segunda-feira, novembro 19, 2007

Prós&Prós: cadê o sr. Chávez?

Vi há pouco um anúncio ao Prós&Prós de amanhã (hoje) na RTP1. Parece que é sobre a actualidade política da América do Sul (embora seja uma má criação do pelintra que ocupa o trono de Espanha a motivar o dito cujo) e que contará para debater (em linguagem Prós&Prós quer dizer "dar palmadinhas nas costas uns dos outros") portugueses e espanhóis. Fantástica ideia! Nada como os ex-colonizadores para debaterem os desvarios dos ex-colonizados, uns indígenas sem berço nem noção...

Mas mesmo assim lamento que a Opus Dei/Fátima Campos Ferreira não tenha permitido o convite ao sr. Chávez, que passa por Lisboa no dia seguinte, e por certo não se faria rogado a aparecer. Era até da maneira que o famoso "maior debate da televisão portuguesa" seria efectivamente um debate. Mas pronto, a Opus/Fátinha lá percebeu que não lhe seria tão fácil mandar calar o sr. Chávez, como faz com os outros esquerdalhos rara/acidentalmente convidados, e decidiu cala-lo pela ausência. Bem, mas vai ser um fartote de referências ao nome do Huguito, disso não duvido. Para quando Fátinha/Dei, um programa assim sobre Angola? Ou o nosso vizinho Marrocos? O casamento gay já sei que calarás sempre, és mais casamento de bancos e tal...

sábado, novembro 17, 2007

sexta-feira, novembro 16, 2007

Aprender a dizer "obrigado" em vez de mandar mais uma bomba para o Iraque? Só podem estar a gozar comigo!

Para Bush o ensino de português corresponde a um esbanjamento inútil comparável a um museu das prisões e uma escola de vela de ensino a bordo de um catamarã. Valeu a pena apostar na amizade transatlântica, ainda que isso tenha custado a vida a algumas centenas de milhar de iraquianos, os doces frutos estão à vista. Enjoy! E thank you very nice mr. Barroso ;)

PS: Mas vendo bem isto é uma boa oportunidade para a língua, dados os actuais índices de popularidade do carrasco do Iraque, ainda vira moda na América aprender português.

quinta-feira, novembro 15, 2007

Os anti-acordo, que é como quem diz, os anti-brasileiros

Uma breve busca por "acordo ortográfico" na Technorati transforma-se rapidamente numa viagem à xenofobia anti-brasileira crescente cá na lusitana pocilga (eu às vezes fico assim meio anti-tuga, posso?). Um dos textos mais hilariantes é o desta petição "Contra o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa", contei-lhe uns 10 erros ortográficos (errados com ou sem acordo), geralmente na acentuação, mas com direito a um "distincta", assim com "c mudo", porque afinal não se lê e não, e se representa um traço de portugalidade o melhor mesmo é patrioticamente expandir o seu uso. Bom, isto tudo na ortografia, porque saltando a gramática e aterrando no conteúdo, ui ui. Por certo esta gente pensa que Camões, Eça ou Pessoa usavam todos a mesma norma ortográfica, sendo a mesma que se usa hoje (excepto esta tal gente e os teens que é + axim).

Para não perder muito tempo com essa questão, citemos então de novo Eça, agora no original, a primeira frase de A Capital: «Foi no domingo de Paschoa que se soube em Leiria que o parocho da Sé, José Migueis, tinha morrido de madrugada com uma apoplexia.» Já Os Lusíadas começavam assim: «As armas, & os barões aßinalados, Que da Occidental praya Lusitana» patati patatá, uma pena ter-se perdido o "ß", tão mais giro e prático que "ss". Já os "ll" que Pessoa ainda usava para escrever "ela" de prático nada tinham.

Esclarecido este equívoco, passemos aos restantes. Lê-se num blog encontrado por mero acaso, mas aparentemente ligado a uma editora nacional, a Frenesi:
«Será que alguma vez passou pelas meninges de intelectuais ou de académicos ingleses sugerirem aos políticos sequer que a língua inglesa fosse subvertida pelo refluxo das suas variantes faladas na Índia pelos autóctones? Será que os holandeses da Holanda falam hoje afrikander? Falar-se-á no centro de Madrid, porventura, galego, basco, catalão, ou alguma das muitas variantes do castelhano que pululam na América Latina?…

De vez em quando, em Portugal, abre-se debaixo dos nossos pés o alçapão dos curros da política nacional: é como um balneário cheio com uma equipa de futebol da 3.ª divisão ao fim de 90 minutos de jogo suado e vários dias de treino sem passar por baixo de um chuveiro, é como um sifão de sanita entupido. Exala o cheiro pestilento das conveniências calculadas lá entre os políticos de carreira. Um fedor analfabeto a militância ronceira nos partidos, a cocó sob o poleiro de empregos talhados à medida das suas armaduras…»
Que belíssima prosa, que elegância, que ironia fina, um primor! O primeiro parágrafo é especialmente ilustrativo dos dois principais motores do reaccionarismo anti-acordo: a ignorância e a xenofobia.

Por um lado confunde-se uma alteração na ortografia, algo superficial, sem qualquer influência na fala, gramática ou vocabulário, com algo profundo e radical, uma autêntica revolução, imagina-se. Quando afinal trata-se apenas de uma ténue e simplificadora reforma ortográfica - basicamente cortam-se com letras e acentos irrelevantes, por não terem qualquer leitura. E depois associa-se isso a uma viciada e nefasta influência estrangeira. Os exemplos dados na citação são um mimo de imbecilidade - já agora, em Madrid não sei, mas na minha portuguesíssima e pacata rua ouço muitas vezes falar russo (ucraniano?), caló e claro, no Verão o francês é rei e senhor.

Mas o mais ridículo de tudo é a ideia de que a influência brasileira representa uma ameaça para a língua que falamos, se o Brasil é, afinal, a sua única esperança. Se o português fosse exclusivamente falado em Portugal provavelmente já estaríamos a falar em portunhol e a médio prazo exclusivamente em inglês. A língua franca europeia, que se começa a impor nos meios académicos e financeiros de todo o continente, podendo-se já em alguns contextos falar mesmo em diglossia, creio.

O português sem o Brasil teria a importância do eslovaco. Quem é que quer aprender eslovaco? Mais vale aprender checo ou polaco, e assim entender o mais que suficiente do eslovaco. Que é como quem diz, mais valeria aprender italiano ou catalão, do que esse dialecto espanhol do lado pobre da península.

Mas este texto já vai demasiado longo quando o assunto é algo tão ténue como o acordo ortográfico de 1990. Não se trata de nenhuma revolução unilateral como a de 1911. Nem sequer da assimilação da grafia brasileira - algo que, não fosse a histeria nacionalista, seria também perfeitamente razoável e sensato. Não, isto é apenas um pequeno conjunto de simplificações, acordadas entre dois países (e mais alguns a ver de longe) como se de igual para igual pudessem falar. Não podem, mas o Brasil faz a gentileza e generosidade de parecer que sim. A tudo isto o tuguedo responde com pedras.

Atirai quantas quiserdes e vereis depois em cima de que cabeças cairão.

quarta-feira, novembro 14, 2007

O colapso do grupo de eurodeputados fascistas

Divertidíssimo, a ler aqui, aqui e aqui.

Isto não é um país sério

«Portugal vai pedir dez anos para aplicar o Acordo Ortográfico da Língua Portugal, que foi assinado há quase 17 anos e que unifica a escrita do português nos países da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).»

E porque 27 anos não passam de uma correria irreflectida:

«A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) exprimiu hoje "preocupação" pela possibilidade de o Protocolo Modificativo do Acordo Ortográfico ser ratificado sem previamente se realizar o "indispensável debate público e institucional sobre a matéria".»
Esta gente só pode estar a gozar. Não sei como o Brasil ainda perde tempo... e sobretudo não sei porque esperam os PALOP para adoptarem simples e convenientemente a grafia brasileira. Assim como assim, eu prefiro "vôo" a "voo" e "freqüente" a "frequente", coisas que se perderiam com a aplicação do acordo, para não parecer que só Portugal tinha que fazer alterações... Vá, considere-se então a língua dividida em duas e comecem-se a vender os livros brasileiros por cá, com a facilidade e quantidade com que se vendem os livros ingleses sff.

5.ª linha da página 161 e outros contos

Ora a cadeia que percorre a blogosfera lá me chegou pelo Pedro Fontela. A ideia é engraçada, mas os resultados nem sempre o serão. Em rigor o livro mais próximo seria um dicionário de bolso alemão-português/português-alemão, que na página 161 apresenta como 5.ª entrada "Orgel", "órgão" (o instrumento musical) em alemão. Descontando dicionários e livros com menos de 161 páginas, tenho então "A ilustre Casa de Ramires" do Eça, que anda para aqui aos tombos desde um post recente. Lê-se então na linha destinada: "E, riscando logo esse descorado e falso começo de capítulo, retomou o lance mais vigorosamente, enchendo todo o castelo de Santa Ireneia duma irada e rija alarma."

Mas aproveitando ter o livro à mão, esta, da pág. 114, parece-me mais oportuna:
«Vocês não compreendem... Vocês não conhecem a organização de Portugal. Perguntem aí ao Gouveia... Portugal é uma fazenda, uma bela fazenda, possuída por uma parceria. Como vocês sabem há parcerias comerciais e parcerias rurais. Esta de Lisboa é uma parceria política, que governa a herdade chamada Portugal... Nós os Portugueses pertencemos todos a duas classes: uns cinco a seis milhões que trabalham na fazenda, ou vivem nela a olhar, como o Barrolo, e que pagam; e uns trinta sujeitos em cima, em Lisboa, que formam a parceria, que recebem e que governam. Ora eu, por gosto, por necessidade, por hábito de família, desejo mandar na fazenda. Mas, para entrar na parceria política, o cidadão português precisa uma habilitação - ser deputado. Exactamente como, quando pretende entrar na Magistratura, necessita uma habilitação - ser bacharel. Por isso procuro começar como Deputado para acabar como parceiro e governar... Não é verdade, João Gouveia?»
Ora isto vem mesmo a propósito disto:
«A leitura da imprensa de ontem deixou-me mergulhado naquilo que, em literatura de aeroporto, se chama de "confusão de sentimentos". A notícia de que o Ministério da Justiça tinha comprado cinco limusinas de luxo, uma para o ministro, duas para os secretários de Estado, outra para o presidente do Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (mais que justificadamente, pois este só já tinha uns velhíssimos Audi A6 e Peugeot 404 de 2003) e mais uma para a secretaria-geral, começou por inquietar-me. Tanto mais que outra notícia me dava conta de que o OE gastará, em 2008, 3,4 milhões de euros (mais 15,4% do que este ano) com viagens de deputados. Mas que podia eu fazer? Preocupo-me em ter os impostos em dia pois alguém tem que pagar o défice (incluindo os 280 000 mil euros de vencimento do dr. Vítor Constâncio, quase o dobro do que recebia Alan Greenspan na Reserva Federal americana) e já não tenho, como a generalidade dos portugueses, mais buracos no cinto que apertar. Mas depois percebi que eram boas notícias e que, como disse o primeiro-ministro, estamos todos de parabéns pois o défice já só vai em 3%. Os funcionários públicos vão ver que os 2,1% de aumento são lapso do Ministério das Finanças. Na verdade, o aumento será de 21%.»
Do séc. XIX para cá, se alguma coisa mudou, foi a parte do "governar". Alguém me sabe dizer ao certo para que serve o Banco de Portugal na era do Banco Central Europeu? Agradeço encarecidamente. Da Assembleia da República e Justiça já estou bem informado.

terça-feira, novembro 13, 2007

Vão, portanto, correr com os desorganizados, coitados

Copy&Post

«Revela o "Expresso" que Paulo Portas, uma semana antes das eleições de 2005 que o afastaram do Governo, mandou copiar nada mais nada menos que 61 893 páginas de documentação que se encontrava no seu gabinete do Ministério da Defesa. Muitos desses documentos eram, segundo a empresa de digitalização encarregada do serviço, confidenciais. Portas garante que se tratava apenas de "notas pessoais". Estranho, no entanto, é que, sendo "notas pessoais", boa parte (diz Portas) sobre o CDS, não as tenha simplesmente levado consigo e as tenha mandado copiar… Feitas as contas, enquanto foi presidente do CDS e ministro da Defesa, Portas terá, assim, escrito 24 páginas de "notas pessoais" por dia, incluindo domingos, feriados e dias santos de guarda. O que dá algo como uma página de "notas pessoais" por hora, mesmo no banho e mesmo durante as horas de merecido sono (pelos vistos, não é só Deus que não dorme, Portas também não). Onde param agora os documentos (alguns teriam, ainda segundo a empresa de digitalização, inscrições como "Iraque", "NATO", "ONU" ou "Submarinos") só Portas e Deus sabem. O que eu não faria com toda essa documentação!, os lucros, designadamente políticos, que não tiraria dali! Mas eu sou um crápula, e felizmente Portas é um homem honrado.»

domingo, novembro 11, 2007

Não terá antes rogado encarecidamente?

«Cimeira Ibero-americana: rei de Espanha manda calar Hugo Chávez» - título da Lusa.

«Rei Juan Carlos insta Hugo Chávez a calar-se no último dia da Cimeira Ibero-Americana» - título do Público.

A falta de chá do rei de Espanha

Aos reis das democracias europeias cabe o papel de cicerone, anfitrião de bailes e jantaradas diplomáticas, acenador ao povo e paparazzi e... pouco mais. É por isso que essas democracias com reis podem ser democráticas, ao contrário das monarquias asiáticas e africanas, onde os reis têm reais poderes, e logo, a democracia não tem lugar.

Foi nesse papel que João Carlos de Espanha recebeu ao longo de décadas alguns dos mais sanguinários monarcas das Arábias ou ditadores fascistas da América do Sul. Sempre com um sorriso e mil e uma etiquetas. É esse o seu papel. E a hospitalidade hipócrita sempre foi um dos mais importantes pilares da paz entre as nações.

Por tudo isto não há desculpas para o "porque não te calas?" que dirigiu a Hugo Chaves na cimeira iberoamericana. Que Chaves seja ele próprio trauliteiro não é novidade, e há muito que é unânime. Aznar tem as costas mais largas, mas trauliteiro é e será. Traulitadas são luxo de quem é eleito, que o diga Jardim eleito já sei lá quantas vezes (pois, também não há limites na Madeira) para insultar constantemente a mão que o alimenta.

Mas que o João Carlos deixe o papel decorativo para se dedicar ao mesmo desporto já é outra conversa, ninguém votou nele para isso. E que depois ainda saia porta fora, qual puto mimado amuadinho, apenas faz com que a diplomacia espanhola surja aos olhos do mundo como infantil e hormonal.

Não, as lutas de galos não são exclusivo tuga. Mas isto de haver garnisés à mistura, na Iberoamérica, é exclusivo espanhol.

PS: Por certo que o João Carlos é, à custa da sua traulitada, o herói do dia para os mais ofendidos com as traulitadas chávicas. Isto das traulitadas depende sempre de onde soprem...

sábado, novembro 10, 2007

Scandinavian cuisine


Sem tempo para comentar revistas parvas que entrevistam alucinados para tentar vender mais cópias (alguns alucinados, não todos). E já atrasado para divulgar a festa do 10º aniversário do CCGLL e entrega dos arco-íris. Deixo-vos então, para compensar, com as dicas de um chef escandinavo (sueco? dinamarquês? norueguês? alguém distingue?) que faz jus aos melhores estereótipos do tipo: alto, louro, espadaúdo e despido de pruridos. Há mais três receitas no YouTube.

quinta-feira, novembro 08, 2007

Bom tempo

No país em que o prenúncio de sol e temperaturas altas em pleno Novembro, depois de um Outubro idêntico, é dado com um sorriso de excelente notícia, vale mesmo a pena ver este Photoclima:Imágenes de un futuro afectado por el cambio climático (.pdf) editado pela Greenpeace Espanha (que parece incluir Portugal).

Trocar o nome dos personagens para avaliar a qualidade da trama

Aparentemente nem toda a gente percebeu a minha troca neste post. Explico-me então. Argumentos há que pela aparente subtileza, pelo apelo aos nossos preconceitos mais inconscientes, nos parecem à primeira vista sensatos, razoáveis, muito diferentes de outros. O truque de trocar os personagens da argumentação, no caso americanos em vez de gays, é óptimo para se avaliar isso mesmo. O mais simples é trocar gay por hetero, mas nem sempre funciona. Hetero é a hegemonia, é invisível pela via da omnipresença, pelo que é fácil dizer que tanto se rejeita um rótulo como outro. Além de que a própria referência a uma orientação sexual tende a sexualizar imediatamente o que lhe rodeia, ao contrário de uma referência à convicção religiosa por exemplo, apesar de toda a gente ter uma e outra. Façamos outra troca:
«Não existe o “muçulmano”. Existem atos muçulmanos. E atos cristãos. Eu próprio, confesso, sou culpado de praticar os segundos (menos do que gostaria, é certo). E parte da humanidade pratica os primeiros. Mas acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada. É elevar a religião a condição identitária. Sou como ser humano o que faço na minha igreja. Aberrante, não?»

Ou então: «Não existe o “jornalista”. Existem atos jornalísticos. (...) Mas acreditar que um adjetivo se converte em substantivo é uma forma de moralismo pela via errada. É elevar a profissão a condição identitária. Sou como ser humano o que faço no meu emprego. Aberrante, não?»
A palermice e hipocrisia deste argumento mil vezes usado, e nem por isso gasto ou fora de moda, fica assim muito mais clara do que estava na versão original. Onde todos os fantasminhas sexuais se uniam para lhe dar alguma credibilidade.

Definimo-nos e classificamo-nos uns aos outros segundo mil e um critérios, sendo a orientação sexual um deles. E uns e outros fazem mais ou menos sentido referir neste ou naquele contexto. Se falamos de relacionamentos, de família ou casamento, a questão da orientação sexual está sempre presente. Ainda que não explicitada, por presumida - e presume-se sempre a mesma, já se sabe. Daí a importância de se sublinhar que não é essa, quando é o caso, claro está.

Ateísmo evita que septuagenário faça parte da tragédia dos peregrinos a Fátima de Castelo Branco

terça-feira, novembro 06, 2007

Polémica: cartaz de festival de cinema americano usa imagem de criança

O Festival de Cinema Americano de Barcelona promove-se este ano com um cartaz que tem como fundo a foto de uma criança de cerca de 10 anos. A polémica começou de imediato: "americanizar as crianças espanholas é um dos objectivos de Hollywood", "na América existem até associações de defesa da pedofilia", "alguém explica porque há-de uma criança de 7 ou 8 anos converter-se num ícone de Hollywood", "ao domínio do império americano não escapam nem as criancinhas", foram alguns dos mimos lançados por César Vidal, uma conhecida figura anti-americana de Espanha.

Mas logo surgiram centenas de defensores deste crítico, até mesmo do lado de cá da fronteira. Dizendo que acusa-lo de anti-americanismo era viciar o debate à partida, impedindo que o mesmo se realize. "Existe o direito de criticar este cartaz?" é agora a pergunta lançada, esquecendo o tom virulento das primeiras críticas e o facto de ninguém ter tentado calar o seu autor - apenas se deduziu o óbvio, eram críticas baseadas apenas na xenofobia anti-americana. Os organizadores do festival mostram-se surpreendidos com as reacções, explicando que a polémica imagem é apenas uma citação cinéfila. Guess what, também há crianças na América, e consequentemente, nos filmes americanos.

domingo, novembro 04, 2007

A audiência rénica aposta na Dinamarca

Apesar de ser a Irlanda o único país onde já está confirmado o referendo (e que já disse Não no passado), a audiência rénica aposta na Dinamarca para estragar a festa de Sócras & Cª. Aguardemos. Mas para ser uma aposta ganha basta que se marque de facto um referendo na Dinamarca, e que tal aconteça antes dos outros, disso não duvido.

Fascismo

«(...) Tipo luta de galos. Até que se lembraram dos nagalhos com que se atam fardos de palha. E obrigaram - "ouviram-nos dizer, ou vais buscar ou…" - o "tolo" a ir buscá-lo ao alpendre onde passa as noites. Foi ele que contou tudo na manhã de domingo.

"Com esse é que é gozo", diz Luís, enquanto descansa de um dia de trabalho ao balcão d'"O Regional". Porque esse é simples e faz o que lhe mandam. Com o outro "desgraçado" era um "gozo que não é gozo". O "reinar saudável", ninguém se chateava, não, João "não era o bobo da corte". Quer dizer… "Aquilo que lhe diziam a ele não me diziam a mim…" E o culminar desse gozo? "A brincadeira podia ser normal se o atassem por uns segundos para a gente se rir… A partir daí já não é normal…"

Manuel Oliveira, 73 anos e sem queixa de ninguém, acredita que "os rapazes" que fizeram aquilo "nunca pensariam, talvez, que ele morresse". "Uma coisa que eu tenho para mim é que não o deviam ter abandonado. Faziam isso, sim, mas ficavam a ver a situação do homem". A normalidade…
(...)»

sexta-feira, novembro 02, 2007

Ainda os rankings

Ontem passei uma vista de olhos ao suplemento sobre os rankings do secundário publicado com o JN. As páginas do suplemento não se resumiam a infindáveis listas de escolas, havia vários anúncios a colégios para o ilustrar. Registei ainda outra curiosidade, a escola no último posto também era privada, mas não se viu em lado nenhum a manchete que lhe corresponderia na bovina lógica da imprensa: "Pior escola do país é privada".

É claro que não resisti a espreitar como estaria a minha antiga escola e as suas vizinhas. Curiosamente a posição nos últimos anos têm variado imenso, do top100 ao top 400, o que por si só é revelador da irrelevância da coisa. As escolas privadas das redondezas ficam ligeiramente acima e abaixo, e todas muito longe dos colégios que motivaram as tais manchetes arrasadoras para o ensino público.

Recordo que no meu tempo um dos colégios tinha umas instalações no mínimo pobres, sem laboratórios ou ginásio p.ex., e como na generalidade das escolas privadas, os professores eram os que não conseguiam colocação numa escola pública. Mas mesmo assim nunca lhe faltaram alunos. As razões que levam os pais a colocarem os alunos numa escola privada raramente tem que ver com uma suposta melhor qualidade educativa, isso é coisa recente. No meu tempo pelo menos, era comum ouvir como motivos a exclusividade (social, política, religiosa e étnica, i.e., sem pobres, comunistas, não-católicos ou ciganos), a segurança (portões sempre fechados, o aluno não se pode baldar) e os horários (mais convenientes aos encarregados de educação). Eram estes, e só estes, os motivos que levavam os pais a escolherem uma escola até pior equipada e sem qualquer mais-valia educativa comprovada.

Como é óbvio nem todos os pais e mães com poder económico para escolherem um colégio se deixam levar nessa cantiga. É a esses que é dirigido o actual golpe mediático da suposta "melhor qualidade dos privados", que longe de estar provada, está até em vários casos específicos comprovadamente errada. Não comprem gato por lebre, quando a lebre é um direito que não se vende.

terça-feira, outubro 30, 2007

A distopia liberal sobre a escola pública

Série de artigos do Pedro Sales sobre a "polémica" dos rankings, de leitura obrigatória no Zero de Conduta: I, II, III e IV.

E ainda em defesa da educação pública, ler também "Diz que é uma espécie de governo socialista".