quinta-feira, janeiro 31, 2008

Quem é que precisa do acordo? Já de emprego...

Anúncio aqui, site da empresa acolá. Só não entendi bem se o anúncio está escrito em português de Portugal ou do Brasil... suponho que por culpa do meu monolinguismo em Português do Entre Douro e Minho :( Mas "full-time" parece-me ser português do Algarve. [Via Rapariga em Flor]

quarta-feira, janeiro 30, 2008

E os heteros descobrem a promiscuidade

Esta reportagem da RTP (on-line ainda só a apresentação) promete! Gosto especialmente da parte "não há números oficiais", e espero que o INE não volte a cometer semelhante omissão no próximo Census.

domingo, janeiro 27, 2008

Subscrevo

1) A petição de solidariedade para com os professores de La Sapienza que tiveram a ingenuidade de acreditarem serem livres de condenar o convite à papista figura para que presidisse a abertura do ano lectivo na universidade. São agora insultados e ameaçados por meio mundo. Eu quero continuar a ser ingénuo e acreditar que se pode criticar o Bento sem sofrer represálias apenas por isso.

2) Braga-Porto em 40 minutos. Os argumentos desta petição, dirigida à CP, podem ser lidos neste blog.

3) Fim às excepções na lei do tabaco. Ainda sem link, pede-se o favor à Fernanda Câncio de colocar o seu artigo de hoje na Notícias Magazine no petitiononline.com (ou similar) que a gente assina por baixo, em 2 ou 3 dias seremos mais que os da petição das discotecas, tenho a certeza.

É nestas alturas que lamento a inexistência de um inferno

O Suharto esticou o pernil.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Castedo hits the news

É o furo noticioso da semana, já lidera o top do Sapo. A série de telefonemas do e para o INEM a propósito de uma vítima de uma queda em Castedo, Alijó, Trás-os-Montes, que a SIC exibiu nos seus noticiários. Enorme indignação com as falhas e demoras na assistência um pouco por todos os média, blogs incluídos. Mas dois curiosos pormenorzinhos não parecem merecer atenção entre os indignados: 1) a vítima, de acordo com os familiares que ligaram para o 112, já estava morta e 2) será normal que telefonemas desta natureza sejam exibidos na praça pública? Será que as pessoas que falam nos ditos deram autorização à SIC para que exibisse as suas conversas? É isto decente?

Por certo que há falhas nos serviços de emergência em muitos locais do país, sobretudo os menos habitados, e por certo que é assunto para merecer toda a nossa atenção e indignação. Mas e o respeito pela privacidade alheia? Perdeu-se por completo na era da reality tv? Se calhar sou eu que estou a ficar um prude, mas para mim este tipo de jornalismo é absolutamente sick. Não é com voyeurismos oportunistas que chegamos a um bom retrato do estado do SNS a nível nacional, nem na hipermediatização de casos que há uns meses atrás não chegariam sequer ao jornal local por não interessarem a determinadas agendas. Sick, sick, sick.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

La sapienza, ou a falta dela

Esta estória do papa ir discursar na abertura do ano lectivo de uma universidade romana tresanda desde a primeira hora, e tornou-se tão abjecta que nem consigo escrever sobre o assunto. Fico-me pelo lamento de ver tanta gente com inteligência suficiente para não cair no conto do vigário, agora papa, a fazê-lo. E pela satisfação de ainda poder encontrar gente capaz de ver as coisas com clareza e olhar crítico, ainda que correndo o risco de serem apelidados de "politicamente correctos", "laicistas" ou mesmo "jacobinos", enfim, proscritos na era do endeusamento da má política, i.e., do politicamente incorrecto. A ler então: no Womenage à trois, no Quase em português e no Arrastão, entre outros. Tudo textos curtos, porque a realidade é muito simples. E tudo em blogs, que nos jornais só parece haver espaço para a superstição e desonestidade intelectual. Ares do tempo...

PS: Outro ar do tempo é a paranóia em relação à pedofilia. Curioso como Ratzinger é imune à mesma, mesmo tendo escrito em 2001 uma carta a ordenar o silenciamento dos casos de abuso sexual de crianças por membros do clero. A ordem nunca terá sido revogada, tanto quanto se sabe, e o caso praticamente só teve cobertura no jornal britânico Guardian - razão pela qual nunca é demais lembra-lo. Tanto alarmismo e ninguém é capaz de exigir o óbvio? Que a igreja denuncie os casos de abuso de que tem conhecimento? Pelos vistos, não. Ares do tempo...

Literacia enfumarada: o contributo da RTP

Parece que hoje o tema do famigerado Prós & Contras será a nova lei do tabaco. Se bem me lembro nunca o programa discutiu este assunto, nomeadamente aquando da sua discussão no parlamento, altura em que poderia ter dado um contributo à mesma. Aprovada e aplicada a lei vai-se discutir o quê? Soa a golpe anti-lei, como o que o deu o sr. ASAE no casino. Serviço público, pois.

Mas os disparates da RTP não se ficam por aqui. Duas belas peças noticiosas aumentaram a confusão no Jornal da Tarde de hoje. Primeiro a confeitaria Cunha no Porto, que se queixa de uma diminuição na ordem dos 70% em número de clientes por causa da nova lei e que por isso pede a suspensão da mesma. Garanto que o dizem com o ar mais sério do mundo. Além da ameaça no ar de despedimentos, fica-se a saber que a confeitaria Cunha tem várias salas isoladas, pelo que não teria a menor dificuldade em criar zonas para fumadores, mas publicitar a ignorância injustificada é sempre mais divertido.

Logo de seguida o "bom exemplo", um café em Viana do Castelo, maioritariamente frequentado por fumadores, "aliás, o lado dos não-fumadores está vazio", diz a jornalista. O que a jornalista não diz é que a separação entre a zona de fumo e a de não-fumo é feita por uma fitinha isoladora mágica. Sim mágica! Impede milagrosamente a passagem de fumo de um lado para o outro. Ou isso, ou o tal café vianense está em flagrantíssimo incumprimento da lei. Cadê a ASAE? E a jornalista da RTP não se deu ao trabalho de ler a lei que dá mote à sua reportagem porquê?

Mas pronto, nem todo o trabalho se perde, vale o depoimento da fumadora que diz, "por um lado até aceito que ninguém é obrigado a levar com o fumo dos outros, agora, isto toda a vida foi assim". Esclarecedor, para quem ainda duvidava que divisão em relação à lei está entre os que apregoam a tradição e os que defendem a racionalidade.

Sobremesa lusófona (to be served after the sardines)


Desde a Bicha do Demónio que um vídeo não me fazia rir tanto, o Show da Roberta é provavelmente o melhor vídeo dos Incorrigíveis.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Casamento: boas e más notícias

Anglicização em curso

O país dos Chicos Espertos dá lugar ao país dos Chicos Georges. Se estavam à espera de uma anglicização que imitasse o ar sem fumo que se respira lá nas Anglias ou a responsabilização dos políticos e seus nomeados, esqueçam, aqui a coisa fica-se pelos nomes, que a letra é morta.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Teste: Que tipo de activista gay és tu?

Imagina que és um activista gay e és contactado por um tablóide a propósito de uma muito mal contada estória sobre uma nova infecção supostamente em crescimento na população gay norte-americana. Como respondes?

A) Rejeitas o alarmismo precipitado e desinformado. Recordas a história da SIDA, concluindo que as doenças não têm orientação sexual e esse tipo de simplismos apenas contribui para a disseminação das mesmas.

B) Apoias o alarmismo, instando as autoridades a adoptarem-no. Mencionas o preservativo, mas apenas para sexo com "estranhos" (sic), e isso embora as informações existentes sobre a nova bactéria digam que a transmissão não é prevenida pelo mesmo. E insultas os homossexuais que frequentam saunas e quartos-escuros.

Se respondeste A és um activista responsável e inteligente, ganhas um prémio arco-íris. Se respondeste B não és um activista gay, voltas à casa de partida e devolves as tuas plumas, porque de moralistas parvos já está o país cheio, não precisa de mais alguns em formato rosa choque, adeus e obrigado.

Amigas xequieráute I ear screams!

Este blog tem estado em subpostagem e é fácil explicar porquê, todo o meu tempo on-line tem sido usado para ver e rever a saga da Bicha do Demónio (I, II, III, IV, V, VI, VII e Especial Natal). Que mais dizer? Que é preciso ser uma bicha muito desinformada para só agora ter descoberto isto. Eternamente grata V., tânque iu, tinhas razão, não é da Oriflame.

Acabe logo com o suspense sr. "presedente", marque um referendo!


Mas se a ideia é mesmo que vença a independência, recomendo que o referendo seja também feito no "contenente" ;)

sábado, janeiro 12, 2008

Fiscalização espectáculo

«Inspectores da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) estão a receber formação em tácticas paramilitares e análise de informação, num curso ministrado por agentes do SIS, ex-militares e que contará em breve com formadores da SWAT, o corpo de intervenção da polícia norte-ameeicana, noticia o “Expresso”.»
Só faltava isto. Inventarem leis sobre a cor dos cabos das facas, já tinham inventado. Instigarem o medo do chinês, já tinham instigado. Chamarem jornalistas para acções fanfarronas que resultam em arquivamentos vários, também já tinham chamado. Acho que só faltava mesmo isto. Multas a casinos é que não, claro, há coisas sagradas, com as quais ninguém se mete. Casinos e McDonalds, são algumas dessas coisas.

Serviço público


"Caché"/"Nada a esconder" de Michael Haneke (2005)


"Breaking the Waves"/"Ondas de Paixão" de Lars Von Trier (1996)

Em sessão dupla a partir das 22h45 na RTP2. Uma boa alternativa aos ainda demasiado enfumarados roteiros de sábado à noite.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Democracia SMS

«A Vodafone foi o patrocinador oficial das comunicações fixas e móveis da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, de 1 de Julho a 31 de Dezembro de 2007. Os 55 mil organizadores e participantes puderam, através dos 1300 telefones fixos, dos 500 telefones móveis e dos múltiplos acessos à Internet, efectuar mais de 650.000 minutos de conversação e enviar e receber 1.6 terabytes de dados, com uma qualidade do serviço acima dos 99,99%.

A Vodafone orgulha-se de ter contribuído para o sucesso da Presidência Portuguesa e, em particular, para o seu momento mais significativo, a assinatura do Tratado de Lisboa.

Viva o momento vodafone»
Isto é o que se lê no anúncio publicado hoje nas páginas do Jornal de Notícias. A opinião do presidente da Vodafone já tinha saído no Diário Económico em Dezembro. Tudo tratado há bués portanto, e compensando qualquer desconforto governativo, vivamos então o momento.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Lei 37/2007: a pouco e pouco, a bandalheira

Retratos do Sul da Europa: Nápoles
«Os casinos da Estoril Sol vão estabelecer zonas para fumadores em todas as salas e nos restaurantes e reservam-se o direito de gerir quais e que percentagens destinar para o efeito, disse ao JN o presidente, Mário Assis Ferreira.

Este é o resultado prático do parecer dado ontem pelos membros do grupo técnico consultivo da lei do tabaco, que concluíram que nos casinos se combinam as leis do tabaco e do jogo, permitindo a criação de zonas para fumadores.
»
Perante isto várias dúvidas me assaltam. A lei da droga aplica-se aos casinos? E a do ruído? É que a lei do jogo é estranhamente omissa quanto a essas e outras matérias, e aparentemente é a única lei que vigora dentro das paredes dos casinos. A propósito disto, e bem ainda que por motivos errados, a Associação dos Bares do Porto pede a demissão de Francisco George, director-geral de saúde, que nos últimos dias vestiu a pele de juiz sem qualquer legitimidade para o fazer, ou sabedoria, tecendo as mais bizarras sentenças, como a referida.

Já são dois por demitir. Mas neste país sem vergonha os casinos são reis e senhores. Claro que os casinos podiam ter entrado na discussão da lei no Verão passado, e ter conseguido, de forma transparente, algumas excepções para as suas casas. Aliás, a lei 37/2007 é pródiga em excepções e facilitações várias, muito longe das mais recentes leis dos restantes países europeus (não haverá adjectivos para as classificar se um dia chegam também cá via Bruxelas, "fundamentalista", "talibã" e "fascista" já foram gastos com a actual). Mas nada disso foi feito, é mais fácil oferecer uma borla ao sr. ASAE e esperar que este procure um flash para onde esfumaçar a sua cigarrilha. Uma perfeita estupidez em qualquer estado de direito sério, um golpe de mestre em Portugal.

Mas o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. É uma lei que veio da tecnocracia, e não da esquerda, dos sindicatos e do governo (responsável pela nomeação dos dois senhores por demitir), como devia. É uma lei aprovada por unanimidade no parlamento, mas com vários dos seus deputados a chamarem-na "fundamentalista" logo a seguir. Mas neste país de faz de conta onde tão poucas coisas são para levar a sério, não o será certamente o parlamento. Seria a ASAE a valer-nos.

Assim nos convencemos, nós os apoiantes da lei (90% da população segundo algumas sondagens), que apesar de todos os pesares, a lei seria para cumprir. O balde de água fria veio logo na manhã do dia 1. O sr. ASAE, que construiu nos média a imagem do terrível e implacável zelador pelo cumprimento da mais obscura alínea de legislação comunitária, voltava-se agora para a defesa dos interesses dos casinos - usando, como de costume, os média. Começo da bandalheira.

Perante o desmazelo da ASAE, de resto deslegitimada para a função, vão pululando zonas de fumadores com uma reles ventoinha, muito superiores a 30% do total do espaço e sem qualquer separação da zona supostamente livre de fumo. "É o mercado a funcionar!" - gritam ululantes os pró-fumo (que não são, felizmente, todos os fumadores). Sem dúvida o mercado (essa suprema santidade), mas não só.

É óbvio que nenhum comerciante quer perder clientes, e logo, nenhum comerciante manda por dá cá aquela palha um cliente para a rua. E fumar em espaços públicos fechados é, por via da tradição, do hábito, do sempre-foi-assim, um "dá cá aquela palha". Mas só, rigorosamente só, por isso. Pois não há um único argumento racional, médico, científico ou higiénico, se quiserem, que legitime o fumo. Não há, só a tradição. A mesma que justifica pôr crianças de 5 anos a fumarem cigarros pelos reis em Mirandela. E tantas outras e piores coisas, "é tradição" ponto, está justificado o injustificável. E nisso se baseia a tradição de tolerar e conviver com o fumo, por mais incómodo seja.

É por isso que uma lei anti-fumo só funciona se for uma lei forte. Sobretudo se estivermos a falar de países onde o respeito pela lei está, contrariamente ao fumo, longe de ser uma tradição estabelecida. Uma lei frouxa, que deixe cobardemente a decisão nas mãos dos comerciantes - os tais sujeitos à tal lei do mercado de que o cliente tem sempre razão - é uma lei condenada a não produzir efeitos. Olhe-se para Espanha. A frouxidão do processo não conseguiu romper com a tradição de tolerância ao fumo, e este venceu.

O progresso implica ruptura com o passado. E um ar livre de fumo é, definitivamente e sob qualquer ângulo de visão, um progresso. Há portanto que romper com a tolerância com o fumo, e fazermos valer (já que os políticos se recusam) o nosso direito, esse sim, ao ar limpo. E a lei, mesmo com todas as suas falhas, não nos desprotege por completo. Podemos e devemos exigir o seu escrupuloso cumprimento. E podemos e devemos privilegiar os espaços 100% livres de fumo. É a melhor resposta às inflamadas declarações de boicote aos mesmos.

Fica publicada então esta resolução de ano novo: só entro em espaços 100% sem fumo. Não me interessa se a sala de fumo fica nas masmorras, se existe, não entro. Bem sei que tal implica, por exemplo, o total boicote à noite gay do Porto - oh horror, oh tragédia - mas estou certo que sobreviverei. Fazer de conta que se vive num país em progresso será certamente melhor que a triste acomodação à realidade.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Quem é que disse que o tabaco era uma droga leve?

Valham os tempos de antena do PS


Tempo de antena do PS imediatamente antes do Telejornal: tudo tão fresco, tão bonito, tão optimista! Amei, devia passar todos os dias. O país assim parece outro! Escusado será dizer que desisti imediatamente do Telejornal, para não me cortarem a disposição. Ainda procurei no YouTube pelo dito tempo de antena, mas o PS ainda não actualizou o que parece ser o seu canal oficial. Assim, deixo-vos antes com um vídeo equivalente q.b., igualmente colorido, optimista e original, dos Hot Banditoz da Alemanha.