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domingo, junho 06, 2010

Orgulho em ver Portugal no extremo oposto disto

domingo, janeiro 31, 2010

O que nos dá a burca?

Em França, onde ao contrário de Portugal o problema das burcas é uma realidade, pretende-se agora legislar no sentido de as banir do país - mesquitas e casas particulares excluídas, naturalmente. Parece ser quase unânime na blogosfera lusa considerar que as burcas são um problema, são desde logo uma manifestação extrema de fanatismo religioso - rejeitada por uma vasta maioria de crentes muçulmanos por todo o mundo, as suas origens estão de resto limitadas ao Afeganistão e partes do Paquistão.

E criam problemas óbvios de segurança ao permitir que alguém, ao abrigo da liberdade religiosa - muito embora alguns teólogos islâmicos argumentem que nada há de religioso na burca, dado que nem sequer é referida no Alcorão - possa entrar em bancos, escolas, transportes públicos etc. com o rosto e corpo completamente ocultos, podendo-se apenas ficar com uma ideia da altura da pessoa que a usa.

Olhando para o parágrafo anterior creio que fica claro que esta discussão sobre se é legítimo ou não banir a burca não existiria se em vez de mulheres muçulmanas fossem, por exemplo, homens evangélicos a usa-la. A discussão está minada por uma série de preconceitos e complexos sobre o islão e imigração, e paralelismos infelizes com outras minorias e direitos de minorias.

Como se usar uma burca fosse algo inato na pessoa que a usa, como se despir essa pessoa da burca fosse despi-la da sua crença, como se exigir algo tão simples e óbvio - que se exige a toda a gente na generalidade das sociedades mundiais - ter o rosto destapado quando nos dirigimos a alguém, pudesse subitamente transformar-se numa terrível violação da liberdade individual. Como se a liberdade individual fosse um valor absoluto. Como se uso de objetos nunca tivesse sido legislado antes.

Porque é disso que falamos, do uso particular de um objeto em particular. Fazer disto paralelismos com casamento entre pessoas do mesmo sexo, como já li, é no mínimo insultuoso para gays e lésbicas. Tratar isto como simétrico da obrigatoriedade (aplicada à lei da bala) de usar burca durante o regime talibã no Afeganistão é insultuoso para quem profere semelhante disparate.

Se queremos fazer paralelismos entre esta possibilidade legislativa e outras, podemos facilmente encontra-los na proibição do nudismo, muitas vezes punido com pena de prisão em várias democracias do mundo, apesar de neste caso não existir qualquer problema de identificação da pessoa. Podemos falar da proibição nas cidades francesas das pessoas andarem em tronco nu na rua. Podemos falar da proibição alemã do uso de fardas e outros símbolos nazis. E saindo do plano do vestuário, podemos falar por exemplo da obrigatoriedade de votar em países como o Luxemburgo, ou da obrigatoriedade de estudarmos até ao 12.º ano de escolaridade em Portugal.

Tudo exemplos de limitações da liberdade individual, que se entenderam como justificáveis por implicarem a criação de algum bem comum, evitar alguns males ou simplesmente não mexer com alguns hábitos e tradições (fraco argumento, mas suficiente para coisas inócuas).

Voltemos então às burcas. São elas uma tradição em França? De todo, são importação muito recente. São elas um mal? Como referi no início do texto parece isso ser uma conclusão unânime na blogosfera lusa, pelo que escuso de aprofundar esse aspeto. Criam elas algum bem para a sociedade? É a sociedade mais aberta e tolerante por permitir burcas? Haverá mais diálogo intercultural? Facilitará a integração de alguém? Reforça a cidadania?

Depois de muito ler sobre o assunto, ainda não encontrei uma única resposta positiva a estas perguntas.

PS: O texto está sem links não só por preguiça, mas sobretudo por não ser uma resposta a ninguém em particular, antes a pensar em vários argumentos lidos aqui e ali, no entanto onde mais tenho acompanhado e participado na discussão é no Jugular, onde encontrarão vários posts sobre o assunto, e claro, no Twitter.

domingo, fevereiro 03, 2008

Cientologia

Absolutamente na mouche o Ricardo Alves. Ainda não consegui perceber a "preocupação" com a chegada dos cientologistas a Portugal, ainda não lhes vi nada que não tenha visto no resto. Tal como não entendo o "choque" na América com o vídeo do Tom Cruise, acaso diz algo que não digam todos os padres aos domingos? "Povo escolhido", "obrigação especial em ajudar", "nós vemos a verdade", and so on... os chavões costumeiros a todas as crendices, tenham 20 ou 2000 anos, como pode isto chocar no país do tele-evangelismo? Só não o oiço dizer que "o ateísmo é o maior drama da humanidade", menos mal. O problema é então exactamente qual?
«No meu entender, o melhor seria que o Estado não reconhecesse comunidade religiosa alguma. Existe o direito de associação e o direito de manifestação. Quem quer partilhar a sua «vida espiritual» com outros, pode portanto fazê-lo, dentro do quadro legal, sem necessidade de «reconhecimento» estatal da «especificidade» religiosa. E o Estado não pode negar aos cidadãos a liberdade de seguirem uma dada religião, nem pronunciar-se sobre a validade das crenças religiosas.
Ou será que a liberdade é só para os católicos e islâmicos, mas não para os cientologistas?»

Subscrevo a 100%.

quinta-feira, julho 19, 2007

quarta-feira, junho 13, 2007

Mais uma sentença da terra da liberdade

«But what Elisa Kelly does know is that she will be here for two-and-a-quarter years.

It is a relatively short sentence compared to the murderers and rapists with whom she paces around the narrow, pit-like courtyard once a day for 10 minutes.

You might argue that Elisa Kelly, who shares her cell with nine other inmates, is lucky, because her original sentence of eight years was slashed to 27 months after a lengthy and costly appeals process which finally hit a dead end when the US Supreme Court refused to hear her case. (...)

Elisa's crime was to hold a birthday party for her 16-year-old son Ryan and serve his friends beer.

As a precaution, she and her ex-husband, who is serving 30 days for bringing the alcohol onto the property, made sure that none of the kids would be able to drive home.

As they arrived at their 6000ft suburban mansion on the outskirts of Earlysville, she confiscated their car keys, put them in a bucket, barricaded the drive with her Hummer and told them to have a good time.

They were all expecting to have a sleep over and, since Elisa knew most of the kids because she had taught them at school, she did not think it was necessary to warn their parents that beer would be consumed.

At about 10pm the din of music and boys' voices was drowned out by police sirens.

Some 30 officers with guard dogs swooped on the red-brick house in Bleak House Road.

Someone shouted "cops!" and many of the boys dispersed into the surrounding forest.

Everyone was caught. The young guests were breathalysed and about half tested positive.

Elisa and her husband were immediately handcuffed and led away to jail. They both pleaded guilty.

In Virginia, like in much of the US, you can drive when you are 15, die in the army at 17 and buy a gun at 18.

But you cannot let beer or wine pass your lips legally until you are 21.»

sexta-feira, junho 01, 2007

Homofobia de Leste

Ali ao lado no Renas TV está a passar uma reportagem da CNN sobre a violência homofóbica em Moscovo, no YouTube encontram-se várias outras, é só entrar e navegar. Mas vale mesmo a pena ler a reportagem do The Guardian de hoje sobre estes surtos homofóbicos a Leste. Partidos ultranacionalistas, fundamentalistas religiosos das velhas igrejas e das novas seitas evangélicas, que florescem agora por aqueles lados, são os motores da vaga de ódio que prossegue sem grandes obstáculos por parte da UE.

quarta-feira, maio 23, 2007

Contra-natura, mas pró-esperma

Cueca anti-radiação, ou pró-esperma, da ISA bodywear
«A marca espanhola Zara teve que pedir desculpa aos ultra-ortodoxos judeus por ter cometido aquilo que aquela comunidade considera um grave pecado, ao misturar algodão com linho num traje masculino, conhecido como "sh'tanz". Trata-se de uma mistura que está proibida pelo judaísmo, que a encara como um pecado contra a natureza, um "híbrido".»
Mas se calhar os judeus ultra-ortodoxos deviam reequacionar a sua política sobre os "híbridos vestuários". Não só porque natura natura é andar em pelota. Mas também porque isso os proibirá de usarem as novas cuecas anti-radiação dos telemóveis, inventadas por uma marca suíça e fabricadas em Portugal, que prometem proteger a qualidade do esperma de quem as vestir mesmo na presença dos "venenosos" telemóveis, mas cujo tecido, como se não bastasse ser uma mistura de lycra e algodão, inclui ainda fios metálicos. 29,90 francos suíços, à volta de 18 euros, é pouco quando se trata de garantir a continuação da linhagem, ainda que corrompida por uma nova tolerância às misturadas anti-natura. Cor para já só preto, e ainda se aceitam voluntários para os últimos testes.

quinta-feira, maio 10, 2007

Espasmo post-mortem imperial

Estou longe de ser especialista em política timorense, ou sequer um observador muito atento, mas há já vários anos que venho acumulando uma antipatia crescente por Ramos Horta. Primeiro foram as volubilidades no relacionamento com Portugal e Austrália, sempre ao sabor dos interesses do momento e sempre pronto a dar o dito por não dito e a atacar uns e outros. Depois o associar-se ao clero fundamentalista da ilha para derrubar Alkatiri, um muçulmano, usando as aulas de religião como pretexto (como se não houvesse problemas a sério em Timor!). E agora isto, para matar qualquer dúvida, t-shirt do pescador palestiniano na hora do voto a ver se se pescam alguns tolos de última hora. Abjecto.

terça-feira, maio 08, 2007

Fátima sem vergonha

Via Portugal Gay chego a esta notícia do site Fátima Missionária: «Extrema-direita pode ser "apoiada" por "cidadãos católicos"». Vale a pena ler por inteiro. Nada há de novo no conteúdo, o que surpreende é o tom de naturalidade, normalidade, com que é escrito, e sobretudo a clareza. Há muito que não eram tão explícitos...

sexta-feira, abril 13, 2007

Quem tem pachorra para os mariquinhas do PNR?

O cartaz do Gato Fedorento foi removido por ordens (altamente discutíveis) da Câmara de Lisboa, o do PNR não. Mas mesmo assim essa malta, que nunca deveu muito à inteligência, acha-se no direito de se vitimizar, diz a nova versão do cartaz, "as ideias não se apagam, discutem-se". Não, não é solidariedade com os Gato Fedorento, a quem efectivamente proibiram o cartaz. A esses a esta malta reserva apenas ameaças. E agora lá estão eles feitos cães de guarda a vigiar o cartaz, que é coisa super-importante e a esta malta nunca falta o tempo... (Viverão do rendimento mínimo?). Se um dia destes decidirem usar parte do seu tempo livre para se alfabetizarem poderão descobrir que as suas ideias já foram amplamente discutidas, até se fez uma segunda guerra mundial à custa delas, pelo que não vale a pena chover no molhado.

PS: Estes incidentes com esta tropa servem ao menos para uma coisa, desmascarar essa seita autodenominada de "liberal" que pulula pela blogosfera fora. Não lhes ouviram nunca uma palavra contra as perseguições políticas na Polónia ou na Rep. Dominicana, as abusivas leis anti-pornografia nos EUA ou a proibição de qualquer tipo de associativismo LGBT em vários países africanos. Mas ao mínimo rasgo em propaganda neo-nazi é um "ai deus nos acuda" de solidariedade e choro comum... Haja pachorra.

quinta-feira, abril 05, 2007

A família mais odiada da América


Ou "os melhores amigos dos gays". Com inimigos destes, quem precisa de amigos? Esta uma reportagem da BBC dedicada à família Phelps, conhecida por se manifestar junto aos funerais dos soldados americanos mortos no Iraque, onde gritam a plenos pulmões que o seu destino é o inferno por terem morrido ao serviço de uma "nação que tolera os paneleiros". Mas lojas de electrodomésticos que vendam aspiradores suecos também servem de alvo para manif, porque a Suécia é afinal uma "nação paneleira" - mais que a própria América, presume-se.

PS: Na verdade discordo do título dado à reportagem (o mesmo que tem este post), parece tudo tão irreal que nem dá para os odiar, é simplesmente bizarro... custa a crer que existam mesmo.

PPS: Apetece-me tecer mil comentários à peça, tão boquiaberto me deixou... apenas alguns pontos:

1) Tenho pena que a reportagem não tenha explorado um pouco mais as finanças da família, brutos jipes, iPods, telemóveis sofisticados, viagens de avião etc. deixaram-me curioso... não estão assim tão isolados afinal, seria impossível manter o nível de vida. Também podiam ter corrigido o mito urbano do "pastor sueco vítima da ditadura gay".

2) Tenho pena que boas pessoas sejam capazes de actos tão cruéis. Porque é a opinião com que fico sobre a maior parte destas pessoas, acreditam mesmo que estão a fazer "o bem", e são afáveis, simpáticas até... boas pessoas em suma. Ninguém escolhe onde nasce, nem a educação que recebe dos pais.

3) Tenho pena da bichice recalcada do patriarca da família. Fundar uma igreja que se baseia unicamente na oposição ao sexo anal homossexual? Criar pequenos fundamentalistas que se definem nessa mesma oposição? Quem se não uma bicha frustradíssima e analmente virgem para inventar semelhante desvario? Quem? Deus?

4) Não vale a pena enviar-lhes e-mails zangados, já receberam milhares dos espectadores da BBC, o que apenas valeu mais um dos seus manifestos a condenar todo o Reino Unido ao inferno. Se alguma coisa merecem da nossa parte é pena apenas.

domingo, abril 01, 2007

Link do 1 de Abril

Ciência Hoje - http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=21209 (via).

PS: Pelos vistos o Ciência Hoje escolheu o dia das mentiras para repor a verdade, removendo uma mentira das mais tinhosas e anti-científicas, publicada dias antes no site. Não é demais repetir, criacionismo é puro abuso intelectual de menores. E quem colabora com a sua difusão é tudo menos cientista ou divulgador de Ciência. Haja decência.

Mais sobre este triste incidente aqui e aqui.

sexta-feira, março 16, 2007

Faculdade de Ciências de Lisboa promove criacionismo

É exactamente isso que se faz quando se programa um debate chamado «Darwinismo versus Criacionismo. Onde começa e onde acaba uma teoria científica?». Um debate assim seria inadmissível até num Prós & Contras, numa faculdade pública chamada "de Ciências" é absolutamente intolerável. Sequer pôr a hipótese de uma crença de meia dúzia de fanáticos alucinados e analfabetos poder ser chamada de "teoria científica" é prostituir de barato décadas de trabalho científico a sério, por vezes com pesadíssimos custos pessoais para os investigadores. É a absoluta pouca vergonha, é esbanjar dinheiros públicos de forma criminosa, já que o seu fim era oposto, promover a investigação e o conhecimento científico. Sobre este tema ler mais uma magnífico post da Palmira. E a seguir, quem não está para aturar estas macacadas pagas com os impostos de todos, pode usar este endereço electrónico a explicar isso mesmo à organização: cdlisboa@fc.ul.pt Ou então não se espantem se a seguir surgir um debate chamado «Astrologia versus Astronomia. Onde começa e onde acaba uma teoria científica?».

Actualização: O abuso intelectual de menores (menoridade etária ou mental), que constitui a promoção da IDiotia, anda por aí em força, qual Utah. Novos dados e denúncia da Palmira F. da Silva no novíssimo De Rerum Natura.

domingo, março 11, 2007

Moedas fracturantes (ou o preço do nome de deus)

Estas são as mais recentes moedas de 1 dólar. Há décadas que a U.S. Mint as tenta popularizar junto dos consumidores norte-americanos sem sucesso, já que estes não largam as notas. Para terem noção do disparate saibam que as dimensões de uma nota de 1 dólar são 156 × 66 mm, ou seja, quase tão larga como a nota de 10 euros (127 × 67 mm) e mais comprida que a de 200 (153 × 82 mm)! Tanto papel custa muito dinheiro, e a dimensão exagerada só acelera a erosão. Mas contra hábitos enraizados a razão tem pouco poder, pelo que os americanos só passarão a usar as moedas em vez das notas no dia em que deixem de produzir as últimas (foi sempre assim que se fez em Portugal, e funcionou). Sobre estas questões é muito recomendável a leitura deste post do The Lede.

Mas como se a polémica papel versus metal não fosse suficiente, eis que surge a polémica religiosa. Todo o dinheiro americano, em papel ou metal, tem a inscrição "In God e Trust" (Confiamos em Deus). Nas moedas a inscrição estava numa das faces, mas nesta nova série decidiram coloca-la no rebordo da moeda, tal como acontece com o "GOD ZIJ MET ONS" (Deus esteja connosco) das moedas de 2 euros holandesas. «In actuality the motto "In God We Trust" appears to be merely scratches on the edge of these coins-- that is, unless one looks for it with a magnifying glass.» É o comentário do Catholic World News.

Mas eis que rebenta a bomba, algumas moedas foram postas a circular sem que a frase fosse inscrita no rebordo. Perde-se a conta aos artigos de opinião indignada contra semelhante falha que se acham no Google News, fazem-se já apelos ao boicote da moeda (que independentemente desta polémica estaria sempre condenada ao fracasso imposto pela continuação do fabrico das notas) e proliferam teorias da "conspiração ateia". A boa notícia, para alguns felizardos pelo menos, é que já se vendem exemplares, da agora conhecida como "godless coin", várias centenas de vezes acima do seu valor facial, no Ebay.

Mas eu ainda não percebi bem os receios dos crentes americanos em relação a esta omissão, é a fé em deus que depende da sua marca no dinheiro, ou a fé no dinheiro que depende da assinatura divina? O mais engraçado é que a tal inscrição pode ser facilmente classificada como herege de acordo com várias citações bíblicas, razão pela qual o insuspeito Theodore Roosevelt se lhe opunha com veemência. "Não invocarás o Seu nome em vão", mas um penny é quanto basta para o gasto...

quinta-feira, março 01, 2007

Finalmente alguém com coragem para defender a prisão de José Manuel Fernandes!

A iliteracia é fodida

Quando vi que no projecto lei do PS não estava incluído o incentivo ao aborto junto da população feminina do ensino pré-primário nacional pensei, "pronto, espero que isto cale e sossegue de vez os nãozistas". Perante os cenários em que todos passaríamos a tropeçar continuamente em cadáveres de "crianças não-nascidas" espalhados pelas ruas do país em caso de vitória do Sim, era de esperar que a muito mais simples e aborrecida realidade sossegasse estas pessoas. Afinal o que o país votou foi a despenalização do aborto até às 10 semanas, por opção da mulher, em estabelecimento de saúde autorizado, só isso, mais nada.

Mas explicar isto a esta gente é o mesmo que tentar explicar a um bombista suicida que não há 70 virgens à espera de amparar lascivamente os seus bocados explodidos... Nem é preciso pegar nos casos mais dramáticos, como Isilda Pegado, basta olhar para Marcelo Rebelo de Sousa. Aprovou no parlamento uma pergunta há quase 10 anos, e em todo esse tempo permaneceu incapaz de a entender, julgando-a mentirosa, e logo ele próprio cúmplice dessa fraude.

Que toda esta gente se insurja agora contra o Partido Socialista por este despenalizar o aborto até às 10 semanas, se por opção da mulher e em estabelecimento de saúde autorizado, é apenas o culminar natural de tudo isto que temos visto ao longo dos últimos meses. Saibamos ser generosos e encara-los com a pena que inspiram... São, afinal de contas e nas suas próprias palavras, sobreviventes do aborto. Se nasceram indesejados e indesejados viveram, que morram ao menos em paz, mesmo que estrebuchando, como parece ser seu desejo.