segunda-feira, outubro 08, 2007

As coisas que os contribuintes pagam...

Ainda me lembro bem de uma denúncia que tentei fazer chegar à GNR, que tudo fez para a não aceitar. Ser vítima de vandalismo não convence a GNR se não se é o proprietário, mas apenas o utilizador no momento do crime. Já para apreender erva, é uma festa! Não a sério, isto beneficia quem exactamente? Isto é, tirando os produtores marroquinos, os seus dealers exportadores e o bom humor da esquadra onde as plantas fiquem armazenadas, isto interessa a quem exactamente?

À balança comercial portuguesa não é certamente, e ao fumador de ganza tanto se lhe dá, como se lhe deu - a ganza é omnipresente, como nem deus algum dia sonhou ser. Portanto, ocupa-se a bófia com plantaçõezinhas que não fazem mal a ninguém, lixa-se a vida a meia dúzia de agricultores que já a deviam ter difícil para se meterem nisto e aumentam-se as importações de Marrocos. Sim, muito inteligente. Obrigadinho ó da guarda! Sempre valeu a pena não apanharem antes o gajo que me riscou o carro...

Arautos da liberdade feitos ratos da corte espanhola

Noto com algum espanto a indiferença com a actualidade política basca que se vê pela blogosfera portuguesa, particularmente entre a liberal. Criam-se leis para ilegalizar partidos, ilegalizam-se os ditos, e agora prendem-se os seus militantes mais destacados por causa de uma "reunião ilegal" e ninguém se indigna? Estranho. Se fossem neonazis já estaria Pacheco Pereira em vigília à porta da embaixada espanhola.

Por outro lado ao anúncio de um referendo no país, o bloco central espanhol (pois, para assuntos excepcionais também há um em Espanha) responde com insultos e ameaças de perda da autonomia existente. E por cá ninguém diz nada? Já se esqueceram todos do referendo de Timor Leste? Agora é aceitável este tipo de ameaça?

Voltando atrás, vale a pena fazer uma comparação entre o Batasuna e o fascista PNR. O Batasuna tinha uma significativa representatividade eleitoral (tal aliás como o seu subproduto, também ilegalizado, ANV, e cuja ilegalização rendeu um município às contas eleitorais do PP com apenas 27 votos!). A lei que o ilegalizou foi criada especificamente para esse efeito, ou seja, anos depois do partido existir. O partido não promove directamente a violência, não pelo menos de forma declarada, limita-se a não condenar a violência da ETA.

No caso do PNR falamos de um partido ilegal muito antes de existir, pois desde 1976 que é proibido formarem-se partidos fascistas em Portugal. Mesmo assim ele formou-se, camuflando o seu fascismo. No entanto a máscara tem vindo a cair, e a sobreposição de militantes seus e dirigentes de grupos violentos, envolvidos no assassinato de pessoas, tráfico de drogas, armas e mulheres, é cada vez mais notória. A sua representatividade eleitoral continua, felizmente, nula. E mesmo assim ninguém, com responsabilidades políticas, ousa defender o óbvio, a aplicação da lei e sua ilegalização. Apesar de ninguém o fazer, os blogs liberais estão sempre à espreita de qualquer sugestão nesse sentido e gritam aqui-del-rei pela "liberdade" ao mais pequeno sinal.

Mas, claro, calados como ratos em relação ao Batasuna.

Vermelhos contra cinzentos: a luta continua

Qual metáfora natural dos tempos políticos de hoje, os esquilos vermelhos (ou esquilos europeus ou ainda eurasiáticos) da Grã-Bretanha estão a ser dizimados pelos seus primos americanos (os cinzentos), introduzidos na ilha no séc. XIX. Vale mesmo a pena ler esta reportagem do The New York Times. Os cinzentos são maiores e mais agressivos, sendo capazes de se instalarem em áreas mais urbanizadas, mas a sua maior arma contra os vermelhos é um vírus que transportam, e ao qual são imunes, mas que mata os vermelhos em pouco tempo.

Em Portugal a situação tem sido inversa. Depois de séculos sem esquilos no país, os vermelhos são hoje comuns em vários locais do Norte graças a repovoamentos bem sucedidos na Galiza - creio que até já ultrapassaram o Douro no seu rumo a Sul. Basta ir aos pinhais à beira-mar de Esposende, p.ex., para comprovar a sua presença, mas com alguma sorte topam-se a cruzar qualquer estrada rural minhota. Mas o futuro é perigoso, a reportagem do NYT refere que também em Itália os cinzentos começam a substituir os vermelhos, e provavelmente os Alpes não serão uma barreira tão fiável quanto o canal da Mancha.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Viva a República!

Os bispos vampiros

Às vezes as coisas atingem um grau tal de sem vergonhice que só conseguimos falar delas falando em bom português. As mais recentes filhasdasputices da Igreja católica portuguesa são disso exemplo.

Se não vejamos. Em Fátima clamam horrorizados contra a "universalização do casamento gay" e lamentam que "apenas a Polónia" se lhe oponha com veemência no espaço da UE. Deixam de lado portanto dois pontos: 1) a Polónia também é o único país da UE a não opôr-se à pena de morte (não arrelia nem um pouco?) e 2) a suposta universalização do casamento gay perde a milhas para a universalização da pena de morte para os gays, são 5 países com casório (apenas 3 na UE de 27), contra 9 com pena de morte, isso também não arrelia?

Entretanto prossegue a campanha de mentiras e areia para o ar promovida pela igreja e acariciada por muita gente crédula e analfabeta, na qual se inclui, tragicamente, uma boa parte dos jornalistas da praça. Valha a Fernanda Câncio para desmontar as manhas. Na discussão do novo regime de "assistência religiosa nos hospitais" só uma coisa está em causa: dinheiro, dinheiro e mais dinheiro. E a poeira e mentiras são lançadas com tanta insistência não só por ser o seu modo natural de estar e ser, mas também para esquecer o facto de que mesmo que a lei seja aprovada, continuará a ir demasiado dinheiro do estado para os bolsos da padralhada que fareja a morte nos hospitais. Escabroso. Asqueroso. Nojento. Vil. E depois as putas são as outras.

The Tudors


Em dia de celebrar a República, uma boa notícia king-related. The Tudors vai finalmente estrear na RTP - que ao menos vai servindo para passar as melhores séries estrangeiras. É já na terça-feira, em dose dupla, às 22h20. No Reino Unido estreia hoje na BBC2 às 21h. É da mesma produtora do Weeds (e também do L Word), pelo que poderá ser um bom antídoto para quem ainda está de ressaca pelo fim da segunda temporada da Erva da Nancy Botwin. No Guardian garantem que é a primeira série de época a valer mesmo a pena e a marcar uma o começo de uma nova era para o formato. A não perder portanto, como se faltassem argumentos, olhem bem pró moçoilo que faz de Henrique 8º - "doentiamente bom" é a expressão apropriada.

PS: Afinal pode-se perder que não se perde grande coisa. Que fiasco...

RTP: aputalhando a República no seu aniversário

Sabem aquela fulana que aparece sempre muito espampanante nos telejornais da RTP, com felpudos cachecóis rosa choque e coisas que tais (acho que só ainda não a vi vestida de sevilhana, mas já faltou mais), a anunciar o nascimento de mais um fedelho real ou outras coisas igualmente superimportantes do país vizinho?

Pois é, hoje lá apareceu de novo. Pelo que percebi (não vi a peça desde o início) a notícia seria sobre as detenções de jovens espanhóis por queimarem a foto do monarca vigente. Moral da estória (sim, quando em vez de notícias se fabricam estórias, há uma moral no fim) "a monarquia espanhola custa 19 cêntimos a cada espanhol, enquanto a república custa 1 euro a cada português". Assim à queima-roupa e para finalizar, ponto parágrafo e passemos à próxima estória da carochinha.

Fiquei assim sem saber onde tinha Rosa Veloso ido buscar tão belos números, se atirou uma moeda ou ar ou consultou algum panfleto do PPM. Também não sei portanto se tal inclui as isenções fiscais sobre o imenso património da família real espanhola ou leva em consideração o facto da presidência portuguesa ser eleita e, apesar de tudo, não ser só para a fotografia. Não sei e provavelmente ficarei sem saber. Tal como não faço ideia do porquê das detenções no Batasuna não terem merecido igualmente uma reportagem. Pois afinal, o orçamento da RTP fica-nos bem mais caro que o da presidência, e mesmo assim parece só nos dá direito a assistir a estórias mal contadas e pior vestidas.

República da Bicharada

Pelos vistos a 4 de Outubro celebra-se o dia mundial dos animais. Tão simpático quanto irrelevante, parece-me. Mas uma boa desculpa para promover certos eventos. Como os listados num panfletinho verde que recebi hoje, a celebrar não ontem, dia 4, mas hoje, dia 5, na cidade da Trofa. Os eventos, com apoio da câmara (PSD), terão o seu ponto alto, deduzo eu, no "Tributo ao cão" a celebrar (rezar? benzer? ajoelhar perante?) às 18h.

Lembram-se daquela ideia do grupo parlamentar do PSD em oficializar um Dia Nacional do Cão convenientemente próximo do Dia Mundial da Criança? Foi morta à nascença, restou-lhes por isso a Trofa e o dia da República para canilizarem à vontade.

Para compensar tão sentidas homenagens aos nossos amiguinhos de quatro patas em pleno dia da República, a RTP vinga-se e escolhe antes uma tourada para celebrar a primeira hora de emissão neste dia 5. Adequadíssimo tudo.

quarta-feira, outubro 03, 2007

É do gerúndio a culpa de ninguém estar fazendo nada

Quem o garante é o governador de Brasília, que está tratando de bani-lo, a ver se as coisas começam melhorando... Mas olhando para Portugal, onde se vai usando menos, eu diria, dizendo, que não é indo por aí não... [via]

Ver na Wikipédia: Gerundismo.

Tendência Peculiar: os nomes das empresas na hora

Algumas das explicações para a situação económica portuguesa talvez estejam nesta lista das empresas criadas pelos balcões "Empresa na hora". De "Sonhos Tresmalhados" a "Acordes Excêntricos", de "Ano Resplandecente" a "Apogeu dos Deuses", de "Certamente Feliz" a "Conjunto de Sombras", assim vai o mais recente tecido empresarial do país. "Chiques de riso", ficareis ao ler. [via]

Tem a palavra o futuro presidente da Comissão Europeia


Mas o ensino burguês venceu, e agora até diz que fala alemão...

PS: Ups, foi apagado. Terá sido cunha directa da Comissão (que agora tem o seu próprio canal no youtube)? Seja como for já há aqui outro. E o mais seguro é mesmo guarda-lo no computador.

terça-feira, outubro 02, 2007

Diga-se o que se disser, o mirandês entende-se muito melhor que o madeirense, seja falado ou escrito



Algumas notas, à tampa das panelas no Norte (e não apenas no Porto) chamam-se "testos" e não "textos" como se lê na reportagem. Do mesmo modo "malga" não se limita a Trás-os-Montes, mas é usado também no Minho e Douro, pelo menos. O mesmo para o aloquete, que arriscaria dizer ouvir-se em sítios tão longínquos como Aveiro ou Viseu, e algo muito parecido em Roma, que é onde esta coisa toda começou. Cajado, que não é exactamente sinónimo de bengala, é usado no Norte, Centro, e provavelmente no resto do país desde que haja pastores, além do Brasil. Curioso como a SIC não foi capaz de encontrar regionalismos lisboetas...

Carnegie Mellon e os Açores

O governo que andou tão contente e babado com os acordos que estabeleceu com algumas universidades americanas podia aproveitar e explicar-lhes que os Azores são parte do pacote. Se fosse a Madeira...

segunda-feira, outubro 01, 2007

Um filme sobre corrupção policial que se torna um sucesso antes mesmo de estrear, graças à pirataria


As ironias não acabam aí, pelo meio houve quem, na polícia, o quisesse censurar. No Brasil não se fala noutra coisa. Excepto talvez o final da telenovela Paraíso Tropical, que aliás conta no seu elenco com dois dos protagonistas deste Tropa de Elite. Site oficial e curta entrevista com o realizador. Promete.

domingo, setembro 30, 2007

4.000.000.000 €

É quanto se escapa anualmente dos cofres do estado da república italiana para os cofres da seita das sotainas. A religião é, e sempre foi, antes de qualquer outra coisa, um negócio fabuloso. As contas são do La Repubblica, contas que por cá nenhum jornal ousaria fazer - aliás, aparentemente nem jornais que noticiem as de Itália!

Tal como não parecem muito dispostos a noticiar outra polémica actual no país da bota, João Paulo 2.º segundo terá recusado livre e conscientemente os cuidados médicos que lhe prolongariam a vida, cometendo dessa forma e perante passividade médica, o suicídio, tão condenado por si e pela sua igreja ao longo de toda a vida. Apesar disso teve um enterro católico, cerimónia ainda hoje muitas vezes recusada a outros suicidas dessa igreja, sobretudo os mais pobres.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Novas do polvo das sotainas

Depois da União Soviética, o Futebol Clube do Porto

Não é só Santana Lopes que "ainda anda por aí", também Fátima, a "Nª Sª", vai fazendo das suas aqui e ali. A sua mais recente vítima foi o Futebol Clube do Porto. "Milagre" clamaram todos, e o padre que preside ao clube (será também construtor ou presidente da junta?) não desmentiu (vi eu num desses hiper-relevantes directos televisivos). Confirma-se portanto, foi Nossa Senhora Toda Poderosa de Fátima.

Espero assim que a massa portista não perdoe a batota Da que poisa em azinheiras, e de futuro a renegue. Pode ser que então Ela tenha um rebate de consciência e se passe a preocupar com questões um pouco mais relevantes como a fome ou guerra, e deixe os joguinhos de bola em paz. Haja fé, quem poisa em azinheiras sem as quebrar (ao contrário do que fazem impunemente os escuteiros), poderá afinal ter um coração... mesmo que não respeite a verdade desportiva.

Isto não é um país sério (2)

Sobre o caso da interrupção da entrevista a Santana Lopes na SICN para ver a chegada de Mourinho ao aeroporto (que teve o seu momento alto na nega de Mourinho à sempre pertinente questão "vai jogar no Euromilhões?"), faço minhas as palavras de Daniel Oliveira: «Isto bateu no fundo quando Santana dá merecidas lições de bom-senso a jornalistas» e «Consensual: A melhor entrevista de Santana foi aquela que ele não deu.»

E acrescento, parabéns sr. Santana Lopes, vê-se que tem aprendido alguma coisa, quase acreditamos que a sua preocupação era com a elevação do jornalismo televisivo e não a vaidade pessoal ferida, clap, clap. Você ainda vai andar por aí muito tempo...

Aproveitemos a onda e lancemos nos blogs uma petição contra os directos idiotas dos telejornais, 'bora?

Isto não é um país sério (1)

Abaixo de Verde Eufémia, só o gangue dos escuteiros

«Escuteiros do Agrupamento n.º 20 da Covilhã foram apanhados a cortar árvores na mata nacional da cidade, na Serra da Estrela, num caso que está ser averiguado internamente, disse ontem à Lusa fonte daquele agrupamento. Os escuteiros são menores de idade e agiram sem supervisão de adultos.»
1) Como raio está este crime a ser "averiguado internamente"!? Escuteiro=GNR agora? 2) Serem menores justifica exactamente o quê, dado que é suposto haver adultos responsáveis? Só são responsáveis até há hora em que é mesmo preciso que alguém se responsabilize? 3) Cadê os indignados com os Verde Eufémia e a suposta passividade policial de então? Cadê Pacheco Pereira? Demasiado ocupado a defender os nazis que atacaram o cemitério judeu de Lisboa? What? Como explicar este silêncio depois da histeria lacrimosa com o milho transgénico? Depois do neonazismo, também o escutismo passou a ser atenuante criminal?

Nota: esta discreta notícia já tem quase uma semana, nada nas TVs, nada nas colunas de opinião dos jornais... escuteiro pode tudo.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Ainda há dúvidas de que Santana nunca venceu as eleições autárquicas em Lisboa?

Zangam-se as comadres e deduzem-se as verdades. Esta gente é capaz de tudo...

Será a Eslováquia o cavalo de Tróia do Vaticano contra a Europa?

Atenção à reportagem no Rue89.com. Numa altura em que continuam a chegar fétidos ventos de Leste. Mas também alguns sinais de resistência e esperança.

Por cá vai dando que falar a indignação do polvo vaticânico com a ideia do governo em deixar de pagar salários fixos a padres que "prestam serviços hospitalares", para passar a pagar tão valiosos serviços a recibos verdes - eis finalmente a igreja a lutar contra a precariedade. Num país sem saúde oral pública, andar a pagar a padres pelas suas rezinhas hospitalares, i.e., por andarem a propagandear a sua seita em busca de novos clientes por entre aqueles que se encontram mais fragilizados, os doentes, é um grosseiro insulto à nossa inteligência. Mas parece que 'tá-se bem...

Tal como essa mesma seita não teve problemas em pagar o dobro do previsto pelo novo megatemplo lá na terra dos pastorinhos visionários especialistas em futurologia pós-soviética. 80 milhões de euros. Ninharias portanto, já pagas, a pronto e provavelmente em cash... directamente das caixas de esmolas continuamente cheias por quem não tem grandes dentes, mas vai tendo uns trocos para pagar promessas que poderão ou não ser cumpridas. Aterrar em azinheiras é fácil, ter coragem para disponibilizar um livro de reclamações é que é pior...

A Eslováquia poderá ser o cavalo de Tróia, mas a nós ninguém tira a alcunha de sacristia papal. É pró que o Bentinho queira! Esta fétida lesma morta que se espapa à beira do velho Atlântico é sua e de mais ninguém. (Excepto talvez a Lusoponte, ricos negócios os da era cavaquista...)

segunda-feira, setembro 24, 2007

Funny Games

Vale mesmo a pena ler este retrato de Michael Haneke, que terminou agora a rodagem de "Funny Games" - versão americana (à esquerda na imagem). O original austríaco é um dos melhores filmes de sempre. Os trailers podem ser vistos aqui. Haneke, the leader of the Cinematic Liberation Front, diz coisas como:
«“I saw ‘Pulp Fiction,’ of course, and it’s a very well done film,” he [Haneke] said. “The problem, as I see it, is with its comedy — there’s a danger there, because the humor makes the violence consumable. Humor of that kind is all right, even useful, as long as the viewer is made to think about why he’s laughing. But that’s something ‘Pulp Fiction’ fails to do.” When I mentioned Oliver Stone’s “Natural Born Killers,” another film that “Funny Games” has been compared with, Haneke shrugged. “Stone made the same mistake that Kubrick made. I use that film to illustrate a principle to my students — you can’t make an antifascist statement using fascist methods.”»

(...)

«“I was sitting in a bus, and suddenly it went out of control. For some reason I was responsible for everybody’s safety, but I couldn’t get the steering wheel to work: perhaps it was broken, perhaps someone else was preventing me. People were wandering up and down the street, and the bus ran them over, unavoidably, one after another. Somehow I was responsible for this, but I was helpless to prevent it.” He took a slow, thoughtful sip of his coffee. “A pretty terrible dream, but to me it seems representative of our current situation in the world. All of us are responsible but unable to change the direction of the bus — everyone in Europe, everyone in the so-called first world, is in that same position. A horrible predicament, almost unbearable if you think about it, but the bus keeps right on rolling.”»

sexta-feira, setembro 21, 2007

A notícia com que os chefes de redacção sonham

© Bandeira

«Casal McCann contrata Mourinho como personal trainer»

Público à esquerda do El País está quase a chegar

Já tinha falado disto em Abril. Agora está mesmo quase, sai dia 26 (quarta-feira) e parece que custará apenas 50 cêntimos. Só é pena não ser em português, até o cabeçalho semelhante facilitaria a troca aos leitores.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Mormons wanted


Uma das minhas fantasias sexuais por realizar consiste muito simplesmente em foder com uma dupla mormon. A fatiotazinha, o ar angelical, a misteriosa roupa interior, o andarem sempre em par... enfim, ene pormenores que aguçam o fetiche. Lamentavelmente a realidade não é igual aos filmes, e nunca fui abordado por nenhuma dupla que me despertasse o mínimo tesão.

Mas eis que a minha esperança renasce ao deparar-me com o calendário "Men on a Mission 2008". Não, não é tanga como o calendário dos supostos padres católicos, estes são mesmo mormons. E a minha esperança renasce não só porque afinal existem mesmo mormons giros como os dos filmes, mas também por mostrarem estarem dispostos a muito mais que o que se imaginaria para salvarem almas alheias.

A gayness da coisa vai ao ponto de usarem a música de uma dupla tecno-gay para o vídeo ou venderem t-shirts para homem com o slogan "I heart mormon boys". Posto isto é hora de deixar as fantasias de lado e passar à prática.

If you are a mormon couple preaching around Portugal please contact me at renaseveados[at]gmail.com. I am a militant atheist available for conversion in exchange for hot steamy double mormon gay sex. The length of the conversion will be proportional to the pleasure provided by both of you. You must wear mormon underwear. More details by e-mail. Thanks.

Que é como quem diz, levem-me ao céu, que eu passo a acreditar.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Bucha e Estica

Gente com opiniões vincadas, mas que não faz a mínima ideia do que está a falar. Não há por aí jornalistas capazes de apontarem ao menos as mais óbvias contradições e ignorâncias dos entrevistados? Assim nunca mais percebem o atraso com que falam... até para se ser um homofóbico que quer mandar na vida familiar dos outros há que ir fazendo uns upgrades.

Pacheco Pereira está à espera de quê para se retractar?

Sinceramente estou um bocadinho farto de ouvir aquela estória da blogosfera ser muito rigorosa com os erros dos bloggers, de não se poder um passo em falso, pata ti pata tá, e constatar na prática que afinal é uma mera reprodução on-line das patacoadas diariamente impressas nos jornais.

O que José Pacheco Pereira escreveu sobre o caso do neo-nazi Mário Machado, foi de tal forma erróneo, demagógico e imbecil, que só à luz de uma profunda ignorância e precipitação se poderia compreender vindo de alguém que se espera ter um mínimo de honestidade intelectual.

Seja como for, com todas as notícias entretanto saídas a público, deixou de haver possibilidade de ignorância sobre a verdade do caso. Sendo portanto de exigir, a bem de um mínimo de credibilidade, uma retractação de Pacheco. Mentir e ludibriar não podem continuar a ser aceites como técnicas de argumentação legítimas entre os comentaristas portugueses. De uma vez por todas!

Suck it Jesus!


Esta é a versão não censurada. A petição anti-talibanismo cristão pode ser assinada aqui. Mais informações sobre o caso em português aqui. Kathy Griffin és GRANDE!

De nada Bush, sabes que podes sempre contar com a gente

«Quero agradecer ao povo de Portugal por apoiarem a sua decisão de ajudar o povo do Iraque e do Afeganistão descobrirem a bênção da liberdade»
George Bush para José Sócrates

Nota: o título deste post é tudo menos irónico. George W. Bush tem toda a razão para agradecer a Portugal, onde a oposição à invasão do Iraque foi ínfima, insignificante e completamente inconsequente para a vida política e eleitoral pós-invasão - ao contrário do que aconteceu noutros países "aliados". É certo que o apoio popular não foi nada de exuberante, foi antes um encolher de ombros, um assobiar para o lado. Mas perfeitamente cúmplice com o entusiasmo dos políticos e com a recepção da cimeira da invasão nos Açores. Ainda batemos palmas quando um dos criminosos de guerra arranjou tacho em Bruxelas. Podemos passar a vida a dizer que o apoio de Portugal era indiferente para a decisão de invadir ou não o Iraque. Só não podemos dizer que esse apoio não existiu. Uma vergonha, toda nossa.

A very famous cock

Das cozinhas de dealers californianos às salas de emigrantes portugueses em França, só ou em dose dupla, este galo é a maior estrela portuguesa no audiovisual internacional. Esta imagem é do Les Triplettes de Belleville. Um doce para quem souber fornecer mais instantâneos gálico-barcelenses na 7ª Arte (ou séries muito boas).

terça-feira, setembro 18, 2007

Stop being a pussy


PS: Será de toda a erva, ou num dos episódios transmitidos hoje (esta cena é da semana passada) vi mesmo um galo de Barcelos na janela da cozinha da Heylia? Se não é da erva, só pode ser da globalização. Caso para dizer: Barcelos' cock rules!

PPS: A foto!!! Obrigado Sérgio.

'Bora criar uma nova linha de galos que em vez do coração vermelho tenham uma folha de maconha? Vai ser um sucesso entre os dealers de L.A..

sábado, setembro 15, 2007

Os livros que não mudaram as nossas vidas

Tempo de rever as respostas ao desafio aqui lançado a alguns camaradas da bloga sobre os livros que não mudaram as suas vidas. A pergunta era incómoda, pelo que imaginava ter poucas respostas, só não imaginava que o fosse ao ponto de fazer colapsar um blog! Sorry...

Passemos então aos resistentes. Ou nem por isso, o dot acha que a vida é demasiado curta para ler Dostoyevski, pelo que listou os livros que lhe mudaram a vida, Crime e Castigo não incluído.

Já na Enciclopédia Chinesa - reavivada pela pergunta? - encontramos uma lista com algumas coincidências em relação à minha. Nas diferenças importa realçar que não tive coragem de mencionar Marguerite Duras, não me lembrei que já tinha lido Pessoa e esqueci completamente essa figurinha catita chamada Júlio Diniz. Não fora isso, e seriam quase listas repetidas, apenas com diferentes Lobo Antunes a embalar-nos o tédio.

Há dias em que mais valia não sair da cama

«An Albanian fishmonger set fire to his van in a burst of anger after the national soccer team lost to the visiting Dutch side, and firefighters failed to extinguish the blaze because someone had stolen their water.» [Um vendedor de peixe albanês incendiou a sua carrinha num ataque de fúria provocado pela derrota da sua selecção nacional de futebol frente aos visitantes holandeses, e os bombeiros foram incapazes de apagar o fogo porque alguém lhes roubou a água.]

quarta-feira, setembro 12, 2007

sábado, setembro 08, 2007

Multas igualmente dissuasoras

«A millionaire from Småland in southern Sweden has been forced to pay a 195,000 kronor ($28,000) [20 817 euros] fine after he was caught speeding on the Baltic island of Åland.

Hans Ahl, 62, was hit with the full force of Finnish law after driving his Chevrolet minivan at a speed of 67 kilometres/hour (42 mph) in a 30 km/h zone (19mph). Though the population of Åland is Swedish speaking, the main island and its many skerries are in fact an administrative province of Finland.

Unlike in Sweden, where there is a 4,000 kronor maximum charge, Finland does not place an upper limit on traffic fines. Instead the cost of a speeding ticket is calculated on the basis of the offender's income.»
Ora aqui está um sistema mais justo. É que não é só pela potência do motor que vemos a correria desenfreada de jaguares e ferraris nas estradas, as multas por excesso de velocidade têm nulo efeito dissuasor em quem conduz tais veículos. Apenas o civismo, ou a falta dele, são factores determinantes na hora de se conduzir um carrão desse tipo. Já quem conduz clios ou corsas encara com outros olhos a possibilidade de uma multa. A lei não devia ser igual para todos?

Não seria mais justo a ASAE encerrar a câmara?

«Noutra zona da cidade, na Avenida da Boavista, o conhecido bar "Triplex" foi imediatamente encerrado, mais uma vez por não ter as devidas licenças. Segundo a sócia--gerente, "a licença foi pedida há muitos anos, mas, até hoje, a resposta da autarquia não chegou". Revoltada e "aterrorizada com os homens armados" que faziam a segurança da acção de fiscalização da ASAE, a responsável diz que não considera que trabalha sem licença: "A partir do momento em que dou entrada com todos os procedimentos necessários na Câmara, que esta casa tem os impostos em dia, que não tem trabalhadores ilegais, que não trafica, que, em suma, é uma casa decente, é dever da autarquia responder de forma célere ao pedido de licenciamento".»
Isto está muito, muito, mas mesmo muito longe de ser caso único. Se a ASAE encerra todos os estabelecimentos sem licença no Porto e no país, em breve não haverá onde tomar café.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Mais um partido por Lisboa

Se há tique centralista que me eriça o pêlo é este de nem sequer escreverem o nome da lisboeta cidade nas moradas, como se fosse efectivamente a única possível, logo de escusada referência. Nem preciso saber mais nada sobre esta coisa descoberta via Womenage, não é para mim de certeza absoluta. Minha cidade é outra!

Nota prévia: o editorial que se segue não é do Correio da Manhã

«Num dia em que voltaram a levantar todas as teorias sobre o destino de Madeleine, a criança inglesa desaparecida no Algarve há mais de quatro meses; duas semanas depois de terem sido mortos a tiro empresários e seguranças da noite de Lisboa e Porto; após uma semana de assaltos à mão armada (bancos, carrinhas de valores e, ainda ontem, uma ourivesaria), que também fizeram vítimas; não podia ter sido mais inoportuno da parte do Governo anunciar os números da criminalidade e dar destaque à diminuição do crime violento
Inoportuno para quem? Só se for para quem se dedica a explorar o crime, fazendo sensacionalismo diário com casos relativamente isolados e que as estatísticas não se cansam de demonstrar serem em muito menor número em Portugal do que na maioria dos países europeus.
«Primeiro porque são números que dizem respeito apenas aos primeiros seis meses do ano, ou seja, até Junho. E que, seguramente, os factos de Julho, Agosto e este agitado início de Setembro vão fazer disparar. Depois porque dá a ideia de que a indicação dada às forças de segurança é a de encarar os últimos casos com normalidade.»
Irão fazer disparar? Se até o caso Madeleine, ocorrido em Maio, teve que ir buscar para a lista!? E a polícia deve encarar o crime como? Histericamente resultará melhor? Do que encarar com profissionalismo, como é suposto fazerem-no todos os dias, já que diariamente é esse o seu trabalho, combater o crime?
«Quando os factos contrariam os números, não há percentagens ou décimas tranquilizadoras. O que descansaria os portugueses era ver os últimos acontecimentos tratados como excepções: pelas forças de segurança e pelo Governo. Para não temerem que a violência generalizada esteja a instalar-se no País. Para poderem continuar a achar que se trata apenas de casos pontuais.»
É óbvio que não há estatística que valha a quem acabou de ser vítima de um crime. A probabilidade de nos cair um raio em cima da cabeça é desprezável de tão baixa, mas um dia que caia, de nada nos irá valer a ínfima probabilidade. O histerismo e indignação são perfeitamente compreensíveis e justificáveis vindos da boca de alguém que acabou de ser assaltado. No editorial de um jornal que se diz de referência é apenas histérico e sensacionalista.

Os factos não contrariam os números, até porque estes se limitam a contabilizar os factos. É o exagerado destaque dado a factos isolados e o nulo destaque dado à regra (ainda ontem ouvi um agente da PSP explicar que há 2 anos que não havia um assalto à mão armada em Viana do Castelo) que criam sentimentos colectivos de insegurança, sem qualquer correspondência com a realidade, mas apenas com as manchetes dos tablóides (editorial do DN incluído no lote).

Não é demais recordar: «Segundo o professor [Cândido Agra, presidente da Sociedade Portuguesa de Criminologia], Portugal é um país com medo. Ao estudar a insegurança deparou-se com um paradoxo ao mesmo tempo que Portugal é o país com o menor índice de criminalidade da União Europeia, por outro lado, é o "mais medroso", caracterizou o professor.» Isto interessa a quem? Não tem já o país problemas de sobra para se andar a deprimir com os que não tem?

quarta-feira, setembro 05, 2007

terça-feira, setembro 04, 2007

Imbecilidade do dia

«A partir de hoje, os jardins-escolas galegos dão as aulas só em galego. Também se vai ensinar um "hino galego" de um nacionalismo extremo. Composto por um poeta do séc. XIX, o hino galego, enxotando os castelhanos, canta: "Sós os imbecis e obscuros/ não nos entendem." Picardias nacionalistas, que quase todos os povos têm, e que não trazem grande mal ao mundo. Ou trazem mas não é isso que aqui me traz, mas outro mal, esse, evidente. Esta deriva galega integra-se no menosprezo de uma das grandes línguas mundiais, o espanhol, que já deixou de ser ensinada como devia na Catalunha e no País Basco, e, agora, deixará também na Galiza. Vão perder os miúdos galegos, como já perdem os bascos e catalães. Tal como os miúdos cabo-verdianos perdem por não aprender o português, mas o crioulo. Não falo, claro, na nobreza das línguas (todas são nobres). Falo da I Divisão Mundial das Línguas, onde estão o português e o espanhol. E não estão as outras nobres línguas aqui referidas.» [via]
Em itálico as informações objectivamente falsas. A pérola é de Ferreira Fernandes no Diário de Notícias, que parece esquecer a origem anti-britânica do hino português ou a marcha suicida com que termina. E fica sem explicar porque raio nos havemos de continuar a prejudicar falando e ensinando português nas escolas (ainda por cima nem sequer na sua variante mais falada, a brasileira), com o inglês universal aí à mão de semear... ou pelo menos o espanhol, tão mais falado e internacional. Mas pronto, os tachos na imprensa tuga obrigam apenas a teclar um número mínimo de caracteres, é irrelevante se as informações são verdadeiras ou se a argumentação tenha qualquer ponta por onde se lhe pegue...

10 livros que não mudaram a minha vida

Respondendo ao desafio da Shyz, cá vão os 10 livros que não mudaram a minha vida como era suposto. É claro que alguma coisa mudam sempre, quanto mais não seja, reduziram temporariamente o meu apetite literário. A ordem é aquela com que me lembrei deles.

Viagem ao País da Manhã - Hermann Hesse (quase mudava, tal a vontade de cortar os pulsos por estar a ler aquilo, acho que nunca um livro tão pequeno custou tanto a ler)

Moby Dick - Herman Melville

O Conde de Monte Cristo - Alexandre Dumas

O Manual dos Inquisidores - António Lobo Antunes

Recordações da Casa dos Mortos - Fiodor Dostoievski (sou um monstro sem coração, mas do mesmo autor amei A Submissa)

Viagens na minha terra - Almeida Garrett (leitura não concluída)

A Colmeia - Camilo José Cela (A Cruz de Santo André, do mesmo autor, foi igualmente escusado)

Um Dia na Vida de Ivan Denisovich - Alexander Soljenitsin

O Anjo Mudo - Heinrich Böll (mas o A Honra Perdida de Katharina Blum mudou e muito, recomendadíssimo)

Como procurar emprego - Guia prático - Instituto de Emprego e Formação Profissional

PS: Já esquecia, passo a bola ao dot, Cesare, Miguel, João e Eduardo.

PPS: Quem achar estranha a ausência de Ulisses e Sibila da lista, saiba que nunca tentei sequer. Já do Alexandre Herculano, pois devorei sem pesnatejar O Bobo e Eurico, o Prebítero em plena adolescência.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Publijornalismo

Hoje ao minuto 5 do Jornal da Tarde da RTP surge um directo ao El Corte Inglés de Gaia, para uma reportagem sobre o preço do material escolar. Perguntava o jornalistaa dois clientes quanto lhes custava o uniforme do colégio do filho, os pais não sabiam, pergunta então ao porta-voz do centro comercial, existem vários preços, respondeu. O jornalista público, não satisfeito, insistiu por mais 3 vezes. Tratando-o sempre por "tu", o porta-voz do El Corte Inglés foi dizendo que dependia do colégio, dependia do tamanho e que simplesmente não sabia naquele momento quanto custaria. Tudo isto, repito, ao minuto 5 do noticiário das 13h do canal público de televisão.

Já durante o fim-de-semana foram intermináveis os directos a Gaia e Porto a propósito da Red Bull Air Race, prova que contava com o apoio da RTP. Abriu telejornais, ocupou-lhes o meio e encerrava-os. A Red Bull agradece, o contribuinte paga. O jornalismo público é então, afinal, apenas publijornalismo. Não se sabendo bem quando começa o jornalismo e acaba a publicidade ou vice-versa, e sobretudo, não se sabe bem onde andará a relevância dos acontecimentos noticiados.

Não há mal sem solução e no poupar é que está o ganho. Telejornais com um máximo de 30 minutos, directos apenas em situações tipo 9/11, e desporto num programa à parte, são 3 regras simples que fariam a inexistente qualidade actual da informação da TV pública disparar para níveis razoáveis.

30 minutos chegam perfeitamente para mostrar a actualidade nacional e internacional relevante (vejam-se os bastante mais curtos noticiários da Euronews) e sobra ainda tempo para uma entrevista ou reportagem mais alongada sobre um tema que mereça ser aprofundado.

Os directos que enxameiam os noticiários são regra geral minutos de dar dó. Jornalistas frustrados a tentarem entrevistar transeuntes relutantes, pessoas cujo café é interrompido para darem a sua opinião sobre a última contratação do Benfica ou estradas cujo trânsito de fim de férias se recusa a comparecer à hora do telejornal. Tudo triste, deprimente, sem qualquer acréscimo de informação útil, tudo escusado enfim.

Finalmente o desporto, esse império de marcas e publicidade, onde os exclusivos são conseguidos à custa de copyrights, deve estar completamente fora dos noticiários. Não é suposto o jornalismo ter que pagar para exercer, logo, o dito jornalismo desportivo é algo à parte, devia ficar à parte. Sem drama. Quando Portugal ganhar um campeonato do mundo e o pessoal encher as ruas de cachecóis e bandeiras, abra-se uma excepção, até lá, não.

sábado, setembro 01, 2007

Valha-nos a UE

«O grupo dos Verdes no Parlamento Europeu vai exigir à Comissão Europeia que forneça toda a documentação relativa aos negócios da Somague que beneficiaram de apoios comunitários, revela o semanário "Expresso" na edição de hoje.»
Com o país ainda a braços com essa terrível tragédia que se abateu sobre um campo de milho do Algarve, não parece haver tempo para nos indagarmos sobre o financiamento ilegal da Somague ao PSD. O PS anda estranhamento calado, os jornalistas demasiado ocupados com espigas e o PR respira aliviado por ninguém lhe perguntar sobre o caso... até porque um PR existe para tratar assuntos de maior importância, campos de milho, está bom de ver.

Mas pronto, em Bruxelas as prioridades parecem ser outras e a corrupção governamental não é encarada com a normalidade com que é encarada por cá. Uns picuinhas.

Sapices

Há uns tempos escrevi sobre as votações on-line: «É certo que o valor, rigor, whatever, destas coisas é nenhum, mas nunca resisto a votar (...)». Nunca digas nunca, mesmo. O Sapo acabou de arranjar maneira de me fazer engolir o que disse, outro sapo portanto, pela goela abaixo.

E como se sapos faltassem neste post, ou melhor, na página de entrada do Sapo, também lá se pode ver em grande destaque a inauguração do canal de vídeo on-line do CDS-PP, com o Paulinho Portas de camisa desapertada insinuando um mamilo e revelando um bronze douradinho pelo sol, já não solário. Ui ui, upa upa. Diz que é "uma maneira informal, o mais directa possível" de comunicar, mas nós sabemos que assim não é. Nunca digas nunca Paulinho... ainda há muita pele escondida por aí!

sexta-feira, agosto 31, 2007

Então os casais não o eram apenas se fossem heterossexuais?

«Casal gay viola rapaz de 13 anos»

E mais se lê no Correio da Manhã: «Os detidos, de 22 e 42 anos, terão violado o rapaz, no início deste ano, quando a mãe o deixou aos cuidados do casal de homossexuais, porque os homens conquistaram a confiança da comunidade de Fermentões, por serem muito simpáticos e prestáveis – segundo contam agora os vizinhos.»

Antigamente no CM "casal" era um termo reservado a heterossexuais, e se aplicado a gays, seria no mínimo com umas aspas do tipo, "nao é bem, mas não achamos outra palavra". Mas eis que subitamente o CM descobre um casal gay, "simpático e prestável", e repete do título até à última frase o quão gays eles são. Fosse um casal heterossexual e a palavra "heterossexual" nunca teria entrado no relato, seriam "os pedófilos", "os abusadores". Mas desta vez, para o CM, "homossexuais" é mesmo o melhor e único adjectivo. Fica portanto aberto o precedente, casais, sem aspas, no CM, só heteros ou abusadores de menores.

E isto apenas alguns dias depois do mesmo jornal ter descoberto um "filho de dois anos entregue para actos homossexuais", que toda a restante imprensa julgava ser afinal "uma filha de 2 anos que a mãe tentou prostituir" (para actos heterossexuais, presume-se).

PS: É escusado tentarem comentar nesta última notícia o facto dos outros jornais noticiarem tratar-se de uma menina e não um menino. Os comentários no CM estão sujeitos a aprovação, e não são aprovados aqueles que apontam as mentiras publicadas pelo jornal.

E finalmente vamos poder ver os blogs liberais a dizerem mal de uma associação empresarial

quinta-feira, agosto 30, 2007

Radio Vaticana antecipa o futuro?

Um belo exemplo do perigo que paira sobre a língua. O futuro pode ser isto. Nacionalismos tontos e complexos coloniais à parte, isto interessa a quem exactamente? Talvez aos tradutores entre as duas versões da Radio Vaticana... e aspirantes a empregos semelhantes. Fora esses, não vejo a quem.

Já agora, a divisão linguística não era suposto ser uma maldição divina sobre a humanidade? Porque a alimenta a Radio Vaticana? Isto anda tudo ligado...

[Tradução brasileira: Um belo exemplo do perigo que paira sobre a língua. O futuro pode ser isso. Nacionalismos idiotas e complexos coloniais à parte, isso interessa a quem exatamente? Talvez aos tradutores entre as duas versões da Radio Vaticana... e aspirantes a empregos semelhantes. Fora esses, não estou vendo quem mais.

A propósito, a divisão linguística não era uma suposta maldição divina sobre a humanidade? Porque é alimentada pela Radio Vaticana? Isso anda tudo ligado...
]

quarta-feira, agosto 22, 2007

E ainda dizem que o milho-rei é vermelho

«Para Pacheco Pereira parece não fazer qualquer diferença: um negro, uma maçaroca de milho...»
Se calhar até faz. Veja-se a quantidade de posts que JPP e restante blogosfera de direita tem dedicado a 2% de um milheiral transgénico no Algarve. Compare-se por exemplo com a indignação que essa mesma gente demonstrou aquando do assassinato da Gisberta. Alguém se lembra de post algum? O crime foi também praticado por jovens, houve "comunicados" anteriores (tinham raps onde prometiam "varrer os paneleiros das ruas" (sic), e tinham igualmente um background político - afinal viviam todos num orfanato gerido pela igreja católica. A grande diferença entre os dois casos é que a vítima do primeiro não era uma espiga de milho, e a tortura a que foi sujeita não durou uma só tarde.

Mas não são só os blogs. Seria extremamente interessante e revelador contar o número de notícias saídas nos últimos dias sobre os estragos num campo de milho (avaliados em cerca de 3000 euros), com as publicadas em 2006 sobre o assassinato da Gisberta. Só num país em que o grosso da imprensa é controlada pela direita e alimentada por estagiários semi-analfabetos é que um campo de milho pode merecer uma entrevista ao presidente da república, sem que na mesma semana se lhe pergunte sobre as centenas de milhar de euros recebidos ilegalmente pelo seu partido da mão de construtores civis ou sem que alguma vez lhe tenham perguntado sobre o assassinato e tortura da Gisberta.

É que isto da ideologia política consistir na defesa dos privilégios dos ricos e poderosos, torna difícil o recurso ao sempre eficaz discurso da vitimização. Pelo que uma espiga de milho esmagada por um qualquer francês pedrado de férias no Algarve, e que se diga de esquerda, se torna irremediavelmente num valioso e raríssimo mártir da direita portuguesa. Definitivamente, para a direita, uma maçaroca de milho vale muito mais que um preto e uma transsexual juntos e ensanguentados.

I hope those queens don't quiche us again


É a série do ano. E está tudo no YouTube.

terça-feira, agosto 21, 2007

O silêncio ensurdecedor de Cavaco Silva

«O PSD recebeu ilegalmente em 2002 mais de 233 mil euros em donativos indirectos da construtora civil Somague, revela um acórdão do Tribunal Constitucional, citado pela Lusa.O Tribunal Constitucional deu como cabalmente provado que a Somague, SA pagou uma factura no valor de 233.415 euros por serviços prestados ao PSD e à JSD pela empresa Novodesign, embora afirme "ignorar o que fundamentou tal liberalidade", refere o acórdão, de 27 de Junho passado.»
Onde está Cavaco para exigir uma investigação exaustiva? E o cumprimento escrupuloso da lei? Bem sei que isto de andar a homenagear os brilhantes autarcas algarvios é coisa que ocupa imenso, mas não queira Cavaco ser apenas o presidente dos campos de milho, é que as suas responsabilidades vão muito além disso... E a promiscuidade entre partidos e construtores civis é, convenhamos, problema muito mais grave e entranhado no país que o vandalismo de milheirais. Aguardamos então a reacção presidencial.

segunda-feira, agosto 20, 2007

O campo de milho

Roubado ao Irmão Lúcia.

Silly season, indeed. Aparentemente um bando de betinhos, portugueses e estrangeiros, em plena fase rasta, aproveitaram as férias nos Algarves para darem uma de "ecologistas radicais" e invadiram e destruíram parte de um campo de milho transgénico. Até aqui nada de especialmente dramático ou problemático. A GNR existe precisamente para travar casos de delinquência como este, os tribunais para os julgarem e os papás e mamãs dos fedelhos para pagarem as despesas com os advogados.

O que já é mais difícil de perceber é o furor mediático que o caso causou. Mas tudo tem explicação. Por estes dias a blogosfera de direita vive em estado de furiosa indignação e o repisado campo de milho foi elevado à categoria de herói-mártir da causa anti-ambientalista. E de facto seria difícil arranjarem melhor que isto, pelo que há que aproveitar e chorar e espernear ao máximo enquanto dura.

Não seria sequer surpreendente que, entre um charro e uma sms, a ideia tenha sido cuspida nas orelhinhas dos voluntariosos ambientalistas de ocasião por um desses senhores indignados. É que tudo isto cai que nem gingas à causa transgénica. Quem melhor que um bando de fedelhos mal lavados e embrulhados numa nuvem de ganza para, por contraste, dar boa imagem à agricultura de alto risco dos transgénicos?

Claro que também podiam estar simplesmente a jogar ao jogo do "Qual é a coisa mais estúpida que podemos fazer este Verão?".

Seja como for, antes e depois continua a sobrar imbecilidade. Na RTP ainda hoje o nome da Almargem era difamatoriamente relacionado com o caso. Cavaco Silva, o presidente-tabu, achou por bem referir-se, igualmente indignado, ao campo mártir de Silves - um bom exemplo do populismo dissimulado e absoluta inutilidade desta trágica figura. E um pouco por todo o lado os transgénicos são referidos como a solução para o fim da fome na Terra. Quando seria afinal tão mais simples e seguro não atirar a comida para o lixo. Já basta o desperdício contínuo de tinta de jornal...

Roubado ao Bandeira.

PS: Em jeito de direito de resposta aqui ficam as mais recentes declarações do porta-voz do "Verde Eufémia". Isto não significa que retire qualquer um dos meus comentários, apenas que reconheço a pertinência de alguns pontos. Quanto ao resto, continuo com total alergia a estes grupos pseudo-radicais, mas que afinal são apenas inconsequentes e contra-producentes.

PPS: Bem lembrado pelo Max o duplo critério do demagogo cavaquista na hora de condenar violações à lei, moral da história: presidente regional pode. Com a maior das latas Marques Mendes embarcou na mesma hipocrisia desenvergonhada. Tão fortes contra os eco-rastas, tão ratos contra Jardim.

domingo, agosto 19, 2007

terça-feira, agosto 07, 2007

Quando é que a ASAE se junta à luta contra o YouTube?

«A Liga Inglesa de Futebol e a distribuidora musical Bourne & Co informaram nesta segunda-feira que mais oito adversários se juntaram à ação contra o Google e a divisão de serviço online YouTube por estimular deliberadamente a infração de direitos autorais. (...)

"A mensagem clara e cada vez maior para o YouTube e o Google é simples: o modelo de negócios insensível e oportunista deles é contrário ao que é certo, contrário à lei. Deve ser parado e será", disse o porta-voz da Liga Inglesa, Dan Johnson, em nota.»
Fechar o YouTube por violação dos direitos de autor faz tanto sentido como fez fechar os 3 sites portugueses de partilha de ficheiros por torrents. Em todos os casos tratam-se de ferramentas que permitem a partilha de ficheiros, e em grande medida esses ficheiros são partilhados por quem não é dono dos "direitos de autor". Assim não se entende porque é que a PJ/ASAE não encerra por exemplo o Sapo Vídeos, versão portuguesa do YouTube, pertencente ao grupo PT.

E lendo mais alguns pormenores sobre a actuação da PJ/ASAE quase se poderia pensar que a PJ/ASAE foram meros capangas da indústria mais estúpida do mundo. Mas obviamente que não quero acreditar que duas instituições com o dever não só se serem isentas e tratarem todos os cidadãos de igual forma, mas também de serem fiscalizadoras de todas as indústrias, possam ser meras marionetas de uma delas.

E apesar de toda a estupidez da dita indústria, também não quero acreditar que haja "artistas" e "editores" portugueses dispostos a porem a mão em dinheiro por supostos direitos de autor violados, mas cujos autores, como todos bem sabemos, são na sua esmagadora parte estrangeiros.

É que podem dar as voltas que quiserem, mas o problema da música e cinema português não é haver quem tendo comprado legalmente um CD ou DVD, o decida partilhar on-line com outros sem ganhar tostão com isso. Não, o problema da música e cinema português é quase não haver quem o faça. Quando foi a última vez que ouviram alguém dizer que sacou um filme de Manoel de Oliveira da net? E mp3 do Paco Bandeira, existirá algum?

Ratices



12 de Julho




13 de Agosto

Lóbi rénico apoia Alberto João Jardim

A audiência rénica pronunciou-se e os resultados são claríssimos, não é só o Alberto João que quer a descolonização da Madeira. No entanto uma parte significativa está pouco ralada com isso, e vê antes uma boa oportunidade de negócio com Espanha. 14% achou a votação xenófoba e 11% confia que em mais colonização é que está o ganho, fim às eleições regionais.

quinta-feira, agosto 02, 2007

Em subpostagem por causa do lóbi gai

Para quem ainda não reparou, saiba que o Lóbi já está na net, aqui. Manual de uso aqui. Exemplo amadurecido (do Lóbi Galeguista) aqui. E ultimamente é para lá que envio os links mais interessantes que me aparecem à frente. Mandar para o Lóbi é mais simples e rápido que escrever uma posta de pescada no renas. Pelo que se o Lóbi se revelar funcional, reservarei este curral apenas para postas longas, que é coisa que não costuma abundar, ou então coisas que nada tenham que ver com o plano de dominação global pelo Lóbi.

PS: O Lóbi despromoveu-me a simples bossito... contingências da vida em sociedade 2.0.

E quando achavas que a tourada por si só já era o cúmulo do grotesco

sexta-feira, julho 27, 2007

"Uma puta no trono"

Está a ser um Verão agitado para a realeza europeia, princesas que falam com anjos, príncipes que descobrem que o seu trabalho é foder, e agora uma prostituta subiu, literalmente, ao trono da Dinamarca em pelota e vem tudo no próximo número da Se og Hør [via], revista que escolheu o subtil título citado no deste post, para a curiosa foto-reportagem. Quem achava que a liberdade de expressão na Dinamarca só valia para insultar deuses estrangeiros, tem aqui uma boa oportunidade para avaliar a coisa. Aguardemos então novos desenvolvimentos, se os houver.

Votações on-line

O Blogger acabou de disponibilizar um sistema de votações on-line, para testar a coisa lancei ali ao lado uma sondagem sobre o tempo (não me ocorreu mais nada). É certo que o valor, rigor, whatever, destas coisas é nenhum, mas nunca resisto a votar, por mais parvas que sejam as perguntas, e a daqui do lado está longe de figurar nesse top.

Veja-se esta (ilustrada acima) do Destak de ontem, genial, não? O pretexto foi um "estudo" que consistiu no abandono de 30 telemóveis em várias cidades do mundo e a contagem dos que foram devolvidos. É capaz de haver votações on-line com mais rigor e representatividade que isto. Mas seja como for, 15 telemóveis desaparecidos em Lisboa levam a uma votação sobre a honestidade do "povo português" e os internautas não hesitam, é raça desonesta. Por certo que os 26,28% que discordam mentiram na sua apreciação... Fujamos todos então.

Convém não esquecer que estamos no Verão


Patty Pravo - "La Bambola"

Nota: Veja este vídeo por sua conta e risco, é possível que ao fazê-lo esteja a infringir leis de copy right, o que poderá levar a polícia a trata-lo como um terrorista. Por via das dúvidas mais vale comprar o disco numa loja on-line americana, evitando assim despesas desnecessárias para a PJ, e lucros imerecidos para alguma organização de cantores da treta portugueses que vivem à custa de direitos de autores estrangeiros. Quem avisa, amigo é. Caso não esteja mesmo disposto a pagar para ouvir esta música deve consultar um advogado para saber se no seu caso estará sujeito a penas mais graves se fizer o download on-line ou furtar o disco numa loja. Em não se tendo cadastro, as penas tendem a ser mais leves para a segunda possibilidade.

A máfia do copyright volta à carga

A forma como tem sido noticiado o encerramento de três sites de partilha de ficheiros pela PJ/ASAE, mostra como a maioria dos jornalistas percebe tanto do assunto quanto a polícia/pau mandado da máfia do copyright. Encerrar esses sites porque eventualmente haja quem os use para trocar ficheiros cujos direitos de autor não lhes pertençam, faz tanto sentido quanto encerrar o Blogger porque há blogs que violam o segredo de justiça, ou fechar o Miau.pt porque há gente que lá vende telemóveis roubados. Se a prevenção do crime justifica o encerramento de sites que são meras ferramentas com infinitas possibilidades de uso, legais ou não, mais vale à PJ encerrar de vez a internet. A máfia do copyright certamente que aplaudiria de pé.

Entretanto pode ser lido aqui o comunicado de uma das vítimas deste caso de abuso policial e ataque à liberdade e privacidade on-line.

quarta-feira, julho 25, 2007

Salazarmania chega ao New York Times

Num emaranhado de clichés, como seria de esperar. Anseio pelo dia em que se possa ler uma reportagem sobre o país na imprensa estrangeira sem as palavras "fado", "saudade" e "católico". Quanto ao "furor" que meia dúzia de fascistas e umas boas dezenas de jornalistas semi-analfabetos criaram, nada a dizer. O tema esgotou-se há séculos. A mesquinhez humana não tem muito que analisar, merece apenas ser exposta para evitar que se repita.

Não seriam unicórnios?

Big Brothers não têm segredos um com o outro

terça-feira, julho 24, 2007

El Jueves: rectificado

Afinal era isto que a revista censurada pela justiça espanhola queria ter publicado.

Weeds

Estreou ontem na RTP2, logo em dose dupla, e foi amor à primeira vista. Parece ser uma espécie de "Donas de Casa Desesperadas", mas muito mais desesperadas, com muito mais pimenta e muito, mas muito mais, erva.

É fartar vilanagem

«Os 59 colégios privados da região Centro que têm contratos de associação firmados com o Estado receberam 85 milhões de euros (17 milhões de contos) de subsídios públicos, pelo seu desempenho em 2006. Baseando-se em dados publicados no Diário da República, o Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) vem contestar aquele financiamento, em comunicado enviado anteontem à imprensa, e acusar os "patrões dos colégios" de serem "autênticas sanguessugas das receitas do Estado".»
A notícia já tem uns dias, mas escândalo nem vê-lo. Parece então ser normal que num país onde se fecham dezenas de escolas primárias e se planeia fundir secundárias, também se tenham que pagar milhões ao ensino privado para receber alunos, que afinal tinham lugares de sobra no público. Tudo normal pois então.

sábado, julho 21, 2007

0 em 80

E finalmente deus desceu à terra, que é como quem diz, Pacheco Pereira, o "pai da blogosfera", entrou finalmente na discussão sobre sexo anal, tema central do debate blogosférico português neste Verão. Claro que o faz à Pacheco Pereira, entra não entrando, discutindo, mas sem se posicionar de forma clara no que toca ao sexo anal propriamente dito.

Nada a que já não nos tivesse habituado, sempre tão inconsequente quanto o seu eurocepticismo. O mais engraçado é que o texto que cita de forma elogiosa, também serve perfeitamente de resposta ao paternalismo tonto do dito elogio. JJP arrisca-se assim a substituir Mrs. Lança no papel de "avozinha da blogosfera" ainda antes dos 80.

Mas voltemos então à blogger octogenária que lançou o tema do sexo anal para a fogueira de posts. Bem sei que lá fora isto é o mais banal, octogenárias a discutirem sexo anal via post, mas cá, sempre atrasadinhos, até tivemos que importar uma de Inglaterra para finalmente chegar à questão. Mas o que não entendo é como se pode, por um lado, alegar nunca se ter praticado semelhante actividade e, por outro, usar uma suposta "vasta experiência de vida" como argumento de autoridade para avaliar os prós e os contras do prazer anal. Não sei, afinal ainda estou longe dos 80, sou, quanto muito, um tardo-adolescente, mas isto soa-me um bocado a escanção abstémio. Definitivamente não me convence.

Se a experiência de vida é um argumento mais nesta discussão, não faltam adolescentes, tardios e precoces, que podem dar sábias lições de vida a paizinhos e avozinhas bloggers, basta que estejam ainda dispostos a aprender e a questionar o que afinal têm como certo desde a sua própria adolescência.

sexta-feira, julho 20, 2007

Entretanto no el Guardian

«Maria Teresinha Gomes, or ‘la generala’, who lived as a man for nearly 20 years until discovered as an impostor in 1992.»
Efeito Saramago?

E Saramago, que diz?

«El juez de la Audiencia Nacional Juan del Olmo ha ordenado el secuestro del último número de la revista El Jueves por injurias al sucesor de la Corona, ya que en la portada de la publicación aparece una caricatura "denigrante" de los príncipes de Asturias manteniendo relaciones sexuales. (...) También se exige al director de la publicación que identifique a los autores de la caricatura. (...) La decisión de Del Olmo se basa en el artículo 490.3 del Código Penal que establece penas de seis meses a dos años de cárcel para aquel que calumnie o injurie al Rey "o a cualquiera de sus ascendientes o descendientes, a la Reina consorte o al consorte de la Reina, al Regente o a algún miembro de la Regencia, o al Príncipe heredero de la Corona, en el ejercicio de sus funciones o con motivo u ocasión de estas".»
As comparações Portugal-Espanha costumam deixar sempre o primeiro cabisbaixo, é bom então pôr os olhos numa certa realidade espanhola que nos costuma passar ao lado. Não será por acaso que no ranking sobre liberdade de expressão dos Repórteres Sem Fronteiras, Portugal está no 10.º posto e Espanha no 41.º.

PS: O site da revista está em baixo, mas pode-se ver aqui uma galeria das melhores capas.