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sexta-feira, março 07, 2008

"Nem bom nem mau INCONTORNÁVEL"

Se não me falha a memória era isto que rezava um poster publicitário, "nem bom nem mau INCONTORNÁVEL". A publicidade era a uma colecção de livros, distribuída com um tablóide, dedicada ao salazarismo. Não percebi bem se incontornável seria a tal colecção (logo nem boa, bem má?) ou se ao dito cujo pina-galinhas.

Pina-galinhas é uma das alcunhas do pulha que recordo ouvir em pequeno e que sempre me pareceu muito adequada. Isto apesar de haver agora para aí um livro que, dizem, lido nas entrelinhas mostra que afinal o tipo era mesmo era pedófilo. Não sei, não o li, nem estou interessado.

A figura de Salazar é tudo menos fascinante, e certamente que não é "nem boa nem má", é sim profundamente medíocre. Uma coisa rançosa, mesquinha, que durante 50 anos instigou o miserabilismo, o catolicismo, o bufismo, o racismo, o analfabetismo e até o futebolismo e o fadismo, enfim, os piores traços deste país. Que poderá haver nisto de fascinante? E incontornável? Mau era se o fosse. Aliás, mesmo com todos os pesares, o Portugal de hoje é já outro país que não o Portugal de Salazar. Contornadíssimo que está, querem-no agora branquear. Camuflando o branqueamento com as cores do arco-íris warholiano. Contornam-se os pulhas, mas as pulhices florescem sempre...