domingo, julho 08, 2007

2ª Marcha LGBT do Porto

Bela reportagem no Jornal de Notícias. E galeria de fotos no Portugal Diário, no Flickr, no PortugalGay.PT e no GRIP. Inexplicável a ausência das TVs, com excepção para a TVI.

Que pena este lóbi ter falhado as manifs

«Many jeered when the Statue of Liberty was announced as one of the candidates. Portugal was widely opposed to the U.S.-led invasion of Iraq.» [Muitos vaiaram quando a Estátua da Liberdade foi anunciada como candidata. Portugal estava ferozmente contra a invasão do Iraque liderada pelos EUA.]
As coisas que se aprendem a ler o New York Times. De qualquer modo tenho pena que esta feroz oposição à guerra não se tenha visto mais cedo, por exemplo, antes da invasão avançar. E se aproveitem agora situações que não têm nada que ver para afinal ser-se apenas bronco e anti-americano porque sim (não vejo a ligação ao Iraque tão nítida quanto o NYT).

O Lóbi da Ota controlou "Maravilhas de Portugal"

Não há nada que um bom lóbi não explique: «Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa), Palácio da Pena (Sintra), Mosteiro da Batalha, Castelo de Óbidos, Torre de Belém (Lisboa) e Castelo de Guimarães foram os monumentos eleitos como as Sete Maravilhas de Portugal e esta noite anunciados numa cerimónia realizada no Estádio da Luz, em Lisboa.» Ou seja, tirando Guimarães (parecia mal excluir o berço) está ali tudo entre o Tejo e seja qual for a ribeira que banhe a Ota... a nova maravilha, que irá então sim destronar o castelo vimaranense.

sexta-feira, julho 06, 2007

O Lóbi de Extrema-Direita que controla a RTP

As eleições intercalares para a Câmara lisboeta são uma oportunidade única para a estação pública de televisão exercitar todo o seu olissipocentrismo. Reportagens, entrevistas, directos, enfim, ene recursos aplicados a cobrir um acto eleitoral cujos mandatos durarão apenas 2 anos e não interessam à maior parte do país. Uma das inovações apresentadas foi a entrevista a todos, rigorosamente todos, os candidatos. Nunca se viu antes, NUNCA. Nem em eleições nacionais. E ainda bem, porque se não não haveria tempo para mais nada, era uma seca. Cabe aos partidos conquistarem atenção mediática, nomeadamente conseguindo bons resultados eleitorais.

P. ex., a suposta "atenção mediática" que o Bloco recebeu aquando da sua formação só aconteceu porque houve uma união de partidos, cujos resultados somados não poderiam ser desprezados. Tratavam-se aliás de partidos históricos da democracia, que sofreram durante décadas um desprezo injustificado. O único partido que em Portugal recebe desde sempre mais atenção que a que os resultados justificariam é o CDS.

Mas eis que então a RTP decide abrir os cordões ao tempo de antena, e ofertar generosos minutos aos partidos mais obscuros da praça. Porque será que isso acontece precisamente quando a maioria dos micropartidos é de direita? Quando dois são até de extrema-direita? Será que os recentes escândalos sobre tráfico de drogas, armas e mulheres que se abateram sobre um desses partidos, legitima dar-lhe uma maior atenção mediática?

Hoje no Jornal da Tarde, apresentação da entrevista do líder do PNR: "responsabiliza a imigração pelo aumento da criminalidade e denuncia, há um lóbi gay que controla a CML", disse o pivot da RTP, com o ar mais sério do mundo. Roda a entrevista, difamação do costume, fim de entrevista e vira a página. Não há contraditório, não há direito de resposta para os alvos da difamação, NADA. Na RTP é assim, tão certo como haver missa aos domingos ou tourada patrocinada pela casa do pessoal. E se isto não é sinal de que a estação pública está nas mãos de um poderoso lóbi fascista, o que será?

A via revolucionária para o sexo anal

"The Raspberry Reich", provavelmente o melhor filme-panfleto de sempre, capaz de agradar a qualquer pessoa com sentido de humor, mas também amantes de pornografia alternativa, boa música ou homofóbicos militantes, que encontrarão aqui combustível para todas as suas paranóias.

JOIN THE HOMOSEXUAL INTIFADA! HETEROSEXUALITY IS THE OPIATE OF THE MASSES! THE REVOLUTION IS MY BOYFRIEND!

quinta-feira, julho 05, 2007

A via Thatcher para o sexo anal

Correu muito mal este meu post. A gnocca da Lady T., que tantou agradou a Berlusconi, pôs-me em rota de colisão com a Lady Fuckitall, erro que tenho ainda que remediar e que muito me magoa. Assim sendo deixemo-nos de gnoccas, que nunca foram a especialidade deste blog aliás, e voltemos ao sexo anal, que afinal é o que continua a dar pela blogosfera.

Ora muito se fala de sexo anal, mas sempre muito numa base demasiado teórica, "olha que se fodes, morres" etc e tal. Passemos então a conselhos mais práticos, dirigidos a quem de facto deseja praticar sexo anal. Uma das maiores dificuldades em se ter sexo anal com um "alvo" específico reside por vezes na incerteza sobre a orientação sexual desse mesmo alvo. [Sim, aqui fala-se de engate gay. Quando já há uma relação sexual estabelecida (gay ou hetero) mas sem componente anal e se quer avançar para esse campo, não há nada que um bom anilingus não resolva, é simples.]

Ora quando não se está numa sauna gay ou nas casas de banho de uma estação de serviço durante a madrugada, perguntar directamente ao "alvo" sobre a sua disponibilidade para se relacionar analmente contigo pode acarretar vários problemas. Desde logo fora desses contextos a probabilidade do "alvo" não comungar da mesma orientação sexual que tu aumenta exponencialmente. E os heteros tendem a levar muito a mal qualquer dúvida sobre a sua orientação sexual. Recomenda-se portanto uma abordagem subtil, sobretudo quando o contexto é o local de trabalho ou grupos de amigos. É aqui que entra a Lady T.

Uma abordagem subtil, eficaz e segura, deve ser uma abordagem assexuada. Pois assim, em caso de nega, nunca o "alvo" percebeu sê-lo. Ora como se consegue isto? Questionários sobre cultura gay. "Ah e a Eurovisão, que tal te pareceu?" - se a resposta for, "desde Malmö 92 que não abanava tanto a anca", sorri, o sexo anal está próximo. Se a resposta for negativa não desistas logo, investe noutros temas, Brokeback Mountain, Madonna, etc. as bichas não precisam tirar curso para o ser, alguns sabem mais de umas coisas e outros de outras. E depois, claro, há os que se gabam de não saber, nem se interessarem por nada disso. Bicha fachisti, é o nome científico.

Esta bicha é homofóbica, detesta all things rainbow, e jamais se deixará apanhar nas malhas de uma conversa sobre lantejoulas e bordados. Qual é o interesse de uma pessoa assim? É simples, na cama o limite é a imaginação: algemas, vendas nos olhos, cera derretida, chicote, orgia, etc etc etc. Afinal há que descompensar por algum lado, pelo que as bichas fachas se tornam bichas loucas na hora do sexo. Como identificar alguém assim? É fácil, basta perguntar pela Lady T.!

Um admirador heterossexual da Lady T. nunca será muito expansivo, a sua admiração é muito mais pelas suas políticas do que pela política propriamente dita, afinal, "o lugar das mulheres é na cozinha", é perigoso elogiar demasiado estes exemplos. Já um fã gay da Lady T. fica de imediato com um brilho nos olhos ao ouvir o seu nome, se estiver de gravata imediata e automaticamente verifica se o nó está direito, como se na presença da sua diva estivesse. Depois discorre uma infindável lista de elogios que inevitavelmente terminará com um "do que Portugal precisava era de uma mulher assim". É aqui que não te restam dúvidas de teres luz verde para avançar. Um "pois é, pois é" é suficiente para garantir uma resposta positiva ao convite para sexo que lhe deverá seguir. Estas bichas tendem a ser especialmente fáceis, e falando na Lady T. desperta-se no "alvo" uma série de hormonas que tornam urgente o alívio sexual. Agora que conhecem o truque, divirtam-se! E não se esqueçam do preservativo.


Direito de Resposta

O Lóbi Gay ficou muito preocupado com algum conteúdo publicado recentemente neste blog (renas e veados 05-07-2007), e vem por este meio tentar desfazer graves equívocos que por ele possam ter sido causados. O Lóbi condena veementemente o recurso a uma série de estereótipos sem qualquer correspondência com a realidade, numa tentativa vã de fazer humor. O Lóbi rejeita, uma vez mais, a ideia de que Margaret Thatcher possa ser considerada um ícone gay, dadas as suas políticas profundamente homofóbicas e a sua notória falta de glamour. O Lóbi condena ainda a divulgação pública de estratégias secretas pertencentes ao nosso PDM (Plano de Dominação do Mundo). De qualquer modo, face ao mal já feito, o Lóbi urge os seus membros a que ao menos, sempre que forem bem sucedidos na VTSA (via Thatcher para o sexo anal), tratem de filmar, para "memória futura", qualquer interacção anal ou de outra natureza sexual com os membros desertores do Lóbi.

Que o arco-íris esteja convosco e a Dorothy vos acompanhe,

RP do CC do LG

Cinema europeu, para lá dos orgasmos



Uma campanha simples, bonita, barata e com um sucesso que ninguém terá adivinhado. Estes são os restantes vídeos. Uma nota, para lá dos 5 grandes países (França, Itália, Espanha, Alemanha e Reino Unido) só identifico um filme dinamarquês (rodado em inglês), alguém vê mais?

"Una bella gnocca"

Lady Thatcher é una bella gnocca, quem o garante é Berlusconi, citado pelo Independent. Ora "gnocca" é calão italiano para vulva, algures entre "senaita" e "cona" em português de Portugal. Como Berlusconi chegou a esse veredicto não sabemos, mas para quem já está farto da discussão sobre sexo anal que decorre pela blogosfera, eis uma boa alternativa, a genitália da Dama de Ferro. Será mesmo bella ou antes uma de alto risco? A familiaridade com que Berlusconi se lhe refere indicia o pior...

quarta-feira, julho 04, 2007

LOL

E os blogs liberais não se insurgem?

Estranho o silêncio luso-liberal (aka católico-nacionalista) sobre esta cena do vídeo da UE. Até parece que não se passaram os últimos dias a discutir sexo anal. À primeira ilustração calam-se todos horrorizados? Frouxos...

Actualização das estatísticas do vídeo: já ultrapassou o milhão de visualizações, mas estranhamente a sua (não) posição nos tops do YouTube não bate certo com estes números. Já lidera destacado o top da Technorati. E já está disseminado por vários outros portais de vídeo. Os liberais até podiam fazer piadinhas sobre os riscos do sexo anal e o êxito desta campanha viral, mas pronto, não aguentaram o poder das imagens...

Actualização da discussão sobre sexo anal: agora a sério, no Womenage a Trois.

terça-feira, julho 03, 2007

Eurotubes

Duvido que alguém tivesse previsto o sucesso do vídeo do momento, mesmo tendo em conta o optimismo do título: "Film lovers will love this!". O vídeo, que até já estava no YouTube desde 15 de Junho (e provavelmente antes num qualquer site institucional), só viu a luz do sucesso com o lançamento oficial do canal da EU, no passado dia 29. Neste momento já passou o 1/4 de milhão de visualizações, já está em segundo no top da Technorati e tudo indica que estes números são para multiplicar nos próximos dias. Uma aposta em cheio, portanto.

Mas as irritações também continuam a alastrar, depois dos eurocépticos britânicos e dos homofóbicos polacos, até o The Lede (blog do New York Times) se sentiu incomodado com um comentário do porta-voz da Comissão, Martin Selmayr, que disse que a Europa não era uma "Bible Belt", nome dado à cintura de estados sulistas mais religiosos e conservadores nos EUA.

Seguindo ainda a onda de interesse pelos assuntos europeus que este vídeo criou, é boa altura para lembrar que o EuroNews também já tem um canal no YouTube, com a vantagem de ter uma versão em português.

Ainda sobre a UE há vários vídeos da SIC disponíveis no Sapo, embora não arrumadinhos num canal. Mas o mais interessante é mesmo este, onde se vê o ministro da agricultura a sugerir aos pescadores de Matosinhos que reivindiquem a saída de Portugal da UE. Parece-me que a ideia dos pescadores era antes que os políticos portugueses fossem capazes de defender melhor os interesses portugueses em Bruxelas, coisa que nunca aconteceu no sector das pescas. Mas era interessante se alguns pescadores seguissem de facto o conselho do ministro. O euroentusiasmo português só será saudável e verdadeiro quando existir um eurocepticismo sério e com algum peso no país. A Europa não deve ser uma fatalidade, mas uma escolha consciente.

Polónia: a solução é emigrar

O nome que precisam mesmo mudar é este: Kaczynski

«O Comitê do Patrimônio Mundial da Unesco estendeu o nome oficial do campo de Auschwitz-Birkenau para chamá-lo de "campo de concentração e de extermínio nazista alemão de Auschwitz-Birkenau (1940-1945)", anunciou nesta quarta-feira o ministro polonês da Cultura, Kazimierz Ujazdowski. (...)
Esta mudança de nome permitirá, segundo Varsóvia, que se evite que vários formadores de opinião falem de "campos poloneses" ao se referirem a Auschwitz-Birkenau e a outros campos de concentração ou de extermínio instalados pelos nazistas alemães na Polônia ocupada (1939-1945). "A decisão da Unesco é uma vitória da verdade histórica sobre a mentira", declarou o ministro polonês da Cultura e do Patrimônio, citado pela agência PAP.»
É vergonhoso que a Unesco se preste a este tipo de simplificações históricas, motivados apenas pela crescente vaga xenófoba anti-alemã que graça actualmente na Polónia. Toda a gente sabe onde surgiu o nazismo, este novo nome nada acrescenta. A simplificação apenas subtrai. Não é demais repetir: nem todos os alemães eram nazis, e nem todos os nazis eram alemães. E só uma memória completa e honesta do que aconteceu poderá evitar que se repita, onde quer que seja.

A excepção moral polaca

«El conservador Gobierno polaco, comandado por los gemelos Lech y Jaroslaw Kaczynski (presidente y primer ministro, respectivamente), pretende que sus 38 millones de ciudadanos no tengan los mismos derechos que el resto de los europeos. Varsovia ha incluido en el borrador del futuro tratado de la UE una cláusula de moralidad que, en la práctica, impedirá a los polacos protestar ante el Tribunal europeo de Luxemburgo cuando se les acuse en Polonia de violar la moral pública y la integridad física y familiar. (...) La inclusión de esta cláusula de moralidad no es definitiva y aún existe la posibilidad de que se elimine del texto durante la presidencia portuguesa de la UE.» [via]
Ou sai a excepção, ou sai a Polónia ou não sai mesmo novo tratado. A bem da sanidade mental do continente.

segunda-feira, julho 02, 2007

Let's come together

A Comissão Europeia decidiu estrear-se em grande no YouTube. Este é um dos filmes no recém-criado canal (também com uma versão em alemão). Segundo comentários de quem gere o dito canal, depois de recebidas críticas pela escolha de um site americano, há interesse em abrir novos canais de vídeo on-line não apenas noutros idiomas, mas também noutros sites similares (como o DailyMotion, que é europeu).

Seja como for o que tem dado que falar é mesmo este vídeo, que mostra o apoio da Comissão ao cinema europeu. Os tablóides ingleses já estão todos excitados, o conservador e anti-europeísta Times cita um deputado britânico que diz: «Suponho que o filme é apropriado. A UE anda a foder a Grã-Bretanha há 30 anos.» Eu acho que é mais o contrário, mas giro é constatar que o hard-core deixou de ser linguagem exclusiva dos eurocépticos. Let's come together, shall we?

Actualização: chovem queixas da Polónia, segundo a BBC, por causa da cena entre dois homens. Por "cena entre dois homens" entenda-se o segundinho que só com muita atenção (e interesse pela temática) se consegue vislumbrar no video (aos 15 segundos, não sei de qual filme). Já a cena lésbica, do "8 femmes", distingue-se melhor.

Por cá não seria muito diferente

The Ipsos-Reid survey showed that 60 percent of Canadians would fail the test. A similar poll done in 1997 showed a failure rate of 45 percent.»

Zapping dominical

Na RTP1 o domingo passado foi dedicado à princesa Diana. Concertos, entrevistas, documentários-tablóide. Fiquei na dúvida do porquê, solidariedade monárquica? Colonialismo britânico? Seja como for mais uma vez se viu que na RTP abunda a parolice mais medonha e o contínuo desrespeito dos valores da nossa República. Abjecto.

Na TVI apanho a meio uma reportagem sobre casais de lésbicas portuguesas que se vêem obrigadas a recorrer a esquemas para contornar a lei parafascista sobre procriação medicamente assistida que vigora no país. Não vi o suficiente para avaliar a qualidade do trabalho jornalístico, mas do que vi gostei, se alguém youtubasse a coisa era óptimo (o site da TVI diz que o vídeo estará disponível em breve). Uma nota negativa, comum a mil e uma outras reportagens, as pessoas que foram entrevistadas de forma anónima não viram o seu anonimato devidamente protegido, eu fui capaz de reconhecer pelo menos uma pessoa, que nem sequer conheço pessoalmente, o que me parece bastante grave.

Na SIC vejo finalmente um daqueles depoimentos de que já aqui falamos, neste caso um brasileiro homossexual e o seu filho adoptado, muito bonito (vou ver se acho no youtube).

PS: Acho que o vídeo da TVI já está on-line, mas é só para gente com ligação IOL. Googlem-no por favor.

sexta-feira, junho 29, 2007

Os casinhos do governo

Tinha até há pouco aqui um post sobre mais uma gaffe do governo. A notícia rezava assim:
«O ministro da Saúde, Correia de Campos, aconselhou a entrega «a pobres» de medicamentos fora de prazo, como forma de evitar o desperdício de fármacos.
De acordo com a TSF, Correia de Campos intervinha numa conferência na Ordem dos Economistas quando foi interpelado por um dos participantes, da Associação Nacional de Farmácias, que exibiu um saco com medicamentos fora de prazo, no valor de 1.700 euros.
O ministro da Saúde referiu que «toda a gente sabe» que há desperdício de medicamentos, nomeadamente que, por vezes, os utentes compram unidades a mais do que necessitam. «Certamente essa Associação a que pertence tem pobres inscritos. Talvez pudesse facultar esses produtos farmacêuticos para serem utilizados», recomendou o ministro.»
Mas afinal, ao que parece, o ministro não sabia que os medicamentos estavam fora de prazo quando proferiu o comentário, afinal absolutamente sensato e solidário. E esta notícia não é jornalismo. É outra coisa qualquer, algures entre a manipulação e a mentira grossa.

Mais um caso, dos muitos casinhos que vão causando polémica em torno do governo, ao mesmo tempo que o que realmente importa passa sem discussão. Não admira, um governo de direita, uma oposição e comunicação social igualmente de direita, sobram apenas os fait divers para criticar o governo. Não há escândalo pelo ataque aos direitos dos trabalhadores, não há escândalo por causa do recuo da lei anti-fumo, não há escândalo pelos ataques aos sistema nacional de saúde, pela inexistência de saúde dental pública, pela berardização do país etc etc etc.

E depois ainda há os casinhos que passam por horríveis "ataques à liberdade de expressão" (qual regime jardinista), que afinal não passam de excessos de zelo em relação a maus comportamentos na função pública muito mal contados... Como se a maioria dos trabalhadores portugueses tivesse um pingo de pachorra a gastar com boys de outros governos que se divertem a fazer piadinhas e cartazes no local de trabalho. O pior mesmo desses casos é substituir uns boys por outros, e não simplesmente extinguir-lhes os jobs. Mas tivessem os trabalhadores portugueses metade do tempo que têm estes boys para brincarem e fazerem tropelias, e o governo piaria muito mais fino no que realmente interessa.

Quando se lembrarem de atacar os erros ortográficos é que vai ser


As estórias bizarras sobre actuações da ASAE somam-se. Esta é uma das últimas, outra é a do café que teve que pagar uma multa de não-sei-quantos euros por vender 7up em lata sem a lista de ingredientes escrita em português. A obrigatoriedade da tradução parece-me bem, mas não seria essa uma obrigação do importador/distribuidor?

Uma onda de calor anal percorre a blogosfera*

Tatuagem da moda para o Verão

Li por essa blogosfera fora várias comparações entre a recente discussão sobre os "malefícios" do sexo anal e a discussão sobre o fumo, e fiquei com a dúvida sobre se afinal a discussão é sobre o direito a foder ou não em locais públicos fechados. É que se a discussão é essa há que recentra-la não nos perigos de quem fuma/fode, mas de quem apenas está presente no local, como observador passivo, não participando no acto. Suponho que esta confusão surgiu precisamente do termo "passivo", que levou a um errado paralelismo entre fumadores e fodedores passivos. O que suscita todo um novo debate sobre a justiça e rigor da expressão "fodedor passivo".

Seja como for perspectivam-se boas notícias para os anodependentes, afinal depois do recuo do governo no combate ao fumo nos locais públicos fechados, por pressões dos nicotinodependentes, ficou mais difícil justificar a continuação da proibição do sexo anal nesses mesmos locais. Quem não consegue tomar um café sem dar, ou levar, uma pela meio, terá finalmente uma vida mais regalada. A blogosfera já antes provou ser capaz de mover montanhas, e quem diz montanhas, diz nádegas.

[* Juro que não fui eu que a lancei, eu nunca lanço coisas dessas em público.]