quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Mais vale depir-se logo para o país inteiro


Um vídeo do Partido Socialista neerlandês contra as alterações na ajuda social aos idosos no país. Até agora a assistência (ajudar a tomar banho, vestir-se ou limpar a casa) era garantida sempre pela mesma pessoa, mas uma série de alterações, com vista à poupança de dinheiro, faz com que quase todos os dias os idosos neerlandeses se deparem com um ajudante diferente, impossibilitando a criação de laços de confiança e intimidade com os mesmos. O slogan final é "Por uma assistência social humana". A tradução completa em inglês aqui.

O canal oficial no YouTube do SP aqui, que curiosamente ainda não tem este vídeo (que tem tudo para se tornar num sucesso viral ou lá como os marketeiros chamam a esses fenómenos), mas tem por exemplo estas duas deliciosas animações.

Stop Blair

É claro que assino esta petição. Não se pode votar no tratado, não somos nós que elegemos o presidente possibilitado pelo tratado, é uma festa! Aos cidadãos restam as votações das moedinhas...

No entretanto talvez desse também jeito fazer uma petição Stop Aznar e outra Basta de Barroso, é que na UE pelos vistos não há melhor CV do que ter passado pela cimeira das Lages... e só não vem aí o Bush porque parece que há um problema de nacionalidades ou quê...

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Para lá do Marão dispensam a bênção

O Público noticia hoje que num dos supostamente "mais católicos" distritos de Portugal, Bragança, já são mais os casamentos civis que os religiosos. Ao longo de quase todo o artigo a justificação encontrada é a financeira, "casamentos religiosos são caros". São mesmo? Antigamente quase toda a gente casava na igreja e quase sem gastar tostão, vestia-se o fato domingueiro em dia da semana (eram comuns os casamentos religiosos à semana), casava-se e ao fim do dia ainda se trabalhava um bocado no campo. A importância da coisa estava na "bênção religiosa". A pouco e pouco a situação alterou-se, e a bênção passou a ser pretexto para grandes bodas, e apenas isso. A benção não é o fim, é o meio com vista à grande farra. Não é preciso muito dinheiro para casar na igreja, mas não havendo dinheiro para a farra, a bênção perde o sentido... Só no fim do artigo alguém, o padre Fontes de Montalegre, põe o dedo na ferida, há menos casamentos religiosos porque a religião interessa pouco e cada vez menos e nem sequer permite o divórcio. Nem mais.

Talvez em vez de continuamente querer definir as regras de um casamento a que sempre se opôs e ainda hoje não reconhece, o civil, a Igreja se devesse preocupar mais em preservar o seu. É que já nem em Bragança o conseguem vender... o que de resto prova que não é certamente a Igreja a autoridade a consultar em matéria de "como promover o casamento".

Aos enlutadinhos do "D." Carlos

Espero que esta gente mantenha o mesmo humanismo no próximo 1 de Dezembro, e em vez de celebrar a vitória dos terroristas, mande rezar uma missinha por Miguel de Vasconcelos. Aliás, para quando uma plaquinha em homenagem à desgraçada vítima? Triste país o que consagra dia feriado o aniversário de um acto terrorista...

domingo, fevereiro 03, 2008

A Parvónia é onde mesmo?


Atentar ao minuto 3 e 12 segundos.

A minha simpatia pelo escutismo é nula, mas a nova publicidade da Media Markt é realmente de péssimo gosto. Tal como o seu slogan de sempre, "eu é que não sou parvo" - estupidamente agressivo e parvo, enfim. Mas de qualquer modo nem me parece serem os escuteiros (ou o exército, também há um "general") quem se deva sentir mais ofendido com a dita. Há claramente um gozo com uma série de estereótipos do Leste. Tudo isto podia ter sido feito com graça, mas é apenas ofensivo e reles. Era giro mostrar isto aos clientes da Media Markt no Leste europeu para ver que opinam. Mas e daí, se calhar não se importariam muito, a ver pela amostra da clientela berlinense na reportagem acima (em alemão, mas as imagens falam por si). Já sei de onde tiraram a ideia dos "parvos" não saberem usar escadas rolantes...

Rio de Mouro on fire, ou nem por isso...

A meio da semana houve aberturas de noticiários com a "previsão de confrontos durante os funerais das vítimas do tiroteio em Rio de Mouro". A polícia dizia que não havia razões para alarme, mas nada sossegava as TVs, excitadíssimas com a possibilidade de uma Nairobi ao pé do estúdio. Chegado o dia, ontem, acorreram aos ditos funerais, por certo com coletes à prova de bala e tudo, mas, oh azar, os funerais foram marcados apenas pela tristeza e consternação da praxe. Apostava-se então na noite, mas nada. E lá passaram hoje a meio do jornal as reportagens de uma "noite sossegada em Rio de Mouro". Trabalho ingrato o de repórter... o pessoal bem semeia ventos, mas da tempestade nem sinal.

Cientologia

Absolutamente na mouche o Ricardo Alves. Ainda não consegui perceber a "preocupação" com a chegada dos cientologistas a Portugal, ainda não lhes vi nada que não tenha visto no resto. Tal como não entendo o "choque" na América com o vídeo do Tom Cruise, acaso diz algo que não digam todos os padres aos domingos? "Povo escolhido", "obrigação especial em ajudar", "nós vemos a verdade", and so on... os chavões costumeiros a todas as crendices, tenham 20 ou 2000 anos, como pode isto chocar no país do tele-evangelismo? Só não o oiço dizer que "o ateísmo é o maior drama da humanidade", menos mal. O problema é então exactamente qual?
«No meu entender, o melhor seria que o Estado não reconhecesse comunidade religiosa alguma. Existe o direito de associação e o direito de manifestação. Quem quer partilhar a sua «vida espiritual» com outros, pode portanto fazê-lo, dentro do quadro legal, sem necessidade de «reconhecimento» estatal da «especificidade» religiosa. E o Estado não pode negar aos cidadãos a liberdade de seguirem uma dada religião, nem pronunciar-se sobre a validade das crenças religiosas.
Ou será que a liberdade é só para os católicos e islâmicos, mas não para os cientologistas?»

Subscrevo a 100%.

sábado, fevereiro 02, 2008

É aproveitar, que nesta além de nos deixarem votar, ainda nos habilitamos a ganhar moedinhas de ouro!

«Para celebrar o 10.º aniversário do lançamento da UEM e da introdução do euro, todos os países da área do euro vão emitir uma moeda comemorativa de 2 euros, com um desenho comum. Esta moeda estará disponível no mercado no início de 2009.

Com base num concurso de desenhos entre as várias Casas da Moeda da área do euro, os respectivos directores pré-seleccionaram 5 desenhos a seguir apresentados. O desenho vencedor será seleccionado exclusivamente através da votação feita nesta página web.

Podem participar nesta selecção todos os cidadãos comunitários e residentes na União Europeia. Cada pessoa só pode votar uma vez. Será escolhido um vencedor de entre aqueles que votaram no desenho vencedor. O prémio será constituído por uma colecção de moedas de euro de elevado valor. A votação termina no dia 22 de Fevereiro de 2008.»

Via Chuza. Vou votar no bonequinho primitivo, que me parece condizente com o conceito do concurso e da UE dos tempos que correm em geral, vota também ;)

O cúmulo da cavaquice

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Era o obséquio de fazerem cumprir a lei, se não for muito incómodo, ó faxabore

Terem que existir petições a pedir a aplicação de uma lei recentemente aprovada por unanimidade no parlamento já é suficientemente triste, não assina-la seria trágico. Assine-se pois.

Centenário do Regicídio


Vídeo via Arrastão. Amanhã à noite estreia na RTP1 a mini-série sobre o episódio determinante para a implantação da república, hoje passa o making of. Mais links úteis no Esquerda Republicana.

Belmiro contra Sócrates parte II

Diz que é uma espécie de jornalismo. O Público desistiu do "canudo" do PM e vira-se agora para os seus projectos dos 80's. Dos 80's! Começo a achar que isto já nem é um "Belmiro contra Sócrates", mas um "Belmiro salva Sócrates". É que convenhamos, o PM não está no seu melhor momento e seria tão fácil criticar a sua governação de forma séria e construtiva... Agora ir buscar cenas dos 80's só poderá suscitar sentimentos de solidariedade e compaixão pelo nosso PM. Toda a gente têm álbuns fotográficos dos 80's, todos nós sabemos o que é olhar para eles. O que se passou nos 80's, devia ficar nos 80's, porque nos 80's aquilo era tudo lindo! E aquelas casas eram belíssimas casas, de causar inveja aos vizinhos todos, de Curral de Moinas a Clichy-sous-Bois! Enfim... pode ser que valorizem à custa disto.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Quem é que precisa do acordo? Já de emprego...

Anúncio aqui, site da empresa acolá. Só não entendi bem se o anúncio está escrito em português de Portugal ou do Brasil... suponho que por culpa do meu monolinguismo em Português do Entre Douro e Minho :( Mas "full-time" parece-me ser português do Algarve. [Via Rapariga em Flor]

quarta-feira, janeiro 30, 2008

E os heteros descobrem a promiscuidade

Esta reportagem da RTP (on-line ainda só a apresentação) promete! Gosto especialmente da parte "não há números oficiais", e espero que o INE não volte a cometer semelhante omissão no próximo Census.

domingo, janeiro 27, 2008

Subscrevo

1) A petição de solidariedade para com os professores de La Sapienza que tiveram a ingenuidade de acreditarem serem livres de condenar o convite à papista figura para que presidisse a abertura do ano lectivo na universidade. São agora insultados e ameaçados por meio mundo. Eu quero continuar a ser ingénuo e acreditar que se pode criticar o Bento sem sofrer represálias apenas por isso.

2) Braga-Porto em 40 minutos. Os argumentos desta petição, dirigida à CP, podem ser lidos neste blog.

3) Fim às excepções na lei do tabaco. Ainda sem link, pede-se o favor à Fernanda Câncio de colocar o seu artigo de hoje na Notícias Magazine no petitiononline.com (ou similar) que a gente assina por baixo, em 2 ou 3 dias seremos mais que os da petição das discotecas, tenho a certeza.

É nestas alturas que lamento a inexistência de um inferno

O Suharto esticou o pernil.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Castedo hits the news

É o furo noticioso da semana, já lidera o top do Sapo. A série de telefonemas do e para o INEM a propósito de uma vítima de uma queda em Castedo, Alijó, Trás-os-Montes, que a SIC exibiu nos seus noticiários. Enorme indignação com as falhas e demoras na assistência um pouco por todos os média, blogs incluídos. Mas dois curiosos pormenorzinhos não parecem merecer atenção entre os indignados: 1) a vítima, de acordo com os familiares que ligaram para o 112, já estava morta e 2) será normal que telefonemas desta natureza sejam exibidos na praça pública? Será que as pessoas que falam nos ditos deram autorização à SIC para que exibisse as suas conversas? É isto decente?

Por certo que há falhas nos serviços de emergência em muitos locais do país, sobretudo os menos habitados, e por certo que é assunto para merecer toda a nossa atenção e indignação. Mas e o respeito pela privacidade alheia? Perdeu-se por completo na era da reality tv? Se calhar sou eu que estou a ficar um prude, mas para mim este tipo de jornalismo é absolutamente sick. Não é com voyeurismos oportunistas que chegamos a um bom retrato do estado do SNS a nível nacional, nem na hipermediatização de casos que há uns meses atrás não chegariam sequer ao jornal local por não interessarem a determinadas agendas. Sick, sick, sick.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

La sapienza, ou a falta dela

Esta estória do papa ir discursar na abertura do ano lectivo de uma universidade romana tresanda desde a primeira hora, e tornou-se tão abjecta que nem consigo escrever sobre o assunto. Fico-me pelo lamento de ver tanta gente com inteligência suficiente para não cair no conto do vigário, agora papa, a fazê-lo. E pela satisfação de ainda poder encontrar gente capaz de ver as coisas com clareza e olhar crítico, ainda que correndo o risco de serem apelidados de "politicamente correctos", "laicistas" ou mesmo "jacobinos", enfim, proscritos na era do endeusamento da má política, i.e., do politicamente incorrecto. A ler então: no Womenage à trois, no Quase em português e no Arrastão, entre outros. Tudo textos curtos, porque a realidade é muito simples. E tudo em blogs, que nos jornais só parece haver espaço para a superstição e desonestidade intelectual. Ares do tempo...

PS: Outro ar do tempo é a paranóia em relação à pedofilia. Curioso como Ratzinger é imune à mesma, mesmo tendo escrito em 2001 uma carta a ordenar o silenciamento dos casos de abuso sexual de crianças por membros do clero. A ordem nunca terá sido revogada, tanto quanto se sabe, e o caso praticamente só teve cobertura no jornal britânico Guardian - razão pela qual nunca é demais lembra-lo. Tanto alarmismo e ninguém é capaz de exigir o óbvio? Que a igreja denuncie os casos de abuso de que tem conhecimento? Pelos vistos, não. Ares do tempo...