sexta-feira, agosto 06, 2010
sábado, fevereiro 13, 2010
Uma proposta de esquerda que morreu na praia
«Socialistas vão apresentar projecto de 'big brother' fiscal, que coloca 'online' rendimentos brutos de todos os contribuintes
Todos os rendimentos declarados, de todos os cidadãos do País, vão ficar à vista de todos os que quiserem ver, na Internet. (...) Sem o imposto final pago, sem as despesas reembolsáveis (despesas de saúde, educação, etc.), mas com o rendimento bruto anual declarado. E, evidentemente, a identificação do contribuinte. Por outras palavras: acaba-se o sigilo fiscal. É o passo seguinte, depois de o Governo ter disponibilizado online a lista dos maiores devedores ao fisco.» DN 03-Fev-10
«Segundo Assis, o PS não concorda com a proposta, pelo que não vai avançar nesse sentido. Sobre o facto de o projecto de Lei ter sido apresentado por três vice-presidentes da bancada [Jorge Strecht Ribeiro, Afonso Candal e Mota Andrade] que, assim, acabam desautorizados, o deputado socialista disse que essa é uma questão que vai ser discutida internamente.
Francisco Assis adiantou que nem sequer tinha conhecimento da proposta, tendo sabido dela pelos jornais (a revelação foi feita pelo “Diário de Notícias”). "A minha discordância em relação a essa proposta vai ao ponto de garantir que, enquanto eu for presidente do Grupo Parlamentar, ela não será apresentada pelo PS", afirmou o líder da bancada parlamentar.» Público 3-Fev-10
«“Striptease fiscal”, “voyeurismo na Internet” e "coscuvilhice fiscal" são os termos usados por CDS-PP, PCP e BE na crítica à proposta de um grupo de deputados socialistas, que contempla o "levantamento parcial do sigilo fiscal" para permitir o acesso público ao rendimento bruto dos contribuintes. (...)
Francisco Louça, do BE, considerou que a proposta do PS para o levantamento parcial do sigilo fiscal é "uma ideia peregrina" e uma "coscuvilhice fiscal", defendendo que o fim do segredo bancário é a única forma de combater a corrupção.» JN 3-Fev-10
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quarta-feira, março 19, 2008
Belém a concelho, Belenenses campeão!
For the record, sempre fui defensor de uma regionalização de duplo sentido, i. e., passagem de poderes do governo central para as regiões, e de poderes das autarquias também para as regiões. Isto precisamente pelo facto de ao não existir um nível de administração regional no país, ter vindo a ser legitimado ao longo das décadas a passagem de uma série de excessivos poderes, competências e financiamentos para esses órgãos políticos tão poucos fiscalizados, sobretudo pelo escrutínio mediático essencial em democracia, como são as câmaras municipais. Multiplicar o número de concelhos é como vacinar um doente, só aumenta a infecção. Se a regionalização não avançar nos próximos 5 anos então o melhor será mesmo começarmos a debater a fusão de concelhos, um por cada NUTS III, por exemplo.
1 - Minho-Lima; 2 - Cávado; 3 - Ave; 4 - Grande Porto; 5 - Tâmega; 6 - Entre Douro e Vouga; 7 - Douro; 8 - Alto-Trás-os-Montes; 9 - Baixo Vouga; 10 - Baixo Mondego; 11 - Pinhal Litoral; 12 - Pinhal Interior Norte; 13 - Pinhal Interior Sul; 14 - Dão-Lafões; 15 - Serra da Estrela; 16 - Beira Interior Norte; 17 - Beira Interior Sul; 18 - Cova da Beira; 19 - Oeste; 20 - Grande Lisboa; 21 - Península de Setúbal; 22 - Médio Tejo; 23 - Lezíria do Tejo; 24 - Alentejo Litoral; 25 - Alto Alentejo; 26 - Alentejo Central; 27 - Baixo Alentejo; 28 - Algarve.
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segunda-feira, março 17, 2008
1 país, 2 preçários
Também na SIC uma reportagem recente mostra como se convive bem com as diferenças de preços de serviços idênticos pagos por todos. No caso o metro de Lisboa, que passou a usar um sistema de bilhetes idêntico ao que o metro do Porto usa desde a inauguração - tal facto está ausente da peça, a quem ocorreria comparar os dois únicos metropolitanos do país? Adiante, bilhetes parecidos, preços diferentes, o metro de Lisboa, caríssimo na construção, continua muito mais barato para o utilizador que o do Porto, de construção muito mais económica e situado numa região de muito menor poder de compra.
Mas a regionalização é que nos iria retalhar a alma nacional, claro está. Este tipo de diferenças une-nos e aproxima-nos... do abismo, pelo menos.
PS: Está visto que o que compensa do ponto de vista do interesse regional é ter líderes que usem a chantagem da independência para angariarem investimentos e gratuitidades várias. A diferença é que há portugueses com direito a elegerem líderes regionais, e portugueses sem esse direito. No estrangeiro chamam "xenofobia" a estas coisas...
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Copy & Post: Há festa na aldeia
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quarta-feira, fevereiro 27, 2008
Peditório: um jactinho novo pro sô presidente
[http://videos.sapo.pt/T831REia0zMd5t7bmLDC]
«Precisamos, diz-nos o Presidente da República, de trocar de jactos porque aviões executivos "assim" como aqueles que temos já não há "nem na Europa nem em África". Cavaco Silva percebe, e obviamente gosta, de aviões executivos. Foi ele, quando chefiava o seu segundo governo, quem comprou com fundos comunitários a actual frota de Falcon em que os nossos governantes se deslocam. (...)E não é só Miterrand. Ainda recentemente também Gordon Brown, PM do UK, apanhou um susto não num jactinho, mas num avião da British Airways quando um outro da mesma companhia teve uma aterragem atribulada mesmo ao lado, e nem por isso deixou de voar nessa companhia ou exigiu aviões novinhos em folha. Já antes ficou também conhecido o atraso de um outro voo da BA, usado por Brown para assinar o Tratado de Lisboa.
Nesta fase metade dos rendimentos dos portugueses está a ser retida por impostos. Encerram-se maternidades, escolas e serviços de urgência. O Presidente da República inaugura unidades de saúde privadas de luxo e aproveita para reiterar um insuspeitado direito de todos os portugueses a um sistema público de saúde. Numa altura destas, comprar jactos executivos é tão obsceno como o foi nos dias de Samora Machel. Este irrealismo brutalizado com que os nossos governantes eleitos afrontam a carência em que vivemos ultraja quem no seu quotidiano comuta num transporte público apinhado, pela Segunda Circular ou Camarate, para lhe ver passar por cima um jacto executivo com governantes cujo dia a dia decorre a quilómetros das suas dificuldades, entre tapas de caviar e rolinhos de salmão. Claro que há alternativas que vão desde fretar aviões das companhias nacionais até, pura e simplesmente, cingirem-se aos voos regulares. Há governantes de países em muito melhores condições que o fazem por uma questão de pudor que a classe que dirige Portugal parece não ter.
Vi o majestático François Miterrand ir sempre a Washington na Air France. Não é uma questão de soberania ter o melhor jacto executivo do Mundo. É só falta de bom senso. E não venham com a história que é mesquinhez falar disto. É de um pato-bravismo intolerável exigir ao país mais sacrifícios para que os nossos governantes andem de jacto executivo. Nós granjearíamos muito mais respeito internacional chegando a cimeiras em voos de carreira do que a bordo de um qualquer prodígio tecnológico caríssimo para o qual todo o Mundo sabe que não temos dinheiro.»
Que o nosso presidente e governantes viajassem por norma na TAP era apenas do mais elementar bom senso, e uma forma de prestigiar uma empresa, ainda, pública e a flag carrier nacional. Isto era o mínimo, absolutamente elementar. Mas se queriam dar um exemplo ao país de esforço e contenção de custos tinham mais era que viajar o menos possível e sempre através de low-costs. Agora jactinhos luxuosos, façam-me o favor de ter um bocadinho de vergonha na cara, ok?
PS: Mas num ponto sou obrigado a dar a razão a Cavaco, os ditadores africanos voam sempre em jactinhos de fazer inveja...
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domingo, fevereiro 24, 2008
Pela obrigatoriedade de um dístico da ABZHP
«António Fonseca, presidente da Associação de Bares e Discotecas da Zona Histórica do Porto (ABZHP), afirmou, em conferência de imprensa, que existem "brechas na lei" que permitem aos fumadores matar o vício em locais onde à partida seria impossível fumar, como bares e discotecas. Para isso, disse, "os empresários podem constituir uma associação sem fins lucrativos", uma espécie de clube.»E 4 dias depois insistem que a sua ideia é perfeitamente legítima e legal. A sério, coloquem dísticos bem visíveis à porta dos bares sócios (é que o conceito "zona histórica" é meio vago), para que pessoas como eu não corram nunca o risco de entrarem em semelhantes espaços. Seja lá onde for, a zona histórica do Porto não é uma zona séria...
PS: Já que a ASAE se demitiu da função de defesa da saúde pública, que trate ao menos da parte da "segurança económica", é que vergonha, definitivamente, não há.
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quarta-feira, novembro 14, 2007
5.ª linha da página 161 e outros contos
Mas aproveitando ter o livro à mão, esta, da pág. 114, parece-me mais oportuna:
«Vocês não compreendem... Vocês não conhecem a organização de Portugal. Perguntem aí ao Gouveia... Portugal é uma fazenda, uma bela fazenda, possuída por uma parceria. Como vocês sabem há parcerias comerciais e parcerias rurais. Esta de Lisboa é uma parceria política, que governa a herdade chamada Portugal... Nós os Portugueses pertencemos todos a duas classes: uns cinco a seis milhões que trabalham na fazenda, ou vivem nela a olhar, como o Barrolo, e que pagam; e uns trinta sujeitos em cima, em Lisboa, que formam a parceria, que recebem e que governam. Ora eu, por gosto, por necessidade, por hábito de família, desejo mandar na fazenda. Mas, para entrar na parceria política, o cidadão português precisa uma habilitação - ser deputado. Exactamente como, quando pretende entrar na Magistratura, necessita uma habilitação - ser bacharel. Por isso procuro começar como Deputado para acabar como parceiro e governar... Não é verdade, João Gouveia?»Ora isto vem mesmo a propósito disto:
«A leitura da imprensa de ontem deixou-me mergulhado naquilo que, em literatura de aeroporto, se chama de "confusão de sentimentos". A notícia de que o Ministério da Justiça tinha comprado cinco limusinas de luxo, uma para o ministro, duas para os secretários de Estado, outra para o presidente do Instituto de Gestão Financeira e de Infra-Estruturas da Justiça (mais que justificadamente, pois este só já tinha uns velhíssimos Audi A6 e Peugeot 404 de 2003) e mais uma para a secretaria-geral, começou por inquietar-me. Tanto mais que outra notícia me dava conta de que o OE gastará, em 2008, 3,4 milhões de euros (mais 15,4% do que este ano) com viagens de deputados. Mas que podia eu fazer? Preocupo-me em ter os impostos em dia pois alguém tem que pagar o défice (incluindo os 280 000 mil euros de vencimento do dr. Vítor Constâncio, quase o dobro do que recebia Alan Greenspan na Reserva Federal americana) e já não tenho, como a generalidade dos portugueses, mais buracos no cinto que apertar. Mas depois percebi que eram boas notícias e que, como disse o primeiro-ministro, estamos todos de parabéns pois o défice já só vai em 3%. Os funcionários públicos vão ver que os 2,1% de aumento são lapso do Ministério das Finanças. Na verdade, o aumento será de 21%.»Do séc. XIX para cá, se alguma coisa mudou, foi a parte do "governar". Alguém me sabe dizer ao certo para que serve o Banco de Portugal na era do Banco Central Europeu? Agradeço encarecidamente. Da Assembleia da República e Justiça já estou bem informado.
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sexta-feira, outubro 05, 2007
Os bispos vampiros
Se não vejamos. Em Fátima clamam horrorizados contra a "universalização do casamento gay" e lamentam que "apenas a Polónia" se lhe oponha com veemência no espaço da UE. Deixam de lado portanto dois pontos: 1) a Polónia também é o único país da UE a não opôr-se à pena de morte (não arrelia nem um pouco?) e 2) a suposta universalização do casamento gay perde a milhas para a universalização da pena de morte para os gays, são 5 países com casório (apenas 3 na UE de 27), contra 9 com pena de morte, isso também não arrelia?
Entretanto prossegue a campanha de mentiras e areia para o ar promovida pela igreja e acariciada por muita gente crédula e analfabeta, na qual se inclui, tragicamente, uma boa parte dos jornalistas da praça. Valha a Fernanda Câncio para desmontar as manhas. Na discussão do novo regime de "assistência religiosa nos hospitais" só uma coisa está em causa: dinheiro, dinheiro e mais dinheiro. E a poeira e mentiras são lançadas com tanta insistência não só por ser o seu modo natural de estar e ser, mas também para esquecer o facto de que mesmo que a lei seja aprovada, continuará a ir demasiado dinheiro do estado para os bolsos da padralhada que fareja a morte nos hospitais. Escabroso. Asqueroso. Nojento. Vil. E depois as putas são as outras.
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domingo, setembro 30, 2007
4.000.000.000 €
Tal como não parecem muito dispostos a noticiar outra polémica actual no país da bota, João Paulo 2.º segundo terá recusado livre e conscientemente os cuidados médicos que lhe prolongariam a vida, cometendo dessa forma e perante passividade médica, o suicídio, tão condenado por si e pela sua igreja ao longo de toda a vida. Apesar disso teve um enterro católico, cerimónia ainda hoje muitas vezes recusada a outros suicidas dessa igreja, sobretudo os mais pobres.
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sábado, setembro 29, 2007
Não há dinheiro para dentistas, mas...
«Há 123 capelães católicos integrados nos quadros do Ministério da Saúde, com salários que variam entre 986 e 1474 e pelo menos mais 70 sacerdotes da mesma confissão com vínculo contratual com o Estado, no Ministério da Defesa (onde existe até um bispo das Forças Armadas, com patente de major-general, nomeado pelo papa e só por ele podendo ser exonerado), da Justiça (nas prisões) e da Administração Interna (a celebrar missa na PSP e GNR).»Isto não é um país sério. E entretanto a máfia das sotainas vem dizer coisas como: «sabendo o Estado como sabe, até porque que é laico, que não tem competência nesta matéria. E, não tendo competência nesta matéria, tem que se socorrer de quem a tem porque lhe cabe, ao Estado, oferecer cuidados de saúde à medida da pessoa humana e isso implica que não ampute esta dimensão fundamental». Prestar esse apoio de graça é que nunca, mesmo que isso implique cortes no apoio médico (o que interessa de facto), é que, convenhamos, a mama do estado é santa - o estado não tem competência, mas tem muito dinheiro - larga-la seria, isso sim, um pecado, e isto é gente que nunca fez outra coisa na vida senão isso mesmo, não dá portanto para deslargar. São como as carraças.
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quarta-feira, setembro 26, 2007
Será a Eslováquia o cavalo de Tróia do Vaticano contra a Europa?
Por cá vai dando que falar a indignação do polvo vaticânico com a ideia do governo em deixar de pagar salários fixos a padres que "prestam serviços hospitalares", para passar a pagar tão valiosos serviços a recibos verdes - eis finalmente a igreja a lutar contra a precariedade. Num país sem saúde oral pública, andar a pagar a padres pelas suas rezinhas hospitalares, i.e., por andarem a propagandear a sua seita em busca de novos clientes por entre aqueles que se encontram mais fragilizados, os doentes, é um grosseiro insulto à nossa inteligência. Mas parece que 'tá-se bem...
Tal como essa mesma seita não teve problemas em pagar o dobro do previsto pelo novo megatemplo lá na terra dos pastorinhos visionários especialistas em futurologia pós-soviética. 80 milhões de euros. Ninharias portanto, já pagas, a pronto e provavelmente em cash... directamente das caixas de esmolas continuamente cheias por quem não tem grandes dentes, mas vai tendo uns trocos para pagar promessas que poderão ou não ser cumpridas. Aterrar em azinheiras é fácil, ter coragem para disponibilizar um livro de reclamações é que é pior...
A Eslováquia poderá ser o cavalo de Tróia, mas a nós ninguém tira a alcunha de sacristia papal. É pró que o Bentinho queira! Esta fétida lesma morta que se espapa à beira do velho Atlântico é sua e de mais ninguém. (Excepto talvez a Lusoponte, ricos negócios os da era cavaquista...)
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segunda-feira, setembro 03, 2007
Publijornalismo
Já durante o fim-de-semana foram intermináveis os directos a Gaia e Porto a propósito da Red Bull Air Race, prova que contava com o apoio da RTP. Abriu telejornais, ocupou-lhes o meio e encerrava-os. A Red Bull agradece, o contribuinte paga. O jornalismo público é então, afinal, apenas publijornalismo. Não se sabendo bem quando começa o jornalismo e acaba a publicidade ou vice-versa, e sobretudo, não se sabe bem onde andará a relevância dos acontecimentos noticiados.
Não há mal sem solução e no poupar é que está o ganho. Telejornais com um máximo de 30 minutos, directos apenas em situações tipo 9/11, e desporto num programa à parte, são 3 regras simples que fariam a inexistente qualidade actual da informação da TV pública disparar para níveis razoáveis.
30 minutos chegam perfeitamente para mostrar a actualidade nacional e internacional relevante (vejam-se os bastante mais curtos noticiários da Euronews) e sobra ainda tempo para uma entrevista ou reportagem mais alongada sobre um tema que mereça ser aprofundado.
Os directos que enxameiam os noticiários são regra geral minutos de dar dó. Jornalistas frustrados a tentarem entrevistar transeuntes relutantes, pessoas cujo café é interrompido para darem a sua opinião sobre a última contratação do Benfica ou estradas cujo trânsito de fim de férias se recusa a comparecer à hora do telejornal. Tudo triste, deprimente, sem qualquer acréscimo de informação útil, tudo escusado enfim.
Finalmente o desporto, esse império de marcas e publicidade, onde os exclusivos são conseguidos à custa de copyrights, deve estar completamente fora dos noticiários. Não é suposto o jornalismo ter que pagar para exercer, logo, o dito jornalismo desportivo é algo à parte, devia ficar à parte. Sem drama. Quando Portugal ganhar um campeonato do mundo e o pessoal encher as ruas de cachecóis e bandeiras, abra-se uma excepção, até lá, não.
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terça-feira, julho 24, 2007
É fartar vilanagem
«Os 59 colégios privados da região Centro que têm contratos de associação firmados com o Estado receberam 85 milhões de euros (17 milhões de contos) de subsídios públicos, pelo seu desempenho em 2006. Baseando-se em dados publicados no Diário da República, o Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) vem contestar aquele financiamento, em comunicado enviado anteontem à imprensa, e acusar os "patrões dos colégios" de serem "autênticas sanguessugas das receitas do Estado".»A notícia já tem uns dias, mas escândalo nem vê-lo. Parece então ser normal que num país onde se fecham dezenas de escolas primárias e se planeia fundir secundárias, também se tenham que pagar milhões ao ensino privado para receber alunos, que afinal tinham lugares de sobra no público. Tudo normal pois então.
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quarta-feira, julho 11, 2007
O Estado cobra, a Igreja esbanja
«Ainda na área da educação, a CEP critica a redução dos apoios do Estado à Universidade Católica Portuguesa e os problemas no ensino da Educação Moral e Religiosa nas escolas públicas. "Não há liberdade de educação em Portugal", concluiu o religioso, recordando que todos os partidos prometem permitir a escolha livre das famílias entre escolas públicas e católicas mas nunca cumprem essas promessas depois de serem eleitos.»Esta é uma das passagens mais curiosas da notícia da Lusa, que merecia toda uma tese de análise, mas para já fico-me por um postito. "Não há liberdade de educação em Portugal", quem lê imagina alunos impedidos de escolherem estudar em escolas católicas. Será isso? O que entenderão por "escolha livre" os bispos de Portugal? Esperem, não me digam que querem que o estado pague as propinas altíssimas que vocês cobram aos vossos alunos, para que estes possam escolher entre escolas públicas e colégios católicos sem se preocuparem com a factura? É isso? Lata não falta aos bispos portugueses, trocam as palavras, os jornalistas noticiam como se com a troca algo fizesse ainda sentido, e siga o forrobodó. O que os bispos querem é que o estado esqueça não só que é laico, mas também que tem todo um sistema de ensino ao seu encargo, e passe a financiar "porque sim" o sistema de ensino concorrente da ICAR.
«"O peso da Igreja na sociedade portuguesa não é o Estado que o define", disse, acrescentando que estas questões serão objectos de análise na próxima Assembleia Plenária dos bispos portugueses que terá lugar em Novembro, a decorrer em Roma.»Pois não é o estado, não senhor. Mas porque raio havia de ser a igreja? Porque não deixa a igreja que seja a sociedade a definir a sua relevância? Porque é que em vez da igreja querer continuamente substituir o papel do estado em várias áreas (educação, saúde, etc) com o dinheiro do estado, não tenta a substituição com o seu próprio dinheiro? Porque não pode a ICAR, a exemplo de várias outras igrejas por esse mundo fora, cobrar "impostos" (quotas, dízimos, chamem o que quiserem) aos seus membros para assim poder manter os seus serviços alternativos? A sério, porquê?
Oh esperem, não me digam que têm medo? Que imaginam que a sociedade não quereria saber dos vossos fantásticos serviços para nada, que prefeririam os do Estado? Que acham que a fé da maioria dos fiéis não resistiria a uma só mensalidade? E que aqueles que estariam dispostos a paga-los ficariam mais curiosos sobre o modo como gerem os fundos, e iam querer dizer algo sobre isso? Que no final haveria cerca de 5% de portugueses católicos e ainda por cima vigilantes da gestão da ICAR? Infernal imagem não é? Mais vale de facto continuar a trocar as palavras todas, chamar "liberdade" ao dinheiro, e sacar o máximo possível do cofre que é de todos, católicos ou ateus.
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segunda-feira, julho 09, 2007
Suécia deverá aprovar casamento homossexual religioso
Em 1995 o estado sueco criou parcerias civis para casais homossexuais, cujos direitos e deveres são em tudo semelhantes ao casamento heterossexual. Em 1995 a Igreja da Suécia era ainda a igreja do estado, e abrir o casamento a casais homossexuais teria implicações também nas cerimónias religiosas, situação que então gerava muitos atritos. Actualmente a gestão da Igreja (nomeações de bispos etc) já não está nas mãos do parlamento, mas de uma nova assembleia, Kyrkomötet, criada para o efeito, igualmente eleita, mas apenas com votos dos membros da Igreja. Esta assembleia ainda não tomou uma decisão oficial sobre a lei que está a ser debatida, mas já foi adiantando que gostaria que os padres pudessem escolher não oficializar esses casamentos.
Comparem a situação sueca com a portuguesa, supostamente um país laico há dezenas de anos.
Em Portugal a igreja com mais membros não tem sede no país, mas no Vaticano. A gestão da igreja é em grande medida decidida no estrangeiro, é o Vaticano que decide quem é o cardeal, só para dar um exemplo. A ICAR portuguesa não cobra uma quota aos seus membros (ao contrário da maioria das organizações, religiosas ou não), antes pede esmola, aos seus fiéis, e exigi-a ao estado, cujos cofres são de todos, católicos ou não. É muito difícil contabilizar o dinheiro que sai dos cofres do estado para os bolsos da igreja, desde dádivas indirectas como isenções de impostos até todo o tipo de subsídios atribuídos pelo governo, câmaras, juntas de freguesia e outras instituições do estado.
A ICAR não está obrigada a obedecer a muitas das regras que as outras organizações a actuar no país estão, a Concordata, acordo entre o estado português e o Vaticano, garante-lhe uma infinidade de privilégios e desobrigações para com o estado. O estado português não tem qualquer poder de decisão dentro da ICAR, e é obrigado a aceitar nomeações da ICAR na função pública (capelões do exército e hospitais são funcionários públicos escolhidos pela ICAR), ao passo que a ICAR rejeita a proibição de discriminação em função do género na hora de formar os seus padres. O estado não se mete na política da ICAR, mas a ICAR mete-se continuamente nas políticas do estado. Um bom exemplo disso é a questão do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, lei que em nada afecta a ICAR, mas sobre a qual já se pronunciou as mais variadas vezes. Os próprios fiéis pouco ou nada podem fazer para influenciarem a gestão e política da organização, competência exclusiva da sua hierarquia.
O leve adianto nos princípios constitucionais do estado português face ao sueco, reflecte afinal na prática um atraso de meio milénio face ao protestantismo escandinavo. Da fundação até hoje, ainda meros lacaios de Roma.
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segunda-feira, maio 21, 2007
RTP fracturante
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sexta-feira, abril 20, 2007
Quem tem lata amanha uma concordata
«Pastores, solteiros e bons rapazes, exigem subsídios chorudos ao governo, que os das freguesias e câmaras não dão para grandes mármores, para a construção de estábulos novos para os seus rebanhos em vias de extinção. Máxima urgência, agradecimento mínimo.
Exige-se que o subsídio seja dado em condições de privilégio e exclusividade face a outros tipos de pastoreio, ainda que tal implique violações graves da lei.
Pondera-se ainda a possibilidade de exigir 0,05% do IRS daqueles que em algum dia das suas vidas, mesmo que ainda rebentos, tenham pastado ao ritmo do nosso cajado. Isto no caso do governo avançar com a medida absurda de cobrar IVA pela compra de novos cajados e badalos.
Quanto ao resto mantêm-se as proibições do costume no que concerne às cambalhotas do gado e a reafirma-se a nossa pena pelos pobrezinhos, sobretudo daqueles que apostaram em vidas de maior suor e menor rendimento que a santa vida de pastor, mas sobre isso não temos qualquer poder.»
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quinta-feira, abril 19, 2007
Ateísmo crescente na Europa
Outro na Deutsche Welle sobre os impostos que os alemães pagam à igreja, muitas vezes sem o saberem, tal o automatismo do sistema que torna a ICAR alemã a mais rica do mundo. O número de pessoas que têm deixado as igrejas (católica e outras), para assim deixarem de pagar o imposto, mesmo perdendo o direito aos sacramentos, têm aumentado. A professora Marion Corpus, p.ex, deixou de pagar os 80 €uros mensais à igreja para tornar-se sócia da Amnistia Internacional e ainda amadrinhar uma criança no Maláui.
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sexta-feira, março 16, 2007
Faculdade de Ciências de Lisboa promove criacionismo
Actualização: O abuso intelectual de menores (menoridade etária ou mental), que constitui a promoção da IDiotia, anda por aí em força, qual Utah. Novos dados e denúncia da Palmira F. da Silva no novíssimo De Rerum Natura.
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