segunda-feira, setembro 29, 2008

O casamento gay como via para o casamento homem-cão

Sempre achei que isto era uma treta das piores, mas afinal há pelo menos um escriba do catolicíssimo Diário do Minho que confessa que perante a iminência do casamento homossexual vê a sua atracção pela canina espécie aumentar.

Não duvido do dito amor canino, mas continuo a não perceber que relação possa haver com a homossexualidade. Vá homem, deixe-se de desculpas, gosta do Bóbi e pronto, que tenho eu ou qualquer outro gay a ver com isso? Desde que não maltrate o bicho, por mim 'tá-se, já vi pior.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Um rapaz de peito aberto

Sim em Portugal é Não na Califórnia

A Ellen explica:
«You know how usually I talk about cell phones or kitty cats or cheese pizza… well, this is sorta like that… without the cell phones, the cats, or the pizza.

There’s a California Proposition on the ballot that’s a little confusing. It’s Proposition 8. It’s called, “The California Marriage Protection Act” -- but don’t let the name fool you. It’s not protecting anyone’s marriage. Not yours. Not mine.

The wording of Prop 8 is tricky. It’s like if someone asked you, “You don’t want dessert, right?” But you do want dessert so you say, “Yes,” which really means you don’t want dessert. And if you say, “No,” which means you do want dessert -- it sounds like you don’t. Either way, you don’t get what you want. See -- confusing. Just like Prop. 8.

So, in case I haven’t made myself clear, I’m FOR gay marriage. And in order to protect that right -- please VOTE NO on Proposition 8. And now that you’re informed, spread the word. I’m begging you. I can’t return the wedding gifts -- I love my new toaster.»
Ver também NoOnProp8.com.

Aos deputados capazes de pensarem pela própria cabeça e agirem em conformidade

Ao menos um por grupo deve haver...

Endereços de email dos grupos parlamentares:

blocoar@ar.parlamento.pt
gp_pcp@pcp.parlamento.pt
gp_pev@ar.parlamento.pt
gp_pp@pp.parlamento.pt
gp_ps@ps.parlamento.pt
gp_psd@psd.parlamento.pt

Assunto: No dia 10 de Outubro, SIM à liberdade e à igualdade.

No próximo dia 10 de Outubro, a Assembleia da República será chamada a votar projectos que estabelecem finalmente a igualdade no acesso ao casamento.

Esta é uma questão de direitos fundamentais, é uma questão de cidadania, é uma questão que determina a qualidade da nossa democracia. Trata-se de acabar com a humilhação de muitas mulheres e muitos homens que são ainda discriminadas/os na própria lei por causa da sua orientação sexual. Trata-se de afirmar finalmente que gays e lésbicas não são cidadãos e cidadãs de segunda.

A Assembleia da República terá finalmente a oportunidade de afirmar o seu empenho nesta luta pela igualdade e pela liberdade – e a oportunidade de contribuir de forma particularmente simples para a felicidade de muitas pessoas.

O fim da exclusão de gays e lésbicas no acesso ao casamento consegue-se com uma pequena alteração no texto de uma lei, que não implica custos nem afecta a liberdade de outras pessoas. Porém, será um enorme passo no sentido da igualdade e contra a discriminação. E como demonstraram as discussões sobre o voto para as mulheres ou sobre o fim do apartheid racista na África do Sul, o preconceito que existe na sociedade não pode nunca justificar a negação de direitos fundamentais. Pelo contrário, votar contra a igualdade é legitimar e encorajar a discriminação.

Esta votação representa por isso uma enorme responsabilidade, pelas implicações que terá no reforço ou na recusa do preconceito.

Porque recuso a discriminação na lei portuguesa e porque esta é a oportunidade de repor a justiça e cumprir o princípio constitucional da igualdade, seguirei com atenção esta votação - e apelo ao voto favorável de todos os membros deste Grupo Parlamentar e à defesa intransigente da igualdade no próximo dia 10 de Outubro.

Copiado daqui.

Manuel Alegre

Espero que agora ninguém tenha ficado com dúvidas do quão vazio é este indivíduo com amplas e reciprocas simpatias entre monárquicos, fascistas e restantes personagens da área tauromáquica. Vazio e sem sequer espinha suficiente para dizer o que sente efectivamente sobre o assunto. Sentido, porque pensado não o é certamente. Fugindo triste e mediocremente ao assunto, sem que isso, naturalmente, implique a mais pequena e singela ideia sobre qualquer outro. Um buraco negro político é isto. E há quem lhe chame a "ala esquerda do PS". Pelo amor... da decência! Definitivamente não.

terça-feira, setembro 09, 2008

'Tá difícil p'ra ressuscitar a manada rénica


Oremos aos Sigur Rós pelo milagre. (Vídeo censurado no YouTube ... no comments.)

segunda-feira, agosto 04, 2008

Até breve

Agora que o presidente fez o anúncio oficial do começo da Silly Season pouco mais nos resta fazer que pôr os dedinhos de molho até Setembro, altura mais propícia a voltar a pô-los no teclado sem risco de lesões. Aos resistentes, divirtam-se mas com cuidado, não se deixem contagiar.

quinta-feira, julho 31, 2008

Afinal não era só eu que andava a ter pesadelos com o Estatuto Político-Administrativo dos Açores

Valha um presidente atento aos anseios da população. E não me venham dizer que metade da dita até achava que o Fujão Barroso já tinha dado o arquipélago aos americanos em troca de petróleo iraquiano. Isso até pode ser verdade, mas a outra metade andava como eu, sem dormir direito há uma série de noites por causa deste assunto. Mais sossegado agora. Obrigado senhor presidente, um grande bem-haja e continuação de boas férias.

PS: Todo um tratado que valia a comparação entre este ataque de histeria cavaquista por causa de umas obscuras inconstitucionalidades açorianas e o silêncio cúmplice com todo o tipo de ilegalidades, tropelias, insultos e rasteiras vindas da derradeira colónia africana. Por saber só o tipo de tratado, político ou psiquiátrico?

Sugestão de leitura

Blog que é blog manda o seu bitaite sobre livros para ler na praia ou wherever, cá vai então um como prova de vitalidade blogueira. Com selo de máxima aprovação rénica está o "Michael Tolliver Lives" do Armistead Maupin, que se devora num piscar de olhos, pelo que não serve para as férias inteiras. A boa notícia, para quem não conhecia a saga, é que ela existe. Está até parcialmente traduzida para português, no Brasil pela Record e em Portugal pela Gótica. Este título mais recente é contado na primeira pessoa pelo protagonista Mouse, que nos põe a par da sua vida e da dos seus, em São Francisco e mais aquém. Com graça, inteligência, ironia e grande humanidade, que nunca lamechenta. Obrigatório para os rénicos leitores.

No país das boas notícias

Fica-se uns tempos desligado da actualidade rectangular e quando se religa o país parece outro. Ora um incidente de 6 feridos num bairro pobre e não-"branco" da periferia de Lisboa que comove todo o Portugal - mereceria fria indiferença em qualquer outro país europeu. Ora uma notícia da TVI, das primeiras no seu noticiário, sobre um professor da Universidade de Coimbra que chegou atrasado a um exame - que saudável obsessão com a pontualidade haverá agora neste estado! E ainda uma notícia de um grupo de jovens, que não um gang, perdido nas margens do rio Amazonas, aliás Teixeira, encontrado na manhã seguinte por um helicóptero a 500 quilómetros do seu acampamento, aliás 500 metros, e ainda assim transportados de helicóptero para a sua base - quão sofisticados meios de socorro! E não se olha a custos para salvar vidas, ou transportar por 500 metros betinhos de cidade que ficam zonzos quando só vêem verde à volta. O Público esclarece que se tratava de um "grupo ligado à Igreja Católica" (sic).

Para completar o ramalhete chegam-me zumbidos de um novo melodrama no Palácio Rosa, o presidente que nos preside ao ritmo, sabor e profundidade de uma novela mexicana, irá falar esta noite ao país - garantias de total obediência de todos os noticiários na sua abertura, à la Corée du Nord. O drama está em não se saber de que irá falar o perjidente, mas a avaliar pela boa onda noticiosa não me espantaria que fosse para apresentar a demissão e pedir desculpas pelos comentários e alusões racistas e fascistas do mês passado. Nunca é demasiado tarde para ganhar vergonha na cara.

Pode-se não ficar a saber muito do que se passa pelo mundo quando se acompanha a comunicação social tuga (ou norte-coreana, já agora), mas vale bem pela festarola e cores locais - so typical!

quinta-feira, junho 12, 2008

Go Norway


E já são meia dúzia
. Suécia deverá ser a próxima a juntar-se ao grupo.

quarta-feira, junho 11, 2008

Pigmeu mancha Dia da Raça

Já não há respeito. Ditadura politicamente correta é o que é, e já nem o "c" deixam escrever. E até o presidente se presta a isto... enfim!

A minha seleção*

Conferência de imprensa num hotel algures nos Alpes, cheia de jornalistas ansiosos por perguntarem as banalidades de sempre e ouvirem o seu eco como resposta. Tem a palavra o craque nº1:

- Antes de responder às vossas perguntas vou ler uma breve declaração escrita por todos os elementos da nossa seleção:
«Foi com espanto, horror e profunda náusea que ouvimos ontem as declarações de caráter inequivocamente racista e xenófobo proferidas pelo presidente da república. Tentar desculpar ou menorizar as mesmas apenas as agrava e evidencia alguns dos piores traços da sociedade portuguesa. Assim, a seleção decidiu por unanimidade suspender, como forma de protesto, a sua participação no Campeonato Europeu de Futebol, até que as mesmas sejam retiradas ou que a pessoa que as proferiu se demita do seu cargo.»
Como esta seleção não existe, torço por outra qualquer... olha pode ser pelos checos, que é raça podres de sexy.

* Obviamente que a minha seleção também seria pró-acordo.

sábado, abril 12, 2008

3.ª temporada de "Erva" estreia na segunda na RTP 2


E logo a seguir estreia a primeira de "Californication", às quartas continua o "Dexter" e à sexta a "Brothers & Sisters", tudo bons motivos para o parlamento galego ter exigido por unanimidade a emissão dos canais portugueses na Galiza: cá as melhores séries americanas estreiam mais cedo e com o som original.

PS: E para quem já não se lembra de como terminou a 2.ª temporada, aqui ficam os últimos 5 minutos (já agora, a RTP anda a repetir as duas primeiras temporadas de madrugada):


[http://videos.sapo.pt/MRmRCP2P3doZK4zC2VS4]

terça-feira, abril 08, 2008

Uma piada de mau gosto chamada APEL

Retirado do jornal Meia Hora
«Para evitar o que consideram que virá a ser "uma catástrofe" para o país, a associação ainda presidida por António Baptista Lopes apela a uma rápida intervenção do poder político português, no sentido de protelar 'sine die' o protocolo.»
O protocolo "catastrófico" de que António Baptista Lopes fala ao JN é o tal acordo ortográfico que revela (as tais "duas grafias" são reconhecidas pelo acordo, logo ambas estão de acordo com o acordo em pé de igualdade, tipo duuuuh) e admite desconhecer ao Meia Hora. Parece que também acha que aquilo que diz é suposto levar-se a sério. Ora se isto é a representação do meio editorial português, percebe-se melhor a urgência de sermos salvos pelos editores brasileiros da iliteracia crónica e profunda em que vivemos.

A mesma APEL anuncia no seu site (que por alergia a casos extremos de palermice não linko) um "estudo" que mostra que traduções feitas por pessoas diferentes originam textos... *suspense* ...diferentes!!! Sim, o nível é este. E a continuar assim qualquer dia eu próprio estarei contra o acordo, cada vez me parece mais razoável, simples e inteligente adotar a ortografia brasileira e pronto. É o que faço neste post, simultaneamente de acordo com o acordo e pipocado de anglicismos vários, c'est la vie!

PS:
Outra piada da APEL e do sr. Baptista Lopes, «Não haja quaisquer dúvidas de que as instituições internacionais, a partir do momento em que Portugal ceder às intenções do Brasil, não hesitarão em ter como referência o Português daquele país». Eu não sei em que mundo vive este senhor, mas dou um exemplo simples, uma notícia da versão lusófona do site da Sociedade Suíça de Radiodifusão e Televisão. A notícia fala sobre os problemas de integração, nomeadamente lingüística, da comunidade portuguesa na sociedade helvética, a terceira mais numerosa. Naturalmente, apesar do reduzidíssimo número de brasileiros a residir nos Alpes, a notícia está escrita em "português do Brasil", do vocabulário à ortografia. Em que mundo vive o sr. Lopes? Absoluto mistério para mim.

sábado, abril 05, 2008

A comunicação social e o telemóvel

Acompanhar o visionamento deste vídeo com o brilhante texto do Miguel. Quem ainda não se fartou de vídeos de aulas de francês pode sempre ver mais este.

domingo, março 30, 2008

Da santidade do casamento civil heterossexual e dos ventos que sopram de Espanha

«Igreja pede a Sócrates que controle laicismo de alguns membros do PS

O projecto do PS de fazer desaparecer o divórcio litigioso da lei portuguesa "é um grande erro que o país vai pagar caro no futuro", criticou o porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), D. Carlos Azevedo, para quem este projecto - ­que será debatido no plenário a 16 de Abril - é mais um sinal claro da postura de afrontamento que o actual Governo assumiu relativamente à Igreja Católica.»
Curiosa esta colagem da ICAR tuga à estratégia, já derrotada nas urnas, da ICAR espanhola. Devem ter pensado, "se não funcionou por lá, pode ser que funcione por cá". Mas e daí nem tudo falhou do lado de lá da fronteira, afinal a teta do estado espanhol continua fartamente generosa para com o clube das sotainas, e a questão é sempre essa. Lê-se no fim da notícia do Público: «"Os padres já passaram a pagar impostos, a Igreja, nas suas actividades económicas também deixou de ter isenção fiscal, tudo isso já mudou. A Igreja Católica não quer ser privilegiada, mas também não admite ser prejudicada".» Pois, dão-se voltas e voltas e acaba-se sempre no m€$mo. É que os impostos, meramente simbólicos, que a igreja aceitou pagar tinham como contrapartida um aumento do fluxo da tetinha estatal para as bocarras clericais. Nham, nham.

É que pondo de lado a questão financeira, nada disto faz sentido. Afinal a igreja nunca reconheceu o casamento civil, e sempre se bateu contra o mesmo. Para a igreja um católico casado pelo civil é solteiro, e se se divorciar solteiro fica, e pode casar no altar a seguir (isto não é teoria, é prática, vejam a princesa espanhola). Seria até bastante lógico e razoável que a igreja usasse esta simplificação do divórcio civil para apregoar a mais valia do seu casamento religioso, que não permite esses deboches. "Quem ama a sério não tem medo de casar pelo igreja", seria um bom slogan, capaz de empurrar muitos casais para o altar, como derradeira prova de amor eterno.

Mas não é isso que preocupa a igreja, e se o casamento religioso continuar em queda livre, é uma carga de trabalhos que se poupa. As missas são muito mais fáceis de rezar só com 6 velhinhas no banco da frente.

Voltemos então ao sentido de oportunidade da hierarquia católica portuguesa imitar a estratégia eleitoralista da sua irmã espanhola, será mesmo boa ideia? É que em Espanha há um, e só um, partido de direita, cujo líder apregoa os valores católicos e exibe a sua própria família como exemplo vivo de quem os segue. A coisa por lá não tem muita credibilidade, é velho o boato de que Rajoy é homossexual, mas ao menos há um esforço por manter uma fachada.

Já por cá não estou a ver a quem a igreja se possa colar. Filipe Menezes exibiu há uns dias a namorada na televisão, para em seguida a sua esposa esclarecer na imprensa cor-de-rosa que o casamento deles ainda perdura, pelo que a "namorada" não o pode ser, relações extra-conjugais têm outro nome. Do CDS nem vale a pena falar. Fica claro que o "casamento para a vida" não é uma causa da direita portuguesa. Nisto, como em quase tudo, somos mais afrancesados que espanholados.

Resumindo e concluindo, melhor faria a igreja se procurasse outra bandeira, que esta do casamento é chão que já deu uvas. A igreja é livre de celebrar os seus próprios casamentos, seguindo as suas regras, e devia-se contentar com isso, que não é nada pouco. Quem dera à ILGA Portugal ter o mesmo poder casamenteiro.

Já em relação ao financiamento pelo estado pede-se apenas um mínimo de vergonha na cara. Foram séculos de farta mama, e está visto (ver capa da Sábado acima) que têm sabido pô-la a render. E ainda há o milagre de nunca terem sido obrigados a gastar um tostão com aqueles processos que tão caros ficaram lá nas Américas. Tirando talvez um bilhetinho de avião para o Brasil, claro está. Melhor à igreja rezar em discreto retiro a boa graça, do que aparecer muito na TV, pondo-se assim a jeito a que algumas pessoas percam a vergonha que a igreja nunca teve. A justiça portuguesa não assusta, por certo, mas agora com essa coisa dos tribunais europeus... parece que não há sotaina que isente de certas culpas. Já não há respeito, é o que é.

quinta-feira, março 27, 2008

Human, Umani, do Homem?

Este ano pelo menos 4 países da Eurolândia emitirão moedas comemorativas do 60.º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Dos 4 só Malta ainda não divulgou o desenho, nos outros lê-se, "Universal Declaration of Human Rights" na belga, "Diritti Umani" na italiana e "Declaração Universal dos Direitos do Homem" na portuguesa. A suposta "ditadura do politicamente correcto" é diariamente "denunciada" na imprensa, mas não consegue coisas tão simples como a correcta tradução da declaração, originalmente escrita em inglês. É que nem é preciso discutir o sexismo da coisa, afinal inexistente no original, bastaria tão só exigir uma tradução sem erros.

quarta-feira, março 26, 2008

Brazilian Beauty

Cartaz da nova campanha pelo uso do preservativo do Ministério da Saúde brasileiro, especificamente dirigida a gays e "outros homens que têm sexo com homens". Via Estadão.