade considera um grave pecado, ao misturar algodão com linho num traje masculino, conhecido como "sh'tanz". Trata-se de uma mistura que está proibida pelo judaísmo, que a encara como um pecado contra a natureza, um "híbrido".»
Mas se calhar os judeus ultra-ortodoxos deviam reequacionar a sua política sobre os "híbridos vestuários". Não só porque natura natura é andar em pelota. Mas também porque isso os proibirá de usarem as novas cuecas anti-radiação dos telemóveis, inventadas por uma marca suíça e fabricadas em Portugal, que prometem proteger a qualidade do esperma de quem as vestir mesmo na presença dos "venenosos" telemóveis, mas cujo tecido, como se não bastasse ser uma mistura de lycra e algodão, inclui ainda fios metálicos. 29,90 francos suíços, à volta de 18 euros, é pouco quando se trata de garantir a continuação da linhagem, ainda que corrompida por uma nova tolerância às misturadas anti-natura. Cor para já só preto, e ainda se aceitam voluntários para os últimos testes.

segunda-feira, maio 21, 2007

Serviço público

Esta e outras actividades planeadas para os próximos dias no Porto.

RTP fracturante

Este Domingo à tarde a RTP decidiu mais uma vez trocar as voltas aos espectadores da série "Grey's Anatomy", não a transmitindo para assim poder transmitir a "Grande Corrida RTP de Elvas". "Corrida" é eufemismo para espectáculo da matança lenta do touro, vulgo tourada, um espectáculo que segundo as sondagens é considerado bárbaro e vergonhoso pela maioria da população do país. Mesmo assim a RTP continua a patrocinar e a exibir o "espectáculo", ainda que para tal tenha que alterar a sua programação habitual. Fracturante no mínimo. A factura quem paga és tu.

sábado, maio 19, 2007

Madeleine-hysteria.com

«In these days of mass media sophistication, no one needs it explaining to them that where a child who gets kidnapped is news, a pretty child who gets kidnapped is headline news and a pretty child who gets kidnapped and whose parents save lives for a living and go to church is rolling news. Even so, in the days since she disappeared, the Madeleine campaign has, for scale of involvement, outdone anything we've seen before. (...)

There have been mutterings that this is a post-Diana thing. But much of the response seemed to have more to do with the News of the World's erstwhile anti-paedophile campaign, and the general hysteria that governs "right" versus "wrong" parenting. (...)

No wonder the stampede to share the McCanns' pain has been so thunderous - although before the family's impeccable credentials became clear, one imagines there was a conflict in some tabloid newsrooms over Parents who left their kids alone while they had dinner, versus Evil Paedophile Under the Bed, he's coming for your kids next. (...)

Of course, at root, people only want to help. But their exaggerated responses look from some angles like self-gratification. "Help us," wrote one group of people who had never met the McCanns, to another group equally remote from them. (...)

This is not how it came across, however. At this stage, we are so absurdly far removed from the point of the exercise that it is is only a matter of time before someone superimposes a big cartoon tear beneath it and, appealing for further help in a world that doesn't exist, posts it on Second Life.»

Uma revista de risco

Peanuts intelectuais

Seria salutar que algumas pessoas tivessem a honestidade intelectual de defenderem a mesma lógica argumentativa na hora de debater se os negros devem ou não poder dar sangue. Teriam até um argumento extra, a cor da pele não dá para esconder, pelo que a discriminação, a aplicar, seria muito mais eficaz que com os gays e sua mobília.

Se bem me lembro segundo o panfleto referido no post anterior estava proibido também de dar sangue quem fez viagens recentes a África. Voilá, focaram-se na prática e não no grupo. E esta hein? Note-se que viajar até África não é obviamente uma prática de risco no que diz respeito ao HIV, mas sim em relação a outras doenças, como a malária.

PS: Já agora, mantenham a lógica se quiserem, mas alterem-me esses números. Só 1 a 3% dos gajos fodem com outros gajos? Onde? No Pólo Norte? Em Portugal não é certamente, ou os comportamentos de risco homossexuais seriam até uma impossibilidade estatística... LOL

Peanuts ensanguentados

Vai por aí uma discussão na blogosfera a tresandar a séc. XX sobre o "direito" ou não dos homossexuais darem sangue. Pelos vistos ainda muita gente acredita na teoria dos "grupos de risco", a teoria que fez com esses mesmos grupos ditos de risco, ainda que padecendo de alguns preconceitos acrescidos à custa de tal fama, se tivessem consciencializado e prevenido na mesma medida em que os "grupos não de risco" se relaxaram e infectaram em massa. Basta ver as recentes estatísticas sobre o forte aumento de novos casos de HIV positivo entre a população idosa.

Eu já fui dador de sangue, e nunca me perguntaram se era gay (perguntavam isso sim, o número de parceir@s - ja, com arroba - nos últimos meses e o uso ou não de preservativo). Foi quando li um panfleto, ainda no séc. passado, que referia essa proibição, que deixei de o ser. Eu tento sempre respeitar as regras, por mais imbecis o sejam. Claro que tal proibição em nada prejudica a minha saúde. Claro que tal proibição não impede que homens casados que fodem anonimamente com outros homens casados continuem a usar a dádiva de sangue como um "discreto teste ao HIV". É que a proibição não é dos "homossexuais darem sangue", mas sim dos "dadores que se digam homossexuais". A vida é mesmo assim, uns seguem as regras, outros não. Eu já me tinha como gay muito antes da primeira foda com outro gajo e, seguindo a tal lógica esperta, tinha já um "maior risco", possivelmente alojado na genitália ou ânus, não sei bem...

Resumindo e concluindo, esta é daquelas homofobias tontas que prejudicam mais a sociedade em geral do que os gays em particular. Perde-se algum sangue e ganham-se alguns novos infectados que se julgavam "seguros".

Mas grave, para nós os banidos, seria proibirem-nos de receber sangue quando dele necessitamos. Não querem? Não recebem. O problema é vosso, não meu. A mim o que me chateia é ver tanto empenho do mov. LGBT com estes peanuts quando há discriminações a sério, muito mais graves e consequentes, por resolver...

Nota: Quem quiser seguir a discussão que por aí vai pode começar no Glória Fácil ou no Avatares, e daí continuar por sua conta e risco...

quinta-feira, maio 17, 2007

Eleições lisboetas e presidência do conselho da UE

Será boa ideia ter as eleições no dia em que o país assume a presidência? Ou será que para variar a cerimónia não será em Lisboa? Isso até era boa ideia, tal como seria activarem o site da coisa.

Coisas de criança

As t.A.T.u. voltaram?

Não, é o novo outdoor da Juventude Socialista, para assinalar o Dia Mundial da Luta contra a Homofobia. Parece que é exemplar único e está na Praça do Marquês em Лиссабон.

PS: Afinal, segundo o PD (hehehe) também há um no Porto. Acho que a última vez que o Porto viu duas mulheres aos beijos num outdoor foi com este da Sisley. Dois gajos a efectuarem a mesma actividade acho que nunca viu...

Votos de um bom dia

quarta-feira, maio 16, 2007

De Londres, Trás-os-Montes, à cova

Já que a comunicação social portuguesa não faz outra coisa por estes dias se não citar as referências a Portugal nos tablóides britânicos, podiam aproveitar e noticiar a primeira página do The Guardian de ontem. Uma previsão que indica que o clima londrino de 2070 será igual ao de Vila Real nos dias de hoje (por acaso no mapa parece-se mais com o Porto...). Já Berlim será argelina, Roma cipriota e Paris alentejana. As cidades portuguesas é que parece terem-se perdido no Saara.

Em todo o caso a imprensa lusa, futuramente tuaregue, tem feito referência às previsões de ondas de calor para o próximo Verão. Apontando já conselhos a seguir para nos protegermos do dito. Como dizia, e bem, uma climatologista na TV, se o aquecimento global parece ser um conceito demasiado grande e inalcançável, há muito que se pode fazer contra o aquecimento local. Desde os materiais e forma de construção das habitações à criação e manutenção de espaços verdes nas cidades. Basta passear em pleno Agosto numa rua ladeada por árvores frondosas e noutra pelada, ou morbidamente enfeitada por árvores raquíticas, para se perceber como uma simples árvore pode fazer baixar em vários graus o calor sentido num prédio.

É claro que as árvores não crescem da noite para o dia, mas olhando com atenção para as cidades portuguesas encontramos ene locais onde podiam estar árvores a sério, mas estão antes palmeiras ou ciprestes. O exemplo mais gritante, multiplicado por quase todas as freguesias do país, são as inóspitas florestas de mármore a que chamamos cemitérios, impenetráveis num dia de Sol logo a partir de Abril... Existem excepções recentes, de cemitérios mais verdes. E também uns poucos velhos bons exemplos. Mas mais podia ser feito para renovar a maioria dos cemitérios já existentes. E porque não promover novas, laicas e ecológicas, cerimónias de despedida dos entes queridos? Esta é uma ideia, mas mais simples ainda seria usar as cinzas dos corpos cremados para fertilizar o solo de novas árvores. Acho que vou já escrever isto num testamento, mármore é que não, mesmo.