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domingo, janeiro 31, 2010

O que nos dá a burca?

Em França, onde ao contrário de Portugal o problema das burcas é uma realidade, pretende-se agora legislar no sentido de as banir do país - mesquitas e casas particulares excluídas, naturalmente. Parece ser quase unânime na blogosfera lusa considerar que as burcas são um problema, são desde logo uma manifestação extrema de fanatismo religioso - rejeitada por uma vasta maioria de crentes muçulmanos por todo o mundo, as suas origens estão de resto limitadas ao Afeganistão e partes do Paquistão.

E criam problemas óbvios de segurança ao permitir que alguém, ao abrigo da liberdade religiosa - muito embora alguns teólogos islâmicos argumentem que nada há de religioso na burca, dado que nem sequer é referida no Alcorão - possa entrar em bancos, escolas, transportes públicos etc. com o rosto e corpo completamente ocultos, podendo-se apenas ficar com uma ideia da altura da pessoa que a usa.

Olhando para o parágrafo anterior creio que fica claro que esta discussão sobre se é legítimo ou não banir a burca não existiria se em vez de mulheres muçulmanas fossem, por exemplo, homens evangélicos a usa-la. A discussão está minada por uma série de preconceitos e complexos sobre o islão e imigração, e paralelismos infelizes com outras minorias e direitos de minorias.

Como se usar uma burca fosse algo inato na pessoa que a usa, como se despir essa pessoa da burca fosse despi-la da sua crença, como se exigir algo tão simples e óbvio - que se exige a toda a gente na generalidade das sociedades mundiais - ter o rosto destapado quando nos dirigimos a alguém, pudesse subitamente transformar-se numa terrível violação da liberdade individual. Como se a liberdade individual fosse um valor absoluto. Como se uso de objetos nunca tivesse sido legislado antes.

Porque é disso que falamos, do uso particular de um objeto em particular. Fazer disto paralelismos com casamento entre pessoas do mesmo sexo, como já li, é no mínimo insultuoso para gays e lésbicas. Tratar isto como simétrico da obrigatoriedade (aplicada à lei da bala) de usar burca durante o regime talibã no Afeganistão é insultuoso para quem profere semelhante disparate.

Se queremos fazer paralelismos entre esta possibilidade legislativa e outras, podemos facilmente encontra-los na proibição do nudismo, muitas vezes punido com pena de prisão em várias democracias do mundo, apesar de neste caso não existir qualquer problema de identificação da pessoa. Podemos falar da proibição nas cidades francesas das pessoas andarem em tronco nu na rua. Podemos falar da proibição alemã do uso de fardas e outros símbolos nazis. E saindo do plano do vestuário, podemos falar por exemplo da obrigatoriedade de votar em países como o Luxemburgo, ou da obrigatoriedade de estudarmos até ao 12.º ano de escolaridade em Portugal.

Tudo exemplos de limitações da liberdade individual, que se entenderam como justificáveis por implicarem a criação de algum bem comum, evitar alguns males ou simplesmente não mexer com alguns hábitos e tradições (fraco argumento, mas suficiente para coisas inócuas).

Voltemos então às burcas. São elas uma tradição em França? De todo, são importação muito recente. São elas um mal? Como referi no início do texto parece isso ser uma conclusão unânime na blogosfera lusa, pelo que escuso de aprofundar esse aspeto. Criam elas algum bem para a sociedade? É a sociedade mais aberta e tolerante por permitir burcas? Haverá mais diálogo intercultural? Facilitará a integração de alguém? Reforça a cidadania?

Depois de muito ler sobre o assunto, ainda não encontrei uma única resposta positiva a estas perguntas.

PS: O texto está sem links não só por preguiça, mas sobretudo por não ser uma resposta a ninguém em particular, antes a pensar em vários argumentos lidos aqui e ali, no entanto onde mais tenho acompanhado e participado na discussão é no Jugular, onde encontrarão vários posts sobre o assunto, e claro, no Twitter.

segunda-feira, dezembro 22, 2008

Twitter killed the blogger star

Recebi algumas queixas pelo semi-abandono do blogger pelo twitter, mas a verdade é que cada vez a troca me parece melhor. Isto porque nos tempos que correm me falta o tempo e o vagar para me pôr com grandes prosas, o post anterior é a excepção à regra, e o twitter é perfeito para a boca curta ou a partilha de um link. Usando a extensão twitterfox para o firefox a experência twitter torna-se muito mais satisfatória. É por exemplo perfeita para quem quer receber as notícias na hora, e nem está muito interessado no twitterismo, já que pode funcionar como aplicação única de alertas noticiosos das mais variadas fontes - como se vê no exemplo da imagem. Também serve para twittar, e todo o seu uso é simples e instintivo. Enfim, foi a primeira que testei e fiquei logo convencido, não comparei com outras. Fica a sugestão.

Para os bloggers resistentes deixo a sugestão de aderirem ao twitterfeed, um site que automaticamente twitta os vossos posts - é o sistema usado pelo JN ou pelo Arrastão p.ex..

terça-feira, novembro 25, 2008

1 grd preguiça pra blogar

Há meses que este bloguito anda em subpostagem, por vários motivos, um dos principais a mais pura e genuína preguiça. O seu suicídio tem vindo continuamente a ser adiado, já que o impulso de partilhar uma notícia, um vídeo ou mandar uma boca foleira mantém-se vivos. Acontece que um blog é provavelmente demasiado para tão breves recados, vai daí decidi experimentar a versão "140 caracteres máx", mais conhecida por Twitter. Não sei bem se a coisa poderá ser ou não um bom substituto, já que foi concebido para algo mais pessoal do que isto, mas nos próximos tempos é isto mesmo que vou tentar, neste endereço: http://twitter.com/bossito Mais sobre o conceito Twitter, que não é nada recente, neste vídeo (legendado em português). Eventualmente o renas poderá sobreviver para os momentos em que a teclagem apeteça, ou terá finalmente o direito a uma morte digna. O futuro o dirá.

PS: Isto do twitter tem muito mais graça usando programinhas associados, como esta excelente extensão para o Firefox.

terça-feira, setembro 09, 2008

'Tá difícil p'ra ressuscitar a manada rénica


Oremos aos Sigur Rós pelo milagre. (Vídeo censurado no YouTube ... no comments.)

segunda-feira, agosto 04, 2008

Até breve

Agora que o presidente fez o anúncio oficial do começo da Silly Season pouco mais nos resta fazer que pôr os dedinhos de molho até Setembro, altura mais propícia a voltar a pô-los no teclado sem risco de lesões. Aos resistentes, divirtam-se mas com cuidado, não se deixem contagiar.

segunda-feira, março 24, 2008

Mais vale tarde que nunca

Exemplo, daqui.
«As notícias do PÚBLICO na Internet passam a ter ligação directa para os blogues que as comentam, através de uma nova ferramenta que hoje entra em funcionamento. O objectivo desta medida é ajudar "na difusão das conversas que se geram na blogosfera sobre as notícias, tranformando os níveis de participação no próprio site", explica um comunicado da empresa
Só alguns anitos de atraso em relação aos jornais da estranja, mas não há crise. Agora fixe fixe era se os concorrentes do Público se lembrassem de também fazer concorrência on-line, é que isto do site do CM ser tecnicamente melhor que o do DN ou JN, é muito deprimente...

quarta-feira, fevereiro 20, 2008

Engenhoca estelar

Nunca resisto a experimentar uma engenhoca-blog, geralmente cansam depressa (como aquelas janelinhas que mostram uma miniatura do site linkado - odeio-as de morte), mas só experimentando para cansar. Esta das estrelinhas ao fundo dos posts copiei-a do De Rerum Natura. Eu curto classificar os vídeos que vejo no YouTube ou no Sapo, mas não sei bem se neste caso, afinal isto já nem é um blog colectivo (se estiver a mentir posta qualquer coisa veado_), servirá para algo mais do que afagar ou castigar o ego do blogger... Bom pelo menos simplifica os comentários do tipo, "este post está uma bosta" ou "boa, subscrevo", nem vale a pena escrever, basta usar as estrelinhas. Deixo então a decisão aos leitores, neste caso não votem no post mas no sistema estelar, 1 estrelinha se querem que desapareça, ou 5 para permanecer, a média ditará o seu futuro.

PS: Peço desculpa a quem votou nas primeiras estrelinhas amarelas, mas entretanto descobri uma outra engenhoca estelar esteticamente mais elegante, estrelas mais pequeninas e verdes como é uso neste blog, e que fornece uma tabela (ali ao lado) com os posts mais populares. Assim já parece mais útil a coisa. Fica então uma semana a título experimental.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Ah bom, se o Público o diz...

«Qual é o balanço que José Sócrates faz dos seus três anos de Governo, que se cumprem amanhã? Positivo, muito positivo. Que imagem tem o primeiro-ministro da sua acção e das suas políticas? Reformistas. Alguma coisa correu mal? Não, tudo correu lindamente. Este é o resumo da entrevista que José Sócrates deu hoje à noite na SIC.»
Diz que é uma espécie de jornalismo. O sr. Pacheco tinha um nome para isto... qual era, "puro jornalismo"? Ah não, já sei, "jornalismo de causas".

PS: Bem sei que isto de fazer 2 posts quase seguidos em defesa indirecta do governo comporta os seus riscos, qualquer dia passo por socrático. E como blogger já era, em menos de um ai passo de desempregado a assessor do governo. Era bom era. Anyway, e porque nunca se sabe, aqui fica o mail pra qualquer contratação: renaseveados[at]gmail.com Aqui aceitam-se encomendas pósticas, é na boínha...

terça-feira, fevereiro 12, 2008

quinta-feira, fevereiro 07, 2008

Womenage à Sapo

A debandada do Blogger continua, o Womenage ensapou e ganhou um logo lindo.

domingo, janeiro 06, 2008

Vencedor do 4.º Concurso Fotográfico do Renas

Como os leitores mais atentos certamente não deixaram de reparar, este bloguito celebrou o seu 4.º aniversário no passado dia 11 de Dezembro, e como é habitual, para celebrarmos a data, promovemos uma vez mais o Concurso Fotográfico do Renas, que, se bem se lembram também, foi ganho pelo sr. Plattdorf em 2004, ano do seu lançamento. Infelizmente desde 2004 que não contamos com apoios do Governo da Madeira para a promoção do referido concurso, pelo que este tem dependido inteiramente da boa memória, espírito de iniciativa ou sorte dos nossos leitores, razões que levaram à anulação das edições 2 e 3.

Mas eis que este Inverno o concurso volta em toda a sua pujança e originalidade, com esta brilhante entrada, que pouco importa ser única ou involuntária, pois teria ofuscado qualquer rival, da autoria de Vítor Pimenta, excelso blogger de Arco de Baúlhe, terra onde não há a menor dúvida de que os enfeites das celebrações do Solstício querem-se com renas! Um grande bem-haja pois para o Vítor e toda a baúlhense freguesia natal (que se bem se lembram ainda, teve um papel decisivo na última eleição camarária da capital). Arcos de Renas em Arco de Baúlhe é pois a grande vencedora do 4.º Concurso Fotográfico do Renas.

PS: A organização está a tentar amanhar um prémio para o laureado, será anunciado assim que amanhado e entregue.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Os apressadinhos

Nota-se já pela blogosfera um silêncio de quem foi antes fazer barulho para o shopping "porque o natal está a chegar", dizem-me. Mas olho para o calendário e... surpresa: É SÓ NA TERÇA-FEIRA! Que seca esta pressa... vai tudo a correr, em fila, e depois é tudo caro e inadequado, e não se decidem e voltam de mãos a abanar e descontentes. Darlings, dia 24 é o dia para se fazerem as famigeradas compras de natal - que, insisto, é só no dia seguinte. Na véspera o consumidor fica muito mais decidido, intuitivo, os preços parecem muito mais razoáveis e ainda tem de bónus justificar o atraso na chegada à ceia familiar. Enfim, um gajo bem aconselha, mas anda tudo apressadinho, a comprar presentes para... esconder no sótão. Que tristeza.

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Percebemos que o nosso blog é pura perda de tempo inconsequente quando...

...nos deparamos com o empreendedorismo e sentido prático da blogosfera alentejana. De Beja, para ser mais exacto:
«PEDIDO DA ADMINISTRAÇÃO

Meus amigos, o Gayengatesbeja tem agendada desde há algum tempo uma orgia, como devem ter conhecimento. No dia 1 de Dezembro realizámos uma mini-orgia, que por questões de logística, foi muito limitada, só tendo podido participar 6 elementos, mas que correu muito bem, felizmente.
Em relação à grande orgia, em que o número de participantes é muito maior, e que já está em preparação desde Setembro, deparámo-nos com, um problema de última hora. Estava prevista a realização da mesma, num monte alentejano (quinta), nos arredores de Beja. Por questões de força maior, a pessoa que nos cede esse espaço, só o vai poder disponibilizar em Janeiro, o que nós agradecemos imenso. Contúdo, e para dar seguimento às nossas promessas (não somos como o Governo), pedíamos a colaboração de uma alma caridosa, qualquer um de vós que tenha um espaço discreto e que esteja disponível para disponibilizá-lo para organizar-mos a nossa grande orgia, nós agradeceríamos imenso. De preferência no Alentejo, s enão for possível, noutra zona qualquer.
Se houver por aí alguem que tenha uma casa, um espaço qualquer que disponibilize por umas horas, à noite, para a realização da orgia, que entre em contacto connosco para o nosso mail gayengatesbeja@gmail.com
Imediatamente entraremos em contacto.
Muito obrigado a todos!

Gayengatesbeja.... "um por todos, e todos por um!"»
Do Alentejo mas com alcance global, "noutra zona qualquer". E com necessidades globalizadoras, atente-se:
«Onde andam os brasileiros, mulatos e negros???

O Gayengatesbeja, lança mais uma vez o desafio a Brasileiros, Mulatos e Negros!
Face à grande procura por parte dos nossos utilizadores, lançamos o apelo a brasileiros, mulatos ou negros, quer sejam bi, gay ou hetero, para que nos contactem via mail, a fim de bons momentos! Contacto: gayengatesbeja@gmail.com

Esperamos por vocês!»
Sim, "ou hetero", porque isto é um blog inclusivo e acolhedor:
«Gostarias de ter sexo com um homem pela primeira vez, mas tens receio? O Gayengatesbeja pode ajudar-te a resolver o teu problema de forma simples e completamente gratuita.
Temos uma equipa jovem, dinâmica e pronta a ajudar-te!
Nada tens a temer, basta simplesmente quereres descobrir os prazeres da vida!
De forma completamente sigilosa e descontraída, ajudamos-te a passar do sonho, ou do mero desejo oculto à realidade! Para qualquer esclarecimento ou questão contacta-nos através do nosso endereço de correio electrónico:

gayengatesbeja@gmail.com

Temos tudo o que tu procuras! Gayengatesbeja... deixa-te seduzir!»

Mas sem receio de polémicas:
«É curisoso como este blogue veio agitar as águas na cidade de Beja. A região em nada estava habituada a iniciativas pioneiras deste género. Um dos nossos objectivos é tentar criar abertura de mentalidade nas pessoas, em particular dos alentejanos.»
Salva a eventualidade de encontrar um equivalente nortenho, esta é definitivamente a descoberta blogosférica do ano. Um grande bem-hajam para os companheiros de luta alentejanos :)

domingo, dezembro 02, 2007

Alguns mais parecem buracos negros, tal a carência

Já não há mesmo cuzinho que aguente a conversa da "ditadura do politicamente correcto". Quer dizer, exceptuando os rabos dos directores dos jornais portugueses, que diariamente publicam crónicas de denúncia da tal ditadura, exactamente iguais às do dia anterior e às que se seguirão amanhã. Nunca que se viu ditadura tão silenciosa e com oposição tão histérica - bizarro no mínimo.

Mas ela existe, ela está lá. Porque cada vez que alguém vem com a lengalenga do politicamente correcto, está a dizer ao mundo nas entrelinhas, "eu queria dizer outra coisa, mas não posso, porque depois dizem que eu sou mau e feio e tal seria insuportável para mim, que nunca ouvi disso, que não sou desse nível". E o que eles queriam mesmo dizer é que a paneleirice é uma nojeira, que as mulheres deviam estar era na cozinha, que os pretos só servem pras obras e que o comunismo devia ser criminalizado. Aliás, eles não queriam dizer nada disso. Queriam apenas, singelamente, que isso continuasse a ser a regra sem que se tivesse sequer que falar no assunto, que fosse assim e pronto. Porque falar, por si só, nessas coisas, é uma seca, um descer de nível, um horroroso perder tempo com irrelevâncias, enfim.

Como, então, falar nisso sem ter que falar? Defender isso sem ter que argumentar? É aí que entra a ditadura do politicamente correcto, e é tão fácil! É uma verdadeira dádiva divina. "Estou sem inspiração nenhuma para escrever hoje.. ah já sei, a ditadura do politicamente correcto!" - pensa o esforçado cronista. E depois é só dar uma vista de olhos na imprensa, ou melhor, na bloga ou nos jornais estrangeiros, sempre férteis nestas nojeiras, e zás, já está. O Mário Soares foi a uma conferência sobre o lugar da mulher na religião? Tungas que já almoçaste, ditador anti-cristo do PC! A Tagus decide reformular uma campanha publicitária? Eh lá, qualquer dia há genocídios politicamente correctos! Alguém ousa criticar num blogue a publicidade milionária que a televisão pública oferece diariamente à igreja? Arre pra censura politicamente correcta, daqui a nada estão a fuzilar padres! And so on...

É simples, é fácil, e alimenta muitas bocas. Nos jornais paroquiais, tal como nos nacionais, já ninguém quer outra coisa. Ainda mais agora, que está quase a chegar a altura da "Guerra ao Natal", que é sempre um fartote! "Boas festas", p. ex., transforma-se em 2 ou 3 linhas num fanático slogan ateu. E o melhor desta ditadura é que evita essa coisa horrorosa que é debater dados concretos, falar sobre a realidade para além das torres de marfim, chamar os nomes das coisas às ditas, contra-argumentar, enfim, é quanto se poupa.

Claro que há sempre quem acabe por se fartar com tanto não-dito tão explícito, mas... e é esse o encanto da ditadura politicamente correcta, fica tão fácil lidar com isso: pronto, passou-se, da cabeça e para o lado dos patrulhadores da ditadura! Estou profundamente ofendido e amuarei uns tempinhos, mas descansem, logo logo volto ao mesmo.

quarta-feira, novembro 21, 2007

A democracia espanhola

Parece que o que está a dar agora pelo mundo da bloga tuga é discutir a democracia venezuelana. Tudo bem, é capaz de ser giro, mas eu confesso-me demasiado distante e desinformado dessa realidade. Vai daí, apetece-me antes discutir a democracia aqui do lado.

Relembremos alguns factos históricos. O chefe de estado espanhol é-o desde 1975, sem nunca ter ido a eleições, e foi indicado por Franco, o ditador sanguinário que o precedeu. Antes que alguém venha comentar do referendo, relembro que isso aconteceu depois, já o Juanito era rei, e o referendo não foi sobre a monarquia, mas sobre a constituição, que entre outras coisas, aceitava a monarquia já reinstalada. Bom, isto é história, falemos de factos mais recentes.

A revista "El Jueves" foi retirada dos quiosques espanhóis por ordem da justiça, que considerava a capa criminosa. Além da censura imediata à revista, recentemente a mesma foi condenada ao pagamento de multas. A razão de tudo isto foi um cartoon sobre a única obrigação do príncipe herdeiro (gerar mais herdeiros) que ilustrava a dita.

Falando nos príncipes, no ano passado, dois republicanos foram agredidos pela polícia e passaram a noite na cadeia por, na presença das altezas, terem gritado "Viva a República!" e agitado bandeiras republicanas.

Entretanto no País Basco mil e uma confusões. Partidos proibidos, dirigentes desses mesmos partidos presos (sem que tenha sido provado qualquer acto de violência cometido pelos mesmos), até uma vila que com meros 27 votos é entregue ao PP - já que a oposição foi impedida participar na eleição. Mais recentemente o líder do governo autonómico propôs um referendo sobre a independência do basco país, proposta prontamente rejeitada pelos partidos dominantes em Espanha - "é ilegal", justificaram, e mais ameaçaram com perdas de autonomia.

Entretanto sai a condenação de 2 jovens de Barcelona que queimaram uma foto do rei, 2730 euros cada um e um cadastro manchado. Durante o julgamento os dois jovens falaram em catalão, língua que o juiz rejeitou de imediato: "un ciudadano español de 30 años conoce y entiende perfectamente el español con lo que no a lugar a un traductor". Assim as suas declarações não foram registadas, nem tidas em conta no julgamento. Já esta noite mais cerca de 60 pessoas queimaram fotos do rei na cidade durante mais uma "manifestação ilegal".

Bom e que nos diz isto tudo? Que a democracia espanhola, como todas as outras, está longe de ser perfeita. Tem mesmo leis profundamente anti-democráticas. E objectivamente existem presos e condenados políticos em Espanha. Mas, mesmo assim, e sobretudo tendo em conta a situação da maioria dos regimes em vigor no planeta, é uma democracia. Mas não é impossível argumentar o contrário. Ser republicano ou independentista catalão, basco ou galego, p. ex., exige uma enorme paciência e auto-contenção face a todos os obstáculos legais à promoção desses mesmos ideais políticos.

Pronto, já desenjoei de todo o paternalismo colonialista pseudo-democrático que se lê por aí nestes dias... sem que se tenha metade do zelo com regimes que nos estão muito mais próximos. A última vez que vi tanta gente preocupada com a democracia de uma república longínqua, deu no que deu...

quarta-feira, novembro 14, 2007

5.ª linha da página 161 e outros contos

Ora a cadeia que percorre a blogosfera lá me chegou pelo Pedro Fontela. A ideia é engraçada, mas os resultados nem sempre o serão. Em rigor o livro mais próximo seria um dicionário de bolso alemão-português/português-alemão, que na página 161 apresenta como 5.ª entrada "Orgel", "órgão" (o instrumento musical) em alemão. Descontando dicionários e livros com menos de 161 páginas, tenho então "A ilustre Casa de Ramires" do Eça, que anda para aqui aos tombos desde um post recente. Lê-se então na linha destinada: "E, riscando logo esse descorado e falso começo de capítulo, retomou o lance mais vigorosamente, enchendo todo o castelo de Santa Ireneia duma irada e rija alarma."

Mas aproveitando ter o livro à mão, esta, da pág. 114, parece-me mais oportuna:
«Vocês não compreendem... Vocês não conhecem a organização de Portugal. Perguntem aí ao Gouveia... Portugal é uma fazenda, uma bela fazenda, possuída por uma parceria. Como vocês sabem há parcerias comerciais e parcerias rurais. Esta de Lisboa é uma parceria política, que governa a herdade chamada Portugal... Nós os Portugueses pertencemos todos a duas classes: uns cinco a seis milhões que trabalham na fazenda, ou vivem nela a olhar, como o Barrolo, e que pagam; e uns trinta sujeitos em cima, em Lisboa, que formam a parceria, que recebem e que governam. Ora eu, por gosto, por necessidade, por hábito de família, desejo mandar na fazenda. Mas, para entrar na parceria política, o cidadão português precisa uma habilitação - ser deputado. Exactamente como, quando pretende entrar na Magistratura, necessita uma habilitação - ser bacharel. Por isso procuro começar como Deputado para acabar como parceiro e governar... Não é verdade, João Gouveia?»
Ora isto vem mesmo a propósito disto:
«A leitura da imprensa de ontem deixou-me mergulhado naquilo que, em literatura de aeroporto, se chama de "confusão de sentimentos". A notícia de que o Ministério da Justiça tinha comprado cinco limusinas de luxo, uma para o ministro, duas para os secretários de Estado, outra para o presidente do Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (mais que justificadamente, pois este só já tinha uns velhíssimos Audi A6 e Peugeot 404 de 2003) e mais uma para a secretaria-geral, começou por inquietar-me. Tanto mais que outra notícia me dava conta de que o OE gastará, em 2008, 3,4 milhões de euros (mais 15,4% do que este ano) com viagens de deputados. Mas que podia eu fazer? Preocupo-me em ter os impostos em dia pois alguém tem que pagar o défice (incluindo os 280 000 mil euros de vencimento do dr. Vítor Constâncio, quase o dobro do que recebia Alan Greenspan na Reserva Federal americana) e já não tenho, como a generalidade dos portugueses, mais buracos no cinto que apertar. Mas depois percebi que eram boas notícias e que, como disse o primeiro-ministro, estamos todos de parabéns pois o défice já só vai em 3%. Os funcionários públicos vão ver que os 2,1% de aumento são lapso do Ministério das Finanças. Na verdade, o aumento será de 21%.»
Do séc. XIX para cá, se alguma coisa mudou, foi a parte do "governar". Alguém me sabe dizer ao certo para que serve o Banco de Portugal na era do Banco Central Europeu? Agradeço encarecidamente. Da Assembleia da República e Justiça já estou bem informado.

segunda-feira, outubro 08, 2007

Arautos da liberdade feitos ratos da corte espanhola

Noto com algum espanto a indiferença com a actualidade política basca que se vê pela blogosfera portuguesa, particularmente entre a liberal. Criam-se leis para ilegalizar partidos, ilegalizam-se os ditos, e agora prendem-se os seus militantes mais destacados por causa de uma "reunião ilegal" e ninguém se indigna? Estranho. Se fossem neonazis já estaria Pacheco Pereira em vigília à porta da embaixada espanhola.

Por outro lado ao anúncio de um referendo no país, o bloco central espanhol (pois, para assuntos excepcionais também há um em Espanha) responde com insultos e ameaças de perda da autonomia existente. E por cá ninguém diz nada? Já se esqueceram todos do referendo de Timor Leste? Agora é aceitável este tipo de ameaça?

Voltando atrás, vale a pena fazer uma comparação entre o Batasuna e o fascista PNR. O Batasuna tinha uma significativa representatividade eleitoral (tal aliás como o seu subproduto, também ilegalizado, ANV, e cuja ilegalização rendeu um município às contas eleitorais do PP com apenas 27 votos!). A lei que o ilegalizou foi criada especificamente para esse efeito, ou seja, anos depois do partido existir. O partido não promove directamente a violência, não pelo menos de forma declarada, limita-se a não condenar a violência da ETA.

No caso do PNR falamos de um partido ilegal muito antes de existir, pois desde 1976 que é proibido formarem-se partidos fascistas em Portugal. Mesmo assim ele formou-se, camuflando o seu fascismo. No entanto a máscara tem vindo a cair, e a sobreposição de militantes seus e dirigentes de grupos violentos, envolvidos no assassinato de pessoas, tráfico de drogas, armas e mulheres, é cada vez mais notória. A sua representatividade eleitoral continua, felizmente, nula. E mesmo assim ninguém, com responsabilidades políticas, ousa defender o óbvio, a aplicação da lei e sua ilegalização. Apesar de ninguém o fazer, os blogs liberais estão sempre à espreita de qualquer sugestão nesse sentido e gritam aqui-del-rei pela "liberdade" ao mais pequeno sinal.

Mas, claro, calados como ratos em relação ao Batasuna.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Pacheco Pereira está à espera de quê para se retractar?

Sinceramente estou um bocadinho farto de ouvir aquela estória da blogosfera ser muito rigorosa com os erros dos bloggers, de não se poder um passo em falso, pata ti pata tá, e constatar na prática que afinal é uma mera reprodução on-line das patacoadas diariamente impressas nos jornais.

O que José Pacheco Pereira escreveu sobre o caso do neo-nazi Mário Machado, foi de tal forma erróneo, demagógico e imbecil, que só à luz de uma profunda ignorância e precipitação se poderia compreender vindo de alguém que se espera ter um mínimo de honestidade intelectual.

Seja como for, com todas as notícias entretanto saídas a público, deixou de haver possibilidade de ignorância sobre a verdade do caso. Sendo portanto de exigir, a bem de um mínimo de credibilidade, uma retractação de Pacheco. Mentir e ludibriar não podem continuar a ser aceites como técnicas de argumentação legítimas entre os comentaristas portugueses. De uma vez por todas!

sábado, setembro 15, 2007

Os livros que não mudaram as nossas vidas

Tempo de rever as respostas ao desafio aqui lançado a alguns camaradas da bloga sobre os livros que não mudaram as suas vidas. A pergunta era incómoda, pelo que imaginava ter poucas respostas, só não imaginava que o fosse ao ponto de fazer colapsar um blog! Sorry...

Passemos então aos resistentes. Ou nem por isso, o dot acha que a vida é demasiado curta para ler Dostoyevski, pelo que listou os livros que lhe mudaram a vida, Crime e Castigo não incluído.

Já na Enciclopédia Chinesa - reavivada pela pergunta? - encontramos uma lista com algumas coincidências em relação à minha. Nas diferenças importa realçar que não tive coragem de mencionar Marguerite Duras, não me lembrei que já tinha lido Pessoa e esqueci completamente essa figurinha catita chamada Júlio Diniz. Não fora isso, e seriam quase listas repetidas, apenas com diferentes Lobo Antunes a embalar-nos o tédio.