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segunda-feira, março 24, 2008

Mais vale tarde que nunca

Exemplo, daqui.
«As notícias do PÚBLICO na Internet passam a ter ligação directa para os blogues que as comentam, através de uma nova ferramenta que hoje entra em funcionamento. O objectivo desta medida é ajudar "na difusão das conversas que se geram na blogosfera sobre as notícias, tranformando os níveis de participação no próprio site", explica um comunicado da empresa.»
Só alguns anitos de atraso em relação aos jornais da estranja, mas não há crise. Agora fixe fixe era se os concorrentes do Público se lembrassem de também fazer concorrência on-line, é que isto do site do CM ser tecnicamente melhor que o do DN ou JN, é muito deprimente...

sexta-feira, setembro 07, 2007

Nota prévia: o editorial que se segue não é do Correio da Manhã

«Num dia em que voltaram a levantar todas as teorias sobre o destino de Madeleine, a criança inglesa desaparecida no Algarve há mais de quatro meses; duas semanas depois de terem sido mortos a tiro empresários e seguranças da noite de Lisboa e Porto; após uma semana de assaltos à mão armada (bancos, carrinhas de valores e, ainda ontem, uma ourivesaria), que também fizeram vítimas; não podia ter sido mais inoportuno da parte do Governo anunciar os números da criminalidade e dar destaque à diminuição do crime violento.»
Inoportuno para quem? Só se for para quem se dedica a explorar o crime, fazendo sensacionalismo diário com casos relativamente isolados e que as estatísticas não se cansam de demonstrar serem em muito menor número em Portugal do que na maioria dos países europeus.
«Primeiro porque são números que dizem respeito apenas aos primeiros seis meses do ano, ou seja, até Junho. E que, seguramente, os factos de Julho, Agosto e este agitado início de Setembro vão fazer disparar. Depois porque dá a ideia de que a indicação dada às forças de segurança é a de encarar os últimos casos com normalidade.»
Irão fazer disparar? Se até o caso Madeleine, ocorrido em Maio, teve que ir buscar para a lista!? E a polícia deve encarar o crime como? Histericamente resultará melhor? Do que encarar com profissionalismo, como é suposto fazerem-no todos os dias, já que diariamente é esse o seu trabalho, combater o crime?
«Quando os factos contrariam os números, não há percentagens ou décimas tranquilizadoras. O que descansaria os portugueses era ver os últimos acontecimentos tratados como excepções: pelas forças de segurança e pelo Governo. Para não temerem que a violência generalizada esteja a instalar-se no País. Para poderem continuar a achar que se trata apenas de casos pontuais.»
É óbvio que não há estatística que valha a quem acabou de ser vítima de um crime. A probabilidade de nos cair um raio em cima da cabeça é desprezável de tão baixa, mas um dia que caia, de nada nos irá valer a ínfima probabilidade. O histerismo e indignação são perfeitamente compreensíveis e justificáveis vindos da boca de alguém que acabou de ser assaltado. No editorial de um jornal que se diz de referência é apenas histérico e sensacionalista.

Os factos não contrariam os números, até porque estes se limitam a contabilizar os factos. É o exagerado destaque dado a factos isolados e o nulo destaque dado à regra (ainda ontem ouvi um agente da PSP explicar que há 2 anos que não havia um assalto à mão armada em Viana do Castelo) que criam sentimentos colectivos de insegurança, sem qualquer correspondência com a realidade, mas apenas com as manchetes dos tablóides (editorial do DN incluído no lote).

Não é demais recordar: «Segundo o professor [Cândido Agra, presidente da Sociedade Portuguesa de Criminologia], Portugal é um país com medo. Ao estudar a insegurança deparou-se com um paradoxo ao mesmo tempo que Portugal é o país com o menor índice de criminalidade da União Europeia, por outro lado, é o "mais medroso", caracterizou o professor.» Isto interessa a quem? Não tem já o país problemas de sobra para se andar a deprimir com os que não tem?

domingo, junho 17, 2007

NM: "Querem destruir a família"

Para quem ainda não reparou, saiba a Notícias Magazine (suplemento dominical do DN e do JN) está com nova direcção e novos cronistas. Uma óptima notícia, que já está a dar excelentes frutos. A crónica de hoje da Fernanda Câncio, sobre os constantes ataques dos tradicionalistas às famílias homoparentais, é disso exemplo. Não deixem de ler.

Actualização: E quem não tem acesso à revista pode lê-lo mesmo aqui.

segunda-feira, maio 07, 2007

Do canudo até ao osso


Um dia que a dádiva salve a vida de alguém, cá estará a imprensa atenta pronta a denunciar a irregularidade do acto...

Diz que o PS quer partir a República em 3 ou 4


Não, não é mais uma citação de Jardim (que por acaso também falou em "questões fracturantes" no seu discurso, segundo ele contribuem para "o aumento da criminalidade"). Já agora, eu acho o sr. Jardim um bocadinho fracturante. Da criminalidade não sei.

Mas então que é isto? Uma nova regionalização hard-core proposta pelo PS? Não, isto é apenas a continuação do jornalismo criativo de um funcionário do Diário de Notícias, que deve ter ficado com birra depois das críticas que recebeu na blogosfera, nomeadamente de um dos visados pelas suas magníficas prosas, e em vez de se corrigir, arrasta o disparate pelas páginas do jornal. E claro, o jornalismo da praça não é muito de verificar dados, inquirir pessoas e tal, e a coisa já chegou a outros títulos com o mesmo grau de leviandade.

O pior é pensar que se abatem árvores para isto. Para escrever em tom de troça o que diz Jardim com ar de drama-queen. Estão bem uns para os outros, falam a mesmíssima língua. Coitadas das árvores, morte inglória e imerecida, ainda que tenham sido eucaliptos.

quinta-feira, maio 03, 2007

Correiodamanhização fumada

«Multas do tabaco duas vezes mais caras que as da droga» - na capa do DN de hoje, e lá dentro o título: «Fumar tabaco dá o dobro da multa por fumar droga». A sério? Quer dizer então que quem fumar tabaco (ponto) terá uma multa superior a quem fumar droga? Ou que a multa por fumar droga é comparável à de fumar tabaco, porque só se aplica quando se fuma em local público e fechado? Haverá espaços para fumar droga nos restaurantes com mais de 100m2? E máquinas de venda de charros?

Recapitulando, a Carbonária já tínhamos, portanto só faltam os sionistas

«Maçonaria apoia casamento entre homossexuais»
(título do novo Correio da Manhã)

segunda-feira, março 26, 2007

Embaraçante, ou melhor, perigosa

Ahhh... os prazeres da 2ª feira. É neste dia que começamos uma semana de trabalho agraciados pela homilia de João César das Neves, publicada no DN. Hoje, ao contrário do que já se vai esperando, não houve ataque, pelo menos não directo, ao "horror" da homossexualidade, da IVG e desses outros flagelos modernos. Não, hoje foi dia de lembrar que quando se discute religião, missionação e santidades várias, há embaraço.

Não sei o que JCN considera embaraço nem quem o sente, mas os debates que vejo que tocam o tema da religião, católica ou não, parecem bastante fervorosos ou pelo menos sem pézinhos-de-lã. Também os representantes da ICAR não se mostram nada embaraçados em dizerem o que pensam no tempo de antena que os meios de comunicação lhes atribuem.
JCN fala das mudanças que a ICAR sofreu e de como se adaptou ao mundo moderno. Curioso que refira o abandono do latim nas missas quando este agora parece estar prestes a fazer um comeback. Curioso também que essas mudanças feitas há quase 60 anos parecem retrógradas até para a época, que dizer então dos dias de hoje. Lendo as palavras de JCN pensa-se que estaria a falar de uma instituição progressista, aberta à mudança e à variedade de opiniões e de direitos. Depois lembramo-nos que afinal estamos a falar de uma instituição que considera as mulheres inferiores aos homens em quase tudo, que sempre condenou a homossexualidade, que em nome de uma crença propaga mentiras e prejudica a saúde dos que a seguem, que promove o analfabetismo e a ignorância para mais facilmente dominar as vidas dos crentes, etc., etc.

E pelos vistos JCN ainda estranha as críticas de que a ICAR, coitada, é alvo. Quando a caridade é oferecida embrulhada em terrores divinos da condenação da alma, quando a crença impede o crescimento do indivíduo, da sociedade e mesmo de uma nação, quando a hipocrisia provoca ou permite que se espalhe o ódio e a violência, se calhar, só se calhar, há críticas duras a fazer.

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Mas ainda há quem espere por um aumento das vendas dos jornais?


Pelos vistos há. O Diário de Notícias, já o escrevi aqui, foi o jornal com a mais completa, isenta e abrangente cobertura da campanha para o referendo, batendo de longe a concorrência. Tal como as suas capas, de domingo e segunda-feira, foram as melhores e ficaram para a história da imprensa portuguesa. O problema do DN é não ter um site decente (já o foi, mas os tempos mudaram, web 2.0 e tal).

O futuro dos jornais, como reconhece o editor do The New York Times, provavelmente deixará de passar pelo papel. E isso não tem que ser um drama, desde que se aposte, e bem, na net. Os jornais portugueses ainda não foram sequer capazes de fazer algo tão simples e eficaz como um blog-portal que concentre a opinião publicada em papel e comentários exclusivos para a internet. Aliás, os jornais portugueses (mesmo os exclusivamente on-line) parece que ainda não descobriram o hipertexto, o linkzinho útil integrado no artigo... Com o advento dos gratuitos em papel e a gratuitidade geral da net, não sobra muito espaço para o jornal pago. Era bom que percebessem isso mais cedo que tarde.

domingo, setembro 24, 2006

Verdes de bolor

O suplemento de domingo do DN e JN é praticamente intragável, mas volta e meia lá aparece algo interessante, e só por isso o folheio. Ainda hoje valeu a pena ler a entrevista à bióloga Margarida Silva, sobre plantas transgénicas. Em geral a solução para não ficar logo pela manhã com vontade de cortar os pulsos é passar à frente as crónicas de Isabel Stilwell e Eduardo Sá. E para não ter vontade de cortar os pulsos de outrem evitar igualmente as crónicas de Zé de Bragança e Manuel Ribeiro. Tomados estes cuidados fui apanhado em falso por esta bonita prosa de Tomás de Montemor, que semanalmente assina as "páginas verdes".
«SE É HOMEM E A SUA MAIOR AMBIÇÃO na vida é ficar grávido (o assunto está tão bem entregue em mãos femininas, mas enfim), aconselho-o a ir a banhos no rio Potomac em Vashinton (como dizia o Raul Solnado), nos EUA.

A RÉPLICA DOS RESULTADOS em humanos não está garantida, mas a recente descoberta de vários peixes neste rio que mostram sinais de não estarem bem certos do sexo a que pertencem - os cientistas, diplomaticamente, chamam-lhes peixes intersexo - faz pensar que qualquer coisa semelhante possa acontecer aos humanos. Aparentemente estes peixes têm o sistema hormonal descontrolado e por isso aparecem cada vez mais exemplares com ovos nos testículos. Deve ser um pouco incomodativo ter um bebé nos testículos, mas se ainda está a pensar nisso... força.

A RAZÃO PARA O ESTRANHO AUMENTO de peixes gay, ou seja machos efeminados, parece estar relacionado com os altos níveis de poluição das águas do rio. Foram detectados certos compostos, usados na indústria farmacêutica, cosmética e outras, que são conhecidos desreguladores endócrinos, com o poder de pôr os organismos animais a trabalhar às avessas. Por exemplo, já foram acusados de tornar mais pequenos os pénis dos ursos-polares e de provocar hermafroditismo (possuir órgãos genitais dos dois sexos) em baleias.

COMO DISSE, NÃO SEI SE OS AMERICANOS que beberem de mais desta água vão começar a levar capacetes cor-de-rosa e Chanel n.º5 para combater talibãs, mas o certo é que o destino que queremos dar aos resíduos químicos das nossas indústrias tem de ser decidido depressa, sob o risco de começarem a afectar severa e irreversivelmente a nossa vida. (...)»
A coisa prossegue referindo tragédias humanas reais, causadas pelo envenenamento de águas pelas indústrias na Índia e Costa do Marfim. Os itálicos e maiúsculas da citação estão conforme o original, só o verdito foi acrescentado por mim. E acho que nem vale a pena dizer mais nada.