sexta-feira, agosto 24, 2007

Estamos à espera de quê?

«O Brasil começa a se preparar para a mudança ortográfica que, além do trema, acaba com os acentos de vôo, lêem, heróico e muitos outros. A nova ortografia também altera as regras do hífen e incorpora ao alfabeto as letras k, w e y. As alterações foram discutidas entre os oito países que usam a língua portuguesa --uma população estimada hoje em 230 milhões-- e têm como objetivo aproximar essas culturas.

Não há um dia marcado para que as mudanças ocorram --especialistas estimam que seja necessário um período de dois anos para a sociedade se acostumar. Mas a previsão é que a modificação comece em 2008. (...)

Tecnicamente, diz Moreira, a nova ortografia já poderia estar em vigor desde o início do ano. Isso porque a CPLP definiu que, quando três países ratificassem o acordo, ele já poderia ser vigorar. O Brasil ratificou em 2004. Cabo Verde, em fevereiro de 2006, e São Tomé e Príncipe, em dezembro.»

6 comentários:

chic-O disse...

para uma tarde de sábado divertida:
http://ccgll.blogspot.com/2007/08/grande-gala-da-trincha.html

Génio Louro disse...

Para quê essa pressa em mudar, boss? Eu sou bastante a favor do acordo ortográfico, mas faz-me confusão que dentro de dois anos seja obrigado a escrever: AÇÃO, PROJETO e principalmente EGITO... Até porque eu não digo "egito".. eu digo "EGIPTO", com um "p" audível!!!

boss disse...

Génio, qualquer alteração ortográfica causa desconforto. Certamente que custou a muita gente deixar de escrever "pharmácia" para passar a escrever "farmácia". A parte do desconforto não dá mesmo para evitar, o ser humano é um animal de hábitos, qualquer alteração desconforta.

Mas parece-me que dificilmente se pode falar em "pressa". O acordo foi acordado em 1990! 17 anos! A questão é portanto muito simples, ou defendemos o acordo ou não, ou seja, ou defendemos a unidade ortográfica da língua, ou não. Ir adiando não faz sentido, sobretudo por haver compromissos já assumidos. É claro que para ser implementado é necessária alguma preparação. O problema é que não se vê o mínimo sinal de que se queira avançar nesse sentido...

Prosciutto Mourente disse...

Veremos quê conseqüências terá todo isso aqui na Galiza... acho que só uns pouquinhos seguirám a reforma. O nosso problema é outro... bem mais grave!

Mazinha disse...

boss, não compreendo porque não poderá continuar a haver Português de Portugal e do Brasil (e até outros). O Inglês tem essas particularidades e nada de mal veio ao mundo. Tudo isto para dizer ue não concordo, por exemplo, com o facto de se tirarem acentos a palavras que claramente precisam deles para serem rapidamente entendidas: não é o mesmo ler "pêlo" e "pelo" ou "pára" e "para".
Isso só pode ser porreiro para a malta que se debate com a acentuação desde a escola primária :)

boss disse...

Mazinha, a situação não é de todo comparável ao inglês britânico/americano. O número de palavras com ortografia diferente nesses dois casos é muito reduzido, color/colour e pouco mais.. Mesmo a nível de vocabulário, sotaque e gramática o inglês (pelo menos nessas duas variantes) está muito mais unificado que o português.

Repara que o diferente vocabulário e variantes gramaticais não sofrem alteração com a reforma. Mesmo a ortografia mantém-se diferenciada para algumas palavras fato/facto p.ex. (o Egipto não estou certo).

A questão é que não vale de muito dizermos que falamos umas das línguas mais faladas do mundo e depois, na prática, promovemos a separação dessa mesma língua. A valorização do português, coisa que deve interessar a todos os falantes, tem um enorme potencial no médio prazo, mas isso só se consegue fazendo esforços no sentido do reforço da unidade e inteligibilidade mútua das suas variantes...

A ortografia é no fundo uma coisa completamente superficial.. Até podíamos trocar de alfabeto, sem que com isso a língua sofresse qualquer modificação relevante nos outros planos. Basta olhar para o caso do servo-croata, que por motivos políticos se dividiu em sérvio e em croata, usando alfabetos diferentes, mas mantendo total inteligibilidade oral entre as duas variantes. Claro na versão escrita apenas criou dificuldades de comunicação completamente inúteis, aliás, foram criadas apenas com essa intenção, pelo que afinal cumprirão o seu papel.