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segunda-feira, dezembro 22, 2008

Quem quer matar a Razão?

Não sei porque o texto não está assinado, mas seja quem for, escreve para o JN. O jornal achou por bem publicar um artigo ontem, domingo (dia do sr.), intitulado "Quem quer matar Deus?", aspas minhas, que no artigo Deus é factual e seus assassinos também. A meio da prosa encontramos outra bela pergunta: "É possível não acreditar no divino?". Tanta imbecilidade junta fica difícil de digerir e comentar que não com insultos. Mas farei um esforço.

O texto começa por anunciar em tom de alarme que o ateísmo floresce, livros ateus enchem as listas de best-sellers e até os autocarros londrinos transportam mensagens ateístas, e associa isto ao "declínio da religião no Ocidente". Mas acaba por concluir que:
«Em Portugal, embora falte estatística, a proliferação de anúncios de videntes e quejandos é suficiente para perceber que o negócio prospera, autorizando a tese de que vivemos num Mundo onde o irracional é a norma e grande parte da Humanidade crê em Deus, ainda que cada qual o defina a seu modo."»
Do mundinho onde vive o autor da prosa não deverá restar qualquer dúvida sobre a total ausência de razão. Mas convirá lembrar ao dito cujo que bruxas, mezinhas e rezinhas são mais velhas que a Sé de Braga, pelo que sem estatística mais vale não atirar a moeda ao ar, por maior que seja a fé no método.

Enfim, um curioso mundinho onde para um ateu ser radical, virulento ou assassino basta-lhe falar publicamente da sua não crença ou querer desligar-se da religião a que pertencia, enquanto que um religioso só amarrando um cinto de explosivos ao corpo merece tais honrarias. Ateus tão radicais, virulentos e assassinos e afinal tão frouxos, queixa-se no último parágrafo:
«Aliás, neste contexto torna-se pertinente a pergunta sugerida por Anselmo Borges: “Porque é que a campanha publicitária dos autocarros londrinos declara que Deus ‘provavelmente’ não existe? Porque não dizer logo que ‘Deus não existe’, se há essa certeza?”. Segundo a BHA, porque o “provavelmente” evita ferir susceptibilidades e violar as leis britânicas da publicidade. Mas a melhor explicação talvez radique, afinal, na advertência formulada na Grécia pelo matemático Euclides, 300 anos antes de Cristo: “O que é afirmado sem provas pode ser refutado sem provas”. »
Anselmo Borges, note-se, foi o expert chamado a explicar este estranho fenómeno de gente que se recusa a acreditar em estórias da carochinha e insiste em usar o cérebro que tem na cabeça. Apesar da BHA explicar a razão da escolha do slogan, o autor da prosa não se dá por satisfeito, e decide que a explicação é afinal outra. Esquece que na Inglaterra persistem medievas leis anti-blasfémia, mas não falha de todo o alvo.

Isto porque para muitos ateus, como eu próprio, a escolha do slogan é efectivamente a mais racional, lei britância à parte. Desde logo levantar uma probabilidade de não existência soa mais "simpático" ao crente, lança a dúvida em vez de partir de imediato para a confrontação. Por outro lado o cepticismo baseia-se na ausência de provas ou meros indícios da existência de deus, é uma não crença, e não uma crença na não-crença como poderia sugerir a formulação proposta. O autor erra portanto quando sugere que competiria aos ateus provar a inexistência de deus, não compete. Os ateus limitam-se a constatar a sua inexistência. Competiria, isso sim, a quem apregoa a sua existência, comprova-la, mas não o fazem, pelo que poderiam - seguindo a lógica de Euclides - ser refutados com igual sustentação. Mas se o ateísmo se distingue da superstição precisamente pelo rigor, honestidade, racionalidade e uso do método científico, fica-lhe muito melhor portanto anunciar ao mundo que Deus provavelmente não existe, pelo que o melhor a fazer é deixar de se preocupar com isso e gozar a sua vida ;)

sábado, abril 05, 2008

A comunicação social e o telemóvel

Acompanhar o visionamento deste vídeo com o brilhante texto do Miguel. Quem ainda não se fartou de vídeos de aulas de francês pode sempre ver mais este.

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Técnicas de jor-qq-coisa-ismo menos éticas


Isto já é caso velho, mas não há tempo para tudo e agora que estou numa de defender governos, cá vai... Dizer que um político "admite utilizar a tensão e a dramatização como armas políticas" é um pouco como dizer que um padeiro admite usar farinha no fabrico do pão. Pois, e isso acrescenta exactamente o quê à sabedoria geral? Provavelmente haverá quem ache isto um caso de "puro jornalismo", mas eu acho que quando uma conversa privada chega inadvertidamente às mãos de um jornalista (por erro o som foi enviado pelo canal de televisão aos outros meios, salvo erro o El Mundo foi o primeiro a divulgar - e não um sem rosto "YouTube" como diz a SIC) haverá que pesar bem o interesse da mesma, e neste caso o mesmo era nulo. A não ser para os que pretendiam criar uma polémica estéril.

Que os meios de comunicação conservadores de Espanha o façam, não surpreende. Que os meios de comunicação tuga, que pouca ou nenhum importância têm dado à campanha eleitoral do estado vizinho, o façam também já é mais revelador. Até porque cá supostamente não há meios conservadores, é tudo isentíssimo e imparcialíssimo, claro. E sem cenas menos éticas... de tal forma que nem passaram a declaração do jornalista envolvido, esse zero-ético, é o que é. Como cá não temos esses pruridos, até aceitamos encomendas pósticas, aqui fica:

Ah bom, se o Público o diz...

«Qual é o balanço que José Sócrates faz dos seus três anos de Governo, que se cumprem amanhã? Positivo, muito positivo. Que imagem tem o primeiro-ministro da sua acção e das suas políticas? Reformistas. Alguma coisa correu mal? Não, tudo correu lindamente. Este é o resumo da entrevista que José Sócrates deu hoje à noite na SIC.»
Diz que é uma espécie de jornalismo. O sr. Pacheco tinha um nome para isto... qual era, "puro jornalismo"? Ah não, já sei, "jornalismo de causas".

PS: Bem sei que isto de fazer 2 posts quase seguidos em defesa indirecta do governo comporta os seus riscos, qualquer dia passo por socrático. E como blogger já era, em menos de um ai passo de desempregado a assessor do governo. Era bom era. Anyway, e porque nunca se sabe, aqui fica o mail pra qualquer contratação: renaseveados[at]gmail.com Aqui aceitam-se encomendas pósticas, é na boínha...

domingo, fevereiro 03, 2008

Rio de Mouro on fire, ou nem por isso...

A meio da semana houve aberturas de noticiários com a "previsão de confrontos durante os funerais das vítimas do tiroteio em Rio de Mouro". A polícia dizia que não havia razões para alarme, mas nada sossegava as TVs, excitadíssimas com a possibilidade de uma Nairobi ao pé do estúdio. Chegado o dia, ontem, acorreram aos ditos funerais, por certo com coletes à prova de bala e tudo, mas, oh azar, os funerais foram marcados apenas pela tristeza e consternação da praxe. Apostava-se então na noite, mas nada. E lá passaram hoje a meio do jornal as reportagens de uma "noite sossegada em Rio de Mouro". Trabalho ingrato o de repórter... o pessoal bem semeia ventos, mas da tempestade nem sinal.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Belmiro contra Sócrates parte II

Diz que é uma espécie de jornalismo. O Público desistiu do "canudo" do PM e vira-se agora para os seus projectos dos 80's. Dos 80's! Começo a achar que isto já nem é um "Belmiro contra Sócrates", mas um "Belmiro salva Sócrates". É que convenhamos, o PM não está no seu melhor momento e seria tão fácil criticar a sua governação de forma séria e construtiva... Agora ir buscar cenas dos 80's só poderá suscitar sentimentos de solidariedade e compaixão pelo nosso PM. Toda a gente têm álbuns fotográficos dos 80's, todos nós sabemos o que é olhar para eles. O que se passou nos 80's, devia ficar nos 80's, porque nos 80's aquilo era tudo lindo! E aquelas casas eram belíssimas casas, de causar inveja aos vizinhos todos, de Curral de Moinas a Clichy-sous-Bois! Enfim... pode ser que valorizem à custa disto.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Castedo hits the news

É o furo noticioso da semana, já lidera o top do Sapo. A série de telefonemas do e para o INEM a propósito de uma vítima de uma queda em Castedo, Alijó, Trás-os-Montes, que a SIC exibiu nos seus noticiários. Enorme indignação com as falhas e demoras na assistência um pouco por todos os média, blogs incluídos. Mas dois curiosos pormenorzinhos não parecem merecer atenção entre os indignados: 1) a vítima, de acordo com os familiares que ligaram para o 112, já estava morta e 2) será normal que telefonemas desta natureza sejam exibidos na praça pública? Será que as pessoas que falam nos ditos deram autorização à SIC para que exibisse as suas conversas? É isto decente?

Por certo que há falhas nos serviços de emergência em muitos locais do país, sobretudo os menos habitados, e por certo que é assunto para merecer toda a nossa atenção e indignação. Mas e o respeito pela privacidade alheia? Perdeu-se por completo na era da reality tv? Se calhar sou eu que estou a ficar um prude, mas para mim este tipo de jornalismo é absolutamente sick. Não é com voyeurismos oportunistas que chegamos a um bom retrato do estado do SNS a nível nacional, nem na hipermediatização de casos que há uns meses atrás não chegariam sequer ao jornal local por não interessarem a determinadas agendas. Sick, sick, sick.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Literacia enfumarada: o contributo da RTP

Parece que hoje o tema do famigerado Prós & Contras será a nova lei do tabaco. Se bem me lembro nunca o programa discutiu este assunto, nomeadamente aquando da sua discussão no parlamento, altura em que poderia ter dado um contributo à mesma. Aprovada e aplicada a lei vai-se discutir o quê? Soa a golpe anti-lei, como o que o deu o sr. ASAE no casino. Serviço público, pois.

Mas os disparates da RTP não se ficam por aqui. Duas belas peças noticiosas aumentaram a confusão no Jornal da Tarde de hoje. Primeiro a confeitaria Cunha no Porto, que se queixa de uma diminuição na ordem dos 70% em número de clientes por causa da nova lei e que por isso pede a suspensão da mesma. Garanto que o dizem com o ar mais sério do mundo. Além da ameaça no ar de despedimentos, fica-se a saber que a confeitaria Cunha tem várias salas isoladas, pelo que não teria a menor dificuldade em criar zonas para fumadores, mas publicitar a ignorância injustificada é sempre mais divertido.

Logo de seguida o "bom exemplo", um café em Viana do Castelo, maioritariamente frequentado por fumadores, "aliás, o lado dos não-fumadores está vazio", diz a jornalista. O que a jornalista não diz é que a separação entre a zona de fumo e a de não-fumo é feita por uma fitinha isoladora mágica. Sim mágica! Impede milagrosamente a passagem de fumo de um lado para o outro. Ou isso, ou o tal café vianense está em flagrantíssimo incumprimento da lei. Cadê a ASAE? E a jornalista da RTP não se deu ao trabalho de ler a lei que dá mote à sua reportagem porquê?

Mas pronto, nem todo o trabalho se perde, vale o depoimento da fumadora que diz, "por um lado até aceito que ninguém é obrigado a levar com o fumo dos outros, agora, isto toda a vida foi assim". Esclarecedor, para quem ainda duvidava que divisão em relação à lei está entre os que apregoam a tradição e os que defendem a racionalidade.

segunda-feira, dezembro 10, 2007

Onde é que isto vai parar!?

Assim começou o Jornal da Tarde da RTP, pela voz de Carlos Daniel, a propósito de um homicídio de um segurança do Porto. Lanço a mesma pergunta, mas antes a propósito do jornalismo sensacionalista da RTP. Onde é que isto vai parar?

Pior. Além do tom "conversa de café" e do histerismo com que são apresentados os serviços noticiosos da televisão pública (com a falta de qualidade e rigor da privada posso eu bem, não me sai do bolso), nem sequer os casos de faca e alguidar aos quais a TV decide dar máxima importância são apresentados com um mínimo de profundidade. Quais moços de recados do palhacinho de serviço, todos acorrem a interrogar o governo. Mas ninguém é capaz de fazer as perguntas verdadeiramente incómodas e a quem de direito. Quantos agentes da PSP são também seguranças? E de que forma isso interfere com a investigação?

Agora, falar em "guerra" ou "onda de homicídios" no país onde só no ano passado pelo menos 39 mulheres foram assassinadas pelos maridos ou companheiros, sem que tais casos tenham sido notícia fora das páginas do CM e JN, é um bocadinho despropositado não? Ou será que há assim tantos espectadores que sejam seguranças da noite do Porto e devam por isso ser alertados via RTP?

sábado, dezembro 08, 2007

Ecologismo tablóide

«Pode uma acção ambientalista, promovida por um jornal de grande circulação, ser prejudicial para a Europa? Ao que parece, sim, sobretudo se o jornal em causa for o alemão "Bild", a publicação com maior audiência no país, e a acção ambientalista, da Greenpeace, for um apagão eléctrico de cinco minutos, com vista a sensibilizar os participantes da Cimeira das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, em Bali, Indonésia.

Como é óbvio, um apagão de cinco minutos em toda a Alemanha (país com mais de 80 milhões de habitantes) não é uma medida suficiente para alterar a produção de energia eléctrica. É por isso que algumas associações ambientalistas alemãs desvalorizam esta iniciativa apoiada pelo "Bild" e cerca de outras 40 organizações ambientalistas.

Mas se houver muitos alemães a aderir ao apagão, previsto para hoje, entre as 19 e as 19.05 horas (hora de Lisboa), "há sérios riscos para a rede de abastecimento de energia europeia, em que a produção e o consumo têm de estar permanentemente em equilíbrio", explicou um responsável da RWE, a maior empresa energética europeia.

A fonte de preocupação para as companhias de electricidade é o facto de várias empresas, como a BMW, Bosch, Telekom e T-Mobile aderirem à iniciativa. Se se apagarem milhões de luzes ao mesmo tempo, tal poderá desligar parte da rede eléctrica da Europa devido aos sistemas automáticos de segurança.
»

Mas o que importa é que em Bali se sensibilizem... raisparta a palermice.

terça-feira, novembro 27, 2007

Diz que é uma espécie de agência noticiosa

O Brasil entrou pela primeira vez no grupo dos países com alto desenvolvimento do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Veja-se como noticiou tal facto a Agence France-Presse: «Brasil aparece em último lugar entre países com maior desenvolvimento humano». A legenda da foto do presidente brasileiro é menos trágica: «Brasil de Lula pode melhorar». C'est comme ça.

segunda-feira, novembro 19, 2007

Prós&Prós: cadê o sr. Chávez?

Vi há pouco um anúncio ao Prós&Prós de amanhã (hoje) na RTP1. Parece que é sobre a actualidade política da América do Sul (embora seja uma má criação do pelintra que ocupa o trono de Espanha a motivar o dito cujo) e que contará para debater (em linguagem Prós&Prós quer dizer "dar palmadinhas nas costas uns dos outros") portugueses e espanhóis. Fantástica ideia! Nada como os ex-colonizadores para debaterem os desvarios dos ex-colonizados, uns indígenas sem berço nem noção...

Mas mesmo assim lamento que a Opus Dei/Fátima Campos Ferreira não tenha permitido o convite ao sr. Chávez, que passa por Lisboa no dia seguinte, e por certo não se faria rogado a aparecer. Era até da maneira que o famoso "maior debate da televisão portuguesa" seria efectivamente um debate. Mas pronto, a Opus/Fátinha lá percebeu que não lhe seria tão fácil mandar calar o sr. Chávez, como faz com os outros esquerdalhos rara/acidentalmente convidados, e decidiu cala-lo pela ausência. Bem, mas vai ser um fartote de referências ao nome do Huguito, disso não duvido. Para quando Fátinha/Dei, um programa assim sobre Angola? Ou o nosso vizinho Marrocos? O casamento gay já sei que calarás sempre, és mais casamento de bancos e tal...

quarta-feira, outubro 10, 2007

Sopinhas de peixe ou os mártires da direita

Costureirinhas que perdem o palanque numa tv privada para logo nos aborrecerem numa pública. Campos de milho massacrados por eco-terroristas. Professores mal educados que viram perseguidos políticos. A direita é um desfilar de horrores e tragédias que conseguem a mediatização que florestas vandalizadas por escuteiros, sindicatos assediados pela polícia ou a inexistência de telecomentadores de esquerda jamais conseguirão. Falemos da mais recente vítima:
«É o pivô há mais tempo no ar em horário nobre (16 anos) e, segundo um estudo do Observatório da Comunicação, o mais apreciado da informação televisiva. E denuncia: a administração interfere nas decisões editoriais da informação na RTP. E “passa recados” do poder político. Numa entrevista respondida por correio electrónico, revela que não interfere no alinhamento do Telejornal e que hoje não recusaria os convites que lhe foram feitos por outras estações, em Portugal e no estrangeiro. Mas diz que, neste momento, não quer sair da RTP.»
Esta é a introdução da "polémica" entrevista. Não é preciso ir mais longe, que nada se aprofunda. José Rodrigues dos Santos é muito "apreciado", tal como são os Malucos do Riso. Manda piadinhas no fim dos noticiários, pisca o olho, faz um ar comovido/no limiar do vómito com notícias do tipo Maddie McCann, enfim, é por isso, e só por isso, que rivaliza com os Malucos em popularidade. Bem, talvez o livro/lista telefónica onde garante "explicar a fórmula científica que prova a existência de deus" lhe renda também algumas simpatias junto de determinados públicos.

Quanto à ética ou qualidade jornalística basta reler a citação acima. Diz que não interfere no alinhamento do noticiário pelo qual dá a cara diariamente. Pelo contrário, diz que o poder político o faz. E diz que, mesmo assim, não quer sair da RTP. Está tudo dito. É esta a integridade jornalística paga a peso de ouro pelo canal público de televisão.

sexta-feira, outubro 05, 2007

RTP: aputalhando a República no seu aniversário

Sabem aquela fulana que aparece sempre muito espampanante nos telejornais da RTP, com felpudos cachecóis rosa choque e coisas que tais (acho que só ainda não a vi vestida de sevilhana, mas já faltou mais), a anunciar o nascimento de mais um fedelho real ou outras coisas igualmente superimportantes do país vizinho?

Pois é, hoje lá apareceu de novo. Pelo que percebi (não vi a peça desde o início) a notícia seria sobre as detenções de jovens espanhóis por queimarem a foto do monarca vigente. Moral da estória (sim, quando em vez de notícias se fabricam estórias, há uma moral no fim) "a monarquia espanhola custa 19 cêntimos a cada espanhol, enquanto a república custa 1 euro a cada português". Assim à queima-roupa e para finalizar, ponto parágrafo e passemos à próxima estória da carochinha.

Fiquei assim sem saber onde tinha Rosa Veloso ido buscar tão belos números, se atirou uma moeda ou ar ou consultou algum panfleto do PPM. Também não sei portanto se tal inclui as isenções fiscais sobre o imenso património da família real espanhola ou leva em consideração o facto da presidência portuguesa ser eleita e, apesar de tudo, não ser só para a fotografia. Não sei e provavelmente ficarei sem saber. Tal como não faço ideia do porquê das detenções no Batasuna não terem merecido igualmente uma reportagem. Pois afinal, o orçamento da RTP fica-nos bem mais caro que o da presidência, e mesmo assim parece só nos dá direito a assistir a estórias mal contadas e pior vestidas.

quinta-feira, setembro 27, 2007

Isto não é um país sério (2)

Sobre o caso da interrupção da entrevista a Santana Lopes na SICN para ver a chegada de Mourinho ao aeroporto (que teve o seu momento alto na nega de Mourinho à sempre pertinente questão "vai jogar no Euromilhões?"), faço minhas as palavras de Daniel Oliveira: «Isto bateu no fundo quando Santana dá merecidas lições de bom-senso a jornalistas» e «Consensual: A melhor entrevista de Santana foi aquela que ele não deu.»

E acrescento, parabéns sr. Santana Lopes, vê-se que tem aprendido alguma coisa, quase acreditamos que a sua preocupação era com a elevação do jornalismo televisivo e não a vaidade pessoal ferida, clap, clap. Você ainda vai andar por aí muito tempo...

Aproveitemos a onda e lancemos nos blogs uma petição contra os directos idiotas dos telejornais, 'bora?

sexta-feira, setembro 21, 2007

A notícia com que os chefes de redacção sonham

© Bandeira

«Casal McCann contrata Mourinho como personal trainer»