quinta-feira, novembro 08, 2007
Trocar o nome dos personagens para avaliar a qualidade da trama
«Não existe o “muçulmano”. Existem atos muçulmanos. E atos cristãos. Eu próprio, confesso, sou culpado de praticar os segundos (menos do que gostaria, é certo). E parte da humanidade pratica os primeiros. Mas acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada. É elevar a religião a condição identitária. Sou como ser humano o que faço na minha igreja. Aberrante, não?»A palermice e hipocrisia deste argumento mil vezes usado, e nem por isso gasto ou fora de moda, fica assim muito mais clara do que estava na versão original. Onde todos os fantasminhas sexuais se uniam para lhe dar alguma credibilidade.
Ou então: «Não existe o “jornalista”. Existem atos jornalísticos. (...) Mas acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada. É elevar a profissão a condição identitária. Sou como ser humano o que faço no meu emprego. Aberrante, não?»
Definimo-nos e classificamo-nos uns aos outros segundo mil e um critérios, sendo a orientação sexual um deles. E uns e outros fazem mais ou menos sentido referir neste ou naquele contexto. Se falamos de relacionamentos, de família ou casamento, a questão da orientação sexual está sempre presente. Ainda que não explicitada, por presumida - e presume-se sempre a mesma, já se sabe. Daí a importância de se sublinhar que não é essa, quando é o caso, claro está.
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Ateísmo evita que septuagenário faça parte da tragédia dos peregrinos a Fátima de Castelo Branco
«Recusou viagem por ser ateuA absoluta indiferença da "senhora de Fátima" com a segurança rodoviária dos seus peregrinos não é de agora e nunca abalou a crença dos seus fiéis, mas talvez este exemplo de lucidez lhes dê mais que pensar.
Foi convidado para a excursão da Universidade Sénior Albicastrense, apesar de só a mulher a frequentar. Henrique Alves, de 70 anos, acabou por não aceitar o convite porque diz ser "ateu". "Se fosse a outro local eu tinha ido, agora a Fátima não vou", revela o reformado. À porta da Sé Catedral, onde se realizavam os funerais, Henrique admite ter ficado "chocado" com o acidente, mas prefere não pensar no que lhe poderia ter acontecido se tivesse aceite o convite. "Podia ter morrido ou até talvez me salvasse", frisou.» [via]
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tags: ateísmo, castelo branco, fátima, transportes
terça-feira, novembro 06, 2007
Polémica: cartaz de festival de cinema americano usa imagem de criança
Mas logo surgiram centenas de defensores deste crítico, até mesmo do lado de cá da fronteira. Dizendo que acusa-lo de anti-americanismo era viciar o debate à partida, impedindo que o mesmo se realize. "Existe o direito de criticar este cartaz?" é agora a pergunta lançada, esquecendo o tom virulento das primeiras críticas e o facto de ninguém ter tentado calar o seu autor - apenas se deduziu o óbvio, eram críticas baseadas apenas na xenofobia anti-americana. Os organizadores do festival mostram-se surpreendidos com as reacções, explicando que a polémica imagem é apenas uma citação cinéfila. Guess what, também há crianças na América, e consequentemente, nos filmes americanos.
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domingo, novembro 04, 2007
A audiência rénica aposta na Dinamarca
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tags: dinamarca, união europeia
sexta-feira, novembro 02, 2007
Ainda os rankings
É claro que não resisti a espreitar como estaria a minha antiga escola e as suas vizinhas. Curiosamente a posição nos últimos anos têm variado imenso, do top100 ao top 400, o que por si só é revelador da irrelevância da coisa. As escolas privadas das redondezas ficam ligeiramente acima e abaixo, e todas muito longe dos colégios que motivaram as tais manchetes arrasadoras para o ensino público.
Recordo que no meu tempo um dos colégios tinha umas instalações no mínimo pobres, sem laboratórios ou ginásio p.ex., e como na generalidade das escolas privadas, os professores eram os que não conseguiam colocação numa escola pública. Mas mesmo assim nunca lhe faltaram alunos. As razões que levam os pais a colocarem os alunos numa escola privada raramente tem que ver com uma suposta melhor qualidade educativa, isso é coisa recente. No meu tempo pelo menos, era comum ouvir como motivos a exclusividade (social, política, religiosa e étnica, i.e., sem pobres, comunistas, não-católicos ou ciganos), a segurança (portões sempre fechados, o aluno não se pode baldar) e os horários (mais convenientes aos encarregados de educação). Eram estes, e só estes, os motivos que levavam os pais a escolherem uma escola até pior equipada e sem qualquer mais-valia educativa comprovada.
Como é óbvio nem todos os pais e mães com poder económico para escolherem um colégio se deixam levar nessa cantiga. É a esses que é dirigido o actual golpe mediático da suposta "melhor qualidade dos privados", que longe de estar provada, está até em vários casos específicos comprovadamente errada. Não comprem gato por lebre, quando a lebre é um direito que não se vende.
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tags: educação, elitismo, estatísticas
terça-feira, outubro 30, 2007
A distopia liberal sobre a escola pública
Série de artigos do Pedro Sales sobre a "polémica" dos rankings, de leitura obrigatória no Zero de Conduta: I, II, III e IV.
E ainda em defesa da educação pública, ler também "Diz que é uma espécie de governo socialista".
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My name is James, just James
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domingo, outubro 28, 2007
No comments: Sopping 8ª Avenida em São João da Madeira
Os urinóis das casas de banho masculinas, mais fotos aqui.
E estes são os 4 lugares de estacionamento reservados às mulheres naquele centro comercial, pintados de rosa e mais largos que os restantes 1396.
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sábado, outubro 27, 2007
Partido Moderado sueco aprova moção pelo casamento homossexual
Isto significa que 3 dos 4 partidos que formam a coligação governamental, incluindo o do Primeiro-Ministro (moderado) estão a favor da medida, tal como toda a oposição. Notar que o Partido Moderado se senta em Bruxelas ao lado do CDS e do PSD! Sobram então os cristãos-democratas, contra o casamento, mas que à partida não serão grande estorvo, a aprovação é mesmo uma questão de tempo. Falta apenas saber se a vizinha Noruega conseguirá ser mais rápida.
Ser um governo de centro-direita a aprovar esta lei na Suécia é bem revelador do nosso (da Europa do Sul em geral) atraso de 500 anos chamado catolicismo. É que a par desta discussão no Partido Moderado, uma outra aconteceu na Igreja da Suécia, sobre se deseja ou não que os casamentos religiosos por si celebrados tenham validade legal. Para isso é necessário que as regras do casamento religioso estejam de acordo com as do casamento civil. Os membros da igreja aprovaram democraticamente o reconhecimento legal dos seus casamentos religiosos, tendo já em mente que a breve prazo tal significará a realização de casamentos religiosos entre pessoas do mesmo sexo.
Veja-se a diferença brutal em relação ao Sul da Europa. Uma igreja liderada por um alemão escolhido pelo espírito santo e sedeada num microestado parasitário, que não reconhece o casamento civil (para a igreja católica casados ou divorciados apenas pelo civil são solteiros, ex. Letizia princesa espanhola casada pela igreja depois de um divórcio civil). Mas que por outro lado faz do combate a alterações na lei do casamento que não reconhece, seja hetero ou homossexual, a sua grande causa e luta no século XXI.
Voltemos à Suécia, por lá apenas grupos católicos e evangélicos têm feito real e agressiva campanha contra o casamento homossexual. Mas por lá estes grupos ultraminoritários são vistos com o mesmo olhar com que por cá se olha a IURD, mas não a ICAR. E várias sondagens têm mostrado um amplo consenso popular em torno da matéria. É de realçar que a Suécia foi o segundo país do mundo, na era moderna, a reconhecer oficialmente uniões homossexuais, através de parcerias civis, então pioneiras, hoje em dia apenas desculpas para evitar o casamento. Sendo por isso especialmente valioso o exemplo, as parcerias civis não chegam, podem atrasar o inevitável, mas não o evitam permanentemente e nos tempos que correm são apenas prova de falta de coragem política.
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Argumentos pelo Não dados pelo Sim
«Mesmo que consiga ler o tratado, chega ao fim quase na mesma. Um referendo sobre um texto daqueles é muito pouco democrático. Se há entidade que pode ter alguma capacidade de análise são os parlamentares. Alguma... Mesmo assim, se dos 230 deputados, 30 conseguirem entender bem o tratado, já não é mau.»Ui, ui, 30 em 230 e já é uma sorte, ou seja, 13% dos deputados - garante Deus Pinheiro ao JN. Ora se a Assembleia da República parece estar tão bem preparada quanto o comum dos cidadãos para se pronunciar sobre o tratado (que há-de estar escrito em aramaico, só pode), será tão sensato serem uns ou outros a votarem o dito, não? E se ninguém percebe (salvo 2 ou 3 iluminados), será mesmo boa ideia assina-lo em nome de todos? Não é suposto conhecermos as leis pelas quais nos governamos?
Mas isto são só algumas dúvidas de um, necessariamente imbecil, cidadão comum que nem sequer tentou ler o tratado, por ter já apostado que o mesmo será chumbado num referendo algures. Só é pena que não o seja por cá, seria uma ironia deliciosa. Deixemos então o bombom à Dinamarca, Reino Unido ou Irlanda - dá o teu palpite na coluna do lado.
For the record: eu ainda não tenho nenhuma opinião formada sobre o tratado (pois se o não li) e em geral também simpatizo pouco com referendos. Concordo até com a ideia de que os referendos devem ser só sobre coisas claras e decisivas para todo o país, como a adesão à UE, que devia ter sido referendada.
Mas, toda a arrogância, demagogia catastrofista e o esconder do jogo por baixo da mesa que rodearam a assinatura deste tratado, dão-me uma coceira que só visto... Isso e a sensação de que Sócrates é bem capaz de ter vendido meio Portugal em alguma alínea só pela vaidade pessoal de conseguir o dito cujo futuro defunto tratado.
Política assim é uma chungaria e merece ser chumbada.
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tags: josé sócrates, referendo, união europeia
quinta-feira, outubro 25, 2007
Где туалет?
Aqui o vídeo porreiro e aqui a festa da democracia. O cartoon é do Bandeira.
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4:01 da manhã
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tags: hipocrisia, humor negro, rússia, união europeia
Solta o bombista* que há em ti
Linka O Insurgente.
*
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3:57 da manhã
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tags: blogs, contributos para um google mais certeiro, liberais ui ui
quarta-feira, outubro 24, 2007
Que rico ensino o das madrassas católicas
Dito assim parece que tudo é mel a correr. O que a Lusa não diz é que o número de exames feitos nestes estabelecimentos é muito inferior à média de exames realizados nos liceus públicos. Não explica por exemplo que para se entrar nestas madrassas não basta sequer ser-se rico, há que passar numa entrevista e os "alunos problemáticos" que passem no primeiro filtro são automaticamente convidados a sair mal se revelem.
Mas muito mais importante que as diferenças entre ensino público e privado (que estão sobretudo no preço e na diversidade dos alunos) o ranking convida a uma leitura e discussão das diferenças entre escolas públicas dos grandes centros urbanos e as do interior, aí sim encontramos diferenças dignas de registo e indicadoras de reais problemas. Quanto ao resto, não passa de propagandopus e péssimo jornalismo.
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tags: educação, jornalismo de merda, manipulação
Obrigatório ver: " A Outra Margem"
Este filme é lindo, lindo, lindo. Finalmente um filme tuga que me convenceu e comoveu. A não perder.Pontos menos positivos. A falta de referências explícitas a Amarante, que muita gente não conhece e por isso não reconhecerá, e como se vê é muitíssimo cinematogénica, merecendo por isso a atenção.
O sotaque e vocabulário lisboeta dos personagens nortenhos, por vezes retira mesmo alguma credibilidade aos diálogos - é possível fingir sotaque sem caricaturar, e tal devia ter sido feito.
O fumo por todo o lado, personagens a fumar a toda a hora para cima de toda a gente, coisa que só se vê nos filmes estrangeiros com mais de 10 ou 20 anos (dependendo se são europeus ou americanos) - realista, mas lamentável e tragicamente sintomático.
Finalmente lamento a aparente não aposta na distribuição deste filme pelo circuito de festivais de cinema LGBT, onde faria um vistaço. Fora deles mais facilmente passará despercebido internacionalmente - os prémios em Montreal são simpáticos, mas pouco mais. Posto isto, ide ver e levai lencinhos de papel.
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tags: amarante, cinema, cultura queer
terça-feira, outubro 23, 2007
Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!
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2:55 da manhã
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Os mugidos racistas, vulgo politicamente incorrectos
Por exemplo, se um cientista moribundo, famoso por um prémio ganho nos 60s, pela sua pesquisa molecular dos 50s (isto é, à volta de moléculas, não de pessoas ou sequer cérebros ou epidermes), faz uma declaração racista ao melhor estilo nazi, usando o seu pedestal de cientista consagrado por trabalhos numa área que não tem nada a ver. Logo surgem os politicamente incorrectos unidos na sua defesa. Pois que é uma questão de liberdade de expressão, pois que tem toda a legitimidade para dizer isso e muito mais, pois que as palavras não matam, pois que ninguém pára a ciência, patati, patatá. E para a semana lá voltarão em manada às crónicas de defesa do legítimo criacionismo, contra a ditadura cientificamente correcta do evolucionismo, patati patatá. Para depois dizerem que é tão legítimo e inócuo dizer que a Terra é redonda, como dizer que é plana, patati patatá.
Digo "em manada" porque convenhamos, gente assim é um bocadinho bovina, não acham? E digo "bovina" para ser elegante, mesmo indo o politicamente correcto para as urtigas, pois, coitadas das vacas, não consta que alguma vez se tenham recusado a pastar ao lado de outra vaca só por essa ser branca-e-preta ou amarela. Mas pronto, antes abusar do bom nome de inocentes animais, que chama-los filhosdaputa e abusar assim de pessoas inocentes. E lá voltei ao PC! :)
PS: Entretanto o pai do ADN, ou melhor, um dos pais do ADN (teve 2 pais e nenhuma mãe, sendo então fruto da homoparentalidade) já se veio desdizer. Veremos quanto tempo mais precisam os seus defensores, pelos vistos serem brancos não está a ajudar a acelerar o processo...
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Eis, então, a rebelião (2)
«Uma reunião de paroquianos em S. Cristóvão de Selho, terminou com um ferido. A sessão realizada ontem no salão paroquial foi presidida pelo pároco de Azurém, Manuel Oliveira, e destinava-se a preparar uma visita do Arcebispo de Braga àquela Paróquia. A dada altura, registaram-se protestos contra a forma como a reunião estava a decorrer, o que motivou desentendimento entre alguns paroquianos. Os ânimos exaltaram-se e um dos presentes acabou por puxar de navalha com a qual atingiu um outro indivíduo. O ferido teve de receber assistência no Hospital de Guimarães devido a um ferimento sofrido numa das mãos. Devido ao incidente, a reunião terminou por falta de condições. No local, compareceu a GNR de Lordelo que tomou conta da ocorrência e identificou o autor da navalhada.» [via]Antes:
«Estrangeiro tenta instigar católicos portugueses à rebelião»
«Eis, então, a rebelião»
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