Mostrar mensagens com a etiqueta discriminação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta discriminação. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, novembro 30, 2009

Sporting não rima com bom marketing

Tem sido alvo de muitas piadinhas pelo Twitter fora a queixa por discriminação da campanha de descontos para os bilhetes anuais do Sporting, "Gamebox Duo". A campanha dirigida a casais de sócios, exclui casais de pessoas do mesmo sexo. Claro que o assunto é secundário, mas a discriminação está lá, e ainda bem que há quem se queixe. O Sporting podia facilmente ter corrigido a situação, mostrando abertura, mas optou pela estratégia "pior a emenda que o soneto":
«O departamento de marketing do clube refuta qualquer tipo de discriminação sexual e justifica a campanha da "Gamebox Duo" como uma iniciativa que se "destina a trazer mais mulheres ao estádio".»
Então o objetivo é trazer mais mulheres para o estádio e lançam uma campanha dirigida a casais!? Serei só eu a ver o erro desta equação? Se o Sporting queria mais mulheres no estádio fazia uma campanha dirigida às mesmas, p.ex. "traga uma amiga". Ao dirigir-se apenas aos casais heterossexuais, deixa de fora mulheres solteiras, e antagoniza os casais homossexuais. No fim, nem traz tantas mulheres quantas poderia trazer, e fica com a imagem lesada junto de gays e lésbicas. A isto se chama uma péssima campanha de marketing.

sábado, maio 19, 2007

Peanuts ensanguentados

Vai por aí uma discussão na blogosfera a tresandar a séc. XX sobre o "direito" ou não dos homossexuais darem sangue. Pelos vistos ainda muita gente acredita na teoria dos "grupos de risco", a teoria que fez com esses mesmos grupos ditos de risco, ainda que padecendo de alguns preconceitos acrescidos à custa de tal fama, se tivessem consciencializado e prevenido na mesma medida em que os "grupos não de risco" se relaxaram e infectaram em massa. Basta ver as recentes estatísticas sobre o forte aumento de novos casos de HIV positivo entre a população idosa.

Eu já fui dador de sangue, e nunca me perguntaram se era gay (perguntavam isso sim, o número de parceir@s - ja, com arroba - nos últimos meses e o uso ou não de preservativo). Foi quando li um panfleto, ainda no séc. passado, que referia essa proibição, que deixei de o ser. Eu tento sempre respeitar as regras, por mais imbecis o sejam. Claro que tal proibição em nada prejudica a minha saúde. Claro que tal proibição não impede que homens casados que fodem anonimamente com outros homens casados continuem a usar a dádiva de sangue como um "discreto teste ao HIV". É que a proibição não é dos "homossexuais darem sangue", mas sim dos "dadores que se digam homossexuais". A vida é mesmo assim, uns seguem as regras, outros não. Eu já me tinha como gay muito antes da primeira foda com outro gajo e, seguindo a tal lógica esperta, tinha já um "maior risco", possivelmente alojado na genitália ou ânus, não sei bem...

Resumindo e concluindo, esta é daquelas homofobias tontas que prejudicam mais a sociedade em geral do que os gays em particular. Perde-se algum sangue e ganham-se alguns novos infectados que se julgavam "seguros".

Mas grave, para nós os banidos, seria proibirem-nos de receber sangue quando dele necessitamos. Não querem? Não recebem. O problema é vosso, não meu. A mim o que me chateia é ver tanto empenho do mov. LGBT com estes peanuts quando há discriminações a sério, muito mais graves e consequentes, por resolver...

Nota: Quem quiser seguir a discussão que por aí vai pode começar no Glória Fácil ou no Avatares, e daí continuar por sua conta e risco...

quinta-feira, maio 10, 2007

Igualdade ou privilégio?

«O Tribunal Central Administrativo do Norte (TCAN) condenou em Fevereiro passado a Ordem dos Advogados (OA) por violação da liberdade religiosa.
Segundo a edição [de 16 de Abril] do jornal Público, em causa estava o facto de uma advogada estagiária, membro da Igreja Adventista do Sétimo Dia, cujo dia santo é o sábado, ter pedido a alteração do exame final de agregação, que estava marcado para aquele dia da semana
A Ordem recusou o pedido, mas foi obrigada pelo tribunal a marcar o exame num outro dia, que não sábado.»
Lembro-me de há anos atrás, mal entrei na faculdade, ter lido um regulamento sobre faltas às aulas e ter pasmado pelo facto de não poderem ser justificadas em casos de doença (excepto tuberculose!), mas poderem sê-lo por motivos religiosos. Creio que o mesmo se aplicava aos exames. Basicamente se tencionavas ir ao exame marcado no dia X mas tinhas o azar de ser atropelado pelo caminho, chumbavas. Se não querias ir ao exame para ficar a rezar, marcavam-te nova data.

É claro que os católicos são a minoria religiosa (só cerca de 14% da população a pratica regularmente) mais privilegiada do país, sendo que o seu "dia sagrado" funciona como dia de descanso semanal para todos. Mas lá está, "é para todos", logo mesmo que seja mais conveniente aos católicos, todos podem dele usufruir, o mesmo vale para os feriados religiosos. Ao obrigar as instituições a criarem "feriados personalizados" por motivos religiosos estamos a acrescentar algo, e não a substituir. Estamos a obrigar que as instituições laicas assumam encargos e transtornos extra por causa da crença de alguém. E na prática isto representa uma possibilidade de calendarizar a vida de acordo com as nossas conveniências, usando a religião como desculpa. Uma possibilidade que não está ao alcance daqueles sem qualquer religião.

segunda-feira, abril 23, 2007

sábado, março 10, 2007

Crescei e multiplicai-vos, mas, mas, mas...

A ministra da família dinamarquesa vai fazer um tour pelo seu país incentivando à natalidade. A política conservadora considera que a taxa de 1,8 crianças por família (uma das mais altas da Europa) é insuficiente, e aponta estudos que garantem que a maioria das famílias desejaria ter mais filhos. Na sua opinião, as famílias acabam por ser mais reduzidas devido às pressões da sociedade para que tudo na educação dos filhos "seja perfeito", o que implica grandes esforços por cada um. No seu tour ela pretende divulgar a ideia de que nem tudo tem que ser perfeito, apostar mais na quantidade e menos na qualidade. Apesar disso Carina Christensen, assim se chama a ministra de 34 anos, não tem, nem planeia ter em breve, nenhum rebento.

Ainda na Dinamarca, uma série de deputados ficou muito preocupado com a notícia de uma cidadã daquele país, que viajou até ao Reino Unido para ser inseminada artificialmente. Trata-se de uma mulher de 61 anos, que não poderia fazer a inseminação no seu país, que impõe um limite etário de 45 anos. Os deputados querem agora que a União Europeia crie regras comuns a todos os estados membros, por forma a prevenir novas fugas.

Vai ser giro ver o governo português tentar vender em Bruxelas a ideia de que além de um limite etário, a procriação medicamente assistida também deve ser limitada a mulheres casadas...

sábado, março 03, 2007

Quem precisa do CDS quando tem a Opus Gay?

«Para António Serzedelo, esta situação "não pode ser imposta às pessoas porque elas não sabem do que se trata, mas tem que ser discutida para que se perceba".

O presidente da OpusGay considera que "em 2009 deve-se começar a pôr estes assuntos na agenda política".»

Serzedelo fala sobre a aprovação da lei da identidade de género em Espanha, que entende não poder ser "imposta às pessoas" por cá. E eu que achava que as únicas pessoas a quem era "imposta" uma lei, eram os transexuais sujeitos à actual legislação. Espero que Serzedelo tenha percebido que a ideia é cada um/a passar a ter o sexo legal que deseja, e não impor o que quer que seja... Esperança vã, I'm afraid. Mas pronto, diz que em 2009 tudo vai mudar para melhor e com um bocado de sorte até a Opus Gay vai, para variar, começar a defender alterações legislativas a favor da igualdade para @s LGBT.


Mas isto é só um diz que, a única certeza é que até lá teremos que continuar a levar com esta personagem mascarada de associação (ah não, esperem, também diz que há um novo membro, o que já seria suficiente pelo menos para formar um casal, claro, se não fosse Serzedelo já casado...) a aproveitar qualquer atençãozinha mediática para atacar o movimento LGBT e as suas reivindicações. Não vá - o diabo seja cego, surdo e mudo - o povo português sofrer alguma indigestão com estes temas, tudo a bem das tripas do povo, claro (atenção, isto não tem nada a ver com o PS). Olha, Opus Tripa, era um nome bem mais adequado. Opus (anti-)Gay, como sugeri antes, seria redutor, afinal também é anti-trans agora (e pelo menos até 2009).

sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Dica para o tribunal de Torres Vedras

Isto é um preservativo. Coloca-se assim:

Assumindo que não se usa preservativo, o risco de contágio do HIV, de uma mulher infectada para um homem que a penetre vaginalmente, é de 5 em cada 10.000 penetrações. Estudos recentes indicam que será mais baixo para homens circuncidados. Qualquer homem com uma cabeça em cima dos ombros sabe que deve cobrir a que tem entre as pernas, com um preservativo, antes de ter relações sexuais com uma mulher que não conhece ou que conhecendo, saiba que tem mais parceiros.

Toda a gente tem direito ao sigilo médico. Violar a privacidade de alguém agora, com base apenas em preconceito e desinformação, terá como único efeito fazer com que outras pessoas tenham receios acrescidos em procurar assistência médica ou fazer o teste do HIV. O que a acontecer será um forte contributo para a propagação do vírus no país. Quem vai processar o tribunal?

sábado, setembro 16, 2006

Mas para os ilhéus é assim todos os anos

«Aconteceu há dois anos, antes disso só tinha sucedido em 1996, voltou a registar-se este ano: a nota de entrada nos cursos de Medicina caiu quase um valor em relação a 2005, baixando a fasquia dos 18 valores para seis das nove licenciaturas do País.»
Nunca ouvi a gente indignada com as quotas para as mulheres nas listas partidárias dizer uma palavra sobre o assunto (are you listening, mr. president?). Aliás, creio que muita gente o desconhece por inteiro. Mas existem umas coisas chamadas "contingentes especiais das regiões autónomas" que todos os anos garantem a entrada nos cursos de medicina a alunos insulares com notas bastante inferiores às dos seus colegas continentais. A desculpa é a de que haverá falta de médicos nas ilhas. Mas a desculpa não cola, desde logo haverá certamente regiões em pior situação no continente, e depois nada garante que estes especiais alunos voltem às ilhas que os viram nascer (ou lá residir por dois anos). É que a isso não são obrigados, ao contrário por exemplo do contingente especial para militares, que obriga os licenciados que dele usufruíram a trabalhar no exército. Mas não são só os ilhéus, os filhos dos emigrantes, como se não bastasse estarem em situação priviligiada para concorrerem em dois países diferentes, também têm contingente. Lembram-se da filha do ministro santanista? É que uns são filhos e outros são enteados, mas ninguém fica indignado.