terça-feira, outubro 30, 2007

A distopia liberal sobre a escola pública

Série de artigos do Pedro Sales sobre a "polémica" dos rankings, de leitura obrigatória no Zero de Conduta: I, II, III e IV.

E ainda em defesa da educação pública, ler também "Diz que é uma espécie de governo socialista".

My name is James, just James

A Fernanda Câncio tem toda a razão. Mas há quem vá ainda mais longe. E afinal para que servem os sobrenomes? Já anulando-os é da maneira que se dá uso ao segundo nome próprio que quase toda a gente tem por estas paragens, mas ninguém conhece ou chama. Simplifiquemos pois então.

domingo, outubro 28, 2007

No comments: Sopping 8ª Avenida em São João da Madeira

Os urinóis das casas de banho masculinas, mais fotos aqui.

E estes são os 4 lugares de estacionamento reservados às mulheres naquele centro comercial, pintados de rosa e mais largos que os restantes 1396.

O site oficial mora aqui. E estas informações recolhi-as no Lobby Gay, esse antro de talibãs do politicamente correcto.

sábado, outubro 27, 2007

Partido Moderado sueco aprova moção pelo casamento homossexual

Riksdag, o parlamento sueco em Estocolmo.

Uma larga maioria dos delegados presentes na convenção do Partido Moderado da Suécia (centro-direita) aprovou uma moção a favor da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo no país escandinavo. Também votaram favoravelmente o direito às lésbicas recorrerem à inseminação artificial em hospitais públicos e à possibilidade dos casais homossexuais adoptarem crianças.

Isto significa que 3 dos 4 partidos que formam a coligação governamental, incluindo o do Primeiro-Ministro (moderado) estão a favor da medida, tal como toda a oposição. Notar que o Partido Moderado se senta em Bruxelas ao lado do CDS e do PSD! Sobram então os cristãos-democratas, contra o casamento, mas que à partida não serão grande estorvo, a aprovação é mesmo uma questão de tempo. Falta apenas saber se a vizinha Noruega conseguirá ser mais rápida.

Ser um governo de centro-direita a aprovar esta lei na Suécia é bem revelador do nosso (da Europa do Sul em geral) atraso de 500 anos chamado catolicismo. É que a par desta discussão no Partido Moderado, uma outra aconteceu na Igreja da Suécia, sobre se deseja ou não que os casamentos religiosos por si celebrados tenham validade legal. Para isso é necessário que as regras do casamento religioso estejam de acordo com as do casamento civil. Os membros da igreja aprovaram democraticamente o reconhecimento legal dos seus casamentos religiosos, tendo já em mente que a breve prazo tal significará a realização de casamentos religiosos entre pessoas do mesmo sexo.

Veja-se a diferença brutal em relação ao Sul da Europa. Uma igreja liderada por um alemão escolhido pelo espírito santo e sedeada num microestado parasitário, que não reconhece o casamento civil (para a igreja católica casados ou divorciados apenas pelo civil são solteiros, ex. Letizia princesa espanhola casada pela igreja depois de um divórcio civil). Mas que por outro lado faz do combate a alterações na lei do casamento que não reconhece, seja hetero ou homossexual, a sua grande causa e luta no século XXI.

Voltemos à Suécia, por lá apenas grupos católicos e evangélicos têm feito real e agressiva campanha contra o casamento homossexual. Mas por lá estes grupos ultraminoritários são vistos com o mesmo olhar com que por cá se olha a IURD, mas não a ICAR. E várias sondagens têm mostrado um amplo consenso popular em torno da matéria. É de realçar que a Suécia foi o segundo país do mundo, na era moderna, a reconhecer oficialmente uniões homossexuais, através de parcerias civis, então pioneiras, hoje em dia apenas desculpas para evitar o casamento. Sendo por isso especialmente valioso o exemplo, as parcerias civis não chegam, podem atrasar o inevitável, mas não o evitam permanentemente e nos tempos que correm são apenas prova de falta de coragem política.

Argumentos pelo Não dados pelo Sim

«Mesmo que consiga ler o tratado, chega ao fim quase na mesma. Um referendo sobre um texto daqueles é muito pouco democrático. Se há entidade que pode ter alguma capacidade de análise são os parlamentares. Alguma... Mesmo assim, se dos 230 deputados, 30 conseguirem entender bem o tratado, já não é mau.»
Ui, ui, 30 em 230 e já é uma sorte, ou seja, 13% dos deputados - garante Deus Pinheiro ao JN. Ora se a Assembleia da República parece estar tão bem preparada quanto o comum dos cidadãos para se pronunciar sobre o tratado (que há-de estar escrito em aramaico, só pode), será tão sensato serem uns ou outros a votarem o dito, não? E se ninguém percebe (salvo 2 ou 3 iluminados), será mesmo boa ideia assina-lo em nome de todos? Não é suposto conhecermos as leis pelas quais nos governamos?

Mas isto são só algumas dúvidas de um, necessariamente imbecil, cidadão comum que nem sequer tentou ler o tratado, por ter já apostado que o mesmo será chumbado num referendo algures. Só é pena que não o seja por cá, seria uma ironia deliciosa. Deixemos então o bombom à Dinamarca, Reino Unido ou Irlanda - dá o teu palpite na coluna do lado.

For the record: eu ainda não tenho nenhuma opinião formada sobre o tratado (pois se o não li) e em geral também simpatizo pouco com referendos. Concordo até com a ideia de que os referendos devem ser só sobre coisas claras e decisivas para todo o país, como a adesão à UE, que devia ter sido referendada.

Mas, toda a arrogância, demagogia catastrofista e o esconder do jogo por baixo da mesa que rodearam a assinatura deste tratado, dão-me uma coceira que só visto... Isso e a sensação de que Sócrates é bem capaz de ter vendido meio Portugal em alguma alínea só pela vaidade pessoal de conseguir o dito cujo futuro defunto tratado.

Política assim é uma chungaria e merece ser chumbada.

You are the light



Jens Lekman

quarta-feira, outubro 24, 2007

Que rico ensino o das madrassas católicas

Dito assim parece que tudo é mel a correr. O que a Lusa não diz é que o número de exames feitos nestes estabelecimentos é muito inferior à média de exames realizados nos liceus públicos. Não explica por exemplo que para se entrar nestas madrassas não basta sequer ser-se rico, há que passar numa entrevista e os "alunos problemáticos" que passem no primeiro filtro são automaticamente convidados a sair mal se revelem.

Ou seja, o que este ranking nos diz sobre as diferenças entre ensino público e privado, é que apesar dos 400 euros de propina mensal e do ambiente ultra seleccionado, estes colégios ficam pouco à frente das melhores escolas públicas, gratuitas e abertas a todos, incluindo alunos externos à escola e que lá queiram fazer os exames. Muito papá e mamã anda a pagar gato por lebre, I'm afraid.

Mas muito mais importante que as diferenças entre ensino público e privado (que estão sobretudo no preço e na diversidade dos alunos) o ranking convida a uma leitura e discussão das diferenças entre escolas públicas dos grandes centros urbanos e as do interior, aí sim encontramos diferenças dignas de registo e indicadoras de reais problemas. Quanto ao resto, não passa de propagandopus e péssimo jornalismo.

Obrigatório ver: " A Outra Margem"

Este filme é lindo, lindo, lindo. Finalmente um filme tuga que me convenceu e comoveu. A não perder.

Pontos menos positivos. A falta de referências explícitas a Amarante, que muita gente não conhece e por isso não reconhecerá, e como se vê é muitíssimo cinematogénica, merecendo por isso a atenção.

O sotaque e vocabulário lisboeta dos personagens nortenhos, por vezes retira mesmo alguma credibilidade aos diálogos - é possível fingir sotaque sem caricaturar, e tal devia ter sido feito.

O fumo por todo o lado, personagens a fumar a toda a hora para cima de toda a gente, coisa que só se vê nos filmes estrangeiros com mais de 10 ou 20 anos (dependendo se são europeus ou americanos) - realista, mas lamentável e tragicamente sintomático.

Finalmente lamento a aparente não aposta na distribuição deste filme pelo circuito de festivais de cinema LGBT, onde faria um vistaço. Fora deles mais facilmente passará despercebido internacionalmente - os prémios em Montreal são simpáticos, mas pouco mais. Posto isto, ide ver e levai lencinhos de papel.

terça-feira, outubro 23, 2007

Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!

Amanhã às 18h na rua Augusta em frente ao BCP. Talvez não seja tarde para organizar semelhantes gritarias em frente das restantes agências do banco do papá...

Os mugidos racistas, vulgo politicamente incorrectos

Politicamente incorrecto é hoje o nome que racistas, homófobos, machistas, xenófobos e demais trogloditas gostam de chamar a si próprios por não gostarem desses nomes tão mais claros e adequados. Por outro lado quem se bate contra o racismo, homofobia, machismo, xenofobia e demais doenças sociais, lutando assim por uma sociedade mais justa, tolerante e aberta, passa a ser um "brigadista da ditadura do politicamente correcto".

Por exemplo, se um cientista moribundo, famoso por um prémio ganho nos 60s, pela sua pesquisa molecular dos 50s (isto é, à volta de moléculas, não de pessoas ou sequer cérebros ou epidermes), faz uma declaração racista ao melhor estilo nazi, usando o seu pedestal de cientista consagrado por trabalhos numa área que não tem nada a ver. Logo surgem os politicamente incorrectos unidos na sua defesa. Pois que é uma questão de liberdade de expressão, pois que tem toda a legitimidade para dizer isso e muito mais, pois que as palavras não matam, pois que ninguém pára a ciência, patati, patatá. E para a semana lá voltarão em manada às crónicas de defesa do legítimo criacionismo, contra a ditadura cientificamente correcta do evolucionismo, patati patatá. Para depois dizerem que é tão legítimo e inócuo dizer que a Terra é redonda, como dizer que é plana, patati patatá.

Digo "em manada" porque convenhamos, gente assim é um bocadinho bovina, não acham? E digo "bovina" para ser elegante, mesmo indo o politicamente correcto para as urtigas, pois, coitadas das vacas, não consta que alguma vez se tenham recusado a pastar ao lado de outra vaca só por essa ser branca-e-preta ou amarela. Mas pronto, antes abusar do bom nome de inocentes animais, que chama-los filhosdaputa e abusar assim de pessoas inocentes. E lá voltei ao PC! :)

PS: Entretanto o pai do ADN, ou melhor, um dos pais do ADN (teve 2 pais e nenhuma mãe, sendo então fruto da homoparentalidade) já se veio desdizer. Veremos quanto tempo mais precisam os seus defensores, pelos vistos serem brancos não está a ajudar a acelerar o processo...

Eis, então, a rebelião (2)

«Uma reunião de paroquianos em S. Cristóvão de Selho, terminou com um ferido. A sessão realizada ontem no salão paroquial foi presidida pelo pároco de Azurém, Manuel Oliveira, e destinava-se a preparar uma visita do Arcebispo de Braga àquela Paróquia. A dada altura, registaram-se protestos contra a forma como a reunião estava a decorrer, o que motivou desentendimento entre alguns paroquianos. Os ânimos exaltaram-se e um dos presentes acabou por puxar de navalha com a qual atingiu um outro indivíduo. O ferido teve de receber assistência no Hospital de Guimarães devido a um ferimento sofrido numa das mãos. Devido ao incidente, a reunião terminou por falta de condições. No local, compareceu a GNR de Lordelo que tomou conta da ocorrência e identificou o autor da navalhada.» [via]
Antes:
«Estrangeiro tenta instigar católicos portugueses à rebelião»
«Eis, então, a rebelião»

Já no século XIX havia gente disposta a pegar em armas pela defesa do casamento gay

«Mas, logo ao subirem a Calçadinha, parou ele cruzando os braços, interpelando divertidamente o Sr. Administrador do Concelho pelo estupendo feito do seu Governo... então o seu Governo, os seus amigos Históricos, o seu honradíssimo S. Fulgêncio - nomeavam, para Governador Civil de Monforte, o António Moreno! O António Moreno, tão justamente chamado em Coimbra, Antoninha Morena! Não, realmente, era a derradeira degradação a que podia rolar um país! Depois desta, para harmonia perfeita dos serviços, só outra nomeação, e urgente - a da Joana Salgadeira, Procuradora-Geral da Coroa!

E o João Gouveia, um homem pequeno, muito escuro, muito seco, de bigode mais duro que piaçaba, esticado numa sobrecasaca curta, com o chapéu-de-coco atirado para a orelha, não discordava. Empregado imparcial, servindo os Históricos como servira os Regeneradores, sempre acolhia com imparcial ironia as nomeações de bacharéis novos, Históricos ou Regeneradores, para os gordos lugares Administrativos. Mas, neste caso, sinceramente, quase vomitara, rapazes! Governador Civil, e de Monforte, o António Moreno, que ele tantas vezes encontrara no quarto, em Coimbra, vestido de mulher, de roupão aberto, e a carinha bonita coberta de pó-de-arroz!... - E, travando do braço do Fidalgo, recordava a noite em que o José Gorjão, muito bêbedo, de cartola e com um revólver, exigia furiosamente que o Padre Justino, também bêbedo, o casasse com o Antoninho diante de um nicho da Senhora da Boa Morte! Mas o Titó, que esperava, floreando o bengalão, declarou àqueles senhores que se o tempo sobejava para arrastarem assim na rua, a conversar de Política e de indecências - então voltava ele ao Brito, buscar a aguardentezinha...»
Pelo menos na literatura. Citação d'A Ilustre Casa de Ramires, do Eça, retirada da edição em PDF do Domínio Público. Se eu também pudesse mandar um parecer aos boys do Tribunal Constitucional, só mandava isto e a nota: se sair aguardentezinha, não há roupão que resista! Et pour cause...

sexta-feira, outubro 19, 2007

Cheira a peste, cheira a Tratado de Lisboa

Quando a discussão de um tratado europeu consiste no apaparicar de uma sexualmente recalcada dupla de gémeos fascistas polacos, com interesse em conseguírem brilhos eleitoralistas imediatos, algo está profundamente podre na política europeia.

E quando a maior manifestação das duas últimas décadas em Portugal é menosprezada e secundarizada por toda a comunicação social (que aplaude bovinamente um tratado de que só conhece o nome, Lisboa, ai jesus!), algo está, também aí, profundamente podre.

E depois ainda vêm um papalvos, que não hesitariam em fazer pactos com o Demo it self, dizer que o problema está em Mugabe. Está bem está. (Falando nisso vale a pena comparar as avaliações aos direitos humanos no Zimbábue com a de "nações irmãs" como Angola ou a recém-irmanada Guiné-Equatorial).

PS: Diz que vai ser assinado num mosteiro... podre, profundamente podre e nauseabunda coisa será.

quinta-feira, outubro 18, 2007

A menina que escapou à imprensa portuguesa

A menina inglesa, a menina do sargento, a menina roubada do hospital... não há nada que a comunicação social portuguesa mais ame que um drama com uma menina no meio. Estranhei por isso esta notícia, envolvendo uma menina luso-checa no meio de uma disputa parental, de que nunca ouvi falar... A foto ganhou o prémio Czech Press Photo 2007, pelo que lá não deve ter escapado aos holofotes.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Tenho uma pergunta pró Zé Luís que fala um bocado esquisito

Este vídeo é óptimo para se perceberem as motivações e condicionantes dos independentismos no estado espanhol. É entrevistado Josep-Lluís Carod-Rovira, líder da Esquerra Republicana de Catalunya, que se sai mesmo muito bem. O programa segue o modelo criado, se bem me lembro, aquando das eleições presidenciais francesas, e urge ser importado - aceitaria Sócrates o desafio? E Cavaco?

The N-word


Use Of 'N-Word' May End Porn Star's Career

Eco-kitsch

Daqui, via.

terça-feira, outubro 16, 2007

Pergunta a senhora da frísia saia:

«Uma das sequelas da guerra foi o 25 de Abril. O 25 de Abril era inevitável, Otelo Saraiva de Carvalho?»