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domingo, abril 29, 2007

MNTIR por Salazar

Quando achas que já nenhuma imbecilidade de origem humanóide te poderá surpreender, eis que um conjunto de fachos revisionistas decide formar um movimento e não consegue vislumbrar melhor sigla que "MNTIR", não estou a gozar, por extenso "Movimento Nacionalista Terra, Identidade e Resistência". Limitados são os chimpanzés, isto já cai fora da definição de primata...

quarta-feira, abril 11, 2007

Até os caloteiros têm direito ao bom nome

Estamos no paraíso e nem damos conta. Então não é que para o Supremo Tribunal de Justiça a boa reputação de um clube de futebol não pode ser posta em causa, nomeadamente noticiando as suas dívidas ao fisco, ainda que estas sejam reais? Esqueçam aquela treta do "custa construir uma boa reputação", isso pode ser verdade lá fora, mas por cá a reputação não se conquista, não se prova, é um direito garantido pelos tribunais.

Bem, o tribunal não esclarece se é válido para toda a gente ou apenas "clubes que disputem a liderança da primeira liga", que é a situação explicitada na sentença. Hmmm... é capaz de ser só esta última, o que por si só explicaria muita coisa que acontece no mundo do futebol...

Quando é que o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos se muda para Portugal? Faz cá mais falta que em Estrasburgo certamente... Entre Varsóvia e Lisboa, venha o diabo e escolha!

PS: Nos Estados Unidos há um site chamado DumbLaws.com, por cá vai fazendo falta o SentençasAberrantes.pt para recolher estas pérolas.

PPS: O estado português há algum tempo que divulga na net a lista de devedores ao fisco, atacando portanto o seu bom nome. Vá caloteirada mãos-de-vaca unhas-de-fome, todos a processar o estado o quanto antes... pelo vosso bom nome, ó pelintras!

quinta-feira, março 22, 2007

Alucinação geral


Eu também não queria perder tempo com o CDS, quanto muito agradecer-lhes a gargalhadas que me têm proporcionado por estes dias, mas quando a direita começa a falar do que não percebe, sentimo-nos obrigados a vir a terreiro explicar-lhes algumas cenas básicas.

Ora já toda a gente sabe que enquanto aquela ilustre desconhecida gritava que não sei quem chamou "filho da puta" a não sei quem, lá na reunião do CDS, Maria José Nogueira Pinto acusava o deputado Hélder Amaral de a ter agredido. Enfim, tudo very typical, mas sempre divertido. Hélder Amaral defendeu-se depois dizendo que "um beirão não bate em mulheres" (no comments, vejam o link), mas também disse isto:
«"A acusação é totalmente falsa e ofende-me", disse o deputado, apoiante de Paulo Portas, na sede do CDS-PP, em Lisboa. "Se isso fosse verdade, era a pior das cobardias. Mas é demagogia da mais barata: tal como seria eu vir aqui dizer que ela me está a atacar por não ser branco como ela. Não irei por aí", afirmou.»
O negrito é meu (refiro-me como é óbvio ao bold do texto, não ao deputado viseense) e seria escusado para se perceber o que foi dito, em se sabendo falar português. Mas junte-se iliteracia, demagogia barata e confiança na estupidez de quem ouve e temos isto:
«A reacção a estas declarações não se fez esperar. José Girão Pereira, membro da direcção executiva do CDS-PP, repudiou a referência à cor da pele. "Nós repudiamos clara e frontalmente a afirmação racista do deputado Hélder Amaral", disse o ex-autarca à Lusa, considerando que as afirmações "são indignas de um deputado".»
Credo... Provado fica que a dignidade e a honestidade intelectual é coisa que não abunda para aqueles lados, deputados ou não. Mas feitas as contas eu apostaria que o que mais pesou nestas declarações foi aquele desejo irreprimível que o fachedo tem em apontar (i.e. gritar aqui del rei, chorar e espernear por) casos de discriminação racial contra brancos, mesmo quando são pura ficção, como é quase sempre o caso... Mas que as pessoas do CDS sejam parvas e julguem os outros parvos é uma coisa, mais grave é quando se topa isto num jornal:
«O Conselho Nacional do CDS-PP não constituiu um momento edificante da vida partidária, com acusações e agressões que foram para além da própria reunião. Mas a contra-acusação de Hélder Amaral a Maria José Nogueira Pinto, de que estaria a acusá-lo injustamente devido à cor da sua pele, definem um novo mínimo do debate político.»
Última página do Público de ontem. Um novo mínimo do jornalismo daquele jornal, mesmo.

PS: Que ninguém veja neste post uma tomada de posição em favor desta ou daquela milícia do CDS. Quem vê as coisas da distância que eu vejo é absolutamente neutro. Limito-me a achar estranho que um partido discuta a sua liderança só porque um ex-líder o deseje fazer nesse preciso momento (não era suposto haver prazos para os mandatos?), e a rir com o saco de gatos. Quanto ao resto, todas as agressões físicas são condenáveis, e todos os acusados inocentes até feita prova da culpa. Mas como tudo o resto no partido, não creio que seja para levar a sério... a reacção desmiolada à defesa do acusado mostra isso mesmo.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

O Acórdão da Relação

«O Tribunal da Relação de Lisboa acabou de proferir o acórdão do recurso interposto pela Teresa e pela Lena do despacho do Conservador do Registo Civil e da sentença do Tribunal Cível de Lisboa que indeferiram o seu processo de casamento.»
Continue a ler no Random Precision. A justiça portuguesa continua a não surpreender, a aplicação da lei continua a não ser uma prioridade... Basta ver as jigajogas retóricas a que são obrigados, quando para decisão oposta bastaria tão simplesmente citar os artigos 13º e 36º da Constituição.

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Quais valores? Qual vida? Isto afinal era a feijões...

«E pronto! Lá temos de voltar à vida real. (...) Como bons portugueses, adoramos estas discussões ociosas, que nada têm a ver com a vida autêntica, os problemas resolúveis, o que podemos fazer. Não passam de abstracções inatingíveis, conceptualizações insolúveis, pormenores transcendentes. Mas parecem sempre basilares, decisivos, candentes. Fingem mesmo ser essenciais.»
Acreditem ou não, quem escreveu esta bonita prosa foi, nada mais nada menos do que, João César das Neves. E eu que estava capaz de apostar que a Mafalda que escreveu «Venceu a cultura da morte! 11 de Setembro, 11 de Março, 11 de Fevereiro. Datas manchadas pela morte!» não passava de um pseudónimo do sr. das Neves... Não, afinal ele nem liga muito a estas cenas, 'tás a ver?