sábado, outubro 27, 2007

Argumentos pelo Não dados pelo Sim

«Mesmo que consiga ler o tratado, chega ao fim quase na mesma. Um referendo sobre um texto daqueles é muito pouco democrático. Se há entidade que pode ter alguma capacidade de análise são os parlamentares. Alguma... Mesmo assim, se dos 230 deputados, 30 conseguirem entender bem o tratado, já não é mau.»
Ui, ui, 30 em 230 e já é uma sorte, ou seja, 13% dos deputados - garante Deus Pinheiro ao JN. Ora se a Assembleia da República parece estar tão bem preparada quanto o comum dos cidadãos para se pronunciar sobre o tratado (que há-de estar escrito em aramaico, só pode), será tão sensato serem uns ou outros a votarem o dito, não? E se ninguém percebe (salvo 2 ou 3 iluminados), será mesmo boa ideia assina-lo em nome de todos? Não é suposto conhecermos as leis pelas quais nos governamos?

Mas isto são só algumas dúvidas de um, necessariamente imbecil, cidadão comum que nem sequer tentou ler o tratado, por ter já apostado que o mesmo será chumbado num referendo algures. Só é pena que não o seja por cá, seria uma ironia deliciosa. Deixemos então o bombom à Dinamarca, Reino Unido ou Irlanda - dá o teu palpite na coluna do lado.

For the record: eu ainda não tenho nenhuma opinião formada sobre o tratado (pois se o não li) e em geral também simpatizo pouco com referendos. Concordo até com a ideia de que os referendos devem ser só sobre coisas claras e decisivas para todo o país, como a adesão à UE, que devia ter sido referendada.

Mas, toda a arrogância, demagogia catastrofista e o esconder do jogo por baixo da mesa que rodearam a assinatura deste tratado, dão-me uma coceira que só visto... Isso e a sensação de que Sócrates é bem capaz de ter vendido meio Portugal em alguma alínea só pela vaidade pessoal de conseguir o dito cujo futuro defunto tratado.

Política assim é uma chungaria e merece ser chumbada.

You are the light



Jens Lekman

quarta-feira, outubro 24, 2007

Que rico ensino o das madrassas católicas

Dito assim parece que tudo é mel a correr. O que a Lusa não diz é que o número de exames feitos nestes estabelecimentos é muito inferior à média de exames realizados nos liceus públicos. Não explica por exemplo que para se entrar nestas madrassas não basta sequer ser-se rico, há que passar numa entrevista e os "alunos problemáticos" que passem no primeiro filtro são automaticamente convidados a sair mal se revelem.

Ou seja, o que este ranking nos diz sobre as diferenças entre ensino público e privado, é que apesar dos 400 euros de propina mensal e do ambiente ultra seleccionado, estes colégios ficam pouco à frente das melhores escolas públicas, gratuitas e abertas a todos, incluindo alunos externos à escola e que lá queiram fazer os exames. Muito papá e mamã anda a pagar gato por lebre, I'm afraid.

Mas muito mais importante que as diferenças entre ensino público e privado (que estão sobretudo no preço e na diversidade dos alunos) o ranking convida a uma leitura e discussão das diferenças entre escolas públicas dos grandes centros urbanos e as do interior, aí sim encontramos diferenças dignas de registo e indicadoras de reais problemas. Quanto ao resto, não passa de propagandopus e péssimo jornalismo.

Obrigatório ver: " A Outra Margem"

Este filme é lindo, lindo, lindo. Finalmente um filme tuga que me convenceu e comoveu. A não perder.

Pontos menos positivos. A falta de referências explícitas a Amarante, que muita gente não conhece e por isso não reconhecerá, e como se vê é muitíssimo cinematogénica, merecendo por isso a atenção.

O sotaque e vocabulário lisboeta dos personagens nortenhos, por vezes retira mesmo alguma credibilidade aos diálogos - é possível fingir sotaque sem caricaturar, e tal devia ter sido feito.

O fumo por todo o lado, personagens a fumar a toda a hora para cima de toda a gente, coisa que só se vê nos filmes estrangeiros com mais de 10 ou 20 anos (dependendo se são europeus ou americanos) - realista, mas lamentável e tragicamente sintomático.

Finalmente lamento a aparente não aposta na distribuição deste filme pelo circuito de festivais de cinema LGBT, onde faria um vistaço. Fora deles mais facilmente passará despercebido internacionalmente - os prémios em Montreal são simpáticos, mas pouco mais. Posto isto, ide ver e levai lencinhos de papel.

terça-feira, outubro 23, 2007

Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai!

Amanhã às 18h na rua Augusta em frente ao BCP. Talvez não seja tarde para organizar semelhantes gritarias em frente das restantes agências do banco do papá...

Os mugidos racistas, vulgo politicamente incorrectos

Politicamente incorrecto é hoje o nome que racistas, homófobos, machistas, xenófobos e demais trogloditas gostam de chamar a si próprios por não gostarem desses nomes tão mais claros e adequados. Por outro lado quem se bate contra o racismo, homofobia, machismo, xenofobia e demais doenças sociais, lutando assim por uma sociedade mais justa, tolerante e aberta, passa a ser um "brigadista da ditadura do politicamente correcto".

Por exemplo, se um cientista moribundo, famoso por um prémio ganho nos 60s, pela sua pesquisa molecular dos 50s (isto é, à volta de moléculas, não de pessoas ou sequer cérebros ou epidermes), faz uma declaração racista ao melhor estilo nazi, usando o seu pedestal de cientista consagrado por trabalhos numa área que não tem nada a ver. Logo surgem os politicamente incorrectos unidos na sua defesa. Pois que é uma questão de liberdade de expressão, pois que tem toda a legitimidade para dizer isso e muito mais, pois que as palavras não matam, pois que ninguém pára a ciência, patati, patatá. E para a semana lá voltarão em manada às crónicas de defesa do legítimo criacionismo, contra a ditadura cientificamente correcta do evolucionismo, patati patatá. Para depois dizerem que é tão legítimo e inócuo dizer que a Terra é redonda, como dizer que é plana, patati patatá.

Digo "em manada" porque convenhamos, gente assim é um bocadinho bovina, não acham? E digo "bovina" para ser elegante, mesmo indo o politicamente correcto para as urtigas, pois, coitadas das vacas, não consta que alguma vez se tenham recusado a pastar ao lado de outra vaca só por essa ser branca-e-preta ou amarela. Mas pronto, antes abusar do bom nome de inocentes animais, que chama-los filhosdaputa e abusar assim de pessoas inocentes. E lá voltei ao PC! :)

PS: Entretanto o pai do ADN, ou melhor, um dos pais do ADN (teve 2 pais e nenhuma mãe, sendo então fruto da homoparentalidade) já se veio desdizer. Veremos quanto tempo mais precisam os seus defensores, pelos vistos serem brancos não está a ajudar a acelerar o processo...

Eis, então, a rebelião (2)

«Uma reunião de paroquianos em S. Cristóvão de Selho, terminou com um ferido. A sessão realizada ontem no salão paroquial foi presidida pelo pároco de Azurém, Manuel Oliveira, e destinava-se a preparar uma visita do Arcebispo de Braga àquela Paróquia. A dada altura, registaram-se protestos contra a forma como a reunião estava a decorrer, o que motivou desentendimento entre alguns paroquianos. Os ânimos exaltaram-se e um dos presentes acabou por puxar de navalha com a qual atingiu um outro indivíduo. O ferido teve de receber assistência no Hospital de Guimarães devido a um ferimento sofrido numa das mãos. Devido ao incidente, a reunião terminou por falta de condições. No local, compareceu a GNR de Lordelo que tomou conta da ocorrência e identificou o autor da navalhada.» [via]
Antes:
«Estrangeiro tenta instigar católicos portugueses à rebelião»
«Eis, então, a rebelião»

Já no século XIX havia gente disposta a pegar em armas pela defesa do casamento gay

«Mas, logo ao subirem a Calçadinha, parou ele cruzando os braços, interpelando divertidamente o Sr. Administrador do Concelho pelo estupendo feito do seu Governo... então o seu Governo, os seus amigos Históricos, o seu honradíssimo S. Fulgêncio - nomeavam, para Governador Civil de Monforte, o António Moreno! O António Moreno, tão justamente chamado em Coimbra, Antoninha Morena! Não, realmente, era a derradeira degradação a que podia rolar um país! Depois desta, para harmonia perfeita dos serviços, só outra nomeação, e urgente - a da Joana Salgadeira, Procuradora-Geral da Coroa!

E o João Gouveia, um homem pequeno, muito escuro, muito seco, de bigode mais duro que piaçaba, esticado numa sobrecasaca curta, com o chapéu-de-coco atirado para a orelha, não discordava. Empregado imparcial, servindo os Históricos como servira os Regeneradores, sempre acolhia com imparcial ironia as nomeações de bacharéis novos, Históricos ou Regeneradores, para os gordos lugares Administrativos. Mas, neste caso, sinceramente, quase vomitara, rapazes! Governador Civil, e de Monforte, o António Moreno, que ele tantas vezes encontrara no quarto, em Coimbra, vestido de mulher, de roupão aberto, e a carinha bonita coberta de pó-de-arroz!... - E, travando do braço do Fidalgo, recordava a noite em que o José Gorjão, muito bêbedo, de cartola e com um revólver, exigia furiosamente que o Padre Justino, também bêbedo, o casasse com o Antoninho diante de um nicho da Senhora da Boa Morte! Mas o Titó, que esperava, floreando o bengalão, declarou àqueles senhores que se o tempo sobejava para arrastarem assim na rua, a conversar de Política e de indecências - então voltava ele ao Brito, buscar a aguardentezinha...»
Pelo menos na literatura. Citação d'A Ilustre Casa de Ramires, do Eça, retirada da edição em PDF do Domínio Público. Se eu também pudesse mandar um parecer aos boys do Tribunal Constitucional, só mandava isto e a nota: se sair aguardentezinha, não há roupão que resista! Et pour cause...

sexta-feira, outubro 19, 2007

Cheira a peste, cheira a Tratado de Lisboa

Quando a discussão de um tratado europeu consiste no apaparicar de uma sexualmente recalcada dupla de gémeos fascistas polacos, com interesse em conseguírem brilhos eleitoralistas imediatos, algo está profundamente podre na política europeia.

E quando a maior manifestação das duas últimas décadas em Portugal é menosprezada e secundarizada por toda a comunicação social (que aplaude bovinamente um tratado de que só conhece o nome, Lisboa, ai jesus!), algo está, também aí, profundamente podre.

E depois ainda vêm um papalvos, que não hesitariam em fazer pactos com o Demo it self, dizer que o problema está em Mugabe. Está bem está. (Falando nisso vale a pena comparar as avaliações aos direitos humanos no Zimbábue com a de "nações irmãs" como Angola ou a recém-irmanada Guiné-Equatorial).

PS: Diz que vai ser assinado num mosteiro... podre, profundamente podre e nauseabunda coisa será.

quinta-feira, outubro 18, 2007

A menina que escapou à imprensa portuguesa

A menina inglesa, a menina do sargento, a menina roubada do hospital... não há nada que a comunicação social portuguesa mais ame que um drama com uma menina no meio. Estranhei por isso esta notícia, envolvendo uma menina luso-checa no meio de uma disputa parental, de que nunca ouvi falar... A foto ganhou o prémio Czech Press Photo 2007, pelo que lá não deve ter escapado aos holofotes.

quarta-feira, outubro 17, 2007

Tenho uma pergunta pró Zé Luís que fala um bocado esquisito

Este vídeo é óptimo para se perceberem as motivações e condicionantes dos independentismos no estado espanhol. É entrevistado Josep-Lluís Carod-Rovira, líder da Esquerra Republicana de Catalunya, que se sai mesmo muito bem. O programa segue o modelo criado, se bem me lembro, aquando das eleições presidenciais francesas, e urge ser importado - aceitaria Sócrates o desafio? E Cavaco?

The N-word


Use Of 'N-Word' May End Porn Star's Career

Eco-kitsch

Daqui, via.

terça-feira, outubro 16, 2007

Pergunta a senhora da frísia saia:

«Uma das sequelas da guerra foi o 25 de Abril. O 25 de Abril era inevitável, Otelo Saraiva de Carvalho?»

Há gratuitos que nem dados

«[...]Não fora o Generalíssimo e a esta hora a cultura de Espanha teria sido reescrita pelo "socialismo" como aconteceu para lá do muro.[...]»
Quem o garante é Sérgio H. Coimbra, director do gratuito Meia Hora. Só não sei bem se se refere à ilegalização do galego, basco e catalão (essas bárbaras línguas anti-espanholas) ou ao analfabetismo que florescia nesses tempos na península, por oposição à alfabetização forçada no lado de lá do muro. Só sei que mesmo com esse terrível handicap dos altos níveis de educação, e mesmo tendo chegado décadas mais tarde a esta corrida da cultura autêntica chamada globalização capitalista, alguns desses países do lado de lá do muro já passaram a perna a Portugal... Mas falávamos de Franco, pois, é horrível isso de remover as estátuas, não se faz. E como se não fosse insulto bastante, é por ordem de um governo democraticamente eleito, é mesmo para gozar com o homem, ou melhor, o Generalíssimo, assim, sem aspas.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Maldições ibéricas

Dois belíssimos cartoones de Manel Fontdevila, cartoonista do novo diário espanhol Público. Referem-se ambos à recente beatificação em massa de "498 mártires espanhóis do séc. XX" pelo Vaticano. A beatificação veio mesmo a calhar para manchar a aprovação, pela esquerda, da lei da memória histórica, que entre outras coisas se propõe limpar Espanha da simbologia fascista que persiste. Os demoradíssimos e rigorosíssimos processos de canonização podem portanto sofrer fortes acelaradelas se tal for politicamente conveniente. Pelo meio ficaram esquecidos 16 religiosos bascos, mortos pelas tropas franquistas. Azarinho.

Não seria contudo difícil adaptar estes cartoones à actualidade portuguesa. No primeiro coloque-se Sócrates em vez de Zapatero a dizer: "E agora, deixam que outras religiões possam prestar assistência espiritual nos hospitais públicos?". E no segundo, um busto de Salazar em vez de Franco, a perguntar pelo atraso na canonização da Lúcia e com o cardeal a responder satisfeito: "É só para que saia primeiro a sua!".

sábado, outubro 13, 2007

Estrangeiro tenta instigar católicos portugueses à rebelião

«O cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano, apelou hoje [em Fátima] à "rebelião" dos cristãos face aos "senhores destes tempos" que exigem o silêncio dos cristãos "invocando imperativos de uma sociedade aberta". (...)

Na sua homilia, o cardeal Tarcisio Bertone alertou para o facto de, nos tempos de hoje, muitos imaginarem "que a vitória depende essencialmente do talento, da habilidade, do valor dos que escrevem nos jornais, dos que falam nas reuniões, dos que têm um papel mais visível e que seria suficiente animar e aplaudir estes chefes como se anima e aplaude os jogadores no estádio".

"Não existe erro mais temível e desastroso!", disse o "número dois" do Vaticano, acrescentando que "se os soldados algum dia chegassem a pensar que a vitória já não dependia deles, mas somente do Estado-Maior, esse exército marcharia de desastre em desastre".»
Por certo a alternativa democrática, a igreja formar finalmente um partido político e sujeitar-se ao voto popular, nem lhe passou pela cabeça. É mais fácil fazer inconsequentes apelos a golpes de estado em países estrangeiros. Tão ridículos que nem serão acusados de traição à pátria, instigação da desordem social e essas coisas... Até passam horas na TV pública para adormecer velhinhos e são bovinamente citados em jornalecos da praça, ou melhor, prado.

Tanta bandeirinha hasteada em tempos de bola, e tão pouco brio quando vêm fazer pouco da nossa independência dentro de portas. Enfim, ainda as consequências dos 40 anos de espera que o Vaticano reconhecesse o reino, para o dar como independente... e vassalo da Igreja de Roma.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Bentinho 16 já tem rival

Arf arf ou o poder de sedução de uma longa capa vermrrrr... encarnada. O cardeal espanhol Antonio Cañizares não o faz por menos, e ordenou dois novos padrecos (yep, ainda se fabricam) seguindo os ritos anteriores ao Vaticano II, quando a igreja não era apenas fascista, mas também muito mais rococó. Aguardo ansioso a resposta de Bentinho a este avanço nas tendências Outono/Inverno para clérigos.

Sotaina que ladra, não morde

Este texto do Rui Tavares desmonta na perfeição a falsa polémica sobre a "assistência religiosa" nos hospitais públicos. No fundo passou-se agora o mesmo que aconteceu aquando da aprovação da lei sobre a procriação medicamente assistida. Tanto uivaram, tanto urraram, tanto ameaçaram antes do tempo e sem motivo aparente, que Portugal tem hoje uma das mais recentes, mas também uma das mais retrógradas, conservadoras e discriminatórias leis sobre a matéria. Cereja no topo do bolo: foi a esquerda que a aprovou, Bloco, PS e PCP. Capuchinhos vermelhos a lidar com lobos maus.

Sopinhas de peixe ou os mártires da direita

Costureirinhas que perdem o palanque numa tv privada para logo nos aborrecerem numa pública. Campos de milho massacrados por eco-terroristas. Professores mal educados que viram perseguidos políticos. A direita é um desfilar de horrores e tragédias que conseguem a mediatização que florestas vandalizadas por escuteiros, sindicatos assediados pela polícia ou a inexistência de telecomentadores de esquerda jamais conseguirão. Falemos da mais recente vítima:
«É o pivô há mais tempo no ar em horário nobre (16 anos) e, segundo um estudo do Observatório da Comunicação, o mais apreciado da informação televisiva. E denuncia: a administração interfere nas decisões editoriais da informação na RTP. E “passa recados” do poder político. Numa entrevista respondida por correio electrónico, revela que não interfere no alinhamento do Telejornal e que hoje não recusaria os convites que lhe foram feitos por outras estações, em Portugal e no estrangeiro. Mas diz que, neste momento, não quer sair da RTP.»
Esta é a introdução da "polémica" entrevista. Não é preciso ir mais longe, que nada se aprofunda. José Rodrigues dos Santos é muito "apreciado", tal como são os Malucos do Riso. Manda piadinhas no fim dos noticiários, pisca o olho, faz um ar comovido/no limiar do vómito com notícias do tipo Maddie McCann, enfim, é por isso, e só por isso, que rivaliza com os Malucos em popularidade. Bem, talvez o livro/lista telefónica onde garante "explicar a fórmula científica que prova a existência de deus" lhe renda também algumas simpatias junto de determinados públicos.

Quanto à ética ou qualidade jornalística basta reler a citação acima. Diz que não interfere no alinhamento do noticiário pelo qual dá a cara diariamente. Pelo contrário, diz que o poder político o faz. E diz que, mesmo assim, não quer sair da RTP. Está tudo dito. É esta a integridade jornalística paga a peso de ouro pelo canal público de televisão.

terça-feira, outubro 09, 2007

Semear o Outono

O Outono está a chegar mas nota-se pouco. Ironicamente é até nas cidades onde mais facilmente se topam cenários outonais, parques repletos de folhas caídas. Já nos bosques minhoto-durienses é o domínio quase exclusivo dos sempre verdes (mas pouco) eucaliptos, acácias e pinheiros. Reflorestar com árvores de folha caduca urge! Este guia da Universidade de Vigo (também em inglês) é um bom começo para quem se quiser lançar na tarefa, está especialmente vocacionado para grupos que queiram semear em baldios ardidos, por exemplo. Este outro, inglês, explica como semea-las em vasos e só depois de germinarem e crescerem as transplantar para o terreno - provavelmente o ideal para quem tenha algum, pouco, terreno disponível. É possível que se encontre on-line material português semelhante, mas eu não achei. A altura para recolher as sementes (não só de carvalhos, mas também castanheiros ou bétulas (bidoeiros)) começa agora, por isso mãos à obra. Quem quiser integrar um grande projecto já em marcha creio que se pode juntar à campanha 1 milhão de carvalhos para a Serra da Estrela.

segunda-feira, outubro 08, 2007

As coisas que os contribuintes pagam...

Ainda me lembro bem de uma denúncia que tentei fazer chegar à GNR, que tudo fez para a não aceitar. Ser vítima de vandalismo não convence a GNR se não se é o proprietário, mas apenas o utilizador no momento do crime. Já para apreender erva, é uma festa! Não a sério, isto beneficia quem exactamente? Isto é, tirando os produtores marroquinos, os seus dealers exportadores e o bom humor da esquadra onde as plantas fiquem armazenadas, isto interessa a quem exactamente?

À balança comercial portuguesa não é certamente, e ao fumador de ganza tanto se lhe dá, como se lhe deu - a ganza é omnipresente, como nem deus algum dia sonhou ser. Portanto, ocupa-se a bófia com plantaçõezinhas que não fazem mal a ninguém, lixa-se a vida a meia dúzia de agricultores que já a deviam ter difícil para se meterem nisto e aumentam-se as importações de Marrocos. Sim, muito inteligente. Obrigadinho ó da guarda! Sempre valeu a pena não apanharem antes o gajo que me riscou o carro...

Arautos da liberdade feitos ratos da corte espanhola

Noto com algum espanto a indiferença com a actualidade política basca que se vê pela blogosfera portuguesa, particularmente entre a liberal. Criam-se leis para ilegalizar partidos, ilegalizam-se os ditos, e agora prendem-se os seus militantes mais destacados por causa de uma "reunião ilegal" e ninguém se indigna? Estranho. Se fossem neonazis já estaria Pacheco Pereira em vigília à porta da embaixada espanhola.

Por outro lado ao anúncio de um referendo no país, o bloco central espanhol (pois, para assuntos excepcionais também há um em Espanha) responde com insultos e ameaças de perda da autonomia existente. E por cá ninguém diz nada? Já se esqueceram todos do referendo de Timor Leste? Agora é aceitável este tipo de ameaça?

Voltando atrás, vale a pena fazer uma comparação entre o Batasuna e o fascista PNR. O Batasuna tinha uma significativa representatividade eleitoral (tal aliás como o seu subproduto, também ilegalizado, ANV, e cuja ilegalização rendeu um município às contas eleitorais do PP com apenas 27 votos!). A lei que o ilegalizou foi criada especificamente para esse efeito, ou seja, anos depois do partido existir. O partido não promove directamente a violência, não pelo menos de forma declarada, limita-se a não condenar a violência da ETA.

No caso do PNR falamos de um partido ilegal muito antes de existir, pois desde 1976 que é proibido formarem-se partidos fascistas em Portugal. Mesmo assim ele formou-se, camuflando o seu fascismo. No entanto a máscara tem vindo a cair, e a sobreposição de militantes seus e dirigentes de grupos violentos, envolvidos no assassinato de pessoas, tráfico de drogas, armas e mulheres, é cada vez mais notória. A sua representatividade eleitoral continua, felizmente, nula. E mesmo assim ninguém, com responsabilidades políticas, ousa defender o óbvio, a aplicação da lei e sua ilegalização. Apesar de ninguém o fazer, os blogs liberais estão sempre à espreita de qualquer sugestão nesse sentido e gritam aqui-del-rei pela "liberdade" ao mais pequeno sinal.

Mas, claro, calados como ratos em relação ao Batasuna.

Vermelhos contra cinzentos: a luta continua

Qual metáfora natural dos tempos políticos de hoje, os esquilos vermelhos (ou esquilos europeus ou ainda eurasiáticos) da Grã-Bretanha estão a ser dizimados pelos seus primos americanos (os cinzentos), introduzidos na ilha no séc. XIX. Vale mesmo a pena ler esta reportagem do The New York Times. Os cinzentos são maiores e mais agressivos, sendo capazes de se instalarem em áreas mais urbanizadas, mas a sua maior arma contra os vermelhos é um vírus que transportam, e ao qual são imunes, mas que mata os vermelhos em pouco tempo.

Em Portugal a situação tem sido inversa. Depois de séculos sem esquilos no país, os vermelhos são hoje comuns em vários locais do Norte graças a repovoamentos bem sucedidos na Galiza - creio que até já ultrapassaram o Douro no seu rumo a Sul. Basta ir aos pinhais à beira-mar de Esposende, p.ex., para comprovar a sua presença, mas com alguma sorte topam-se a cruzar qualquer estrada rural minhota. Mas o futuro é perigoso, a reportagem do NYT refere que também em Itália os cinzentos começam a substituir os vermelhos, e provavelmente os Alpes não serão uma barreira tão fiável quanto o canal da Mancha.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Viva a República!

Os bispos vampiros

Às vezes as coisas atingem um grau tal de sem vergonhice que só conseguimos falar delas falando em bom português. As mais recentes filhasdasputices da Igreja católica portuguesa são disso exemplo.

Se não vejamos. Em Fátima clamam horrorizados contra a "universalização do casamento gay" e lamentam que "apenas a Polónia" se lhe oponha com veemência no espaço da UE. Deixam de lado portanto dois pontos: 1) a Polónia também é o único país da UE a não opôr-se à pena de morte (não arrelia nem um pouco?) e 2) a suposta universalização do casamento gay perde a milhas para a universalização da pena de morte para os gays, são 5 países com casório (apenas 3 na UE de 27), contra 9 com pena de morte, isso também não arrelia?

Entretanto prossegue a campanha de mentiras e areia para o ar promovida pela igreja e acariciada por muita gente crédula e analfabeta, na qual se inclui, tragicamente, uma boa parte dos jornalistas da praça. Valha a Fernanda Câncio para desmontar as manhas. Na discussão do novo regime de "assistência religiosa nos hospitais" só uma coisa está em causa: dinheiro, dinheiro e mais dinheiro. E a poeira e mentiras são lançadas com tanta insistência não só por ser o seu modo natural de estar e ser, mas também para esquecer o facto de que mesmo que a lei seja aprovada, continuará a ir demasiado dinheiro do estado para os bolsos da padralhada que fareja a morte nos hospitais. Escabroso. Asqueroso. Nojento. Vil. E depois as putas são as outras.

The Tudors


Em dia de celebrar a República, uma boa notícia king-related. The Tudors vai finalmente estrear na RTP - que ao menos vai servindo para passar as melhores séries estrangeiras. É já na terça-feira, em dose dupla, às 22h20. No Reino Unido estreia hoje na BBC2 às 21h. É da mesma produtora do Weeds (e também do L Word), pelo que poderá ser um bom antídoto para quem ainda está de ressaca pelo fim da segunda temporada da Erva da Nancy Botwin. No Guardian garantem que é a primeira série de época a valer mesmo a pena e a marcar uma o começo de uma nova era para o formato. A não perder portanto, como se faltassem argumentos, olhem bem pró moçoilo que faz de Henrique 8º - "doentiamente bom" é a expressão apropriada.

PS: Afinal pode-se perder que não se perde grande coisa. Que fiasco...

RTP: aputalhando a República no seu aniversário

Sabem aquela fulana que aparece sempre muito espampanante nos telejornais da RTP, com felpudos cachecóis rosa choque e coisas que tais (acho que só ainda não a vi vestida de sevilhana, mas já faltou mais), a anunciar o nascimento de mais um fedelho real ou outras coisas igualmente superimportantes do país vizinho?

Pois é, hoje lá apareceu de novo. Pelo que percebi (não vi a peça desde o início) a notícia seria sobre as detenções de jovens espanhóis por queimarem a foto do monarca vigente. Moral da estória (sim, quando em vez de notícias se fabricam estórias, há uma moral no fim) "a monarquia espanhola custa 19 cêntimos a cada espanhol, enquanto a república custa 1 euro a cada português". Assim à queima-roupa e para finalizar, ponto parágrafo e passemos à próxima estória da carochinha.

Fiquei assim sem saber onde tinha Rosa Veloso ido buscar tão belos números, se atirou uma moeda ou ar ou consultou algum panfleto do PPM. Também não sei portanto se tal inclui as isenções fiscais sobre o imenso património da família real espanhola ou leva em consideração o facto da presidência portuguesa ser eleita e, apesar de tudo, não ser só para a fotografia. Não sei e provavelmente ficarei sem saber. Tal como não faço ideia do porquê das detenções no Batasuna não terem merecido igualmente uma reportagem. Pois afinal, o orçamento da RTP fica-nos bem mais caro que o da presidência, e mesmo assim parece só nos dá direito a assistir a estórias mal contadas e pior vestidas.

República da Bicharada

Pelos vistos a 4 de Outubro celebra-se o dia mundial dos animais. Tão simpático quanto irrelevante, parece-me. Mas uma boa desculpa para promover certos eventos. Como os listados num panfletinho verde que recebi hoje, a celebrar não ontem, dia 4, mas hoje, dia 5, na cidade da Trofa. Os eventos, com apoio da câmara (PSD), terão o seu ponto alto, deduzo eu, no "Tributo ao cão" a celebrar (rezar? benzer? ajoelhar perante?) às 18h.

Lembram-se daquela ideia do grupo parlamentar do PSD em oficializar um Dia Nacional do Cão convenientemente próximo do Dia Mundial da Criança? Foi morta à nascença, restou-lhes por isso a Trofa e o dia da República para canilizarem à vontade.

Para compensar tão sentidas homenagens aos nossos amiguinhos de quatro patas em pleno dia da República, a RTP vinga-se e escolhe antes uma tourada para celebrar a primeira hora de emissão neste dia 5. Adequadíssimo tudo.

quarta-feira, outubro 03, 2007

É do gerúndio a culpa de ninguém estar fazendo nada

Quem o garante é o governador de Brasília, que está tratando de bani-lo, a ver se as coisas começam melhorando... Mas olhando para Portugal, onde se vai usando menos, eu diria, dizendo, que não é indo por aí não... [via]

Ver na Wikipédia: Gerundismo.

Tendência Peculiar: os nomes das empresas na hora

Algumas das explicações para a situação económica portuguesa talvez estejam nesta lista das empresas criadas pelos balcões "Empresa na hora". De "Sonhos Tresmalhados" a "Acordes Excêntricos", de "Ano Resplandecente" a "Apogeu dos Deuses", de "Certamente Feliz" a "Conjunto de Sombras", assim vai o mais recente tecido empresarial do país. "Chiques de riso", ficareis ao ler. [via]

Tem a palavra o futuro presidente da Comissão Europeia


Mas o ensino burguês venceu, e agora até diz que fala alemão...

PS: Ups, foi apagado. Terá sido cunha directa da Comissão (que agora tem o seu próprio canal no youtube)? Seja como for já há aqui outro. E o mais seguro é mesmo guarda-lo no computador.

terça-feira, outubro 02, 2007

Diga-se o que se disser, o mirandês entende-se muito melhor que o madeirense, seja falado ou escrito



Algumas notas, à tampa das panelas no Norte (e não apenas no Porto) chamam-se "testos" e não "textos" como se lê na reportagem. Do mesmo modo "malga" não se limita a Trás-os-Montes, mas é usado também no Minho e Douro, pelo menos. O mesmo para o aloquete, que arriscaria dizer ouvir-se em sítios tão longínquos como Aveiro ou Viseu, e algo muito parecido em Roma, que é onde esta coisa toda começou. Cajado, que não é exactamente sinónimo de bengala, é usado no Norte, Centro, e provavelmente no resto do país desde que haja pastores, além do Brasil. Curioso como a SIC não foi capaz de encontrar regionalismos lisboetas...

Carnegie Mellon e os Açores

O governo que andou tão contente e babado com os acordos que estabeleceu com algumas universidades americanas podia aproveitar e explicar-lhes que os Azores são parte do pacote. Se fosse a Madeira...

segunda-feira, outubro 01, 2007

Um filme sobre corrupção policial que se torna um sucesso antes mesmo de estrear, graças à pirataria


As ironias não acabam aí, pelo meio houve quem, na polícia, o quisesse censurar. No Brasil não se fala noutra coisa. Excepto talvez o final da telenovela Paraíso Tropical, que aliás conta no seu elenco com dois dos protagonistas deste Tropa de Elite. Site oficial e curta entrevista com o realizador. Promete.

domingo, setembro 30, 2007

4.000.000.000 €

É quanto se escapa anualmente dos cofres do estado da república italiana para os cofres da seita das sotainas. A religião é, e sempre foi, antes de qualquer outra coisa, um negócio fabuloso. As contas são do La Repubblica, contas que por cá nenhum jornal ousaria fazer - aliás, aparentemente nem jornais que noticiem as de Itália!

Tal como não parecem muito dispostos a noticiar outra polémica actual no país da bota, João Paulo 2.º segundo terá recusado livre e conscientemente os cuidados médicos que lhe prolongariam a vida, cometendo dessa forma e perante passividade médica, o suicídio, tão condenado por si e pela sua igreja ao longo de toda a vida. Apesar disso teve um enterro católico, cerimónia ainda hoje muitas vezes recusada a outros suicidas dessa igreja, sobretudo os mais pobres.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Novas do polvo das sotainas

Depois da União Soviética, o Futebol Clube do Porto

Não é só Santana Lopes que "ainda anda por aí", também Fátima, a "Nª Sª", vai fazendo das suas aqui e ali. A sua mais recente vítima foi o Futebol Clube do Porto. "Milagre" clamaram todos, e o padre que preside ao clube (será também construtor ou presidente da junta?) não desmentiu (vi eu num desses hiper-relevantes directos televisivos). Confirma-se portanto, foi Nossa Senhora Toda Poderosa de Fátima.

Espero assim que a massa portista não perdoe a batota Da que poisa em azinheiras, e de futuro a renegue. Pode ser que então Ela tenha um rebate de consciência e se passe a preocupar com questões um pouco mais relevantes como a fome ou guerra, e deixe os joguinhos de bola em paz. Haja fé, quem poisa em azinheiras sem as quebrar (ao contrário do que fazem impunemente os escuteiros), poderá afinal ter um coração... mesmo que não respeite a verdade desportiva.

Isto não é um país sério (2)

Sobre o caso da interrupção da entrevista a Santana Lopes na SICN para ver a chegada de Mourinho ao aeroporto (que teve o seu momento alto na nega de Mourinho à sempre pertinente questão "vai jogar no Euromilhões?"), faço minhas as palavras de Daniel Oliveira: «Isto bateu no fundo quando Santana dá merecidas lições de bom-senso a jornalistas» e «Consensual: A melhor entrevista de Santana foi aquela que ele não deu.»

E acrescento, parabéns sr. Santana Lopes, vê-se que tem aprendido alguma coisa, quase acreditamos que a sua preocupação era com a elevação do jornalismo televisivo e não a vaidade pessoal ferida, clap, clap. Você ainda vai andar por aí muito tempo...

Aproveitemos a onda e lancemos nos blogs uma petição contra os directos idiotas dos telejornais, 'bora?

Isto não é um país sério (1)

Abaixo de Verde Eufémia, só o gangue dos escuteiros

«Escuteiros do Agrupamento n.º 20 da Covilhã foram apanhados a cortar árvores na mata nacional da cidade, na Serra da Estrela, num caso que está ser averiguado internamente, disse ontem à Lusa fonte daquele agrupamento. Os escuteiros são menores de idade e agiram sem supervisão de adultos.»
1) Como raio está este crime a ser "averiguado internamente"!? Escuteiro=GNR agora? 2) Serem menores justifica exactamente o quê, dado que é suposto haver adultos responsáveis? Só são responsáveis até há hora em que é mesmo preciso que alguém se responsabilize? 3) Cadê os indignados com os Verde Eufémia e a suposta passividade policial de então? Cadê Pacheco Pereira? Demasiado ocupado a defender os nazis que atacaram o cemitério judeu de Lisboa? What? Como explicar este silêncio depois da histeria lacrimosa com o milho transgénico? Depois do neonazismo, também o escutismo passou a ser atenuante criminal?

Nota: esta discreta notícia já tem quase uma semana, nada nas TVs, nada nas colunas de opinião dos jornais... escuteiro pode tudo.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Ainda há dúvidas de que Santana nunca venceu as eleições autárquicas em Lisboa?

Zangam-se as comadres e deduzem-se as verdades. Esta gente é capaz de tudo...

Será a Eslováquia o cavalo de Tróia do Vaticano contra a Europa?

Atenção à reportagem no Rue89.com. Numa altura em que continuam a chegar fétidos ventos de Leste. Mas também alguns sinais de resistência e esperança.

Por cá vai dando que falar a indignação do polvo vaticânico com a ideia do governo em deixar de pagar salários fixos a padres que "prestam serviços hospitalares", para passar a pagar tão valiosos serviços a recibos verdes - eis finalmente a igreja a lutar contra a precariedade. Num país sem saúde oral pública, andar a pagar a padres pelas suas rezinhas hospitalares, i.e., por andarem a propagandear a sua seita em busca de novos clientes por entre aqueles que se encontram mais fragilizados, os doentes, é um grosseiro insulto à nossa inteligência. Mas parece que 'tá-se bem...

Tal como essa mesma seita não teve problemas em pagar o dobro do previsto pelo novo megatemplo lá na terra dos pastorinhos visionários especialistas em futurologia pós-soviética. 80 milhões de euros. Ninharias portanto, já pagas, a pronto e provavelmente em cash... directamente das caixas de esmolas continuamente cheias por quem não tem grandes dentes, mas vai tendo uns trocos para pagar promessas que poderão ou não ser cumpridas. Aterrar em azinheiras é fácil, ter coragem para disponibilizar um livro de reclamações é que é pior...

A Eslováquia poderá ser o cavalo de Tróia, mas a nós ninguém tira a alcunha de sacristia papal. É pró que o Bentinho queira! Esta fétida lesma morta que se espapa à beira do velho Atlântico é sua e de mais ninguém. (Excepto talvez a Lusoponte, ricos negócios os da era cavaquista...)

segunda-feira, setembro 24, 2007

Funny Games

Vale mesmo a pena ler este retrato de Michael Haneke, que terminou agora a rodagem de "Funny Games" - versão americana (à esquerda na imagem). O original austríaco é um dos melhores filmes de sempre. Os trailers podem ser vistos aqui. Haneke, the leader of the Cinematic Liberation Front, diz coisas como:
«“I saw ‘Pulp Fiction,’ of course, and it’s a very well done film,” he [Haneke] said. “The problem, as I see it, is with its comedy — there’s a danger there, because the humor makes the violence consumable. Humor of that kind is all right, even useful, as long as the viewer is made to think about why he’s laughing. But that’s something ‘Pulp Fiction’ fails to do.” When I mentioned Oliver Stone’s “Natural Born Killers,” another film that “Funny Games” has been compared with, Haneke shrugged. “Stone made the same mistake that Kubrick made. I use that film to illustrate a principle to my students — you can’t make an antifascist statement using fascist methods.”»

(...)

«“I was sitting in a bus, and suddenly it went out of control. For some reason I was responsible for everybody’s safety, but I couldn’t get the steering wheel to work: perhaps it was broken, perhaps someone else was preventing me. People were wandering up and down the street, and the bus ran them over, unavoidably, one after another. Somehow I was responsible for this, but I was helpless to prevent it.” He took a slow, thoughtful sip of his coffee. “A pretty terrible dream, but to me it seems representative of our current situation in the world. All of us are responsible but unable to change the direction of the bus — everyone in Europe, everyone in the so-called first world, is in that same position. A horrible predicament, almost unbearable if you think about it, but the bus keeps right on rolling.”»

sexta-feira, setembro 21, 2007

A notícia com que os chefes de redacção sonham

© Bandeira

«Casal McCann contrata Mourinho como personal trainer»

Público à esquerda do El País está quase a chegar

Já tinha falado disto em Abril. Agora está mesmo quase, sai dia 26 (quarta-feira) e parece que custará apenas 50 cêntimos. Só é pena não ser em português, até o cabeçalho semelhante facilitaria a troca aos leitores.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Mormons wanted


Uma das minhas fantasias sexuais por realizar consiste muito simplesmente em foder com uma dupla mormon. A fatiotazinha, o ar angelical, a misteriosa roupa interior, o andarem sempre em par... enfim, ene pormenores que aguçam o fetiche. Lamentavelmente a realidade não é igual aos filmes, e nunca fui abordado por nenhuma dupla que me despertasse o mínimo tesão.

Mas eis que a minha esperança renasce ao deparar-me com o calendário "Men on a Mission 2008". Não, não é tanga como o calendário dos supostos padres católicos, estes são mesmo mormons. E a minha esperança renasce não só porque afinal existem mesmo mormons giros como os dos filmes, mas também por mostrarem estarem dispostos a muito mais que o que se imaginaria para salvarem almas alheias.

A gayness da coisa vai ao ponto de usarem a música de uma dupla tecno-gay para o vídeo ou venderem t-shirts para homem com o slogan "I heart mormon boys". Posto isto é hora de deixar as fantasias de lado e passar à prática.

If you are a mormon couple preaching around Portugal please contact me at renaseveados[at]gmail.com. I am a militant atheist available for conversion in exchange for hot steamy double mormon gay sex. The length of the conversion will be proportional to the pleasure provided by both of you. You must wear mormon underwear. More details by e-mail. Thanks.

Que é como quem diz, levem-me ao céu, que eu passo a acreditar.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Bucha e Estica

Gente com opiniões vincadas, mas que não faz a mínima ideia do que está a falar. Não há por aí jornalistas capazes de apontarem ao menos as mais óbvias contradições e ignorâncias dos entrevistados? Assim nunca mais percebem o atraso com que falam... até para se ser um homofóbico que quer mandar na vida familiar dos outros há que ir fazendo uns upgrades.

Pacheco Pereira está à espera de quê para se retractar?

Sinceramente estou um bocadinho farto de ouvir aquela estória da blogosfera ser muito rigorosa com os erros dos bloggers, de não se poder um passo em falso, pata ti pata tá, e constatar na prática que afinal é uma mera reprodução on-line das patacoadas diariamente impressas nos jornais.

O que José Pacheco Pereira escreveu sobre o caso do neo-nazi Mário Machado, foi de tal forma erróneo, demagógico e imbecil, que só à luz de uma profunda ignorância e precipitação se poderia compreender vindo de alguém que se espera ter um mínimo de honestidade intelectual.

Seja como for, com todas as notícias entretanto saídas a público, deixou de haver possibilidade de ignorância sobre a verdade do caso. Sendo portanto de exigir, a bem de um mínimo de credibilidade, uma retractação de Pacheco. Mentir e ludibriar não podem continuar a ser aceites como técnicas de argumentação legítimas entre os comentaristas portugueses. De uma vez por todas!

Suck it Jesus!


Esta é a versão não censurada. A petição anti-talibanismo cristão pode ser assinada aqui. Mais informações sobre o caso em português aqui. Kathy Griffin és GRANDE!

De nada Bush, sabes que podes sempre contar com a gente

«Quero agradecer ao povo de Portugal por apoiarem a sua decisão de ajudar o povo do Iraque e do Afeganistão descobrirem a bênção da liberdade»
George Bush para José Sócrates

Nota: o título deste post é tudo menos irónico. George W. Bush tem toda a razão para agradecer a Portugal, onde a oposição à invasão do Iraque foi ínfima, insignificante e completamente inconsequente para a vida política e eleitoral pós-invasão - ao contrário do que aconteceu noutros países "aliados". É certo que o apoio popular não foi nada de exuberante, foi antes um encolher de ombros, um assobiar para o lado. Mas perfeitamente cúmplice com o entusiasmo dos políticos e com a recepção da cimeira da invasão nos Açores. Ainda batemos palmas quando um dos criminosos de guerra arranjou tacho em Bruxelas. Podemos passar a vida a dizer que o apoio de Portugal era indiferente para a decisão de invadir ou não o Iraque. Só não podemos dizer que esse apoio não existiu. Uma vergonha, toda nossa.

A very famous cock

Das cozinhas de dealers californianos às salas de emigrantes portugueses em França, só ou em dose dupla, este galo é a maior estrela portuguesa no audiovisual internacional. Esta imagem é do Les Triplettes de Belleville. Um doce para quem souber fornecer mais instantâneos gálico-barcelenses na 7ª Arte (ou séries muito boas).

terça-feira, setembro 18, 2007

Stop being a pussy


PS: Será de toda a erva, ou num dos episódios transmitidos hoje (esta cena é da semana passada) vi mesmo um galo de Barcelos na janela da cozinha da Heylia? Se não é da erva, só pode ser da globalização. Caso para dizer: Barcelos' cock rules!

PPS: A foto!!! Obrigado Sérgio.

'Bora criar uma nova linha de galos que em vez do coração vermelho tenham uma folha de maconha? Vai ser um sucesso entre os dealers de L.A..

sábado, setembro 15, 2007

Os livros que não mudaram as nossas vidas

Tempo de rever as respostas ao desafio aqui lançado a alguns camaradas da bloga sobre os livros que não mudaram as suas vidas. A pergunta era incómoda, pelo que imaginava ter poucas respostas, só não imaginava que o fosse ao ponto de fazer colapsar um blog! Sorry...

Passemos então aos resistentes. Ou nem por isso, o dot acha que a vida é demasiado curta para ler Dostoyevski, pelo que listou os livros que lhe mudaram a vida, Crime e Castigo não incluído.

Já na Enciclopédia Chinesa - reavivada pela pergunta? - encontramos uma lista com algumas coincidências em relação à minha. Nas diferenças importa realçar que não tive coragem de mencionar Marguerite Duras, não me lembrei que já tinha lido Pessoa e esqueci completamente essa figurinha catita chamada Júlio Diniz. Não fora isso, e seriam quase listas repetidas, apenas com diferentes Lobo Antunes a embalar-nos o tédio.

Há dias em que mais valia não sair da cama

«An Albanian fishmonger set fire to his van in a burst of anger after the national soccer team lost to the visiting Dutch side, and firefighters failed to extinguish the blaze because someone had stolen their water.» [Um vendedor de peixe albanês incendiou a sua carrinha num ataque de fúria provocado pela derrota da sua selecção nacional de futebol frente aos visitantes holandeses, e os bombeiros foram incapazes de apagar o fogo porque alguém lhes roubou a água.]

quarta-feira, setembro 12, 2007

sábado, setembro 08, 2007

Multas igualmente dissuasoras

«A millionaire from Småland in southern Sweden has been forced to pay a 195,000 kronor ($28,000) [20 817 euros] fine after he was caught speeding on the Baltic island of Åland.

Hans Ahl, 62, was hit with the full force of Finnish law after driving his Chevrolet minivan at a speed of 67 kilometres/hour (42 mph) in a 30 km/h zone (19mph). Though the population of Åland is Swedish speaking, the main island and its many skerries are in fact an administrative province of Finland.

Unlike in Sweden, where there is a 4,000 kronor maximum charge, Finland does not place an upper limit on traffic fines. Instead the cost of a speeding ticket is calculated on the basis of the offender's income.»
Ora aqui está um sistema mais justo. É que não é só pela potência do motor que vemos a correria desenfreada de jaguares e ferraris nas estradas, as multas por excesso de velocidade têm nulo efeito dissuasor em quem conduz tais veículos. Apenas o civismo, ou a falta dele, são factores determinantes na hora de se conduzir um carrão desse tipo. Já quem conduz clios ou corsas encara com outros olhos a possibilidade de uma multa. A lei não devia ser igual para todos?

Não seria mais justo a ASAE encerrar a câmara?

«Noutra zona da cidade, na Avenida da Boavista, o conhecido bar "Triplex" foi imediatamente encerrado, mais uma vez por não ter as devidas licenças. Segundo a sócia--gerente, "a licença foi pedida há muitos anos, mas, até hoje, a resposta da autarquia não chegou". Revoltada e "aterrorizada com os homens armados" que faziam a segurança da acção de fiscalização da ASAE, a responsável diz que não considera que trabalha sem licença: "A partir do momento em que dou entrada com todos os procedimentos necessários na Câmara, que esta casa tem os impostos em dia, que não tem trabalhadores ilegais, que não trafica, que, em suma, é uma casa decente, é dever da autarquia responder de forma célere ao pedido de licenciamento".»
Isto está muito, muito, mas mesmo muito longe de ser caso único. Se a ASAE encerra todos os estabelecimentos sem licença no Porto e no país, em breve não haverá onde tomar café.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Mais um partido por Lisboa

Se há tique centralista que me eriça o pêlo é este de nem sequer escreverem o nome da lisboeta cidade nas moradas, como se fosse efectivamente a única possível, logo de escusada referência. Nem preciso saber mais nada sobre esta coisa descoberta via Womenage, não é para mim de certeza absoluta. Minha cidade é outra!

Nota prévia: o editorial que se segue não é do Correio da Manhã

«Num dia em que voltaram a levantar todas as teorias sobre o destino de Madeleine, a criança inglesa desaparecida no Algarve há mais de quatro meses; duas semanas depois de terem sido mortos a tiro empresários e seguranças da noite de Lisboa e Porto; após uma semana de assaltos à mão armada (bancos, carrinhas de valores e, ainda ontem, uma ourivesaria), que também fizeram vítimas; não podia ter sido mais inoportuno da parte do Governo anunciar os números da criminalidade e dar destaque à diminuição do crime violento
Inoportuno para quem? Só se for para quem se dedica a explorar o crime, fazendo sensacionalismo diário com casos relativamente isolados e que as estatísticas não se cansam de demonstrar serem em muito menor número em Portugal do que na maioria dos países europeus.
«Primeiro porque são números que dizem respeito apenas aos primeiros seis meses do ano, ou seja, até Junho. E que, seguramente, os factos de Julho, Agosto e este agitado início de Setembro vão fazer disparar. Depois porque dá a ideia de que a indicação dada às forças de segurança é a de encarar os últimos casos com normalidade.»
Irão fazer disparar? Se até o caso Madeleine, ocorrido em Maio, teve que ir buscar para a lista!? E a polícia deve encarar o crime como? Histericamente resultará melhor? Do que encarar com profissionalismo, como é suposto fazerem-no todos os dias, já que diariamente é esse o seu trabalho, combater o crime?
«Quando os factos contrariam os números, não há percentagens ou décimas tranquilizadoras. O que descansaria os portugueses era ver os últimos acontecimentos tratados como excepções: pelas forças de segurança e pelo Governo. Para não temerem que a violência generalizada esteja a instalar-se no País. Para poderem continuar a achar que se trata apenas de casos pontuais.»
É óbvio que não há estatística que valha a quem acabou de ser vítima de um crime. A probabilidade de nos cair um raio em cima da cabeça é desprezável de tão baixa, mas um dia que caia, de nada nos irá valer a ínfima probabilidade. O histerismo e indignação são perfeitamente compreensíveis e justificáveis vindos da boca de alguém que acabou de ser assaltado. No editorial de um jornal que se diz de referência é apenas histérico e sensacionalista.

Os factos não contrariam os números, até porque estes se limitam a contabilizar os factos. É o exagerado destaque dado a factos isolados e o nulo destaque dado à regra (ainda ontem ouvi um agente da PSP explicar que há 2 anos que não havia um assalto à mão armada em Viana do Castelo) que criam sentimentos colectivos de insegurança, sem qualquer correspondência com a realidade, mas apenas com as manchetes dos tablóides (editorial do DN incluído no lote).

Não é demais recordar: «Segundo o professor [Cândido Agra, presidente da Sociedade Portuguesa de Criminologia], Portugal é um país com medo. Ao estudar a insegurança deparou-se com um paradoxo ao mesmo tempo que Portugal é o país com o menor índice de criminalidade da União Europeia, por outro lado, é o "mais medroso", caracterizou o professor.» Isto interessa a quem? Não tem já o país problemas de sobra para se andar a deprimir com os que não tem?

quarta-feira, setembro 05, 2007

terça-feira, setembro 04, 2007

Imbecilidade do dia

«A partir de hoje, os jardins-escolas galegos dão as aulas só em galego. Também se vai ensinar um "hino galego" de um nacionalismo extremo. Composto por um poeta do séc. XIX, o hino galego, enxotando os castelhanos, canta: "Sós os imbecis e obscuros/ não nos entendem." Picardias nacionalistas, que quase todos os povos têm, e que não trazem grande mal ao mundo. Ou trazem mas não é isso que aqui me traz, mas outro mal, esse, evidente. Esta deriva galega integra-se no menosprezo de uma das grandes línguas mundiais, o espanhol, que já deixou de ser ensinada como devia na Catalunha e no País Basco, e, agora, deixará também na Galiza. Vão perder os miúdos galegos, como já perdem os bascos e catalães. Tal como os miúdos cabo-verdianos perdem por não aprender o português, mas o crioulo. Não falo, claro, na nobreza das línguas (todas são nobres). Falo da I Divisão Mundial das Línguas, onde estão o português e o espanhol. E não estão as outras nobres línguas aqui referidas.» [via]
Em itálico as informações objectivamente falsas. A pérola é de Ferreira Fernandes no Diário de Notícias, que parece esquecer a origem anti-britânica do hino português ou a marcha suicida com que termina. E fica sem explicar porque raio nos havemos de continuar a prejudicar falando e ensinando português nas escolas (ainda por cima nem sequer na sua variante mais falada, a brasileira), com o inglês universal aí à mão de semear... ou pelo menos o espanhol, tão mais falado e internacional. Mas pronto, os tachos na imprensa tuga obrigam apenas a teclar um número mínimo de caracteres, é irrelevante se as informações são verdadeiras ou se a argumentação tenha qualquer ponta por onde se lhe pegue...

10 livros que não mudaram a minha vida

Respondendo ao desafio da Shyz, cá vão os 10 livros que não mudaram a minha vida como era suposto. É claro que alguma coisa mudam sempre, quanto mais não seja, reduziram temporariamente o meu apetite literário. A ordem é aquela com que me lembrei deles.

Viagem ao País da Manhã - Hermann Hesse (quase mudava, tal a vontade de cortar os pulsos por estar a ler aquilo, acho que nunca um livro tão pequeno custou tanto a ler)

Moby Dick - Herman Melville

O Conde de Monte Cristo - Alexandre Dumas

O Manual dos Inquisidores - António Lobo Antunes

Recordações da Casa dos Mortos - Fiodor Dostoievski (sou um monstro sem coração, mas do mesmo autor amei A Submissa)

Viagens na minha terra - Almeida Garrett (leitura não concluída)

A Colmeia - Camilo José Cela (A Cruz de Santo André, do mesmo autor, foi igualmente escusado)

Um Dia na Vida de Ivan Denisovich - Alexander Soljenitsin

O Anjo Mudo - Heinrich Böll (mas o A Honra Perdida de Katharina Blum mudou e muito, recomendadíssimo)

Como procurar emprego - Guia prático - Instituto de Emprego e Formação Profissional

PS: Já esquecia, passo a bola ao dot, Cesare, Miguel, João e Eduardo.

PPS: Quem achar estranha a ausência de Ulisses e Sibila da lista, saiba que nunca tentei sequer. Já do Alexandre Herculano, pois devorei sem pesnatejar O Bobo e Eurico, o Prebítero em plena adolescência.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Publijornalismo

Hoje ao minuto 5 do Jornal da Tarde da RTP surge um directo ao El Corte Inglés de Gaia, para uma reportagem sobre o preço do material escolar. Perguntava o jornalistaa dois clientes quanto lhes custava o uniforme do colégio do filho, os pais não sabiam, pergunta então ao porta-voz do centro comercial, existem vários preços, respondeu. O jornalista público, não satisfeito, insistiu por mais 3 vezes. Tratando-o sempre por "tu", o porta-voz do El Corte Inglés foi dizendo que dependia do colégio, dependia do tamanho e que simplesmente não sabia naquele momento quanto custaria. Tudo isto, repito, ao minuto 5 do noticiário das 13h do canal público de televisão.

Já durante o fim-de-semana foram intermináveis os directos a Gaia e Porto a propósito da Red Bull Air Race, prova que contava com o apoio da RTP. Abriu telejornais, ocupou-lhes o meio e encerrava-os. A Red Bull agradece, o contribuinte paga. O jornalismo público é então, afinal, apenas publijornalismo. Não se sabendo bem quando começa o jornalismo e acaba a publicidade ou vice-versa, e sobretudo, não se sabe bem onde andará a relevância dos acontecimentos noticiados.

Não há mal sem solução e no poupar é que está o ganho. Telejornais com um máximo de 30 minutos, directos apenas em situações tipo 9/11, e desporto num programa à parte, são 3 regras simples que fariam a inexistente qualidade actual da informação da TV pública disparar para níveis razoáveis.

30 minutos chegam perfeitamente para mostrar a actualidade nacional e internacional relevante (vejam-se os bastante mais curtos noticiários da Euronews) e sobra ainda tempo para uma entrevista ou reportagem mais alongada sobre um tema que mereça ser aprofundado.

Os directos que enxameiam os noticiários são regra geral minutos de dar dó. Jornalistas frustrados a tentarem entrevistar transeuntes relutantes, pessoas cujo café é interrompido para darem a sua opinião sobre a última contratação do Benfica ou estradas cujo trânsito de fim de férias se recusa a comparecer à hora do telejornal. Tudo triste, deprimente, sem qualquer acréscimo de informação útil, tudo escusado enfim.

Finalmente o desporto, esse império de marcas e publicidade, onde os exclusivos são conseguidos à custa de copyrights, deve estar completamente fora dos noticiários. Não é suposto o jornalismo ter que pagar para exercer, logo, o dito jornalismo desportivo é algo à parte, devia ficar à parte. Sem drama. Quando Portugal ganhar um campeonato do mundo e o pessoal encher as ruas de cachecóis e bandeiras, abra-se uma excepção, até lá, não.

sábado, setembro 01, 2007

Valha-nos a UE

«O grupo dos Verdes no Parlamento Europeu vai exigir à Comissão Europeia que forneça toda a documentação relativa aos negócios da Somague que beneficiaram de apoios comunitários, revela o semanário "Expresso" na edição de hoje.»
Com o país ainda a braços com essa terrível tragédia que se abateu sobre um campo de milho do Algarve, não parece haver tempo para nos indagarmos sobre o financiamento ilegal da Somague ao PSD. O PS anda estranhamento calado, os jornalistas demasiado ocupados com espigas e o PR respira aliviado por ninguém lhe perguntar sobre o caso... até porque um PR existe para tratar assuntos de maior importância, campos de milho, está bom de ver.

Mas pronto, em Bruxelas as prioridades parecem ser outras e a corrupção governamental não é encarada com a normalidade com que é encarada por cá. Uns picuinhas.

Sapices

Há uns tempos escrevi sobre as votações on-line: «É certo que o valor, rigor, whatever, destas coisas é nenhum, mas nunca resisto a votar (...)». Nunca digas nunca, mesmo. O Sapo acabou de arranjar maneira de me fazer engolir o que disse, outro sapo portanto, pela goela abaixo.

E como se sapos faltassem neste post, ou melhor, na página de entrada do Sapo, também lá se pode ver em grande destaque a inauguração do canal de vídeo on-line do CDS-PP, com o Paulinho Portas de camisa desapertada insinuando um mamilo e revelando um bronze douradinho pelo sol, já não solário. Ui ui, upa upa. Diz que é "uma maneira informal, o mais directa possível" de comunicar, mas nós sabemos que assim não é. Nunca digas nunca Paulinho... ainda há muita pele escondida por aí!

sexta-feira, agosto 31, 2007

Então os casais não o eram apenas se fossem heterossexuais?

«Casal gay viola rapaz de 13 anos»

E mais se lê no Correio da Manhã: «Os detidos, de 22 e 42 anos, terão violado o rapaz, no início deste ano, quando a mãe o deixou aos cuidados do casal de homossexuais, porque os homens conquistaram a confiança da comunidade de Fermentões, por serem muito simpáticos e prestáveis – segundo contam agora os vizinhos.»

Antigamente no CM "casal" era um termo reservado a heterossexuais, e se aplicado a gays, seria no mínimo com umas aspas do tipo, "nao é bem, mas não achamos outra palavra". Mas eis que subitamente o CM descobre um casal gay, "simpático e prestável", e repete do título até à última frase o quão gays eles são. Fosse um casal heterossexual e a palavra "heterossexual" nunca teria entrado no relato, seriam "os pedófilos", "os abusadores". Mas desta vez, para o CM, "homossexuais" é mesmo o melhor e único adjectivo. Fica portanto aberto o precedente, casais, sem aspas, no CM, só heteros ou abusadores de menores.

E isto apenas alguns dias depois do mesmo jornal ter descoberto um "filho de dois anos entregue para actos homossexuais", que toda a restante imprensa julgava ser afinal "uma filha de 2 anos que a mãe tentou prostituir" (para actos heterossexuais, presume-se).

PS: É escusado tentarem comentar nesta última notícia o facto dos outros jornais noticiarem tratar-se de uma menina e não um menino. Os comentários no CM estão sujeitos a aprovação, e não são aprovados aqueles que apontam as mentiras publicadas pelo jornal.

E finalmente vamos poder ver os blogs liberais a dizerem mal de uma associação empresarial

quinta-feira, agosto 30, 2007

Radio Vaticana antecipa o futuro?

Um belo exemplo do perigo que paira sobre a língua. O futuro pode ser isto. Nacionalismos tontos e complexos coloniais à parte, isto interessa a quem exactamente? Talvez aos tradutores entre as duas versões da Radio Vaticana... e aspirantes a empregos semelhantes. Fora esses, não vejo a quem.

Já agora, a divisão linguística não era suposto ser uma maldição divina sobre a humanidade? Porque a alimenta a Radio Vaticana? Isto anda tudo ligado...

[Tradução brasileira: Um belo exemplo do perigo que paira sobre a língua. O futuro pode ser isso. Nacionalismos idiotas e complexos coloniais à parte, isso interessa a quem exatamente? Talvez aos tradutores entre as duas versões da Radio Vaticana... e aspirantes a empregos semelhantes. Fora esses, não estou vendo quem mais.

A propósito, a divisão linguística não era uma suposta maldição divina sobre a humanidade? Porque é alimentada pela Radio Vaticana? Isso anda tudo ligado...
]