sábado, fevereiro 09, 2008

Sapiência lost in translation

Foi, se bem se lembram, um conselho de sábios que elaborou o "Tratado Constitucional Europeu", paz à sua alma. Agora, um novo conselho de sábias figuras (incluindo Eduardo Lourenço), elaborou um relatório pela defesa do multilinguismo na União, assente numa ideia principal: a "língua pessoal adoptiva". A língua pessoal adoptiva seria então uma outra língua, que não a materna de cada cidadão, que passaria a funcionar como segunda língua para uso pessoal ou assim... Qual é a novidade? Essa língua não deve ser necessariamente o inglês. E pronto, é isso. Propõem então que se faça o que se faz há décadas em quase todos os países europeus, a obrigatoriedade de aprender outro(s) idioma(s) na escola, mas com a ressalva "que não seja só o inglês".

Mais valia estarem calados. Sim o multilinguismo é lindo e uma riqueza. Sim, quem sabe mais línguas só ganha com isso, viaja mais, vê mais longe, etc. Mas, regra geral, as pessoas (as não-sábias pelo menos) só aprendem outro idioma se tiverem mesmo que o aprender. E encontrar um emprego costuma ser a razão que as leva a aprenderem esse outro idioma. As línguas não vão longe pela via da sedução, mas sim pela da imposição, da escola ou do mercado.

Quanto ao inglês é uma vantagem para a UE que o seu conhecimento se vulgarize. Facilita a comunicação, 27 nacionalidades à mesma mesa e uma só língua - dispensam-se tradutores, poupa-se tempo e dinheiro. A desvantagem é que o inglês não é uma língua tão simples quanto parece, está cheia de excepções, e sobretudo não é uma língua neutra. O que faz com que no seio da União haja os falantes de primeira (os nativos) e os de segunda (os tais que o têm como "língua pessoal adoptiva"), o que gera alguns desequilíbrios e mesmo conflitos.

O conselho de sábios bem que podia ter sugerido medidas muito mais concretas e revolucionárias, como a adopção de uma nova língua de trabalho na União, criada especialmente para isso mesmo. Uma língua que fosse por um lado muito mais fácil de aprender, sem as irregularidades e confusões do inglês, e que fosse igualmente estranha a todos europeus, entranhando-se assim de forma igualitária. Uma língua franca desse tipo seria o melhor seguro de vida para a diversidade linguística europeia. E nem é preciso inventar nada, o esperanto foi criado para isso. Claro que seria necessária uma reforma ortográfica, que os acentos não estão com nada na era da internet, mas isso sim seria uma sábia resolução. Agora chorinhos francófilos por causa do inglês é que façam-me um favor... *bocejo*

Deixo-vos antes com o sr. Claude Piron que diz uma série de coisas interessantes a este propósito:

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Womenage à Sapo

A debandada do Blogger continua, o Womenage ensapou e ganhou um logo lindo.

Mais vale depir-se logo para o país inteiro


Um vídeo do Partido Socialista neerlandês contra as alterações na ajuda social aos idosos no país. Até agora a assistência (ajudar a tomar banho, vestir-se ou limpar a casa) era garantida sempre pela mesma pessoa, mas uma série de alterações, com vista à poupança de dinheiro, faz com que quase todos os dias os idosos neerlandeses se deparem com um ajudante diferente, impossibilitando a criação de laços de confiança e intimidade com os mesmos. O slogan final é "Por uma assistência social humana". A tradução completa em inglês aqui.

O canal oficial no YouTube do SP aqui, que curiosamente ainda não tem este vídeo (que tem tudo para se tornar num sucesso viral ou lá como os marketeiros chamam a esses fenómenos), mas tem por exemplo estas duas deliciosas animações.

Stop Blair

É claro que assino esta petição. Não se pode votar no tratado, não somos nós que elegemos o presidente possibilitado pelo tratado, é uma festa! Aos cidadãos restam as votações das moedinhas...

No entretanto talvez desse também jeito fazer uma petição Stop Aznar e outra Basta de Barroso, é que na UE pelos vistos não há melhor CV do que ter passado pela cimeira das Lages... e só não vem aí o Bush porque parece que há um problema de nacionalidades ou quê...

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Para lá do Marão dispensam a bênção

O Público noticia hoje que num dos supostamente "mais católicos" distritos de Portugal, Bragança, já são mais os casamentos civis que os religiosos. Ao longo de quase todo o artigo a justificação encontrada é a financeira, "casamentos religiosos são caros". São mesmo? Antigamente quase toda a gente casava na igreja e quase sem gastar tostão, vestia-se o fato domingueiro em dia da semana (eram comuns os casamentos religiosos à semana), casava-se e ao fim do dia ainda se trabalhava um bocado no campo. A importância da coisa estava na "bênção religiosa". A pouco e pouco a situação alterou-se, e a bênção passou a ser pretexto para grandes bodas, e apenas isso. A benção não é o fim, é o meio com vista à grande farra. Não é preciso muito dinheiro para casar na igreja, mas não havendo dinheiro para a farra, a bênção perde o sentido... Só no fim do artigo alguém, o padre Fontes de Montalegre, põe o dedo na ferida, há menos casamentos religiosos porque a religião interessa pouco e cada vez menos e nem sequer permite o divórcio. Nem mais.

Talvez em vez de continuamente querer definir as regras de um casamento a que sempre se opôs e ainda hoje não reconhece, o civil, a Igreja se devesse preocupar mais em preservar o seu. É que já nem em Bragança o conseguem vender... o que de resto prova que não é certamente a Igreja a autoridade a consultar em matéria de "como promover o casamento".

Aos enlutadinhos do "D." Carlos

Espero que esta gente mantenha o mesmo humanismo no próximo 1 de Dezembro, e em vez de celebrar a vitória dos terroristas, mande rezar uma missinha por Miguel de Vasconcelos. Aliás, para quando uma plaquinha em homenagem à desgraçada vítima? Triste país o que consagra dia feriado o aniversário de um acto terrorista...

domingo, fevereiro 03, 2008

A Parvónia é onde mesmo?


Atentar ao minuto 3 e 12 segundos.

A minha simpatia pelo escutismo é nula, mas a nova publicidade da Media Markt é realmente de péssimo gosto. Tal como o seu slogan de sempre, "eu é que não sou parvo" - estupidamente agressivo e parvo, enfim. Mas de qualquer modo nem me parece serem os escuteiros (ou o exército, também há um "general") quem se deva sentir mais ofendido com a dita. Há claramente um gozo com uma série de estereótipos do Leste. Tudo isto podia ter sido feito com graça, mas é apenas ofensivo e reles. Era giro mostrar isto aos clientes da Media Markt no Leste europeu para ver que opinam. Mas e daí, se calhar não se importariam muito, a ver pela amostra da clientela berlinense na reportagem acima (em alemão, mas as imagens falam por si). Já sei de onde tiraram a ideia dos "parvos" não saberem usar escadas rolantes...

Rio de Mouro on fire, ou nem por isso...

A meio da semana houve aberturas de noticiários com a "previsão de confrontos durante os funerais das vítimas do tiroteio em Rio de Mouro". A polícia dizia que não havia razões para alarme, mas nada sossegava as TVs, excitadíssimas com a possibilidade de uma Nairobi ao pé do estúdio. Chegado o dia, ontem, acorreram aos ditos funerais, por certo com coletes à prova de bala e tudo, mas, oh azar, os funerais foram marcados apenas pela tristeza e consternação da praxe. Apostava-se então na noite, mas nada. E lá passaram hoje a meio do jornal as reportagens de uma "noite sossegada em Rio de Mouro". Trabalho ingrato o de repórter... o pessoal bem semeia ventos, mas da tempestade nem sinal.

Cientologia

Absolutamente na mouche o Ricardo Alves. Ainda não consegui perceber a "preocupação" com a chegada dos cientologistas a Portugal, ainda não lhes vi nada que não tenha visto no resto. Tal como não entendo o "choque" na América com o vídeo do Tom Cruise, acaso diz algo que não digam todos os padres aos domingos? "Povo escolhido", "obrigação especial em ajudar", "nós vemos a verdade", and so on... os chavões costumeiros a todas as crendices, tenham 20 ou 2000 anos, como pode isto chocar no país do tele-evangelismo? Só não o oiço dizer que "o ateísmo é o maior drama da humanidade", menos mal. O problema é então exactamente qual?
«No meu entender, o melhor seria que o Estado não reconhecesse comunidade religiosa alguma. Existe o direito de associação e o direito de manifestação. Quem quer partilhar a sua «vida espiritual» com outros, pode portanto fazê-lo, dentro do quadro legal, sem necessidade de «reconhecimento» estatal da «especificidade» religiosa. E o Estado não pode negar aos cidadãos a liberdade de seguirem uma dada religião, nem pronunciar-se sobre a validade das crenças religiosas.
Ou será que a liberdade é só para os católicos e islâmicos, mas não para os cientologistas?»

Subscrevo a 100%.

sábado, fevereiro 02, 2008

É aproveitar, que nesta além de nos deixarem votar, ainda nos habilitamos a ganhar moedinhas de ouro!

«Para celebrar o 10.º aniversário do lançamento da UEM e da introdução do euro, todos os países da área do euro vão emitir uma moeda comemorativa de 2 euros, com um desenho comum. Esta moeda estará disponível no mercado no início de 2009.

Com base num concurso de desenhos entre as várias Casas da Moeda da área do euro, os respectivos directores pré-seleccionaram 5 desenhos a seguir apresentados. O desenho vencedor será seleccionado exclusivamente através da votação feita nesta página web.

Podem participar nesta selecção todos os cidadãos comunitários e residentes na União Europeia. Cada pessoa só pode votar uma vez. Será escolhido um vencedor de entre aqueles que votaram no desenho vencedor. O prémio será constituído por uma colecção de moedas de euro de elevado valor. A votação termina no dia 22 de Fevereiro de 2008.»

Via Chuza. Vou votar no bonequinho primitivo, que me parece condizente com o conceito do concurso e da UE dos tempos que correm em geral, vota também ;)

O cúmulo da cavaquice

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Era o obséquio de fazerem cumprir a lei, se não for muito incómodo, ó faxabore

Terem que existir petições a pedir a aplicação de uma lei recentemente aprovada por unanimidade no parlamento já é suficientemente triste, não assina-la seria trágico. Assine-se pois.

Centenário do Regicídio


Vídeo via Arrastão. Amanhã à noite estreia na RTP1 a mini-série sobre o episódio determinante para a implantação da república, hoje passa o making of. Mais links úteis no Esquerda Republicana.

Belmiro contra Sócrates parte II

Diz que é uma espécie de jornalismo. O Público desistiu do "canudo" do PM e vira-se agora para os seus projectos dos 80's. Dos 80's! Começo a achar que isto já nem é um "Belmiro contra Sócrates", mas um "Belmiro salva Sócrates". É que convenhamos, o PM não está no seu melhor momento e seria tão fácil criticar a sua governação de forma séria e construtiva... Agora ir buscar cenas dos 80's só poderá suscitar sentimentos de solidariedade e compaixão pelo nosso PM. Toda a gente têm álbuns fotográficos dos 80's, todos nós sabemos o que é olhar para eles. O que se passou nos 80's, devia ficar nos 80's, porque nos 80's aquilo era tudo lindo! E aquelas casas eram belíssimas casas, de causar inveja aos vizinhos todos, de Curral de Moinas a Clichy-sous-Bois! Enfim... pode ser que valorizem à custa disto.

quinta-feira, janeiro 31, 2008

Quem é que precisa do acordo? Já de emprego...

Anúncio aqui, site da empresa acolá. Só não entendi bem se o anúncio está escrito em português de Portugal ou do Brasil... suponho que por culpa do meu monolinguismo em Português do Entre Douro e Minho :( Mas "full-time" parece-me ser português do Algarve. [Via Rapariga em Flor]

quarta-feira, janeiro 30, 2008

E os heteros descobrem a promiscuidade

Esta reportagem da RTP (on-line ainda só a apresentação) promete! Gosto especialmente da parte "não há números oficiais", e espero que o INE não volte a cometer semelhante omissão no próximo Census.

domingo, janeiro 27, 2008

Subscrevo

1) A petição de solidariedade para com os professores de La Sapienza que tiveram a ingenuidade de acreditarem serem livres de condenar o convite à papista figura para que presidisse a abertura do ano lectivo na universidade. São agora insultados e ameaçados por meio mundo. Eu quero continuar a ser ingénuo e acreditar que se pode criticar o Bento sem sofrer represálias apenas por isso.

2) Braga-Porto em 40 minutos. Os argumentos desta petição, dirigida à CP, podem ser lidos neste blog.

3) Fim às excepções na lei do tabaco. Ainda sem link, pede-se o favor à Fernanda Câncio de colocar o seu artigo de hoje na Notícias Magazine no petitiononline.com (ou similar) que a gente assina por baixo, em 2 ou 3 dias seremos mais que os da petição das discotecas, tenho a certeza.

É nestas alturas que lamento a inexistência de um inferno

O Suharto esticou o pernil.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Castedo hits the news

É o furo noticioso da semana, já lidera o top do Sapo. A série de telefonemas do e para o INEM a propósito de uma vítima de uma queda em Castedo, Alijó, Trás-os-Montes, que a SIC exibiu nos seus noticiários. Enorme indignação com as falhas e demoras na assistência um pouco por todos os média, blogs incluídos. Mas dois curiosos pormenorzinhos não parecem merecer atenção entre os indignados: 1) a vítima, de acordo com os familiares que ligaram para o 112, já estava morta e 2) será normal que telefonemas desta natureza sejam exibidos na praça pública? Será que as pessoas que falam nos ditos deram autorização à SIC para que exibisse as suas conversas? É isto decente?

Por certo que há falhas nos serviços de emergência em muitos locais do país, sobretudo os menos habitados, e por certo que é assunto para merecer toda a nossa atenção e indignação. Mas e o respeito pela privacidade alheia? Perdeu-se por completo na era da reality tv? Se calhar sou eu que estou a ficar um prude, mas para mim este tipo de jornalismo é absolutamente sick. Não é com voyeurismos oportunistas que chegamos a um bom retrato do estado do SNS a nível nacional, nem na hipermediatização de casos que há uns meses atrás não chegariam sequer ao jornal local por não interessarem a determinadas agendas. Sick, sick, sick.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

La sapienza, ou a falta dela

Esta estória do papa ir discursar na abertura do ano lectivo de uma universidade romana tresanda desde a primeira hora, e tornou-se tão abjecta que nem consigo escrever sobre o assunto. Fico-me pelo lamento de ver tanta gente com inteligência suficiente para não cair no conto do vigário, agora papa, a fazê-lo. E pela satisfação de ainda poder encontrar gente capaz de ver as coisas com clareza e olhar crítico, ainda que correndo o risco de serem apelidados de "politicamente correctos", "laicistas" ou mesmo "jacobinos", enfim, proscritos na era do endeusamento da má política, i.e., do politicamente incorrecto. A ler então: no Womenage à trois, no Quase em português e no Arrastão, entre outros. Tudo textos curtos, porque a realidade é muito simples. E tudo em blogs, que nos jornais só parece haver espaço para a superstição e desonestidade intelectual. Ares do tempo...

PS: Outro ar do tempo é a paranóia em relação à pedofilia. Curioso como Ratzinger é imune à mesma, mesmo tendo escrito em 2001 uma carta a ordenar o silenciamento dos casos de abuso sexual de crianças por membros do clero. A ordem nunca terá sido revogada, tanto quanto se sabe, e o caso praticamente só teve cobertura no jornal britânico Guardian - razão pela qual nunca é demais lembra-lo. Tanto alarmismo e ninguém é capaz de exigir o óbvio? Que a igreja denuncie os casos de abuso de que tem conhecimento? Pelos vistos, não. Ares do tempo...

Literacia enfumarada: o contributo da RTP

Parece que hoje o tema do famigerado Prós & Contras será a nova lei do tabaco. Se bem me lembro nunca o programa discutiu este assunto, nomeadamente aquando da sua discussão no parlamento, altura em que poderia ter dado um contributo à mesma. Aprovada e aplicada a lei vai-se discutir o quê? Soa a golpe anti-lei, como o que o deu o sr. ASAE no casino. Serviço público, pois.

Mas os disparates da RTP não se ficam por aqui. Duas belas peças noticiosas aumentaram a confusão no Jornal da Tarde de hoje. Primeiro a confeitaria Cunha no Porto, que se queixa de uma diminuição na ordem dos 70% em número de clientes por causa da nova lei e que por isso pede a suspensão da mesma. Garanto que o dizem com o ar mais sério do mundo. Além da ameaça no ar de despedimentos, fica-se a saber que a confeitaria Cunha tem várias salas isoladas, pelo que não teria a menor dificuldade em criar zonas para fumadores, mas publicitar a ignorância injustificada é sempre mais divertido.

Logo de seguida o "bom exemplo", um café em Viana do Castelo, maioritariamente frequentado por fumadores, "aliás, o lado dos não-fumadores está vazio", diz a jornalista. O que a jornalista não diz é que a separação entre a zona de fumo e a de não-fumo é feita por uma fitinha isoladora mágica. Sim mágica! Impede milagrosamente a passagem de fumo de um lado para o outro. Ou isso, ou o tal café vianense está em flagrantíssimo incumprimento da lei. Cadê a ASAE? E a jornalista da RTP não se deu ao trabalho de ler a lei que dá mote à sua reportagem porquê?

Mas pronto, nem todo o trabalho se perde, vale o depoimento da fumadora que diz, "por um lado até aceito que ninguém é obrigado a levar com o fumo dos outros, agora, isto toda a vida foi assim". Esclarecedor, para quem ainda duvidava que divisão em relação à lei está entre os que apregoam a tradição e os que defendem a racionalidade.

Sobremesa lusófona (to be served after the sardines)


Desde a Bicha do Demónio que um vídeo não me fazia rir tanto, o Show da Roberta é provavelmente o melhor vídeo dos Incorrigíveis.

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Casamento: boas e más notícias

Anglicização em curso

O país dos Chicos Espertos dá lugar ao país dos Chicos Georges. Se estavam à espera de uma anglicização que imitasse o ar sem fumo que se respira lá nas Anglias ou a responsabilização dos políticos e seus nomeados, esqueçam, aqui a coisa fica-se pelos nomes, que a letra é morta.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Teste: Que tipo de activista gay és tu?

Imagina que és um activista gay e és contactado por um tablóide a propósito de uma muito mal contada estória sobre uma nova infecção supostamente em crescimento na população gay norte-americana. Como respondes?

A) Rejeitas o alarmismo precipitado e desinformado. Recordas a história da SIDA, concluindo que as doenças não têm orientação sexual e esse tipo de simplismos apenas contribui para a disseminação das mesmas.

B) Apoias o alarmismo, instando as autoridades a adoptarem-no. Mencionas o preservativo, mas apenas para sexo com "estranhos" (sic), e isso embora as informações existentes sobre a nova bactéria digam que a transmissão não é prevenida pelo mesmo. E insultas os homossexuais que frequentam saunas e quartos-escuros.

Se respondeste A és um activista responsável e inteligente, ganhas um prémio arco-íris. Se respondeste B não és um activista gay, voltas à casa de partida e devolves as tuas plumas, porque de moralistas parvos já está o país cheio, não precisa de mais alguns em formato rosa choque, adeus e obrigado.

Amigas xequieráute I ear screams!

Este blog tem estado em subpostagem e é fácil explicar porquê, todo o meu tempo on-line tem sido usado para ver e rever a saga da Bicha do Demónio (I, II, III, IV, V, VI, VII e Especial Natal). Que mais dizer? Que é preciso ser uma bicha muito desinformada para só agora ter descoberto isto. Eternamente grata V., tânque iu, tinhas razão, não é da Oriflame.

Acabe logo com o suspense sr. "presedente", marque um referendo!


Mas se a ideia é mesmo que vença a independência, recomendo que o referendo seja também feito no "contenente" ;)

sábado, janeiro 12, 2008

Fiscalização espectáculo

«Inspectores da Autoridade para a Segurança Alimentar e Económica (ASAE) estão a receber formação em tácticas paramilitares e análise de informação, num curso ministrado por agentes do SIS, ex-militares e que contará em breve com formadores da SWAT, o corpo de intervenção da polícia norte-ameeicana, noticia o “Expresso”.»
Só faltava isto. Inventarem leis sobre a cor dos cabos das facas, já tinham inventado. Instigarem o medo do chinês, já tinham instigado. Chamarem jornalistas para acções fanfarronas que resultam em arquivamentos vários, também já tinham chamado. Acho que só faltava mesmo isto. Multas a casinos é que não, claro, há coisas sagradas, com as quais ninguém se mete. Casinos e McDonalds, são algumas dessas coisas.

Serviço público


"Caché"/"Nada a esconder" de Michael Haneke (2005)


"Breaking the Waves"/"Ondas de Paixão" de Lars Von Trier (1996)

Em sessão dupla a partir das 22h45 na RTP2. Uma boa alternativa aos ainda demasiado enfumarados roteiros de sábado à noite.

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Democracia SMS

«A Vodafone foi o patrocinador oficial das comunicações fixas e móveis da Presidência Portuguesa do Conselho da União Europeia, de 1 de Julho a 31 de Dezembro de 2007. Os 55 mil organizadores e participantes puderam, através dos 1300 telefones fixos, dos 500 telefones móveis e dos múltiplos acessos à Internet, efectuar mais de 650.000 minutos de conversação e enviar e receber 1.6 terabytes de dados, com uma qualidade do serviço acima dos 99,99%.

A Vodafone orgulha-se de ter contribuído para o sucesso da Presidência Portuguesa e, em particular, para o seu momento mais significativo, a assinatura do Tratado de Lisboa.

Viva o momento vodafone»
Isto é o que se lê no anúncio publicado hoje nas páginas do Jornal de Notícias. A opinião do presidente da Vodafone já tinha saído no Diário Económico em Dezembro. Tudo tratado há bués portanto, e compensando qualquer desconforto governativo, vivamos então o momento.

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Lei 37/2007: a pouco e pouco, a bandalheira

Retratos do Sul da Europa: Nápoles
«Os casinos da Estoril Sol vão estabelecer zonas para fumadores em todas as salas e nos restaurantes e reservam-se o direito de gerir quais e que percentagens destinar para o efeito, disse ao JN o presidente, Mário Assis Ferreira.

Este é o resultado prático do parecer dado ontem pelos membros do grupo técnico consultivo da lei do tabaco, que concluíram que nos casinos se combinam as leis do tabaco e do jogo, permitindo a criação de zonas para fumadores.
»
Perante isto várias dúvidas me assaltam. A lei da droga aplica-se aos casinos? E a do ruído? É que a lei do jogo é estranhamente omissa quanto a essas e outras matérias, e aparentemente é a única lei que vigora dentro das paredes dos casinos. A propósito disto, e bem ainda que por motivos errados, a Associação dos Bares do Porto pede a demissão de Francisco George, director-geral de saúde, que nos últimos dias vestiu a pele de juiz sem qualquer legitimidade para o fazer, ou sabedoria, tecendo as mais bizarras sentenças, como a referida.

Já são dois por demitir. Mas neste país sem vergonha os casinos são reis e senhores. Claro que os casinos podiam ter entrado na discussão da lei no Verão passado, e ter conseguido, de forma transparente, algumas excepções para as suas casas. Aliás, a lei 37/2007 é pródiga em excepções e facilitações várias, muito longe das mais recentes leis dos restantes países europeus (não haverá adjectivos para as classificar se um dia chegam também cá via Bruxelas, "fundamentalista", "talibã" e "fascista" já foram gastos com a actual). Mas nada disso foi feito, é mais fácil oferecer uma borla ao sr. ASAE e esperar que este procure um flash para onde esfumaçar a sua cigarrilha. Uma perfeita estupidez em qualquer estado de direito sério, um golpe de mestre em Portugal.

Mas o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. É uma lei que veio da tecnocracia, e não da esquerda, dos sindicatos e do governo (responsável pela nomeação dos dois senhores por demitir), como devia. É uma lei aprovada por unanimidade no parlamento, mas com vários dos seus deputados a chamarem-na "fundamentalista" logo a seguir. Mas neste país de faz de conta onde tão poucas coisas são para levar a sério, não o será certamente o parlamento. Seria a ASAE a valer-nos.

Assim nos convencemos, nós os apoiantes da lei (90% da população segundo algumas sondagens), que apesar de todos os pesares, a lei seria para cumprir. O balde de água fria veio logo na manhã do dia 1. O sr. ASAE, que construiu nos média a imagem do terrível e implacável zelador pelo cumprimento da mais obscura alínea de legislação comunitária, voltava-se agora para a defesa dos interesses dos casinos - usando, como de costume, os média. Começo da bandalheira.

Perante o desmazelo da ASAE, de resto deslegitimada para a função, vão pululando zonas de fumadores com uma reles ventoinha, muito superiores a 30% do total do espaço e sem qualquer separação da zona supostamente livre de fumo. "É o mercado a funcionar!" - gritam ululantes os pró-fumo (que não são, felizmente, todos os fumadores). Sem dúvida o mercado (essa suprema santidade), mas não só.

É óbvio que nenhum comerciante quer perder clientes, e logo, nenhum comerciante manda por dá cá aquela palha um cliente para a rua. E fumar em espaços públicos fechados é, por via da tradição, do hábito, do sempre-foi-assim, um "dá cá aquela palha". Mas só, rigorosamente só, por isso. Pois não há um único argumento racional, médico, científico ou higiénico, se quiserem, que legitime o fumo. Não há, só a tradição. A mesma que justifica pôr crianças de 5 anos a fumarem cigarros pelos reis em Mirandela. E tantas outras e piores coisas, "é tradição" ponto, está justificado o injustificável. E nisso se baseia a tradição de tolerar e conviver com o fumo, por mais incómodo seja.

É por isso que uma lei anti-fumo só funciona se for uma lei forte. Sobretudo se estivermos a falar de países onde o respeito pela lei está, contrariamente ao fumo, longe de ser uma tradição estabelecida. Uma lei frouxa, que deixe cobardemente a decisão nas mãos dos comerciantes - os tais sujeitos à tal lei do mercado de que o cliente tem sempre razão - é uma lei condenada a não produzir efeitos. Olhe-se para Espanha. A frouxidão do processo não conseguiu romper com a tradição de tolerância ao fumo, e este venceu.

O progresso implica ruptura com o passado. E um ar livre de fumo é, definitivamente e sob qualquer ângulo de visão, um progresso. Há portanto que romper com a tolerância com o fumo, e fazermos valer (já que os políticos se recusam) o nosso direito, esse sim, ao ar limpo. E a lei, mesmo com todas as suas falhas, não nos desprotege por completo. Podemos e devemos exigir o seu escrupuloso cumprimento. E podemos e devemos privilegiar os espaços 100% livres de fumo. É a melhor resposta às inflamadas declarações de boicote aos mesmos.

Fica publicada então esta resolução de ano novo: só entro em espaços 100% sem fumo. Não me interessa se a sala de fumo fica nas masmorras, se existe, não entro. Bem sei que tal implica, por exemplo, o total boicote à noite gay do Porto - oh horror, oh tragédia - mas estou certo que sobreviverei. Fazer de conta que se vive num país em progresso será certamente melhor que a triste acomodação à realidade.

terça-feira, janeiro 08, 2008

Quem é que disse que o tabaco era uma droga leve?

Valham os tempos de antena do PS


Tempo de antena do PS imediatamente antes do Telejornal: tudo tão fresco, tão bonito, tão optimista! Amei, devia passar todos os dias. O país assim parece outro! Escusado será dizer que desisti imediatamente do Telejornal, para não me cortarem a disposição. Ainda procurei no YouTube pelo dito tempo de antena, mas o PS ainda não actualizou o que parece ser o seu canal oficial. Assim, deixo-vos antes com um vídeo equivalente q.b., igualmente colorido, optimista e original, dos Hot Banditoz da Alemanha.

domingo, janeiro 06, 2008

Postal do dia de reis

"É só tradição", ou, "como se faltassem razões para se ser ateu e republicano". Mais sobre a "Festa dos Rapazes" em Vale de Salgueiros no site da Câmara Municipal de Mirandela, que isto das tradições deve-se sempre preservar e promover.

PS: ui, ui, a entrevista ao presidente da junta, um mimo! :)

Vencedor do 4.º Concurso Fotográfico do Renas

Como os leitores mais atentos certamente não deixaram de reparar, este bloguito celebrou o seu 4.º aniversário no passado dia 11 de Dezembro, e como é habitual, para celebrarmos a data, promovemos uma vez mais o Concurso Fotográfico do Renas, que, se bem se lembram também, foi ganho pelo sr. Plattdorf em 2004, ano do seu lançamento. Infelizmente desde 2004 que não contamos com apoios do Governo da Madeira para a promoção do referido concurso, pelo que este tem dependido inteiramente da boa memória, espírito de iniciativa ou sorte dos nossos leitores, razões que levaram à anulação das edições 2 e 3.

Mas eis que este Inverno o concurso volta em toda a sua pujança e originalidade, com esta brilhante entrada, que pouco importa ser única ou involuntária, pois teria ofuscado qualquer rival, da autoria de Vítor Pimenta, excelso blogger de Arco de Baúlhe, terra onde não há a menor dúvida de que os enfeites das celebrações do Solstício querem-se com renas! Um grande bem-haja pois para o Vítor e toda a baúlhense freguesia natal (que se bem se lembram ainda, teve um papel decisivo na última eleição camarária da capital). Arcos de Renas em Arco de Baúlhe é pois a grande vencedora do 4.º Concurso Fotográfico do Renas.

PS: A organização está a tentar amanhar um prémio para o laureado, será anunciado assim que amanhado e entregue.

Censurado em França

Parece que o problema é que é um anúncio "hipersexual", mas pelos vistos vêem-se muitos anúncios destes, também em França, em modo heterossexual, sem que por isso se tornem hipers, categoria reservada aos homos, portanto.

Dica rénica: também funciona com estudantes universitários

quarta-feira, janeiro 02, 2008

2008 com fumo

«Assim, para redenominar as escolas públicas o Ministério entendeu encarregar da escolha as assembleias de escola, dando entretanto a indicação aos órgãos directivos de que devem ser evitadas alusões religiosas, como nomes de santos ou santas. Esta ordem gerou alguma polémica em agrupamentos do distrito de Braga, com várias pessoas a recusarem o riscar do nome da terra.»
O Ministério da Educação já desmentiu a mentira com que o Correio da Manhã decidiu começar o seu ano desinformativo. Mas vale a pena lê-la atentamente. Aparentemente a mentira nasce em Braga, e a única pessoa que o CM decidiu contactar a seu propósito foi o presidente da Confederação Episcopal Portuguesa, que logo se prontificou a maldizer o "fundamentalismo laicista".

«Espero que tudo isto não passe do mundo das intenções e que, na hora da verdade, o bom senso prevaleça», disse ainda o senhor Jorge Ortiga. Sensatas palavras sem dúvida. É assim que se dá a ideia que uma mentira, mesmo que prontamente desmentida, podia ser uma verdade.

E assim nasceu o mito de que um dia a ministra da educação quis limpar os nomes dos santos das escolas. Nasceu e viverá por mil crónicas politicamente incorrectas a publicar por toda imprensa... Pouco importa que tal mito mentiroso surja poucos dias depois do governo, do qual a ministra faz parte, ter anunciado um novíssimo "Hospital de Todos os Santos" para a capital. A mentira tem pernas longas, faz Braga-Lisboa num saltinho de pardal, e a insinuação viverá para sempre.

Adenda: A Agência Ecclesia já deu o seu contributo à causa, sigam-se então os tablóides e depois, finalmente, os editoriais do Público.

West Coast of Europe/Faroeste da Europa

Portraits from the West Coast of Europe

«O inspector-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) foi fotografado a fumar num casino depois da entrada em vigor da lei do Tabaco, segundo o “Diário de Notícias”. (...) Em explicações ao “Diário de Notícias”, António Nunes considerou que a nova lei "não proíbe expressamente o tabaco nos casinos e nas salas de jogos", justificando com a existência de um conflito de interesses com a lei do jogo, que contudo, não faz qualquer referência ao consumo de tabaco.»
Ainda não se demitiu, nem há ainda notícia de despedimento. Ou sequer multa! Pidesca e moralista? Não me parece. Corrupta, laxista e classista West Coast, isso sem dúvida. Ou seja, um autêntico Faroeste.

PS: Na mouche, como de costume, a Fernanda Câncio sobre o caso, a ler aqui. Só há uma nota de que discordo, a ideia de que o fotógrafo apanhou o inspector. Parece-me desde o início que foi ao contrário, aliás, o sr. ASAE é expert nisso - chamemos-lhe "fiscalização espectáculo". E o próprio já afirmou publicamente, com a enorme lata que sempre exibe, que o departamento jurídico da instituição que preside tinha já "descoberto" a "excepção casineira" ainda antes do ano novo. É assim que se conseguem borlas para o réveillon no casino.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

Boas entradas!

Anos Novos há muitos seu palerma!

A lista n'Os Tempos que correm, para quem não estiver em sintonia com o calendário que rege, entre outros, estes bloguito. As minhas resoluções de ano novo só estarão totalmente decididas e postas em prática a tempo do Muharram, parece-me. Oxalá sejam mais resistentes que as de 2007.

Contributo para o roteiro do fumador

Num directo da RTP1, um dos poucos restaurantes do Porto onde se poderá fumar a partir de amanhã. Ao lado do autocolante "fumadores" uma bandeira monárquica. Não sei se pelos tons azuis, mas pareceu-me haver ali uma enorme sintonia ideológico-temporal. Só não lembro é o nome do restaurante, desculpa lá Daniel ;)

Balançando 2007

Parece que é obrigatório que cada blog balanceie 2007, e assim sendo, para não fugir à lei, cá vão as minhas eleições:

Maior desilusão de 2007: José Luís Zapatero - e lá caiu a máscara de grande líder da esquerda europeia, de alternativa à terceira via de Blair. Acabou com o imposto sobre as grandes fortunas, adiou o aborto para as calendas gregas (agora se vê como a situação espanhola não era afinal tão melhor que a portuguesa pré-referendo), a lei anti-fumo foi um perfeito fiasco e a intolerância com os movimentos independentistas continua em alta. Isso tudo e ainda a contínua subserviência do Partido Socialista (?) Operário (?) Espanhol à monarquia. Sim, Zapatero teve um fulgurante início de mandato, mas com o tempo se vê como afinal é só mais um "socialista" da estirpe de Prodi, Sócrates ou até Blair. As eleições estão à porta, mas isso não justifica tudo.

Maior pagode de 2007: Nicolas Sarkozy - finalmente um presidente francês de ascendência húngara a governar à italiana, isto sim é europeísmo, ou talvez não. As bebedeiras, o divórcio, a namorada nova, a incapacidade de conseguir o voto das mulheres com quem se relaciona, os almoços com Kadáfi, tudo é festa! Efeito negativo, a imprensa francesa tablóidiza-se a um ritmo alucinante.

Menor respeito próprio de 2007: mensagem de natal de Tony Blair aos cachorros de Bush.

Maior bonzão de 2007: Nelson Évora. Os saltos do Nelson, a lycra do Évora... no more comments.

Maior irritação de 2007: Mariza - ¿Por qué no te callas?

Maior José Sócrates de 2007: Ricardo Araújo Pereira.

Maior Marcelo Rebelo de Sousa de 2007: Ricardo Araújo Pereira.

Momento zen de 2007: a vitória do Sim no referendo.

Heróis do Mar de 2007:
a selecção de râguebi nacional, podes perder em tudo, mas se tens cartão de militante do CDS e choras a cantar o hino serás sempre um herói.

Maior inocência de 2007: Cavaco Silva não sabe como se podem fazer mais bebés.

Maior traveca de 2007: Bento 16, o eterno celibatório pró-ocultação dos casos de pedofilia dentro da igreja, em mensagem de apoio aos manifestantes pró-família tradicional em Madrid.

Maior travesti de 2007: Filipe Duarte no filme "A Outra Margem", lindo lindo lindo. Os padrõezinhos de bom travestismo em Portugal foram elevados para níveis nunca antes vistos. Quando morrer quero uma travesti assim a espalhar-me as cinzas sff.

Maior xerox descoberta em 2007: Paulo Portas.

Maior testemunha de Jeová de 2007: Floribella - Jesus é o salvador, mas a minha mãe é uma árvore.

Maior ateísmo de 2007: mensagem de natal de Policarpo.

Pior Ricardo Araújo Pereira de 2007: José Sócrates.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Ui se isto fosse na Venezuela!

«Sabino Ormazabal (San Sebastián, 1953) lleva más de 25 años profundamente implicado en el campo de la filosofía y la acción política no violenta. Sin embargo, ha sido condenado a 9 años de cárcel por colaboración con ETA dentro del sumario 18/98, el llamado ‘caso Kas-Ekin-Xaki’. Actualmente está en libertad bajo fianza.»
O que vale é que foi no País Basco, não poderia interessar menos aos jornais portugueses... realidades exóticas e longínquas... na volta e os presos políticos são até uma tradição cultural local. Não há drama, portanto.

Pedofilia: "há crianças que provocam", diz bispo de Tenerife

«En una entrevista concedida al diario La Opinión de Tenerife, el obispo se extiende en la idea hasta replicar a la periodista, que, previamente, le había señalado que “la diferencia entre una relación homosexual y un abuso está clara”. Por si persisten las dudas, la entrevistadora recuerda al obispo que “un abuso es una relación no consentida”. La respuesta del prelado no deja lugar para las dudas.

"Puede haber menores que sí lo consientan y, de hecho, los hay. Hay adolescentes de 13 años que son menores y están perfectamente de acuerdo y, además, deseándolo. Incluso, si te descuidas, te provocan”.»
Não se pense que é caso único na Igreja. A diocese de Nova Iorque editou há poucas semanas um guia a explicar às crianças que lhes compete a elas afastarem-se dos possíveis pedófilos do clero católico. Enfim, tudo em coerência com as linhas orientadoras do Vaticano escritas por Ratzinger, antes de ter sido eleito papa pelo Espírito Santo, que definem como procedimento correcto a adoptar pela igreja em caso de abuso sexual de menores, a ocultação dos factos às autoridades competentes. Mas enfim, crianças violadas, isso é lá problema?
«"Todas as expressões de ateísmo, todas as formas existenciais de negação ou esquecimento de Deus, continuam a ser o maior drama da humanidade, que tiram todo o sentido ao Natal, que é a exultação e o grito de alegria e de esperança que brotou do reencontro do homem com Deus", destacou José Policarpo, na missa do dia de Natal, na Sé de Lisboa.»
Pelo menos, nada comparável ao flagelo ateísta, responsável por tantas não-idas à missa. Absolutamente dramático. E ainda há quem se preocupe com a fome em África ou o abuso de crianças, é preciso ter lata realmente!

Ilustremos então este drama, para que ninguém duvide da sua gravidade, com a blasfema mensagem de Natal do RAP:

Novo ano, novo ar

Tenho estado à espera que surja no 5 Dias a brilhante crónica anti-tabágica que a Fernanda Câncio escreveu na Notícias Magazine, mas o texto nunca mais surge para que o possa copiar. Azarinho, terei eu que escrevinhar alguma coisita. Começo então pela rénica sondagem, que resultou em 64% dos rénicos eleitores a acreditarem na correcta aplicação na nova lei do fumo, muito por mor do efeito ASAE; 22% a achar que a lei tem demasiadas lacunas, que poderão resultar num fracasso semelhante ao da lei espanhola; e finalmente 12% que passará a ter que aceder ao renas através de atalhos à censura chinesa, país para onde tencionam emigrar por se poder fumar à vontade.

Quando a lei estava a ser cozinhada eu era dos pessimistas. Estavam a ser abertas demasiadas excepções que poderiam levar à anulação da lei. Mas neste momento faço parte dos 64% que acreditam que a lei irá ser aplicada. Já várias notícias tem saído com números acima dos 90% de estabelecimentos que proibirão totalmente o fumo, e sente-se no ar que será mesmo para levar a sério. Óptimo. É pena que tenha que ser assim, mas a história tem mostrado que só assim os não-fumadores conseguem fazer valer o seu direito ao ar limpo. Não houve bom senso que impedisse o fumo nos comboios ou aviões, foi a proibição que funcionou. Funcionará também agora.

Pena é a mensagem, trilingue (mas sem mirandês ou língua gestual), escolhida para indicar os locais livres de fumo e os enfumarados, "não fumadores" versus "fumadores". Ora ninguém está proibido de ir a lado nenhum, só se proíbe o fumo, era simplesmente isso que devia dizer nos sinais, "proibido fumar". É isso mesmo que dirá nos sinais franceses, cuja lei, para cafés e restaurantes, também entra em vigor no próximo dia 1. Mas enfim, será mais uma desculpa para os fumadores se vitimizarem, só isso. O importante é que funcionários e clientes não fumadores deixem de ser vítimas reais do fumo.

Para terminar deixo aqui os anúncios da campanha anti-tabagista da UE, que sempre me pareceram dos melhores que já vi sobre o tema.





quinta-feira, dezembro 27, 2007

Um 2008 com cheirinho a alecrim


A RTP2 anda a passar a horas tardias (o que é bom quer-se escondido na programação, para não estragar) uma série documental sobre o Chico Buarque. Imperdível e imperdoável passar a tão más horas. Esta pérola, lá vista no episódio de ontem, serve também de postal de Bom Ano Novo para os leitores rénicos ;)

domingo, dezembro 23, 2007

Acenando agora também no YouTube


Por estes dias a rainha de Inglaterra tornou-se na mais velha monarca de sempre naquelas paragens. E para celebrar esse facto, bem como o 50.º aniversário do seu primeiro discurso de natal televisionado, Isabel 2.ª lançou agora o seu próprio canal no YouTube. Espreitei, mas não me deixei convencer. Prefiro a reportagem da Onion, aqui em cima.

Conversões de natal a preço de saldo

Antony Flew, um nome que provavelmente nunca ouviu antes, era, de acordo com o subtítulo do seu último livro, "the world’s most notorious atheist". O título é "There Is a God" (Deus Existe) e foi escrito a meias com o religioso indo-americano Roy Abraham Varghese, Flew é britânico. A questão da nacionalidade não é um pormenor neste caso, já que é curioso constatar o inglês americanizado com que Flew defende a existência de Deus na "sua parte" do livro - Anthony Gottlieb escreve mesmo no New York Times que Flew além de crente parece ter-se tornado americano. Vale a pena ler a crítica completa de Gottlieb - irónico não é? Gottlieb ("Amor de Deus" em alemão) não se deixou convencer por esta conversão.

Convém ainda salientar que Flew, que surge como o "mais notável ateísta" depois de deixar de o ser, sempre teve uma postura muito aberta à ideia religiosa, o seu princípio era presumir o ateísmo até que Deus se evidenciasse. Um princípio sensato sem dúvida, resta saber é se foi sensata a análise da evidência divina entretanto encontrada.

Uma boa deixa para passarmos para a mais badalada conversão da época, não uma mera conversão a um "Deus indefinido" (Flew diz rejeitar as noções muçulmanas ou cristãs de Deus), mas uma conversão a uma organização religiosa com crendices muito específicas e detalhadas, de gravidezes virgens a santidades papais. Falo, é claro, de Tony Blair, o mesmo que no ano passado garantiu ter rezado a Deus para se decidir quanto à Invasão do Iraque - excelentes evidências divinas terá encontrado Blair na resposta. O Iraque é uma festa.

E o Vaticano também, que rejubila com tão notável convertido. Valham-nos as beatas para porem os pontos nos ii. Ann Widdecombe, conservadora britânica convertida em 1993 ao catolicismo, lembra que o histórico de Blair na Casa dos Comuns não é nada favorável à ICAR, basta ver o seu voto em assuntos como o aborto - ou a orientação sexual, acrescento eu. Terá mudado ele de ideias agora? - dispara Widdecombe. Não é provável, já que a sua conversão estava há muito prevista, como informa a BBC. A crença que tinha, a crença que tem - ou seja, ou é mais frágil que o que parece ou não é suficientemente forte para influenciar o seu posicionamento político. Excepto, é claro, em relação à invasão do Iraque, divinamente inspirada. Seja como for, poucas razões para o Vaticano rejubilar.

Disse "poucas"? É ainda menos do que isso, termina assim o artigo da BBC: «Estimativas do número de idas à igreja em 2006, baseadas em números de anos anteriores, revela que 861,800 católicos assistiram à missa todos os domingos, enquanto que os anglicanos que o fizeram foram 852,500.» Para a BBC o facto do número de católicos praticantes ultrapassar o número de anglicanos parece ser o dado relevante destes números. Mas a mim parece que não chegar a 2 milhões o número de praticantes das duas principais igrejas do Reino Unido é, isso sim, o dado a assinalar. 60,2 milhões é o número de habitantes das ilhas, ainda de acordo com a BBC. Mas as notícias são sobre o sr. Blair (que até já ia à missa antes). Bem, pode ser que o sr. Flew se decida a ir um dia destes... sempre seria mais um.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Desnorte

Qual será a região mais pobre da península e adjacências? Será aquela que tem uma taxa de IVA reduzida (12%)? Será a que oferece subsídios para voar para fora da dita? Será a que tem um governo regional próprio e votou contra essa possibilidade nas restantes regiões do seu estado? Não, nada disso. No actual regime de "1 país 2 sistemas" compensa ser "colonizado", e quem se lixa é o "berço da nação"...

Muito mais informações e comparações no último "A Península Ibérica em números".

Os apressadinhos

Nota-se já pela blogosfera um silêncio de quem foi antes fazer barulho para o shopping "porque o natal está a chegar", dizem-me. Mas olho para o calendário e... surpresa: É SÓ NA TERÇA-FEIRA! Que seca esta pressa... vai tudo a correr, em fila, e depois é tudo caro e inadequado, e não se decidem e voltam de mãos a abanar e descontentes. Darlings, dia 24 é o dia para se fazerem as famigeradas compras de natal - que, insisto, é só no dia seguinte. Na véspera o consumidor fica muito mais decidido, intuitivo, os preços parecem muito mais razoáveis e ainda tem de bónus justificar o atraso na chegada à ceia familiar. Enfim, um gajo bem aconselha, mas anda tudo apressadinho, a comprar presentes para... esconder no sótão. Que tristeza.

terça-feira, dezembro 18, 2007

Se a homofobia mata muita gente...

A homofóbico-fobia mata muito mais. É pelo menos esse o parecer de Nuno da Câmara Pereira, fadista monárquico e, nas horas vagas, deputado - por obra e graça de Santana Lopes - encarregue de deitar ao lixo as petições dos cidadãos homofóbico-fóbicos.

Pouco importa ao caso que NCP seja militante de um partido prestes a ser extinto por falta de militantes, uma cunha santanista é uma forma tão ou mais democrática de chegar ao parlamento que o voto consciente e esclarecido num partido. Por isso nem vale a pena reclamarem que a petição tem mais assinaturas que o PPM votos e militantes somados, porque.. bem, porque isso é paleio de intolerante com a intolerância e a cunha, duas instituições nacionais, que se souberam preservar melhor que a monarquia.

Uma pena o Santanás não ter ficado mais tempo em S. Bento, ainda veríamos o Duartinho (aquele senhor de bigode que gosta que o tratem por "dom") em Belém, como o menino Jesus. O Cavaco é que lixou tudo.

Wanda Sykes on gay marriage


Brilhante. Via Inbetween.

A miséria

A discussão que o patronato/CDS tem criado em torno do aumento do salário mínimo (que aliás estava já discutido, em tendo-se palavra não haveria o que discutir) é tão absolutamente miserável que até custa falar no assunto. Basta olhar para o salário mínimo da Grécia (668€) para se perceber o atraso em que estamos - ou será que a economia grega sempre a par da nossa, ou um passinho atrás até, de repente transformou-se num "dragão mediterrânico"?

E também não é difícil perceber que quem aufere o salário mínimo em Portugal é pobre. Trabalha a tempo inteiro, paga impostos, mas é pobre. O anunciado aumento de 5% mal cobre a inflação, que para quem é pobre será mais alta do que para quem é rico, pois quem é pobre não compra, p.ex., material informático, que contribui para uma baixa no cálculo da dita cuja. Enfim, tudo isto é triste e reles, e não é, certamente, motivo para o Sócrates se gabar.

Ler mais sobre o caso no Zero de Conduta e no Ladrões de Bicicletas.

Rio de Dezembro


Só hoje me deu para ir procurar ao YouTube o tão falado vídeo do gang da Ribeira, aka Grupo Terrorista da Ribeira, ei-lo. Fiquei no entanto com a dúvida se se pode classificar como um coro de queixas ou não, o género musical que recomendo para estes dias invernosos. Seja como for aqui fica, que a divulgação da nova música portuguesa nunca é demais. Ou sim. Mas giro giro era mandar estes meninos à Eurovisão, não havia máfia de Leste que travasse a vitória tuga :) Será que as pulseiras electrónicas funcionam em Belgrado?

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Como é que se sai da UE?

De tudo o que já ouvi dizer do Tratado de Lisboa (o 3.º), o que mais me agradou foi a possibilidade de um estado-membro abandonar a União Europeia, situação que não estaria prevista em nenhum outro documento. Escrevo "ouvi dizer" porque naturalmente não li as 287 páginas da sua versão em PDF, e muito menos todas as milhares e milhares de páginas subjacentes - como ouvi de um eurodeputado qualquer, as 287 páginas são só a ponta do icebergue.

Isto vem a propósito da ideia de referendar a continuação de Portugal na UE, lançada por alguns opositores ao referendo ao Tratado de Lisboa (TL). É um pouco misturar alhos com bugalhos. Mas é pena que ninguém agarre o repto. É que a UE é-nos apresentada desde que me lembro como 1) uma gorda e generosa teta de dinheiro e 2) uma absoluta inevitabilidade histórica sem qualquer tipo de alternativa.

O argumento de que o TL é inreferendável é bem ilustrativa da ideia de que Portugal na UE não fala, ouve - mais realidade, do que simples ideia. E com o TL falará ainda menos do que até aqui. Deviam agarrar-se antes ao argumento de que os políticos foram eleitos, e desde sempre que os eleitos são do clube Bruxelas-sim-sim. Claro que esse argumento tem o seu calcanhar, já que os eleitos actuais também o foram com a promessa de um referendo...

Mas voltemos à questão da continuação na UE, essa sim interessante. O repto não foi agarrado e não era para ser, era pura retórica para assustar - oh, sair da UE, a tragédia, as trevas! Mas porquê?

A participação de Portugal na UE só poderá ser democrática se for uma escolha livre, e só pode ser uma escolha livre se houver alternativas. Desde 1986 que a adesão é uma contingência, e não será um referendo sob o signo da ameaça que vai transformar isso numa escolha. É por isso que é tão importante que surja no panorama político, à esquerda ou à direita, um plano de saída da UE credível.

Olhe-se por exemplo para a Islândia, que está aberta à UE (é parte de Schengen) sem dela fazer parte (está na EFTA, onde também estivemos), vive da pesca (coisa que também tínhamos antes de 1986) e está em 1.º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Sim, a vida, incluindo a boa, é possível fora da UE. Só não há quem ouse propor tal coisa em Portugal.

Note-se que não digo que apoiaria tal plano, digo apenas que ele é necessário, urgente até. O eurocepticismo é a receita ideal para transformar o nosso euroconformismo em real e produtivo euroentusiasmo, que não vá atrás de tudo o que lhe mandam. É preciso vermos a porta de saída para podermos escolher ficar cá dentro.

De "impolítico" é que isto não tem nada

«Sei que é impoliticamente correcto falar de crucifixos, presépios e outros símbolos religiosos, sem imediatamente invocar os símbolos de todas as outras religiões do mundo, como se pudéssemos apagar o nosso passado e fingir que não pertencemos a uma civilização marcada pelos princípios judaico-cristãos.»
E a ladainha do "politicamente incorrecto" atinge um novo nível... é o PiC 2.0, pela mão de Isabel Stilwell, que a versão 1.0 já estava demasiado gasta, foi um fartote no natal de 2006, há que inovar portanto.

"Onda de homicídios no Porto" afinal não era apenas exagero da imprensa

quinta-feira, dezembro 13, 2007

O futuro presidente do Conselho Europeu

Como se faltassem razões para apreciarmos o cachorrinho europeu nº1 de Bush... ou para dizermos ámen ao novo tratado. Vídeo em versão original aqui.

Gatofobia tem cura

Quando é que fazem o mesmo com os homofóbicos?

A assinatura e os beijinhos

Pelo meio do bovinismo da emissão pela RTP da assinatura do novo tratado europeu (só comparável ao bovinismo das emissões pela mesma estação das cerimónias de Fátima) sempre houve oportunidade para nos rirmos um pouco. A eterna bebedeira de Sarkozy brilhou. Mas houve outros momentos mais curiosos, como a insistência de Sócrates e Amado em cumprimentarem de beijo todas as mulheres, mesmo quando estas estavam já de mão estendida, ou o embaraço de ambos em receberem os beijos da comitiva italiana. A igualdade desconcerta-os. Tal como desconcertou algumas das políticas nórdicas o cumprimento desigual.

Lembrei-me logo deste post do Opaco com o mapa de França dividido por número de beijos que é usual dar-se. Mas ainda mais interessante do que esse, seria um mapa europeu que ilustrasse os locais onde os cumprimentos são igualitários, sejam beijos ou cumprimentos de mão.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Beijinhos SICk

Já tinha comentado n'Os Tempos que correm que o novo anúncio da Dolce & Gabbana era giro e tal, mas eh... ainda deixava muito a desejar. Cito-me: «um beijo demasiado curto, num anúncio demasiado irreal, a um produto luxuoso (caprichoso?), e os beijantes são o reflexo de si próprios». Ora acontece que até então só tinha visto o anúncio na RTP, e agradou-me o facto de o ver durante o dia e não atirado para o final da emissão. Mas eis se não quando o sintonizo na SIC, e... saltaram a parte do beijo! Ainda pensei que fosse distracção minha, mas pouco depois lá passa a versão a terminar com as meninas, clones uma da outra, e... abraçadas também, sem beijo. Na SIC, o beijinho já de si breve e auto-contemplativo, sumiu. Cadê? Porquê?

Já agora, e na TVI, alguém sabe se passa, quando e como?

Onde é que isto vai parar!?

Assim começou o Jornal da Tarde da RTP, pela voz de Carlos Daniel, a propósito de um homicídio de um segurança do Porto. Lanço a mesma pergunta, mas antes a propósito do jornalismo sensacionalista da RTP. Onde é que isto vai parar?

Pior. Além do tom "conversa de café" e do histerismo com que são apresentados os serviços noticiosos da televisão pública (com a falta de qualidade e rigor da privada posso eu bem, não me sai do bolso), nem sequer os casos de faca e alguidar aos quais a TV decide dar máxima importância são apresentados com um mínimo de profundidade. Quais moços de recados do palhacinho de serviço, todos acorrem a interrogar o governo. Mas ninguém é capaz de fazer as perguntas verdadeiramente incómodas e a quem de direito. Quantos agentes da PSP são também seguranças? E de que forma isso interfere com a investigação?

Agora, falar em "guerra" ou "onda de homicídios" no país onde só no ano passado pelo menos 39 mulheres foram assassinadas pelos maridos ou companheiros, sem que tais casos tenham sido notícia fora das páginas do CM e JN, é um bocadinho despropositado não? Ou será que há assim tantos espectadores que sejam seguranças da noite do Porto e devam por isso ser alertados via RTP?

sábado, dezembro 08, 2007

Ecologismo tablóide

«Pode uma acção ambientalista, promovida por um jornal de grande circulação, ser prejudicial para a Europa? Ao que parece, sim, sobretudo se o jornal em causa for o alemão "Bild", a publicação com maior audiência no país, e a acção ambientalista, da Greenpeace, for um apagão eléctrico de cinco minutos, com vista a sensibilizar os participantes da Cimeira das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, em Bali, Indonésia.

Como é óbvio, um apagão de cinco minutos em toda a Alemanha (país com mais de 80 milhões de habitantes) não é uma medida suficiente para alterar a produção de energia eléctrica. É por isso que algumas associações ambientalistas alemãs desvalorizam esta iniciativa apoiada pelo "Bild" e cerca de outras 40 organizações ambientalistas.

Mas se houver muitos alemães a aderir ao apagão, previsto para hoje, entre as 19 e as 19.05 horas (hora de Lisboa), "há sérios riscos para a rede de abastecimento de energia europeia, em que a produção e o consumo têm de estar permanentemente em equilíbrio", explicou um responsável da RWE, a maior empresa energética europeia.

A fonte de preocupação para as companhias de electricidade é o facto de várias empresas, como a BMW, Bosch, Telekom e T-Mobile aderirem à iniciativa. Se se apagarem milhões de luzes ao mesmo tempo, tal poderá desligar parte da rede eléctrica da Europa devido aos sistemas automáticos de segurança.
»

Mas o que importa é que em Bali se sensibilizem... raisparta a palermice.

sexta-feira, dezembro 07, 2007

E se um coro não for suficiente, chamem a Björk


As bandeiras nos ombros da deusa islandesa são as da Gronelândia e das Feroé (ambas colónias dinamarquesas), mas esta canção promete fazer sucesso em muitas outras paragens, da Catalunha ao Kosovo. O mau gosto jardinense deverá contudo servir de filtro na Madeira. Já se o Norte tivesse uma bandeira, hoje ia para rua cantar isto com ela ao vento... poupam-se os tímpanos da vizinhança. A não ser que encontre uma da minha freguesia. [via]

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Direito à indiferença

Uma reportagem do The New York Times sobre famílias judaico-cristãs e a competição entre Natal e Hanucá que por vezes isso gera. Entre vários exemplos familiares, o de Rick Draughon (cristão), Scott Gamzon (judeu) e Noah, o seu filho adoptado. Suponho que este tipo de cobertura jornalística, com gays visíveis mas sem um assunto gay ou o termo sequer, só seja possível com mentalidades já mudadas. Suspiro...

Curioso também como ao longo da reportagem coisas como a árvore ou o pai-natal são vistos como símbolos óbvia e indiscutivelmente cristãos. Creio que faria bem à harmonia familiar se estas pessoas fossem de férias a Tóquio ou Singapura em Dezembro (nunca fui, mas diz que...).

Coros de queixas (literalmente)


Agora que entramos na época da música coral por excelência, uma espreitadela às novas tendências do género. Coros de queixas! O primeiro coro de queixas organizado enquanto tal foi o de Birmingham, logo seguido pelo de Helsínquia (aqui em cima) e o de Hamburgo. Até já há um infantil, o de Poikkilaakson. O surpreendente é ainda não haver nenhum coro português nesta rede global de queixosos cantores. Já agora, as queixas de Budapeste devem ser as que mais nos dizem (a da carrinha dos gelados é a minha favorita).

Mas há pelo menos duas performances apadrinhadas pelo Gato Fedorento que merecem menção (aqui em baixo). Só falta profissionalizarem-se e lançarem um sistema de franchising ou coisa que o valha, todas as cidades portuguesas deviam ter um coro destes. Queixas por certo não faltarão.



4 pessoas detidas em Vigo por mais uma queima da foto do João Carlos

Para que não se pense que o culto de personalidade não é para levar a sério, das moedinhas aos selos, até às leis especiais contra opositores, upa, upa. Tendo isto acontecido a cerca de 30km da fronteira portuguesa, temos o dever de solidariamente aproveitar os últimos magustos para assar algumas Holas e Caras que tenham a real focinheira na capa.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Um Natal porreiro, pá!


Uma adenda a isto (ou não fosse esta rena ultra-sexy). Via Womenage. Na Webboom. E para quem não se lembra, o vídeo original.

PS: A publicidade está giríssima, mas este blog não recomenda a compra de livros das editoras portuguesas para presentes de natal, em jeito de boicote pelo boicote por estas anunciado. Sendo a Webboom propriedade de uma dessas editoras, também não recomendamos qualquer compra através desse site. Melhor procurar nos ".com.br".

Percebemos que o nosso blog é pura perda de tempo inconsequente quando...

...nos deparamos com o empreendedorismo e sentido prático da blogosfera alentejana. De Beja, para ser mais exacto:
«PEDIDO DA ADMINISTRAÇÃO

Meus amigos, o Gayengatesbeja tem agendada desde há algum tempo uma orgia, como devem ter conhecimento. No dia 1 de Dezembro realizámos uma mini-orgia, que por questões de logística, foi muito limitada, só tendo podido participar 6 elementos, mas que correu muito bem, felizmente.
Em relação à grande orgia, em que o número de participantes é muito maior, e que já está em preparação desde Setembro, deparámo-nos com, um problema de última hora. Estava prevista a realização da mesma, num monte alentejano (quinta), nos arredores de Beja. Por questões de força maior, a pessoa que nos cede esse espaço, só o vai poder disponibilizar em Janeiro, o que nós agradecemos imenso. Contúdo, e para dar seguimento às nossas promessas (não somos como o Governo), pedíamos a colaboração de uma alma caridosa, qualquer um de vós que tenha um espaço discreto e que esteja disponível para disponibilizá-lo para organizar-mos a nossa grande orgia, nós agradeceríamos imenso. De preferência no Alentejo, s enão for possível, noutra zona qualquer.
Se houver por aí alguem que tenha uma casa, um espaço qualquer que disponibilize por umas horas, à noite, para a realização da orgia, que entre em contacto connosco para o nosso mail gayengatesbeja@gmail.com
Imediatamente entraremos em contacto.
Muito obrigado a todos!

Gayengatesbeja.... "um por todos, e todos por um!"»
Do Alentejo mas com alcance global, "noutra zona qualquer". E com necessidades globalizadoras, atente-se:
«Onde andam os brasileiros, mulatos e negros???

O Gayengatesbeja, lança mais uma vez o desafio a Brasileiros, Mulatos e Negros!
Face à grande procura por parte dos nossos utilizadores, lançamos o apelo a brasileiros, mulatos ou negros, quer sejam bi, gay ou hetero, para que nos contactem via mail, a fim de bons momentos! Contacto: gayengatesbeja@gmail.com

Esperamos por vocês!»
Sim, "ou hetero", porque isto é um blog inclusivo e acolhedor:
«Gostarias de ter sexo com um homem pela primeira vez, mas tens receio? O Gayengatesbeja pode ajudar-te a resolver o teu problema de forma simples e completamente gratuita.
Temos uma equipa jovem, dinâmica e pronta a ajudar-te!
Nada tens a temer, basta simplesmente quereres descobrir os prazeres da vida!
De forma completamente sigilosa e descontraída, ajudamos-te a passar do sonho, ou do mero desejo oculto à realidade! Para qualquer esclarecimento ou questão contacta-nos através do nosso endereço de correio electrónico:

gayengatesbeja@gmail.com

Temos tudo o que tu procuras! Gayengatesbeja... deixa-te seduzir!»

Mas sem receio de polémicas:
«É curisoso como este blogue veio agitar as águas na cidade de Beja. A região em nada estava habituada a iniciativas pioneiras deste género. Um dos nossos objectivos é tentar criar abertura de mentalidade nas pessoas, em particular dos alentejanos.»
Salva a eventualidade de encontrar um equivalente nortenho, esta é definitivamente a descoberta blogosférica do ano. Um grande bem-hajam para os companheiros de luta alentejanos :)

Tem a palavra a anjinha da diocese católica de Nova Iorque

O mais seguro será mesmo evitar que a ocasião aconteça, concluiu o clero nova iorquino.