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segunda-feira, março 24, 2008

Mais vale tarde que nunca

Exemplo, daqui.
«As notícias do PÚBLICO na Internet passam a ter ligação directa para os blogues que as comentam, através de uma nova ferramenta que hoje entra em funcionamento. O objectivo desta medida é ajudar "na difusão das conversas que se geram na blogosfera sobre as notícias, tranformando os níveis de participação no próprio site", explica um comunicado da empresa.»
Só alguns anitos de atraso em relação aos jornais da estranja, mas não há crise. Agora fixe fixe era se os concorrentes do Público se lembrassem de também fazer concorrência on-line, é que isto do site do CM ser tecnicamente melhor que o do DN ou JN, é muito deprimente...

domingo, junho 17, 2007

NM: "Querem destruir a família"

Para quem ainda não reparou, saiba a Notícias Magazine (suplemento dominical do DN e do JN) está com nova direcção e novos cronistas. Uma óptima notícia, que já está a dar excelentes frutos. A crónica de hoje da Fernanda Câncio, sobre os constantes ataques dos tradicionalistas às famílias homoparentais, é disso exemplo. Não deixem de ler.

Actualização: E quem não tem acesso à revista pode lê-lo mesmo aqui.

quinta-feira, maio 03, 2007

Norte: a crise nunca bateu tão fundo

Excelente o dossiê que o Jornal de Notícias publicou ontem e continuará a explorar. Depois do nacional-populismo ("vão retalhar o país"-"querem é mais tachos para os políticos") ter condenado a regionalização em 1998, quase 10 anos depois já quase toda a gente percebeu o erro.

domingo, março 18, 2007

Depois do "arrastão" as "voitures en flammes"

«Ao princípio da madrugada de hoje, alguns carros foram incendiados e tiros disparados na sequência de desacatos uma centena de indivíduos na Quinta da Fonte, em Sacavém. A PSP cercava o bairro e, à hora do encerramento desta edição (00.45 horas), desconhecia-se o número de viaturas incendiadas, as causas dos incidentes ou a existência de feridos.»
Esta notinha é da última página do JN de hoje, já na RTP o Jornal da Tarde abriu fazendo referência a apenas um carro incendiado, mas sem qualquer imagem que o comprovasse, e 100 jovens delinquentes, igualmente invisíveis. O inevitável directo do local começou com a jornalista a descrever o bairro como "de risco", "multi-étnico" e "multi-cultural", "como aliás se vê pelas crianças aqui atrás de mim", realçou. Tudo explicado não é verdade? De tão violenta noite restavam então apenas um carro com o vidro estalado e o sorriso dos miúdos desejosos de aparecer na TV.

PS: Uma nota pessoal. No ano passado tive o azar de ter o meu carro vandalizado, pior, não era o meu carro, mas emprestado. Azar ainda maior, não foi num "bairro multi-étnico", pelo que não houve quem me valesse. A frustração de se ser vítima de um acto tão gratuito é imensa, sobretudo sabendo que pouco ou nada há a fazer.

Mas sabendo depois que já outros veículos tinham sofrido o mesmo tratamento na zona, e que os principais suspeitos seriam os alunos de um colégio ali à beira, decidi fazer o pouco que podia, apresentar queixa na GNR local. Depois de explicar ao que ia, uma agente de nariz torcido apontou-me a cadeira onde devia esperar. A espera, para apresentar a queixa, durou cerca de 30 minutos, tempo que serviu para alimentar o estereótipo/preconceito de que todos os GNRs são preguiçosos e de Tráj-oj-Montej, tal a quantidade de agentes que se passeou e tagarelou no corredor enquanto esperava. Não fosse o bom rabo de um deles e o meu fetiche por fardas e teria desistido da queixa.

Finalmente chegada a vez de ser atendido, um agente bonacheirão cumprimentou-me encolhendo os braços, "riscaram-lhe o carro, foi? Xabe, num xe pode fajer nada...". Expliquei que sabia, queria ao menos que ficasse registada a queixa, "para as estatísticas", comentário que me valeu um sorriso amarelo. Mais uns quantos comentários dissuasores do agente, "é triste, mas num xe descobre", lentidão máxima no teclar dos dados, mas eis que se iluminam os olhos do sr. agente, o carro não era meu! "Tem que xer o dono a fajer a queixa, e pode xer na esquadra da área de rejidênxia, num tem que xer nesta", foi-me dito com a cara de quem acabou de descobrir a cura para o vírus da sida.

Nessa altura já só pensava em sair daquele antro de imbecis e não fiz finca-pé, mais tarde comprovei que, tal como desconfiava, aquilo era desculpa de agente preguiçoso e incompetente, e naturalmente eu podia ter feito a queixa. Mas falta de tempo, pachorra, etc... adiaram-na para as calendas gregas, pelo que não será por mim que aquele bairro branquinho classe média-alta passará a ser "de risco". Ironicamente assim se vê uma vez mais que a preguiça e o comodismo são as maiores forças da reacção.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Menos sorrisos nas fotos dos diários

Este título é de uma notícia do JN de hoje. Mas eu acrescentaria que também há menos sorrisos na cara dos leitores dos diários, e isto porque os diários amam as más notícias. No mesmo jornal é noticiado hoje o mais recente ataque ao casamento entre pessoas do mesmo sexo no Massachusetts, que poderá levar a um referendo sobre a matéria, sem contudo haver qualquer referência às várias sondagens que revelam que a maioria dos eleitores daquele estado americano está contra esse reverso.

Esta foi, salvo erro, a primeira notícia do JN sobre direitos LGBT em 2007. Podiam ter noticiado os números das uniões civis checas revelados no dia 2, a primeira união civil gay na Suíça ou, melhor ainda, este importante passo para a oficialização e normalização da adopção de crianças por casais de gays e lésbicas no Brasil (recordo que já houve alguns casos de adopção, mas por decisão de juízes, sem que tal esteja explicitamente previsto na lei e mecanismos processuais). Mas não, a má notícia voa, a boa tem que se procurar.

domingo, setembro 24, 2006

Verdes de bolor

O suplemento de domingo do DN e JN é praticamente intragável, mas volta e meia lá aparece algo interessante, e só por isso o folheio. Ainda hoje valeu a pena ler a entrevista à bióloga Margarida Silva, sobre plantas transgénicas. Em geral a solução para não ficar logo pela manhã com vontade de cortar os pulsos é passar à frente as crónicas de Isabel Stilwell e Eduardo Sá. E para não ter vontade de cortar os pulsos de outrem evitar igualmente as crónicas de Zé de Bragança e Manuel Ribeiro. Tomados estes cuidados fui apanhado em falso por esta bonita prosa de Tomás de Montemor, que semanalmente assina as "páginas verdes".
«SE É HOMEM E A SUA MAIOR AMBIÇÃO na vida é ficar grávido (o assunto está tão bem entregue em mãos femininas, mas enfim), aconselho-o a ir a banhos no rio Potomac em Vashinton (como dizia o Raul Solnado), nos EUA.

A RÉPLICA DOS RESULTADOS em humanos não está garantida, mas a recente descoberta de vários peixes neste rio que mostram sinais de não estarem bem certos do sexo a que pertencem - os cientistas, diplomaticamente, chamam-lhes peixes intersexo - faz pensar que qualquer coisa semelhante possa acontecer aos humanos. Aparentemente estes peixes têm o sistema hormonal descontrolado e por isso aparecem cada vez mais exemplares com ovos nos testículos. Deve ser um pouco incomodativo ter um bebé nos testículos, mas se ainda está a pensar nisso... força.

A RAZÃO PARA O ESTRANHO AUMENTO de peixes gay, ou seja machos efeminados, parece estar relacionado com os altos níveis de poluição das águas do rio. Foram detectados certos compostos, usados na indústria farmacêutica, cosmética e outras, que são conhecidos desreguladores endócrinos, com o poder de pôr os organismos animais a trabalhar às avessas. Por exemplo, já foram acusados de tornar mais pequenos os pénis dos ursos-polares e de provocar hermafroditismo (possuir órgãos genitais dos dois sexos) em baleias.

COMO DISSE, NÃO SEI SE OS AMERICANOS que beberem de mais desta água vão começar a levar capacetes cor-de-rosa e Chanel n.º5 para combater talibãs, mas o certo é que o destino que queremos dar aos resíduos químicos das nossas indústrias tem de ser decidido depressa, sob o risco de começarem a afectar severa e irreversivelmente a nossa vida. (...)»
A coisa prossegue referindo tragédias humanas reais, causadas pelo envenenamento de águas pelas indústrias na Índia e Costa do Marfim. Os itálicos e maiúsculas da citação estão conforme o original, só o verdito foi acrescentado por mim. E acho que nem vale a pena dizer mais nada.

quarta-feira, setembro 06, 2006

Qualquer dia prendem-nos na cave

«Oficina S. José proíbe rapazes de falar com assistentes sociais»

Nota: Parece-me de louvar a cobertura do Jornal de Notícias a todo o caso Gisberta, desde a primeira hora até às suas "ramificações". Sem dúvida o órgão que mais atenção tem prestado ao assunto.