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domingo, fevereiro 17, 2008

A propósito da Grande Albánia/Cosovo/Coze-Ovo/Bordúria

Só para lembrar a imprensa tuga da recente "suspensão" (ilegalização por 3 anos) de mais dois partidos independentistas bascos. Também convém recordar que Madrid não deixa que se faça um referendo à independência do país. Mas, por outro lado, não reclama que o País Basco seja o "berço da nação" espanhola; embora reclame que esta última seja a mais antiga da Europa. Enfim, tudo coisas que me parecem vir a propósito, não sei bem porquê. Coze-Ovo com a devida vénia ao Esquerda Republicana e Bordúria aos Tempos que Correm.

PS: Depois alguém que avise a ETA de que não é pela violência que lá chegam, que isto é a excepção que confirma a regra e tal.

PPS: Parece que o Cavaco anda preocupado com as possíveis consequências da independência, tem bom remédio sr. presidente ou é mesmo Bruxelas (i.e. Berlim) a decidir se Portugal reconhece o alargamento da Albânia e ponto final? Precisaremos já de um UÇK-PT?

PPPS: Da Madeira dizem-nos que a cena deles é outra, o importante é que a mama se mantenha, e enquanto assim for não se importam de trautear o hino de vez em quando. Dormirei mais descansado, o hino cantado em madeirense embala-me como nada mais o consegue, vale bem um IVA rebaixado, um investimento público per capita várias vezes superior ao do resto do estado e até as quotas especiais de acesso ao ensino superior, aquelas que permitem que cidadãos madeirenses entrem nas universidades portuguesas com notas 2, 3 ou mesmo 4 valores abaixo das exigidas aos cidadãos portugueses. É que é mesmo bonito o hino em madeirense, só ouvindo mesmo, não dá para descrever.

PPPPS: O caso basco é especialmente elucidativo da hipocrisia europeia, mas está longe de ser o caso com mais semelhanças ao do Kosovo. Vale a pena ler as entradas da Wikipedia anglófona para casos mais semelhantes, como o da Abecásia, Ossétia do Sul, Transnístria, Nagorno-Karabakh e, claro, a República do Norte do Chipre; todas elas independentes de facto, mas sem quem as reconheça... até agora pelo menos, algumas poderão ter mais sorte em breve.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Aos enlutadinhos do "D." Carlos

Espero que esta gente mantenha o mesmo humanismo no próximo 1 de Dezembro, e em vez de celebrar a vitória dos terroristas, mande rezar uma missinha por Miguel de Vasconcelos. Aliás, para quando uma plaquinha em homenagem à desgraçada vítima? Triste país o que consagra dia feriado o aniversário de um acto terrorista...

sexta-feira, julho 06, 2007

A via revolucionária para o sexo anal

"The Raspberry Reich", provavelmente o melhor filme-panfleto de sempre, capaz de agradar a qualquer pessoa com sentido de humor, mas também amantes de pornografia alternativa, boa música ou homofóbicos militantes, que encontrarão aqui combustível para todas as suas paranóias.

JOIN THE HOMOSEXUAL INTIFADA! HETEROSEXUALITY IS THE OPIATE OF THE MASSES! THE REVOLUTION IS MY BOYFRIEND!

segunda-feira, janeiro 01, 2007

Papa começa o ano a insultar as vítimas de terrorismo comparando-as a embriões

É o que diz a imprensa portuguesa. Curioso é notar no Google News como divergem os títulos dos sites portugueses dos brasileiros, sendo que estes últimos não têm nenhuma referência ao aborto. A igreja não precisa de se esforçar muito para que a comunicação social portuguesa lhe estenda a passadeira vermelha. Basta que transformem as suas missinhas sagradas de dias santos em comícios políticos da mais barata demagogia. Muda-se o ano, mas o fedor que chega de Roma continua o mesmo. Volta Nero, estás perdoado.

PS: Eu sei que isto ainda agora começou, mas mais uma razão para não haver dúvidas, até ao momento o post do ano é este.

terça-feira, setembro 19, 2006

Politicamente Estúpido

O "Loose Change" não me pareceu de imediato um objecto para levar a sério, isso só aconteceu quando me pus a ler "o" blog que se propõe "desmontar as mentiras do documentário" - assustadoramente pobre e inconsistente tentativa de resposta. Mas o filme, que mais não é que uma série de suposições e teorias imaginativas, é efectivamente de contraditório difícil, já que o acesso às provas relativas ao 11 de Setembro nunca foi livre e imediato, bem pelo contrário. Acreditar na versão oficial dos acontecimentos implica necessariamente dar uma quantidade nada pequena de crédito à administração Bush. É aqui que está o grande busílis.

«"Ponham lá aí um cartaz a dizer que eu sou muito estúpido", é o que os que levam a sério o "Loose Change", a começar pelos programadores da RTP que entraram agora num nível provocatório, estão a dizer.» Quem o diz é Pacheco Pereira, que mais acrescenta, «Podia até fazer-se uma versão politicamente correcta: “eu ainda sou mais estúpido do que o Presidente Bush”.».

Eu fico mesmo preocupado quando leio este tipo de coisas. Desde logo porque o insulto é o derradeiro, ou melhor, o não-argumento usado quando a derrota no debate está à vista de todos. E depois porque a parca tentativa de resposta ao filme indicia que Pacheco nem o terá visto - mas que seja isso, ao menos.

Acrescentemos a isto o fanatismo pró-Bush, que faz com que todos os que não comunguem da mesma fé sejam irremediavelmente classificados como anti-americanos, e temos o caldo entornado. Já para não falar no uso até à náusea da expressão "politicamente correcto", ainda não reparou que tanto a usaram, gastaram e abusaram que hoje em dia isso não quer dizer absolutamente nada?

Eu só voltarei a levar Pacheco Pereira a sério no dia em que ele próprio use um badge que diga, "Estúpido sou eu, que acreditei nas armas de destruição maciça".

segunda-feira, setembro 18, 2006

"Loose Change" x 4

Parece-me no mínimo estranho, mas esta tarde a RTP passou pela quarta vez (pelo menos) o polémico documentário "Loose Change". Parece-me estranho sobretudo por ser tão oposto a toda a restante informação da televisão pública no que toca ao 11 de Setembro e adjacências. Pacheco Pereira já se queixou, mas segundo o provedor da RTP, Paquete de Oliveira, a justificação estará mesmo nos muitos pedidos de reposição. Mas é que devem ser mesmo muitos para justificar tanta reposição em tão pouco tempo - embora duas das repetições tenham sido em horários nada convidativos, e a promoção ao doc quase nula.

De resto concordo inteiramente com a Manel, não papo tudo o que o filme defende, mas agrada-me que alguém venha pôr em causa uma série de verdades quase sagradas. Sobretudo quando já todos sabemos que a administração Bush mente sem pudor, mata sem hesitar e põe os interesses do capital acima de tudo. E que mesmo assim os grandes meios de comunicação social americanos limitam-se a ser eco do que diz Bush numa série de assuntos vitais, 11 de Setembro incluído.

Afinal, pensando melhor, não é assim tão estranho que esta lufada de ar fresco tenha feito com que tanta gente chateasse a RTP para que soprasse mais vezes.

segunda-feira, setembro 11, 2006

"Loose Change" às 3h05 na RTP1

É um bocado em cima da hora, mas quem não viu na 2: saiba que daqui a um par de horas a RTP1 repete o doc de que se fala pelos blogs. De qualquer modo pode ser sempre visto no Google Video (aparentemente ainda sem uma versão com legendas em português).

Outro documentário, ou "docu-drama" no caso, tem causado polémica nos EUA antes mesmo de ir para o ar, mas por motivos opostos ao de "Loose Change". "Path to 9/11" da ABC promete livrar de qualquer culpa a administração Bush e bater sem piedade na administração Clinton. «O co-produtor executivo do "docu-drama" é um republicano, para quem, segundo o The Washinton Post, "não havia tempo, nem era preciso, entrevistar todas as pessoas envolvidas".» Vale a pena seguir a polémica em blogs americanos como o America Blog ou o Think Progress.

PS: A RTP, fiel aos seus princípios e tradições, começou a exibição do "Loose Change" com mais de duas horas de avanço em relação à hora anunciada. Além disso começou também a exibir o "Path to 9/11".