terça-feira, novembro 27, 2007

Entretanto em Alcácer-Quibir, um sinal de D. Sebastião

«Una supuesta boda homosexual en Alcazarquivir, (norte de Marruecos), inmortalizada en un vídeo realizado con un móvil que desde hace días se puede ver en Internet, ha soliviantado a los islamistas y provocado la detención de seis personas, informó ayer la agencia oficial de noticias marroquí MAP.

Uno de estos detenidos, Fuad Afrirt, que según la prensa local es uno de los contrayentes, acudió el jueves a la policía para pedir protección.

El resultado fue que los agentes le detuvieron, aunque se desconocen los cargos de los que se le acusa. No se ha divulgado tampoco la identidad de los otros detenidos, de las que MAP precisó que pasarán a disposición judicial.

La práctica de la homosexualidad es delito en Marruecos y se castiga con penas que van de los seis meses a los tres años de cárcel.

En el vídeo se veía una fiesta, al parecer celebrada el 18 y el 19 de noviembre, en la que participaban hombres-algunos vestidos con ropas femeninas- y varias mujeres.

Manifestaciones contra los homosexuales

El pasado fin de semana, varios grupos islamistas radicales, mayoritarios en Alcazarquivir, convocaron manifestaciones de protesta contra los homosexuales. Pidieron también el castigo de quienes participaron en la celebración.

Además de provocar numerosos comentarios en la prensa nacional y local, este asunto ha llegado incluso al Parlamento del país.

El presidente del grupo de la formación islamista Partido de la Justicia y del Desarrollo (PJD) en la Cámara de Representantes, Mustafá Ramid, llegó a calificar la unión entre dos hombres de "otra forma de acto terrorista, en el país del príncipe de los creyentes" (éste es el título religioso del rey Mohamed VI).»

Mas Marrocos fica onde mesmo? No fim do mundo por certo, vá, voltemos à Venezuela e ao Zimbábue, tão mais próximos.

Diz que é uma espécie de agência noticiosa

O Brasil entrou pela primeira vez no grupo dos países com alto desenvolvimento do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Veja-se como noticiou tal facto a Agence France-Presse: «Brasil aparece em último lugar entre países com maior desenvolvimento humano». A legenda da foto do presidente brasileiro é menos trágica: «Brasil de Lula pode melhorar». C'est comme ça.

Era a versão portuguesa deste partido sff

segunda-feira, novembro 26, 2007

Anita + atrevida by dr. maybe


Estas duas magníficas respostas do desafio aqui lançado são da autoria do dr. maybe (a primeira estreada aqui). De repente fiquei com uma dúvida, sendo a Anita original um símbolo burguês e conservador q.b., estas novas versões serão então politicamente correctas, certo? Será que devia mudar o nome da série de posts?

Patrulhamentos de bits e bombardeios de papel

«Essa patrulha ideológica, vigiando cada distracção, cada frase mal pronunciada, cada piada ou anedota, cada opinião, cada divergência, cada afrontamento, cada violação das regras linguísticas do "politicamente correcto", é que me parece contraproducente.»
Pois, a mim também parece contraproducente. Aliás, a minha discordância em relação à reacção das Panteras Rosa (que não foi a reacção de todo o movimento, e muito menos de todos os gays e lésbicas) estava sobretudo no tom, estilo e importância dada ao caso. Porque eu não coloco em causa que a assimetria existe. O que sei é que essa assimetria deve ser denunciada com mil paninhos quentes e só com casos "óbvios", sendo que muitas vezes nem o sangue "basta" para o serem.

É que à mínima crítica mais exacerbada logo chovem colunas de jornal sobre "patrulhamentos ideológicos" e "faltas de liberdade" - é por isso que são contraproducentes. Não por acaso, a crónica do Francisco José Viegas foi, salvo erro, a primeira impressa sobre o tema. É que o malfadado lobby só tem os blogs ao dispôr do "patrulhamento". Um bocadinho pífio e inofensivo, não? É escusado tanto berreiro hetero, mais valia o orgulho!

PS: Afinal o DN de hoje também traz outra coluna sobre o tema, mas demasiado palerma para ser linkada, embora não para ser impressa no jornal. Contraproducente, sem dúvida.

Anita + atrevida

Já há uns tempos que reparei nesta deliciosa publicidade à loja de souvenirs do site Rue89. Mas só agora descobri a sua origem. Como já deduziram, "Martine" é o nome francês (e o original) da célebre Anita, heroína de uma série de livros iniciada nos anos 50, que conta as primeiras experiências de vida de uma burguesa acomodada ao mundo machista em que vive.

Ora em Outubro fez furor na internet francófona o Martine Cover Generator, que como o nome indica, era um gerador de capas alternativas dos livros da Martine. O anúncio do Rue89 é um dos resultados, mas há outros ainda mais giros, como "Martine escapa ao seu teste de ADN" ou críticas ao encerramento do site. Pois é, por pressões dos editores, o site, apesar do imenso sucesso, durou pouco. É pena, nem o pude testar. Mas se alguém quiser e souber fazer uma versão portuguesa, não duvido que alcançará igual sucesso. Com o google e o meu programinha de desenho o melhor que consegui foi isto:

"Anita suicida-se" também era giro. Mas não será difícil fazerem melhor que isto, é o desafio que vos lanço, os leitores sem blog podem enviar as suas Anitas + atrevidas para o correio do renas (renaseveados[a]gmail.com). Vamos lá fazer com que a Ana pareça uma menina do coro.

sábado, novembro 24, 2007

Atenção às bocas emissoras do sistema


A alegria do Parlamento português tragicamente interrompida por uma flagelação pelo frio. Vídeo do Zero de Conduta. Para quem ainda acreditava que estar com Alegre não era estar com uma boca emissora do sistema, acho que este vídeo acaba de vez com a crença...

Respostas que interessam


Na altura da coisa estava sem tempo e pachorra para comentar o caso. Mas são precisamente estes casos que merecem respostas exaustivas... Ou então bem humoradas, como esta do Bruno Nogueira, via Fuckitall.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Cortina de fumo: o iberismo é que está a dar

Pelo menos entre os laureados com o Nobel da literatura que tenham casa de férias em Portugal. Anda pelos 100% o apoio à causa nessa camada da população... Curiosamente a oposição à reunificação alemã também terá tido mais ou menos esse valor percentual no segmento referido.

quinta-feira, novembro 22, 2007

Feminista ou tonta?

Tonta claro. As campanhas da Tagus primam por serem tontas, e mais nada... não vale a pena reflectir muito sobre o que nunca foi reflectido antes.

Uma campanha alegre

Acho que era dos poucos bloggers tugas que ainda não tinha usado o título do Eça, ei-lo, e a propósito, ainda, da campanha da Tagus - nome que, pelo menos entre os activistas gays, de sofá ou não, já ganhou enorme notoriedade nos últimos dias.
"Queremos colocar a marca no radar do consumidor". Com estas palavras, Sérgio Henrique Santos, director de planeamento estratégico da Lowe, justifica o título do manifesto «Assuma a sua heterosexualidade sem vergonha», criado pela agência para a Tagus.

A campanha contará, numa primeira fase, com mupis de divulgação e propõe criar a "primeira comunidade virtual portuguesa para todos homens e mulheres". De acordo com Sérgio Santos, o "Orgulho Hetero", nome desta acção, vem "criar um território de verdades, com uma mensagem mais irreverente", diz, Mesmo assim, descarta totalmente a possibilidade de gerar-se polémica, até porque, como sublinha, "só queremos criar buzz". E explica: "A barreira de qualquer marca é a indiferença e, como estamos a falar de uma que tem um budget baixo em relação a outras marcas de cerveja, temos de criar notoriedade em torno dela". Além de que, prossegue, trata-se tão só de "uma brincadeira, pois não estamos a formular qualquer juízo de valor".

A partir do site, que estará online esta sexta-feira, os internautas terão a oportunidade de fazer amizades, ao mesmo tempo que entram em contacto com a Tagus. A ideia é que a "marca fale com as pessoas e não para as pessoas", pois, "com uma campanha moderna e clean", queremos provar que existem mais do que duas marcas cervejas em Portugal", conclui.

Esta notícia diz tudo, ou quase. Baixo orçamento, mercado dominado pelas super-poderosas Sagres e Super Bock, procure-se então um pouco de "buzz", mas nada de polémicas, que isso é coisa mais pesada, pode correr pior. Ora nada melhor que uma indirecta à gayzada para gerar o tal buzz. E o "buzz" já ferve pela internet. A Tagus agradece.

Qual é o problema? À partida nada de grave, é só um buzz, passa depressa, como o vento. Mas o movimento gay perde assim uma fantástica oportunidade para estar magnanimamente calado, colhendo os frutos mais tarde. Eu explico, e na verdade é tudo muito simples. Aliás, é tudo muitíssimo complicado, mas na era dos buzz e dos soundbites, é forçosamente simplificado.

Sim, quem já trabalhou e participou no Orgulho Gay e nas suas reivindicações tem motivos para se sentir ofendido com esta campanha. Todo o trabalho, suor, privações e provações para o construir são subitamente caricaturados para vender cerveja. Quem perdeu já horas de vida a explicar que o Orgulho Gay não é o "Orgulho em se ser gay", mas o orgulho em ser capaz de dar cara, de vencer os obstáculos, de lutar contra a homofobia, que o Orgulho Gay pode ser o orgulho de qualquer hetero que se junte à luta, fica necessariamente furibundo ao ver surgir uma "causa hetero" promovida pela cerveja, que se resume a um site de engates hetero, igual a milhões de outros sites, embora este claramente mais sujeito a ser dominado por rapazes virgens.

É claro que gritar "sou hetero" numa sociedade onde a heterossexualidade é a hegemonia, é chover no molhado. É que "somos todos hetero" até prova em contrário. A Sagres e a Super Bock nunca usaram a palavra "hetero" na sua publicidade porque não precisaram, porque está lá, sem ser preciso estar. Tal como os reality shows de engate, cenas de um casamento, etc, nunca a usaram. Toda a gente pressupõem que seja para heteros, sendo que muita dessa gente desconhece ainda a palavra.

O "hetero" só passa a fazer sentido a partir do momento em que o "gay" começa a fazer-se notar. Nesse sentido este "Orgulho Hetero" é até um sinal positivo, mostra que há uma brecha na hegemonia. Que o gay já se faz notar ao ponto de haver marcas de cerveja que acham que pôr um bando de rapazes a mandar piropos à empregada do bar já não chega para marcarem a sua heterossexualidade.

É tudo tremendamente vazio de conteúdo, e nada explicitamente homofóbico. Exacto, esta campanha não é explicitamente homofóbica. É sobretudo tonta, e claro, só possível num contexto de muita homofobia ainda enraizada, mas não vincula as mensagens que aqui se quer crer que passam. É por isso que me oponho frontalmente contra essa simplificação e presunção. Porque dessa simplificação facilmente nasce outra, "se o orgulho hetero é homofóbico, então o orgulho gay é heterofóbico". E a maioria das pessoas nunca gastará mais segundos de reflexão sobre o tema que isto.

É óbvio que não existe uma simetria entre uma coisa e outra, entre ser gay e hetero, entre ser discriminado por se ser gay e uma hipotética discriminação por se ser hetero. É por isso que faz sentido um Orgulho Gay e não um Orgulho Hetero. Mas é, ou não, essa simetria o nosso objectivo final? A plena igualdade, o dia em que o Orgulho Gay seja tão desnecessário e tonto quanto este? Ora se esse é o objectivo, não vale a pena criar guerras com uma campanha assente numa falsa simetria, mas falsa apenas porque ainda não real, embora há muito sonhada.

Aquilo que o movimento gay pode e deve exigir à Tagus, é que esta mostre que o seu Orgulho Hetero é tão aberto e inclusivo quanto o nosso Orgulho Gay. Ou seja, a Tagus devia ser convidada a patrocinar e a comparecer nas próximas marchas do Orgulho LGBTA (A de aliados) com o seu carro do Orgulho Hetero. Só depois de recebida a resposta a esse convite, se poderiam tirar, ou não, outras conclusões. Até lá, é tudo na base da precipitação, i.e., do precipício.

Nunca nos esqueçamos. Só as vítimas não gostam de estar no seu papel, mas nunca foi preciso ser vítima para alguém se sentir vitimizado. O Pacheco Pereira chora-se pela "tentativa de silenciamento do seu blog" e chorará sempre, por mais vezes que seja linkado e citado nos jornais. Não ofereçamos à Tagus numa bandeja de prata o papel de "vítima da heterofobia", please. Há coisas tão mais importantes com que nos ocuparmos. Façamos o humor e não a guerra. É uma campanha para heteros, não é? Pois que sejam os heteros a preocupar-se com ela... e a aguentarem goela abaixo o inenarrável sabor de uma Tagus.

PS: Já a Super Bock e a Sagres supostamente são para todos mas só mostram "gajas boas" nas suas publicidades, isso sim é invisibilidade e indiferença.

O feriado que falta

Adivinhem quem faz anos no próximo domingo? Acertaram, o bom do Eça fará 162. Devia ser feriado, mas não é, já se gastou o 25 do mês seguinte com um excelente carpinteiro, não duvido, embora da Palestina! Coisas da globalização... Seja como for, aqui no renas, devotos só do Eça. Vai daí, são-lhe dedicados os próximos dias, com votações (ver ao lado), citações e outras bloguices que ocorram. Que a mordacidade e espírito crítico queirosianos estejam sempre convosco.

quarta-feira, novembro 21, 2007

Sobre a Venezuela: uma só voz e meias palavras em Portugal

Excelente post do Daniel Oliveira. As poucas notícias que nos chegam da Venezuela (exceptuando os casos de emigrantes portugueses raptados) não passam nunca de caricaturas da realidade, descontextualizadas e contendo muitas vezes erros grosseiros e até mentiras flagrantes. "Regime de Chávez" diz a locutora da SIC, como dizem todas as outras - a peça da RTP consegue ser até um bocadinho mais maniqueísta. E viva o pluralismo democrático e a diversidade opinativa! O rigor da informação e o sentido crítico!

PS: Também é giro o beija-mão do Portas ao ditador tunisino. Mas Tunísia, que é isso? No fim do mundo, mais longe que Barcelona e o camandro... sem interesse jornalístico possível, claro.

OrgulhoHetero.com em inglês

«The building block of Western civilization has been the Nuclear Family. StraightPride.com staffers, like billions of others living out our 'lifestyle,' believe that family, morals, and pro-creation are the backbone of our well-being.

We are not homophobic.
We do not hate gays.

StraightPride.com IS against gay marriage and civil unions. Why? That is an easy question to answer- the well being of CHILDREN. It is an undisputable fact that the best home for children is an intact, two-parent, married mom (female) and dad (male).

Sexes are not interchangeable. Boys cannot learn how to become healthy men from even the most loving mother (or pair of mothers) alone. And girls cannot learn how to become healthy women from even the most loving father (or pair of fathers) alone. Weakening the family and undermining the values that support it will ultimately destroy our society and dramatically impact religious civil liberties.

Weakening the family harms individuals, and especially children. We should always want and ask for the best for our children - we should never settle. By legalizing same-sex marriages, and/or allowing civil unions, we are saying that these 'same-sex marriages/unions' are the same as man and woman marriages, that they're equal. Well, they're not. It can not be argued that a child brought into a same-sex 'union' will have the same benefit as motherhood and fatherhood. StraightPride.com believes that it is wrong to re-define a marriage and a sacred 5,000-year old institution. Please visit our 'Save America' section - and decide for yourself how best to put a stop to gay marriages and civil unions.

This is Straight Pride dot com»
Ainda bem que nos calhou antes a cervejita das tunas... mesmo.

Os patrocinadores da Presidência da União Europeia

Que giro, não fazia ideia que uma presidência da União Europeia tivesse patrocinadores. A portuguesa, pelo menos, tem: Microsoft, a ex(?)-anti-paneleira Galp ou o grupo Sumol (o do "Orgulho Hetero"), etc... Qual será a contrapartida do patrocínio? Mistério... Já o patrocínio dos eleitores diz-lhes cada menos... Mas a União Europeia é o exemplo de democracia pró mundo, claro, isso não está em causa, era o que faltava que estivesse!

Os heteros não bebem cerveja, bebem cevada!?

Curiosa a nova campanha publicitária da cerveja Tagus (ver em www.orgulhohetero.com). Tratando-se de uma cerveja foleira e marginal, faz-se assim de uma assentada ao mercado maioritário, dando-se ao luxo de repelir logo à partida os restantes consumidores - no que à orientação sexual diz respeito. Ou talvez não.

A campanha goza e mimetiza o Orgulho Gay e as reivindicações associadas, mas em vez de lutar por direitos civis, visa vender cevada acervejada. É um pau de dois bicos. Se o menosprezo pelos que lutam por uma sociedade igualitária no que concerne às sexuais orientações é evidente e intencional. Também não deixa de, indirectamente, aligeirar e popularizar os termos. Algo benéfico já que a expressão "orgulho gay" sempre soou muito pesada e controversa aos ouvidos do "cidadão comum", incluindo o "cidadão gay comum". E o termo "heterossexual" ainda cria confusão em muitos ouvidos, nomeadamente de heteros.

Espero curioso pelos resultados nas vendas. Não duvido que muitos gays estarão na linha da frente da bebericagem do heterossexual produto. Será uma forma de descarregarem muita homofobia interiorizada acumulada. Por outro lado, também os homofóbicos conscientes aderirão entusiasmados. A minha dúvida está mesmo em relação à atitude do "cidadão heterossexual comum". Desconfio que uma cervejita alternativa que se promove com "orgulhos heteros" lhes soe tremendamente gay.

Mas sobretudo espero que o movimento gay nacional saiba dar a devida importância às coisas, e não sirva de combustível para impulsionar as vendas de tão medíocre produto. É precisamente com isso que estarão a contar os marketeiros da Tagus, que por certo tomam como real a caricatura que fazem do movimento. Não lhes dêem esse gostinho, please.

A democracia espanhola

Parece que o que está a dar agora pelo mundo da bloga tuga é discutir a democracia venezuelana. Tudo bem, é capaz de ser giro, mas eu confesso-me demasiado distante e desinformado dessa realidade. Vai daí, apetece-me antes discutir a democracia aqui do lado.

Relembremos alguns factos históricos. O chefe de estado espanhol é-o desde 1975, sem nunca ter ido a eleições, e foi indicado por Franco, o ditador sanguinário que o precedeu. Antes que alguém venha comentar do referendo, relembro que isso aconteceu depois, já o Juanito era rei, e o referendo não foi sobre a monarquia, mas sobre a constituição, que entre outras coisas, aceitava a monarquia já reinstalada. Bom, isto é história, falemos de factos mais recentes.

A revista "El Jueves" foi retirada dos quiosques espanhóis por ordem da justiça, que considerava a capa criminosa. Além da censura imediata à revista, recentemente a mesma foi condenada ao pagamento de multas. A razão de tudo isto foi um cartoon sobre a única obrigação do príncipe herdeiro (gerar mais herdeiros) que ilustrava a dita.

Falando nos príncipes, no ano passado, dois republicanos foram agredidos pela polícia e passaram a noite na cadeia por, na presença das altezas, terem gritado "Viva a República!" e agitado bandeiras republicanas.

Entretanto no País Basco mil e uma confusões. Partidos proibidos, dirigentes desses mesmos partidos presos (sem que tenha sido provado qualquer acto de violência cometido pelos mesmos), até uma vila que com meros 27 votos é entregue ao PP - já que a oposição foi impedida participar na eleição. Mais recentemente o líder do governo autonómico propôs um referendo sobre a independência do basco país, proposta prontamente rejeitada pelos partidos dominantes em Espanha - "é ilegal", justificaram, e mais ameaçaram com perdas de autonomia.

Entretanto sai a condenação de 2 jovens de Barcelona que queimaram uma foto do rei, 2730 euros cada um e um cadastro manchado. Durante o julgamento os dois jovens falaram em catalão, língua que o juiz rejeitou de imediato: "un ciudadano español de 30 años conoce y entiende perfectamente el español con lo que no a lugar a un traductor". Assim as suas declarações não foram registadas, nem tidas em conta no julgamento. Já esta noite mais cerca de 60 pessoas queimaram fotos do rei na cidade durante mais uma "manifestação ilegal".

Bom e que nos diz isto tudo? Que a democracia espanhola, como todas as outras, está longe de ser perfeita. Tem mesmo leis profundamente anti-democráticas. E objectivamente existem presos e condenados políticos em Espanha. Mas, mesmo assim, e sobretudo tendo em conta a situação da maioria dos regimes em vigor no planeta, é uma democracia. Mas não é impossível argumentar o contrário. Ser republicano ou independentista catalão, basco ou galego, p. ex., exige uma enorme paciência e auto-contenção face a todos os obstáculos legais à promoção desses mesmos ideais políticos.

Pronto, já desenjoei de todo o paternalismo colonialista pseudo-democrático que se lê por aí nestes dias... sem que se tenha metade do zelo com regimes que nos estão muito mais próximos. A última vez que vi tanta gente preocupada com a democracia de uma república longínqua, deu no que deu...

À atenção dos juízes portugueses




Já antes mostrei aqui esta campanha brasileira, mas o que é excelente vale sempre a pena rever. E que falta faz em Portugal uma campanha assim!

terça-feira, novembro 20, 2007

Os juízes da sida

Que dizer disto? ... fica difícil comentar, ainda por cima não é novo. A justiça reincide nesta questão e volta a colocar em risco a saúde e a ordem pública. Debater a sentença é o pior que se pode fazer neste momento, era suposto estarmos todos muito mais à frente do que isso. A questão é então, quem raio são estes juízes, de onde vieram, que formação tiveram? O que tem que ser questionado neste momento é, antes de qualquer outra coisa, isto.

PS: Entretanto também se pode assinar esta petição.

PPS: E claro, também se pode boicotar esta rede de hotéis. Aliás, deve-se. Relembro que o Tribunal da Relação de Lisboa considerou provável que fosse servida comida nos restaurantes da SANA Hotels contendo sangue, suor, lágrimas ou saliva dos funcionários da cozinha, e até ao momento não houve qualquer reclamação por parte dos responsáveis pelo grupo hoteleiro em relação a essa alegação. E a ASAE espera o quê para ir averiguar?

E tão fixes que são as guerras civis...