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quarta-feira, junho 20, 2007

Demito-me






Demasiada concorrência. Notar que os anúncios da Mcel são bocas à adesão da Vodacom (ou "Johnny"), empresa de capital sul-africano, ao programa "Made in Moçambique" e ao anúncio do cliente 1 milhão. Apesar do nacionalismo exacerbado, os da Mcel são mesmo giros, mais um:

quarta-feira, outubro 18, 2006

Quase metade dos espanhóis deseja a anexação de Portugal

«Quase metade dos espanhóis, 45,7 por cento, quer a união entre Portugal e Espanha, com a maioria a defender que o novo país deve chamar-se Espanha, ter Madrid como capital e manter o regime monárquico, de acordo com uma sondagem.»
Quase se podia dizer que a sondagem do El Sol abriu uma caixa de pandora. Mas será antes o caso de confirmar suspeitas de sempre. Nem era preciso uma sondagem do lado de lá, o empolgamento com que os supostos 28% de portugueses iberistas foi recebida pela comunicação social espanhola, que só se lembra de Portugal quando há algum desastre ou alguma eleição, eliminava qualquer dúvida. Aquele rectângulozinho no mapa incomoda qualquer uno...

Mas nisto de tiques imperialistas estamos todos bem servidos. É que a sondagem do Sol não se resumia a perguntar por Espanha, apesar de só disso se ter falado. Razão pela qual me passou ao lado o resto da dita, bem mais interessante diga-se, que encontrei por mero acaso:
«2.) Portugal e as ex-colónias:

3.1.) Deveriam ter apenas as tradicionais relações entre estados independentes?
Sim 64,6% - Não 26,2%

3.2.) Deveriam constituir uma comunidade ou federação de estados?
Sim 38,2% - Não 49,7%

3.3.) Deveriam permanecer sob o domínio de Portugal?
Sim 21,1% - Não 70,5%»
Fiquei sem perceber bem se a indiferença face a estes resultados se deveu a serem demasiado sensíveis ou por outra, previsíveis. Mas parecem bem mais interessantes e dignos de aprofundamento que os outros, por não se deverem sobretudo a circunstâncias económicas. Os resultados da pergunta 3.2 são ainda mais intrigantes se confrontados com estes:
« 3.1.) Portugal perdeu ou ganhou com a entrada na união europeia?

Ganhou 51,7% - Perdeu 24,6% - Nem ganhou, nem perdeu 20,9%»
Ou seja, quase metade não vê vantagens na adesão à UE (na maior parte dos domínios a maioria diz que o país está pior que há 20 anos, excepto no que toca ao prestígio internacional). E pelos vistos 40% estaria disposto a formar uma união semelhante, mas com os PALOP. Mas tal como o entusiasmo espanhol com o iberismo parece ser bem maior que o português, o inverso deverá acontecer com os PALOP face a uma união com Portugal (salvo alguma excepção insular). Parece-me que no logo comemorativo do 50º aniversário da União Europeia Portugal só se irá rever na parte que diz "1957".

quinta-feira, setembro 21, 2006

Novas da Índia e Moçambique

E das boas. Na Índia mais de 100 personalidades do país, incluindo Arundhati Roy ou o prémio Nobel da economia Amartya Sen, assinaram uma carta aberta contra a criminalização da homossexualidade. Tal como em vários países africanos e caribenhos, esta criminalização é um resquício dos tempos coloniais, mas que em vez de ser repelido até por isso, foi sendo apropriado por grupos conservadores e nacionalistas que não hesitam em classificar a homossexualidade como "anti-indiana", "anti-africana", "anti-jamaicana", etc. Esta carta é portanto um documento histórico, que certamente terá um efeito positivo no país que pretende organizar os 2ºs Jogos da Lusofonia.

Também em Moçambique, onde (à semelhança dos restantes PALOP, excepto São Tomé e Príncipe) a homossexualidade ainda está ilegalizada, igualmente por herança colonial, o tema tem sido pela primeira vez debatido publicamente e de forma positiva. O que, claro, não impede que o trogloditismo analfabeto (mesmo que com o sobrenome "Craveirinha") saia à rua. O hilariante deste exemplo é que a bibliografia recomendada (utilizada não foi certamente) é do mais gay friendly que há, e contradiz tudo o que é escrito no artigo.