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sábado, abril 05, 2008

A comunicação social e o telemóvel

Acompanhar o visionamento deste vídeo com o brilhante texto do Miguel. Quem ainda não se fartou de vídeos de aulas de francês pode sempre ver mais este.

sábado, fevereiro 23, 2008

"Para a comunicação social há sempre a iminência de uma tragédia"


Para além da tragédia consumada do abutrismo jornalístico. Uma pena o avião não ter colaborado com a comunicação social, e tão bonito que é morrer em directo...

domingo, fevereiro 03, 2008

Rio de Mouro on fire, ou nem por isso...

A meio da semana houve aberturas de noticiários com a "previsão de confrontos durante os funerais das vítimas do tiroteio em Rio de Mouro". A polícia dizia que não havia razões para alarme, mas nada sossegava as TVs, excitadíssimas com a possibilidade de uma Nairobi ao pé do estúdio. Chegado o dia, ontem, acorreram aos ditos funerais, por certo com coletes à prova de bala e tudo, mas, oh azar, os funerais foram marcados apenas pela tristeza e consternação da praxe. Apostava-se então na noite, mas nada. E lá passaram hoje a meio do jornal as reportagens de uma "noite sossegada em Rio de Mouro". Trabalho ingrato o de repórter... o pessoal bem semeia ventos, mas da tempestade nem sinal.

quarta-feira, janeiro 16, 2008

Teste: Que tipo de activista gay és tu?

Imagina que és um activista gay e és contactado por um tablóide a propósito de uma muito mal contada estória sobre uma nova infecção supostamente em crescimento na população gay norte-americana. Como respondes?

A) Rejeitas o alarmismo precipitado e desinformado. Recordas a história da SIDA, concluindo que as doenças não têm orientação sexual e esse tipo de simplismos apenas contribui para a disseminação das mesmas.

B) Apoias o alarmismo, instando as autoridades a adoptarem-no. Mencionas o preservativo, mas apenas para sexo com "estranhos" (sic), e isso embora as informações existentes sobre a nova bactéria digam que a transmissão não é prevenida pelo mesmo. E insultas os homossexuais que frequentam saunas e quartos-escuros.

Se respondeste A és um activista responsável e inteligente, ganhas um prémio arco-íris. Se respondeste B não és um activista gay, voltas à casa de partida e devolves as tuas plumas, porque de moralistas parvos já está o país cheio, não precisa de mais alguns em formato rosa choque, adeus e obrigado.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Onde é que isto vai parar!?

Assim começou o Jornal da Tarde da RTP, pela voz de Carlos Daniel, a propósito de um homicídio de um segurança do Porto. Lanço a mesma pergunta, mas antes a propósito do jornalismo sensacionalista da RTP. Onde é que isto vai parar?

Pior. Além do tom "conversa de café" e do histerismo com que são apresentados os serviços noticiosos da televisão pública (com a falta de qualidade e rigor da privada posso eu bem, não me sai do bolso), nem sequer os casos de faca e alguidar aos quais a TV decide dar máxima importância são apresentados com um mínimo de profundidade. Quais moços de recados do palhacinho de serviço, todos acorrem a interrogar o governo. Mas ninguém é capaz de fazer as perguntas verdadeiramente incómodas e a quem de direito. Quantos agentes da PSP são também seguranças? E de que forma isso interfere com a investigação?

Agora, falar em "guerra" ou "onda de homicídios" no país onde só no ano passado pelo menos 39 mulheres foram assassinadas pelos maridos ou companheiros, sem que tais casos tenham sido notícia fora das páginas do CM e JN, é um bocadinho despropositado não? Ou será que há assim tantos espectadores que sejam seguranças da noite do Porto e devam por isso ser alertados via RTP?

sábado, dezembro 08, 2007

Ecologismo tablóide

«Pode uma acção ambientalista, promovida por um jornal de grande circulação, ser prejudicial para a Europa? Ao que parece, sim, sobretudo se o jornal em causa for o alemão "Bild", a publicação com maior audiência no país, e a acção ambientalista, da Greenpeace, for um apagão eléctrico de cinco minutos, com vista a sensibilizar os participantes da Cimeira das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, em Bali, Indonésia.

Como é óbvio, um apagão de cinco minutos em toda a Alemanha (país com mais de 80 milhões de habitantes) não é uma medida suficiente para alterar a produção de energia eléctrica. É por isso que algumas associações ambientalistas alemãs desvalorizam esta iniciativa apoiada pelo "Bild" e cerca de outras 40 organizações ambientalistas.

Mas se houver muitos alemães a aderir ao apagão, previsto para hoje, entre as 19 e as 19.05 horas (hora de Lisboa), "há sérios riscos para a rede de abastecimento de energia europeia, em que a produção e o consumo têm de estar permanentemente em equilíbrio", explicou um responsável da RWE, a maior empresa energética europeia.

A fonte de preocupação para as companhias de electricidade é o facto de várias empresas, como a BMW, Bosch, Telekom e T-Mobile aderirem à iniciativa. Se se apagarem milhões de luzes ao mesmo tempo, tal poderá desligar parte da rede eléctrica da Europa devido aos sistemas automáticos de segurança.
»

Mas o que importa é que em Bali se sensibilizem... raisparta a palermice.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Nota prévia: o editorial que se segue não é do Correio da Manhã

«Num dia em que voltaram a levantar todas as teorias sobre o destino de Madeleine, a criança inglesa desaparecida no Algarve há mais de quatro meses; duas semanas depois de terem sido mortos a tiro empresários e seguranças da noite de Lisboa e Porto; após uma semana de assaltos à mão armada (bancos, carrinhas de valores e, ainda ontem, uma ourivesaria), que também fizeram vítimas; não podia ter sido mais inoportuno da parte do Governo anunciar os números da criminalidade e dar destaque à diminuição do crime violento
Inoportuno para quem? Só se for para quem se dedica a explorar o crime, fazendo sensacionalismo diário com casos relativamente isolados e que as estatísticas não se cansam de demonstrar serem em muito menor número em Portugal do que na maioria dos países europeus.
«Primeiro porque são números que dizem respeito apenas aos primeiros seis meses do ano, ou seja, até Junho. E que, seguramente, os factos de Julho, Agosto e este agitado início de Setembro vão fazer disparar. Depois porque dá a ideia de que a indicação dada às forças de segurança é a de encarar os últimos casos com normalidade.»
Irão fazer disparar? Se até o caso Madeleine, ocorrido em Maio, teve que ir buscar para a lista!? E a polícia deve encarar o crime como? Histericamente resultará melhor? Do que encarar com profissionalismo, como é suposto fazerem-no todos os dias, já que diariamente é esse o seu trabalho, combater o crime?
«Quando os factos contrariam os números, não há percentagens ou décimas tranquilizadoras. O que descansaria os portugueses era ver os últimos acontecimentos tratados como excepções: pelas forças de segurança e pelo Governo. Para não temerem que a violência generalizada esteja a instalar-se no País. Para poderem continuar a achar que se trata apenas de casos pontuais.»
É óbvio que não há estatística que valha a quem acabou de ser vítima de um crime. A probabilidade de nos cair um raio em cima da cabeça é desprezável de tão baixa, mas um dia que caia, de nada nos irá valer a ínfima probabilidade. O histerismo e indignação são perfeitamente compreensíveis e justificáveis vindos da boca de alguém que acabou de ser assaltado. No editorial de um jornal que se diz de referência é apenas histérico e sensacionalista.

Os factos não contrariam os números, até porque estes se limitam a contabilizar os factos. É o exagerado destaque dado a factos isolados e o nulo destaque dado à regra (ainda ontem ouvi um agente da PSP explicar que há 2 anos que não havia um assalto à mão armada em Viana do Castelo) que criam sentimentos colectivos de insegurança, sem qualquer correspondência com a realidade, mas apenas com as manchetes dos tablóides (editorial do DN incluído no lote).

Não é demais recordar: «Segundo o professor [Cândido Agra, presidente da Sociedade Portuguesa de Criminologia], Portugal é um país com medo. Ao estudar a insegurança deparou-se com um paradoxo ao mesmo tempo que Portugal é o país com o menor índice de criminalidade da União Europeia, por outro lado, é o "mais medroso", caracterizou o professor.» Isto interessa a quem? Não tem já o país problemas de sobra para se andar a deprimir com os que não tem?

segunda-feira, junho 04, 2007

A memória é curta: assassinos em série de Portugal

Com o julgamento do "serial killer de Santa Comba Dão" ouvem-se expressões como "o primeiro serial killer português" - ouvi-o na RTP. E daí se ouvem conclusões fáceis sobre a suposta criminalidade "como nunca se viu". Nada mais longe da realidade, como o demonstra bem o 9º lugar no ranking mundial da paz, que se fosse calculado desde a fundação, teria certamente agora o seu melhor resultado de sempre para Portugal. Voltando aos serial killers, lembro apenas dois, o último homem e a última mulher condenados à morte em Portugal.

A cabeça de Diogo Alves

Em 1841 foi executado Diogo Alves. Um dos milhares de imigrantes galegos que à época viviam em Portugal, vindo de Santa Xertrudes de Samos em Lugo, e que se dedicava a assaltar pessoas no Aqueduto das Águas Livres em Lisboa, atirando-as de seguida dos arcos abaixo. Chegou-se a pensar que se tratava de uma onda de suicídios, desconhecendo-se ao certo o número de vítimas (na ordem das dezenas). A cabeça do assassino encontra-se hoje "engarrafada" no dito monumento. O primeiro filme ficcional português, de 1911, foi sobre os seus crimes. Recentemente foi reeditada uma biografia romanceada, cuja primeira edição data de 1877. E Philip Graham [dica do Miguel] tem no YouTube um breve filme: «Bring me the head of Diogo Alves!».

Já a última mulher a ser condenada à morte em Portugal foi Luísa de Jesus, nascida em Coimbra. Tinha apenas 22 anos quando, em 1772, foi condenada pela morte de 33 recém-nascidos, que "levantava" na roda, recebendo assim 600 réis por criança, um subsídio que deveria ser usado na sua criação.

Como se vê, Portugal já teve assassinos bem mais sanguinários, e não era a existência da pena capital que os evitava...

quinta-feira, maio 24, 2007

RTP Crime

Ligo a tv pública, RTP2, à espera de encontrar a informação mais relevante do dia no seu jornal de horário nobre, mas antes vejo um indivíduo, líder de um micropartido que tem feito manchetes à custa de detenções várias entre os seus membros por, entre outros crimes, tráfico de droga, de armas, de mulheres ou homicídios racistas, a ser prazeirosamente entrevistado por Alberta Marques Fernandes.

O pretexto é, what else?, as intercalares em Lisboa, esse assunto local que o centralismo doentio da nação eleva a "questão nacional". As respostas são contra o "poderoso lobby gay", "anormal, desviante" e por aí fora. A despedida, já com o "tempo excedido", é um "tive muito gosto em tê-lo cá". E esta merda toda foi paga com os teus impostos.

Escusam de vir com a estória dos "deveres de isenção" e "igualdade de tratamento para todos os partidos" a que a RTP estaria obrigada. Porque NUNCA na história da estação isso alguma vez foi passado à prática. NUNCA numa eleição nacional se viram entrevistas a todos os candidatos, humanistas, monárquicos, atlantistas, da terra, operários socialistas, etc etc etc, porquê então fazê-lo numa eleição de âmbito local? Onde para cúmulo os "candidatos de relevo" não são os 5 do costume (correspondendo às forças representadas no parlamento), mas 7, graças aos independentes, mais do que suficientes para ocuparem demasiado tempo e recursos por si só.

A RTP viola assim a constituição ao perpetuar e reforçar um favorecimento mediático desmesurado à capital do país, discriminando tudo o resto. E ao permitir discursos de ódio em função de orientação sexual, aliás, ao premia-los com "muito gosto". Não há vergonha, não há decência, não há pingo de consciência ou ética jornalística. É o forrobodó da estupidez. Os liberais não precisam de gastar mais latim comigo, estou convencido: privatize-se já aquela merda!

PS: É isto o famoso controlo do PS sobre a RTP? Livra!

PPS: Para quem não viu, saiba que das Neves sugeria hoje no Destak que se discutisse a recriminalização da homossexualidade. A RTP não perdeu tempo a apanhar a deixa. É a chamada "agenda nigeriana" a comandar a comunicação social ("agenda polaca" seria já um eufemismo).

segunda-feira, maio 07, 2007

Do canudo até ao osso


Um dia que a dádiva salve a vida de alguém, cá estará a imprensa atenta pronta a denunciar a irregularidade do acto...

Coitadinho do eucalipto

Na imprensa portuguesa a coisa em geral funciona assim, a Lusa lança o disparate e todos os órgãos o reproduzem bovinamente. Eis então que surge o eucalipto como grande estrela do combate à poluição (SIC, DN, PD). Então o eucalipto, essa praga que seca tudo em seu redor, esse combustível fantástico para incêndios, é afinal um "campeão no combate aos poluentes"? É ÓBVIO QUE NÃO É.

Lendo as notícias para além do cabeçalho percebe-se que o estudo que motivou tão belos e taxativos títulos afinal contemplava apenas eucaliptais, pastagens e montados. Ora pastagens não são bosques, e nos montados os sobreiros estão muito mais dispersos que os eucaliptos num eucaliptal. Concluir que um eucaliptal retém mais CO2 que um montado ou uma pastagem é tudo menos surpreendente. Daí a concluir que o eucalipto é "árvore campeã" é... o jornalismo a que estamos habituados e um profundíssimo disparate.

Para termos esse tipo de conclusão teríamos que ter estudos que comparassem a retenção de CO2 por diferentes espécies de árvores. Não temos. Mas temos outra coisa, temos o conhecimento da devastação que a monocultura de eucalipto tem causado na floresta portuguesa. Pondo em perigo espécies da fauna e flora autóctones, incapazes de sobreviver perante a concorrência desleal dessa praga. E sendo o melhor combustível para qualquer incêndio. Nem precisamos de nenhum estudo para dizer isto, temos décadas de trágicas experiências. O que não temos, aparentemente, é o mínimo de bom senso e espírito crítico nas redacções do país.

Já agora, era bom que no próximo Outono, aquela altura em que os incêndios deixam de ser notícia, algum jornal tivesse a bondade de publicar um guia sobre reflorestação, semelhante a este da Universidade de Vigo (ou em inglês), que explica de forma fácil como qualquer pessoa pode colaborar na reflorestação dos montes ardidos, usando as espécies autóctones (os carvalhos porra!), que, essas sim, garantem uma floresta viva, rica, diversificada, capaz de resistir melhor aos incêndios, retendo assim muito mais CO2, e de forma mais duradoura.

PS: Já agora chamo a atenção para uma colecção de livros dedicados à floresta portuguesa editados pelo Público em colaboração, entre outros, com a Liga para a Protecção da Natureza. Consta que são óptimos, no entanto o preço e a tiragem limitada impedem uma grande difusão, não respondendo portanto à minha sugestão.

quinta-feira, maio 03, 2007

Correiodamanhização fumada

«Multas do tabaco duas vezes mais caras que as da droga» - na capa do DN de hoje, e lá dentro o título: «Fumar tabaco dá o dobro da multa por fumar droga». A sério? Quer dizer então que quem fumar tabaco (ponto) terá uma multa superior a quem fumar droga? Ou que a multa por fumar droga é comparável à de fumar tabaco, porque só se aplica quando se fuma em local público e fechado? Haverá espaços para fumar droga nos restaurantes com mais de 100m2? E máquinas de venda de charros?

segunda-feira, abril 23, 2007

Quando é que as TVs põem o batimento cardíaco do Eusébio no canto do ecrã?

Imaginem se o problema de saúde do Eusébio fosse outro. Nem é preciso imaginar uma DST (doença sexualmente transmissível), imaginem um tumor num local mais recôndito. Acham que sequer nos informariam do local com exactidão? Eu quero imaginar que não, que a privacidade da pessoa seria respeitada. E não percebo porque o não é, não entendo o detalhe, o pormenor, os directos dos hospitais para o "boletim", só porque é uma "doença sem tabus". E o hospital privado tem a certeza que isto é boa publicidade? Se calhar é e sou só eu que nunca poria os pés num sítio onde descrevem as vísceras dos pacientes a quem queira ouvir... Yeah, I'm a prude.