quarta-feira, janeiro 21, 2009

No meio da missa, uma breve referência ateia

Via @AtheistBus, um dos melhores twitters do mercado.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Depois do desaire californiano, esperança no Maine


Mais info aqui, a seguir atentamente aqui e tuítando aqui.

Onde é que está o botão de parar de ver isto?


Via Queerty, graças à sua regra para "rapazes a dançar em cuecas". Até já esqueci a caralhada anterior..

quarta-feira, dezembro 24, 2008

É natal, branqueie-se o ódio

O dossier de hoje do Público sobre o discurso de ódio de Bento 16 contra os homossexuais não é mais que um branqueamento do dito ódio. O tom com que foi escrito tenta passar a imagem de um Bento 16 teórico inofensivo versus agressivos activistas homossexuais. Os mesmos que afinal não tiveram direito a opinar no jornal, que reproduz o discurso do papa, publica o artigo de um padre que tudo subscreve e ainda um outro que acusa os activistas gays de quererem limitar a liberdade de expressão papal. Os tais activistas que nada puderam dizer nas páginas do jornal, pelos vistos compete-lhes apenas calarem enquanto são insultados.

O branqueamento feito pelo Público vai ao ponto de publicar esta delirante frase: «Na semana passada, o Vaticano pediu a todos os Estados que eliminassem as penas criminais contra os homossexuais.» - ocultando que o Vaticano votou contra e instigou ao voto contra do documento discutido na ONU que pretendia isto mesmo.

Mas nem todo este branqueamento consegue esconder a evidência de que é esta lógica da "ordem natural" que está por trás de crimes como este.

Que B16 e seus compinchas arranjem uma consciência em 2009 é o meu voto para este natal.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Twitter killed the blogger star

Recebi algumas queixas pelo semi-abandono do blogger pelo twitter, mas a verdade é que cada vez a troca me parece melhor. Isto porque nos tempos que correm me falta o tempo e o vagar para me pôr com grandes prosas, o post anterior é a excepção à regra, e o twitter é perfeito para a boca curta ou a partilha de um link. Usando a extensão twitterfox para o firefox a experência twitter torna-se muito mais satisfatória. É por exemplo perfeita para quem quer receber as notícias na hora, e nem está muito interessado no twitterismo, já que pode funcionar como aplicação única de alertas noticiosos das mais variadas fontes - como se vê no exemplo da imagem. Também serve para twittar, e todo o seu uso é simples e instintivo. Enfim, foi a primeira que testei e fiquei logo convencido, não comparei com outras. Fica a sugestão.

Para os bloggers resistentes deixo a sugestão de aderirem ao twitterfeed, um site que automaticamente twitta os vossos posts - é o sistema usado pelo JN ou pelo Arrastão p.ex..

Quem quer matar a Razão?

Não sei porque o texto não está assinado, mas seja quem for, escreve para o JN. O jornal achou por bem publicar um artigo ontem, domingo (dia do sr.), intitulado "Quem quer matar Deus?", aspas minhas, que no artigo Deus é factual e seus assassinos também. A meio da prosa encontramos outra bela pergunta: "É possível não acreditar no divino?". Tanta imbecilidade junta fica difícil de digerir e comentar que não com insultos. Mas farei um esforço.

O texto começa por anunciar em tom de alarme que o ateísmo floresce, livros ateus enchem as listas de best-sellers e até os autocarros londrinos transportam mensagens ateístas, e associa isto ao "declínio da religião no Ocidente". Mas acaba por concluir que:
«Em Portugal, embora falte estatística, a proliferação de anúncios de videntes e quejandos é suficiente para perceber que o negócio prospera, autorizando a tese de que vivemos num Mundo onde o irracional é a norma e grande parte da Humanidade crê em Deus, ainda que cada qual o defina a seu modo.
Do mundinho onde vive o autor da prosa não deverá restar qualquer dúvida sobre a total ausência de razão. Mas convirá lembrar ao dito cujo que bruxas, mezinhas e rezinhas são mais velhas que a Sé de Braga, pelo que sem estatística mais vale não atirar a moeda ao ar, por maior que seja a fé no método.

Enfim, um curioso mundinho onde para um ateu ser radical, virulento ou assassino basta-lhe falar publicamente da sua não crença ou querer desligar-se da religião a que pertencia, enquanto que um religioso só amarrando um cinto de explosivos ao corpo merece tais honrarias. Ateus tão radicais, virulentos e assassinos e afinal tão frouxos, queixa-se no último parágrafo:
«Aliás, neste contexto torna-se pertinente a pergunta sugerida por Anselmo Borges: “Porque é que a campanha publicitária dos autocarros londrinos declara que Deus ‘provavelmente’ não existe? Porque não dizer logo que ‘Deus não existe’, se há essa certeza?”. Segundo a BHA, porque o “provavelmente” evita ferir susceptibilidades e violar as leis britânicas da publicidade. Mas a melhor explicação talvez radique, afinal, na advertência formulada na Grécia pelo matemático Euclides, 300 anos antes de Cristo: “O que é afirmado sem provas pode ser refutado sem provas”. »
Anselmo Borges, note-se, foi o expert chamado a explicar este estranho fenómeno de gente que se recusa a acreditar em estórias da carochinha e insiste em usar o cérebro que tem na cabeça. Apesar da BHA explicar a razão da escolha do slogan, o autor da prosa não se dá por satisfeito, e decide que a explicação é afinal outra. Esquece que na Inglaterra persistem medievas leis anti-blasfémia, mas não falha de todo o alvo.

Isto porque para muitos ateus, como eu próprio, a escolha do slogan é efectivamente a mais racional, lei britância à parte. Desde logo levantar uma probabilidade de não existência soa mais "simpático" ao crente, lança a dúvida em vez de partir de imediato para a confrontação. Por outro lado o cepticismo baseia-se na ausência de provas ou meros indícios da existência de deus, é uma não crença, e não uma crença na não-crença como poderia sugerir a formulação proposta. O autor erra portanto quando sugere que competiria aos ateus provar a inexistência de deus, não compete. Os ateus limitam-se a constatar a sua inexistência. Competiria, isso sim, a quem apregoa a sua existência, comprova-la, mas não o fazem, pelo que poderiam - seguindo a lógica de Euclides - ser refutados com igual sustentação. Mas se o ateísmo se distingue da superstição precisamente pelo rigor, honestidade, racionalidade e uso do método científico, fica-lhe muito melhor portanto anunciar ao mundo que Deus provavelmente não existe, pelo que o melhor a fazer é deixar de se preocupar com isso e gozar a sua vida ;)

quarta-feira, dezembro 03, 2008

Antes assim que casados

Adolescentes iranianos enforcados por "crime de práticas homossexuais".
«O observador permanente do Vaticano na Organização das Nações Unidas (ONU), monsenhor Celestino Migliore, afirmou nesta segunda-feira (1) que a Santa Sé é contrária ao projeto de descriminalização da homossexualidade que será proposto pela França, com o apoio da União Européia. De acordo com Migliore, o projeto fará com que alguns países sejam submetidos a “enorme pressão”. (...) Segundo o enviado do papa Bento 16, no entanto, o projeto que a França vai defender na Assembléia Geral da ONU é uma questão diferente, e que, se for adotado, criará “novas e implacáveis discriminações”. Para Migliore, “os Estados que não reconhecem a união entre pessoas do mesmo sexo como ‘casamento’ serão submetidos a pressões internacionais”.»
Pouco importará ao caso que sejam mais de 80 os países onde a homossexualidade é criminalizada (em 9 dos quais com a pena de morte) e que apenas 6 reconheçam o casamento civil entre pessoas do mesmo (sendo que entre eles não se encontra sequer a França, promotora do documento). O ódio, a paranóia e a maldade dos membros desta seita nunca conheceram limites...

Actualização: Até o insuspeito La Stampa considera grotesca a motivação da igreja em colocar-se ao lado de países como o Irão ou a Arábia Saudita, contra uma proposta que recolhe unanimidade na União Europeia. Como lembra Michael Jones, o mau gosto ou requinte de crueldade da igreja vai ao ponto de ter apresentado estas declarações no dia mundial de luta contra a sida, a tal luta que tem na criminalização da homossexualidade um dos seus maiores inimigos.

terça-feira, novembro 25, 2008

1 grd preguiça pra blogar

Há meses que este bloguito anda em subpostagem, por vários motivos, um dos principais a mais pura e genuína preguiça. O seu suicídio tem vindo continuamente a ser adiado, já que o impulso de partilhar uma notícia, um vídeo ou mandar uma boca foleira mantém-se vivos. Acontece que um blog é provavelmente demasiado para tão breves recados, vai daí decidi experimentar a versão "140 caracteres máx", mais conhecida por Twitter. Não sei bem se a coisa poderá ser ou não um bom substituto, já que foi concebido para algo mais pessoal do que isto, mas nos próximos tempos é isto mesmo que vou tentar, neste endereço: http://twitter.com/bossito Mais sobre o conceito Twitter, que não é nada recente, neste vídeo (legendado em português). Eventualmente o renas poderá sobreviver para os momentos em que a teclagem apeteça, ou terá finalmente o direito a uma morte digna. O futuro o dirá.

PS: Isto do twitter tem muito mais graça usando programinhas associados, como esta excelente extensão para o Firefox.

segunda-feira, novembro 24, 2008

A questão é que ele não se demarcou, enlameou-se até à ponta dos cabelos

Pergunta-votação da primeira página do JN: "Cavaco fez bem em demarcar-se do caso BPN?". Mas quando se demarcou Cavaco? Estarão a falar da patética e absurda nota de imprensa sobre as contas bancárias do casal Silva (sim Cavaco incluiu Maria nas explicações)? Assim de repente, declarações mais patéticas do que estas só me ocorrem as de Dias Loureiro no horário nobre da RTP. O tal que Cavaco mantém como conselheiro de estado. Vergonha é que pelos vistos escasseia um pouco por todo o lado.

PS: A esquerda que trate de arranjar um candidato comum para nos livrar deste absoluto embaraço que nos ocupa a presidência sff. Por exemplo, Vital Moreira. Comecem a pensar a sério nisto, que mais 5 anos de presidência cavaquista é mais que o que a decência pode aguentar...

quarta-feira, novembro 19, 2008

Mais uma razão para estar a favor do casamento entre pessoas do mesmo sexo

O "Prince" está contra.

Humor bushista ainda em alta


Lá para as bandas do PSD pelo menos. Já é o segundo bushismo nos últimos dias.

PS: Entretanto parece que a presidência da república lá arranjou novo assunto superimportante com que se entreter, terminada que está a questão insular (refiro-me naturalmente ao estatuto açoriano, não aos golpes palacianos da Madeira, questões menores para Cavaco). Eis agora pois que uma "pequena notícia da Lusa" desencadeia novo melodrama no palácio rosa. Entretenha-se sr. presidente, entretenha-se, que na sua idade morrer de tédio não é apenas uma força de expressão...

Uma questão de química


Há para aí três dias que não consigo parar de ver este anúncio. Entrou directamente para o meu top5 de anúncios favoritos. Quem disse que a publicidade institucional não podia ser hipercool? A pose dos gases raros conquistou-me desde o primeiro segundo. Mas eis que agora dei com a música que o sonora: "Fledermaus Can't Get It" dos anglo-germânicos Von Südenfed. Também com vídeo coolíssimo a acompanhar:

domingo, novembro 16, 2008

Of course we could

Ainda sob o efeito da euforia da vitória obamiana, foi publicado um artigo no The New York Times defendendo a tese de que a vitória de um "Obama europeu" não seria possível no presente ou futuro mais próximo. Entendendo-se por "Obama europeu" um qualquer político pertencente a uma minoria étnica ou "racial" em algum país europeu.

A análise é tão profunda que esquece qualquer comparação entre o peso demográfico das minorias num e noutro lado do Atlântico. E conclui levianamente que o ambiente político europeu é mais racista e xenófobo que o americano. A colecção de evidências tem a sua graça, sobretudo este parágrafo:
«Even Cem Ozdemir, Germany’s best-known ethnic Turkish politician, currently a European legislator, is having trouble getting on the Greens Party list of candidates for the Bundestag — in part because of internal opposition to his ambition to lead the party.»
Acontece que Cem Özdemir foi eleito ontem co-líder dos Verdes alemães (partido que tem sempre dois líderes em paridade de sexos) com quase 80% dos votos. E estamos a falar de um político oriundo de uma minoria com menos de 50 anos de implantação na Alemanha e de peso demográfico muito inferior ao dos negros na América, cuja presença no país é anterior à fundação do mesmo.

sábado, novembro 15, 2008

The Right to Marry: Yes We Should!


Vídeo da American Civil Liberties Union (ACLU). Canal da ACLU no YouTube aqui, e do seu projecto LGBT aqui.

Igreja do ódio todos os dias

Vale a pena ler este artigo do The New York Times, sobre a influência decisiva do Lóbi Mormon na vitória da proposta 8 levada a referendo na Califórnia no passado dia 4. Uma igreja sem qualquer representatividade naquele estado, acabou por transformar-se na maior fonte de dinheiro para o financiamento da campanha milionária pela ilegalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Estranhos fenómenos estes. Gente que doa rios de dinheiro para dar cabo do casamentos de pessoas que nem conhecem, gente que anda de porta em porta a pregar isto mesmo, gente que treina com conselheiros de marketing os melhores discursos para esconderem o facto de que é o ódio contra gays e lésbicas que os move. Gente que usa slogans como "proposta 8 = a liberdade religiosa", "proposta 8 = liberdade de expressão" ou "proposta 8 = menos governo". A tal proposta 8 que, convém não esquecer no meio de tanta distorção, se propõe apenas e só a ilegalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Califórnia. Casamentos não meramente hipotéticos, mas milhares de casamentos efectivamente já realizados.

Falamos pois, muito provavelmente, de gente que incapaz de encarar a pobreza e infelicidade do seu próprio casamento (por vezes polígamo, será bom lembrar), se dedica a destruir o casamento dos outros. É pelo menos a única explicação razoável que encontro. Mas de uma gentinha assim não há muito como sentir pena. Desde logo deviam provar do seu próprio veneno e da lógica que defendem, "democracia = ditadura das maiorias", ou seja, para quando um referendo na Califórnia à ilegalização desta seita?

Mas antes disso espero que provem o sabor de centenas de manifestações já este sábado um pouco por todo mundo, que ao menos poderão servir para lembrar a estas mentes brilhantes que quando promovem o ódio, quando invadem lares alheios e atacam milhares de famílias californianas, é suposto levarem algum troco de volta. E de nada valem os calendários de soft porn que produzem para dar um ar mais contemporâneo ao seu medievo gangue. Da próxima vez que fores abordado na rua por uma destas duplas, manda-os foderem-se. Era o melhor que fariam, ao menos por uns minutos não se preocupariam em foder os outros.

Mais informações sobre os protestos aqui e aqui, e pelos vistos um esboço de planeamento para Portugal aqui.

PS: Se és mormon e estás a ler esta mensagem, pára já e vai-te foder.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Só não lhe chamem rainha, porque... falta-lhe categoria para isso

"Então e não postas nada sobre as eleições na América?"

Perguntou-me um amigo. Só aguardo os resultados finais para me pronunciar.

PS: Mas já agora posso recomendar este artigo sobre a festa eleitoral, mais festiva para uns que para outr@s.

Afinal ainda há quem se choque com o casamento tradicional

«O drama de Nojood começou quando o pai, um desempregado que antes recolhia lixo nas ruas, quebrou a promessa de não a retirar da escola para lhe arranjar um marido, como fez a outras irmãs. Ela frequentava a segunda classe e adorava estudar Matemática e o Corão. Ele foi buscá-la para a entregar a um homem de 30 anos, o carteiro Faiz Ali Thamer.»
Eu só não percebo alguns comentários à notícia, que a parecem tratar como uma especificidade das Arábias. Casamentos destes em Portugal foram sempre prática comum desde a fundação do país, só no século XX começaram a rarear até à quase inexistência dos dias de hoje. Mas o conceito tradicional de casamento é exactamente este. Modernice é o casamento por amor entre adultos livres. E claro, o divórcio, que Nojood conseguiu, mas a que as raparigas portuguesas em situação semelhante nunca conseguiram até depois do 25 de Abril.