sexta-feira, dezembro 07, 2007

E se um coro não for suficiente, chamem a Björk


As bandeiras nos ombros da deusa islandesa são as da Gronelândia e das Feroé (ambas colónias dinamarquesas), mas esta canção promete fazer sucesso em muitas outras paragens, da Catalunha ao Kosovo. O mau gosto jardinense deverá contudo servir de filtro na Madeira. Já se o Norte tivesse uma bandeira, hoje ia para rua cantar isto com ela ao vento... poupam-se os tímpanos da vizinhança. A não ser que encontre uma da minha freguesia. [via]

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Direito à indiferença

Uma reportagem do The New York Times sobre famílias judaico-cristãs e a competição entre Natal e Hanucá que por vezes isso gera. Entre vários exemplos familiares, o de Rick Draughon (cristão), Scott Gamzon (judeu) e Noah, o seu filho adoptado. Suponho que este tipo de cobertura jornalística, com gays visíveis mas sem um assunto gay ou o termo sequer, só seja possível com mentalidades já mudadas. Suspiro...

Curioso também como ao longo da reportagem coisas como a árvore ou o pai-natal são vistos como símbolos óbvia e indiscutivelmente cristãos. Creio que faria bem à harmonia familiar se estas pessoas fossem de férias a Tóquio ou Singapura em Dezembro (nunca fui, mas diz que...).

Coros de queixas (literalmente)


Agora que entramos na época da música coral por excelência, uma espreitadela às novas tendências do género. Coros de queixas! O primeiro coro de queixas organizado enquanto tal foi o de Birmingham, logo seguido pelo de Helsínquia (aqui em cima) e o de Hamburgo. Até já há um infantil, o de Poikkilaakson. O surpreendente é ainda não haver nenhum coro português nesta rede global de queixosos cantores. Já agora, as queixas de Budapeste devem ser as que mais nos dizem (a da carrinha dos gelados é a minha favorita).

Mas há pelo menos duas performances apadrinhadas pelo Gato Fedorento que merecem menção (aqui em baixo). Só falta profissionalizarem-se e lançarem um sistema de franchising ou coisa que o valha, todas as cidades portuguesas deviam ter um coro destes. Queixas por certo não faltarão.



4 pessoas detidas em Vigo por mais uma queima da foto do João Carlos

Para que não se pense que o culto de personalidade não é para levar a sério, das moedinhas aos selos, até às leis especiais contra opositores, upa, upa. Tendo isto acontecido a cerca de 30km da fronteira portuguesa, temos o dever de solidariamente aproveitar os últimos magustos para assar algumas Holas e Caras que tenham a real focinheira na capa.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Um Natal porreiro, pá!


Uma adenda a isto (ou não fosse esta rena ultra-sexy). Via Womenage. Na Webboom. E para quem não se lembra, o vídeo original.

PS: A publicidade está giríssima, mas este blog não recomenda a compra de livros das editoras portuguesas para presentes de natal, em jeito de boicote pelo boicote por estas anunciado. Sendo a Webboom propriedade de uma dessas editoras, também não recomendamos qualquer compra através desse site. Melhor procurar nos ".com.br".

Percebemos que o nosso blog é pura perda de tempo inconsequente quando...

...nos deparamos com o empreendedorismo e sentido prático da blogosfera alentejana. De Beja, para ser mais exacto:
«PEDIDO DA ADMINISTRAÇÃO

Meus amigos, o Gayengatesbeja tem agendada desde há algum tempo uma orgia, como devem ter conhecimento. No dia 1 de Dezembro realizámos uma mini-orgia, que por questões de logística, foi muito limitada, só tendo podido participar 6 elementos, mas que correu muito bem, felizmente.
Em relação à grande orgia, em que o número de participantes é muito maior, e que já está em preparação desde Setembro, deparámo-nos com, um problema de última hora. Estava prevista a realização da mesma, num monte alentejano (quinta), nos arredores de Beja. Por questões de força maior, a pessoa que nos cede esse espaço, só o vai poder disponibilizar em Janeiro, o que nós agradecemos imenso. Contúdo, e para dar seguimento às nossas promessas (não somos como o Governo), pedíamos a colaboração de uma alma caridosa, qualquer um de vós que tenha um espaço discreto e que esteja disponível para disponibilizá-lo para organizar-mos a nossa grande orgia, nós agradeceríamos imenso. De preferência no Alentejo, s enão for possível, noutra zona qualquer.
Se houver por aí alguem que tenha uma casa, um espaço qualquer que disponibilize por umas horas, à noite, para a realização da orgia, que entre em contacto connosco para o nosso mail gayengatesbeja@gmail.com
Imediatamente entraremos em contacto.
Muito obrigado a todos!

Gayengatesbeja.... "um por todos, e todos por um!"»
Do Alentejo mas com alcance global, "noutra zona qualquer". E com necessidades globalizadoras, atente-se:
«Onde andam os brasileiros, mulatos e negros???

O Gayengatesbeja, lança mais uma vez o desafio a Brasileiros, Mulatos e Negros!
Face à grande procura por parte dos nossos utilizadores, lançamos o apelo a brasileiros, mulatos ou negros, quer sejam bi, gay ou hetero, para que nos contactem via mail, a fim de bons momentos! Contacto: gayengatesbeja@gmail.com

Esperamos por vocês!»
Sim, "ou hetero", porque isto é um blog inclusivo e acolhedor:
«Gostarias de ter sexo com um homem pela primeira vez, mas tens receio? O Gayengatesbeja pode ajudar-te a resolver o teu problema de forma simples e completamente gratuita.
Temos uma equipa jovem, dinâmica e pronta a ajudar-te!
Nada tens a temer, basta simplesmente quereres descobrir os prazeres da vida!
De forma completamente sigilosa e descontraída, ajudamos-te a passar do sonho, ou do mero desejo oculto à realidade! Para qualquer esclarecimento ou questão contacta-nos através do nosso endereço de correio electrónico:

gayengatesbeja@gmail.com

Temos tudo o que tu procuras! Gayengatesbeja... deixa-te seduzir!»

Mas sem receio de polémicas:
«É curisoso como este blogue veio agitar as águas na cidade de Beja. A região em nada estava habituada a iniciativas pioneiras deste género. Um dos nossos objectivos é tentar criar abertura de mentalidade nas pessoas, em particular dos alentejanos.»
Salva a eventualidade de encontrar um equivalente nortenho, esta é definitivamente a descoberta blogosférica do ano. Um grande bem-hajam para os companheiros de luta alentejanos :)

Tem a palavra a anjinha da diocese católica de Nova Iorque

O mais seguro será mesmo evitar que a ocasião aconteça, concluiu o clero nova iorquino.

terça-feira, dezembro 04, 2007

E’ Natale? Scopiamo?

Se a blogosfera de direita fizesse um intervalo na discussão do "quão nazi podes ser até que isso me comece a incomodar", veriam que este Natal é muito mais propício à Guerra anunciada no ano passado em Portugal, e há 2 nos EUA. É que nunca os anúncios natalícios estiveram tão sensuais. Depois da cristianização e consequente mercantilização, teremos a sexualização da festa invernal como via para a repaganização? Assim o espero.

E as operadoras móveis esmeraram-se. Festas de Natal com Marilyn Monroes e rapazes giros emplumados ("O Natal pode ser como você quiser, com a TMN a magia é sua"), raparigas giras em lingerie fazendo sensuais bolhinhas de sabão ("Este Natal dá o teu melhor. Com o melhor de ti, Optimus") ou pais-natais dormindo entre giros rapazes com ar de quem se prostituía por uma banda larga ("Nunca o pai-natal foi tão amigo. Viva o momento, Vodafone"). Claro que há sempre a possibilidade de ser eu o eterno optimista que em tudo vê sinais de luxúria e hedonismo. Mas se calhar estão mesmo lá. E para que não restem dúvidas pode-se comprar uma das t-shirts do Oliviero Toscani, "É Natal? Fodemos?" - o lucro até vai para obras de caridade, como convém na época.

João Jardim sem preconceitos contra o Irão


Foi o que garantiu durante a inauguração da Embaixada (oficiosa) da Madeira em Lisboa. Estará a pensar num programa nuclear para a Madeira?

PS: E ninguém lhe pergunta pelo Principado da Pontinha, que anunciou recentemente (vi na SIC, mas não acho o vídeo) que irá declarar a independência da Madeira na noite de fim de ano? Com direito a foguetório e tudo, garantiu o homólogo pontinhês de Jardim.

O maior do maior

Tinha prometido postas queirosianas aos molhos, mas afinal foi a Anita que tomou conta cá do curral. Não é grave. Do Eça não há muito a dizer, é lê-lo, lê-lo sempre. E o Eça favorito pelos rénicos leitores é o que leram no liceu: "Os Maias", com 49 votos, também a escolha de Saramago, lê-se na capa da edição inglesa. Segue-se "O Crime do Padre Amaro" (28), tendo por perto dois romances de reconciliação com o país e a sua ruralidade, "A Ilustre Casa de Ramires" e "A Cidade e as Serras", ambos com 20 votos. As restantes obras somam 32 votos. Todos merecem ser lidos. Saem mais baratos que esses calhamaços pseudo-históricos agora em voga, e dão muito mais gozo. É de apetite, hem?

domingo, dezembro 02, 2007

Alguns mais parecem buracos negros, tal a carência

Já não há mesmo cuzinho que aguente a conversa da "ditadura do politicamente correcto". Quer dizer, exceptuando os rabos dos directores dos jornais portugueses, que diariamente publicam crónicas de denúncia da tal ditadura, exactamente iguais às do dia anterior e às que se seguirão amanhã. Nunca que se viu ditadura tão silenciosa e com oposição tão histérica - bizarro no mínimo.

Mas ela existe, ela está lá. Porque cada vez que alguém vem com a lengalenga do politicamente correcto, está a dizer ao mundo nas entrelinhas, "eu queria dizer outra coisa, mas não posso, porque depois dizem que eu sou mau e feio e tal seria insuportável para mim, que nunca ouvi disso, que não sou desse nível". E o que eles queriam mesmo dizer é que a paneleirice é uma nojeira, que as mulheres deviam estar era na cozinha, que os pretos só servem pras obras e que o comunismo devia ser criminalizado. Aliás, eles não queriam dizer nada disso. Queriam apenas, singelamente, que isso continuasse a ser a regra sem que se tivesse sequer que falar no assunto, que fosse assim e pronto. Porque falar, por si só, nessas coisas, é uma seca, um descer de nível, um horroroso perder tempo com irrelevâncias, enfim.

Como, então, falar nisso sem ter que falar? Defender isso sem ter que argumentar? É aí que entra a ditadura do politicamente correcto, e é tão fácil! É uma verdadeira dádiva divina. "Estou sem inspiração nenhuma para escrever hoje.. ah já sei, a ditadura do politicamente correcto!" - pensa o esforçado cronista. E depois é só dar uma vista de olhos na imprensa, ou melhor, na bloga ou nos jornais estrangeiros, sempre férteis nestas nojeiras, e zás, já está. O Mário Soares foi a uma conferência sobre o lugar da mulher na religião? Tungas que já almoçaste, ditador anti-cristo do PC! A Tagus decide reformular uma campanha publicitária? Eh lá, qualquer dia há genocídios politicamente correctos! Alguém ousa criticar num blogue a publicidade milionária que a televisão pública oferece diariamente à igreja? Arre pra censura politicamente correcta, daqui a nada estão a fuzilar padres! And so on...

É simples, é fácil, e alimenta muitas bocas. Nos jornais paroquiais, tal como nos nacionais, já ninguém quer outra coisa. Ainda mais agora, que está quase a chegar a altura da "Guerra ao Natal", que é sempre um fartote! "Boas festas", p. ex., transforma-se em 2 ou 3 linhas num fanático slogan ateu. E o melhor desta ditadura é que evita essa coisa horrorosa que é debater dados concretos, falar sobre a realidade para além das torres de marfim, chamar os nomes das coisas às ditas, contra-argumentar, enfim, é quanto se poupa.

Claro que há sempre quem acabe por se fartar com tanto não-dito tão explícito, mas... e é esse o encanto da ditadura politicamente correcta, fica tão fácil lidar com isso: pronto, passou-se, da cabeça e para o lado dos patrulhadores da ditadura! Estou profundamente ofendido e amuarei uns tempinhos, mas descansem, logo logo volto ao mesmo.

sábado, dezembro 01, 2007

1 de Dezembro: não se pode confiar em ninguém

(foto do PD via Cenas)
«À margem das cerimónias oficias, membros do PNR, vestidos de preto como é habitual, gritavam palavras de ordem enquanto seguravam cartazes onde se podia ler «Mugabe é racista e não é bem-vindo».

A pé e de carro seguiram em marcha, autorizada pelo governo Civil, até ao Terreiro do Paço.»
O Mugabe não é bem vindo por ser "racista" dizem os nazis!? E é isto que escolhem dizer no 1 de Dezembro? Nem um "morte a Espanha"? Umas castanholas a arder? Uma montra da Zara enfarinhada? Nada? É isto agora a celebração da restauração? "Mugabe racista não és bem-vindo"? Phone-ix! E os que já cá estão, para onde se deportam?

sexta-feira, novembro 30, 2007

O acordo e o mercado africano

Vale a pena ler o dossiê de ontem do Público sobre o acordo ortográfico. Para os editores portugueses o que está em causa é sobretudo África, onde são reis e senhores sem esforço (exceptuando uns problemitas). Com o acordo a coisa deixa de ser assim fácil, e pior, até por cá haverá concorrência. Resumindo, uns estão preocupados com a manutenção dos seus negócios fáceis, recusando ver que oportunidades não faltam com o acordo, e outros estão preocupados com o futuro da língua. Estou naturalmente entre os segundos. E por isso espero sinceramente que atrás do Brasil siga Angola e Moçambique, para termos o prazer de ver os editores portugueses a gritar nas ruas pela aplicação do acordo.

Entretanto, falando de livros, Angola e de editores portugueses:

«A publicação de "Purga em Angola", polémico ensaio sobre o sangrento contragolpe de 27 de Maio de 1977 no seio do MPLA, tem valido aos seus autores, o casal de investigadores Dalila Cabrita Mateus e Álvaro Mateus, uma série de "ameaças e tentativas de intimidação", confirmadas, ao JN, pelos próprios. Além disso, é quase impossível encontrar o livro à venda.

(...) A docente universitária garante também que "uma semana antes do lançamento, quando os autores ainda não tinham visto o livro, já na Embaixada de Angola alguém se gabava de o ter e de o ir mandar para Angola".

As suspeitas adensaram-se a partir do momento em que a tiragem rapidamente esgotou e, apesar das sucessivas promessas nesse sentido, o stock não foi reposto. "Há praticamente um mês que não existem livros à venda", acusa Dalila Cabrita Mateus, para quem "não admira que, com esta embrulhada, apareçam pessoas a dizer que boa parte da edição foi vendida a Angola para ser queimada. Ou, então, a afirmar que Angola comprou a distribuidora e esta retirou os livros do mercado".

Carlos Araújo, editor da ASA responsável pelo livro, desmente eventuais pressões sofridas e atribui à situação interna da empresa, adquirida há cerca de dois meses pelo grupo de Miguel Paes do Amaral, as dificuldades no lançamento de uma nova edição. (...)
»
Passaria o mesmo se a editora fosse brasileira?

Anita + atrevida by Eduardo


Do Agrafo, obrigado!

Anita + atrevida by Max

Do Devaneios Desintéricos. Que ainda descobriu estas:

"Anita descobre a Playboy"
"Anita, merda, a minha pílula!"

Se fosse "phoda-se" eu trocava de número


Phone-ix (diz-se fónix), a nova rede de telemóveis dos CTT.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Anita + atrevida by MVA


A saga da Anita + atrevida continua, desta feita pela mão do Miguel, obrigado! Continuem a blasfanitizar para renaseveados(a)gmail.com.

terça-feira, novembro 27, 2007

Entretanto em Alcácer-Quibir, um sinal de D. Sebastião

«Una supuesta boda homosexual en Alcazarquivir, (norte de Marruecos), inmortalizada en un vídeo realizado con un móvil que desde hace días se puede ver en Internet, ha soliviantado a los islamistas y provocado la detención de seis personas, informó ayer la agencia oficial de noticias marroquí MAP.

Uno de estos detenidos, Fuad Afrirt, que según la prensa local es uno de los contrayentes, acudió el jueves a la policía para pedir protección.

El resultado fue que los agentes le detuvieron, aunque se desconocen los cargos de los que se le acusa. No se ha divulgado tampoco la identidad de los otros detenidos, de las que MAP precisó que pasarán a disposición judicial.

La práctica de la homosexualidad es delito en Marruecos y se castiga con penas que van de los seis meses a los tres años de cárcel.

En el vídeo se veía una fiesta, al parecer celebrada el 18 y el 19 de noviembre, en la que participaban hombres-algunos vestidos con ropas femeninas- y varias mujeres.

Manifestaciones contra los homosexuales

El pasado fin de semana, varios grupos islamistas radicales, mayoritarios en Alcazarquivir, convocaron manifestaciones de protesta contra los homosexuales. Pidieron también el castigo de quienes participaron en la celebración.

Además de provocar numerosos comentarios en la prensa nacional y local, este asunto ha llegado incluso al Parlamento del país.

El presidente del grupo de la formación islamista Partido de la Justicia y del Desarrollo (PJD) en la Cámara de Representantes, Mustafá Ramid, llegó a calificar la unión entre dos hombres de "otra forma de acto terrorista, en el país del príncipe de los creyentes" (éste es el título religioso del rey Mohamed VI).»

Mas Marrocos fica onde mesmo? No fim do mundo por certo, vá, voltemos à Venezuela e ao Zimbábue, tão mais próximos.