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quarta-feira, janeiro 21, 2009

No meio da missa, uma breve referência ateia

Via @AtheistBus, um dos melhores twitters do mercado.

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

Para lá do Marão dispensam a bênção

O Público noticia hoje que num dos supostamente "mais católicos" distritos de Portugal, Bragança, já são mais os casamentos civis que os religiosos. Ao longo de quase todo o artigo a justificação encontrada é a financeira, "casamentos religiosos são caros". São mesmo? Antigamente quase toda a gente casava na igreja e quase sem gastar tostão, vestia-se o fato domingueiro em dia da semana (eram comuns os casamentos religiosos à semana), casava-se e ao fim do dia ainda se trabalhava um bocado no campo. A importância da coisa estava na "bênção religiosa". A pouco e pouco a situação alterou-se, e a bênção passou a ser pretexto para grandes bodas, e apenas isso. A benção não é o fim, é o meio com vista à grande farra. Não é preciso muito dinheiro para casar na igreja, mas não havendo dinheiro para a farra, a bênção perde o sentido... Só no fim do artigo alguém, o padre Fontes de Montalegre, põe o dedo na ferida, há menos casamentos religiosos porque a religião interessa pouco e cada vez menos e nem sequer permite o divórcio. Nem mais.

Talvez em vez de continuamente querer definir as regras de um casamento a que sempre se opôs e ainda hoje não reconhece, o civil, a Igreja se devesse preocupar mais em preservar o seu. É que já nem em Bragança o conseguem vender... o que de resto prova que não é certamente a Igreja a autoridade a consultar em matéria de "como promover o casamento".

domingo, fevereiro 03, 2008

Cientologia

Absolutamente na mouche o Ricardo Alves. Ainda não consegui perceber a "preocupação" com a chegada dos cientologistas a Portugal, ainda não lhes vi nada que não tenha visto no resto. Tal como não entendo o "choque" na América com o vídeo do Tom Cruise, acaso diz algo que não digam todos os padres aos domingos? "Povo escolhido", "obrigação especial em ajudar", "nós vemos a verdade", and so on... os chavões costumeiros a todas as crendices, tenham 20 ou 2000 anos, como pode isto chocar no país do tele-evangelismo? Só não o oiço dizer que "o ateísmo é o maior drama da humanidade", menos mal. O problema é então exactamente qual?
«No meu entender, o melhor seria que o Estado não reconhecesse comunidade religiosa alguma. Existe o direito de associação e o direito de manifestação. Quem quer partilhar a sua «vida espiritual» com outros, pode portanto fazê-lo, dentro do quadro legal, sem necessidade de «reconhecimento» estatal da «especificidade» religiosa. E o Estado não pode negar aos cidadãos a liberdade de seguirem uma dada religião, nem pronunciar-se sobre a validade das crenças religiosas.
Ou será que a liberdade é só para os católicos e islâmicos, mas não para os cientologistas?»

Subscrevo a 100%.

domingo, janeiro 27, 2008

Subscrevo

1) A petição de solidariedade para com os professores de La Sapienza que tiveram a ingenuidade de acreditarem serem livres de condenar o convite à papista figura para que presidisse a abertura do ano lectivo na universidade. São agora insultados e ameaçados por meio mundo. Eu quero continuar a ser ingénuo e acreditar que se pode criticar o Bento sem sofrer represálias apenas por isso.

2) Braga-Porto em 40 minutos. Os argumentos desta petição, dirigida à CP, podem ser lidos neste blog.

3) Fim às excepções na lei do tabaco. Ainda sem link, pede-se o favor à Fernanda Câncio de colocar o seu artigo de hoje na Notícias Magazine no petitiononline.com (ou similar) que a gente assina por baixo, em 2 ou 3 dias seremos mais que os da petição das discotecas, tenho a certeza.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

La sapienza, ou a falta dela

Esta estória do papa ir discursar na abertura do ano lectivo de uma universidade romana tresanda desde a primeira hora, e tornou-se tão abjecta que nem consigo escrever sobre o assunto. Fico-me pelo lamento de ver tanta gente com inteligência suficiente para não cair no conto do vigário, agora papa, a fazê-lo. E pela satisfação de ainda poder encontrar gente capaz de ver as coisas com clareza e olhar crítico, ainda que correndo o risco de serem apelidados de "politicamente correctos", "laicistas" ou mesmo "jacobinos", enfim, proscritos na era do endeusamento da má política, i.e., do politicamente incorrecto. A ler então: no Womenage à trois, no Quase em português e no Arrastão, entre outros. Tudo textos curtos, porque a realidade é muito simples. E tudo em blogs, que nos jornais só parece haver espaço para a superstição e desonestidade intelectual. Ares do tempo...

PS: Outro ar do tempo é a paranóia em relação à pedofilia. Curioso como Ratzinger é imune à mesma, mesmo tendo escrito em 2001 uma carta a ordenar o silenciamento dos casos de abuso sexual de crianças por membros do clero. A ordem nunca terá sido revogada, tanto quanto se sabe, e o caso praticamente só teve cobertura no jornal britânico Guardian - razão pela qual nunca é demais lembra-lo. Tanto alarmismo e ninguém é capaz de exigir o óbvio? Que a igreja denuncie os casos de abuso de que tem conhecimento? Pelos vistos, não. Ares do tempo...

segunda-feira, julho 09, 2007

Suécia deverá aprovar casamento homossexual religioso

É o parlamento sueco que tem discutido o assunto, e 6 dos 7 partidos com assento estão a favor. Até ao ano 2000 a Igreja da Suécia era a igreja do estado, desde aí que se deu a separação entre o estado e a igreja. Mas as leis do primeiro continuam a ser soberanas na segunda. Com a separação entre estado e igreja a adesão à mesma deixou de ser automática para os filhos de um membro, só com o baptismo se faz parte da igreja. Segundo o seu site oficial, 80% das suas despesas são pagas com o dinheiro das quotas dos seus membros. Desde Janeiro deste ano que celebra bênçãos religiosas para casais de pessoas do mesmo sexo.

Em 1995 o estado sueco criou parcerias civis para casais homossexuais, cujos direitos e deveres são em tudo semelhantes ao casamento heterossexual. Em 1995 a Igreja da Suécia era ainda a igreja do estado, e abrir o casamento a casais homossexuais teria implicações também nas cerimónias religiosas, situação que então gerava muitos atritos. Actualmente a gestão da Igreja (nomeações de bispos etc) já não está nas mãos do parlamento, mas de uma nova assembleia, Kyrkomötet, criada para o efeito, igualmente eleita, mas apenas com votos dos membros da Igreja. Esta assembleia ainda não tomou uma decisão oficial sobre a lei que está a ser debatida, mas já foi adiantando que gostaria que os padres pudessem escolher não oficializar esses casamentos.

Comparem a situação sueca com a portuguesa, supostamente um país laico há dezenas de anos.

Em Portugal a igreja com mais membros não tem sede no país, mas no Vaticano. A gestão da igreja é em grande medida decidida no estrangeiro, é o Vaticano que decide quem é o cardeal, só para dar um exemplo. A ICAR portuguesa não cobra uma quota aos seus membros (ao contrário da maioria das organizações, religiosas ou não), antes pede esmola, aos seus fiéis, e exigi-a ao estado, cujos cofres são de todos, católicos ou não. É muito difícil contabilizar o dinheiro que sai dos cofres do estado para os bolsos da igreja, desde dádivas indirectas como isenções de impostos até todo o tipo de subsídios atribuídos pelo governo, câmaras, juntas de freguesia e outras instituições do estado.

A ICAR não está obrigada a obedecer a muitas das regras que as outras organizações a actuar no país estão, a Concordata, acordo entre o estado português e o Vaticano, garante-lhe uma infinidade de privilégios e desobrigações para com o estado. O estado português não tem qualquer poder de decisão dentro da ICAR, e é obrigado a aceitar nomeações da ICAR na função pública (capelões do exército e hospitais são funcionários públicos escolhidos pela ICAR), ao passo que a ICAR rejeita a proibição de discriminação em função do género na hora de formar os seus padres. O estado não se mete na política da ICAR, mas a ICAR mete-se continuamente nas políticas do estado. Um bom exemplo disso é a questão do casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, lei que em nada afecta a ICAR, mas sobre a qual já se pronunciou as mais variadas vezes. Os próprios fiéis pouco ou nada podem fazer para influenciarem a gestão e política da organização, competência exclusiva da sua hierarquia.

O leve adianto nos princípios constitucionais do estado português face ao sueco, reflecte afinal na prática um atraso de meio milénio face ao protestantismo escandinavo. Da fundação até hoje, ainda meros lacaios de Roma.

quarta-feira, maio 23, 2007

Contra-natura, mas pró-esperma

Cueca anti-radiação, ou pró-esperma, da ISA bodywear
«A marca espanhola Zara teve que pedir desculpa aos ultra-ortodoxos judeus por ter cometido aquilo que aquela comunidade considera um grave pecado, ao misturar algodão com linho num traje masculino, conhecido como "sh'tanz". Trata-se de uma mistura que está proibida pelo judaísmo, que a encara como um pecado contra a natureza, um "híbrido".»
Mas se calhar os judeus ultra-ortodoxos deviam reequacionar a sua política sobre os "híbridos vestuários". Não só porque natura natura é andar em pelota. Mas também porque isso os proibirá de usarem as novas cuecas anti-radiação dos telemóveis, inventadas por uma marca suíça e fabricadas em Portugal, que prometem proteger a qualidade do esperma de quem as vestir mesmo na presença dos "venenosos" telemóveis, mas cujo tecido, como se não bastasse ser uma mistura de lycra e algodão, inclui ainda fios metálicos. 29,90 francos suíços, à volta de 18 euros, é pouco quando se trata de garantir a continuação da linhagem, ainda que corrompida por uma nova tolerância às misturadas anti-natura. Cor para já só preto, e ainda se aceitam voluntários para os últimos testes.

quinta-feira, maio 10, 2007

Igualdade ou privilégio?

«O Tribunal Central Administrativo do Norte (TCAN) condenou em Fevereiro passado a Ordem dos Advogados (OA) por violação da liberdade religiosa.
Segundo a edição [de 16 de Abril] do jornal Público, em causa estava o facto de uma advogada estagiária, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, cujo dia santo é o sábado, ter pedido a alteração do exame final de agregação, que estava marcado para aquele dia da semana
A Ordem recusou o pedido, mas foi obrigada pelo tribunal a marcar o exame num outro dia, que não sábado.»
Lembro-me de há anos atrás, mal entrei na faculdade, ter lido um regulamento sobre faltas às aulas e ter pasmado pelo facto de não poderem ser justificadas em casos de doença (excepto tuberculose!), mas poderem sê-lo por motivos religiosos. Creio que o mesmo se aplicava aos exames. Basicamente se tencionavas ir ao exame marcado no dia X mas tinhas o azar de ser atropelado pelo caminho, chumbavas. Se não querias ir ao exame para ficar a rezar, marcavam-te nova data.

É claro que os católicos são a minoria religiosa (só cerca de 14% da população a pratica regularmente) mais privilegiada do país, sendo que o seu "dia sagrado" funciona como dia de descanso semanal para todos. Mas lá está, "é para todos", logo mesmo que seja mais conveniente aos católicos, todos podem dele usufruir, o mesmo vale para os feriados religiosos. Ao obrigar as instituições a criarem "feriados personalizados" por motivos religiosos estamos a acrescentar algo, e não a substituir. Estamos a obrigar que as instituições laicas assumam encargos e transtornos extra por causa da crença de alguém. E na prática isto representa uma possibilidade de calendarizar a vida de acordo com as nossas conveniências, usando a religião como desculpa. Uma possibilidade que não está ao alcance daqueles sem qualquer religião.

Espasmo post-mortem imperial

Estou longe de ser especialista em política timorense, ou sequer um observador muito atento, mas há já vários anos que venho acumulando uma antipatia crescente por Ramos Horta. Primeiro foram as volubilidades no relacionamento com Portugal e Austrália, sempre ao sabor dos interesses do momento e sempre pronto a dar o dito por não dito e a atacar uns e outros. Depois o associar-se ao clero fundamentalista da ilha para derrubar Alkatiri, um muçulmano, usando as aulas de religião como pretexto (como se não houvesse problemas a sério em Timor!). E agora isto, para matar qualquer dúvida, t-shirt do pescador palestiniano na hora do voto a ver se se pescam alguns tolos de última hora. Abjecto.

terça-feira, maio 08, 2007

Fátima sem vergonha

Via Portugal Gay chego a esta notícia do site Fátima Missionária: «Extrema-direita pode ser "apoiada" por "cidadãos católicos"». Vale a pena ler por inteiro. Nada há de novo no conteúdo, o que surpreende é o tom de naturalidade, normalidade, com que é escrito, e sobretudo a clareza. Há muito que não eram tão explícitos...

sexta-feira, abril 20, 2007

Quem tem lata amanha uma concordata

«Pastores, solteiros e bons rapazes, exigem subsídios chorudos ao governo, que os das freguesias e câmaras não dão para grandes mármores, para a construção de estábulos novos para os seus rebanhos em vias de extinção. Máxima urgência, agradecimento mínimo.

Exige-se que o subsídio seja dado em condições de privilégio e exclusividade face a outros tipos de pastoreio, ainda que tal implique violações graves da lei.

Pondera-se ainda a possibilidade de exigir 0,05% do IRS daqueles que em algum dia das suas vidas, mesmo que ainda rebentos, tenham pastado ao ritmo do nosso cajado. Isto no caso do governo avançar com a medida absurda de cobrar IVA pela compra de novos cajados e badalos.

Quanto ao resto mantêm-se as proibições do costume no que concerne às cambalhotas do gado e a reafirma-se a nossa pena pelos pobrezinhos, sobretudo daqueles que apostaram em vidas de maior suor e menor rendimento que a santa vida de pastor, mas sobre isso não temos qualquer poder.»

quinta-feira, abril 05, 2007

A família mais odiada da América


Ou "os melhores amigos dos gays". Com inimigos destes, quem precisa de amigos? Esta uma reportagem da BBC dedicada à família Phelps, conhecida por se manifestar junto aos funerais dos soldados americanos mortos no Iraque, onde gritam a plenos pulmões que o seu destino é o inferno por terem morrido ao serviço de uma "nação que tolera os paneleiros". Mas lojas de electrodomésticos que vendam aspiradores suecos também servem de alvo para manif, porque a Suécia é afinal uma "nação paneleira" - mais que a própria América, presume-se.

PS: Na verdade discordo do título dado à reportagem (o mesmo que tem este post), parece tudo tão irreal que nem dá para os odiar, é simplesmente bizarro... custa a crer que existam mesmo.

PPS: Apetece-me tecer mil comentários à peça, tão boquiaberto me deixou... apenas alguns pontos:

1) Tenho pena que a reportagem não tenha explorado um pouco mais as finanças da família, brutos jipes, iPods, telemóveis sofisticados, viagens de avião etc. deixaram-me curioso... não estão assim tão isolados afinal, seria impossível manter o nível de vida. Também podiam ter corrigido o mito urbano do "pastor sueco vítima da ditadura gay".

2) Tenho pena que boas pessoas sejam capazes de actos tão cruéis. Porque é a opinião com que fico sobre a maior parte destas pessoas, acreditam mesmo que estão a fazer "o bem", e são afáveis, simpáticas até... boas pessoas em suma. Ninguém escolhe onde nasce, nem a educação que recebe dos pais.

3) Tenho pena da bichice recalcada do patriarca da família. Fundar uma igreja que se baseia unicamente na oposição ao sexo anal homossexual? Criar pequenos fundamentalistas que se definem nessa mesma oposição? Quem se não uma bicha frustradíssima e analmente virgem para inventar semelhante desvario? Quem? Deus?

4) Não vale a pena enviar-lhes e-mails zangados, já receberam milhares dos espectadores da BBC, o que apenas valeu mais um dos seus manifestos a condenar todo o Reino Unido ao inferno. Se alguma coisa merecem da nossa parte é pena apenas.

segunda-feira, março 26, 2007

Embaraçante, ou melhor, perigosa

Ahhh... os prazeres da 2ª feira. É neste dia que começamos uma semana de trabalho agraciados pela homilia de João César das Neves, publicada no DN. Hoje, ao contrário do que já se vai esperando, não houve ataque, pelo menos não directo, ao "horror" da homossexualidade, da IVG e desses outros flagelos modernos. Não, hoje foi dia de lembrar que quando se discute religião, missionação e santidades várias, há embaraço.

Não sei o que JCN considera embaraço nem quem o sente, mas os debates que vejo que tocam o tema da religião, católica ou não, parecem bastante fervorosos ou pelo menos sem pézinhos-de-lã. Também os representantes da ICAR não se mostram nada embaraçados em dizerem o que pensam no tempo de antena que os meios de comunicação lhes atribuem.
JCN fala das mudanças que a ICAR sofreu e de como se adaptou ao mundo moderno. Curioso que refira o abandono do latim nas missas quando este agora parece estar prestes a fazer um comeback. Curioso também que essas mudanças feitas há quase 60 anos parecem retrógradas até para a época, que dizer então dos dias de hoje. Lendo as palavras de JCN pensa-se que estaria a falar de uma instituição progressista, aberta à mudança e à variedade de opiniões e de direitos. Depois lembramo-nos que afinal estamos a falar de uma instituição que considera as mulheres inferiores aos homens em quase tudo, que sempre condenou a homossexualidade, que em nome de uma crença propaga mentiras e prejudica a saúde dos que a seguem, que promove o analfabetismo e a ignorância para mais facilmente dominar as vidas dos crentes, etc., etc.

E pelos vistos JCN ainda estranha as críticas de que a ICAR, coitada, é alvo. Quando a caridade é oferecida embrulhada em terrores divinos da condenação da alma, quando a crença impede o crescimento do indivíduo, da sociedade e mesmo de uma nação, quando a hipocrisia provoca ou permite que se espalhe o ódio e a violência, se calhar, só se calhar, há críticas duras a fazer.