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sábado, fevereiro 13, 2010

Uma proposta de esquerda que morreu na praia

«Socialistas vão apresentar projecto de 'big brother' fiscal, que coloca 'online' rendimentos brutos de todos os contribuintes

Todos os rendimentos declarados, de todos os cidadãos do País, vão ficar à vista de todos os que quiserem ver, na Internet. (...) Sem o imposto final pago, sem as despesas reembolsáveis (despesas de saúde, educação, etc.), mas com o rendimento bruto anual declarado. E, evidentemente, a identificação do contribuinte. Por outras palavras: acaba-se o sigilo fiscal. É o passo seguinte, depois de o Governo ter disponibilizado online a lista dos maiores devedores ao fisco.»
DN 03-Fev-10
Esta ideia do PS já é praticada em pelo menos três países escandinavos, a Noruega, Finlândia e Suécia. Em todos eles a medida causou e continua a alimentar várias polémicas. Mas continua a ser aceite como uma "coscuvilhice necessária". Também há quem lhe chame "tax porn". Mas o que é certo é que esta transparência radical tem contribuído para a preservação de alguns dos menores índices de evasão fiscal e desigualdade salarial do mundo. Em Portugal no entanto a discussão nem se chegou a fazer:
Resumindo, Francisco Assis recusa rápida e agressivamente a proposta, sem se dar ao trabalho de apresentar um único argumento que justifique a recusa de uma medida apoiada por 3 vices.
«“Striptease fiscal”, “voyeurismo na Internet” e "coscuvilhice fiscal" são os termos usados por CDS-PP, PCP e BE na crítica à proposta de um grupo de deputados socialistas, que contempla o "levantamento parcial do sigilo fiscal" para permitir o acesso público ao rendimento bruto dos contribuintes. (...)

Francisco Louça, do BE, considerou que a proposta do PS para o levantamento parcial do sigilo fiscal é "uma ideia peregrina" e uma "coscuvilhice fiscal", defendendo que o fim do segredo bancário é a única forma de combater a corrupção.» JN 3-Fev-10
E depois disto, mais nada. O debate não chegou a acontecer, com a própria esquerda a rejeita-lo ao abrigo de uma suposta sacrossanta privacidade no que aos rendimentos diz respeito.

Claro que essa sacrossanta privacidade não vale para todos. Não deixa de ser curioso ver alguns dos que imediatamente sacudiram esta proposta, discutirem alegremente o salário de um tal Rui Pedro Soares - desconhecendo-se o porquê de se poder discutir este e não o de todos. E desconhecendo-se até o valor exato do avultado salário, que começou por ser noticiado como de 2,5 Milhões/ano, havendo agora quem noticie "apenas" 1,2 Milhões. Mas afinal qual é a regra? Quando é que se pode saber e divulgar e discutir salários? Quando os jornais assim o entendem? Quem é que votou e elegeu os jornais para essa função? Não era mais simples e justa uma lei igualitária, discutida e votada no parlamento? Ou já foi definitivamente istaurada a tablóidocracia?

quinta-feira, julho 31, 2008

No país das boas notícias

Fica-se uns tempos desligado da actualidade rectangular e quando se religa o país parece outro. Ora um incidente de 6 feridos num bairro pobre e não-"branco" da periferia de Lisboa que comove todo o Portugal - mereceria fria indiferença em qualquer outro país europeu. Ora uma notícia da TVI, das primeiras no seu noticiário, sobre um professor da Universidade de Coimbra que chegou atrasado a um exame - que saudável obsessão com a pontualidade haverá agora neste estado! E ainda uma notícia de um grupo de jovens, que não um gang, perdido nas margens do rio Amazonas, aliás Teixeira, encontrado na manhã seguinte por um helicóptero a 500 quilómetros do seu acampamento, aliás 500 metros, e ainda assim transportados de helicóptero para a sua base - quão sofisticados meios de socorro! E não se olha a custos para salvar vidas, ou transportar por 500 metros betinhos de cidade que ficam zonzos quando só vêem verde à volta. O Público esclarece que se tratava de um "grupo ligado à Igreja Católica" (sic).

Para completar o ramalhete chegam-me zumbidos de um novo melodrama no Palácio Rosa, o presidente que nos preside ao ritmo, sabor e profundidade de uma novela mexicana, irá falar esta noite ao país - garantias de total obediência de todos os noticiários na sua abertura, à la Corée du Nord. O drama está em não se saber de que irá falar o perjidente, mas a avaliar pela boa onda noticiosa não me espantaria que fosse para apresentar a demissão e pedir desculpas pelos comentários e alusões racistas e fascistas do mês passado. Nunca é demasiado tarde para ganhar vergonha na cara.

Pode-se não ficar a saber muito do que se passa pelo mundo quando se acompanha a comunicação social tuga (ou norte-coreana, já agora), mas vale bem pela festarola e cores locais - so typical!

quarta-feira, fevereiro 27, 2008

Fiquem lá com o Montenegro para compensar

A SIC obriga-me a voltar à carga, qualquer dia crio uma rubrica cá no renas dedicada à geografia imaginativa dos órgãos de comunicação social. Não é picuinhice minha, isto é um bocadinho básico. Uma das regiões europeias mais "mediaticamente mapeadas" e nem assim actualizam a coisa? O Montenegro (Sudoeste da zona branca) é independente desde 2006, e não era parte da Sérvia, mas sim parte da federação da Sérvia e Montenegro. Mais, num mapa focado no Kosovo é estranho indicarem onde fica a Eslovénia e a Roménia, mas não a Albânia ou a Ex-República Jugoslava da Macedónia... acho que não estou a pedir nada demais.

sábado, fevereiro 16, 2008

Até porque o Báltico gela nesta altura do ano...

É certo e sabido que o jornalismo português não vai à bola com a geografia europeia (ou mundial). Veja-se este exemplo da SIC. Mas quando se anda sempre a falar nos Balcãs, uma cordilheira montanhosa do Sudeste europeu, é um bocadinho puxado confundi-lo com um mar do Nordeste do mesmo continente. Mas pronto, se a citação não está errada, também há um ministro em Espanha que julga que o seu país é o mais antigo da Europa, não fica tão mal a Lusa, o desvario é generalizado...

quinta-feira, dezembro 06, 2007

Direito à indiferença

Uma reportagem do The New York Times sobre famílias judaico-cristãs e a competição entre Natal e Hanucá que por vezes isso gera. Entre vários exemplos familiares, o de Rick Draughon (cristão), Scott Gamzon (judeu) e Noah, o seu filho adoptado. Suponho que este tipo de cobertura jornalística, com gays visíveis mas sem um assunto gay ou o termo sequer, só seja possível com mentalidades já mudadas. Suspiro...

Curioso também como ao longo da reportagem coisas como a árvore ou o pai-natal são vistos como símbolos óbvia e indiscutivelmente cristãos. Creio que faria bem à harmonia familiar se estas pessoas fossem de férias a Tóquio ou Singapura em Dezembro (nunca fui, mas diz que...).

quinta-feira, outubro 18, 2007

A menina que escapou à imprensa portuguesa

A menina inglesa, a menina do sargento, a menina roubada do hospital... não há nada que a comunicação social portuguesa mais ame que um drama com uma menina no meio. Estranhei por isso esta notícia, envolvendo uma menina luso-checa no meio de uma disputa parental, de que nunca ouvi falar... A foto ganhou o prémio Czech Press Photo 2007, pelo que lá não deve ter escapado aos holofotes.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Publijornalismo

Hoje ao minuto 5 do Jornal da Tarde da RTP surge um directo ao El Corte Inglés de Gaia, para uma reportagem sobre o preço do material escolar. Perguntava o jornalistaa dois clientes quanto lhes custava o uniforme do colégio do filho, os pais não sabiam, pergunta então ao porta-voz do centro comercial, existem vários preços, respondeu. O jornalista público, não satisfeito, insistiu por mais 3 vezes. Tratando-o sempre por "tu", o porta-voz do El Corte Inglés foi dizendo que dependia do colégio, dependia do tamanho e que simplesmente não sabia naquele momento quanto custaria. Tudo isto, repito, ao minuto 5 do noticiário das 13h do canal público de televisão.

Já durante o fim-de-semana foram intermináveis os directos a Gaia e Porto a propósito da Red Bull Air Race, prova que contava com o apoio da RTP. Abriu telejornais, ocupou-lhes o meio e encerrava-os. A Red Bull agradece, o contribuinte paga. O jornalismo público é então, afinal, apenas publijornalismo. Não se sabendo bem quando começa o jornalismo e acaba a publicidade ou vice-versa, e sobretudo, não se sabe bem onde andará a relevância dos acontecimentos noticiados.

Não há mal sem solução e no poupar é que está o ganho. Telejornais com um máximo de 30 minutos, directos apenas em situações tipo 9/11, e desporto num programa à parte, são 3 regras simples que fariam a inexistente qualidade actual da informação da TV pública disparar para níveis razoáveis.

30 minutos chegam perfeitamente para mostrar a actualidade nacional e internacional relevante (vejam-se os bastante mais curtos noticiários da Euronews) e sobra ainda tempo para uma entrevista ou reportagem mais alongada sobre um tema que mereça ser aprofundado.

Os directos que enxameiam os noticiários são regra geral minutos de dar dó. Jornalistas frustrados a tentarem entrevistar transeuntes relutantes, pessoas cujo café é interrompido para darem a sua opinião sobre a última contratação do Benfica ou estradas cujo trânsito de fim de férias se recusa a comparecer à hora do telejornal. Tudo triste, deprimente, sem qualquer acréscimo de informação útil, tudo escusado enfim.

Finalmente o desporto, esse império de marcas e publicidade, onde os exclusivos são conseguidos à custa de copyrights, deve estar completamente fora dos noticiários. Não é suposto o jornalismo ter que pagar para exercer, logo, o dito jornalismo desportivo é algo à parte, devia ficar à parte. Sem drama. Quando Portugal ganhar um campeonato do mundo e o pessoal encher as ruas de cachecóis e bandeiras, abra-se uma excepção, até lá, não.

segunda-feira, agosto 20, 2007

O campo de milho

Roubado ao Irmão Lúcia.

Silly season, indeed. Aparentemente um bando de betinhos, portugueses e estrangeiros, em plena fase rasta, aproveitaram as férias nos Algarves para darem uma de "ecologistas radicais" e invadiram e destruíram parte de um campo de milho transgénico. Até aqui nada de especialmente dramático ou problemático. A GNR existe precisamente para travar casos de delinquência como este, os tribunais para os julgarem e os papás e mamãs dos fedelhos para pagarem as despesas com os advogados.

O que já é mais difícil de perceber é o furor mediático que o caso causou. Mas tudo tem explicação. Por estes dias a blogosfera de direita vive em estado de furiosa indignação e o repisado campo de milho foi elevado à categoria de herói-mártir da causa anti-ambientalista. E de facto seria difícil arranjarem melhor que isto, pelo que há que aproveitar e chorar e espernear ao máximo enquanto dura.

Não seria sequer surpreendente que, entre um charro e uma sms, a ideia tenha sido cuspida nas orelhinhas dos voluntariosos ambientalistas de ocasião por um desses senhores indignados. É que tudo isto cai que nem gingas à causa transgénica. Quem melhor que um bando de fedelhos mal lavados e embrulhados numa nuvem de ganza para, por contraste, dar boa imagem à agricultura de alto risco dos transgénicos?

Claro que também podiam estar simplesmente a jogar ao jogo do "Qual é a coisa mais estúpida que podemos fazer este Verão?".

Seja como for, antes e depois continua a sobrar imbecilidade. Na RTP ainda hoje o nome da Almargem era difamatoriamente relacionado com o caso. Cavaco Silva, o presidente-tabu, achou por bem referir-se, igualmente indignado, ao campo mártir de Silves - um bom exemplo do populismo dissimulado e absoluta inutilidade desta trágica figura. E um pouco por todo o lado os transgénicos são referidos como a solução para o fim da fome na Terra. Quando seria afinal tão mais simples e seguro não atirar a comida para o lixo. Já basta o desperdício contínuo de tinta de jornal...

Roubado ao Bandeira.

PS: Em jeito de direito de resposta aqui ficam as mais recentes declarações do porta-voz do "Verde Eufémia". Isto não significa que retire qualquer um dos meus comentários, apenas que reconheço a pertinência de alguns pontos. Quanto ao resto, continuo com total alergia a estes grupos pseudo-radicais, mas que afinal são apenas inconsequentes e contra-producentes.

PPS: Bem lembrado pelo Max o duplo critério do demagogo cavaquista na hora de condenar violações à lei, moral da história: presidente regional pode. Com a maior das latas Marques Mendes embarcou na mesma hipocrisia desenvergonhada. Tão fortes contra os eco-rastas, tão ratos contra Jardim.

quarta-feira, julho 25, 2007

Salazarmania chega ao New York Times

Num emaranhado de clichés, como seria de esperar. Anseio pelo dia em que se possa ler uma reportagem sobre o país na imprensa estrangeira sem as palavras "fado", "saudade" e "católico". Quanto ao "furor" que meia dúzia de fascistas e umas boas dezenas de jornalistas semi-analfabetos criaram, nada a dizer. O tema esgotou-se há séculos. A mesquinhez humana não tem muito que analisar, merece apenas ser exposta para evitar que se repita.

domingo, julho 15, 2007

Freguesia a freguesia

O facto mais notório da noite foi o profundo desinteresse dos lisboetas pela eleição na sua cidade. Mesmo assim a audiência televisiva do país por inteiro teve que gramar os resultados, freguesia a freguesia!

O desinteresse dos lisboetas é ainda mais impressionante se tivermos em conta a quantidade de gente que achava que o veredicto local devia ter leituras nacionais, nomeadamente de avaliação do governo que é (ou devia ser) de todos... Está visto, 1 voto em Lisboa vale por 100 em Carrazeda de Ansiães. O que é que tenho que fazer para votar aí em baixo? Avisem também o novo autarca, porque parece que vota em Sintra...

quarta-feira, julho 11, 2007

O Estado cobra, a Igreja esbanja

«Ainda na área da educação, a CEP critica a redução dos apoios do Estado à Universidade Católica Portuguesa e os problemas no ensino da Educação Moral e Religiosa nas escolas públicas. "Não há liberdade de educação em Portugal", concluiu o religioso, recordando que todos os partidos prometem permitir a escolha livre das famílias entre escolas públicas e católicas mas nunca cumprem essas promessas depois de serem eleitos.»
Esta é uma das passagens mais curiosas da notícia da Lusa, que merecia toda uma tese de análise, mas para já fico-me por um postito. "Não há liberdade de educação em Portugal", quem lê imagina alunos impedidos de escolherem estudar em escolas católicas. Será isso? O que entenderão por "escolha livre" os bispos de Portugal? Esperem, não me digam que querem que o estado pague as propinas altíssimas que vocês cobram aos vossos alunos, para que estes possam escolher entre escolas públicas e colégios católicos sem se preocuparem com a factura? É isso? Lata não falta aos bispos portugueses, trocam as palavras, os jornalistas noticiam como se com a troca algo fizesse ainda sentido, e siga o forrobodó. O que os bispos querem é que o estado esqueça não só que é laico, mas também que tem todo um sistema de ensino ao seu encargo, e passe a financiar "porque sim" o sistema de ensino concorrente da ICAR.
«"O peso da Igreja na sociedade portuguesa não é o Estado que o define", disse, acrescentando que estas questões serão objectos de análise na próxima Assembleia Plenária dos bispos portugueses que terá lugar em Novembro, a decorrer em Roma.»
Pois não é o estado, não senhor. Mas porque raio havia de ser a igreja? Porque não deixa a igreja que seja a sociedade a definir a sua relevância? Porque é que em vez da igreja querer continuamente substituir o papel do estado em várias áreas (educação, saúde, etc) com o dinheiro do estado, não tenta a substituição com o seu próprio dinheiro? Porque não pode a ICAR, a exemplo de várias outras igrejas por esse mundo fora, cobrar "impostos" (quotas, dízimos, chamem o que quiserem) aos seus membros para assim poder manter os seus serviços alternativos? A sério, porquê?

Oh esperem, não me digam que têm medo? Que imaginam que a sociedade não quereria saber dos vossos fantásticos serviços para nada, que prefeririam os do Estado? Que acham que a fé da maioria dos fiéis não resistiria a uma só mensalidade? E que aqueles que estariam dispostos a paga-los ficariam mais curiosos sobre o modo como gerem os fundos, e iam querer dizer algo sobre isso? Que no final haveria cerca de 5% de portugueses católicos e ainda por cima vigilantes da gestão da ICAR? Infernal imagem não é? Mais vale de facto continuar a trocar as palavras todas, chamar "liberdade" ao dinheiro, e sacar o máximo possível do cofre que é de todos, católicos ou ateus.

terça-feira, julho 10, 2007

Microcausa

Fátima Campos Ferreira promovida a correspondente da RTP no Uzbequistão, já!

segunda-feira, julho 09, 2007

A vaia ao poder

Já li várias notícias que faziam referência a uma "monumental vaia a José Sócrates" no estádio da Luz, aquando daquela treta das maravilhas. A mim também parece ridículo um PM ir a uma coisa dessas. Mas o curioso é que quando finalmente descobri um vídeo da vaia, descobri também que Sócrates não estava só, Cavaco estava mesmo ao lado. Mas isso não foi noticiado nos jornais, pelo menos nas notícias que eu li. Porque terão tanta certeza os jornalistas de que a vaia era exclusivamente para Sócrates? Eu, por exemplo, sentir-me-ia muito mais tentado a vaiar Cavaco.

sexta-feira, junho 29, 2007

Os casinhos do governo

Tinha até há pouco aqui um post sobre mais uma gaffe do governo. A notícia rezava assim:
«O ministro da Saúde, Correia de Campos, aconselhou a entrega «a pobres» de medicamentos fora de prazo, como forma de evitar o desperdício de fármacos.
De acordo com a TSF, Correia de Campos intervinha numa conferência na Ordem dos Economistas quando foi interpelado por um dos participantes, da Associação Nacional de Farmácias, que exibiu um saco com medicamentos fora de prazo, no valor de 1.700 euros.
O ministro da Saúde referiu que «toda a gente sabe» que há desperdício de medicamentos, nomeadamente que, por vezes, os utentes compram unidades a mais do que necessitam. «Certamente essa Associação a que pertence tem pobres inscritos. Talvez pudesse facultar esses produtos farmacêuticos para serem utilizados», recomendou o ministro.»
Mas afinal, ao que parece, o ministro não sabia que os medicamentos estavam fora de prazo quando proferiu o comentário, afinal absolutamente sensato e solidário. E esta notícia não é jornalismo. É outra coisa qualquer, algures entre a manipulação e a mentira grossa.

Mais um caso, dos muitos casinhos que vão causando polémica em torno do governo, ao mesmo tempo que o que realmente importa passa sem discussão. Não admira, um governo de direita, uma oposição e comunicação social igualmente de direita, sobram apenas os fait divers para criticar o governo. Não há escândalo pelo ataque aos direitos dos trabalhadores, não há escândalo por causa do recuo da lei anti-fumo, não há escândalo pelos ataques aos sistema nacional de saúde, pela inexistência de saúde dental pública, pela berardização do país etc etc etc.

E depois ainda há os casinhos que passam por horríveis "ataques à liberdade de expressão" (qual regime jardinista), que afinal não passam de excessos de zelo em relação a maus comportamentos na função pública muito mal contados... Como se a maioria dos trabalhadores portugueses tivesse um pingo de pachorra a gastar com boys de outros governos que se divertem a fazer piadinhas e cartazes no local de trabalho. O pior mesmo desses casos é substituir uns boys por outros, e não simplesmente extinguir-lhes os jobs. Mas tivessem os trabalhadores portugueses metade do tempo que têm estes boys para brincarem e fazerem tropelias, e o governo piaria muito mais fino no que realmente interessa.

segunda-feira, junho 04, 2007

A memória é curta: assassinos em série de Portugal

Com o julgamento do "serial killer de Santa Comba Dão" ouvem-se expressões como "o primeiro serial killer português" - ouvi-o na RTP. E daí se ouvem conclusões fáceis sobre a suposta criminalidade "como nunca se viu". Nada mais longe da realidade, como o demonstra bem o 9º lugar no ranking mundial da paz, que se fosse calculado desde a fundação, teria certamente agora o seu melhor resultado de sempre para Portugal. Voltando aos serial killers, lembro apenas dois, o último homem e a última mulher condenados à morte em Portugal.

A cabeça de Diogo Alves

Em 1841 foi executado Diogo Alves. Um dos milhares de imigrantes galegos que à época viviam em Portugal, vindo de Santa Xertrudes de Samos em Lugo, e que se dedicava a assaltar pessoas no Aqueduto das Águas Livres em Lisboa, atirando-as de seguida dos arcos abaixo. Chegou-se a pensar que se tratava de uma onda de suicídios, desconhecendo-se ao certo o número de vítimas (na ordem das dezenas). A cabeça do assassino encontra-se hoje "engarrafada" no dito monumento. O primeiro filme ficcional português, de 1911, foi sobre os seus crimes. Recentemente foi reeditada uma biografia romanceada, cuja primeira edição data de 1877. E Philip Graham [dica do Miguel] tem no YouTube um breve filme: «Bring me the head of Diogo Alves!».

Já a última mulher a ser condenada à morte em Portugal foi Luísa de Jesus, nascida em Coimbra. Tinha apenas 22 anos quando, em 1772, foi condenada pela morte de 33 recém-nascidos, que "levantava" na roda, recebendo assim 600 réis por criança, um subsídio que deveria ser usado na sua criação.

Como se vê, Portugal já teve assassinos bem mais sanguinários, e não era a existência da pena capital que os evitava...

quinta-feira, maio 31, 2007

Os directos do café

Mais patetices. Como se não bastasse o habitual destaque exagerado que a informação da TV pública dá à bola, hoje houve também direito a directos para perguntar a quem passa ou a quem tenta almoçar em sossego, "o que acha? [da venda de 2 jogadores]". Isto foi para aí ao minuto 7 do Jornal da Tarde. Um directo de um café do Porto e outro de Lisboa. Já não há gente a morrer em Bagdad?