quinta-feira, dezembro 20, 2007

O fundamentalismo é tal que qualquer dia proibem um gajo de conduzir alcoolizado...

Fónix: a reacção do Vaticano ao "A bússola dourada"


E eu que nem estava nada virado para o ir ver, cheirava-me a senhores dos anéis, afinal lá terei que ir... Ter a Nicole era meio caminho, o Vaticano dizer fónix é o meio que faltava.

Site oficial aqui, trailer legendado acolá e o livro além.

Longe de mim simpatizar com o ministro...

Mas desta vez esteve mesmo muito bem.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Se a homofobia mata muita gente...

A homofóbico-fobia mata muito mais. É pelo menos esse o parecer de Nuno da Câmara Pereira, fadista monárquico e, nas horas vagas, deputado - por obra e graça de Santana Lopes - encarregue de deitar ao lixo as petições dos cidadãos homofóbico-fóbicos.

Pouco importa ao caso que NCP seja militante de um partido prestes a ser extinto por falta de militantes, uma cunha santanista é uma forma tão ou mais democrática de chegar ao parlamento que o voto consciente e esclarecido num partido. Por isso nem vale a pena reclamarem que a petição tem mais assinaturas que o PPM votos e militantes somados, porque.. bem, porque isso é paleio de intolerante com a intolerância e a cunha, duas instituições nacionais, que se souberam preservar melhor que a monarquia.

Uma pena o Santanás não ter ficado mais tempo em S. Bento, ainda veríamos o Duartinho (aquele senhor de bigode que gosta que o tratem por "dom") em Belém, como o menino Jesus. O Cavaco é que lixou tudo.

Wanda Sykes on gay marriage


Brilhante. Via Inbetween.

A miséria

A discussão que o patronato/CDS tem criado em torno do aumento do salário mínimo (que aliás estava já discutido, em tendo-se palavra não haveria o que discutir) é tão absolutamente miserável que até custa falar no assunto. Basta olhar para o salário mínimo da Grécia (668€) para se perceber o atraso em que estamos - ou será que a economia grega sempre a par da nossa, ou um passinho atrás até, de repente transformou-se num "dragão mediterrânico"?

E também não é difícil perceber que quem aufere o salário mínimo em Portugal é pobre. Trabalha a tempo inteiro, paga impostos, mas é pobre. O anunciado aumento de 5% mal cobre a inflação, que para quem é pobre será mais alta do que para quem é rico, pois quem é pobre não compra, p.ex., material informático, que contribui para uma baixa no cálculo da dita cuja. Enfim, tudo isto é triste e reles, e não é, certamente, motivo para o Sócrates se gabar.

Ler mais sobre o caso no Zero de Conduta e no Ladrões de Bicicletas.

Rio de Dezembro


Só hoje me deu para ir procurar ao YouTube o tão falado vídeo do gang da Ribeira, aka Grupo Terrorista da Ribeira, ei-lo. Fiquei no entanto com a dúvida se se pode classificar como um coro de queixas ou não, o género musical que recomendo para estes dias invernosos. Seja como for aqui fica, que a divulgação da nova música portuguesa nunca é demais. Ou sim. Mas giro giro era mandar estes meninos à Eurovisão, não havia máfia de Leste que travasse a vitória tuga :) Será que as pulseiras electrónicas funcionam em Belgrado?

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Como é que se sai da UE?

De tudo o que já ouvi dizer do Tratado de Lisboa (o 3.º), o que mais me agradou foi a possibilidade de um estado-membro abandonar a União Europeia, situação que não estaria prevista em nenhum outro documento. Escrevo "ouvi dizer" porque naturalmente não li as 287 páginas da sua versão em PDF, e muito menos todas as milhares e milhares de páginas subjacentes - como ouvi de um eurodeputado qualquer, as 287 páginas são só a ponta do icebergue.

Isto vem a propósito da ideia de referendar a continuação de Portugal na UE, lançada por alguns opositores ao referendo ao Tratado de Lisboa (TL). É um pouco misturar alhos com bugalhos. Mas é pena que ninguém agarre o repto. É que a UE é-nos apresentada desde que me lembro como 1) uma gorda e generosa teta de dinheiro e 2) uma absoluta inevitabilidade histórica sem qualquer tipo de alternativa.

O argumento de que o TL é inreferendável é bem ilustrativa da ideia de que Portugal na UE não fala, ouve - mais realidade, do que simples ideia. E com o TL falará ainda menos do que até aqui. Deviam agarrar-se antes ao argumento de que os políticos foram eleitos, e desde sempre que os eleitos são do clube Bruxelas-sim-sim. Claro que esse argumento tem o seu calcanhar, já que os eleitos actuais também o foram com a promessa de um referendo...

Mas voltemos à questão da continuação na UE, essa sim interessante. O repto não foi agarrado e não era para ser, era pura retórica para assustar - oh, sair da UE, a tragédia, as trevas! Mas porquê?

A participação de Portugal na UE só poderá ser democrática se for uma escolha livre, e só pode ser uma escolha livre se houver alternativas. Desde 1986 que a adesão é uma contingência, e não será um referendo sob o signo da ameaça que vai transformar isso numa escolha. É por isso que é tão importante que surja no panorama político, à esquerda ou à direita, um plano de saída da UE credível.

Olhe-se por exemplo para a Islândia, que está aberta à UE (é parte de Schengen) sem dela fazer parte (está na EFTA, onde também estivemos), vive da pesca (coisa que também tínhamos antes de 1986) e está em 1.º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Sim, a vida, incluindo a boa, é possível fora da UE. Só não há quem ouse propor tal coisa em Portugal.

Note-se que não digo que apoiaria tal plano, digo apenas que ele é necessário, urgente até. O eurocepticismo é a receita ideal para transformar o nosso euroconformismo em real e produtivo euroentusiasmo, que não vá atrás de tudo o que lhe mandam. É preciso vermos a porta de saída para podermos escolher ficar cá dentro.

De "impolítico" é que isto não tem nada

«Sei que é impoliticamente correcto falar de crucifixos, presépios e outros símbolos religiosos, sem imediatamente invocar os símbolos de todas as outras religiões do mundo, como se pudéssemos apagar o nosso passado e fingir que não pertencemos a uma civilização marcada pelos princípios judaico-cristãos.»
E a ladainha do "politicamente incorrecto" atinge um novo nível... é o PiC 2.0, pela mão de Isabel Stilwell, que a versão 1.0 já estava demasiado gasta, foi um fartote no natal de 2006, há que inovar portanto.

"Onda de homicídios no Porto" afinal não era apenas exagero da imprensa

quinta-feira, dezembro 13, 2007

O futuro presidente do Conselho Europeu

Como se faltassem razões para apreciarmos o cachorrinho europeu nº1 de Bush... ou para dizermos ámen ao novo tratado. Vídeo em versão original aqui.

Gatofobia tem cura

Quando é que fazem o mesmo com os homofóbicos?

A assinatura e os beijinhos

Pelo meio do bovinismo da emissão pela RTP da assinatura do novo tratado europeu (só comparável ao bovinismo das emissões pela mesma estação das cerimónias de Fátima) sempre houve oportunidade para nos rirmos um pouco. A eterna bebedeira de Sarkozy brilhou. Mas houve outros momentos mais curiosos, como a insistência de Sócrates e Amado em cumprimentarem de beijo todas as mulheres, mesmo quando estas estavam já de mão estendida, ou o embaraço de ambos em receberem os beijos da comitiva italiana. A igualdade desconcerta-os. Tal como desconcertou algumas das políticas nórdicas o cumprimento desigual.

Lembrei-me logo deste post do Opaco com o mapa de França dividido por número de beijos que é usual dar-se. Mas ainda mais interessante do que esse, seria um mapa europeu que ilustrasse os locais onde os cumprimentos são igualitários, sejam beijos ou cumprimentos de mão.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Beijinhos SICk

Já tinha comentado n'Os Tempos que correm que o novo anúncio da Dolce & Gabbana era giro e tal, mas eh... ainda deixava muito a desejar. Cito-me: «um beijo demasiado curto, num anúncio demasiado irreal, a um produto luxuoso (caprichoso?), e os beijantes são o reflexo de si próprios». Ora acontece que até então só tinha visto o anúncio na RTP, e agradou-me o facto de o ver durante o dia e não atirado para o final da emissão. Mas eis se não quando o sintonizo na SIC, e... saltaram a parte do beijo! Ainda pensei que fosse distracção minha, mas pouco depois lá passa a versão a terminar com as meninas, clones uma da outra, e... abraçadas também, sem beijo. Na SIC, o beijinho já de si breve e auto-contemplativo, sumiu. Cadê? Porquê?

Já agora, e na TVI, alguém sabe se passa, quando e como?

Onde é que isto vai parar!?

Assim começou o Jornal da Tarde da RTP, pela voz de Carlos Daniel, a propósito de um homicídio de um segurança do Porto. Lanço a mesma pergunta, mas antes a propósito do jornalismo sensacionalista da RTP. Onde é que isto vai parar?

Pior. Além do tom "conversa de café" e do histerismo com que são apresentados os serviços noticiosos da televisão pública (com a falta de qualidade e rigor da privada posso eu bem, não me sai do bolso), nem sequer os casos de faca e alguidar aos quais a TV decide dar máxima importância são apresentados com um mínimo de profundidade. Quais moços de recados do palhacinho de serviço, todos acorrem a interrogar o governo. Mas ninguém é capaz de fazer as perguntas verdadeiramente incómodas e a quem de direito. Quantos agentes da PSP são também seguranças? E de que forma isso interfere com a investigação?

Agora, falar em "guerra" ou "onda de homicídios" no país onde só no ano passado pelo menos 39 mulheres foram assassinadas pelos maridos ou companheiros, sem que tais casos tenham sido notícia fora das páginas do CM e JN, é um bocadinho despropositado não? Ou será que há assim tantos espectadores que sejam seguranças da noite do Porto e devam por isso ser alertados via RTP?

sábado, dezembro 08, 2007

Ecologismo tablóide

«Pode uma acção ambientalista, promovida por um jornal de grande circulação, ser prejudicial para a Europa? Ao que parece, sim, sobretudo se o jornal em causa for o alemão "Bild", a publicação com maior audiência no país, e a acção ambientalista, da Greenpeace, for um apagão eléctrico de cinco minutos, com vista a sensibilizar os participantes da Cimeira das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, em Bali, Indonésia.

Como é óbvio, um apagão de cinco minutos em toda a Alemanha (país com mais de 80 milhões de habitantes) não é uma medida suficiente para alterar a produção de energia eléctrica. É por isso que algumas associações ambientalistas alemãs desvalorizam esta iniciativa apoiada pelo "Bild" e cerca de outras 40 organizações ambientalistas.

Mas se houver muitos alemães a aderir ao apagão, previsto para hoje, entre as 19 e as 19.05 horas (hora de Lisboa), "há sérios riscos para a rede de abastecimento de energia europeia, em que a produção e o consumo têm de estar permanentemente em equilíbrio", explicou um responsável da RWE, a maior empresa energética europeia.

A fonte de preocupação para as companhias de electricidade é o facto de várias empresas, como a BMW, Bosch, Telekom e T-Mobile aderirem à iniciativa. Se se apagarem milhões de luzes ao mesmo tempo, tal poderá desligar parte da rede eléctrica da Europa devido aos sistemas automáticos de segurança.
»

Mas o que importa é que em Bali se sensibilizem... raisparta a palermice.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

E se um coro não for suficiente, chamem a Björk


As bandeiras nos ombros da deusa islandesa são as da Gronelândia e das Feroé (ambas colónias dinamarquesas), mas esta canção promete fazer sucesso em muitas outras paragens, da Catalunha ao Kosovo. O mau gosto jardinense deverá contudo servir de filtro na Madeira. Já se o Norte tivesse uma bandeira, hoje ia para rua cantar isto com ela ao vento... poupam-se os tímpanos da vizinhança. A não ser que encontre uma da minha freguesia. [via]

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Direito à indiferença

Uma reportagem do The New York Times sobre famílias judaico-cristãs e a competição entre Natal e Hanucá que por vezes isso gera. Entre vários exemplos familiares, o de Rick Draughon (cristão), Scott Gamzon (judeu) e Noah, o seu filho adoptado. Suponho que este tipo de cobertura jornalística, com gays visíveis mas sem um assunto gay ou o termo sequer, só seja possível com mentalidades já mudadas. Suspiro...

Curioso também como ao longo da reportagem coisas como a árvore ou o pai-natal são vistos como símbolos óbvia e indiscutivelmente cristãos. Creio que faria bem à harmonia familiar se estas pessoas fossem de férias a Tóquio ou Singapura em Dezembro (nunca fui, mas diz que...).

Coros de queixas (literalmente)


Agora que entramos na época da música coral por excelência, uma espreitadela às novas tendências do género. Coros de queixas! O primeiro coro de queixas organizado enquanto tal foi o de Birmingham, logo seguido pelo de Helsínquia (aqui em cima) e o de Hamburgo. Até já há um infantil, o de Poikkilaakson. O surpreendente é ainda não haver nenhum coro português nesta rede global de queixosos cantores. Já agora, as queixas de Budapeste devem ser as que mais nos dizem (a da carrinha dos gelados é a minha favorita).

Mas há pelo menos duas performances apadrinhadas pelo Gato Fedorento que merecem menção (aqui em baixo). Só falta profissionalizarem-se e lançarem um sistema de franchising ou coisa que o valha, todas as cidades portuguesas deviam ter um coro destes. Queixas por certo não faltarão.