segunda-feira, março 17, 2008

1 país, 2 preçários

Há dias na TV vi mais uma reportagem sobre os protestos anunciados contra as portagens na A41 e A28. Em ambos os casos garantem que "não há alternativas". Na verdade elas estão lá, embora no caso da A41, a alternativa já não é considerada uma estrada nacional. Claro que na prática ambas as alternativas estão saturadas e não conseguiriam receber o tráfego das autoestradas entretanto construídas, mas não é assim com uma série de outras? Não vou muito longe, a A3 liga o Minho ao Porto, paralelamente à A28, mas atravessando concelhos com menor poder de compra, e é paga, e a A7 atravessa o Vale do Ave, uma das NUTS III mais pobres do país e com a mais alta taxa de desemprego, e é possivelmente a mais cara autoestrada portuguesa. Qual é a lógica disto afinal? Se se fala em regionalização é o deus nos livre da divisão do país, mas para dividir benesses da forma mais aleatória e injusta é o 'tá-se bem?

Também na SIC uma reportagem recente mostra como se convive bem com as diferenças de preços de serviços idênticos pagos por todos. No caso o metro de Lisboa, que passou a usar um sistema de bilhetes idêntico ao que o metro do Porto usa desde a inauguração - tal facto está ausente da peça, a quem ocorreria comparar os dois únicos metropolitanos do país? Adiante, bilhetes parecidos, preços diferentes, o metro de Lisboa, caríssimo na construção, continua muito mais barato para o utilizador que o do Porto, de construção muito mais económica e situado numa região de muito menor poder de compra.

Mas a regionalização é que nos iria retalhar a alma nacional, claro está. Este tipo de diferenças une-nos e aproxima-nos... do abismo, pelo menos.

PS: Está visto que o que compensa do ponto de vista do interesse regional é ter líderes que usem a chantagem da independência para angariarem investimentos e gratuitidades várias. A diferença é que há portugueses com direito a elegerem líderes regionais, e portugueses sem esse direito. No estrangeiro chamam "xenofobia" a estas coisas...

3 comentários:

Vítor Pimenta disse...

Boss!

Excelente referência à A7, a auto-estrada de ricos paga pelos pobres. Deve ser o preço da paisagem. E eu que o diga, nas minhas misérias, deixo-lá nas portagens 4,80€ à ida e à vinda, (Braga-Cabeceiras de Basto: o nó de saída está aliás em Arco de Baúlhe - a terra rénica de natal) Contas feitas: uns dois ordenados mínimos ao fim do ano. E os ordenados esses, por lá, meu caro, são miseráveis.

E com esta tabela de preços é uma ribeira de oportunidades que passa ao lado das populações. Pior: quando se vê gente do tal litoral pobre na televisão a reclamar SCUT, a gente rica (em sonhos) do interior quase cora, que nem sabe se há-de rir se há-de chorar.

boss disse...

Obrigado Vítor. Entretanto alterei o título do post que o primeiro não estava muito inspirado.

O actual sistema de portagens é tão absurdo que chega a promover viagens mais longas, com os custos ambientais adjacentes, para fugir às portagens mais caras.

E não falei sequer daquele fantástico elefante branco de seu nome, salvo erro, A27, que liga Ponde de Lima a Viana, um asfalto impecável, tal o pouco uso, e saídas directas para aldeias que nem escola primária têm, fruto de um orçamento guterreiro-limiano... bons tempos para arranjar SCUTS.

Vítor Pimenta disse...

Bem, e ainda bem que o TGV não foi decidido no Orçamento Limiano, provavelmente haveria apeadeiro por Ponte de Lima. O mesmo autarca já contestou ao ministro das obras públicas a possibilidade de passagem da ferrovia pelo prado minhoto. Sem possibilidade de não parar, que não passe por lá - a bem de preservar a paisagem... É como um alho, o Campelo!

Já agora seria ele o tal militante do CDS: Jacinto Leite Campelo Rego? ;P