sábado, julho 14, 2007

De volta ao anal

Isto já extravasou a blogosfera, é definitivamente o assunto oficial do Verão. No Google Notícias ainda se encontram títulos mais giros, como "Butt desejado para a baliza" ou "Butt na mira do Benfica".

sexta-feira, julho 13, 2007

Renas arrastadas

Eh pá, isto já é demais. Ainda nem tinha agradecido devidamente o maravilhoso elogio, e o Daniel Oliveira lembra-se de escolher este curral para blog da semana. Assim já nem posso escrever o meu post "Se votasse em Lisboa, no próximo domingo votaria no Bloco", pois ia parecer troca de galhardetes... Sinto-me portanto sem palavras. Obrigado.

A homofobia é tão gay (3)

Bob Allen é um deputado republicano da Casa dos Representantes da Florida, EUA, e também o mandatário da candidatura presidencial de John McCain naquele estado. Ultra-conservador, sobretudo em "assuntos morais" (tentou endurecer as leis contra o sexo em público), recebe cerca de 92% do apoio financeiro para as suas campanhas da Coligação Cristã da Florida. Profundamente homofóbico (opôs-se a uma lei anti-bullying homofóbico e defende a proibição constitucional do casamento gay) já recebeu o "prémio" Wicked Witch, que a organização Rainbow Democratic Gay & Lesbian atribui ao "pior dos piores" em matéria de políticas LGBT. Foi detido na quarta-feira à porta de um WC público, depois de ter aliciado um polícia à paisana a deixa-lo praticar sexo oral por 20 dólares, o que é crime naquele estado [via]. Declara-se "inocente".

Reportagens vídeo: durante o processo de detenção, aquando da libertação e declaração de inocência.

quinta-feira, julho 12, 2007

Miss Kitty censurada, Getafe resiste e Sócrates, que fará?

Bento 16 nunca pareceu tão disponível para amar, como Jesus mandava de resto. Chama-se "Miss Kitty" a obra que acabou por ser censurada em Milão, por pressões do Vaticano.


Já o anúncio do Getafe C.F. continua a passar na TV, por muito que isso desagrade às sotainas locais.

Agora só não sabemos se Sócrates será mais uma Miss Kitty ou pelo contrário, não põe nada à frente dos interesses da República, como fazem os adeptos do Getafe com o seu clube.

Caça aos patos

O Público de hoje dá conta de um bando de patinhos de borracha que poderá dar à costa portuguesa durante o Verão. Vale a pena estar atento porque cada animal poderá valer pelo menos uns 73 euros. Entretanto em França, na "Loire Estuaire 2007" em Nantes, está a causar sensação este outro patinho (nas imagens), certamente a valer ainda mais que os seus pequenos clones. Mesmo sendo uma obra sem pingo de originalidade, basta pensar no coelho rosa gigante que deu que falar em 2005 ou nos infindáveis balões de ar quente com as mais variadas formas, patos incluídos. "Big" sells, "bigger" sells more.

Vídeo: anúncio espanhol inspirado no naufrágio dos patinhos.

quarta-feira, julho 11, 2007

Quem tem medo de referendar a Concordata?

Muita gente tem pedido com insistência um referendo sobre o novo tratado da UE. Eu não tenho muita vontade de dar para esse peditório, pelo simples facto de que me custa vislumbrar um novo tratado sequer, e se mesmo que nasça outros países se oferecem para chumba-lo em referendo, parece-me sensato pouparmos essa despesa. Mas já que, salvo erro, a lei foi alterada para permitir o referendo a tratados internacionais, porque não fazer um sobre a Concordata? Não será justo que o eleitorado português tenha algo a dizer sobre os acordos entre o seu (supostamente laico) Estado e micro-teocracias? Acordos que concedem todo o tipo de benesses a essas ditaduras estrangeiras, sem que se vejam mais-valias para o Estado? Quem não quer que o povo se pronuncie? Que a sociedade possa mostrar o real valor da ICAR?

REFERENDO À CONCORDATA JÁ!

O Estado cobra, a Igreja esbanja

«Ainda na área da educação, a CEP critica a redução dos apoios do Estado à Universidade Católica Portuguesa e os problemas no ensino da Educação Moral e Religiosa nas escolas públicas. "Não há liberdade de educação em Portugal", concluiu o religioso, recordando que todos os partidos prometem permitir a escolha livre das famílias entre escolas públicas e católicas mas nunca cumprem essas promessas depois de serem eleitos.»
Esta é uma das passagens mais curiosas da notícia da Lusa, que merecia toda uma tese de análise, mas para já fico-me por um postito. "Não há liberdade de educação em Portugal", quem lê imagina alunos impedidos de escolherem estudar em escolas católicas. Será isso? O que entenderão por "escolha livre" os bispos de Portugal? Esperem, não me digam que querem que o estado pague as propinas altíssimas que vocês cobram aos vossos alunos, para que estes possam escolher entre escolas públicas e colégios católicos sem se preocuparem com a factura? É isso? Lata não falta aos bispos portugueses, trocam as palavras, os jornalistas noticiam como se com a troca algo fizesse ainda sentido, e siga o forrobodó. O que os bispos querem é que o estado esqueça não só que é laico, mas também que tem todo um sistema de ensino ao seu encargo, e passe a financiar "porque sim" o sistema de ensino concorrente da ICAR.
«"O peso da Igreja na sociedade portuguesa não é o Estado que o define", disse, acrescentando que estas questões serão objectos de análise na próxima Assembleia Plenária dos bispos portugueses que terá lugar em Novembro, a decorrer em Roma.»
Pois não é o estado, não senhor. Mas porque raio havia de ser a igreja? Porque não deixa a igreja que seja a sociedade a definir a sua relevância? Porque é que em vez da igreja querer continuamente substituir o papel do estado em várias áreas (educação, saúde, etc) com o dinheiro do estado, não tenta a substituição com o seu próprio dinheiro? Porque não pode a ICAR, a exemplo de várias outras igrejas por esse mundo fora, cobrar "impostos" (quotas, dízimos, chamem o que quiserem) aos seus membros para assim poder manter os seus serviços alternativos? A sério, porquê?

Oh esperem, não me digam que têm medo? Que imaginam que a sociedade não quereria saber dos vossos fantásticos serviços para nada, que prefeririam os do Estado? Que acham que a fé da maioria dos fiéis não resistiria a uma só mensalidade? E que aqueles que estariam dispostos a paga-los ficariam mais curiosos sobre o modo como gerem os fundos, e iam querer dizer algo sobre isso? Que no final haveria cerca de 5% de portugueses católicos e ainda por cima vigilantes da gestão da ICAR? Infernal imagem não é? Mais vale de facto continuar a trocar as palavras todas, chamar "liberdade" ao dinheiro, e sacar o máximo possível do cofre que é de todos, católicos ou ateus.

terça-feira, julho 10, 2007

Conselhos verdes, contra o aquecimento global

1) Alimentar vacas e bois com alho.

2) Trocar a água engarrafada pela da torneira.

3) Não ter filhos.

Microcausa

Fátima Campos Ferreira promovida a correspondente da RTP no Uzbequistão, já!

Governo polaco pode estar prestes a tombar

Óptimas notícias da Polónia, o governo de extrema-direita poderá cair ainda esta semana. Um dos partidos da coligação governamental, o Autodefesa, está de novo envolvido num escândalo, desta vez de corrupção, o que poderá levar à queda do executivo, que enfrenta uma moção de censura que será hoje levada ao parlamento. Isto pode transformar-se numa excelente notícia para a Polónia e para a UE.

Mas enquanto as melhores perspectivas não se confirmam (e só no Outono tal poderá acontecer), não podemos baixar os braços perante o autêntico golpe aos direitos humanos na União Europeia que o actual regime polaco defende. É só copiar e mandar por mail, tudo explicadinho no Coroas de Pinho.

PS: Mais sinais de desmoronamento...

PPS: Afinal ainda não foi desta. Mas o desmoronamento prossegue...

Quem quer tramar a Anatomia de Grey?

Sim, sou fã. E apesar de a seguir na RTP, consegui até agora resistir à tentação de a sacar da net. Mas está difícil. A série passava ao domingo à tarde, hora variável, pelo que usava cassetes de 3 horas programadas para começarem a rolar uma hora antes da prevista. Mas depois vieram os domingos sem Grey porque algo superimportante sobrepunha-se, como reuniões de grávidas ou missinhas em Fátima. Às vezes, vindos não se sabe bem de onde, apareciam episódios em dose dupla, quiçá para compensar. E agora acabou-se de vez a Grey ao domingo, passou para as noites da semana. Segunda passaram dois, nos restantes dias planeiam passar só um, horas variáveis, mas na quinta não passa nenhum e na sexta dá-se a feliz ideia de a passarem à 1h entre dois filmes de terror. Suponho que para agradar aos fãs de terror que gostam de fazer um intervalo com novelas de hospitais.

Isto num canal privado é burrice e desrespeito pelo espectador, os accionistas que se queixem. Num canal público é tudo isso, mas também um esbanjar de dinheiros públicos. Séries como esta são caras, e exibidas assim, quando calha, não conseguem manter uma audiência fiel. É dinheiro público atirado ao lixo. E ninguém se responsabiliza.

segunda-feira, julho 09, 2007

Suécia deverá aprovar casamento homossexual religioso

É o parlamento sueco que tem discutido o assunto, e 6 dos 7 partidos com assento estão a favor. Até ao ano 2000 a Igreja da Suécia era a igreja do estado, desde aí que se deu a separação entre o estado e a igreja. Mas as leis do primeiro continuam a ser soberanas na segunda. Com a separação entre estado e igreja a adesão à mesma deixou de ser automática para os filhos de um membro, só com o baptismo se faz parte da igreja. Segundo o seu site oficial, 80% das suas despesas são pagas com o dinheiro das quotas dos seus membros. Desde Janeiro deste ano que celebra bênçãos religiosas para casais de pessoas do mesmo sexo.

Em 1995 o estado sueco criou parcerias civis para casais homossexuais, cujos direitos e deveres são em tudo semelhantes ao casamento heterossexual. Em 1995 a Igreja da Suécia era ainda a igreja do estado, e abrir o casamento a casais homossexuais teria implicações também nas cerimónias religiosas, situação que então gerava muitos atritos. Actualmente a gestão da Igreja (nomeações de bispos etc) já não está nas mãos do parlamento, mas de uma nova assembleia, Kyrkomötet, criada para o efeito, igualmente eleita, mas apenas com votos dos membros da Igreja. Esta assembleia ainda não tomou uma decisão oficial sobre a lei que está a ser debatida, mas já foi adiantando que gostaria que os padres pudessem escolher não oficializar esses casamentos.

Comparem a situação sueca com a portuguesa, supostamente um país laico há dezenas de anos.

Em Portugal a igreja com mais membros não tem sede no país, mas no Vaticano. A gestão da igreja é em grande medida decidida no estrangeiro, é o Vaticano que decide quem é o cardeal, só para dar um exemplo. A ICAR portuguesa não cobra uma quota aos seus membros (ao contrário da maioria das organizações, religiosas ou não), antes pede esmola, aos seus fiéis, e exigi-a ao estado, cujos cofres são de todos, católicos ou não. É muito difícil contabilizar o dinheiro que sai dos cofres do estado para os bolsos da igreja, desde dádivas indirectas como isenções de impostos até todo o tipo de subsídios atribuídos pelo governo, câmaras, juntas de freguesia e outras instituições do estado.

A ICAR não está obrigada a obedecer a muitas das regras que as outras organizações a actuar no país estão, a Concordata, acordo entre o estado português e o Vaticano, garante-lhe uma infinidade de privilégios e desobrigações para com o estado. O estado português não tem qualquer poder de decisão dentro da ICAR, e é obrigado a aceitar nomeações da ICAR na função pública (capelões do exército e hospitais são funcionários públicos escolhidos pela ICAR), ao passo que a ICAR rejeita a proibição de discriminação em função do género na hora de formar os seus padres. O estado não se mete na política da ICAR, mas a ICAR mete-se continuamente nas políticas do estado. Um bom exemplo disso é a questão do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, lei que em nada afecta a ICAR, mas sobre a qual já se pronunciou as mais variadas vezes. Os próprios fiéis pouco ou nada podem fazer para influenciarem a gestão e política da organização, competência exclusiva da sua hierarquia.

O leve adianto nos princípios constitucionais do estado português face ao sueco, reflecte afinal na prática um atraso de meio milénio face ao protestantismo escandinavo. Da fundação até hoje, ainda meros lacaios de Roma.

Bispos ameaçam governo para conseguirem mais dinheiro

A informação do canal público de televisão decidiu abrir o seu Jornal da Tarde com a irritação dos bispos portugueses, que exigiam "maior diálogo com o governo". O porta-voz era nem mais nem menos que o inenarrável Lino Maia, o padre que tentou convencer-nos de que a culpada da tortura, abandono e assassinato da Gisberta era da própria, e os assassinos e torturadores, que estavam ao abrigo de uma instituição da igreja, eram afinal as verdadeiras vítimas.

As queixas da igreja, ditas em tom vago, resumem-se a um único ponto: querem mais massa. «Lino Maia diz que, em primeiro lugar, a divergência tem a ver com os ATL. "Corremos o risco de ter que encerrar." Esta consequência pode ter um custo social: 20 mil desempregados em 870 instituições, ligadas à Igreja e não só. Em causa está "o direito dos pais a escolher entre a resposta pública do prolongamento do horário escolar ou a resposta dos ATL".»

Ou por outras palavras. O autoproclamado maravilhoso serviço social da igreja é tão bom, tão bom, que não é capaz de sobreviver sem os subsídios do estado. O estado paga, a igreja gasta o dinheiro como bem entende e fica com a fama de prestar os serviços que o estado não oferece. Justo, não?

É por estas e por outras que a igreja continua a parecer ter um papel e uma importância na sociedade que definitivamente não tem. É o estado que sustenta essa importância, não é a sociedade, a quem a igreja é indiferente. Sustentação com subsídios e com o vergonhosamente anti-laico serviço público de televisão. Ser solidário com o dinheiro dos outros é fácil, ter canais de televisão também (já a TVI, privada, não durou muito enquanto TV católica). Chantagear o governo para que este se demita do seu papel social, contratando antes a igreja, também não tem sido difícil. Mas o que eu gostava mesmo de ver era um apoio e generosidades católicas geradas a partir de fundos católicos, e não estatais, e de preferência sem produzirem gangues assassinos. Pode ser, ou é mesmo impossível?

A vaia ao poder

Já li várias notícias que faziam referência a uma "monumental vaia a José Sócrates" no estádio da Luz, aquando daquela treta das maravilhas. A mim também parece ridículo um PM ir a uma coisa dessas. Mas o curioso é que quando finalmente descobri um vídeo da vaia, descobri também que Sócrates não estava só, Cavaco estava mesmo ao lado. Mas isso não foi noticiado nos jornais, pelo menos nas notícias que eu li. Porque terão tanta certeza os jornalistas de que a vaia era exclusivamente para Sócrates? Eu, por exemplo, sentir-me-ia muito mais tentado a vaiar Cavaco.

Não, não é nenhum George Clooney

Quem andou a reavivar essa teoria foi um jornalista da BBC. E quem a desmonta é um site de comparação de rostos que o Farpas achou. Claro que usando outra foto os resultados variam, mas o Matthew Perry mantém-se e o Clooney não aparece.

Já eu sou 72% igual à Reese Witherspoon e 74% igual ao Joshua Jackson. Por isso quando acharem que se estão a cruzar na rua com a versão morena de um deles já sabem, afinal sou só eu ;)

domingo, julho 08, 2007

As biclas e as cidades

Boa reportagem que a SIC transmitiu há dias sobre o uso da bicicleta em Lisboa. Os candidatos à autarquia da capital parecem abertos ao assunto, mas falta saber se o espírito se mantêm depois das eleições. Entretanto Barcelona e Paris não têm mãos a medir com o sucesso dos seus programas de aluguer de bicicletas. Projectos semelhantes ao já velinho BUGA de Aveiro, elogiado recentemente no New York Times. Já no Porto a última vez que ouvi falar no assunto foi quando noticiaram as 98 bicicletas em processo de apodrecimento, esquecidas num armazém. Uma pena ainda faltar tanto para as eleições na invicta...

2ª Marcha LGBT do Porto

Bela reportagem no Jornal de Notícias. E galeria de fotos no Portugal Diário, no Flickr, no PortugalGay.PT e no GRIP. Inexplicável a ausência das TVs, com excepção para a TVI.

Que pena este lóbi ter falhado as manifs

«Many jeered when the Statue of Liberty was announced as one of the candidates. Portugal was widely opposed to the U.S.-led invasion of Iraq.» [Muitos vaiaram quando a Estátua da Liberdade foi anunciada como candidata. Portugal estava ferozmente contra a invasão do Iraque liderada pelos EUA.]
As coisas que se aprendem a ler o New York Times. De qualquer modo tenho pena que esta feroz oposição à guerra não se tenha visto mais cedo, por exemplo, antes da invasão avançar. E se aproveitem agora situações que não têm nada que ver para afinal ser-se apenas bronco e anti-americano porque sim (não vejo a ligação ao Iraque tão nítida quanto o NYT).

O Lóbi da Ota controlou "Maravilhas de Portugal"

Não há nada que um bom lóbi não explique: «Mosteiro de Alcobaça, Mosteiro dos Jerónimos (Lisboa), Palácio da Pena (Sintra), Mosteiro da Batalha, Castelo de Óbidos, Torre de Belém (Lisboa) e Castelo de Guimarães foram os monumentos eleitos como as Sete Maravilhas de Portugal e esta noite anunciados numa cerimónia realizada no Estádio da Luz, em Lisboa.» Ou seja, tirando Guimarães (parecia mal excluir o berço) está ali tudo entre o Tejo e seja qual for a ribeira que banhe a Ota... a nova maravilha, que irá então sim destronar o castelo vimaranense.

sexta-feira, julho 06, 2007

O Lóbi de Extrema-Direita que controla a RTP

As eleições intercalares para a Câmara lisboeta são uma oportunidade única para a estação pública de televisão exercitar todo o seu olissipocentrismo. Reportagens, entrevistas, directos, enfim, ene recursos aplicados a cobrir um acto eleitoral cujos mandatos durarão apenas 2 anos e não interessam à maior parte do país. Uma das inovações apresentadas foi a entrevista a todos, rigorosamente todos, os candidatos. Nunca se viu antes, NUNCA. Nem em eleições nacionais. E ainda bem, porque se não não haveria tempo para mais nada, era uma seca. Cabe aos partidos conquistarem atenção mediática, nomeadamente conseguindo bons resultados eleitorais.

P. ex., a suposta "atenção mediática" que o Bloco recebeu aquando da sua formação só aconteceu porque houve uma união de partidos, cujos resultados somados não poderiam ser desprezados. Tratavam-se aliás de partidos históricos da democracia, que sofreram durante décadas um desprezo injustificado. O único partido que em Portugal recebe desde sempre mais atenção que a que os resultados justificariam é o CDS.

Mas eis que então a RTP decide abrir os cordões ao tempo de antena, e ofertar generosos minutos aos partidos mais obscuros da praça. Porque será que isso acontece precisamente quando a maioria dos micropartidos é de direita? Quando dois são até de extrema-direita? Será que os recentes escândalos sobre tráfico de drogas, armas e mulheres que se abateram sobre um desses partidos, legitima dar-lhe uma maior atenção mediática?

Hoje no Jornal da Tarde, apresentação da entrevista do líder do PNR: "responsabiliza a imigração pelo aumento da criminalidade e denuncia, há um lóbi gay que controla a CML", disse o pivot da RTP, com o ar mais sério do mundo. Roda a entrevista, difamação do costume, fim de entrevista e vira a página. Não há contraditório, não há direito de resposta para os alvos da difamação, NADA. Na RTP é assim, tão certo como haver missa aos domingos ou tourada patrocinada pela casa do pessoal. E se isto não é sinal de que a estação pública está nas mãos de um poderoso lóbi fascista, o que será?