Mostrar mensagens com a etiqueta pma. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pma. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, fevereiro 12, 2008

Nem aterragem, nem descolagem, nem ejecção

«A Universidade do Porto, que tinha avançado com o pedido de instalação do primeiro centro público de colheita de espermatozóides e ovócitos, desiste do projecto - a não ser que haja uma declaração de interesse por parte dos responsáveis do Estado.»
Podemos esperar sentados. No dia em que o estado decida dar umas gotitas de atenção ao assunto, na mais optimista das hipóteses isso significará a criação de um banco de esperma em Lisboa... Só nos resta mesmo emigrar, e de camioneta que de avião também não deixam.

sábado, outubro 27, 2007

Partido Moderado sueco aprova moção pelo casamento homossexual

Riksdag, o parlamento sueco em Estocolmo.

Uma larga maioria dos delegados presentes na convenção do Partido Moderado da Suécia (centro-direita) aprovou uma moção a favor da legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo no país escandinavo. Também votaram favoravelmente o direito às lésbicas recorrerem à inseminação artificial em hospitais públicos e à possibilidade dos casais homossexuais adoptarem crianças.

Isto significa que 3 dos 4 partidos que formam a coligação governamental, incluindo o do Primeiro-Ministro (moderado) estão a favor da medida, tal como toda a oposição. Notar que o Partido Moderado se senta em Bruxelas ao lado do CDS e do PSD! Sobram então os cristãos-democratas, contra o casamento, mas que à partida não serão grande estorvo, a aprovação é mesmo uma questão de tempo. Falta apenas saber se a vizinha Noruega conseguirá ser mais rápida.

Ser um governo de centro-direita a aprovar esta lei na Suécia é bem revelador do nosso (da Europa do Sul em geral) atraso de 500 anos chamado catolicismo. É que a par desta discussão no Partido Moderado, uma outra aconteceu na Igreja da Suécia, sobre se deseja ou não que os casamentos religiosos por si celebrados tenham validade legal. Para isso é necessário que as regras do casamento religioso estejam de acordo com as do casamento civil. Os membros da igreja aprovaram democraticamente o reconhecimento legal dos seus casamentos religiosos, tendo já em mente que a breve prazo tal significará a realização de casamentos religiosos entre pessoas do mesmo sexo.

Veja-se a diferença brutal em relação ao Sul da Europa. Uma igreja liderada por um alemão escolhido pelo espírito santo e sedeada num microestado parasitário, que não reconhece o casamento civil (para a igreja católica casados ou divorciados apenas pelo civil são solteiros, ex. Letizia princesa espanhola casada pela igreja depois de um divórcio civil). Mas que por outro lado faz do combate a alterações na lei do casamento que não reconhece, seja hetero ou homossexual, a sua grande causa e luta no século XXI.

Voltemos à Suécia, por lá apenas grupos católicos e evangélicos têm feito real e agressiva campanha contra o casamento homossexual. Mas por lá estes grupos ultraminoritários são vistos com o mesmo olhar com que por cá se olha a IURD, mas não a ICAR. E várias sondagens têm mostrado um amplo consenso popular em torno da matéria. É de realçar que a Suécia foi o segundo país do mundo, na era moderna, a reconhecer oficialmente uniões homossexuais, através de parcerias civis, então pioneiras, hoje em dia apenas desculpas para evitar o casamento. Sendo por isso especialmente valioso o exemplo, as parcerias civis não chegam, podem atrasar o inevitável, mas não o evitam permanentemente e nos tempos que correm são apenas prova de falta de coragem política.

quarta-feira, outubro 10, 2007

Sotaina que ladra, não morde

Este texto do Rui Tavares desmonta na perfeição a falsa polémica sobre a "assistência religiosa" nos hospitais públicos. No fundo passou-se agora o mesmo que aconteceu aquando da aprovação da lei sobre a procriação medicamente assistida. Tanto uivaram, tanto urraram, tanto ameaçaram antes do tempo e sem motivo aparente, que Portugal tem hoje uma das mais recentes, mas também uma das mais retrógradas, conservadoras e discriminatórias leis sobre a matéria. Cereja no topo do bolo: foi a esquerda que a aprovou, Bloco, PS e PCP. Capuchinhos vermelhos a lidar com lobos maus.

segunda-feira, julho 02, 2007

Zapping dominical

Na RTP1 o domingo passado foi dedicado à princesa Diana. Concertos, entrevistas, documentários-tablóide. Fiquei na dúvida do porquê, solidariedade monárquica? Colonialismo britânico? Seja como for mais uma vez se viu que na RTP abunda a parolice mais medonha e o contínuo desrespeito dos valores da nossa República. Abjecto.

Na TVI apanho a meio uma reportagem sobre casais de lésbicas portuguesas que se vêem obrigadas a recorrer a esquemas para contornar a lei parafascista sobre procriação medicamente assistida que vigora no país. Não vi o suficiente para avaliar a qualidade do trabalho jornalístico, mas do que vi gostei, se alguém youtubasse a coisa era óptimo (o site da TVI diz que o vídeo estará disponível em breve). Uma nota negativa, comum a mil e uma outras reportagens, as pessoas que foram entrevistadas de forma anónima não viram o seu anonimato devidamente protegido, eu fui capaz de reconhecer pelo menos uma pessoa, que nem sequer conheço pessoalmente, o que me parece bastante grave.

Na SIC vejo finalmente um daqueles depoimentos de que já aqui falamos, neste caso um brasileiro homossexual e o seu filho adoptado, muito bonito (vou ver se acho no youtube).

PS: Acho que o vídeo da TVI já está on-line, mas é só para gente com ligação IOL. Googlem-no por favor.

segunda-feira, abril 09, 2007

O argumento que faltou

Que pena ninguém se ter lembrado disto aquando da discussão da lei da procriação medicamente assistida (PMA). Quer dizer, a ILGA deu o mote, mas faltou realçar as consequências, i.e., os bastardinhos mestiçados de espanhóis.

Dizer aos políticos nacionais que a lei era homofóbica, machista, reaccionária, ineficaz, a anos-luz das melhores legislações europeias, era o mesmo que mostrar um palácio a um boi. O truque estava mesmo em lembrar que as fronteiras já não existem e que algumas portuguesas além de serem levianas ao ponto de estarem dispostas a engravidar a solo, não se importam que o esperma seja espanhol. Castelhano inclusive... Que diria a padeira de Aljubarrota se ainda vivesse?

sábado, março 10, 2007

Crescei e multiplicai-vos, mas, mas, mas...

A ministra da família dinamarquesa vai fazer um tour pelo seu país incentivando à natalidade. A política conservadora considera que a taxa de 1,8 crianças por família (uma das mais altas da Europa) é insuficiente, e aponta estudos que garantem que a maioria das famílias desejaria ter mais filhos. Na sua opinião, as famílias acabam por ser mais reduzidas devido às pressões da sociedade para que tudo na educação dos filhos "seja perfeito", o que implica grandes esforços por cada um. No seu tour ela pretende divulgar a ideia de que nem tudo tem que ser perfeito, apostar mais na quantidade e menos na qualidade. Apesar disso Carina Christensen, assim se chama a ministra de 34 anos, não tem, nem planeia ter em breve, nenhum rebento.

Ainda na Dinamarca, uma série de deputados ficou muito preocupado com a notícia de uma cidadã daquele país, que viajou até ao Reino Unido para ser inseminada artificialmente. Trata-se de uma mulher de 61 anos, que não poderia fazer a inseminação no seu país, que impõe um limite etário de 45 anos. Os deputados querem agora que a União Europeia crie regras comuns a todos os estados membros, por forma a prevenir novas fugas.

Vai ser giro ver o governo português tentar vender em Bruxelas a ideia de que além de um limite etário, a procriação medicamente assistida também deve ser limitada a mulheres casadas...

sábado, dezembro 16, 2006

Bush diz-se feliz com gravidez da filha lésbica de Dick Cheney

Procurando no Google News em português encontra-se esta notícia em vários sites brasileiros, num angolano e num suíço. Porque é que isto não é publicado em Portugal?

PS: Obviamente que num "mundo ideal" isto não seria notícia, porque não se fariam notícias a partir da vida privada das pessoas... Mas esse não é o nosso mundo, e não é certamente essa a regra da imprensa portuguesa. Aliás, foi a própria Mary Cheney a tornar pública a sua gravidez. Não se percebe por isso o silêncio em Portugal.

domingo, novembro 19, 2006

Gay Donor or Gay Dad?

Imperdível a reportagem de hoje da The New York Times Magazine, sobre a paternidade dos homens homossexuais que doam esperma a casais de lésbicas (de forma não-anónima). Vários "casos reais" ilustram a peça, que assim se torna especialmente valiosa para quem pensa começar desta forma uma família. Um conselho salta à vista depois desta leitura, mesmo não tendo validade legal no nosso país, não há nada como acordar tudo por escrito antes da gravidez.

Relembro que a lei portuguesa da procriação medicamente assistida é mais retrógrada que a lei da adopção, prevendo que apenas casais heterossexuais casados pela igreja católica (ah não esperem, não é assim tão fascista, acho que também vale o casamento civil) possam recorrer a estas técnicas, pelo que resta às restantes futuras-famílias procurar outros meios para se criarem. A internet é um deles, e esta pode ser uma boa porta.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Ou de como a "moderação" promove o integrismo católico

«Um grupo de 31 deputados do PSD e do CDS-PP entregam hoje, no Tribunal Constitucional, um pedido de fiscalização sucessiva da constitucionalidade da lei da procriação medicamente assistida (PMA), por considerarem que há disposições que violam a lei fundamental (...) Teresa Venda e Rosário Carneiro, do Movimento Humanismo e Democracia, eleitas deputadas nas listas do PS também deverão subscrever o pedido, que já excedeu largamento as 23 assinaturas, equivalentes a 10 por cento do total dos parlamentares, exigidas para o efeito.»
A lei da PMA é uma absoluta vergonha. É mais retrógrada que a lei aprovada em Espanha nos anos 80, só para dar um exemplo. Se o Bloco de Esquerda fosse o que diz ser, seria este partido a promover a fiscalização da constitucionalidade de uma lei de machismo e homofobia bastante explícitos. Mas não.

Aliás, o Bloco, o PCP, os Verdes, e claro, o PS, todos cantaram pela bitola da moderação, que era preciso "evitar radicalismos", tudo a seu tempo, bla bla bla, aprovando assim uma lei que nos mantém seguros na cauda europeia dos direitos reprodutivos. Tudo isto seria para sossegar os católicos. (Exactamente a mesma desculpa usada agora para se evitarem discursos emancipatórios na campanha do referendo à IVG, apostando tudo na coitadinhização).

Está visto que não resultou. Apostar na cobardia política e na discriminação teve como único efeito dar espaço ao extremismo católico. Que não se contenta em ver-nos na cauda da Europa, quer-nos igual à Nicarágua. E não há pingo de vergonha mesmo. Até a brigada das cruzes do PS se junta ao forrobodó fundamentalista. Venda e Carneiro, as duas integristas católicas que por obscurantíssimos motivos são sempre enfiadas nas listas do PS em lugar elegível, mostram uma vez mais para que servem.

O delírio vai ao ponto de Isilda Pegado andar ainda a promover um referendo à lei da PMA, porque afinal os espermatozóides também devem ter alminha, e que se lixe o défice, 'bora gastar milhões em abstenções mais que previsíveis. Sim, a mesma Pegado que recusou esclarecer na RTP a sua posição face às situações em que o aborto está despenalizado actualmente no país. Ainda há dúvidas?

domingo, setembro 17, 2006

Banco de esperma gratuito e para tod@s

Afinal parece que o anunciado primeiro banco de esperma português já não vai abrir. Como se já não bastasse a discriminação medievalista da lei (só casais heteros casados a ele poderiam aceder), nem a aplicação da dita parece estar fácil de levar à prática. Felizmente existe uma coisa chamada World Wide Web que possibilita maravilhas como esta. Um Yahoo! Group para homens interessados em doar esperma (a venda é proibida) e mulheres ou casais (lésbicas e heteros) que o procuram. No fundo é uma plataforma de contacto, sem limitações geográficas, apenas linguísticas (funciona em inglês), que já deu muitos bons frutos. A divulgar por todos os potenciais interessados.

domingo, setembro 03, 2006

Atenção, só para heteros casados*

«Primeiro banco de esperma e óvulos criado no Porto»

Ah, excepto os dadores de esperma e as dadoras de óvulos, esses podem ser solteiros. Quanto a não se ser hetero, por via das dúvidas, será melhor darem uma chance à heterossexualidade durante a entrevista...

PS: E afinal vai ser adiado...