sábado, abril 05, 2008
domingo, março 30, 2008
Da santidade do casamento civil heterossexual e dos ventos que sopram de Espanha
«Igreja pede a Sócrates que controle laicismo de alguns membros do PSCuriosa esta colagem da ICAR tuga à estratégia, já derrotada nas urnas, da ICAR espanhola. Devem ter pensado, "se não funcionou por lá, pode ser que funcione por cá". Mas e daí nem tudo falhou do lado de lá da fronteira, afinal a teta do estado espanhol continua fartamente generosa para com o clube das sotainas, e a questão é sempre essa. Lê-se no fim da notícia do Público: «"Os padres já passaram a pagar impostos, a Igreja, nas suas actividades económicas também deixou de ter isenção fiscal, tudo isso já mudou. A Igreja Católica não quer ser privilegiada, mas também não admite ser prejudicada".» Pois, dão-se voltas e voltas e acaba-se sempre no m€$mo. É que os impostos, meramente simbólicos, que a igreja aceitou pagar tinham como contrapartida um aumento do fluxo da tetinha estatal para as bocarras clericais. Nham, nham.
O projecto do PS de fazer desaparecer o divórcio litigioso da lei portuguesa "é um grande erro que o país vai pagar caro no futuro", criticou o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Carlos Azevedo, para quem este projecto - que será debatido no plenário a 16 de Abril - é mais um sinal claro da postura de afrontamento que o actual Governo assumiu relativamente à Igreja Católica.»
É que pondo de lado a questão financeira, nada disto faz sentido. Afinal a igreja nunca reconheceu o casamento civil, e sempre se bateu contra o mesmo. Para a igreja um católico casado pelo civil é solteiro, e se se divorciar solteiro fica, e pode casar no altar a seguir (isto não é teoria, é prática, vejam a princesa espanhola). Seria até bastante lógico e razoável que a igreja usasse esta simplificação do divórcio civil para apregoar a mais valia do seu casamento religioso, que não permite esses deboches. "Quem ama a sério não tem medo de casar pelo igreja", seria um bom slogan, capaz de empurrar muitos casais para o altar, como derradeira prova de amor eterno.
Mas não é isso que preocupa a igreja, e se o casamento religioso continuar em queda livre, é uma carga de trabalhos que se poupa. As missas são muito mais fáceis de rezar só com 6 velhinhas no banco da frente.
Voltemos então ao sentido de oportunidade da hierarquia católica portuguesa imitar a estratégia eleitoralista da sua irmã espanhola, será mesmo boa ideia? É que em Espanha há um, e só um, partido de direita, cujo líder apregoa os valores católicos e exibe a sua própria família como exemplo vivo de quem os segue. A coisa por lá não tem muita credibilidade, é velho o boato de que Rajoy é homossexual, mas ao menos há um esforço por manter uma fachada.
Já por cá não estou a ver a quem a igreja se possa colar. Filipe Menezes exibiu há uns dias a namorada na televisão, para em seguida a sua esposa esclarecer na imprensa cor-de-rosa que o casamento deles ainda perdura, pelo que a "namorada" não o pode ser, relações extra-conjugais têm outro nome. Do CDS nem vale a pena falar. Fica claro que o "casamento para a vida" não é uma causa da direita portuguesa. Nisto, como em quase tudo, somos mais afrancesados que espanholados.
Resumindo e concluindo, melhor faria a igreja se procurasse outra bandeira, que esta do casamento é chão que já deu uvas. A igreja é livre de celebrar os seus próprios casamentos, seguindo as suas regras, e devia-se contentar com isso, que não é nada pouco. Quem dera à ILGA Portugal ter o mesmo poder casamenteiro.
Já em relação ao financiamento pelo estado pede-se apenas um mínimo de vergonha na cara. Foram séculos de farta mama, e está visto (ver capa da Sábado acima) que têm sabido pô-la a render. E ainda há o milagre de nunca terem sido obrigados a gastar um tostão com aqueles processos que tão caros ficaram lá nas Américas. Tirando talvez um bilhetinho de avião para o Brasil, claro está. Melhor à igreja rezar em discreto retiro a boa graça, do que aparecer muito na TV, pondo-se assim a jeito a que algumas pessoas percam a vergonha que a igreja nunca teve. A justiça portuguesa não assusta, por certo, mas agora com essa coisa dos tribunais europeus... parece que não há sotaina que isente de certas culpas. Já não há respeito, é o que é.
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quinta-feira, março 27, 2008
Human, Umani, do Homem?
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tags: língua, linguagem, machismo, moeda, politicamente correcto, temas fracturantes
quarta-feira, março 26, 2008
Brazilian Beauty
Cartaz da nova campanha pelo uso do preservativo do Ministério da Saúde brasileiro, especificamente dirigida a gays e "outros homens que têm sexo com homens". Via Estadão.
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terça-feira, março 25, 2008
Estimular a concorrência a partir da internet
«Os preços dos combustíveis sem impostos estão a subir em Portugal face à média europeia, em particular o preço da gasolina sem chumbo 95, que foi "sistematicamente superior" do que no resto da Europa, refere um estudo da Autoridade da Concorrência.»Parece que o sacrossanto mercado nem sempre funciona, há então que lhe dar um empurrãozinho. É para isso que serve o MaisGasolina.com, basta pegar no último recibo gasolineiro para contribuir para o seu bom funcionamento. Serviço público em formato web 2.0.
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tags: mercado, petróleo, preços, sites recomendados
Sim é complicado, no mínimo tens que ser um primata (tirando meia dúzia de cães que também conseguem)
"Na parte que lhe cabe, poupa água. Mas pouco mais. Reciclagem? Pois, isso não. Nem vidro, nem plástico, nem papel? Nada? «Não, não faço. Sou uma pessoa normal». Muitas pessoas normais reciclam. «A média do cidadão não recicla o lixo. É muito complicado. Um saco é azul, outro é não sei o quê, aquilo é uma confusão»"Não querem reciclar? Na boa, ninguém vos obriga. Mas por favor, ao menos não escrevam calhamaços hipócritas sobre aquecimento global que só servem para abater mais algumas florestas e não se vangloriem da vossa burrice. Um mínimo de pudor, ok?
José Rodrigues dos Santos, escritor esotérico e pseudo-ecologista, à Sábado
Nota: o anúncio do Gervásio é de 2000, ou seja, tem 8 anos. O Gervásio só precisou de 1 hora e 12 minutos.
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Como se não fossem já suficientemente invisíveis
«A Associação Portuguesa de Imprensa (APImprensa), que tem como associadas mais de 400 empresas ligadas à imprensa escrita, está a ponderar se avança ou não com uma acção contra a Google, aliando-se à sua congénere espanhola, a Associação de Editores de Diários Espanhóis (AEDE).»Se sites como o do DN ou JN têm leitores, para dar o exemplo mais óbvio, devem-no por inteiro ao Google. A propósito disto vale a pena ler esta análise sobre as audiências internéticas portuguesas.
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tags: copy right, estatísticas, google, imprensa, internet
Soluções casadas Santander
O arcebispo de Saragoça abriu as portas do templo Pilar a directores do banco Santander, no passado dia 18, para que estes pudessem beijar a "Virgem" do local. Esta "honra" seria já caso para notícia, uma vez que a mesma costuma estar reservada ao clero, família real e crianças que ainda não comungaram. Mas pronto, um banqueiro é um banqueiro, também pode entrar no clube.Mas o mais divertido é que além do templo ter sido decorado de vermelho, a cor do banco, Emilio Botín, presidente da instituição na foto acima, ofereceu um novo manto à estatueta venerada, com um belíssimo logótipo bordado. Tudo abençoado pelo arcebispado da terra, claro. Nunca ficou tão claro o que move a igreja. Da minha parte só aplausos, o acto revela uma transparência e frontalidade raras quer na banca, quer na igreja. E só posso esperar que o gesto ganhe adeptos também por cá. Parece que já estou a ver a placa, "Santuário de Fátima - Millenium BCP". Ou melhor ainda, crucifixos com o centauro do Banif! Via Chuza.
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tags: banca, espanha, icar, igreja, publicidade
Ao pé disto o inquérito das finanças aos noivos não chega a ser cusquice
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10:46 da manhã
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tags: copy right, internet, japão, privacidade
"Por detrás do fumo dos atentados em Bagdad, a única coisa que vemos na televisão, há muita coisa a mudar no Iraque"
Ao Sul: «O Governo iraquiano decidiu impor um recolher obrigatório na província de Bassorá, depois de confrontos entre a polícia e milicianos do Exército de Mahdi, leal ao líder radical Moqtada al-Sadr.»Se a TV não mostra o que se passa para lá de Bagdad, valha a internet.
E ao Norte: «Em Mossul, a explosão de um carro-bomba matou 13 militares e deixou outras 42 pessoas feridas. O atentado aconteceu às 7h (0h de Brasília), teve como alvo um quartel do Exército iraquiano na zona de Al-Haramat, no oeste da cidade, um dos lugares onde a insurgência sunita é mais ativa, segundo a polícia. A explosão aconteceu quando o suicida entrou na base militar com seu caminhão.»
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tags: guerra, iraque, negacionismo
segunda-feira, março 24, 2008
De volta ao desacordo
«Certo, Angola já não é nossa, mas a língua ainda é. Semos o Pai, nós decidiremos o destino dela. E depois, o Brasil não tem escritores, não tem literatura, enquanto que em cada Portuguez há um Poeta, e um Poeta que nunca deixou a sua língua amada ser contaminada por estrangeirismos foleiros como prime, subprime, franchising, spread 0%, uma língua cujos deputados não dizem atempadamente, cujos economistas não nos convenceram que é errado dizer rentabilidade, cujos cidadãos lêem Camoens no original e onde nem as cartas do CEO da PT vêm com eros ortográficos, porque Eros é um deus brasileiro e lá por eles serem muitos nós semos Portuguezes, temos o copiraict (que escrevemos com c para distinguir de ofsait. Seremos como o Titânico, affundar-nos-emos philosofficamente escrevendo kmo s/pre xkrevemos. Hey men.»2) Há dias notei com agrado numa notícia de um site brasileiro que por lá se diz "centavo de euro" e não o horroroso "cêntimo". Agora quando a fui procurar para comentar encontrei não uma, mas centenas, incluindo esta da Agência Lusa Brasil:
«Os bares e restaurantes portugueses praticam o preço mais baixo de venda do produto entre os países europeus. Em Portugal, a xícara do expresso custa, em média, 55 centavos de euro (R$ 1,41).»Quanto tempo será necessário para que o analfabetismo-patrioteiro comece a vomitar que "no Brasil nem sabem dizer cêntimo"? Este exemplo de um melhor uso da língua lá do que cá é especialmente valioso por ilustrar um dos principais factores que contribuiu para a divergência da língua nos dois países: a influência do francês em Portugal. Coisa que começou na altura das invasões, mas que nem por isso indigna estes pseudo-puristas patridiotas. Sobretudo ao nível fonético (que em nada será alterado pelo acordo), com a exagerada consonantização do sotaque das elites lisboetas, assumido como o "mais correcto", é aos franceses que devemos muita da água que separa as duas variantes da língua.
3) Mas não costumam ser os velhos do Restelo a ditar o rumo da história. E talvez essas exacerbadas reacções anti-acordo mais não sejam que o indício disso mesmo, o último estrebuchar do orgulhosamente sós. Assim o espero. E para ilustrar a riqueza da língua em que vos escrevo em ortografia antiga (pois, ainda não fiz o upgrade), um excerto de uma novela exibida pela SIC, para lembrar que isto de sotaques e variantes não se resume a Lisboa e Rio de Janeiro. Deliciosa, é a única novela que consigo ver por mais de 5 minutos só pelo prazer de ouvir as falas.
Mais sobre o dialecto mineiro na Wikipédia.
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tags: acordo, brasil, frança, história, língua, nacionalismo
Mais vale tarde que nunca
«As notícias do PÚBLICO na Internet passam a ter ligação directa para os blogues que as comentam, através de uma nova ferramenta que hoje entra em funcionamento. O objectivo desta medida é ajudar "na difusão das conversas que se geram na blogosfera sobre as notícias, tranformando os níveis de participação no próprio site", explica um comunicado da empresa.»Só alguns anitos de atraso em relação aos jornais da estranja, mas não há crise. Agora fixe fixe era se os concorrentes do Público se lembrassem de também fazer concorrência on-line, é que isto do site do CM ser tecnicamente melhor que o do DN ou JN, é muito deprimente...
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2 portuguesas gozam nova liberdade do Kosovo
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tags: emigração, kosovo, violência doméstica
domingo, março 23, 2008
Ontem, hoje e amanhã, da Califórnia aos Urais
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11:56 da tarde
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tags: isto é fight ouve lá
Não mostrem isto ao Pacheco que lhe dá o badagaio antes de chegar ao pelourinho
«“I am saddened that it is politically inconvenient to acknowledge what everyone knows: The Iraq war is largely about oil.”» - Alan Greenspan
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tags: olha a velha vai cair
quarta-feira, março 19, 2008
Belém a concelho, Belenenses campeão!
For the record, sempre fui defensor de uma regionalização de duplo sentido, i. e., passagem de poderes do governo central para as regiões, e de poderes das autarquias também para as regiões. Isto precisamente pelo facto de ao não existir um nível de administração regional no país, ter vindo a ser legitimado ao longo das décadas a passagem de uma série de excessivos poderes, competências e financiamentos para esses órgãos políticos tão poucos fiscalizados, sobretudo pelo escrutínio mediático essencial em democracia, como são as câmaras municipais. Multiplicar o número de concelhos é como vacinar um doente, só aumenta a infecção. Se a regionalização não avançar nos próximos 5 anos então o melhor será mesmo começarmos a debater a fusão de concelhos, um por cada NUTS III, por exemplo.

1 - Minho-Lima; 2 - Cávado; 3 - Ave; 4 - Grande Porto; 5 - Tâmega; 6 - Entre Douro e Vouga; 7 - Douro; 8 - Alto-Trás-os-Montes; 9 - Baixo Vouga; 10 - Baixo Mondego; 11 - Pinhal Litoral; 12 - Pinhal Interior Norte; 13 - Pinhal Interior Sul; 14 - Dão-Lafões; 15 - Serra da Estrela; 16 - Beira Interior Norte; 17 - Beira Interior Sul; 18 - Cova da Beira; 19 - Oeste; 20 - Grande Lisboa; 21 - Península de Setúbal; 22 - Médio Tejo; 23 - Lezíria do Tejo; 24 - Alentejo Litoral; 25 - Alto Alentejo; 26 - Alentejo Central; 27 - Baixo Alentejo; 28 - Algarve.
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tags: bola bola bola, forrobodó, impostos, regionalização
Europa, Democracia e Esperanto
Desde que instalei cá no renas o sistema das estrelinhas que o post «Sapiência lost in translation» é o "mais popular", desconfio que o lóbi esperantista o guglou e decidiu promover. Não me importo nada, pelo contrário, sempre simpatizei com esse lóbi. Foi por isso também com agrado que descobri que já existe até um partido esperantista pan-europeu, o EDE - Eŭropo - Demokratio - Esperanto, que concorreu nas eleições europeias de 2004 em alguns círculos franceses e ficou a poucas assinaturas de poder concorrer na Alemanha. Decorre neste momento o esforço para concorrer noutros países em 2009.Com o contínuo esvaziamento de poder do Parlamento Europeu não me faria confusão votar num partido de objectivo único, até porque é um objectivo que me parece muito importante para o relançamento do projecto europeu. Não vou alongar-me muito no assunto, remeto antes para mais um texto do sr. Claude Piron (e já agora os tempos de antena do EDE).
De resto eu nem sequer sei falar esperanto, já planeei aprendê-lo várias vezes (típica resolução de ano novo), mas faltou-me sempre o vagar para isso, e sobretudo a motivação mais forte para se aprender qualquer idioma, a utilidade. Uma utilidade que poderia vir facilmente por decreto do Parlamento Europeu, por muito mal vista que esteja a eficácia dessa via. Assim à primeira vista o único senão que vejo no esperanto é a acentuação, mas isso não é nada que uma reforma ortográfica não resolva (está visto, gosto mesmo destas coisas de decretos reformadores) e aliás, o próprio criador do idioma o chegou a propor, segundo a Wikipédia. Reforme-se e oficialize-se então, se concorrem por cá levam o meu voto.
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tags: esperanto, língua, micropartidos, união europeia
Chuva de ursos
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